Fantasia da Telona

Publicado em: 14-11-2005 @ 1:01 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Quem acha que só a televisão tem o poder de influenciar os padrões éticos, sociais e o que mais puder, está redondamente equivocado. O cinema também mexe com a realidade, mesmo daqueles que não são cinéfilos. Há magia tanto na telinha, quanto na telona!

Sempre houve aquela polêmica acerca das influências negativas e positivas da televisão. Podre coitada. Usada como saco de pancadas e desculpas por nós que tentamos tapar os olhos e desviar a culpa para aquela engenhoca mecânica. Como já dizia um amigo meu: a televisão é tal qual uma faca. Ela tanto pode ser usada para matar como também serve para cortar aquele queijo a ser degustado com um bom vinho tinto.

Nos meus humildes estudos universitários, descobri cada teoria reveladora e enxerguei tanta estratégia competente, que não sei se grito de ódio dos manipuladores ou tiro o chapéu por admiração da eficiência deles… Mas sim, acontece que lendo e pensando sobre a telinha, só para variar, me lembrei da telona. Quem disse que ela foge disso tudo?

Acontece que eu não quis perambular pela parte moral, ética, social, política, econômica e o diabo a quatro elevado ao cubo. Fui simples. Direta. Ingênua, talvez. Sensível. E um pouco travessa. Chame do que quiser, mas eu foquei o tema da coluna dessa semana no mundo fantástico do cinema.

Quem nunca quis uma barra do chocolate Wonka? Tenho uma amiga que se “troca” por uma barrinha daquela, rapaz! Ou se não o chocolate, quem nunca quis um óculos igual quele do Willy? Eu estou na lista de espera… E quem nunca brincou de Jedi? Ou tirou onda com o som do sabre? Ou imitou o Darth Vader? Quem nunca quis um romance a la “Casablanca” ou uma aventura cheia de mistério e adrenalina com o Indiana Jones?

E aquela sensualidade do 007? Quem nunca quis? Ou aquele glamour e luxo das grandes estrelas? E a imortalidade do Magayver? Ou os poderes do Harry Potter? Ah, a lista é extensa e quase infinita. Sirva-se!

Ande logo e admita! Pelo menos pelo Herbie você teve uma quedinha… E se não por ele, certamente alguma cena, algum personagem, algo no cinema já te fez botar um pé no mundo da fantasia. Mas é isso mesmo que o cinema faz com a gente: uma viagem pelo irreal, pelo sonho, pelo maravilhoso e o fantástico.

Qual seria a graça daquilo tudo se não tivesse um toque mágico? Se fosse para ver a realidade, basta viver todo dia. E acaba sendo chato! Obviamente, cada filme varia na dose de “ilusão”. Mas em todos, sem exceção, o que se busca é uma identificação, uma distração. Cada filme com seu público, cada tema com seu feeling.

Eu devo ser um caso meio torto. Viajo tanto em filmes de animação – sou super fã, quanto em dramas, romances, suspenses. Com pouca freqüência, com comédias. Mas até num terror básico, estou viajando. Saí do “Jogos Mortais 1” querendo ser um serial killer. Mas, não se preocupem, ficou só na fantasia mesmo!

Mas meu comentário é sobre isso. Aquele bilhete que você compra no cinema é um passaporte para outro universo. Permita-se a essa viagem. No mínimo é diferente!

Clichê

Publicado em: 07-11-2005 @ 2:56 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Clichê. Tem gente que tem mania de chamar as coisas de clichê. Mas o que diabos é clichê exatamente? Tem padrão? Depende de cor, credo ou classe social? Tempo, humor, ponto de vista? Depois de presenciar uma discussão excêntrica sobre esse assunto no cinema, pensei em tornar isso tema da coluna dessa semana. Espero não cair no clichê!

Segundo o dicionário, clichê é sinônimo de lugar-comum, chavão, banalidade repetida com freqüência, coisa que se diz ou escreve com costume e etc tal. Algo sem originalidade, talvez. Não acho que seja algo que simplesmente se repita. Até porque, se fosse assim, estaríamos todos encrencados! Como disseram uma vez, “fomos traídos pelas gerações passadas”, que disseram e fizeram as melhores descobertas e chegaram s mais inéditas conclusões. Então, para mim, clichê não é apenas um simples caso de repetição. Prefiro pensar que algumas repetições são “perdoáveis”. Mais relevante do que apenas repetir, é como repetir. Você pode falar do mesmo tema através de diversos pontos diferentes, abordagens diferentes. Certo?

Eis que toda essa questão surgiu na minha cabeça depois de uma discussão numa mesa de bar. Duas colegas discutiam o teor de clichê d”O Conde de Monte Cristo”. E aí comecei a pensar nos típicos clichês que se falam por aí: o amor proibido, o perdão antes da morte, o ódio que se transforma em amor, a traição do melhor amigo, a último suspiro do assassino… Alguém ajuda?

O mais engraçado é que enquanto eu pensava nos casos de clichê, encontrei um site chamado “Manual do Clichê” que trazia inúmeros exemplos! Descobri que os pedestres de Hollywood tem os melhores reflexos do mundo. Já percebeu que as lojinhas sempre são destruídas mas o carinha- geralmente asiático - sempre corre antes de ser atingido? E que o personagem com cicatrizes sempre é o mais maluco e cheio de obsessões? E os beijos no final dos resgates, encontros e etc tal? Tudo é desculpa. Fora que a mocinha dos filmes de terror ou suspense barato sempre está seminua.

Os campeões de clichês são as comédias babacas e os filmes de terror tosquíssimos. Ou aqueles romances melodramáticos. É quase tão ruim quanto novela, que você começa a ver e já sabe como vai terminar.

Mas o que é que o clichê tem de tão ruim? Tem gente que nem os percebe. E se nota, não reclama. Eu, particularmente, detesto clichês. Pelo menos aqueles mais escrachados. Gosto de ver novidades. Adoro cinema. Então, não vou querer ver figurinhas repetidas nas telonas. Por isso reclamei tanto da falta de bons roteiros de Hollywood! Quero ser surpreendida. Aliás, quero ser surpreendida por coisas boas e bacanas. De jeito nenhum quero ser surpreendida pelo ruindade de um filme ou pela falta de criatividade do diretor. Credo!

Quem sabe nos resta alguém dar um novo tom aos clichês. Usá-los de forma inovadora. Ou irônica. Ou engraçada. Na verdade, duvido muito que um dia eles deixem de existir. Vai ver, todo ano se criam mais. Eles copulam rapidamente e passam a nos impregnar.

Qual seria a suposta solução para evitá-los? Cada dia fica mais difícil. Alguém devia escrever um manual listando todos os clichês e etc tal, com a história deles. Algo tão encrustado no cinema e em tantas outras artes não deveria ser simplesmente ignorado. Caia no clichê. Vamos reconhecer essa condição e aprender a lidar com eles. É o que nos resta, não? Vou parar por aqui, senão começo a me repetir e pronto, clichê.

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Boa Safra no Cinema

Publicado em: 31-10-2005 @ 2:51 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Mordi minha língua! E com uma felicidade tremenda! Ah, eu saio saltitante do cinema quando vejo um filme que eu goste e diga “esse é bom, rapaz!”. Me dá uma sensação de esperança e alívio que você nem imagina… Obviamente, vejo muitos filmes bons nas locadoras, mas estou falando especialmente de filmes bons nos cinemas populares dos shopping centers. Maravilhoso saber que filmes assim estão disposição de todos.

Na minha última coluna, falei sobre minha angústia e sede de filmes bons, de roteiros originais, de algo que valesse a pena pagar para ver. Citei até que os livros poderiam servir de inspiração!

Felizmente, coincidentemente ou sei-lá-mais-o-que-mente, conferi ótimos filmes nos últimos dias nos cinemas comuns da cidade! Uma luz no final do túnel, rapaz! Recomendo a todos assistir os filmes que comentarei a seguir.

Como eu não vou guardar segredo, vou dizer logo quais são meus queridinhos: “O Senhor das Armas”, “O Jardineiro Fiel”, “Plano de Vôo” e “A Noiva Cadáver”. Agora, deixe-me só explicar uma coisa. O último eu não vi. Mas acho que é muito bom. Então, para não ter que escrever a Parte II dessa coluna, comentarei sobre o bendito elemento, ok?

“O Senhor das Armas”. Nicolas Cage e Jared Leto. Um ótimo ator e um ator bom de ver. Não estou desmerecendo o Jared, mas perto do Cage ele ganha só na beleza mesmo. Não vamos esquecer da bagagem do Tio Cage: “Despedidas em Las Vegas”, “A Outra Face”, “Cidade dos Anjos”, “Adaptação”, “60 Segundos”… Ora, confira o resto na Metamorfose aqui do CCR! Filme bom é que não falta.

Agora, Nicolas veio com “O Senhor das Armas”, que tem critica aqui no CCR também interpretando Yuri Oslov, um comerciante de armas ilegais. Mas vamos ao que interessa mesmo. O filme é espetacular. Trás um tema super atual, principalmente por que estreou uma semana antes do Referendo. Não é sensacionalista. Não é apelativo. Fala de algo que vemos nos jornais, mas não é tedioso. É polêmico e questionador, mas de forma sutil. Aborda vários pontos de vista sobre o assunto, mas discretamente. Ah, pena que não pode falar palavrão aqui… Por que o filme é F mesmo.

Ele trás a África, assim como “O Jardineiro Fiel”. Mostra a sub-vida que se desenvolve lá. Mais ousado ainda, ele escancara o esquema de comércio de armas, sustentado pelo próprio Exército e Estado. A lei corre atrás do erro. E essa mesma lei propicia a execução do erro.

A história se desenrola normalmente com foco no protagonista Yuri Oslov. Simples assim. Parece que o filme foca só no comércio de arma, mas não. O assunto que invade o drama, não o filme ataca o assunto. Questões humanas do próprio personagem são abordadas. Parentes e amigos são afetados. Culpa, amor, desespero, angústia, euforia. Tem de tudo, com doses medicinais. E o desfecho da história quebra. A última frase do filme é no mínimo preocupante e controversa. Mas até parece que eu vou contar… Faça um ato bom no dia: confira esse filme.

“O Jardineiro Fiel”. Ralph Fiennes e Rachel Weisz. Um ator de qualidade e discreto e uma atriz competente que não abusa da imagem. Eu não vou nem mentir. O nome Ralph Fiennes não me trazia muita coisa na mente, mas depois que conferi o filme e a Metamorfose dele aqui no CCR, virei fã. “Dragão Vermelho”, “A Lista de Schindler”, “O Paciente Inglês”… Filmes muito bons que contam com o trabalho distinto do ator. Rachel Weisz já tem um nome mais fácil. Depois de “Constantine” com o Neo, digo, com o Keanu Reeves, a mocinha ficou mais conhecida.

O nome do filme pode causar interpretações errôneas. E quem escutar sobre a história pode até se perguntar: e o que jardineiro e fidelidade tem a ver com isso?

Em “O Jardineiro Fiel”, Fiennes e Weisz fazem um casal apaixonado que muda-se para a África. Justin e Tessa Quayle. Assim como “O Senhor das Armas”, “Jardineiro” não necessariamente foca no drama africano acerca da política da saúde feita lá. Isso é apenas o plano de fundo. Como vi num artigo da revista VEJA, o filme é uma história de amor. Quem disse que romance só pode acontecer em Paris? Ou no outono?

Justin Quayle, após saber do assassinato da esposa, se dedica a ver com os próprios olhos o que a esposa viu. E paga caro por isso. Viagens desgastantes, situações perigosas, descobertas, decepção, traição… Uma mescla de emoções são exploradas no desenrolar do drama. E ao fundo dessa ficção, temos a realidade assustadora da África.

Crianças e adultos tratados como cobaias. O poder e a ganância falando mais alto, subjulgando os mais pobres. Pode-se dizer até que há uma relação com o curta-metragem “Ilha das Flores”… Eu me emocionei. É repugnante o que fazem por lá, e isso deve ser mostrado para o mundo.

Fernando Meirelles provou que sabe fazer cinema. “Cidade de Deus” já o consagrou no cinema nacional. Agora, depois de “O Jardineiro Fiel”, quero nem saber quem é Walter Sales… Perdão. Depois dizem que brasileiro não sabe fazer cinema. Não vamos exagerar. Também não vamos achar que somos os “bonitos”. O mérito, na verdade, é do Fernandinho…

Vale a pena assistir. Por que é bom. Por que é inovador. Por que é de um diretor brasileiro e nós temos que valorizar o que é nosso.

“Plano de Vôo”. Jodie Foster. Só com esse nome o filme já calava a boca. A atriz espetacular de “Táxi Driver”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Quarto do Pânico” reaparece em mais um drama-suspense que serve de bom entretenimento. Mas não vamos monopolizar as atenções. O filme trás também alguns atores não tão conhecidos que ajudam no desenrolar da trama, como por exemplo: Sean Bean, que interpreta o capitão, outrora foi Boromir em “O Senhor dos Anéis”; Erika Christensen interpreta a aeromoça Fiona, e antes havia feito “Fixação”.

Enfim, não é um filme estupendo que mudará sua vida. Mas é uma história bem bacana, que foge dos clichês, e quando cai em algum, pelo menos é de forma elegante! Sem falar da fotografia, a iluminação do filme. Não é cansativo e nem de longe é entediante. Feito para uma sexta-feira despretensiosa, quando se quer apenas um entretenimento sem compromisso.

“A Noiva Cadáver”. Tim Burton e Johnny Deep. Novamente! A dupla nada convencional se encontra mais uma vez nessa animação, após Willy Wonka e “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. O nome já é estranho. E sabendo de quem se trata, aí que rola curiosidade mesmo.

Espero conferir o filme essa semana, logo, estou falando de algo que não conheço… Mas acredito que, como sempre, Tim Burton vai trazer algo aparentemente comum e normal, e transformar isso numa fantasia, em novos pontos de vista e no que mais ele tiver direito. E isso tudo com a voz do meu querido Johnnie!

O tema aparentemente é o amor. Aquele que todo mundo acha que já sentiu, ou que conhece e que nada mais nele pode se mostrar novo. Por ser um tema tão comum e tão complexo, ao mesmo tempo, é que estou apostando que Burton vai, novamente, arrebentar em “A Noiva Cadáver”.

E é isso aí. Estréias boas podem ser conferidas nos cinemas. Aproveitem! Fora outros que também prometem, como “Crash”. E não deixem de conferir. Não se sabe quando seremos presenteados com tantos filmes decentes novamente!

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Livros: soluções para novas idéias?

Publicado em: 17-10-2005 @ 2:47 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Dizem que no mundo de hoje não há mais nada a ser criado. Resta-nos apenas o plágio e a adaptação. Se isso for verdade verdadeira, aqui temos uma explicação do porquê que agora é tão raro ver um filme bom e original. Mas, por mais difícil que seja, ainda se vê. Então?

Após várias idas e vindas quela sala escura, umas felizes e outras frustradas, cheguei a uma simples conclusão: menina, não crie grande expectativa! Eu não sei lidar muito bem com minhas frustrações. Logo, quando vou ver um filme, morrendo de expectativa, acaba que eu morro mesmo, só que de raiva.

Parece que os trailers estão ficando melhores que os filmes! É uma expectativa, uma “preliminar” tão bem feita que só falta causar “ejaculação precoce”… Mas quando você vê, é “broxante” mesmo. Aconteceu comigo várias vezes. “Alexandre”, “O Aviador”, “Vôo Noturno”, “Guerra dos Mundos”… Nem lembro mais. Faço questão de esquecer! Esses nem são filmes péssimos. O problema é que eu fui super animada e iludida, que nem aquelas meninas que iam nos aeroportos ver boys-band.

Durmi, fiquei entediada e não gostei. E já foi tema de coluna minha o que digo agora. Onde diabos foram parar os bons roteiristas? E quando digo isso, falo predominantemente do cinema americano, por que não conheço bastante do cinema europeu. Falha minha, eu sei! Mas, então, eu me pergunto: fugiram para Atlântida? Morreram queimados em Roma? A Inquisição acabou com os coitados? Tem um telefone para onde ligar?

Não vou exagerar. É a relidade. A maioria é excremento. Mas tem uns anjos da criatividade que conseguem se sair. “Menina de Ouro”, “O Jardineiro Fiel”, “A Vida de David Galé”, “Sin City”, “O Júri”… Não vou citar os clássicos da década de 80 para trás. Estou falando é do agora. E provavelmente, da posteridade, dando uma de Nietzsche. Quem sabe, talvez, nesses filmes eu estava “adestrada” em relação minha frustração. Mas, racionalmente falando, acho que esses filmes trazem histórias interessantes. Expurgam aquela sensação “ah, sim, de novo” ou “agora ele faz, aquilo e mais aquilo ali”. Dá pra notar que eu não sou muito chegada em comédias besteirol e dramas românticos demais, né? Perdão, como já diria um colega meu.

Eu ficava perambulando por esse limbo dos roteiros originais perdidos sem nenhuma nova idéia. Até que me apareceu uma. Eureka! Criei vergonha na cara e voltei a me dedicar leitura. Nerd ou não, voltei a ler um livro por semana, e foi daqui que veio minha mais nova pergunta: por que existem livros tão bons e atuais, e no cinema tem tanta coisa clichê? Ahá! Quem dá mais, quem dá mais?

Andei lendo Ken Follet e Noah Gordon nos últimos dias. Ambos com histórias maravilhosas e intrigantes, e bem mais interessante que aquelas histórias infames e mecânicas do Dan Brown! Por que não rola uma adaptação básica aí? Vai ver os roteiristas estão lendo de menos e farreando demais. Estão indo na fonte errada, rapazes.

Andei conversando com umas criaturas sobre isso e me vieram algumas possíveis respostas. Direitos autorais são caros! Droga. Mas então, que servisse de inspiração! Deve ter uma “ruma” de livros maravilhosos, com várias histórias ou argumentos que dariam bons filmes. Filmes que valesse a pena sentar para ver e que, no final, acrescentasse algo positivo na pessoa. Ou negativo mesmo, que nem quando eu vi “Jogos Mortais” e saí com um instinto serial killer… Mas acrescentou!

Será que ler mais não seria uma solução para o povo do cinema? Ou viver mais? A vida em si proporciona experiências notáveis! Enfim, que achem uma solução. Que seja apenas uma fase pós-moderna. Não é assim que funciona? A próxima ‘escola’ vem para negar anterior. Que venha logo e negue essa falta de criatividade, oh!

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Mera Coincidência

Publicado em: 10-10-2005 @ 2:34 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Num mundo moderno e tecnológico como o nosso, onde a beleza e o materialismo imperam, será que podemos ainda acreditar genuinamente em tudo que vemos? O filme ‘Mera Coincidência’ me fez questionar a veracidade do mundo a nossa volta.

Sabe aquela bagagem cultural que é sempre bom você carregar sobre a área que você trabalha ou mesmo sobre as curiosidades do mundo? Pois sim. Todo bom comunicador dos dias de hoje deveria sentar o traseiro no sofá e assistir, criticamente, o filme ‘Mera Coincidencia’.

Ele ocorre durante uma eleição nos EUA. Um dos candidatos é o atual presidente, que acaba se envolvendo num escândalo de teor sexual, o que pode afetar negativamente o resultado da eleição que ocorreria nos próximos 15 dias. Para resolver esse problema, na intenção de desviar a atenção do público do escândalo, uma equipe de relações públicas resolve contratar um cineasta para criar uma guerra fictícia.

O diretor do filme, Barry Levinson, que já havia trabalhado com Dustin Hoffman em ‘Rain Man’, acertou de novo na escolha do ator. Ele interpreta o produtor de cinema Stanley Motss que encenaria uma guerra na Albânia que seria usada para desviar a atenção pública para outro fato, além de limpar a imagem do presidente e focar nos interesses eleitoreiros.

Impressionante como as pessoas envolvidas agiam como se estivessem produzindo mesmo um simples filme, sem cogitar as conseqüências nacionais que viriam. O povo é transformado em manada, a ser enganada em prol de qualquer fim particular da conta de quem estiver no poder. Tudo bem que Comte um dia ficou maravilhado com a ‘sociedade orgânica’, onde todos tem suas funções e atitudes com fins particulares e, mesmo assim, no fim temos uma grande estrutura dinâmica e eficiente. Mas neste caso, os fins particulares passaram dos limites!

Robert De Niro interpreta o ‘salvador’ estratégico Conrad Bean, que trabalha em dupla Anne Hiche e outros auxiliadores, como um compositor de referência e um suposto ‘Rei da Moda’. Tudo girando em torno da fraude de uma guerra, que chega a trapacear até a CIA e o FBI. As cores das roupas, a cor do gato, o cenário… Tudo é colocado de acordo com a reação esperada do povo americano. E tudo em legítimo segredo. Inclusive, um dos argumentos de Connie era: e quem é que vai saber? Ninguém vai contar mesmo!

Vire a câmera agora. Imagine se eles estão bolando um ‘filme’ assim para a nossa realidade? Como saber? Teríamos que procurar algum ‘dedo-duro’ por aí… Por exemplo, o atentado terrorista das torres gêmeas. Há quem diga que aquilo tudo foi forjado, que não passou avião nenhum, que tudo se tratou de uma bomba implodida. Pior, eles afirmam alguns argumentos e provas visuais que fazem a teoria ter sentido. E aí? Eu não nego. E nem duvido que possa ser verdade. Não duvido de mais nada!

Cuidado com o que você vê e ouve. Provavelmente, não é completamente verdadeiro. Nem que seja apenas um exagero pequeno. Ou um retoque mínimo, nem que seja num Photoshop da vida. Num mundo a sensação de poder tudo é tão forte, nos resta apenas aprender, ou melhor, arriscar a confiar nas pessoas… Por sinal, você não necessariamente deve confiar em mim!

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Para quem o Cinema é feito?

Publicado em: 03-10-2005 @ 2:32 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Dizem que para tudo há um público. E eu concordo. E será que para cada público, ou melhor, para cada pessoa, haveria algo específico? Dependeria de cor, credo ou classe social? Num mundo que se diz tão moderno, será que as pessoas ultrapassaram os pré-conceitos? E o cinema? É glamoroso dentro e fora das telas, atingindo até os ‘favorecidos’ que podem prestigiá-lo? Essas e outras questões dentro da coluna…

Vivemos num país de enormes desigualdades sociais. Isso vem de atitudes erradas na economia, na política, na moral, na história… Vem de décadas e está incrustado no nosso verde-amarelo. Obviamente, outros países sofrem disso também. Mas estamos no Brasil, e é dele que preferi fazer referência.

Ir ao cinema hoje em dia é bem mais caro do que antes. Não é toa que as filas dos dias de promoções estão cada vez maiores… Pagar quase dez reais num ingresso não é brincadeira! Conseqüentemente, cinema tornou-se um privilégio das classes mais favorecidas. Cinema virou coisa de elite. Será?

Enfim, eu não me surpreenderia. Além do fator financeiro, tem que ver a localização. Normalmente, os cinemas ficam em shoppings, que já é pasteurizado como ‘coisa chique’. Ainda bem que agora deixam entrar de havaianas… Ah, mas essa aí virou coisa ‘chique’ também…

Isso é uma infelicidade tremenda. Cinema é arte. E arte deve ser para todos, que nem aquelas loterias que tem em toda esquina em letras garrafais: PARATODOS. Que frescura é essa de dizer que tem que ter ‘algo a mais’ para se ver alguma peça artística? Todo ser humano tem capacidade de sentir, de se sensibilizar. Sendo assim, qualquer um pode e deve ter acesso s artes, cada um com sua concepção, com sua interpretação.

Resultado: só certas classes, certos tipos de pessoas, tem acesso ao cinema. CRIME! Felizmente, eu tive a oportunidade de conferir de perto o desenrolar do 1o. Festival Latino Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada, o apelidado Curta Canoa. Primeiramente, vi que o festival tinha a intenção de levar cultura – no caso, o cinema – ao interior, s pessoas que não teriam acesso quilo normalmente.

O feedback, pelo menos para mim, foi por demais gratificante. Um telão em praça pública. Olhos curiosos. Gestos ansiosos. O filme começa e é um mundo completamente novo. Nada de sala escura, nem pessoas frias e impessoais entrando, mecanicamente, e sentando afastadas umas das outras. Ali era interação pura! Era gente rindo junta, cutucando o vizinho que nem conhecia, emocionando-se sem vergonha alguma… Quando que se vê isso numa sala de cinema, uma dinâmica dessa? Muito difícil, meu caro. E ali fluía naturalmente.

Estamos tão acostumados a ver o cinema como algo técnico… Olha a fotografia, olha o plano, olha os takes, olha isso, olha aquilo. Olha, rapaz! Credo. Quer saber? Acabamos por esquecer o principal: emocionarmo-nos. Esquecemos da entrega por inteiro, esquecemos de sentir. Aquele pessoal de Canoa Quebrada entregava-se ingenuamente. As reações, alegres ou tristes, eram genuínas. ‘Eu gostei por que eu ri’. ‘Eu não gostei, por que eu chorei’. Simples assim. Gostei por que é bom. Odiei por que é ruim. Quem disse que isso não é crítica de cinema?

Tem que ter diploma? Roupa da moda? Carro do ano? Tem que ter o quê para ser ouvido? Tem que ter o quê para ter acesso? Parem de rotular tudo, de limitar as coisas. Já dizia umas bandas de pagode aí: ‘tudo que é bonito é para se mostrar’! Que deixem mostrar o cinema! Aliás, deixe o cinema se mostrar. Cinéfilo que é cinéfilo deve ter assistido ‘Cinema Paradiso’. Metalinguagem belíssima do cinema, com filmes exibidos em praça pública. Uma cidade pacata que tinha o cinema como guia dos acontecimentos do lugar, que influenciava e mudava o destino da vida das pessoas. E nem precisa ir tão longe não. Tem um curta-metragem que eu aprovo e recomendo, que é cearense e que trata exatamente disso que estou falando. ‘Cine Holiúde: O Astista Contra o Caba do Mal’. Filme feito no legítimo ‘cearês’, regional até o último segundo, engraçado e emocionante. Pra quê ir buscar lá noutro continente coisa que temos aqui? Oura, vocês estão é por fora se acham que aqui no Brasil, e aqui no Ceará, não temos boas produções!

Para ver cinema não é preciso ser melhor que ninguém. E para fazer cinema, basta ter sensibilidade no olhar. Cinema une, iguala, transforma, fantasia… É mágico. Uma pena que na estrutura de mundo que vivemos seja tão difícil o acesso a esse mundo luminoso. ‘Estão jogando pérolas aos porcos’, eu ouvi uma vez. Engraçado é que nem todo mundo sabe exatamente o que é pérola e quem são os verdadeiros porcos…

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Conceitos Perigosos

Publicado em: 12-09-2005 @ 2:20 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Massa significa o mesmo que multidão? Público acaba sendo uma massa específica ou minoria? Quem é que vai ao cinema afinal: o público, a massa ou a multidão? Ou ninguém? Esses são alguns conceitos usados diariamente. Mas quem disse que eles são tão simples quanto aparentam?

Ultimamente, tenho vivido no mundo das teorias da comunicação. Influências da faculdade, perdoem! Mas vejo tanto coisa interessante e intrigante todo dia, que fico com uma vontade louca de traduzir para o ‘coloquial’ e relacionar com cinema, para finalmente transformar numa coluna semanal.

Dessa vez foi a confusão comum entre conceitos que me levou a escrever. Na coluna de hoje vou trabalhar com quatro conceitos: público, multidão, massa e minoria. Parecem sinônimos? Antagônicos? Farinha do mesmo saco? Neologismo? Nada com nada? Palavrão? Quem dá mais? Quem dá mais?

Ok. Para começo de conversa, vamos por tudo nos lugares corretos. Público fica perto de multidão. Massa fica perto de minoria. Vou trabalhar em duplas e depois complicar tudo, tá? Na verdade, nem vai complicar tanto. Em colunas passadas, já falei sobre público e sobre multidão. Então, quem já leu, tem idéia do que pode ser dito aqui.

Pois bem. Multidão. Multidão é a torcida do Flamengo. É a fila na estréia de Star Wars. É o engarrafamento nas avenidas na hora do rush. Algo daquele tipo que vemos em ‘Encontros e Desencontros’, ‘Coração Valente’… É isso tudo e mais qualquer coisa que você imaginar visualmente que tenha uma ‘ruma’ de gente. Isso mesmo. Multidão é um conceito quantitativo e visual. Multidão só existe com uma ‘cambada’ junta, naquele momento por motivos comuns. Por exemplo, uma multidão, composta de diversos indivíduos diferentes, se junta para reclamar o preço da entrada do cinema. Um número grande de pessoas juntas em prol de uma idéia, necessariamente tendo contato físico. Deu pra entender? Isso é uma multidão. E você só participa de uma por cada vez. A não seja feito de uma massa que possa estar em dois lugares ao mesmo tempo!

Relacionando ao cinema, pergunto: e multidão vai ao cinema? Vai sim, ora! Ela só não ‘vai’. Ela se ‘forma’ no cinema. Quando estamos assistindo a um filme, vemos vários pessoas na mesma sala vendo o mesmo filme. É um número considerado, certo? Então, forma-se uma multidão. Obviamente, estou falando de uma sessão normal, não numa sessão de 13:30 da tarde para ver o filme da Xuxa que insiste em aperrear nossas cabeças!

Mas nessa mesma sessão que se forma uma multidão, encontra-se também um público. Complicou? Calma, é fácil. Multidão é algo físico e quantitativo, e essa quantidade chega a ter um limite. Duvido que um dia todo mundo do planeta se junte na mesma multidão! Se chover, nada feito. E se não houver liderança, tudo se fragmenta. Logo, o número da multidão é limitado. Já o número do público é ilimitado! Pense num caba quente! Ele é ilimitado pelo fato de que não exige contato físico nem pessoal. Você tem certo interesse e procura aquilo que satisfaça sua curiosidade. Você gosta de cinema, então, vai conferir os últimos lançamentos. Assim como você pode gostar apenas de dramas e fazer parte do público de drama, ou do público de suspense… Você vê isso no filme ‘O Show de Truman’, que inclusive eu já estudei pelo behaviorismo em colunas passadas. Todas aquelas pessoas, que não se conhecem, fazem parte do mesmo público: o público do reality show da vida de Truman.

Logo, conclui-se: você pode fazer parte de vários públicos, mas apenas de uma multidão por vez. Inclusive, uma multidão pode ter vários públicos contidos. Agora, massa e minoria. Será que tem algo com quantidade? Status? Competência? Qualidade? Vamos ver!

Massa e minoria tem a ver com qualidade. São conceitos qualitativos. Diz respeito ao tipo de homem. E na verdade, esse conceito surgiu com a modernidade, fermentado com todo sistema de mídia. Os estudiosos da comunicação e da sociologia dizem que a sociedade é composta por esses dois fatores – massa e minoria – e que eles diferenciam o comportamento do homem. A minoria procura desafios, procura destacar-se. A massa ‘segue com a boiada’. Daí vem a cultura de massa e etc tal. A massa é composta pelo homem-médio, pelo homem-genérico, por homens que não pretendem ser especiais nem atribuem a si algum valor. Não que a pessoa seja medíocre. Ela apenas prefere ficar na dela e seguir com a maioria. Oposto a isso vem a minoria, com homens que não petulantes, mas que são determinados a diferenciar-se. Conseqüentemente, essas pessoas obtém mais conhecimento e posição, como por exemplo, os políticos.

Tem gente que assiste qualquer filme e que engole qualquer coisa que venha de Hollywood. Tem gente que desenvolve senso critico e prefere ver produções mais elaboradas. São os tipos de pessoas que definem a massa e a minoria.

Enfim, e a massa e a minoria vão ao cinema? Vão sim! E formam multidões e formam públicos também. Na verdade, massa e minoria não é algo consciente. Você não escolhe. Você simplesmente passa a ser de acordo com seu comportamento. E nem por isso vai ser melhor ou pior que alguém. Obviamente, a sistema que vivemos hoje torce para que cada vez mais a massa aumente, por que assim, haverá menos critica e maior será a facilidade de persuasão.

Enfim, todo mundo vai ao cinema. Primeiro, como individuo. Depois, podemos sair classificando nos quesitos de grupo social, classe de homem, classe social… Uma infinidade de coisa. Não é nada absoluto. Nem tampouco tudo é relativo. Digamos que seja uma gelatina!

O importante é saber que os conceitos não são tão simples assim. Importante também é desenvolver senso crítico e saber o que está se fazendo e para onde estão nos guiando. Se o filme que você vai ver é bom ou não, quem diz é você. É a sua subjetividade que faz de você uma pessoa melhor, não a marca que você usa ou o cinema que você freqüenta. Acho que na próxima coluna vou falar de rótulos. Mania besta que o povo tem de rotular tudo… Ah, e povo também é conceito complexo! Mas fica para a próxima!

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Behaviorismo

Publicado em: 05-09-2005 @ 2:13 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Existem filmes brilhantes: simples e inteligentes. Acredito que essa seja uma das melhores combinações do cinema. Assim é o ‘Show de Truman’, que mescla a comédia com alguns fundamentos intrigantes da psicologia, como o behaviorismo.

Eu tenho um vício do qual não consigo largar, e de fato, nem quero! Tenho uma mania incontida de aprender coisas novas, mas de preferência, coisas bem novas mesmo, nada que qualquer um tope no meio da rua, mas algo que exige uma pouco de boa vontade e que seja privilégio dos que buscam conhecimento por livre e espontânea vontade.

Além desse vício explícito, tenho a vontade de sempre relacionar com cinema nos intervalos, principalmente para ter algo bom para falar para vocês aqui! Pois bem, essa última semana eu andei me revirando com a psicologia. Mais especificamente, com o termo ‘behaviorismo’.

Alguém aí sabe o que é Behaviorismo? Ou Comportamentalismo’? Ou Teoria Comportamental? Ou Análise Experimental do Comportamento? Ou Análise do Comportamento? Sabe? Sabe? Sabe? Tomara que não, por que senão vou explicar toa! Na verdade, esse bando de nome aí significam a mesma coisa, fazem referência ao mesmo conceito e acabam caindo na palavra que eu citei antes: behaviorismo.

Para quem anda prestando atenção nas legendas dos filmes, ou nas aulas básicas de inglês, ‘behavior’ significa ‘comportamento’ na língua inglesa. Clareou um pouco sobre o que vamos falar? Um pouco, né? Mas nem se anime e ache que é algo simples assim. John Watson estudou muito, e usou vários ratinhos indefesos, para desenvolver esse termo intrigante do mundo da Psicologia.

Watson, cientista americano que criou esse o termo, chegou e disse que o comportamento seria o novo objeto de estudo da Psicologia e que ele deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio. Certos estímulos levam o organismo a dar determinadas respostas e isso ocorre por que os organismos se ajustam aos seus ambientes por meio de equipamentos hereditários e pela formação de hábitos. Resumindo, Watson buscava a capacidade de prever e de controlar. Ambicioso, hein? O Cérebro deve ter se inspirado nele… Incrível como esses ratinhos de laboratórios aprendem até demais!

Mas sim, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do rapaz (respostas) e as ações do ambiente (estímulo). Dá para entender um pouquinho? Calma que começa já a parte prática! Antes vocês tem que conhecer o Skinner, um sucessor do Watson que chegou com uns conceitos bem práticos.

Skinner falou sobre o comportamento respondente ou reflexo, que normalmente chamamos de ‘não-voluntário’ e inclui as respostas que são produzidas por estímulos antecedentes do ambiente. São ações independente de uma aprendizagem.

Ele falou também sobre o comportamento operante, e Keller completou dizendo que esse comportamento ‘inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que tem efeito sobre ou fazem algo ao mundo ao redor em algum momento. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta ou indiretamente.’ A leitura dessa coluna é um exemplo, assim como eu escreve-la também é. E nesse lance operante, existe uma relação fundamental que é aquela entre a ação do indivíduo e as conseqüências, que acabam por retroagir sobre o sujeito, alterando a probabilidade futuro de ocorrência.

Meio louco, se olharmos rapidamente, mas bastante intrigante se olharmos com calma. Afinal, donde vocês acham que saíram todos aqueles livros de auto-ajuda para pais? Tudo isso tem o fim de criar um comportamento desejado no indivíduo. E é bom vocês ficarem sabendo disso para não serem pegos tão facilmente! E olha que eu só estou falando da psicologia e do homem. Imagine quando eu vier falar da comunicação de massa! ‘Sorria, você está sendo manipulado’, opa, ‘filmado’!

Mas sim, e o que isso tem a ver com o cinema? Ora, existe um filme espetacular que lida com isso tudo que eu falei e mais um pouco, de forma cômica, simples e brilhante. É sim. Você certamente conhece. Não é nem um documentário ou um filme europeu ‘cult’ que exige grandes interpretações.
É aquele com o Jim Carrey, ‘Show de Truman – O Show da Vida’.

Vocês já pararam para pensar, além das risadas, no que o diretor Peter Weir estava pensando quando fez aquele filme aparentemente irreal? Ele nem foi tão longe para buscar inspiração. Deixe-me explicar.

Truman é o primeiro bebê televisivo, criado num mundo aparentemente real e perfeito, encenado por atores e controlado por mais de mil câmeras. Nada ali é real. Tudo ali é real. Loucura, hein? Cristof é o grande criadar do BBB megalomaníaco. Cristof. Notaram alguma semelhança com o cara lá de cima? É, o Cristo. Só um ‘f’ de diferença. E não foi toa. Além do próprio nome de Truman. True + Man. Homem verdadeiro. Tudo ‘a la ironia’.

Existiu um rapaz muito inteligente, chamado Sartre, que desenvolveu um pensamento filosófico conhecido como ‘existencialismo’. Sartre dizia que para nós, homens, sermos livres, Deus não poderia existir. Pesado, né? De fato. Mas tem lá seu sentido. Ele pôs no ringue dois termos: existência e essência. Vou dar um exemplo conhecido: a cadeira. O carpinteiro quando vai fazer uma cadeira, já tem a idéia concreta da cadeira na cabeça, certo? Então, ele tem a essência da cadeira. Então, ele constrói a cadeira e lá está ela, pronta pra servir de assento. Então, ela existe. Agora, a bendita cadeira teve chance de escolher entre ser cadeira ou não? De jeito maneira, ela não passou pelo dilema ‘hamletiano’ de ser ou não ser uma cadeira. Ela já era, já tinha sua essência antes mesmo de existir. Logo, Troque os nomes: carpinteiro por Deus e cadeira por homem. Sacou a jogada do Sartre?

Sendo assim, Truman sempre teve sua existência presa essência criada por Cristof. Nenhuma ação sua era espontânea. Tudo era calculado. Para isso, ele cresceu cautelosamente sendo educado por reforços positivos e negativos, por reflexos condicionados.

Ele morava numa ilha. Logo, não seria tão fácil ele simplesmente ir embora. Mas e quando ele começasse a perguntar? E se ele quisesse simplesmente pegar um barco e explorar o mar? Até por que o pequeno Truman era bastante curioso. Curiosidade fazia parte da sua subjetividade. Então, o que eles fizeram? Mataram o pai de Truman afogado para o coitado ficar traumatizado e não querer chegar perto de água tão cedo!

Acontece que a mente humana não é tão simples assim. Controlar alguém não é tão possível assim, mesmo com a ajuda de todo uma equipe gigantesca. Tem algo que ninguém consegue controlar. E espero eu que não consigam nunca! Truman era cercado por câmeras, mas esqueceram de por uma câmera no seu subconsciente, na sua subjetividade.

Assim, ele, por mais manipulado que fosse, sempre teria seus desejos mais íntimos, suas vontades mais primitivas. Isso foi representando pelo amor primeira vista que ele teve por Sylvia. No primeiro ato espontâneo que ele quis ter, o ato de apaixonar-se, o elenco cuidou de tirar aquela ameaça de perto dele e consertar a ‘cabeça’ de rapaz.

Mas, já falei e repito, enquanto você não esquecer sua subjetividade, sua identidade única e especial, você não vai acabar um Truman da vida. Alias, nem ele acabou assim. Ele foi atrás do que deixava-o inquieto e descobriu toda a verdade, e, muito educadamente, pulou fora daquele mundo falso e ilusoriamente seguro.

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Violência

Publicado em: 05-09-2005 @ 2:08 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Duvido que alguém aí venha dizer que gosta de violência. Se tiver, deve ser uma minoria, torço! Mas há controvérsias, e ela vem do fato de que os filmes que contém cenas de violência conseguem arrebanhar um número considerado de fãs. Em um século de guerras e clamores pela paz, de coisas tão contraditórias, será que o cinema pode espelhar a atitude das pessoas em relação a isso?

Vivendo num mundo cada vez mais capitalista, pelo menos uma coisa eu aprendi: se tá vendendo é por que o consumidor quer. Logo, uma coisa qualquer que não caia no gosto, ou melhor, no bolso do povo, não vai ser produzido com tanta velocidade quanto algo que esteja na crista da onda. Correto?

Então, se existem filmes com cenas violentas – e alguns só com cenas violentas, é por que tem um público para isso. Eu só me pergunto que graça tem ver gente morrendo na telona. Já vimos tanto isso no jornal de todo dia, ora…

Houve uma época que eu só ouvia falar de filmes sangrentos. Ultimamente, existe uma variedade maior. Graças aos bons roteiristas! E esses daí estão em extinção… Os únicos filmes ‘sangrentos’ que eu me atrevo a falar que gostei foi ‘Kill Bill’ e ‘Pulp Fiction’, que nem é apenas pancadaria e jorros de sangue. Mas, venhamos e convenhamos, ambos são crias do queridinho Tarantino. Sou suspeita a falar. Só não venha tentar me convencer que ‘Duro de Matar’, ‘Duro de Matar 2’, ‘Mais Duro de Matar Ainda’ e toda aquela companhia que parece nunca ter fim são boas películas.

Se filmes de ação e violência extrema são produzidos é por que o povo é ávido para ver isso. Agora, não generalize. Não estou dizendo que violência nas telonas é coisa deplorável. Calma aí. Estou dizendo que o modo como ela é mostrada, banalizada e sem razão aparente, é algo extremamente dispensável. Já basta as guerras do Iraque, os abusos da polícia, os tiroteios nas favelas e em toda esquina desse país.

A violência, dependendo de como venha a ser trabalhada, pode ter um objetivo decente. Se mostrada como algo real afim de causar conscientização, ta valendo. Basta ver ‘Carandiru’, ‘Amarelo-Manga’, ‘Cidade de Deus’. Também não vamos ser tão ditadores: um pouco de adrenalina pode ser bom. Mas só um pouco, quando é feita com disputas de carros ou fugas inusitadas. Nem vou falar dos filmes de horror. Tenha dó. E os filmes suspense, os filmes realmente bons desse gênero, não precisam mostrar a anatomia do corpo humano a cada cinco minutos para causar suspense. Vá assistir ‘Silêncio dos Inocentes’ para entender do que eu estou falando. Um clássico!

Mas é isso. Vamos cobrar bons temas no nosso cinema de cada dia. Afinal, o cinema é uma arte, não um purgatório apelativo.

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Multidão ou Público?

Publicado em: 22-08-2005 @ 1:39 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Uma multidão vai ao cinema. Um público vai ao cinema. Afinal de contas, quem é que vai ao cinema: o público ou a multidão? Ou será que os dois dizem respeito s mesmas pessoas? Lendo sobre isso esses dias foi que me inspirei para escrever a coluna de hoje, até por quê, a diferença entre os dois é bem interessante!

De hoje em diante, eu sou uma pessoa mais culta! Sim, sim, sim. Adoro quando aprendo algo novo, principalmente quando é algo que aparentava ser tão elementar e acaba se tornando algo super interessante e complexo. Melhor ainda, só quando consigo relacionar a cinema e fazer mais uma coluna!

Resolvi falar sobre a linha tênue - ou não tão tênue - que há entre público e multidão. Na verdade, a distinção entre esses dois grupos sociais só se fez valer quando houve a invenção da imprensa na idade moderna. Não foi algo tão visceral nossa sociedade, e se não fossem certos acontecimentos, talvez nem existisse tamanha diferença. Como exemplo primordial temos o surgimento da imprensa, como já falei. Tal advento ‘fez surgir uma espécie de público bem diferente, que não cessa de crescer e cuja expansão indefinida é um dos traços mais marcantes de nossa época’, como já dizia Gabriel Tarde.

Mas vamos por partes. Primeiro vamos conceituar ‘multidão’. Digamos que multidão seja um feixe de contatos psíquicos essencialmente produzidos por contatos físicos. Primitivo, não? Acho que o estado de multidão é grosso e principiante. À medida que se vão construindo relações pessoais ou medida que os indivíduos se afastam, dispersa-se a multidão.

Aí o público começa a ter mais graça! Vamos pôr em prática as idéias. Você, que está lendo minha coluna agora, assim como algumas pessoas mais, estão dispersos num vasto território. Entretanto, mesmo fisicamente distante, existe um vínculo entre vocês. Esse vínculo é a simultaneidade e a consciência que cada um de vocês possui e partilham no mesmo momento. Por incrível que pareça, basta o homem saber disso para ser influenciado. Isso começou a ser observado com os jornais, e se você parar e pensar um pouco mais, podemos aproveitar algumas idéias e adaptar para o cinema.

Em uma coluna passada, falei que Thomas Edison havia tido a idéia de exibir pequenas películas em salas escuras para uma pessoa por cada vez, cobrando um valor mínimo por sessão. Felizmente, os irmãos Lumière foram mais interessantes e transformaram essa idéia na forma de cinema que conhecemos hoje: uma sala escura com uma grande tela, onde várias pessoas se encontram para assistir a um filme. Não há sombra de dúvida de que a segunda opção é bem mais interessante! Que graça tem assistir a um filme sozinho? Muito melhor ter amigos ao lado, rir junto, chorar junto, tomar susto juntos… Mais emocionante, não? Além de que existe aquela curiosidade, mesmo que mínima, de se saber o que o outro pensa e sente durante as cenas. Um explosão de pensamentos, idéias e sensações, tudo ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Aparece aí a curiosidade e a influência. A curiosidade de saber do próximo e a influência que esse conjunto de pessoas exerce, quando queremos estar por dentro dos juízos e, se possível, semelhante.

Quando se sofre esse contágio invisível do público que se faz parte, a explicação provém do simples prestígio da ‘atualidade’. Essa sensação de atualidade é tão louca e apaixonante, que se transforma em algo crescente e se torna uma das características mais nítidas da vida civilizada. Agora, a parte intrigante: você sabe o que é ‘atualidade’?

‘Atualidade’ é tudo que inspira atualmente um interesse geral, mesmo que se trate de um fato antigo. Repararam? Atualidade não implica em tempo, mas sim no interesse do momento. Não é atualidade o que é recente, mas negligenciado atualmente pela opinião pública – outro conceito bastante polêmico. Enfim, a paixão pela atualidade progride com a sociabilidade. Sem contatos ou informações comuns, não haveria essa paixão em se saber do que é interesse de muitos.

Vamos para a prática de novo. Um filme badalado no mundo todo é tão empolgante quanto um filme divulgado em apenas certos lugares? Creio que não, certo? Aquela euforia toda das estréias mundiais não são apenas fanáticas. Mesmo quem não gosta de Star Wars ou Harry Potter presta mesmo que o mínimo de atenção na movimentação dos cinemas, nos números de bilheteria, nas fantasias mirabolantes. É atualidade. Todos querem ver os filmes concorrentes ao Oscar, para juntos, poderem formar opinião e participar daquele público.

Começaram a perceber a diferença entre público e multidão? Multidão é algo mais enérgico, rápido e passageiro, com contatos físicos e características repetidas. O público não exige relações pessoais, pelo contrário! Ele requer uma evolução mental, um interesse comum em determinado assunto, o contágio sem contato. Você não tem contato físico com o desconhecido que senta do seu lado numa sessão de cinema. Se tem contato físico, o máximo é o toque de cotovelos! Mas mesmo assim, vocês participam de um mesmo público.

Multidões sempre existiram. Públicos, não. Ele só começou a aparecer mesmo com o desenvolvimento da imprensa, e se destacou de vez no reinado do tal de Luis XIV. E naquela época haviam tantas multidões como hoje, como as das torcidas do Leão ou do Vovô.

Outra coisa legal sobre o público: você pode participar de vários públicos ao mesmo tempo, ao passo de que só pode participar de uma multidão por vez. A não ser que você seja um protótipo de super-homem e esteja em vários lugares ao mesmo tempo, com energias renováveis a cada segundo. Outro fato: o público não se submete aos caprichos do meio físico. Já a multidão se fragmenta na primeira chuva grande que cair, ou quando o líder calar-se.

Sendo assim, prefiro ter um público menor que uma multidão dentro de uma sala de exibição. É mais seguro e mais proveitoso. Mais rico de idéias. Fora que ninguém corre o risco grande de levar banho de refrigerante ou chuva de pipocas… A não ser que você esteja numa sessão infantil!

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