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Violência

Publicado em: 05-09-2005 @ 2:08 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Duvido que alguém aí venha dizer que gosta de violência. Se tiver, deve ser uma minoria, torço! Mas há controvérsias, e ela vem do fato de que os filmes que contém cenas de violência conseguem arrebanhar um número considerado de fãs. Em um século de guerras e clamores pela paz, de coisas tão contraditórias, será que o cinema pode espelhar a atitude das pessoas em relação a isso?

Vivendo num mundo cada vez mais capitalista, pelo menos uma coisa eu aprendi: se tá vendendo é por que o consumidor quer. Logo, uma coisa qualquer que não caia no gosto, ou melhor, no bolso do povo, não vai ser produzido com tanta velocidade quanto algo que esteja na crista da onda. Correto?

Então, se existem filmes com cenas violentas – e alguns só com cenas violentas, é por que tem um público para isso. Eu só me pergunto que graça tem ver gente morrendo na telona. Já vimos tanto isso no jornal de todo dia, ora…

Houve uma época que eu só ouvia falar de filmes sangrentos. Ultimamente, existe uma variedade maior. Graças aos bons roteiristas! E esses daí estão em extinção… Os únicos filmes ‘sangrentos’ que eu me atrevo a falar que gostei foi ‘Kill Bill’ e ‘Pulp Fiction’, que nem é apenas pancadaria e jorros de sangue. Mas, venhamos e convenhamos, ambos são crias do queridinho Tarantino. Sou suspeita a falar. Só não venha tentar me convencer que ‘Duro de Matar’, ‘Duro de Matar 2’, ‘Mais Duro de Matar Ainda’ e toda aquela companhia que parece nunca ter fim são boas películas.

Se filmes de ação e violência extrema são produzidos é por que o povo é ávido para ver isso. Agora, não generalize. Não estou dizendo que violência nas telonas é coisa deplorável. Calma aí. Estou dizendo que o modo como ela é mostrada, banalizada e sem razão aparente, é algo extremamente dispensável. Já basta as guerras do Iraque, os abusos da polícia, os tiroteios nas favelas e em toda esquina desse país.

A violência, dependendo de como venha a ser trabalhada, pode ter um objetivo decente. Se mostrada como algo real afim de causar conscientização, ta valendo. Basta ver ‘Carandiru’, ‘Amarelo-Manga’, ‘Cidade de Deus’. Também não vamos ser tão ditadores: um pouco de adrenalina pode ser bom. Mas só um pouco, quando é feita com disputas de carros ou fugas inusitadas. Nem vou falar dos filmes de horror. Tenha dó. E os filmes suspense, os filmes realmente bons desse gênero, não precisam mostrar a anatomia do corpo humano a cada cinco minutos para causar suspense. Vá assistir ‘Silêncio dos Inocentes’ para entender do que eu estou falando. Um clássico!

Mas é isso. Vamos cobrar bons temas no nosso cinema de cada dia. Afinal, o cinema é uma arte, não um purgatório apelativo.

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Multidão ou Público?

Publicado em: 22-08-2005 @ 1:39 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Uma multidão vai ao cinema. Um público vai ao cinema. Afinal de contas, quem é que vai ao cinema: o público ou a multidão? Ou será que os dois dizem respeito s mesmas pessoas? Lendo sobre isso esses dias foi que me inspirei para escrever a coluna de hoje, até por quê, a diferença entre os dois é bem interessante!

De hoje em diante, eu sou uma pessoa mais culta! Sim, sim, sim. Adoro quando aprendo algo novo, principalmente quando é algo que aparentava ser tão elementar e acaba se tornando algo super interessante e complexo. Melhor ainda, só quando consigo relacionar a cinema e fazer mais uma coluna!

Resolvi falar sobre a linha tênue - ou não tão tênue - que há entre público e multidão. Na verdade, a distinção entre esses dois grupos sociais só se fez valer quando houve a invenção da imprensa na idade moderna. Não foi algo tão visceral nossa sociedade, e se não fossem certos acontecimentos, talvez nem existisse tamanha diferença. Como exemplo primordial temos o surgimento da imprensa, como já falei. Tal advento ‘fez surgir uma espécie de público bem diferente, que não cessa de crescer e cuja expansão indefinida é um dos traços mais marcantes de nossa época’, como já dizia Gabriel Tarde.

Mas vamos por partes. Primeiro vamos conceituar ‘multidão’. Digamos que multidão seja um feixe de contatos psíquicos essencialmente produzidos por contatos físicos. Primitivo, não? Acho que o estado de multidão é grosso e principiante. À medida que se vão construindo relações pessoais ou medida que os indivíduos se afastam, dispersa-se a multidão.

Aí o público começa a ter mais graça! Vamos pôr em prática as idéias. Você, que está lendo minha coluna agora, assim como algumas pessoas mais, estão dispersos num vasto território. Entretanto, mesmo fisicamente distante, existe um vínculo entre vocês. Esse vínculo é a simultaneidade e a consciência que cada um de vocês possui e partilham no mesmo momento. Por incrível que pareça, basta o homem saber disso para ser influenciado. Isso começou a ser observado com os jornais, e se você parar e pensar um pouco mais, podemos aproveitar algumas idéias e adaptar para o cinema.

Em uma coluna passada, falei que Thomas Edison havia tido a idéia de exibir pequenas películas em salas escuras para uma pessoa por cada vez, cobrando um valor mínimo por sessão. Felizmente, os irmãos Lumière foram mais interessantes e transformaram essa idéia na forma de cinema que conhecemos hoje: uma sala escura com uma grande tela, onde várias pessoas se encontram para assistir a um filme. Não há sombra de dúvida de que a segunda opção é bem mais interessante! Que graça tem assistir a um filme sozinho? Muito melhor ter amigos ao lado, rir junto, chorar junto, tomar susto juntos… Mais emocionante, não? Além de que existe aquela curiosidade, mesmo que mínima, de se saber o que o outro pensa e sente durante as cenas. Um explosão de pensamentos, idéias e sensações, tudo ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Aparece aí a curiosidade e a influência. A curiosidade de saber do próximo e a influência que esse conjunto de pessoas exerce, quando queremos estar por dentro dos juízos e, se possível, semelhante.

Quando se sofre esse contágio invisível do público que se faz parte, a explicação provém do simples prestígio da ‘atualidade’. Essa sensação de atualidade é tão louca e apaixonante, que se transforma em algo crescente e se torna uma das características mais nítidas da vida civilizada. Agora, a parte intrigante: você sabe o que é ‘atualidade’?

‘Atualidade’ é tudo que inspira atualmente um interesse geral, mesmo que se trate de um fato antigo. Repararam? Atualidade não implica em tempo, mas sim no interesse do momento. Não é atualidade o que é recente, mas negligenciado atualmente pela opinião pública – outro conceito bastante polêmico. Enfim, a paixão pela atualidade progride com a sociabilidade. Sem contatos ou informações comuns, não haveria essa paixão em se saber do que é interesse de muitos.

Vamos para a prática de novo. Um filme badalado no mundo todo é tão empolgante quanto um filme divulgado em apenas certos lugares? Creio que não, certo? Aquela euforia toda das estréias mundiais não são apenas fanáticas. Mesmo quem não gosta de Star Wars ou Harry Potter presta mesmo que o mínimo de atenção na movimentação dos cinemas, nos números de bilheteria, nas fantasias mirabolantes. É atualidade. Todos querem ver os filmes concorrentes ao Oscar, para juntos, poderem formar opinião e participar daquele público.

Começaram a perceber a diferença entre público e multidão? Multidão é algo mais enérgico, rápido e passageiro, com contatos físicos e características repetidas. O público não exige relações pessoais, pelo contrário! Ele requer uma evolução mental, um interesse comum em determinado assunto, o contágio sem contato. Você não tem contato físico com o desconhecido que senta do seu lado numa sessão de cinema. Se tem contato físico, o máximo é o toque de cotovelos! Mas mesmo assim, vocês participam de um mesmo público.

Multidões sempre existiram. Públicos, não. Ele só começou a aparecer mesmo com o desenvolvimento da imprensa, e se destacou de vez no reinado do tal de Luis XIV. E naquela época haviam tantas multidões como hoje, como as das torcidas do Leão ou do Vovô.

Outra coisa legal sobre o público: você pode participar de vários públicos ao mesmo tempo, ao passo de que só pode participar de uma multidão por vez. A não ser que você seja um protótipo de super-homem e esteja em vários lugares ao mesmo tempo, com energias renováveis a cada segundo. Outro fato: o público não se submete aos caprichos do meio físico. Já a multidão se fragmenta na primeira chuva grande que cair, ou quando o líder calar-se.

Sendo assim, prefiro ter um público menor que uma multidão dentro de uma sala de exibição. É mais seguro e mais proveitoso. Mais rico de idéias. Fora que ninguém corre o risco grande de levar banho de refrigerante ou chuva de pipocas… A não ser que você esteja numa sessão infantil!

E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br

Cinema Verde-Amarelo

Publicado em: 15-08-2005 @ 12:16 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Ultimamente tenho assistido a vários filmes nacionais, inclusive alguns que já havia tido o prazer de ver. Foi então que fiquei intrigada, sem entender, como ainda há pessoas que gritam que o cinema nacional ‘não presta’ e que Hollywood tem brilho melhor nos holofotes do que nosso sol e cultura brasileira.

Talvez pela divulgação menor que a dos outros. Talvez pela mania que temos de só valorizar o que vem de fora. Talvez por que alguns não gostem mesmo. Talvez por que talvez… O motivo pelo qual venho bater o pé no chão aqui, ou melhor, a mão do teclado, é pela pouca valorização popular do nosso cinema brasileiro. Evidentemente, haverá filmes que não cairão no gosto, mas aí, a criatura não vai gostar por causa do roteiro, ou do personagem, ou do que quer que seja! Mas não dirá: não gostei por que é filme nacional, só podia ser nacional mesmo! Não sei se você nota, mas há uma grande diferença.

Para esses cegos que não enxergam riqueza na própria casa, tentarei pôr uma lente de aumento em alguns bons trabalhos que temos. ‘O Auto da Compadecida’. Adaptação de Guel Arraes da obra de Ariano Suassuana, que conta com as interpretações por demais convincentes de atores espetaculares, como Matheus Nachtergaele, Selton Melo, Denise Fraga, Marco Nanini, Diogo Vilela, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Rogério Cardoso… Quer mais? Só vendo o elenco já se pode notar que é coisa boa, viu? Mas não chega perto da maravilha que é o filme. Personagens comuns do sertão nordestino com um toque original ‘a la Suassuna’. Um humor incontido e reviravoltas intrigantes. Absolutamente, um dos melhores filmes nacionais que já vi.

Outro que segue a linha de comédia no sertão, sem esquecer a rica cultura do lugar, é ‘Lisbela e o Prisioneiro’, que repete a figurinha de Selton Melo, que agora faz par romântico com Débora Falabela. Coincidentemente, outro filme de Guel Arraes. Aliás, Guel fez alguns dos nacionais mais conhecidos. Além desses dois, ‘Meu Tio Matou Um Cara’e ‘Os Normais – o Filme’. Sendo uns como produtor, outros como diretor.

Outro filme engraçadíssimo que versa sobre o sertão Severino, tão nordestino, é ‘Eu Tu Eles’, de Andrucha Waddington. E o ‘Eles’ conta com Regina Case, Lima Duarte e Stênio Garcia. Precisa dizer mais alguma coisa? Duvido um americano mostrar sua cultura e história, s vezes tão sofrida, por um ângulo de risadas gostosas e tão característico culturalmente!

Mas também não pense que brasileiro só sabe rir. Ou que só é bom por que faz sorrir na hora de chorar. Não, não. Algumas vezes, é mostrado a verdade nua e crua. A diferença é que aqui não vale quanto sangue é derramado ou quantos efeitos a produção conseguiu fazer. O que vale é a sensibilidade e a verdade, sem muito dengo ou muita ‘melosidade’. Confira então ‘Abril Despedaçado’, do popular Walter Salles. Aí, Rodrigo Santoro, Wagner Moura e José Dumont brigam pela honra da terra e da família, com cenas de fortes emoções ao que diz respeito vida, juventude, família e desafios.

E falando em filme forte, não podia passar sem citar ‘Cidade de Deus’, dirigido por Fernando Meirelles, e produzido por Walter Salles, e que conta com as interpretações de Matheus Nachtergaele, que para mim está no topo dos melhores atores brasileiros da sua geração. ‘Carandiru’, de Hector Babenco, também merece seus méritos, mostrando para quem quer ver a realidade crua do maior presídio da América Latina, que conta com Lázaro Ramos e Rodrigo Santoro no elenco.

E nessa linha de realidade ‘nua e crua’, com toques característicos da cultura e do nosso cotidiano, entra na jogada o ‘Amarelo Manga’, de Cláudio Assis. Histórias nervosas que se cruzam, num desenrolar louco, com as encenações de Matheus Nachtergaele (só mais uma vez!), Jonas Bloch, Dirá Paes, Chico Diaz e Leona Cavalli.

Agora, temos também aqueles que não fogem da realidade ‘nua e crua’, mas que dão uma lapida mais amena e emocional, como ‘Central do Brasil’, que concorreu ao Oscar de melhor atriz e melhor filme estrangeiro, com a direção de Walter Salles. Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Vinícius de Oliveira, Othon Bastos, Matheus Nachtergaele embarcam na trajetória emocionante de busca do pai e descoberta de um grande companheirismo e lições de vida.

E para não dizer que não fazemos biografias, vem ‘Olga’. Filme dirigido por Jaime Monjardim, que conta a história de vida de Olga Benário Prestes, de um ponto de vista diferente. O diretor põe Olga como mulher, esposa e mãe. Quem esperava ver a idéia já batida sobre a II Guerra Mundial, dançou. E mesmo quem ‘dançou’, duvido que não tenha se emocionado ao mínimo com as atitudes, e também fraquezas, que Olga teve.
Camila Morgado e Caco Ciocler fazem dupla nesse drama, acompanhados de Fernanda Montenegro.

Na lista dos ‘na medida do possível’ conhecidos, ainda temos ‘Bicho de Sete Cabeças’, com Rodrigo Santoro, e ‘A Dona da História’, com Marieta Severo, Antônio Fagundes e, também, Rodrigo Santoro e Débora Falabela.

Na lista dos que não entram no circuito tão popular, mas que merecem palmas do mesmo jeito, estão ‘Bens Confiscados’, de Carlos Reichenbach, que não tem nada de sertão ou vida Severina. Tem sim, visões urbanas e dramas pouco explorados pelos filmes já citados. Betty Faria, Marina Person e Werner Schünemann estrelam o longa.

Ainda temos o documentário ‘A Pessoa É Para O Que Nasce’, de Roberto Berliner, que mostra o cotidiano das ceguinhas de Campina Grande, Maroca, Indaiá e Poroca, como preferem ser chamadas. Além do longa de Sérgio Bianchi, ‘Quanto Vale ou É Por Quilo?’, que faz um paralelo bastante interessante do tempo do Brasil-colônia aos tempos de hoje, mostrando que pouca coisa mudou.

Enfim, não termino nunca se for comentar todos os grandes filmes nacionais que temos em nosso leque de opções. E que bom que não é fácil de terminar! A variedade é grande. O que falta é boa vontade para se ver. Somos tão aclamados lá fora, tendo até em Miami um festival só para filmes brasileiros! E aqui, poucos os que se interessam. Isso é uma vergonha, já dizia Boris Casoi. Não vamos desmerecer o cinema estrangeiro, mas, pelo menos, vamos dar o devido merecimento nossa película verde-amarela!

Por que as Pessoas vão ao Cinema?

Publicado em: 08-08-2005 @ 12:15 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Não adiantaria haver música, se não houvesse pessoas para escutá-la . Não adiantaria existir quadros maravilhosos, se não houvesse pessoas para apreciá-los. Não adiantaria ter maravilhas no mundo, se não houvesse pessoas para desfrutá-las. Ficariam ali, ao relento. Então, não adiantaria existir o cinema, se não houvesse pessoas para vê-lo. Logo, pergunto: por que as pessoas vão ao cinema?

Tenho algumas perguntas a fazer. Acabei me colocando como psicóloga do rolo de filme, das pipocas, da telona, das poltronas. E tomando o lado deles, pergunto: por que as pessoas vão ao cinema?

Responda rápido. Já! E aí? Lazer? Diversão? Passatempo? Ouvi quase de tudo já. Mas como não posso falar pelos outros, falarei por mim. Acho que já basta. E pro azar de vocês, eu tenho uma boca só, mas dez dedos datilógrafos!

Me fiz essa filosófica pergunta semanas atrás. Ou melhor, me fizeram essa pergunta no meio de um clima de hermética, e consegui chegar a algumas conclusões. Acredito que as pessoas vão ao cinema por lazer, sim. Mas não só isso. Acredito que muitas pessoas buscam o cinema como uma fuga. Ou, apenas buscam no cinema uma identificação.

Simples. Por que os homens gostam tanto do 007? Coisa de homem? Não. Pode até ser, mas isso é muito genérico e estúpido. Prefiro pensar que os homens gostam dos filmes do 007 por que ali eles podem transpor sua vida medíocre nas grande aventuras que o galã traça, nas sensuais mulheres que ele tem ao lado, nas chiquérrimas roupas que ele está sempre vestindo. Os homens, e também as mulheres, buscam projeções. Não só a projeção das imagens na telona, mas também a projeção de suas vidas tediosas no glamour e na imortalidade do cinema.

Quem é que gosta de sofrer duas horas do drama de outra pessoa que nem sequer se conhece? Ora, melhor sofrer com esse drama do que pelo seu próprio, que não tem galã romântico para consolar nem finais felizes previsíveis. Se a história tiver ruim, dá pause, passa pra frente, desliga. Se tiver boa, volta e volta de novo para curtir o momento mágico. Bem que poderiam inventar o controle remoto das nossas vidas, hein?

Tudo isso acaba sendo um tipo de fuga, certo? Compre o ingresso e o transforme na sua passagem para o paraíso por algumas horas. Será? Não vou generalizar. Até por que isso reduziria o cinema, e ele é bem complexo para ser reduzido assim.

Vamos mudar as palavras então. Afinal, nem todo mundo reclama da vida. Deve haver alguém feliz e satisfeito com o que tem… Vamos mudar ‘fuga’ para outro termo. Quem sabe o cinema não seja sempre uma fuga, mas possa ser um encontro.

Por que um filme tal emociona Fulano e não faz cócegas em Sicrano? Simples, são casos de identificação. Baseado na experiência de vida de cada um, na visão de mundo de cada pessoa, o filme terá um impacto diferente, personalizado. Pensando bem, quem faz o filme não são os atores, nem o diretor. Somos nós, expectadores. Participamos da sua história. Enfim, a película está finalizada, mas as expectativas são eternas. E essas expectativas divergem muito. A graça esta aí. Se não divergissem, o Oscar ia ser mais chato do que já é!

Por que eu vou ao cinema. Aliás, por que eu vou a cinema? Eu vou em busca de sensações. De identificação, também. De associações. De cumplicidade. De semelhança. Tudo tão igual, tudo tão diferente. O cinema não é nada mais que nossas vidas interpretadas de um jeito artístico, que acaba se tornando distante. Mas os roteiros são nosso cotidiano. Os atores somos nós mesmos. E o diretor, nossa intuição ou consciência.

Não consigo mais assistir filmes apenas sentando em frente a tela. Eu sento e penso: “Vai, me convence”. Mas não sou otária nem agressiva. Apenas me deixo levar, me mostro, me exponho, e o cosmos e as luzes guiam o resto. Um filme que não me emociona, não é bom. Um filme que não me adiciona algo, não é bom. Um filme que simplesmente passa em raios de luz por mim, nem devia ter saído do script.

É por isso que vou ao cinema. E você?

Cinema Wonka

Publicado em: 02-08-2005 @ 12:13 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Reinventar um clássico nunca foi fácil. A expectativa é grande e, mesmo sendo remake, é sempre algo velho. Mas ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ conseguiu me fazer morder a língua e admitir: nem todos os remakes de Hollywood são tão ruins assim. Tim Burton não poderia ter escolhido ator melhor que Johnny Deep para encarnar o enigmático Willy Wonka e trazer de volta os chocolates fabulosos.

Quem nunca ouviu falar da enorme fábrica de chocolate do senhor Wonka? Sim, aquele carinha de chapéu engraçado e criatividade descontrolada. Certamente, a maioria assistiu ao clássico de 1971, ‘Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate’, com Gene Wilder como protagonista. Assistiu sim, nem que fosse na Sessão da Tarde da Globo!

Eu andava frustrada com os remakes nos cinemas, mas depois que vi ‘A Fantástica Fábrica’, criei esperanças. Tim Burton conseguiu recriar o clássico, sem perder a essência mágica da história e re-espantando os telespectadores. E ainda deu o seu toque de diretor. Eu gostei. Me tele-transportei para a telona e quase sinto o gosto do chocolate Wonka na minha boca. E ah, quem foi que não saiu dali pensando em chocolate, hein? Minhas amigas compraram até antes de entrar na sala!

O filme é fantástico. Todas aquelas cores, aquelas interpretações, aquelas músicas e coreografias dos Oompa Loompas… Mas não é algo que diria ser feito para crianças. Há um humor negro e sarcástico nas entrelinhas - que eu adoro. Fora que ouvi algumas pessoas dizendo que ficaram com medo após o filme. Eu, particularmente, ia adorar cair naquele mundo dual!

Mas, melhor que essa magia e todos aqueles chocolates irreais, só o Johnny Deep. Como sempre, sensacional. Adoro esse cara! Ele conseguiu encarnar a loucura do Wonka. As caras e bocas que ele faz paga a entrada. Vai ver foi essa dedicação dele que causou medo nas pessoas. Eu fiquei apaixonada. É, brega, tá… Mas eu adoro Johnny Deep. Versatilidade maravilhosa. E se ele conseguiu causar esse impacto, é um bom sinal de sua boa perfomance.

E aqueles Oompa Loompas de mil utilidades? Eu queria achar uns para me ajudar a cuidar da casa. Queria também um esquilo, mas não queria cair no lixo como a Violet caiu.

Fiquei com várias pulgas atrás da orelha. Por exemplo, quem foi o figurinista daquele filme? As roupas do Wonka estão super fashion, não? E aquelas roupinhas combinadas entre mãe e filha atléticas… Quero uma igual para ir malhar! Fico me perguntando também se o tal do Augustus Gloop não teve problemas com espinhas ou enjôos depois de tantos chocolates… Afinal, duvido que ele tenha acertado todas as cenas de primeiro - ainda mais com aquele sotaque hilário, e não me espantaria se ele tiver errado de propósito alguma vez só para comer mais chocolates Wonka! Outra dúvida que está me matando: onde encontro aqueles óculos?! Eu quero aqueles óculos do Willy! Tanto o primeiro, quando aquele da sala de televisão. Muito estilosos!

Enfim, não é toa que chama de fantástica fábrica, certo? Aconselho a vocês assistirem. Carreguem-se de chocolates e de imaginação, e conheçam a fabulosa fábrica de Willy Wonka.

Olhar da Ficção

Publicado em: 25-07-2005 @ 12:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A partir da ficção, conseguimos extrair a maioria dos gêneros do cinema. E quem disse que ela é aquela viagem científica está precisando atualizar-se. A ficção abre as portas para a fantasia, exatamente como Meliès fez com seus filmes, e nos deixou de herança o molde da maioria dos filmes que conhecemos hoje.

Dramas. Emoções. Identificação. Quem nunca assistiu a um filme e sentiu isso? Sempre escuto alguém aqui e acolá dizendo que o filme tal influenciou naquilo, foi igual quilo ou fez alguém estampar reações. Eu vivo tendo isso. E certamente, esse é um dos grandes motivos do meu gosto pelo cinema. Odeio filmes que não mexem comigo. E por isso agradeço ao Meliès por ter expandido os horizontes da telona.

Meliès foi o primeiro cineasta da ficção que inaugurou uma linhagem de autores, entre eles, Orson Welles, e até Ed Wood, o pior diretor dos últimos tempos, mas que rendeu um filme bem interessante sobre sua trajetória trágica com a câmera na mão, sob a direção de Tim Burton. Enfim, sobre esses diretores, o que interessa é o que eles tem em comum: a idéia de que o cinema pode questionar as imagens e sua verdade. Sim, o que é passa a não ser, depois volta a ser verdade, a fantasia se mescla com a realidade e chegamos ao delírio.

Não acredito que a ficção seja uma mentira. Não… Se há identificação, é por que algo parecido aconteceu com alguém. Logo, provavelmente aconteceu com outros e assim vai. A ficção é uma sugestão. Expressão, desabafo, tentativa do autor. E essa é a magia do cinema.

Só o que tem são filmes que conseguem arrancar risadas, choros, suspiros e o que mais puder. ‘Closer’ é meu favorito. ‘Melinda e Melinda’ também é outro, simples e real. ‘Modigliani’. Impressionante como certas biografias nos instigam! ‘Encontros e Desencontros’, ‘Simplesmente Amor’… São inúmeros os filmes que já vi que me adicionaram algo bom, ou me fizeram questionar algo mais. Aposto que você também tem os seus. E até aqueles filmes de serial killers, de ficção científica, ação e etc tal podem nos tocar assim também. Você pode sair do cinema querendo ser um detetive, ou o próprio serial killer! Você pode imaginar o mundo super cibernético ou cheio de pílulas azuis e vermelhas, como no ‘Matrix’… Melhor ainda se fosse cheio de Keanus ou Trinitys! Quem sabe você sai da sala com uns golpes novos, uma dançinha caliente de ‘Dirty Dancing’ ou aquela da Uma Turman e do John Travolta em ‘Pulp Fiction’. Você pode adentrar pela tela e pegar emprestado essas sensações que poderiam ser difíceis de sentir na real realidade de cada dia. Por que não? Faça do ingresso seu passaporte para um mundo novo!

E para tantos tipos diferentes de pessoas, é necessário existir vários tipos de histórias. Tem aquelas pessoas que vivem intensamente, aquelas que apenas existem, aquelas que sobrevivem… Tem aqueles filmes que são super intensos, aqueles que só passam o tempo, aqueles que nem deviam sair do papel… Pior que desse último tipo existem muitos!

O mais interessante de tudo é que a ficção, partindo apenas da fantasia, engloba isso tudo. A tela do cinema é grande, mas se torna mínima diante da extensão de coisas que os raios de luzes projetados podem alcançar.

Criatividade X Direitos Autorais

Publicado em: 15-07-2005 @ 12:05 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A falta de criatividade nos cinemas pode ter vertente nas saturadas leis dos direitos autorais? Lendo mais sobre a creative commns e vendo os últimos filmes enlatados americanos, comecei a pensar que talvez isso possa ter um pouco de verdade!

Já foi tema de coluna minha, mas não consigo me conformar! Então, vou usar meu espaço aqui e botar a ‘mão no teclado’ – já que não rola pôr a boca no trombone… Andei vendo os últimos blockbusters da grande empresa do cinema e, como sempre, fico insatisfeita.

Pouquíssimos são os filmes que trazem algum conteúdo ou um ponto de vista novo e não-apelativo. Nem a ‘onda de remakes’ deu certo. O povo de Hollywood está tão ruim das pernas que nem reinventar ou apenas repetir algo conhecido está sendo fácil. E essa brincadeira de ‘rec-repete’ só comprova a ausência de competência. Basta ver a história do Herbie! Coitado do fusquinha… Nesse ponto o Brasil dá um banho de desenvoltura!

Mas, será culpa da lei os roteirista hollywoodianos não terem acesso s grandes obras para encrementar seus scripts? Acredito que não, mas vamos dar uma disfarçada e fingir que talvez seja. Sim, por que realmente temos um grande obstáculo quando se fala em direitos autorais. E como falar da falta de criatividade do povo de lá já está virando rotina, vou trazer algo novo!

Um advogado americano, que também é professor da Universidade Stanford e viciado em sushi, chamado Lawrence Lessig, diz que ‘a internet poderia ser a nova biblioteca de Alexandria, disponibilizando todo o conhecimento cultural do planeta. Só não é assim por culpa da lei’. Para quem não sabe, a biblioteca de Alexandria era um grande acervo de documentos, livros e o escambau, que acabou sendo destruída pelo tempo e pela estupidez humana. Vale ressaltar que foi mais danificada pela segunda opção!

Se o Walt Disney fosse vivo hoje, e quisesse filmar ‘Fantasia’, ele iria sofrer um bocado. Quase tanto ou mais quanto sofreu Oliver Stone para filmar ‘Alexandre’! Em 1940, Walt Disney usou poema de Goethe, música de Paul Dukas e balé de Stravinsky. Se isso fosse hoje, ele iria ter que arrecadar fortunas para pagar os donos dos direitos autorais. Ou teria que arrumar muita paciência para esperar 95 anos até as obras caírem em domínio público nos EUA, segundo a ‘lei do Mickey’.

Começaram a perceber o nó dos direitos autorais? Daí, Lessig criou o conceito do creative commons, cujo mote é ‘alguns direitos reservados’, e que se baseia no argumento de que ‘a criatividade está engessada pela legislação’. Não pensem que ele é a favor da pirataria. Não, não! Há um limiar entre esses dois pólos.

Lessig não acha certo que as pessoas tenham acesso a um material que o detentor dos direitos autorais não queira disponibilizar. ‘As regras que temos hoje foram feitas para proteger os investimentos de Hollywood, mas acabaram inutilizando o imenso potencial criativo e cultural da internet’.

E sobre as reinterpretações – tipo os remakes do cinema, elas são uma parte muito importante da nossa cultura. Mas não está sendo fácil qualquer um fazer isso. Tudo precisa de permissão! Esses obstáculos acabam por limitar a criatividade, e as grandes empresas de entretenimento estão usando as leis apenas para concentrar controle artístico. Ao invés de se criar tanta polêmica em cima de downloads e divulgações na internet, deveria-se gastar mais tempo pensando em um ‘cd antipirataria’…

A parte legal da história é que Lessig diz que o Brasil é a nação mais importante no movimento pelo software livre e no movimento de cultura livre. Ele diz que nosso país está agindo de maneira independente e crítica, e forçando outros países a questionar os dogmas que as autoridades americanas sempre trazem discussão.

Pelo menos em algo o Brasil se destaca positivamente. Espero que essa liberdade toda se estenda para nossa parte social e principalmente, para a parte da cultura geral. E que o tal do Lessig aí consiga algo com o CC – creative commons, batendo a Suprema Corte novamente.

E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br

Início do Cinema

Publicado em: 11-07-2005 @ 11:23 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Quem acha que Cinema, o fantástico mundo da Sétima Arte, se resume quelas exibições em salas escuras para um grupo de pessoas, está redondamente enganado. A história desse mundo de criatividade vai bem mais além do que pipocas e divertimento.

Os homens mais antigos tinham o hábito de se juntar ao redor de uma fogueira e passar horas contando histórias. Na maioria das vezes, eram anciões que se reuniam com crianças para encantá-las com seus contos fantásticos.

Os irmãos Lumiére criaram a concepção de cinema como nós conhecemos hoje. Em uma sala escura, um grupo de pessoas se reúne para assistir a uma história que é refletida por raios de luz. Ah, só por curiosidade: Lumière significa ‘iluminação’.

Alguma relação com as duas observações? Talvez sim, talvez não. O que interessa é que foi essa coincidência que me deu idéia para fazer a coluna dessa semana. Todo mundo vai ao cinema. Mas, todo mundo tem idéia de quão grandioso ele é? Ou pelo menos sabe um pouco da sua história? Pois é. Partindo desse pressuposto, resolvi escrever resumidamente sobre o início da trajetória desses raios de luz cinematográficos.

Só para começar a polêmica, você sabe quem é o pai do Cinema? Os norte-americanos dizem que é o tal do Thomas Edison, por que ele inventou o cinetoscópio. Os franceses - e com razão - dizem que as honras devem ser feitas aos irmãos Lumière. E ainda tem também os primeiros pensadores da idéia do cinema, como Aristóteles, que vivia a observar o fenômeno da luz solar atravessando um orifício e se refletindo numa parede.

Agora, deixe-me clarear as idéias de vocês. O cinetoscópio, inventado pelo Thomas Edison em 1888, estabeleceu todas as características do cinema atual: um filme em 35mm em preto e branco ou colorido, mudo ou sonorizado, representando cenas interpretadas por atores e gravadas no primeiro dos estúdios, o Black Maria.

Acontece que o nosso querido inventor era bastante ganancioso, e, achando que assim ganharia mais dinheiro, limitou as visões do cinetoscópio a um espectador por vez, pagando 25 cents por sessão. Imagina aí que coisa mais sem graça! Sem ninguém para rir ou chorar junto e sem aqueles barulhos de pipoca e bombons - chatos, mas típicos! Mas foi isso mesmo. A idéia de Edison tirou toda a emoção coletiva que só uma platéia dá. Felizmente, os irmãos Lumière não seguiram essa proposta, ouvindo a observação de Henri Langlois, ex-diretor da Cinemateca Francesa, que afirmou que ‘em uma sala de espectadores, a arte sai dos espectadores’.

Os irmãos Lumière tinham nomes: Louis e Auguste. Em 1895, os dois registraram oficialmente a patente da invenção do cinematógrafo. Na verdade, eles vinham de uma família de industriais obcecados pela ciência. Seu pai, Antoine Lumière, viveu frente dos negócios com fotografia, estudando o desenvolvimento da fotografia colorida, enquanto o resto do mundo pesquisava sobre a foto em movimento. Seguindo o pai, Louis e Auguste decidem pesquisar a cronofotografia e alcançam resultados maravilhosos: surge o cinematógrafo, a imagem em movimento.

Aperfeiçoando o cinematógrafo e inserindo seu invento na ascendente indústria de espetáculo – cinema, os irmãos Lumière se imortalizaram quando colocaram as projeções de imagens em salas escuras com espectadores pagantes confortavelmente sentados. Foi a explosão planetária do cinema, se espalhando pelo mundo todo.

Entretanto, em 1905 os Lumière paravam a produção de filmes e, três anos depois, fechavam a última sala. Motivos? Os Lumière dedicavam-se apenas produção de documentários, deixando livre a parte de ficção, que seria resgatada por Méliès, Pathé e Gaumont. Além disso, a perda do mercado devido a protecionismo e o incontrolável desejo de pesquisa dos dois irmãos. Como dizia Louis, ‘como ficar inerte na presença da floresta de pontos de interrogação que nos rodeia?’.

Explicou-se assim o fato de o cinema representar apenas um dos momentos de descoberta dos irmãos. Mas não quer dizer que ele pare por aí. De jeito nenhum! Ainda há muito o que se saber sobre a trajetória das telonas. Entretanto, isso é assunto para a próxima coluna. Fiquem vocês apenas com a ponta da iceberg, ou melhor, com a réstia do raio de luz!

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Equilíbrio ou Exagero?

Publicado em: 22-06-2005 @ 11:21 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Exagero é ruim sempre ou tem certas coisas que devem ser exageradas mesmo? E se for bom, tem que ter sempre ou vale a pena ter um certo equilíbrio? Se for pra rir, só rir? E se for drama, só choro? Equilíbrio ou descontrole por exagero? Que caminho o cinema deve seguir?

Em algumas rodas sociais você escuta “Ah, mas aquele filme estava indo tão bem. Não sei pra que puseram aquelas piadas para quebrar o clima”. Ou “Quero mais é rir. Odeio esses filmes que colocam drama onde só deveria ter gargalhadas”. Ainda, “Que infantil… Quebram a intelectualidade do filme com esses temas clichês”. Enfim, o que será que o público quer? Os extremos exagerados, os filmes equilibrados ou aqueles temas sem pé nem cabeça?

Variedade é sempre bom, né? É bom que tenham filmes super focados no gênero. Só riso, só choro, só ação, só pancadaria… Até só sexo! Sim, essa coletânea de “só isso mesmo” serve para aquelas situações objetivas, quando se sabe exatamente o que se procura sentir ao assistir ao filme. “Quero alugar um filme para me distrair, para curar minha dor de cotovelo, para me sentir um super herói ou uma grande mulher, para saber mais sobre isso ou aquilo…”.

Pessoalmente, eu prefiro o equilíbrio. Normalmente. É, por que odeio rotinas. Então tem dias que eu quero é o exagero. Mas, de bom gosto, por favor. Exagero de erros e atuações ruins ninguém precisa! Acontece que essa demasia pode se tornar uma coisa maravilhosa se for bem colocada nas telonas. Outras vezes, nem tanto. Basta lembrar daquelas sagas intermináveis de ação com o Arnold Schwarzenegger . Mas vamos dar um desconto nas comédias, tipo “Debi e Lóide”. Todo mundo já tirou umas horinhas para rir com aqueles dois babacas! Não minta!

Na verdade, qualquer um dos três - exagero, equilíbrio ou nonsense - pode se tornar algo bom, se for bem aproveitado. Depende do toque dos atores e diretores, e, definitivamente, da sua tolerância ao assistir. Eu falei que prefiro algo mais equilibrado, algo tipo Chaplin: faz você rir e chorar na mesma história. Mas, tem uns filminhos equilibrados demais, tão equilibrados que perdem o sal. Parece que foram feitos com medidas exatas de cada humor: uma colher de chá de riso, uma colher de chá de drama, uma colher de chá de silêncio… E um chá de cadeira em você, que assistiu ao filme apaticamente!

Não me refiro a esses equilíbrios ao pé da letra. Falo dos filmes que são bem dosados, que não necessariamente sejam obras primas, mas que causem algum divertimento. Vão desde os tipos “Sr. e Sra. Smith”, “Closer - Perto Demais” e “Melinda e Melinda”. O que tem haver?

Bem, “Sr. e Sra. Smith” não é um filme que tenha algo de maravilhoso. É um filme agradável e divertido, ora. Você ri, fica até com a leve sensação emocionada nos impasses matrimoniais, você baba pelo Brad e pela Angelina, você pode se inspirar a ser um grande espião, se tiver um pouco de boa vontade… Enfim, não é uma grande obra, mas dá para passar bem o fim do dia. É um tipo de equilíbrio, então, que tende pro lado do básico hollywoodiano. Aliás, essa história de casal espião que esconde a verdadeira identidade profissional entre si não me é estranha… Deve ser um remake, né? Novidade…

“Closer - Perto Demais”. Se você costuma ler minhas humildes colunas, deve ter lembrado que há uns meses eu dediquei minha semana a falar desse filme. Ok, eu estava envolvida demais com a história, mas quem disse que eu procuro ser correta e coerente quando escrevo? Eu adorei esse filme. Fico arrepiada só de lembrar. Ele tem tiradinhas inteligentes, uma ironia e um humor negro que poucos percebem e, principalmente, ele trata um tema super clichê de uma forma intensa e envolvente. Eu ri, chorei, gritei, chutei a cadeira, vibrei. Equilíbrio não tão moderado, mas que tem um pouco de muito e mantém o foco da proposta inicial. Mike Nichols estava inspirado mesmo… Não me perguntem por quê!

“Melinda e Melinda”. Sensacional! Woody Allen é sensacional! Clima de jazz e intelectualidade de maneira tão simples encaixada na história! E ainda conseguiu manter um roteiro tão gostoso. O tema da história já é muito bom. O mesmo fato observado de duas óticas diferentes. Pensando bem, “Melinda e Melinda” é o top-top dessa conversa toda de equilíbrios e exageros. O desenrolar dele é em cima disso! Como os tons podem mudar de acordo com seu ponto de vista.

O cinema tem tantas variantes que fica difícil sair classificando ou padronizando gostos. Aliás, isso nem deve ser feito. É crime! Crime que é cometido constantemente. Antes de sair pensando sobre esses três tipos de filme, deveria pensar se eu conheço bem os filmes para sair falando. Ah, encontrei um grande problema.

Infelizmente, poucas pessoas param para assistir filmes maravilhosos como “Melinda e Melinda”. A maioria não vai ao cinema, não adentra no mundo da criatividade, onde se faz maravilhas com uma idéia na cabeça e uma câmera na mão, como já dizia Glauber Rocha. As salas de exibição de películas são limitadas. Quem disse que todo filme bom passa nas telonas? Claro, muitos bons filmes marcaram presença por ali, como os citados aqui e outros, como “A Queda – As Últimas Horas de Hitler” e “Diários de Motocicleta”. Pergunta: algum dos dois foram filmes super badalados na mídia? Não. Fizeram sucesso por que são filmes bons, claro. Mas não se compara a sua divulgação com as de “Constantine”, “A Casa de Cera”, “Robôs” e “Star Wars”.

Não estou criticando nenhum dos citados. Estou questionando o fato de não termos o acesso igual a todos. Cada um tem seu gosto e seu humor. Eu, que sou eclética de carteirinha, vejo filmes de todos os gêneros, e não acho que filme legal é só aquele “cult” e “intelectual”, por mais que os prefira. O problema é que nem todo mundo pode agir assim. Muitos só conhecem esses enlatados americanos que nos são vomitados aqui, e nada sabem sobre maravilhosos filmes que vão direto para as locadoras, como “Modigliani”. Fora as produções nacionais, que tem mais espectadores lá fora do que no próprio país.

A pergunta não é “Para onde o cinema deve ir?”. Pare e pense para onde sua atenção deve ir, se seus olhos estão realmente abertos. O cinema é uma expressão humana estupenda, com tipos que agradam e desagradam. Cabe a você saber apreciar isso e não se deixar limitar pelo mais comercial.

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Uma Leiga Entre Os Jedis

Publicado em: 23-05-2005 @ 11:19 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Existe alguém da nossa época que não tenha ouvido falar dos filmes da saga Star Wars? Difícil, certo? Essa saga arrematou uma multidão de fãs, e é tão comentada que chama até a atenção de leigos, como eu. Definitivamente, George Lucas conseguiu pegar de jeito, hein?

Não vou negar. Nunca tinha assistido a nenhum episódio de Star Wars até um mês atrás. Nada contra, nada a favor. Apenas não era o tipo de filme que me chamava a atenção. Se aparecesse a oportunidade de vê-los, certamente não negaria! Até por que procuro ser sempre eclética, e acredito que para se formar opinião e criticar, primeiro devemos conhecer.

O meu conhecimento se restringia aos nomes do mestre Yoda, a um tal de Anakin Skywalker que tinha alguma coisa com o tal do Luke Skywalker, aos Jedis e quele capacete do Darth Vader. Conversa aqui, papo aculá, escutava umas frases famosas, tipo “Luke, i´m your father” ou “Lord Vader?” “Yes, master?” “Rise!”. E pronto. Fora isso, só que o pirado do George Lucas fazia os episódios numa ordem bem estranha.

Nessa euforia da estréia do Episódio III - A Vingança dos Siths, minha curiosidade aflorou. Também, pudera: olha com o que eu mexo todo dia! Foi aí que consegui emprestado alguns DVDs de episódios anteriores. Então, lá fui eu, leiga total no assunto, sentar no sofá com os episódios IV, V e VI na mão.

Fato simpático: os DVDs estavam trocados e eu comecei a assistir pelo Episódio VI, ao invés do IV. Ótimo, né? Também achei supimpa… Pior era eu achando estranho a história se desenrolar tão abertamente! O que me distraiu mesmo foram aquelas criaturinhas da Floresta. De onde tiraram tanta inspiração? Adorei. E quando vi o Mestre Yoda? Ai, muito fofinho! A briga dele com o R2D2 pela lanterna foi muito engraçada! E ele fuxicando nos suprimentos do Luke? Meu Deus, muito legal.

Minha primeira impressão foi de algo tosco, mas relevei a idade do filme. Enfim, Harrison Ford na versão sem rugas! Espero não estar insultando aqueles que seguem a história. Realmente, não é essa minha intenção! Queria mostrar a visão de alguém que está por fora desse universo. Não subestimo nem menosprezo. Até por que, para causar a mobilização que causa, não se trata de nada medíocre. Por favor, não me entendam mal!

No final das contas, eu não terminei de ver a tão famosa saga de quase 30 anos, mas um dia eu vejo todas - e na ordem certa! Por hora, só tenho a dizer que acho muito interessante o envolvimento que alguns tem com a história de Star Wars. Eu até fiz uma pergunta a um amigo meu: Você acredita em Jedis? E ele responde: Não, mas que eles existem, existem!

Agora, eu estou curiosa para ver o final da história. Tanto para ver no que dá, quanto para ver a produção cinematográfica que parece estar muito bem feita. Fico imaginando os números do último filme. O Episódio I teve 3,5 milhões de espectadores no Brasil. O Episódio II, 2,1 milhões. É bastante gente, hein… Que a força esteja comigo nessa hora, então!

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