O Fantasma da Ópera

Publicado em: 07-03-2005 @ 12:09 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Um clássico. O cinema deturpou partes de sua excelência, mas o drama de ‘O Fantasma da Ópera’ é tão magnífico que nem Hollywood conseguiu estragá-lo - como tem costumado fazer com os últimos filmes… Não sei se devo me apegar a película, insignificante diante da peça. Prefiro me embriagar com a forte essência d´O Fantasma da Ópera!

Essa é uma coisa louca. Essa é uma coisa realmente maluca e descabida que s vezes insiste em acontecer na nossa vida: gostar de quem não gosta de você! Essa situação vexatória e constrangedora só é interessante quando acontece seja com os outros seja quando é retratada pelas artes. Quando dá o azar e acontece com a gente é uma desgraça! Tem um amigo meu que diz que não há dor pior! Dor de dente um dentista cura, nem que tenha que arrancar. E para tudo há a morfina. Ou até a morte para salvar os desvalidos. Mas a dor de amor é implacável. Você não arranca não! Nenhum remédio cura e o pior é que você não morre de dor de cotovelo! Ela destrói as defesas e você fica combalido. Mas não morre! Apela para todo tipo de santo, simpatia, estratégia humilhante, soluções etílicas e até para a Irmã Janaína (”Irmã Janaína traz a pessoa amada!”). Às vezes dá até certo… Enfim, entrei nesse assunto porque assisti ao “O Fantasma da Ópera”.

Na verdade, o filme vai tentar reproduzir o famoso musical de autoria de Andrew Lloyd Weber que já atraiu mais de 15 milhões de pessoas aos teatros dos grandes centros culturais do mundo. O musical, por sua vez, é baseado num livro de Gaston Leroux, do início do século XX, o qual, como obra literária, nunca mereceu muita atenção.

A adaptação tem seus defeitos: o Fantasma é novo demais (talvez pela necessidade de aproximar o personagem ao público jovem) e nem de perto tem o carisma que demanda o personagem; o diretor inventou umas cenas que não existiam no original; o musical não destacou tanto a ópera; o nome do Fantasma é Erick e aquela viagem sobre a explicação da deformação dele é por conta do diretor; a história ficou mais para romance do que para terror; o outro componente do triângulo amoroso, o Raoul, está mais em evidência no filme que na peça, e - certamente - é muito melhor assistir ao musical que ao filme! Mas como nem todo mundo tem as libras necessárias para assisti-lo em Londres, eis a grande virtude da película: possibilitar ao grande público a oportunidade de conhecer este clássico, se deliciar com a trilha sonora maravilhosa e sofrer com o drama deste amor não correspondido. Mas se você for um cubo de gelo ambulante, amargo e reclamão, nada do que vou dizer aqui fará sentido… Meus pêsames!

O lugar da história já te deixa de boca aberta. A Ópera de Paris. Um prédio construído de forma até polêmica, com 17 andares, sendo 10 subterrâneos, monstruosamente belo. E sim, tem um riozinho passando embaixo do teatro! Só de imaginar dá arrepios…

Agora, vamos história. Christine é uma jovem corista. Órfã. Foi educada artisticamente por um espectro que se manifesta apenas pela voz, ao qual ela batiza de “Anjo da música”. Na verdade, um gênio da música que se esconde nos subterrâneos do teatro de Paris e que tem o rosto terrivelmente deformado. Em virtude de apoio do “Fantasma”, ela se torna “Primma donna” do teatro de Paris. Então aparece o bonitinho. O Visconde com todas as características de príncipe. (Até cavalo branco para complementar o pacote!). O resto já dá para adivinhar. O belo e a bela se apaixonam, noivam e vão casar. E o fantasma? Nem um obrigado ele merece da moça a qual dedicou a vida! Dava até para colocar: “Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência”!

Uma coisa tem que ficar clara: O Fantasma é um monstro! Sim, um monstro da Literatura. Tal qual Drácula, lobisomem, Frankenstein, Cuca. A obsessão dele por Christine o leva a fazer sandices. Quando ele aparecia nos filmes da década de 40, provocava histeria e desmaios nos cinemas. Mas, entre os monstros, sem dúvidas, é o mais charmoso e o que mais desperta compaixão. Há inclusive o hábito de se torcer para que Christine fique com o Fantasma. Ele desperta essa iniciativa de “torcer pelo bandido” mais do que qualquer outro vilão da ficção. E para ser honesta, em termo de sedução e conteúdo, não há comparação. O Fantasma ganha de goleada. Na peça isso é mais fácil de ver. O Fantasma é hipnótico! É carisma ambulante! É magnetismo puro! Isso dá para observar claramente na ópera Don Juan, escrita pelo próprio, onde o casal realiza um dueto glorioso. É bonito demais. Inquietante até a medula!

Passando o drama para nossa realidade mortal… Vivemos num mundo onde imagem é tudo. Estética é curriculum vitae. Seja belo e as portas mais facilmente se abrirão para você. Como dizia Vinicius (um ogro de tão feio, mas um grande pegador!): “As feias que me perdoem mas beleza é fundamental”! Por isso que a nossa sociedade faz qualquer sacrifício pela beleza estética. Para ser fundamental. O Fantasma é rejeitado pelo mundo em que vive em virtude da sua deformação. A humanidade perde um gênio porque não consegue conviver com o feio. O feio se torna aberração porque o ser humano carece mesmo de valores essenciais. Superficialidade é a palavra. “Mais do que paisagens novas, é preciso de olhos novos” já dizia Proust. Mas essa é uma reflexão muito exigente que pode ser intangível ao grande público…

No entanto, por que o “O Fantasma da Ópera” é o clássico entre os musicais? Por que mesmo as pessoas que não entendem a língua durante as apresentações se debulham de tanto chorar? Por que um monstro atrai tanta paixão? Não sei. Talvez só desconfie. Talvez porque eu e você e todo mundo já gostou de alguém que lhe rejeitou. Talvez porque você não agüente mais ver que os almofadinhas e filhos-de-papai que ganham sempre e isso é revoltante! Talvez porque no fundo você saiba que a dor do Fantasma é a sua própria (ou já foi!). Talvez porque tanta devoção por alguém é algo alienado demais. E belo demais! Talvez porque você ame alguém nesse exato momento… E talvez não seja amado.

Coma já falei na coluna passada, os filmes estão cada vez mais próximos de nós. A história do Fantasma podia ser a de qualquer um. Até a sua. Chega de superproduções que não trazem nada de novo, banhadas de prepotência e mesmice. Prefiro filmes que me façam sentir. E definitivamente, ‘O Fantasma da Ópera’, em cinema ou em teatro, é capaz de tocar qualquer um que seja humano.

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Será mesmo só Ficção?

Publicado em: 01-03-2005 @ 11:57 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Será que sempre é ficção?! Na coluna desta semana, penso se ainda podemos dizer sempre de certos filmes a célebre frase: só em filme mesmo! Imagino que o cinema não está mais tão distante da realidade. Cada vez mais ele passa a ser feito com mais ‘carne e osso’. O ‘impossível’ não está mais nas telonas, mas no nosso próprio dia-a-dia.

Costumo pensar que a arte, logo, o Cinema, expressa sensações da vida das pessoas, sendo elas contemporâneas ou do passado. Enfim, vão evocar emoções e fatos marcantes. Sendo assim, lembrei que o ato de trair faz parte de toda boa fofoca, como também de uma série de célebres filmes. Quantos filmes aos quais você já assistiu que tenha um lance envolvendo traição? Vários, certo? Creio que sim. E não digo apenas o famoso “chifre”- mais popular de todos! Falo de traição mesmo! De amigos, de familiares, de ídolos. Qualquer traição. São filmes tratando da “melhor amiga” que agarra o namorado da colega; namorado que mata namorada; marido que tem caso com secretária (o clichê!); casais brincando de passar chifre como se fosse batata quente; quebra de sigilo no trabalho; honra esquecida(…) Nossa! É muita coisa! Agora me pergunto: por quê?

“O Outro Lado da Cama”. “Infidelidade”. “Closer - Perto Demais”. Bons filmes aos quais assisti, e que falam da traição no amor. “Violação de Conduta”. “Crimes em Primeiro Grau”. “Crime na Casa Branca”. Outros que envolvem traição no trabalho (digamos). E por aí vai. Mas por que diabos será que isso ficou tão comum?

Uma das razões das pessoas irem ao cinema é para se distraírem um pouco. Por mero entretenimento. Muitas vezes o filme permite essa clássica frase: “Ah, só em filme mesmo para acontecer uma coisa dessas!” Enfim, há filmes que realmente fogem da realidade e é justamente para permitir essa fuga que são feitos. Mas não há razão para tantas surpresas. A vida é sempre muito mais surpreendente! Outros filmes, ao contrário, querem uma reflexão sobre a realidade, sim, nua e crua! Não desejam fuga alguma, mas um aprofundamento nas questões humanas.

O mundo está descartável. As pessoas estão tão passageiras… Telespectadores da própria vida. Imitando, repetindo sem pensar. Já ouvi de tudo. Que era legal trair. Que faz parte. Que é apenas para quebrar a rotina. Que é normal. Normal! Já dizia Oscar Wilde, “tudo tem preço, nada tem valor”. Ninguém mais sabe o que é amor e todos seus aderentes. Todos querem, mas ninguém sabe tê-lo de verdade. Ou melhor, sabe conquistá-lo. É tudo light demais. Superficial demais. É demais!

Por empolgação, por curiosidade, por pulsação, trocamos algo essencial por algo urgente. E o tempo, que devia trazer a maturidade, com a maior reflexão sobre o peso dos valores, e muitas vezes não traz. Deve ter ficado para próximo avião, junto com a paciência, o respeito, a sensibilidade, a confiança…

Ninguém sabe mais apreciar um craque ou um clássico. Qualquer um é craque! Tudo é clássico! Mas com um tempo de validade breve. Como um grande amigo falou, “craque é aquele que não faz apenas uma jogada genial, mas sim aquele que faz várias jogadas geniais várias vezes. Clássico é aquilo que se repete sem cansar, sem causar o menor incômodo”. Mas agora tudo é superficial demais. A insegurança e a desconfiança imperam. Palavras perdem o sentindo. Perguntas e mais perguntas só encontram respostas vazias ou apenas respostas sem sentido real. É demais da conta!

A cada dia que passa, me identifico ou vejo alguém se identificando com uma traição dessas no cinema. “Closer” dispensa comentários. Quem leu minha coluna sobre essa pérola, sabe. Só tenho a lamentar. E é por nós mesmos, viu? O Cinema, que antes era algo até distante, não passa do espelho de nossas vidas, nossos sonhos, nossas frustrações. Cada vez, fica mais humano. Mas até quando vamos insistir em achar que o cinema é mágico? É de “brincadeira”? Não… Não acredito que ele seja assim. Ele nos fala apenas o que não queremos ver no dia-a-dia. Quem sabe ele tenha sempre sido assim e eu que não havia percebido… De qualquer forma, acredito que muitos ainda não perceberam.

O mundo dá voltas. As pessoas mudam. Logo, o Cinema muda também… Afinal, é a expressão do homem. Portanto, chego a essa conclusão de que esses tantos assuntos polêmicos - que não apenas a traição - aparecem sempre nas telas justamente porque eles aparecem demais na nossa vida. É o realismo. E por favor, não me traiam dizendo que isso tudo aqui é exagero. É demais!

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Música no Cinema

Publicado em: 19-02-2005 @ 11:56 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

O que seria o Cinema sem as trilhas sonoras? Imagine a memorável seqüência de “Cantando na Chuva” ou o agitado “Swat” sem as suas músicas envolventes que nos fazem entrar no clima do filme?

Nesta coluna, tive a idéia de juntar duas paixões minhas: Cinema e Música. Sim, pois todo bom filme tem que ter uma trilha sonora de acordo, e toda boa música tem uma história com a qual nos identificamos. Cheguei, então, a pensar que esses dois andam muito bem entrelaçados.

Imagine “Psicose” sem aquele instrumental angustiante na cena do banheiro, ou o mais contemporâneo “Guerra nas Estrelas” sem aquela trilha que arrepia até quem não é fã. Bem diferente, né? E o tal “Cantando na Chuva”, que nem é uma pérola cinematográfica, mas ficou gravado em nossas memórias pela seqüência de Geene Kelly, literalmente, cantando na chuva?

Engraçado como um nos faz lembrar o outro e vice-versa. Eu não me lembro de “A Dama de Vermelho”, mas conheço bem “I just called to say I love you”, de Stevie Wonder. Também nem conhecia “Rush”, quando me apaixonei por “Tears in Heaven”, de Eric Clapton ou “Dirty Dance”, quando curti a batida de “I´ve have time of my life”. Na maioria das vezes, descubro essas pérolas musicais quando estou revirando os CDs e LPs dos meus pais, e é sempre uma surpresa.

Algumas outras, entretanto, ficam marcadas juntas com o próprio filme. Por exemplo, “My heart will go on”. Não sei o que me atormenta mais: ver a Celine Dion esgoelando-se ao cantá-la ou ver o Jack e a Rose brincando de cai-não-cai na proa do navio. Também tem a Whitney Houston dando o mais potente agudo em “I will always love you” e, noutra hora, está correndo nos braços do Kevin Costner em “O Guarda Costas”. Ah, não posso esquecer de “Ghost - Do outro lado da vida” com aquele romantismo de “Unchained Song”, no tom de Demi Moore e Patrick Swayze. Nossa! Quem não lembra?

Ah, eu parecia pinto no lixo quando descobri que aqui em casa tinha “Take my breath away”! Escutava sonhando com o Tom Cruise, novinho, voando em “Ases Indomáveis”. E quando estava assistindo ao “Robin Hood”, a versão com Kevin Costner, e começou a tocar “Everything I do, I do it for you”, do Bryam Adams? Eu enchia o saco dos meus pais cantando essa música e lembrando da história de amor do filme em todas as nossas viagens.

Definitivamente, esses dois, quando unidos de forma conveniente, são um sucesso. Agora, não poderia fechar essa coluna sem falar de dois certos filmes acolá: “Pulp Fiction” e “Closer”. Esses dois são tão perfeitos, enquanto filme e trilha sonora, que vou dedicar uma coluna exclusiva para cada um. Neste momento, vou apenas dar uma espiada… Se você já viu “Pulp Fiction”, deve ter reparado na poderosa trilha do filme. Sempre amei “Girl, you´ll be a woman soon”, e quando a ouvi no filme… Ah, sem comentários! E quando toca “Let´s stay together” do Al Green? Sublime! “Pulp Fiction” faz uma das melhores uniões que eu já vi. E “Closer”? Bem, “Closer” já me emociona no começo, quando entra a música de Damien Rice, “The Blower´s Daughter”. Só essa já mata. Deve ter marcado a maioria das pessoas que realmente assistiram ao filme e o compreenderam.

Mas é isso. Música no cinema. Unir o útil ao agradável. A fome com a vontade de comer. O que seja! Ambos me emocionam muito por si só, mas quando juntos… Ai é covardia! Espero que vocês possam desfrutar melhor desses dois nos próximos filmes aos quais assistirem. Vale a pena!

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Closer - Perto Demais

Publicado em: 10-02-2005 @ 11:51 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Não é qualquer um que entende esse filme. Só os que passaram por algo parecido. Não culpe quem não sabe desfrutar de uma boa obra! É preciso dor, sensibilidade e dor de novo, para se compreender toda a graça de Closer. Com certeza, um dos melhores filmes que já vi na minha vida. Simplesmente por mostrar a vida como ela é.

Eu sou contra. Eu sou contra os atores, contra a abordagem, contra a produção, contra o tema. Eu sou contra a peça que deu origem ao filme, contra o diretor, contra o nome do filme. Ele não devia se chamar “Closer - Perto Demais”. Devia se chamar “Verdade Demais”. Eu sou contra, sim! Eu sou contra porque as verdades não foram feitas para serem ditas desta forma aberta, clara e sem pudores. Oscar Wilde já dizia há mais de cem anos: “É terrível como as pessoas tem dito coisas completamente verdadeiras s minhas costas”.

A verdade verdadeira é um tabu. Um fetiche. E não venha me dizer que “prefere uma verdade que magoe a uma mentira que iluda”. As verdades são mais complexas do que isso. O próprio protagonista Daniel (brilhantemente personificado pelo charmoso inglês Jude Law) afirma a um certo ponto do filme: “Por que você não mentiu como faz todo mundo?”. “Closer” não mente! Os personagens sim, mentem demais da conta! Até que o lado da ficção entra em cena e todo mundo cai numa síndrome alucinada de contar a verdade, e o pior: de contar tudo! Isso, obviamente, não poderia acabar bem. “Closer” não é um filme para você ir acompanhado de alguém com quem mantenha relações amorosas. Leve um amigo, leve uma amiga, a avó, o papagaio… Aliás, nem o papagaio, por que ele pode repetir algo que você disser durante o filme.

O tema você já sabe qual é: infidelidade. Um clichê que parece nunca se gastar completamente. Basta ver pelas novelas, filmes, fofocas e excelentes obras da literatura. Chifre dá ibope, sim! “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “Madame Bovary”, de Flaubert; “Ana Karenina”, de Tolstoi; “Othelo”, de Shakespeare. Precisa de mais nomes para você perceber que o chifre não sai mesmo das cabeças dos grandes mestres?!

Mesmo sendo contra, tenho que admitir que “Closer” é excelente. Os atores arrebentam! Até a “namoradinha da América”, Julia Roberts, dá o tom certo sua personagem. E destaque irreconhecível Natalie Portman (vale lembrar a garotinha esquálida de alguns anos atrás em “O Profissional”).

Mesmo com tantos predicados, continuo contra “Closer”! É um filme agudo, profundo, cortante. Ele toca nos pontos fracos. Ele nos dá o alento de nos percebermos compartilhando sentimentos humanos. Os medos, os desejos, os pequenos atos de covardia, as mentiras deslavadas, o onipresente ciúme e todas as coisinhas vulgares e ordinárias que nos fazem ser o que somos, mas somadas a uma coisa exuberante, desconcertante, bela e revolucionária: a paixão.

As pessoas são apaixonadas, em “Closer”. E não tem vergonha de sê-lo. A paixão é um sentimento alucinado. É uma doença da alma, ou uma virtude, sei lá. Mas, com certeza, é um estado alterado. E os personagens se deixam levar por suas paixões, sem medo de serem felizes (ou infelizes!). Choram despudoradamente. Agarram-se. Desesperam-se. Exatamente como, ridiculamente, já fizemos, fazemos, ou faremos. Mas, como dizia Fernando Pessoa, “só quem nunca escreveu uma carta de amor que é ridículo”.

Além da história, ainda vem a trilha sonora para criar o clima ideal. Meu Deus, que música maravilhosa! “The Blower´s Daughter”, de Damien Rice já arrebata no começo e termina a overdose nos minutos finais. Perfeito. Mais uma confirmação de que a música faz uma tremenda diferença.

E para sustentar o tema do filme, interfere novamente Wilde: “O auge da falta de criatividade é a fidelidade”. Essa foi boa… E ainda vem Nelson Rodrigues (quem melhor do que ele quando o assunto é traição?) para completar: “Numa relação, há sempre um traído e um traidor. Saiba o que você é para saber qual o papel do outro”. Em “Closer”, todos traem e são traídos. Ficam só alternando os chifres. Parece até Escravos de Jó… O doloroso e vexatório é que eles parecem querer dissecar essas traições. É uma exumação de chifres! Isso é terrível demais! E todo mundo sabe, nada é tão doloroso, nada dói mais na alma, nada é mais insuportável que descobrir o objeto do seu afeto nos braços de outro!

Um amigo meu, de tanto pular cerca virou um verdadeiro atleta de saltos ornamentais (não vou dizer com vara para não soar infame). Certa vez ele me disse numa conversa de bar (e nem estava tão embriagado): “Se eu encontrasse hoje a mulher certa, seria completamente fiel ela por toda a minha vida, sem nunca mentir”. Fiquei impressionada! Não por ele estar dizendo isso ou pela virada de pescoço que ele deu segundos após passar uma morena estonteante. Mas principalmente por ele ter revelado uma outra face desta moeda: mesmo nesse mundo tribalista, onde as pessoas se dispõem como um grande self-service de relações, todos nós queremos a monogamia! Queremos o amor eterno, a metade de maçã. Durante o filme, um amigo me revelou: “Queria me apaixonar pelo menos uma vez na vida para saber como é sentir isso”.

Seria o mundo ideal monogâmico? Nossa! Sexo com amor, amor sem sexo, sexo sem amor, amor com sexo. Decidam-se, por favor. Enfim, confira você mesmo assistindo a esse excelente filme! Vá lá e reflita. Mas, cuidado com quem você vai levar junto!

E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br

O Código Da Vinci

Publicado em: 25-01-2005 @ 11:42 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

O intrigante livro ‘O Código Da Vinci’, de Dan Brown, vendeu mais de 15 milhões de exemplares pelo mundo, graças união de um tema polêmico (religião) com um romance policial envolvente. Agora chegou a vez da adaptação para as telonas. Será que vai funcionar?

O intrigante livro “Código Da Vinci”, de Dan Brown, vendeu mais de 15 milhões de exemplares pelo mundo, graças união de um tema polêmico (religião) com um romance policial envolvente. Em termos de literatura, o livro não tem atrativo algum. Brown tem um ‘padrão’ para escrever. As seqüências são semelhantes, assim como a apresentação dos fatos e personagens seguem um modelo. É tanto que seu primeiro livro, “Anjos e Demônios”, foi elaborado na mesma fôrma do segundo (Código da Vinci).

Pois bem, depois de tanto rebuliço e tantos livros em resposta (Desvendando, Quebrando, Revelando o Códido da Vinci) era até esperada uma adaptação para as telonas! Dito e feito, Ron Howard (”Uma Mente Brilhante”) assumiu a direção do filme, com Brian Grazer na produção, e já decidiu dois dos principais personagens: Jean Reno (”O Profissional”) interpretará o detetive Bezu Fache (perfeito!) e o papel principal do desajeitado professor Robert Langdon, que se torna herói sem o menor jeito para tal, fica para Tom Hanks.

Ouvi pessoas reclamarem da escolha, que estava sendo disputada por Russel Crowell, George Clooney e Hugh Jackman, mas, se você olhar bem, Hanks tem exatamente o ar atrapalhado e inseguro que Langdon mostra ter durante todo o drama! Como o próprio diretor disse, “ele daria a Langdon uma legitimidade instantânea”. Vamos ver como ficará o filme, que começará a ser rodado pela Columbia Pictures, com o roteiro de Akiva Goldsman, próximo ano. Meu grande amigo Bruno disse que Harrison Ford se encaixaria bem no papel… Também achei uma boa, mas, vamos ver como Hanks desenrola, certo?

Até agora estou gostando da história. Nada de pop-stars! Exceto quando ouvi rumores de que as cenas no Louvre seriam feitas em set, devido ao alto custo cobrado pelo Museu. Pode ser que realmente façam um filme do livro e não o filme da fama do livro! Resta saber quem será a ruivona Sophie Neveu e o seu vovô bem enigmático, Jacques Saunière. Ah, se eu for começar a falar dos personagens… Tô me coçando para saber quem vai ser o albino Silas! Tomara que saia logo. E acredito que não vá ser muito difícil fazê-lo. O próprio livro já é bem descritivo, o que já ajuda.

Fico me perguntando se o filme vai sofrer tantas retaliações como o livro sofreu. Será que os caras que escreveram as respostas vão atrás de produtores para fazerem seus filmes também? Seria no mínimo divertido. Engraçado é que o livro só foi polêmico desse jeito, porque escancarou essa história do Santo Graal e cia. Isso já vinha sendo dito há tempos! O Brown só foi mais esperto e ganhou uma bolada em cima disso. Parabéns para ele. Ao meu ver, o que me preocupa não é o fato de Jesus ter sido casado ou não (além de ter sido crucificado, ainda teve que agüentar o casamento? tadinho!), ou se existem descendentes Dele e da Madalena. Como um padre mesmo falou em um documentário na GNT, “o fato de Jesus ter sido ou não casado, não tira a sua divindade”.

Acho perigoso é o que o livro pode fazer com aqueles que tem pouca fé ou, no mínimo, um poder de reflexão medíocre. Esses podem aceitar “O Código Da Vinci” como verdade, como a nova bíblia, (Não duvidem! Eu já escutei isso!) o que seria absurdo! Não sou católica praticante, não aprovo boa parte do comportamento da Igreja, mas sou fã da história do Cristianismo. Não acho que a Bíblia, ou melhor, não acho que o que os homens escreveram seja verdade pura, assim como a teoria do Santo Graal também não é. É muita coisa a ser apurada: os Templários, o Priorado de Sião, o envolvimento de Da Vinci e todas aquelas obras envolvendo segredos. Tudo isso põe em xeque a base da Igreja, o patriarcalismo. São homens tentando julgar homens, e a verdade absoluta nunca aparecerá.

Enfim, próximo ano conferimos como essa polêmica toda será enquadrada nas telas do cinema!

Qual será o segredo?

Publicado em: 18-01-2005 @ 11:40 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

‘Onze Homens e Um Segredo’ é um filme maravilhoso! Sem comentários! Assim que anunciaram a chegada de ‘12 Homens e Outro Segredo’ fiquei ansiosa para conferir! Era de se esperar, certo? Pois bem… Ou o filme não é tão bom quanto o primeiro ou minha ansiedade precipitou a frustração. Mas a verdade é que o filme não atendeu minhas expectativas.

Meu chefe chegou e me pediu um material para colocar numa das colunas do site. E, ah, de preferência, o mais rápido possível (sim, não provoque a Ira de Jurandir em relação prazos…). O que faço?! Tcharan! Lembrei do rascunho de crítica que tinha feito essa semana sobre o ‘12 Homens e Outro Segredo’ (Ocean´s Twelve). Falaram que podia ser qualquer assunto relacionado a cinema, então… lai rai!

Ao assistir “Doze homens e Outro Segredo” é possível se entender porque Hollywood está desesperada por bons roteiristas. A seqüência do bom remake de ‘Onze Homens e um Segredo’ (Ocean’s Eleven), filme estrelado por Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr. na década de 60 e refilmado em 2001 por um grupo de astros de Hollywood que mais parece uma constelação, (George Clooney, Julia Roberts, Brad Pitt, Matt Damon e Andy Garcia) peca pelo exagero! A trama é tão forçada e tão estapafúrdia que dá para se questionar sobre a qualidade dos barbitúricos que esse pessoal está revelia consumindo. Tudo é demais! Astros demais! Será que sobrou algum que não entrou!? Além dos “arrasa-quarteirão” do primeiro filme, ainda temos a linda Catherine Zeta Jones e até o Bruce Willis dá um jeito de entrar fazendo um papel com o qual ele está habituado, isto é: ele mesmo!

O grande segredo dessa produção, afinal, já pode ser dito: é ruim demais! Não é um filme. É um desfile de bonitos. Até nisso exagera. O enredo (improvável e pouco convincente!) se deteve num grupo de ladrões profissionais que devem devolver todo o dinheiro que – no primeiro filme – conseguiram engenhosamente roubar do cassino Bellagio. São, portanto, pressionados Então temos: onze ladrões que roubaram um dono de cassino (isto é, outro ladrão) que vão para a Europa cometer outros roubos. Ainda temos uma policial (filha de ladrão – claro!) que faz também parte da história. Ah! Temos também um ladrão rico e sofisticado, que é o grande antagonista da história e que protagoniza uma das (poucas) boas seqüências do filme numa oportuna inserção da nossa boa e nacional capoeira. É preciso dizer que o “Raposa Noturna“ foi treinado pelo ladrão-mor (Le Marc)! É ladrão demais! Em Hollywood, dá para ver, que o crime realmente compensa. Mais ladrão do que isso, só num certo senado ou câmara de deputados de um país sul-americano do nosso conhecimento!

Façamos, no entanto, justiça a alguns itens importantes:

- Ao figurino do filme (Brad Pitt estava impecável… Ai, papai!)

- Às piadas simpáticas (George Clooney vulnerável com a idade? Nossa!)

- E, principalmente merece considerações, alegria com que estes ladrões se dedicam ao seu metier! Dá para fazer inveja a muito profissional com quem nos defrontamos diariamente. Já pensou se nossos médicos, por exemplo, trabalhassem com tal desenvoltura?!

A trilha sonora é uma simbiose inoportuna entre ritmos dos anos setenta e algo escutado por clubbers atuais. Vale nota também, os ângulos “criativos”, que a câmera assumia em alguns momentos. Aguém deve ter ficado com torcicolo! Na verdade, o grande e mais engenhoso roubo não aconteceu nem em Amsterdam, nem em Roma (Locações subaproveitadas! Roubaram também as próprias cidades do filme!). Este grande roubo aconteceu e ninguém nem deu conta: foi na bilheteria quando você comprou o ingresso!

João, Maria e Fuzis

Publicado em: 10-01-2005 @ 11:33 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Rio. Bala perdida. ‘João e Maria’. Balinha de menta. O que isso tudo tem a ver? Imagine se fizessem um versão moderna dessa história. Foi o que a Suspiro pensou, imaginando no que os pedacinhos de pão poderiam se transformar nos dias de hoje.

Eu vivo tendo idéias de cenas ou mesmos temas para filmes em uns flashes loucos durante o dia. Só que hoje tive um que achei legal comentar. Talvez porque mexa com a nossa realidade, com cinema (Claro!) e com diversão (afinal, é até engraçadinho). Ou talvez, simplesmente, por que tinha uma espaço legal pra comentar que não o meu humilde blog! De qualquer forma, vamos ao assunto.

Estava eu conversando com um grande amigo pelo popular MSN, comentando sua desejada mudança de cidade (Rio-Curitiba), quando algo simpático apareceu nas linhas do bate-papo: “Queria ir morar em Curitiba. O Rio tem seus shoppings bacanas, mas tem também as conhecidas balas perdidas… E não são balas de menta!” Aí pensei: “Nossa! Quase um ‘João e Maria’ contemporâneo!” E comecei a viajar…

Na verdade, o nome seria ‘João, Maria e os Fuzis’! Talvez estivessem perdidos da família pelo mesmo motivo do original: a família pobre não tinha como sustentá-los. Talvez, também, estivessem caminhando e achassem, ao invés da casa-doce da bruxa, o barraco-drogas de um traficante. Quem sabe, ao invés de jogarem pedacinhos de pão, jogassem drogas ou mesmo as balas de fuzis.

Alguém pode ter achado simpática a assimilação brincalhona, mas nem chega a ser tão colorida e fantasiosa assim. O Rio, a Cidade Maravilhosa, guarda, por trás de sua beleza e de seus pontos turísticos, toda essa realidade negativa. E não só ele, mas também outras cidades brasileiras. (estou usando o Rio como exemplo apenas porque ele foi citado na conversa.)

Pelo menos, alguns dos últimos filmes nacionais desvendaram-na, como em Cidade de Deus. Afinal, não é escondendo por vergonha um problema que vamos resolvê-lo por esquecimento. Mas, sim, expondo-o e encarando-o com visão crítica e seriedade.

Não me orgulho de nossa verdade. Mas me orgulho de estarmos alcançando um amadurecimmento para contorná-lo, mesmo que em pequenas dimensões e sem muito apoio do Governo. Pelo menos, uma parteda mídia tenta cumprir sua parte.

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