Culpa da Disney!

Publicado em: 30-01-2008 @ 1:47 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Assistindo a um de meus seriados favoritos, escuto a frase: é tudo culpa da Disney! No meio de risadas frouxas, imagino que, de fato, a afirmação tem lá seu fundo de verdade, e que as mulheres mal resolvidas ou enroladas de hoje são resultados de uma infância regada por historinhas da Disney.

PS: Antes de tudo, aviso que a coluna dessa semana exige um certo senso de humor, já que a seriedade descabida pode levar a interpretações exageradas.

Na primeira temporada de “Ally McBeal”, a personagem de Calista Flockhart discute com sua “rommie” seus problemas de relacionamento. De repente, sai o disparate: eu não sou desesperada! Passei a infância vendo os contos de fadas, isso é tudo culpa da Disney! Bem, vindo da Ally McBeal, advogada campeã em alucinações, isso não deveria ser levado a sério. Mas, ou eu sou tão doida quanto ela ou isso tem lá sua lógica. Afinal de contas, o mundo está cheio de mulherzinhas mal-resolvidas e de meninos afetados, ambos enrolados tal qual cabelo “pixain” em dia de ventania. Felizmente, esses dois tipos não são unanimidade, mas ainda perturbam bastante o universo de quem tenta se dar bem por aí.

Aí eu lembro que, quando criança, viviam querendo me descer aquelas história de princesas. E eu, rebelde, detestava. Achava um saco. Assisti a todos, claro, mas sem nutrir muita simpatia. E começo a pensar que isso me fez muito bem! Exceto pela rebeldia da Ariel e por “A Bela e a Fera”, só gostava da Branca de Neve por causa dos anões, da Cinderela, por causa do sapato e da Bela Adormecida, porque ela sabia passar bem as horas livres. Mas parei e lembrei das minhas coleguinhas que adoravam a Disney e sonhavam em ser princesas e tento vê-las hoje em dia: a maioria virou pseudo-dona-de-casa ou ainda reclama a busca do príncipe encantado montado em um cavalo branco. Aliás, se ele viesse como príncipe em um cavalo branco, eu até simpatizaria. Pior que ele se adaptou para um playboy dirigindo uma Hilux com um paredão de som gritando forró, ou, de fato, ficou bastante encantada, se é que você me entende, bee…

Enfim, lembrando das princesas, a gente pode até imaginar um padrão de comportamento atual inspirado nelas. E certos fatos de hoje até se parecem com os das historinhas. Tudo colaborando com a teoria do “put the blame on Disney” – parodiando Gilda e a vaquinha Mame. (Sim, vou me divertir com o exagero.)

Branca de Neve. O nome já insinua que esse padrão deve ser relacionado com mulheres das áreas frias do mundo, nada de muito tropical. Ou, como os boatos já diziam, que são mulheres viciadas em cocaína. Para variar, tem uma madrasta no meio que super perturba a vida da menina Branca por invejar a beleza dela. Bem, não lembro Sr.Branco de Neve, pai da princesinha, mas deveria rolar um mimo exagerado dele pela Branca de Neve, o que ocasionou o ciúme da madrasta e a inveja desequilibrada pela menina. Aquela insegurança da mulher de meia-idade pelo cálculo “uma de quarenta por duas de vinte”, bastante recorrente. E aí, a Branca de Neve foge e vai se esconder com sete anões. Claro, ela não poderia ir atrás de um homem de verdade, aí vai e fica com sete anões. Outro cálculo bizarro que insinua as mulheres papa-anjos que existem mundo afora. Rola também uma maçã envenenada, não é? Ora, uma prévia da anorexia. Fora que todo bom farrista sabe que maçã é a melhor fruta para combater uma ressaca: limpa tudo e hidrata. Pelo visto, a Branca de Neve também sabia disso. Sendo princesas, todam tinham que ser belas. A apologia beleza enjoa, até. E aquela fixação pelo espelho prova isso rapidinho. A madrasta da Branca que o diga… Mas, vamos dar um desconto para a megera: era estava insegura pela crise da meia idade, sem os aparos do botox e da Victoria Secret. Claro, outro ponto recorrente nos contos e na pós-modernidade é a secura. Como? Ora, a Branca de Neve só voltaria vida se um Príncipe Encantado pegasse ela de jeito. E ok, essa parte não seria tão ruim, mas tudo era resolvido na base do quê? Preciso dizer? Pois é, com o tempo, isso inspirou a promiscuidade. Freud concordaria comigo.

Cinderela. Ah, a Gatinha Borralheira, miau. Sim, sim, seguindo a linha dos casamentos falidos, tem uma madrasta no meio do engodo. Tinha uma vibe de inveja também. A pobre da Cinderela se lascava por ser bonitinha e as irmãs trash dela obrigavam-na a fazer trabalhos de E.D (empregada doméstica). Até que finalmente chega a Fada Madrinha e deixa a menina se jogar num baile (que não, não era funk). A Cinderela se empolgou tanto que perdeu a hora de voltar para casa e esqueceu o sapatinho lá nas escadas da boate. E fina como ele era, apesar da vida de E.D, o sapato ainda era de cristal. Arrasou! Adoraria que a Disney me contasse sobre o estilista desse conto.

Tem também a Bela Adormecida, a viciada em Lexotan. A Bruxa Má deu um coquetel de antidepressivo para a princesa e ela capotou. Ta, não foi um drink, foi uma espetada de dedo da roca… Mas nos dias atuais, a roca pode ser trocada por uma agulha, tipo aquelas que usam para heroína. Enfim, ao invés da Bela ir atrás de resolver a vida, ela ficou lá, babando, esperando pelo Príncipe Encantado. É tanta supervalorização por esses príncipes que hoje a gente vê o mundo entupido de metrossexuais, a versão realidade-conseqüente dos contos de fadas.

Finalmente, depois de muita princesa insossa, chega a menina, literalmente, com sal. É, a tal sereia que vivia nas profundezas do mar, a Pequena Sereia. Começa mandando bem, porque ela é ruiva. Adoro ruivas. A bichinha ainda era desaforada e rebelde. Aí, claro, se apaixona. Só que por um humano. Ai ela dá uma de menina de quinze anos desesperada e apela para uma bruxa, tal qual umas meninas de hoje apelam para simpatias, cartomantes e enroladores afins. Será que se ela existisse hoje, A Ariel seria fã do RBD? Mas sim, continuando com o paralelo da Disney, finalmente tem uma figura paterna na história de forma mais ativa! Vai ver por isso a menina tem um comportamento diferente das outras… Só não me perguntem se isso é bom ou não. Não vamos discutir educação aqui. Mas que fique registrado que a Ariel é menos bundona que as outras. E pelo menos não anda dormindo pelas tabelas ou incentivando a pedofilia. Ela tinha até de esportista, nadando para lá e para cá. Provavelmente, deveria ser fumante, por sinal.

Sim, aí lembrei da Bela, a que morava com a Fera. Minha historia favorita. Essa também teve um envolvimento maior com o pai. Para salvar o velho gagá, ela virou prisioneira da Fera. E o resto vocês já sabem. Essa da Disney, certeza, foi para amenizar a supervalorização da beleza. Oh. Mas ela, a Bela, era ótima. Além de ser boa dona de casa, era inteligente e tirava a Fera de tempo rapidinho. Ela deveria ser mais valorizada pela massa feminina, e não as outras chatinhas do começo da coluna.

De qualquer forma, dá para perceber certas nuances semelhantes entre as princesinhas e a ala feminina de hoje. Logo, imagine a lavagem cerebral que pode acontecer com as criancinhas. Que horror! Ainda bem que a infância pós-moderna dura quase nasce nada.

Mataram o marido alheio!

Publicado em: 15-01-2008 @ 2:07 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Mataram o marido alheio! Eu cresci vendo filmes românticos com casais fofos e histórias melodramáticas, que emocionam e dão aquela luz de esperança de que, um dia, todo mundo vai ter um “happy ending” no amor. De repente, acendem a luz da sala de exibição e eu penso: mataram o marido alheio!

Como disse, era comum ver historinhas bonitinhas com casais fofinhos e etc tal. E hoje, temos muitos filminhos assim. Mas agora rola uma diferença que se mostrou para mim esses dias: alguém tem que estar morto, e no caso, é o maridão. Exato. Em um só dia, conferi 2 filmes e meio – o outro, peguei de arrebaba - e todos tinham uma viúva no meio. Todos. E, por sinal, eram viúvas bonitonas, viu? Nada de preto murcho.

O primeiro filme da saga da viuvez foi “Coisas Que Perdemos no Caminho”, com a Halle Berry, o Benício Del Toro e o eterno agente Mulder, o David Duchovny. Deu para sacar que a viúva da vez é a Halle, certo? E o presuntão foi o David. O Benício DelToro é o amigo legal que ajuda a segurar a onda, outro personagem importante na saga da viuvez. É quase o Ricardão do Sétimo Dia, que chega para aplacar a “saudade” da viúva novata.

Depois de ver a menina Berry e o charmosão El Touro – ok, Del Toro, muito bem encarnados, por sinal, eu tenho que me aguentar com o Gerard Butler e a Hillary Swank em “PS: Eu Te Amo”. Antes de tudo, preciso dizer: um marido desse, eu queria até morto. Dito. Pois bem, esse foi o segundo karma de viúva do dia. E foi quando percebi que os mortos poderiam estar voltando do além para as telonas. Dois filmes em cartaz e ambos com caixão e vela preta no meio? Eu, hein…

Em seguida, na maratona do audiovisual, por acaso começo a assistir “Sal de Prata”, filme nacional que fala de um roteirista que morreu, deixando como viúva a Cátia, personagem da Maria Fernanda Cândido. É mole? Nesse caso, tinha sim um amigo garotão, mas ele não ganhou lá muito espaço não. Quem aparecia mais era a possível amante do falecido, interpretada pela Camila Pitanga. Notaram que a moça aí tem uma “vibe” para esse tipo de papel, não é?

Cortando o ar de humor negro – literalmente negro, devo dizer que achei simpática a coincidência. E não, não acho que seja uma tendência. Mas, nunca se sabe… Sei que os três filmes levam bem o lance da viúva, que, por sinal, é uma personagem que pode dar muito pano para manga.

Fiquei surpresa com a atuação da Halle Berry. Determinadas cenas dela fazem você querer abraçar a criatura ao lado e chorar junto, como se realmente tivesse perdido alguém amado. Algo como a sua outra metade. A menina tem talento, só precisa ser bem dirigida e produzida. Já sobre o Benício Del Toro nem preciso dar muitas explicações. Ele ainda tem um borogodó latente e consegue fazer qualquer personagem crescer. Fora que tem duas coisinhas pequenas no filme que me fazem lembrar o Ben Harper na questão mais capilar de se dizer.

Depois da overdose de luto, fiquei pensando em mil formas de como contar a história de uma viúva. Certamente, é um personagem cheio de camadas e sentimentos que podem ser explorados de diversas formas, desde a mais clichê até a mais subjetiva. Fico tentando me lembrar agora de outros filmes que também trazem uma viúva como protagonista. Alguém arrisca?

2008, por favor!

Publicado em: 10-01-2008 @ 11:28 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

“Ano novo, vida nova”. Ou, pelo menos, era para ser. Enfim, 2007 pediu para sair e 2008 chegou de vez. E eu fiquei sem saber sobre o que escrever na primeira coluna desse ano novato. Seguindo a sugestão de um amigo, resolvi ser prática e falar sobre algumas vontades que gostaria que 2008 realizasse.

Sonhar não custa nada, não é mesmo? Então, não dói imaginar as coisas que gostaríamos que acontecesse a cada virada de ano. Há quem diga que esses momentos são mágicos, enfim. E caso tenham lá seu charme de magia, atendam aos pedidos de cinéfilos legais como a gente.

Aposto que cada um aí tem uma listinha, mesmo que pequena, de desejos para o Gênio da Sétima Arte. Se não tem, inventem. Ora, duvido que todos estejam satisfeitos com Cinema. Já dizia Billy Joel, na música “Vienna”, “only fools are satisfied”. Então, vamos preparar a listinha que tornaria nossa pipoca de cada dia quase perfeita.

O fim da greve dos roteiristas. Claro. Essa é quase unânime: a não ser que você seja um roteirista rebelde que curte a polêmica da situação. A gente morre de tédio sem seriados e com as interrupções de filmes que deveriam estar sendo rodados. Quando isso vai acabar? E olhe lá. É melhor nos precavermos e pedirmos o fim da greve dos roteiristas e a resolução instantânea de outras futuras greves, porque quem é que garante que os atores também não vão entrar nessa?

Edições especiais de DVDs a preço de banana. Sim, para os colecionadores de DVDs e para aqueles que ficam horas fuçando as lojas atrás daquele DVD tão procurado. Eu queria tanto uma edição especial de “Psicopata Americano”, com joguinhos e tudo mais, para encarnar com excelência a vibe do Patrick Bateman. Ou uma edição especial de “Obrigado Por Fumar” que tivesse um “Guia Seja o Nick Naylor em 10 Passos”. Ou a volta das edições especiais mais “acessíveis”, como ado 007, da maleta prata.

Fim das continuações idiotas. Sim, porque a frase “um é pouco, dois é bom e três é demais” tem lá sua razão, mas s vezes, pode ser “um é ruim, dois é tosco e três é agressão paciência do público”. Hollywood não sabe ficar quieta e fica botando uns diretores de meia tigela para brincar e a gente que paga o pato.

Queda dos preços dos cinemas. Sim, sim! Porque DVD é legal para ter em casa, mas bom mesmo é conferir o filme na telona. Então, seria lindo se os ingressos dos cinemas voltassem aos preços de 10 anos atrás. Pagar R$ 4,00 para conferir um filme recém lançado. Ó! Coisa mais singela!

Mais Premiéres pelo Brasil. Ah, seria muito gratificante se o Brasil entrasse mais vezes na lista dos estúdios e distribuidoras para a realização das festas de lançamentos dos filmes. Sem essa de cabine de imprensa, que sim, é legal, mas é ainda fica muito na vibe de trabalho. Legal seriam as festas. Os coquetéis. As visitas dos atores famosos e tudo mais.

Enfim, se eu começar a pedir por filmes com Fulano e Sicrano de Tal, não termino tão cedo. E se começar a pedir continuação de filmes que me deixaram viciada, também. Resolvi limitar aos pedidos mais abrangentes e deixar os outros pedidos para vocês. E ah, claro, um 2008 cheio de muita luz, pipoca e surpresas boas para vocês!

“Ceia de Cinema”

Publicado em: 28-12-2007 @ 12:28 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Aproveitando o clima de Natal, ho ho ho, que inspirou muita gente nos últimos dias, decidi que o tema da coluna teria que passar por esse tom. E para fugir do óbvio, dos comentários de filme de Natal e companhia limitada, tentei imaginar algo diferente, como uma Ceia de Natal Cinematográfica.

Noite de Natal é quase sempre igual. Família, muita comida e bebida, presentes, aquelas declarações rasgadas de amor que só aparecem no final do ano mesmo. Nas famílias mais excêntricas, rolam umas briguinhas e umas situações inusitadas com as personalidades fortes do grupo. Foi daí que pensei: quem eu chamaria para a minha Ceia de Natal?

Claro, óbvio, e como de esperado, chamaria meus dois personagens mais admirados: Nick Naylor, de “Obrigado Por Fumar” e Miranda Priesley, de “O Diabo Veste Prada”. Primeiro, pelos motivos mais óbvios: quero ser que nem eles quando crescer. Certamente, o papo manipulador me entreteria noite adentro e eu nem sequer iria dar conta do Papai Noel. Segundo, muito provável que o Nick trouxesse um maço de cigarros especiais para mim, e a Miranda, alguma peça dos grandes estilistas do mundo da Moda.

Hum. Acho que chamaria o Rei Leônidas, de “300”, só para ele gritar “Ho, Ho, Ho” com aquele vozeirão. E chamaria a Bridget Jones, para garantir cenas constrangedoras e hilárias. Vai que ela traz o Mark Darcy ou o Daniel Cleaver também? Melhor ainda. E já que é pra criar o ar natalino, tudo em família e amigos queridos, chamaria o Michael Corleone e o Vicent Mancini. O Mikey, porque ele tem todo aquele ar que me agrada, e o Vicent, bem, só para ele exibir a malemolência dele mesmo. E para ele não ficar sozinho, chamaria também o Alfie, “o Sedutor”.

Ah, mas eu não poderia deixar de convidar o Marvin, de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Não tem robô mais engraçadinho do que ele! Desculpem, C3PO e RD2M, mas eu sou fã do Marvin e toda melancolia dele. Para completar a turma de pessoas um tantinho fora do normal, chamaria o Raymond, de “Rain Man” e a dupla de doutores de “Huckabees”.

E ainda no time dos loucos, mas com um tanto de refinação, é óbvio que eu chamaria o Patrick Bateman, de “Psicopata Americano”. Adoraria colocá-lo ao lado do Hannibal Lecter, assim, os dois discutiriam formas mirabolantes de matar aqueles desprovidos de bom gosto. E só para completar o nível de loucura, chamaria o Willy Wonka, na versão do Tim Burton, para cuidar das criancinhas chatas que insistem em “parasitar” a noite. E já que falamos de duplas excêntricas com um quê de violência, chamaria o Vicent Vegas e o Jules Winnfield. E não, não chamaria jamais o quarteto de druguies de “Laranja Mecânica”. Perdão, Kubrick.

Para dar uma mesclada nas idades, chamaria o Rémy Girard e seus amigos de “Invasões Bárbaras” e “O Declínio do Império Americano”. Aí era muita bebedeira e conversas intelectuais com um humor absurdo.

Enfim, são tantas personalidades que deveriam ser chamadas que a minha memória pifa. Acho que faltaria só um casal de apaixonados. E como detesto seguir padrões, chamaria o Edward Grey e a Lee Holloway, o casal noiado de “Secretária”. Acho que com essa lista já dava para ter uma noite bem atípica e memorável. E vocês? Quem chamariam?

Um close nos publicitários

Publicado em: 18-12-2007 @ 1:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Como já falei inúmeras outras vezes por aqui, é sempre muito bacana ver algo seu nas telonas: uma situação, um pensamento, uma impressão e até mesmo sua profissão ou o que seja lá que você faz para tirar uns trocados. Esses dias, fiquei rindo lembrando dos naipes de publicitários espalhados nos filmes.

Pensando bem, não são “os” naipes, mas sim “o” naipe. Rola um estereotipo dos publicitários que não passa muito longe da realidade, mas certamente exagera determinados pontos. E ao contrário da maioria das impressões que uma rotulação estereotipada provoca, eu me divirto com essas.

Costumo ver os publicitários (e publicitárias) na telona como pessoas desenroladas e, no mínimo, um tanto fora do eixo pertencente aos normais. Depois, varia entre seguir o tipo canalha ou o tipo engraçado. E claro, existem os mix de tudo isso. Afinal de contas, no mundo da comunicação, quanto mais integrado, melhor, não é mesmo?

Pois bem. Em “Do Que As Mulheres Gostam”, o Mel Gibson interpreta um publicitário canastrão com seu toque de simpatia e se mete em uma guerra fria com a colega-concorrente, também publicitária, interpretada pela Helen Hunt. Claro, super rico e desenrolado… Eis o tipo “mix”.

Em “Isca Perfeita”, Bruce Willis é um publicitário canastrão e malvadão. Desde quando trocaram os advogados pelos publicitários para os papéis de vilão? Por sinal, desde os 13 anos que eu decidi correr para o rumo da publicidade, mas nos 18, admito, senti uma queda pelo mundo dos advogados. Tudo culpa daquele filme, “O Júri”, que eu achei sensacional toda a manipulação e adrenalina. Mas aí vi que aqui no Brasil nem rola julgamento legal como nos filmes, tsc, e que eu poderia brincar de manipular de forma mais diversificadas no time dos publicitários. Enfim, voltando “Isca”, não assisti ao filme, mas parece que ele era o cara do mal na história. E também era rico. Sim, ô povo para ter dinheiro… Aqui, o Bruce é o tipo canastrão não tão legal.

Em “Paixão de Ocasião”, a gente tem a Jennifer Aniston se metendo em uma roubada para subir na empresa. Toda desengonçada, mas uma gracinha com todo seu jeito tapioca de ser. Quase a mesma vibe que vemos no nacional “E Se eu fosse você?”, que tem o Tony Ramos e o Thiago Lacerda como donos de uma agência de publicidade, com todo o glamour dos prêmios e conquistas de clientes. Aí é o tipo anormal, mas super competente no entretenimento.

Mas, o cinema se inspira na realidade, mas não copia. Assim, normalmente rola grana no meio. E aí, eu me pergunto: quem foi que disse que todo publicitário é cheio da grana assim? Tá bom que o terreno é propicio e que tem muita festa, mas não é para qualquer um não, viu? Fora que os filmes não mostram muito a guerra de nervos e o papel de cada divisão de setor, e quem leva a boa vida no tapete vermelho é o povo da criação, que nem anda em festa e só é responsável pelo final da história toda. Sim, sim. Onde estão os mídias, que recebem toda a babação em brindes, convites e tudo de bom? E o povo do atendimento, que vive de DRs com os clientes?

Quem ainda mostra um lado mais tosco da vida da gente é o seriado “Ugly Betty”, que rola dentro de uma agência moderninha e a nossa amiga Betty é o lado looser simpático que nos faz rir. E ela nem é publicitária, só trabalha no ninho… A grande maioria dos casos gira em torno do lado glamour. Vejamos: “Sex and the city” e “Queer as Folk”. Samantha Jones e Brian Kinney. Dois personagens que eu adoro: canalhões, mas ótimos para se ter entre amigos. Claro, várias festas, histórias divertidas e personalidades atípicas. Impossível não se divertir vendo esses dois, e ficar com um pingo de vontade de passar um dia na pele deles. Principalmente no caso do Brian Kinney, que abre a própria agência no final do seriado e é a coisa mais linda e branca e moderna que eu poderia querer para mim.

Enfim, enquanto nós, pequenos publicitários, não chegamos lá, podemos nos projetar nos personagens que aparecem vez ou outra na telona. E de quebra, ainda fazemos o público rir das aventuras e situações inusitadas.

21 anos com o Cinema

Publicado em: 26-11-2007 @ 9:49 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sendo bem egoísta e lembrando dos meus recém completados 21 anos, pensei em uma lista de filmes que me marcaram. Tudo isso provando como o cinema realmente impregna na vida daqueles que curtem o assunto.

A idéia era traçar uma linha do tempo com filmes. Acontece que eu tenho um problema sério de memória e certamente iria confundir as idades e os anos e ia ficar uma confusão só. Sendo assim, peguei os nomes e coloquei em uma ordem que tenta despretensiosamente ser cronológica. No começo era o início. (É nada…) Enfim, quero dizer que tudo começou quando eu conferi “O Rei Leão” e me apaixonei pelas músicas e pelos personagens. Além do Timão e do Pumba, aquela terceira hiena abobalhada me cativou bastante. Foi ali que começou a minha paixão por animações e o Cinema passou a perambular pelas ocasiões em que vivi.

Aí, depois veio um filme inspirador, um que me fez parar e ver o mundo de uma forma diferente, tentar sentir como os personagens do filme se sentiam e identificar semelhanças entre eu e eles. “Oh, Captain, my Captain”. Até hoje me arrepio quando lembro disso, assim como do sentido de “Carpe Diem”. Sim. “Sociedade dos Poetas Mortos” foi o filme que acendeu a primeira luz do meu real envolvimento com o Cinema, quando vi que os filmes que realmente me conquistariam seriam aqueles que me fariam sair diferente após assisti-los. Exatamente o tipo de sensação de tive anos depois em “Crash” e “Tropa de Elite”, por exemplo.

Quando vi “As Bruxas de Salém” com meus pais, descobri que não me contentaria em entender a história, mas em sacar como aquilo tudo era feito. Principalmente essas coisas de épocas passadas. E lembro que fiquei um tanto frustrada por não ter visto nenhuma bruxa voando em vassouras. É, eu era uma pequena infanta, curiosa o suficiente para querer ver mais e mais. Ai foi quando vi “Edward, Mãos de Tesoura” e achei o máximo. Toda aquela maquiagem, aquela história que me trouxe diversas interpretações… Vi que esse tal de Tim Burton teria muita coisa legal para me mostrar. Fora que foi meu primeiro contato com o mais que querido Johnny Depp. Enfim, mas do que “o que”, eu queria saber o “como”.

Outro filme que marcou foi quando vi “O Silêncio dos Inocentes”. Antes de tudo, foi o primeiro filme que eu vi adaptado de um livro. Tinha tentando lê-lo várias vezes, porque achava a capa super macabra, com aquele bichinho bizarro estampado, além do nome que me soava um tanto sinistro. Mas, só fiquei paquerando o livro mesmo. O máximo que consegui foi ler a primeira parte e saber que tinha uma tal de Clarice no meio. E o FBI. E eu sempre tive uma tara pelo FBI. Sempre curti histórias de crimes. Eis que para a minha felicidade, estava eu no sítio da família em plena madrugada e bufu: começa a passar “O Silêncio dos Inocentes” na Globo. Sim, dublado. Melhor ainda, já que na época eu não era muito íntima do inglês e detesto – ainda – ler legendas. Fiquei toda empolgada para assistir. E até comecei. “Hello, Clarice…”. Fiquei fã do Hopkins de cara, apesar de morrer de medo do personagem dele. Tanto que não, não consegui ver o filme todo. Fiquei com medo de não conseguir dormir mais. Sei lá porquê, mas eu achava que “Silêncio” era um filme de terror. Na minha cabeça, ainda não era muito clara a diferença entre suspenses “a la Hitchcock” e suspenses baratos e terror. Para mim, tudo dava medo. E eu não queria ficar numa casa grande e escura com a minha imaginação fértil e amedrontada. Pois é, brochei pela primeira vez com um filme.

Mas calma, eu superei e nem tenho vergonha de assumir. Depois, fui com tudo e conferi o filme na íntegra e vi que com toda certeza ela iria para o hall dos favoritos. Já fiquei doida pra ver outro do mesmo naipe. Claro, muito difícil de achar. Até um dia que eu vi “Seven – Sete Pecados Capitais” e descobri outro ator que muito me agradaria: Morgan Freeman. Ele mesmo. O Brad Pitt sempre me agradou pela estética, óbvio. Meus olhos são saudáveis e eu tenho o mínimo de juízo para perceber que aquele homem é fruto de uma ação muito dedicada e inspirada do Todo Poderoso. Mas como ator, o Brad Pitt só foi ganhar meu respeito depois de um tempo. Eis que eu babei em “Seven”, achei estupendo. Quis ver e rever e sempre me surpreendia. O único filme que chegou perto da minha empolgação ao ver “Seven” foi o primeiro “Jogos Mortais”. E só. Ambos me deram uma leve vontade de bolar planos de serial killers. Mas só bolar, calma.

Teve outro filme que mexeu muito comigo, mas de uma forma engraçada. “Jurassic Park” me fez querer bater palmas no cinema. E na mesma hora que eu senti essa vontade, eu pensei: Sim, e o Spilberg vai muito ouvir, né? Mas eis que uma galera dentro da sala começou a bater palma e gritar, e eu, óbvio, segui a onda. Fiquei toda arrepiada! Foi tão engraçado… Porque, enfim, “Jurassic” não é exatamente o tipo de filme que te emociona, não é um drama, ora. Mas quando o filme acabou, eu fiquei abismada em como ele era “irado”, com todos os efeitos e a trilha sonora e o clima e tudo e zaz e zaz. Um exemplo de filme que me conquistou pela técnica.

Outros filmes me conquistaram pelo desafio, como foi o caso de “Stigmata”. Minhas aulas de ensino religioso no colégio nunca mais foram as mesmas. Eu já não era do time das católicas fervorosas, depois de ver o filme, fiquei pensando em vários pontos, questionando outros. Foi um filme que, como “Sociedade”, mudou meu jeito de pensar, só que diretamente no âmbito da religião.

Claro, nem todos os filmes que me marcaram não caem no caso do conteúdo ou da técnica. Tem aqueles que marcam atitudes, como a de ir para o cinema para paquerar – coisa que hoje eu acho um absurdo. “Mar em Fúria” foi o líder dessa categoria. Só não me perguntem nada do filme. Só lembro que tinha mar. E ele estava em fúria. Somente.

No cinema nacional, foi “O Auto da Compadecida” que abriu a porta pra mim. Selton Melo e Matheus Nastchergaele. Dois atores por quem me apaixonei por causa do talento de cada um. Até hoje me divirto com as piadas do filme e aprecio as atuações divertidas. Fora que foi o segundo filme que vi baseada no livro do Ariano Suassuna, um ícone não só da literatura, mas da cultura para mim. E já nos anos recentes, foi “O Céu de Suely” quem apareceu como filme-ícone, porque misturou a maestria da técnica e sensibilidade absurda de temas que muito mexem comigo.

Simplesmente Amor” me convenceu a começar uma história de amor. Clichê, é verdade. Mas é bom viver alguns clichês. E foi realmente o filme que me fez decidir o que fazer. Todo aquele clima de romance e todas aquelas historinhas fofas me provocaram reações e acabou que eu mesma resolvi assumir o que já estava pendente, simples assim. Já “Closer” foi outro que também me provocou reflexões intensas, além de mostrar uma grande identificação. “Invasões Bárbaras” marcou uma mudança de rumo bruta na minha vida. A época em que ele chegou aos cinemas por aqui era um tempo de decisões importantes, e os assuntos abordados pelo filme realmente bateram forte em mim.

Noutro momento, quem me consolou e me encheu de novas perspectivas foi o filme “Sob o Sol de Toscana”. Realmente um filme que tem muita delicadeza, reflexão e carinho, de forma super leve. E claro, “Bridget Jones” foi responsável pelas curtições de momentos “loosers”. E com a área que mais gosto – o trabalho, meus filmes de inspiração com certeza são “O Diabo Veste Prada” e “Obrigado por Fumar”. Ambos os protagonistas me encantam. Meu sonho era ser filha da Miranda Priesley e do Nick Naylor.

Chegando na maior idade, finalmente conferi “Cinema Paradiso”, que me fez chorar por emoção ao cinema. Não sei o que aconteceu, mas ele me sensibilizou de uma forma muito particular. A mesma coisa aconteceu recentemente com “Piaf”, que me levou a um choro quase que involuntário sobre a vida de uma cantora que desde pequena andou cantalorado pelos meus ouvidos.

Enfim, é filme que não acaba mais. Eles sempre conseguem te tocar de alguma forma, seja pelo humor e descontração ou seja pela emoção e reflexão. Certamente, essa é o poder que mais me encanta no Cinema.

Pornô também é cultura.

Publicado em: 19-11-2007 @ 5:12 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Tem gente que pensa que é só na onda do “relaxa que encaixa”, mas o cinema pornográfico tem mais do que isso em termo de técnica, viu? Fora que alguns filmes andam bem atrasados no que diz respeito ao prazer feminino, graças ao machismo dos diretores de talento pequeno (entendam talento como quiserem). Aproveitando o tema do RapaduraCast da semana, Pornô é assunto de hoje.

Pornografia também é cultura, minha gente! É por isso que resolvi destrinchar rapidamente a história desse gênero tão aclamado por alguns, aclamado de forma calorosa e diferente das demais – sim, porque as mãos são usadas, mas não exatamente no que chamamos de palmas.

Geralmente falando, os filmes pornôs não desenvolvem lá uma grande história. Tipo, uma greve de roteiristas não afetaria os estúdios pornográficos tão gravemente. O que vale mesmo em uma produção desse tipo são as atuações e as “dedicações” dos atores. Basta dois deles se encontrarem e pronto: rala e rola! Não precisa de muitas razões, e sim de ação, característica que se acentuou muito entre 1990 e 2000.

Bem, infâmia seja deixada de lado e vamos saber como foi que isso tudo começou. Claro, foi na cena underground que tudo começou, lá pelas quebras de 1920 (era do Cinema mudo). Pudera, claro. Se hoje ainda temos uma grande parcela da sociedade que é conservadoramente quadrada, em plena geração moderna e do orgulho “sexual” (desisti de classificar os grupos: gente gosta de gente e ponto final), imagine nos tempos áureos, quando mostrar os ombros era sinal de despudor. Tsc.
E no clima underground, a câmera era bem mais amadora e a distribuição, lógico, era limitadíssima! Basicamente, as projeções eram feitas nas casas dos clientes ou em clubes privados – leia-se: bordéis. Que VIP, hein? Hoje não é mais assim. O cinema pornô se profissionalizou e tem estrela recebendo cachês de até 500 mil reais para aparecer em um filme, como é o caso da tão conhecida – e antiga – Rita Cadillac.

Pois bem, em 1970, o negócio começou a mudar. Na Terra da Liberdade (EUA), o cinema pornô ganhou exibições em cinemas de verdade, nas chamadas “Salas Especiais”. Fico pensando se esse “especiais” deveria ser discreto para não falar “de p*tarias” ou era porque a estrutura da sala era diferente… Sim, porque o público do pornô não exatamente precisa de pipoca na hora da exibição, né? Hum…

“Garganta Profunda”, “O Garanhão Italiano” (tinha que ser italiano…), “Atrás da Porta Verde” e “O Diabo da Senhora Jones” são títulos que fizeram história naquela época. Tudo isso no cinema. E em 1980, o vídeo-cassete fez a alegria dos cuecas de plantão. A indústria pornográfica pôde vender as fitas para que o pessoal assistisse no conforto da sua casa. Além do vídeo-cassete, a popularização das câmeras e aparelhos de vídeo aumentou o contingente de filmes amadores, já que uma galera começou a trabalhar com a área. Era vídeo amador “batendo” nas canelas…

E a variedade do assunto e a criatividade da galera é tanta que a produção pornô de hoje pode ser subdividida em vários sub-gêneros. Tudo é motivo de diferença: homem ou mulher, tipos de posições e atos, público-alvo… Tudo para agradar ao cliente, não é mesmo? Tem o pornô hetero, o casal, o lésbico, o gay, o bissexual, o travesti… Esses são os mais óbvios. Tem outros que são mais específicos.

Tem o Pornô Gonzo, que é aquele em que o diretor é um “multi-uso”. Ele é operador de câmera, interage com os atores e claro, é o diretor. É a que melhor mostra a relação como ela é na realidade. Tem o Pornô Fetiche, que trabalha só com pés, pernas, sapatos, orelhas, e tudo mais que tiver gosto pra doido. E rola ainda o Pornô BDSM, que é quando envolve sado-masoquismo e coisas do gênero. E, o mais conhecido, o Pornô Amador, que é feito em casa e vive bombando na internet, algumas vezes até sacaneando alguém.

Por trás de toda gozação que é fazer um filme pornô, a técnica tem seu espaço, ora. Pornô também é informação, é cultura! As diferenças vão além do pornô leve ou pesado. E não sei porquê, mas acho que um estudo aprofundado nesse tema deixaria muita gente “curiosa”.

Feliz ou não, eis a questão.

Publicado em: 13-11-2007 @ 2:26 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

‘E então viveram felizes para sempre’: eis o clichê-eterno dos finais felizes. Acontece que eles não aparecem apenas nos contos de fadas, como também em alguns roteiros do cinema. Mas, até quanto eles são tolerados pelo público? Por que diabos se gosta tanto de finais felizes? E ao mesmo tempo, por que tem tanta gente que prefere evitá-los, por não gostar ou, ainda, por não acreditar neles?

Já ouvi gente dizer que detestou o filme tal, porque o final não foi feliz. E já ouvi gente dizer que adorou o filme tal, porque tudo acabava bem. No final das contas, eu até desconfio do porquê dos finais felizes fazerem sucesso: eles são fáceis, previsíveis (logo, não assustam ninguém) e dão uma sensação boa em quem assiste, como se “aquele” problema estivesse resolvido e a felicidade, vencido. Algo com esperança e identificação. Conversando com uma amiga mais velha, ela me confidenciou: eu gosto de ir ao cinema para ver filmes que me deixem bem, odeio terror e histórias tristes demais. Simples assim.

No outro extremo, vejo pessoas que não gostam dos típicos finais-felizes. Acham previsíveis e fora da realidade (e viva o melodrama). Será que teríamos como medir a “popularidade” dos “happy-endings”? Ou saber porque algumas pessoas ficaram tão incrédulas sobre o verdadeiro final feliz? Independente do resultado da “pesquisa”, uma coisa é certa: o final-feliz é um ideal que a maioria busca ou até mesmo usa para levar ao extremo uma desgraça inesperada. É como uma música do cantor Mika diz: “foi assim que você me deixou (…) sem nenhum final feliz, é assim que nós amamos, como se fosse para sempre, mas viver o resto da nossa vida, ambos separados”. É o oposto do conto de fadas feliz, certo? E ele é usado para contrastar o lado ruim.

Puxando para a prática, pensei em lembrar de alguns filmes que vieram rapidamente na minha cabeça com finais não tão felizes e que provocaram discussões entre as pessoas que conheço.

Separados Pelo Casamento“. Foi “culpa” desse filme eu ter escolhido o tema desta semana. Ele teria tudo para ser um filme esquecido na minha memória, exceto por duas coisas: pelo irmão gay da personagem da Jennifer Aniston cantando “Move Yourself” e pelo final do casal separado. Com isso, o filme meio que quebrou a expectativa clichê do “e viveram casados para sempre” e chamou a atenção de alguns. Mas, ele fica apenas como um exemplo de comédia romântica sem final-feliz, não entra para as estatísticas com mérito.

Já “Titanic ” poderia entrar como filme sem final feliz, mas de sucesso. Eu não agüentaria rever aquele filme novamente – fui uma das excluídas da sociedade que só viu ao filme uma única vez, mas foi um filme que arrebatou bilheterias - e candidatas ao cargo de Sra. DiCaprio, e tem um final triste. No final das contas, o pobre Jack vira picolé e a Rose fica na caritó com a paixão. Todavia, ele ainda é um final super romantizado, não chega a ser terrível. É algo como “Romeu e Julieta”: tem morte, mas o amor vence.

Seguindo a mesma linha de tragédia romantizada, tem o musical “Moulin Rouge”, que eu adoro e me fez desmanchar em lágrimas. Mesmo sendo triste, ele fez sucesso e emocionou muita gente. Acendeu a luzinha da esperança do amor eterno, o “seja eterno enquanto dure” do Vinicius de Morais, como aconteceu em “Um Amor para Recordar”. E parece que isso agrada s pessoas.

Aí lembrei de “Efeito Borboleta”, onde o amor é nocauteado e o personagem do Ashton Kutcher sofre por ter uma memória melhor que a minha. Sobre esse, vi gente dizendo que não gostou, que preferia que eles tivessem ficado juntos e blábláblá.

No final das contas, fica difícil entender qual é a da Final-Feliz. O óbvio é que as comédias românticas apelem para ele, como em “Bridget Jones”. São filmes simples e bacanas de se ver, que fazem a gente se animar. Semana passada mesmo vi uma amiga falando que gostava de assistir “Simplesmente Amor” para ter mais fé no amor. Já os dramas usam muito do Final-Não-Feliz para ir pelo caminho mais fácil, o oposto do já conhecido. Só que uns são mais romantizados e idealizados e outros, mais densos.

Enfim, é saber que tipo de filme cairá bem no humor do dia e escolher um. Quanto popularidade dos “Finais Felizes”, fica com vocês as opiniões.

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