Assistindo a um de meus seriados favoritos, escuto a frase: é tudo culpa da Disney! No meio de risadas frouxas, imagino que, de fato, a afirmação tem lá seu fundo de verdade, e que as mulheres mal resolvidas ou enroladas de hoje são resultados de uma infância regada por historinhas da Disney.
PS: Antes de tudo, aviso que a coluna dessa semana exige um certo senso de humor, já que a seriedade descabida pode levar a interpretações exageradas.
Na primeira temporada de “Ally McBeal”, a personagem de Calista Flockhart discute com sua “rommie” seus problemas de relacionamento. De repente, sai o disparate: eu não sou desesperada! Passei a infância vendo os contos de fadas, isso é tudo culpa da Disney! Bem, vindo da Ally McBeal, advogada campeã em alucinações, isso não deveria ser levado a sério. Mas, ou eu sou tão doida quanto ela ou isso tem lá sua lógica. Afinal de contas, o mundo está cheio de mulherzinhas mal-resolvidas e de meninos afetados, ambos enrolados tal qual cabelo “pixain” em dia de ventania. Felizmente, esses dois tipos não são unanimidade, mas ainda perturbam bastante o universo de quem tenta se dar bem por aí.
Aí eu lembro que, quando criança, viviam querendo me descer aquelas história de princesas. E eu, rebelde, detestava. Achava um saco. Assisti a todos, claro, mas sem nutrir muita simpatia. E começo a pensar que isso me fez muito bem! Exceto pela rebeldia da Ariel e por “A Bela e a Fera”, só gostava da Branca de Neve por causa dos anões, da Cinderela, por causa do sapato e da Bela Adormecida, porque ela sabia passar bem as horas livres. Mas parei e lembrei das minhas coleguinhas que adoravam a Disney e sonhavam em ser princesas e tento vê-las hoje em dia: a maioria virou pseudo-dona-de-casa ou ainda reclama a busca do príncipe encantado montado em um cavalo branco. Aliás, se ele viesse como príncipe em um cavalo branco, eu até simpatizaria. Pior que ele se adaptou para um playboy dirigindo uma Hilux com um paredão de som gritando forró, ou, de fato, ficou bastante encantada, se é que você me entende, bee…
Enfim, lembrando das princesas, a gente pode até imaginar um padrão de comportamento atual inspirado nelas. E certos fatos de hoje até se parecem com os das historinhas. Tudo colaborando com a teoria do “put the blame on Disney” – parodiando Gilda e a vaquinha Mame. (Sim, vou me divertir com o exagero.)
Branca de Neve. O nome já insinua que esse padrão deve ser relacionado com mulheres das áreas frias do mundo, nada de muito tropical. Ou, como os boatos já diziam, que são mulheres viciadas em cocaína. Para variar, tem uma madrasta no meio que super perturba a vida da menina Branca por invejar a beleza dela. Bem, não lembro Sr.Branco de Neve, pai da princesinha, mas deveria rolar um mimo exagerado dele pela Branca de Neve, o que ocasionou o ciúme da madrasta e a inveja desequilibrada pela menina. Aquela insegurança da mulher de meia-idade pelo cálculo “uma de quarenta por duas de vinte”, bastante recorrente. E aí, a Branca de Neve foge e vai se esconder com sete anões. Claro, ela não poderia ir atrás de um homem de verdade, aí vai e fica com sete anões. Outro cálculo bizarro que insinua as mulheres papa-anjos que existem mundo afora. Rola também uma maçã envenenada, não é? Ora, uma prévia da anorexia. Fora que todo bom farrista sabe que maçã é a melhor fruta para combater uma ressaca: limpa tudo e hidrata. Pelo visto, a Branca de Neve também sabia disso. Sendo princesas, todam tinham que ser belas. A apologia beleza enjoa, até. E aquela fixação pelo espelho prova isso rapidinho. A madrasta da Branca que o diga… Mas, vamos dar um desconto para a megera: era estava insegura pela crise da meia idade, sem os aparos do botox e da Victoria Secret. Claro, outro ponto recorrente nos contos e na pós-modernidade é a secura. Como? Ora, a Branca de Neve só voltaria vida se um Príncipe Encantado pegasse ela de jeito. E ok, essa parte não seria tão ruim, mas tudo era resolvido na base do quê? Preciso dizer? Pois é, com o tempo, isso inspirou a promiscuidade. Freud concordaria comigo.
Cinderela. Ah, a Gatinha Borralheira, miau. Sim, sim, seguindo a linha dos casamentos falidos, tem uma madrasta no meio do engodo. Tinha uma vibe de inveja também. A pobre da Cinderela se lascava por ser bonitinha e as irmãs trash dela obrigavam-na a fazer trabalhos de E.D (empregada doméstica). Até que finalmente chega a Fada Madrinha e deixa a menina se jogar num baile (que não, não era funk). A Cinderela se empolgou tanto que perdeu a hora de voltar para casa e esqueceu o sapatinho lá nas escadas da boate. E fina como ele era, apesar da vida de E.D, o sapato ainda era de cristal. Arrasou! Adoraria que a Disney me contasse sobre o estilista desse conto.
Tem também a Bela Adormecida, a viciada em Lexotan. A Bruxa Má deu um coquetel de antidepressivo para a princesa e ela capotou. Ta, não foi um drink, foi uma espetada de dedo da roca… Mas nos dias atuais, a roca pode ser trocada por uma agulha, tipo aquelas que usam para heroína. Enfim, ao invés da Bela ir atrás de resolver a vida, ela ficou lá, babando, esperando pelo Príncipe Encantado. É tanta supervalorização por esses príncipes que hoje a gente vê o mundo entupido de metrossexuais, a versão realidade-conseqüente dos contos de fadas.
Finalmente, depois de muita princesa insossa, chega a menina, literalmente, com sal. É, a tal sereia que vivia nas profundezas do mar, a Pequena Sereia. Começa mandando bem, porque ela é ruiva. Adoro ruivas. A bichinha ainda era desaforada e rebelde. Aí, claro, se apaixona. Só que por um humano. Ai ela dá uma de menina de quinze anos desesperada e apela para uma bruxa, tal qual umas meninas de hoje apelam para simpatias, cartomantes e enroladores afins. Será que se ela existisse hoje, A Ariel seria fã do RBD? Mas sim, continuando com o paralelo da Disney, finalmente tem uma figura paterna na história de forma mais ativa! Vai ver por isso a menina tem um comportamento diferente das outras… Só não me perguntem se isso é bom ou não. Não vamos discutir educação aqui. Mas que fique registrado que a Ariel é menos bundona que as outras. E pelo menos não anda dormindo pelas tabelas ou incentivando a pedofilia. Ela tinha até de esportista, nadando para lá e para cá. Provavelmente, deveria ser fumante, por sinal.
Sim, aí lembrei da Bela, a que morava com a Fera. Minha historia favorita. Essa também teve um envolvimento maior com o pai. Para salvar o velho gagá, ela virou prisioneira da Fera. E o resto vocês já sabem. Essa da Disney, certeza, foi para amenizar a supervalorização da beleza. Oh. Mas ela, a Bela, era ótima. Além de ser boa dona de casa, era inteligente e tirava a Fera de tempo rapidinho. Ela deveria ser mais valorizada pela massa feminina, e não as outras chatinhas do começo da coluna.
De qualquer forma, dá para perceber certas nuances semelhantes entre as princesinhas e a ala feminina de hoje. Logo, imagine a lavagem cerebral que pode acontecer com as criancinhas. Que horror! Ainda bem que a infância pós-moderna dura quase nasce nada.
Como disse, era comum ver historinhas bonitinhas com casais fofinhos e etc tal. E hoje, temos muitos filminhos assim. Mas agora rola uma diferença que se mostrou para mim esses dias: alguém tem que estar morto, e no caso, é o maridão. Exato. Em um só dia, conferi 2 filmes e meio – o outro, peguei de arrebaba - e todos tinham uma viúva no meio. Todos. E, por sinal, eram viúvas bonitonas, viu? Nada de preto murcho.
Sonhar não custa nada, não é mesmo? Então, não dói imaginar as coisas que gostaríamos que acontecesse a cada virada de ano. Há quem diga que esses momentos são mágicos, enfim. E caso tenham lá seu charme de magia, atendam aos pedidos de cinéfilos legais como a gente.
Noite de Natal é quase sempre igual. Família, muita comida e bebida, presentes, aquelas declarações rasgadas de amor que só aparecem no final do ano mesmo. Nas famílias mais excêntricas, rolam umas briguinhas e umas situações inusitadas com as personalidades fortes do grupo. Foi daí que pensei: quem eu chamaria para a minha Ceia de Natal?
Pensando bem, não são “os” naipes, mas sim “o” naipe. Rola um estereotipo dos publicitários que não passa muito longe da realidade, mas certamente exagera determinados pontos. E ao contrário da maioria das impressões que uma rotulação estereotipada provoca, eu me divirto com essas.
A idéia era traçar uma linha do tempo com filmes. Acontece que eu tenho um problema sério de memória e certamente iria confundir as idades e os anos e ia ficar uma confusão só. Sendo assim, peguei os nomes e coloquei em uma ordem que tenta despretensiosamente ser cronológica. No começo era o início. (É nada…) Enfim, quero dizer que tudo começou quando eu conferi “O Rei Leão” e me apaixonei pelas músicas e pelos personagens. Além do Timão e do Pumba, aquela terceira hiena abobalhada me cativou bastante. Foi ali que começou a minha paixão por animações e o Cinema passou a perambular pelas ocasiões em que vivi.
Pornografia também é cultura, minha gente! É por isso que resolvi destrinchar rapidamente a história desse gênero tão aclamado por alguns, aclamado de forma calorosa e diferente das demais – sim, porque as mãos são usadas, mas não exatamente no que chamamos de palmas.
Já ouvi gente dizer que detestou o filme tal, porque o final não foi feliz. E já ouvi gente dizer que adorou o filme tal, porque tudo acabava bem. No final das contas, eu até desconfio do porquê dos finais felizes fazerem sucesso: eles são fáceis, previsíveis (logo, não assustam ninguém) e dão uma sensação boa em quem assiste, como se “aquele” problema estivesse resolvido e a felicidade, vencido. Algo com esperança e identificação. Conversando com uma amiga mais velha, ela me confidenciou: eu gosto de ir ao cinema para ver filmes que me deixem bem, odeio terror e histórias tristes demais. Simples assim.