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Tropa de Elite

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:58 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Missão dada é missão cumprida. Filme assistido é filme absorvido. E inspiração batida é coluna escrita. Depois de escutar comentários, curtir as frases de efeito e as músicas do filme e ignorar toda e qualquer pirataria, conferi “Tropa de Elite” nos cinemas. Seria impossível escrever sobre qualquer outro assunto nessa semana.

mairasuspiro_tropadeelite.jpgPapara-papara-papara-clack-bum“. Essa foi a batida mais cantada por mim nos últimos dias, antes de ver o filme “Tropa de Elite”, até conseguir um tempo para conferi-lo no cinema. Tirar onda babando o personagem do Capitão Nascimento na pele do Wagner Moura virou rotina. Afinal, eu sempre adorei o Wagner Moura, profissionalmente e esteticamente, diga-se de passagem. E a boina “a la personal stylist Guevara” caiu muito bem. Acontece que depois de tirar essa “tropa” de brincadeiras e interpretações triviais sobre o filme, após assisti-lo, me senti uma idiota “de elite” por ter levado tudo tão frívolamente princípio.

Fazia tempo que eu não sentia um leve frio na barriga antes de entrar na sala de exibição para ver um filme. Que ficava ansiosa para ouvir os primeiros tons do início da trilha sonora, no caso, com o tão conhecido “Rap do Dendê”. Ver o rosto em close parado do Capitão Nascimento, com uma boquinha emburrada e a boina que triplicava o charme do Wagner Moura também foi outro “tiro” de emoção. Mas eu tenho que desabafar, porque eu saí com um transtorno interessante do cinema: uma mescla de revolta e compreensão.

Me senti estúpida por tratar o tema com banalidade, dançando o “Rap do Dendê” e brincando com as frases do Bope. Me senti mais uma no meio da multidão, sendo hipócrita, superficial e ignorante. Em determinada cena do filme, que novamente toca o refrão do “Rap do Dendê” – a qual eu não citarei para evitar atrapalhar quem ainda não viu, a ficha caiu: o que é que eu estava fazendo? Sim, porque normalmente não é esse o meu comportamento, não com os filmes nacionais que eu levo a sério. E digo nacionais porque eu tenho um cuidado maior com eles: são nossos.

Foi quando eu percebi que, para mim, “Tropa de Elite”, assim como outros filmes, contava uma história. Uma história até ordinária. Simples: como outros infinitos filmes, ele trazia uma narrativa. Ok. Acontece que aquela narrativa é a fotografia de histórias que se repetem no país, com personagens que podem ser encontrados facilmente na realidade, estampados em “curtas” nos noticiários de toda noite ou em “pôsters” na primeira página do jornal.

Não consegui analisar o filme de forma técnica, pelo menos, não claramente. Não consegui porque acredito ser mais importante analisar a mensagem dele no primeiro momento. Acho que a maioria dos filmes brasileiros usam o cinema para mostrar retratos de realidades nossas, e merecem ser absorvidos. Uma parcela do nosso cinema – e acredito que a maior e a melhor – usa o cinema como arte para invocar uma reflexão. É a expressão de um mundo. E “Tropa de Elite” entrou nessa linha, como um filme simples que pode ser compreendido por qualquer um. Talvez por usar uma linguagem fácil, ter ação e uma música-chefe conhecida (Tropa de Elite, do Tihuana) ele tenha atingido uma parcela maior dos brasileiros do que os outros filmes mais densos. E vejo isso de forma positiva. E esclareço: bom por ter sido divulgado e conhecido pela maioria, mas não necessariamente compreendido por ela.

Ver um filme assim, que traz um ponto de vista da realidade para a grande tela, me deixa aliviada e orgulhosa. Mesmo que fique chocada e fadada a crer que o melhor para a sociedade seria o seu fim: o homem, definitivamente, é o pior bicho que já pisou na Terra. Nesse ponto, sou radical e pessimista. Admito.

Você é um fanfarrão!
Todos nós somos, na minha opinião. E muitos são moleques, como é afirmado em determinado momento pelo Capitão. Quem realmente pode julgar a realidade? Quem pode dizer se ele falou a verdade ou não? Quem pode dizer que está certo ou não, se tem jeito ou não? Quem ousa jogar uma pedra e dizer que nunca se comportou como um daqueles “playboys” estudantes de Direito, nem que seja pela corrupção, pela omissão ou pela estupidez de achar estar fazendo “consciência social” enquanto vive em cima do muro com a classe média? Todos nós somos culpados, civis e polícia, e até o Papa, que insiste em ser estrela e se hospedar em zona de risco. Fazemos todos parte dessa “merda” e somos todos hipócritas. Cínicos. A dose pode variar de um para outro – e varia. Mas não vamos deixar de dormir por causa disso. Podemos aliviar e dizer que é culpa do sistema. E até é. Nascemos nele e não é fácil mudar. Aliás, vendo os próprios argumentos do filme, eu nem sequer acredito que seja possível mudar. Somos todos fanfarrões. Fato.

Shine happy people.
A trilha do sonora do filme é irônica e conveniente. “Rap do Dendê” chega com uma apologia ao crime organizado, como um hino contra os “alemão”. O nome do filme lembra a música do Tihuana, que para mim, é uma banda de “fanfarrões”, para não dizer outra coisa. E nos créditos temos O Rappa, banda de grange referência social, cantando “Lado B, Lado A”. Digno. Até o famoso “Rap da Felicidade” marcou presença. Agora, para mim, a pérola da trilha é quando toca “Shine Happy People” durante uma festinha. Tapa na cara da classe média. Soco no estômogado dos blasés que acham que podem julgar algo e que “metralham” frases feitas sobre a realidade e os problemas do país. Pessoas felizes e radiantes no meio de uma guerra fria e não-declarada. Pessoas omissas e sem ética. E todos dançando ao som de alguma melodia que bote pra correr a culpa. Eu não tenho raiva da polícia ou dos traficantes. Antes de ter algum tipo de sentimento em relação a eles, eu fico indignada com a classe média, que não caga nem descupa o mato, e acaba condizendo com a realidade, tendo a cara de pau de criticar como vemos claramente no filme. Os personagens do filme são reais demais. É isso que tira do sério.

Pede pra sair, pede pra sair!
Todo mundo quer sair. Ninguém aguenta viver com o peso dos problemas do Brasil nas costas. Ninguém aguentaria ser patrulheiro para mudar o mundo o dia todo, vários dias. Não é fácil. E existem pessoas e pessoas. Fábios e Netos. Matias e Marias. Seria muita ingenuidade minha ser utópica e dizer que todos deveríamos sair s ruas e mudar. Não faz parte do nosso DNA isso, da nossa geração. Mas eu torço para que aconteça o mínimo: a consciência. Aquele tapa, tão bem dado pelo Capitão Nascimento repetidas vezes, foi um tapa que o filme tentou nos dar. E nós merecemos bem mais do que um tapa bem dado. Precisaríamos de um saco para nos sufocar até que acordássemos desse estado de comodismo-programado e compreendêssemos o que realmente acontece. Ou tentássemos simplesmente entender.

Põe na conta do Papa. Eu não sou muito religiosa, daí começa a meu sarcasmo quando entendo a missão para garantir o sono do Papa. Adoraria dizer para ele que a Igreja poderia rezar menos e investir os dízimos em algum laboratório “santo” que inventasse uma injeção contra o vírus da corrupção. Ou um bloqueio contra as influências do meio, já que no final das contas, nota-se que o homem é um produto do meio, meio criado por ele mesmo. É um ciclo vicioso e virulento, e o Papa só entra para atrapalhar essa emboscada toda.

Jack Baüer e Capitão Nascimento.
Eu queria utilizar a vassoura, como o Capitão Nascimento sugeriu em uma seqüência do filme, em quem disse que o ele era o Jack Baüer brasileiro. Para mim, o pequeno Jack é um personagem de entretenimento, que tem lá suas ligações com a realidade e abusa das tecnologias e da equipe competente pronta para safar o seu rabo. Já o Capitão Nascimento é que chega mais perto de ser um herói, nem por tentar ser justo ou salvar A ou B, mas por conseguir voltar para casa todo dia, com as mazelas do sistema e a briga emocional interna. São duas realidades absurdamente diferentes, que só uma pessoa muito ingênua poderia realmente pensar em cogitar seriamente. A única coisa que as duas tem em comum é a violência, que assume inúmeros papéis: o de defesa, o de sobrevivência, o de educação, o de ataque e aí é ladeira abaixo.

Enfim, “Tropa de Elite” é um filme que merece ser assistido. No mínimo, será divertidos para quem quiser ser um fanfarrão – e somos muitos. Não esperem esclarecimentos sobre a política ou a política. Para mim, a maior crítica ali não é polícia, e sim classe média. A lama da corrupção já está alta demais para perdermos tempos com julgamentos superficiais. E até o Papa seria chamado para o réu se a corrupção fosse ser julgada. O silêncio s vezes é a melhor opção para ocultar a ignorância. E como o Bope falou: ninguém é obrigado a ver o filme ou levar o tapa que ele dá. Então, peça para sair.

Diga-me o seu filme que te direi quem és.

Publicado em: 22-10-2007 @ 7:11 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sabe quando você está em um grupo novo de pessoas e falta assunto? Pois é, vira e mexe, alguém acaba falando de algum filme para quebrar o gelo ou simplesmente para puxar assunto. E dependendo do filme que a pessoa citar, você pode até tirar algumas conclusões sobre a personalidade da criatura.

Eu tenho uma amiga com quem eu já deixo pré-combinado: ó, se faltar assunto, joga algum filme na conversa. Ou o cinema entra como tábua-da-salvação para evitar o silêncio constrangedor entre as pessoas ou entra como fonte de pesquisa sobre a pessoa com quem se está conversando. Sempre muito útil!

Certa vez eu estava em um jantar qualquer, com um monte de gente com quem eu não tinha muita paciência para conversar. Então, alguém falou: ah, a Maíra escreve sobre Cinema. Olha, só… Imediatamente, todo mundo começou a me perguntar sobre cinema, como se eu tivesse muita paciência para falar apenas sobre isso 24 horas por dia ou fosse uma autoridade no assunto. Aí começam as perguntas mais óbvias (e descabidas): “Tu sabe quais os filmes que estão em cartaz?” Ah sim, claro, eu sou informadora nas horas vagas… Ou, “Tu já assistiu aquele filme tal?” Provavelmente, a pessoa está falando de algum enlatado americano super-pop ao qual eu ainda não tive tempo de ver. Ou ainda, os casos mais absurdos: “Ah, eu sou cinéfilo!” É mesmo? “É, eu vou ao cinema todo fim de semana!” Sim, e quem foi que disse que cinéfilo é definido por matemática? Enfim, ok… E qual teu ator favorito? Tem algum que tu acompanha? “Sim, eu adoro o Brad Pitt!” Nossa senhora, só não foi pior porque ele não falou o Tom Cruise… Nada contra o Brad Pitt - ele é um pitel. Mas, não consigo dar muito crédito a quem tem ele como melhor ator, sem sequer citar um nome de peso-qualitativo. Enfim, quando o Cinema entra como tábua-da-salvação dos outros e tábua-do-desespero para você, quem sabe o melhor é pegar o filme mais complexo e europeu que você viu e citá-lo. Pronto, acaba o assunto de onda comercial. Ou vice-versa.

Se estamos no extremo-comercial, podemos ir para o extremo-cult ou, como eu já citei em colunas passadas, para o extremo do “pseudo-cult”. Aquele povo que quer parecer inteligente e sai falando dos filmes que viraram ícone da cultura cinéfila e são referências de “cinema bom”. É só ver se a pessoa vai citar “Laranja Mecânica”, qualquer filme do Bergman, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Amelie Poulain”, “Cinema Paradiso” e por aí vai, sem sequer ter uma base argumentativa forte. “Ah, porque esse filme é bom demais, sem palavras para descrêve-lo!” Claro que é sem palavras, se fosse para descrever, você não conseguiria… E o pior é que tem gente que até engana, sabe? Ai você tem que investigar se a criatura realmente curte o filme – porque afinal de contas, são filmes bons – ou se está apensar pousando de pseudo-cult. Nessas horas, é bom se fazer de doido. Ou então, soltar um argumento seu e perguntar o que o tal “grilo” falante tem para dizer.

E aí rolam os extremo-cults mesmo, que só querem falar do cinema italiano, do cinema do Oriente Médio, do Cinema Novo e gritando argumentos como se estivesse em um palanque político. Ai, eu canso. E fico enfadada. Se quer se exibir, ao invés de explicar o tema e apresentar os filmes, procure o bar mais próximo, que os bêbados podem fingir te dar atenção. No final das contas, essas pessoas só querem ter público para confirmar o intelecto deles. Ninguém com bom senso insiste em uma conversa unilateral, ora.

Bom mesmo, na verdade, é quando você vê que a pessoa sabe do que gosta e não tem medo de falar. No mínimo, ela vai saber falar bem do filme, sendo trash, ruim ou o que quer que seja. É quando todas as máscaras que certos filmes podem impor saem de cena e a síndrome de David Aames some do mapa. Qual é o problema de quem diz que o primeiro grande filme da vida foi “O Rei Leão”? Ora, foi o meu primeiro filme, junto com “Sociedade dos Poetas Mortos”. E o que é que tem chorar em “Um Amor Para Recordar”? É mamão-com-açúcar, mas emociona alguns. Não é para ter vergonha de assumir, ora. Se fosse “Minha Vida Sem Mim”, produzido pelo Almodóvar, em um instante seria “digno” de ser citado em rodas de conversas… No final das contas, os filmes que você gosta podem dizer muito sobre você, mas são seus argumentos sobre eles que fazem a diferença. Então, ande sempre com as notinhas no bolso, caso você precise sair de uma saia justa ou de um silêncio constrangedor.

Nerd Pride!

Publicado em: 15-10-2007 @ 5:26 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Provavelmente, todo mundo estudou com pelo menos um. Eles são figuras presentes até hoje, seja em tons de gozação ou simplesmente de citação. E eles já apareceram bastante no cinema e arrebataram a simpatia do público. É por isso que eu decidi escrever sobre eles nessa coluna. Além de uns outros motivos pessoais… É o Nerd Pride no ar!

Nerds sempre foram personagens de histórias engraçadas – e até de arquitetados planos malignos. Figuras cativas em comédias estudantis, eles sempre batem ponto e marcam presença em qualquer foto de formatura. Acontece que, de uns tempos para cá, ser Nerd não ficou apenas para a figura estereotipada do bobão inteligente (ou não) que era o rei da impopularidade e da gozação. Nerd agora está mais relacionado a conhecimento mesmo, da cultura inútil, passando pela cultura útil e rodando pelas áreas virtuais, principalmente os videogames e jogos para computador. Ser Nerd virou até uma espécie de atitude, criando um estilo e um novo grupo para os sensíveis e semelhantes causa. É o Nerd Pride truando com gosto de gás.

E se é para falar de cinema, vamos lembrar os Nerds da telona. Por incrível que pareça, sempre tem um passando nem que seja como figurante. Parei e pensei nos Nerds que mais me marcaram. Eis que surgiu o Top 5 que segue abaixo, que poderia ser um Top 20 ou mais. Vocês provavelmente vão lembrar uns tantos mais. Por enquanto, vamos começar com esses aqui.

Brian Johnson, personagem de “Clube dos Cinco”, do grande John Hughes. Facilmente identificamos o Nerd dos “Cinco”. Com um moletom verde cafona, leves espasmos corporais - denotando uma coordenação motora insegura - e uma boquinha de chupar ovo. Eis o querido e despombalizado Brian, atuante do clube de física, matemática e ciência da escola. Tá certo que ele foge figura esterotipada do Nerd: ele nem usa óculos fundo de garrafa nem é rechonchudinho. Mais audacioso ainda: ele é alto! Mais alto que o atleta do grupo, o Andrew Clark! Mas, regras foram feitas para serem quebradas. Enfim, o Brian é o típico Nerd-por-conseqüencia. Bom menino, com pais que o colocam em situações embaraçosas desde o dia da ovulação, o bichinho é só vítima do sistema. E a prova de que os pais dele são pessoas estranhas é a placa do carro da família: EMC 2. Ele não é chato. Só precisa de mais adrenalina na vida. E um pouquinho de atitude rebelde, que faz bem a todo adolescente (na medida certa). O diálogo clássico que comprova o Q.I. Nerd do nosso amigo aí acontece quando ele está batendo papo com o já citado atleta (o mais babaca dos “Cinco”, na minha opinião). Andrew chega e pergunta: por que você tem uma identidade falsa? E o Brian, Nerd Número 1, diz: para votar, ora!

Cameron Frye, personagem de “Curtindo a Vida Adoidado”, dirigido por John Hughes. Podem me bater, mas eu digo: sou muito mais fã do Cameron do que do Ferris. Tá, o Ferris é legal. Mas eu me divirto muito mais com o Cameron e faria muito mais questão de ser amiga dele do que do Ferris, se estudássemos juntos. Ele é o Nerd certinho, mas com convicção! Prova disso são as frases célebres que ele solta ao longo do filme, com uma cara de indignação, fazendo aquele biquinho e dando leves bufadas. “Eu vou tomar uma posição! Eu vou defendê-la! Certo ou errado, eu vou defendê-la”. Uma dupla e tanto.

Pausa. Galera, eu queria muito saber como foi o tempo de colégio do John Hughes, porque o cara deve ter tido muita inspiração! Será que ele era um mediano, um nerd ou um popular da época? Hum… Play.

Napoleon Dynamite. Ok, se você não viu esse filme, veja! Vale só por experiência de vida. Vida inútil, mas ainda sim, vida! John Heder interpreta nesse filme o Nerd mais bizarro que eu vi no cinema. É tédio. Ele é tediante. E bizarro. E a mistura disso o torna absurdamente engraçado. “Coma a comida!” é a frase mais notória, quando ele conversa com a Lhama da sua avó garotona. Pois é, sentiu o drama? É. O filme é uma caixinha de “freaks” engraçados, desde a família de Napoleon até seus amiguinhos. Um filme nerd sobre um Nerd.

Kevin Smith. Não, ele não é um personagem. Mas é que ficaria difícil escolher um para representá-lo. Kevin Smith é o pai dos Nerds no cinema, meu Deus. E eu fico me perguntando quem seria a mãe… Mas enfim, o último filme que eu vi com ele foi Duro de Matar 4, quando ele interpreta o hacker Warlock. Sem comentários, certo?

Peter Parker. Se na parte heróica da história ele é o Homem-Aranha, na vida real ele é Menino-Nerd. Dá dó só de olhar para a cara do Peter, coitado. Ele remete a certos traços do Brian. Ele tem boquinha de chupar ovo também e um jeitinho acovardado que dá abuso. E ele não é baixinho nem redondinho. Só é apaixonado pela garotona e não pega ninguém, nem mosca morta. Sim, mas ele não é tão looser… Ele tem um sex appeal com as aranhas…

Enfim, Nerds povoam o mundo e o cinema está repleto deles. Quem lembra mais?

Desafio das Trilhas

Publicado em: 08-10-2007 @ 10:16 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Desafiaram-me a falar sobre trilhas sonoras que foram marcantes, sem citar uns conhecidos aculá. Pois bem. Não poderia deixar essa passar e pensei rapidamente em filmes que tenham me marcado de alguma forma com sua trilha sonora.

Não vou sair pensando nas melhores trilhas sonoras e etc tal. Não acho que eu tenha bagagem e moral para julgar o cinema dessa maneira. Escolhi ir pelo lado divertido e momentâneo do desafio, lembrando rapidamente de músicas que me marcaram de alguma forma. Não foi nem um pouco difícil, já que a música é outra paixão que eu alimento diariamente, até com mais intensidade do que o cinema – apenas por quesito de tempo.

Contrariando as previsões e obedecendo ao “atiçador” do desafio (o sempre presente Bruno Garcia), não citarei o filme que tem como trilha a música “The Blower´s Daughter” nem o que tem “Last Goodbye”. Para o meu espanto, lembrei de filmes que nem eu esperava citar, tornando a lista um tanto heterogênea e distante do que imaginei em primeira instância… Mas isso é ótimo! Sempre bom sair da rotina, certo?

Pois bem. De cara, lembrei logo do filme de um dos meus diretores queridos: Cameron Crowe. “Quase Famosos” passa a ser o favorito de qualquer fã do bom rock que se preze. Cameron Crowe, Phillip Seymour-Hoffman, Led Zeppelin e Lester Banks na mesma produção, não poderia ser diferente. Para quem não sabe, “Quase Famosos” mostra a aventura de William, um moleque de 16 anos – para mim, um nerd do rock, que encontra a luz ao embarcar acompanhando a turnê da banda Stillwater. O contexto já é bacana por si só, mas ainda consegue melhorar quando se percebe que o filme é um tipo de biografia de Crowe. Quando ele estava nas suas jovens primaveras, viajou com a banda Led Zeppellin para escrever uma matéria para a consagrada revista Rolling Stone. É mole ou quer mais?

Até hoje, escuto os gritos do ator Jason Lee - que tem filmes ótimos na filmografia, por sinal, cantando “Fever Dog”. E o momento de introspecção lombrativa que o Willy tem escutando “Sparks”, do The Who, arrancou suspiros de inveja. Fora o momento super querido, dentro do ônibus da banda, que é embalado com “Tiny Dancer”, na voz do Elton John, que apesar da extravagância, manda muito bem em termos musicais. Já que citei o Sir aí, vou abrir umas aspas e lembrar do clipe da música “I Want Love”, que tem uma direção bacana e conta com a participação de outro ator que eu adoro, o Robert Downey Jr. E ah, como se não bastasse ter uma trilha perolada com Jimi Hendrix, Led Zeppellin e por aí vai, o David Bowie ainda dá uma canja cantando “I´m Waiting For the Man”. Mas, não vale falar de Bowie, senão eu teria que citar todos os filmes que ele emprestou a voz, começando por “Clube dos Cincos” com a clássica “Changes”.

Saindo de “Quase Famosos” e passando para um filme de gênero completamente diferente, mas com trilhas sonoras que bebem da mesma fonte, cito o próximo “escolhido”. Nunca fui fã de filmes de ação, mas quando assisti “Duro de Matar 4“, saí do cinema querendo voar com carros e ser amiga do John McLane. E o melhor: isso tudo ao som de “Fortunate Son”, do Creedence Clearwater Revival. Delícia! E essa banda passou a ser melhor ainda quando vi que a sigla dela é igual ao do Cinema Com Rapadura. Infamia, perdão! Mas, é a verdade. Fiquei dias cantarolando o refrão e as seqüências de ação ficaram muito mais animadas com o rock do Credence de fundo, ao invés de alguma mixagem eletrônica da pós-modernidade.

Saindo da linha “ouié, baby”, mas ainda mantendo um dedinho no mundo do rock, lembrei de outro filme que terminou com uma música estilo cereja do bolo. Ainda lembro das sensações que senti ao terminar de ver “Crash” no cinema, levantar da cadeira e sair da sala enquanto ouvia o Stereophonics cantando “Maybe Tomorrow”. Provavelmente, marcou mais ainda porque exatamente na semana anterior que vi o filme, eu tinha descoberto essa música e já andava com ela na cabeça. Agora, atenção para o restante da trilha de “Crash”, que é linda, instrumental, sintonizada com as emoções do filme. E já citando trilhas instrumentais introspectivas, lembremos de “Babel“, que teve o dedo do Gustavo Santaoalla e do Fatboy Slim mandando brasa em termo de qualidade.

Ah, mas aí eu lembrei de outro filme que é rodado todo com instrumental – mas não tão bons, e no final, arrebata com um clássico! “Entrevista Com o Vampiro”, que acaba com “Sympathy For The Devil”, uma das minhas favoritas do Rolling Stones.

Continuando a aba das músicas já íntimas, não foi a primeira vez que isso aconteceu – e é ótimo quando acontece. Outra vez foi quando assisti ao filme “Flores Partidas” e pulei do sofá quando começou a tocar o lounge do Mulatu Astatke, “Yegelle Tezeta”. O filme todo é sonorizado com musiquinhas batutas que foram parar direto no meu mp3player, principalmente “I Want You”, na voz do grande Marvin Gaye.

Pensando bem, esse lance de já conhecer as músicas do filme é sempre bacana. É como se ajudasse você a se envolver com o filme e fazer parte dele, nem que seja cantando – e baixo, para não violentar os ouvidos alheios. Foi o que eu fiz quando assisti “O Diabo Veste Prada“. Claro, um filme clichê-bacaninha que segue do começo ao fim os traços pop só poderia ter uma trilha sonora pop. Muito justo e realista. E as músicas foram o detalhe final para eu me “esbaldar”. De cara, já começa com “Suddenly I See”, da KT Tuntsall. Claro, não poderia faltar a diva Madonna, que dá o ar da graça com “Vogue” e “Jump”. Em momentos super convenientes, você tem Moby, com “Beautiful” e U2, com “City of Bright Lights”, Alanis, com “Crazy” e etc tal. Agora, só para mostrar que o estilo foi mantido, rola ainda Belle and Sebastian e Jamiroquai. Pronto, parecia que tinham furtado o meu HD e selecionado a trilha da vez…

Mantendo o clima feliz e pop das lembranças musicais do cinema, lembrei de uma comédia romântica que está no Top 3 para mim. “O Casamento do Meu Melhor Amigo“. Eu repeti mil vezes (ou mais) a cena em que o Rupert Everett canta “I Say a Little Pray For You” para a Julia Roberts. Cômico! E a música é ótima! Fora que a do comecinho do filme é uma graça: “Wishin´ and Hopin´”, e ainda tem a mais romântica, que é “The Way You Look Tonight”. Ai, tão fofo que quase fica brega.

Outro filme do gênero que entra no Top 3 de comédia romântica despretensiosamente boa é o “De Repente 30“, com a Jennifer Garner e o fofo do Mark Rufallo. O que é a trilha daquele filme? É pra sacudir qualquer um! “Ice, Ice, Baby”, do Vanilla Ice! Eita, coragem! “Love is a battlefield”, da Pat Benatar é outra pérola do baú. Agora, eles quebram mesmo é com “Thriller”, do Michael Jackson, com direito dancinha, e com “Vienna”, do Billy Joel – e essa foi para me quebrar no meio, porque “Vienna” é uma das minhas músicas de estimação.

Agora, para pisar com os dois pés na jaca e aproveitar a levada pop aí do Diabo super na moda, tenho que admitir que marcou muito algumas músicas do filme “Um Amor para Recordar“. Esse é o tipo do filme que não deve ser visto por mulheres em plena TPM e situações românticas com o namorado. Resultado: eu chorei rios e ainda fiquei viciada em “Someday We´ll Know”, cantada pelo Jonathan Foreman, da extinta “New Radicals”.

Para elevar um pouco o nível do romance, por sorte, lembrei de outro filme super cativante e digno, com uma trilha sonora mais que sensacional. O clássico “Um Homem, Uma Mulher” arrebatou com a baladinha singela que virou marca registrada e ecoa até hoje em seriados, filmes e citações por aí. Qual? “Um Homme Et Une Femme”, do Paul Mauriat e Francis Lai. Fora que toda a trilha sonora do filme foi fruto de pesquisas e contribuições brasileiras! “Samba Saravá” é linda e carismática na voz de Baden Powell, e deixa qualquer brasileiro orgulhoso do samba nacional. Por sinal, foi o Vinícius de Moraes quem escreveu a letra. E pelo amor de Lumière, estou falando de samba e não daquela zuada chamada Pagode. E vive lê France.

E já que falei da França, quebra um pouco para a direita e vamos parar em Londres para falar da peça teatral que foi adaptada para o cinema. É, um pipper para quem adivinhou que era “O Fantasma da Ópera“… O filme não chega nem perto da sombra do dedo mindinho da peça. E quem salva a produção é o Gerard Butler, a cômica Minnie Driver e a trilha sonora, que é estupenda. E saindo das previsões, não vou citar as conhecidas “The Phantom Of The Opera” e “All I Ask Of You”. Eu me acabei mesmo foi com “Masquerade”, “The Point Of No Return” e “Angel of the Music”. E palmas para o Gerardão, que mostrou que é um artista que sabe cantar, atuar, ser bonito e agradável – características escassas no mercado.

E para finalizar a lista rápida, um filme para destoar de todos os já citados. Com certeza, todo mundo já curtiu essa trilha. Que minha memória curta me permita saber, ele foi a primeira trilha sonora que marcou presença na minha consciência e claro, não poderia passar em branco na coluna dessa semana. “O Rei Leão” e a famosa Hakuna Matata fez muita gente quebrar as cadeiras nas cadeiras da sala de exibição. E fora dela também! Divertido demais, e até hoje, eu lembro mais do Timão e do Pumba cantando ela do que o mamão do Simba. Fora que o restante da trilha é ótima! Até hoje eu cantarolo “The Lions Sleep Tonight”!

Enfim, vou parar de lembrar, senão vão editar a minha coluna. São inúmeras as trilhas que fizeram sucesso. E inúmeras as opiniões. E inúmeras as possibilidades, já que a cada semana chega um filme novo para ser visto. É papo para uma semana inteira…

Chifre mata!

Publicado em: 01-10-2007 @ 8:34 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

No final da semana passada, me aventurei indo ao cinema ver um filme que provavelmente não me acrescentaria nada de bom. Eis que eu estava correta. Mas pelo menos ele me rendeu, de forma infame, o tema da coluna desta semana. “O Primo Basílio”, o nacional de Daniel Filho, foi o pivô da minha inspiração.

Vou dispensar os comentários sobre “O Primo Basílio“, que é ruim, com cenas sem justificativas, atuações medíocres (com exceção da Glória Pires e da Simone Spoladore) e uma trilha sonora medonha. É uma comédia, feito para rir do filme e não com o filme. Mas, depois de rir e entender que o Daniel Filho não sabe a diferença entre Cinema e TV, percebi uma lição de moral no filme: pulem a cerca direitinho, porque o Ministério da Boemia adverte – chifre mata.

Ok, se você não viu, eu não vou te poupar de saber sobre o filme. Primeiro, tem o livro do Eça de Queiroz. A história não é nem de longe original, então. É quase como se espantar com o final de “Paixão de Cristo”. Segundo, você não está perdendo muita coisa deixando de vê-lo. Sendo assim, a Luisa, a madame chata que é interpretada pela Débora Falabella, morre no final. Morre de remorso, de arrependimento ou sei lá o quê. Para mim, morreu de chifre.

Ela vai e aproveita a viagem do marido, interpretado pelo Reinaldo Giannechini, o tal Jorge. Por sinal, eu tenho certeza que aquele super bigode que colocaram nele foi uma tentativa de esconder a atuação inexistente daquele belo rapaz. Como ator, ele é um ótimo objeto de cena. Pois bem, a madame vai e pega o primo chique das Europa, interpretado pelo Fábio Assunção, que fazendo papel de canalha fica mais agradável que o normal, por sinal. Só que a bichinha era meio lesada e acabou levando a pior…

E não foi só ela! Pensando nos chifres do cinema, vários filmes vieram na minha cabeça, começando por “Closer”, claro. Mas não tem defunto em “Closer”… Aí eu lembrei de “Match Point”, do Woody Allen, que também é um dos meus queridos, tem chifre e batida de botas. Portanto, minha idéia não é tão fraca e infame quanto eu imaginei. Chifre pode matar, sim!

Só que em “Match Point” a história é bem mais interessante, além do desenrolar da trama ser guiado por dois atores que mandam bem: Scarlett Johanson e Jonathan Rhys-Meyers. Mas voltando ao ponto de partida – a morte – temos um detalhe divergente aqui: em “Match Point”, a morte não é “morrida”, como em “Basílio”, mas sim, “matada”. Certo, acho que entreguei um ponto alto do filme… Mas não desanime! Insista: veja “Match Point”. Ao contrário de “O Primo Basílio”, você perde sim, muita coisa, deixando de ver esse projeto do baixinho Woody.

Continuando o papo de chifre-macabro, tem aquele outro filme da Diane Lane e do Richard Gere, “Infidelidade”. Ela trai o marido com um jovem artista e depois o maridão vem e acaba com a raça do Ricardão. Morte. E trágica. Ponto para a teoria de que chifre pode matar.

Então, meus caros, não chifrem. E se chifrarem, tenham cuidado, porque a morte pode vir atrás de vocês. Devem existir outros filmes que misturam chifre e ida ao purgatório, mas minha curta memória não permite acesso a eles. Alguém lembra de mais um? Afinal de contas, se eu for pedir depoimentos pessoais sobre o assunto, pode ter gente que vai comentar anonimamente… Caso contrário, poderíamos ter casos reais de morte, né?

Prazer em conhecê-lo

Publicado em: 25-09-2007 @ 1:21 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro


Observando as pessoas com que convivemos – ou somos forçadas a viver próximo, fiquei pensando em como seria sensacional ter alguns personagens do cinema no nosso convívio. Só para quebrar a monotonia ou animar as coisas, já que tem tanta gente desinteressante e que apenas sobrevive, enquanto outras poucas são dignas de grandes falas na telona.

Naqueles testes de personalidades de revista feminina de quinta categoria, rola sempre uma pergunta do tipo: Qual celebridade/ícone você gostaria de conhecer? Eu mudo um pouco o foco e pergunto para mim mesma: E se eu pudesse conhecer de verdade algum personagem do cinema, quem seria?

Definitivamente, eu quero ser que nem ele quando crescer. Nem conto rapaduras e já grito: Eu quero conhecer o Nick! E não, não é o Nick Carter, da ex-boyband Backstreet Boys, por favor. É o Nick Naylor, o personagem de Aaron Eckhart em “Obrigado Por Fumar”. Meu Deus, o que é o poder de manipulação daquele rapaz? Fiquei extasiada com o filme e ele, Naylor, me conquistou nos primeiros segundos.

Outra figura que muito me inspirou após vê-lo em “Psicopata Americano” foi o Patrick Bateman, personagem do querido Christian Bale. Ok, admito que eu teria um certo receio em conhece-lo. E se ele me picasse com a machadinha? Bem, pelo menos eu teria a certeza de que morreria com uma trilha sonora digna, porque o Bateman pode ser descompensado do juízo, mas tem um bom gosto inquestionável, minha gente. Adoraria ir com ele para algum restaurante super sofisticado da cidade, um Doria´s da vida. Ou no mínimo, não ter o juízo como ele para sair deletando pessoas medíocres por aí. Influencia nazista, será? Nos dias de hoje, cairia bem.

E se estamos falando de loucos, que venha o meu principal: Hannibal Lecter, do sensacional “O Silêncio dos Inocentes”. O personagem que criou forma com Anthony Hopkins e era dono de uma sofisticação e gosto impecáveis. Tão absurdamente digno, que só poderia ser um psicopata mesmo. É difícil ser normal com uma personalidade assim no mundo de hoje. Queria muito umas dicas de vinho e gastronomia exótica do Lecter. Fora que ele compartilharia bastante da minha vontade de mandar para o beleléu as criaturas acéfalas e dotadas de péssimo gosto, que só contribuem apenas para a poluição social do mundo.

E se é para falar de gente de alto nível, falo da personagem da Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”. Se meu lado masculino quer ser o Nick Naylor quando crescer, o feminino quer ser a Miranda Priestley. “That´s all”. Eita que eu queria muito ver ela dando um daqueles olhares fuziladores s pobres almas desprovidas de senso de moda. Ela é cruel. E é por isso que eu adoro. Fora que eu adoraria ficar perto de todas aquelas roupas e acessórios ilustríssimos. Definitivamente, uma mulher instigante.

Agora, deixe-me ver… Cortando a linha séria demais, vamos para os personagens simpáticos e mais facilmente encontrados por aí. Fala aí se não seria divertido tirar onda com a cara do Cameron, do “Curtindo a Vida Adoidado”. Ah, seria divertido demais. Ela é uma graça, além de ser divertido no modo “guenzo” dele de ser. Sou muito mais fã dele do que do Ferris Bueller. Adoraria ter estudado na mesma sala que o Cameron.

E se é para falar de colégio, eu queria muito conhecer o John Bender de “O Clube dos Cinco”, personagem do Judd Nelson na sua melhor forma. Os revoltadinhos e estilosos do colégio são sempre mais interessantes – mas não confundam com os trombadinhas ou repetentes.

Da linha feminina, não preciso nem falar que iria adorar passar uma tarde conversando de pernas para o ar com a Sofia Serrano, de “Vanila Sky” e a Alice Ayres, de “Closer”. Por mais clichê que pareça, é verdade. Ora, uma mulher que fez um cara como o David Aames querer um sonho lúcido deve ser, no mínimo, uma criatura notória. E ela é fã de Jeff Buckley, ora. E a Alice? Bem, primeiro, eu iria cumprimentá-la só pelo fato de ela ter “traçado” o Jude Law e o Clive Owen em uma “filmada” só. Segundo, a personalidade dela é instigante e imprevisível. E companhias assim sempre são boas. E ah, na linha feminina, eu toparia conhecer a Claire Colburn, de “Elizabethtown”. Mas não era por muita coisa não… Era só pra ela fazer pra mim um guia de viagem que nem ela fez para o Drew. Se eu tivesse uma aeromoça como aquela, certeza teríamos um pouso forçado de última hora. Louca.

E ah, os inspiradores… Lionel Dobie, personagem de Nick Nolte em “Lições de Vida”, o curta de Scorsese de “Contos de Nova Yok”. Sensacional. Apesar de correr o risco de ficar louca, eu toparia ser a assistente dele só para ficar perto daquelas tintas magníficas e ouvir aquelas músicas. O cara pinta ouvindo Led Zeppelin e Bob Dylan e oferece lições de vida, com salário, comida e casa para morar. Ora, muito melhor que a proposta “casa, comida e roupa lavada”.

E fechando com chave de ouro, eu queria muito, mas muito mesmo, pediria até para o Papai Noel, era conhecer o quarteto mais infame, nonsense e divertido que já vi no cinema: os pingüins de Madagascar. Viveria inventando missões absurdas só para rir deles. Aliás, eu me conheço: eu me tornaria o quinto elemento do grupo, certeza.

E vocês, leitores de rapadura, se pudessem escolher personagens do Cinema para conhecer na vida real, quem escolheriam?

Biografias

Publicado em: 19-09-2007 @ 12:06 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Em um mundo onde a curiosidade e o interesse pela vida alheia se uniram para mover mídias e atitudes, existe um estilo de filme que costuma cair bem no contexto: as biografias. Quem não curtiria ver uma personalidade “descascada” na telona ou conhecer alguém que nunca ouviu falar em um filme bacana? Sempre alvo de interesses e polêmicas, as biografias formam uma lista longa, com diferentes estilos e intenções.

Lendo uma entrevista com o cantor nova-iorquino Rufus Wainwright, certa citação do músico do pop melancólico me chamou a atenção. “Eu prefiro as biografias. Acho a vida real muito mais interessante que a ficção. Sempre fico chocado com as biografias.” Nesse exato momento, parece que o “desktop” da minha cabeça foi acionado e todas as biografias que eu já tinha visto ou ouvido falar começaram a passar em flashes na minha memória. Fiquei pensando sobre o que o Rufus disse e tive que concordar: a vida real realmente é muito mais interessante, principalmente se essa vida for de alguém notório - visto que nem todos vivem: alguns só sobrevivem mesmo. Afinal de contas, em colunas anteriores, eu mesma afirmei que nós somos a matéria-prima bruta da realidade do cinema. As biografias só explicitam isso, transformando uma figura real em personagem da própria vida em uma cine-biografia.

Para meu espanto duplo, rapidamente consegui lembrar de umas vinte biografias. E sim, espanto duplo porque eu e minha memória não andamos muito em sintonia e nunca acho que lembrarei fácil de nada. Mas o que interessa mesmo é que as biografias são muitas. E diferentes. Temos documentários como “Cartola“, do Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, que resgatam trechos antigos de cenas registradas e depoimentos e constroem a partir daí a imagem da “pessoa-personagem”. Como também temos filmes que retratam a tragetória do cidadão, como em “Dois Filhos de Francisco“, que mostra a saga da dupla sertaneja até alcançarem a início do seu sucesso. E se estamos falando dos nacionais, lembremos de “Olga” e “Zuzu Angel“, que mostram o drama vivido por duas grandes mulheres brasileiras. E só para fechar o parágrafo verde-amarelo, lembrei de “Cazuza“, dono de uma música bacana, “Só Pro Meu Prazer”, que fala de “maior ficção” - porque a intertextualidade do cinema com o vida é demais. Os últimos três filmes, ao invés de apelarem para o documental, seguem pela trilha do narrativo, recriando a suposta realidade da pessoa-personagem.

E sim, suposta. No final das contas, toda biografia é tendenciosa. Podemos colocar a pessoa-personagem no céu ou jogá-la para queimar no mármore do inferno. Já foi falado aqui sobre o poder da edição, certo? Mas, seguinte: ser tendencioso é uma coisa. Mostrar o outro lado é outra. Por exemplo, temos aquele filme “A Queda”, que recria as horas finais de Hitler. Sim, ele era um “menino ruim”, mas o filme mostrou um lado mais humano dele, um lado com o qual não estávamos nem um pouco acostumados a encarar. Era sensível. E o mais óbvio - e mais fácil - de se escancarar sobre Hitler era sua “monstruosidade”. Então, o filme está “errado” por isso? Por mostrar um lado diferente? Claro que não. Aquilo ali pode até ser verdade, mas não é por isso que vamos agora nos arrepender de ter xingado a mãe do nazista-chefe e achar que ele fez tudo com boas intenções. Apenas o estigma da “unilateralidade do mal” foi quebrado e nós temos que ser conscientes e encarar Hitler como um homem, antes de tudo. “A Queda” apenas mostrou o lado que não estávamos acostumados a perceber, e esse é um dos pontos que mais me agrada nas biografias.

Temos ainda aquelas biografias que chegam com um traço mais lírico ou experimentalista, como “Alexandre“, de Oliver Stone. Se são boas ou não, já sou suspeita a falar, principalmente quando eu citei esse filme como “culpado” por uma das minhas grandes frustrações (vulgo, brochadas) no cinema.

Interessante também quando a vida da “pessoa-personagem” realmente se desenvolve como uma história, sem ter aquela sensação de foco através da qual você praticamente vê uma setinha apontada na cabeça do infeliz, dizendo: esse filme é sobre mim!Exemplos: “Capote“, “A Lista de Schindler” e “Uma Mente Brilhante“. Você se envolve com o filme, e de segundo plano, conhece a vida daquela criatura notória. Exemplos de biografias da “setinha-acessa”? “Elvis“, “Ray“, “O Aviador“, “The Doors“. E nem por isso são filmes ruins. De jeito nenhum. Só podem ser extremamente longos, como é o caso de “O Aviador” e “Ray“, sem lá tanta justificativa para isso. Aproveitando a deixa, ainda arrisco dizer que a biografia deve mostrar a vida da pessoa, os fatos marcantes que determinaram porque aquela criatura teve destaque, mas não necessariamente, em uma biografia, devemos contar tudo e mostrar tudo. Parece uma sindrome de “24Horas”. E se eu não tenho tempo nem para a minha vida, lá vou querer passar cinco horas para ver a de outro alguém? Ou seja um diretor muito estupendo ou não abuse da minha paciência e boa-vontade.

Não é ser fácil fazer uma biografia. De jeito nenhum. Ainda mais se a pessoa ainda estiver viva. Fica difícil, porque ela tanto pode querer “meter o bedelho” em tudo, como pode odiar como foi retratada e vir com mil processos atrás. Outro risco das biografias é a tendência de “endeusar”. É até compreensível, já que se você faz um filme sobre a vida de alguém, só isso já dá bastante pano pra manga para engrandencimentos e homenagens � criatura. É dificil ainda, porque ser imparcial é complicado. É difícil, porém sempre instigante.

Entre as minhas favoritas está “Modigliani“. O filme traz o Andy Garcia vivendo o último ano de vida do pintor italiano Amedeo Modigliani, contemporâneo de Pablo Picasso e Diego Riviera. O filme é lindo. E o subtítulo “paixão pela vida” está impregnado em todas as luzes da película. Se eu tivesse a oportunidade de ter uma biografia, gostaria que a minha vida fosse registrada com a mesma sensibilidade com a qual registraram a de Modigliani nesse filme. “Frida Kahlo” foi outro que me agradou, mas nem conta pipoca perto de Modi. E se tem uma que certamente vai ser tornar uma grande favorita, é a biografia do Bob Dylan que está para chegar, recentemente lançada em Veneza e que na coluna passada bateu ponto como “filme que arrasa nas preliminares”. “I´m Not There“: um filme sobre um grande ícone da música com atores sensacionais interpretando diferentes fases da sua vida? Quase impossível não gostar.

E se for para lembrar mais algumas biografias bacanas, lembrem de “Amadeus“, que conta a vida do gênio da música Mozart, “Johnny e June“, que traz a vida do dono da voz belíssima, Johnny Cash. E se eu pudesse escolher alguma biografia para ser filmada? As óbvias: Madonna e Chico Buarque. Seria bacana também algo sobre o Hitchcock ou o Andy Warhol… Ou o Orson Welles e o Glauber Rocha. Se bem que legal mesmo se fosse sobre mim, certo? Brincadeirinha. Mas vamos admitir que seria interessante se cada um de nós pudesse ver como ficaria a própria vida na telona…

Preliminares

Publicado em: 11-09-2007 @ 2:50 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Alto lá! Não falarei daquele-assunto-que-não-ouso-dizer-o-nome aqui. Pelo menos não agora… O tema da coluna dessa semana é sobre a expectativa que nós, humildes cinéfilos, criamos durante a espera de algum filme importante. No final das contas, é praticamente uma relação que termina ou com uma explosão satisfação alcançada ou uma frustradíssima brochada. E eu digo logo que aqui vai um desabafo.

Em colunas anteriores, eu expliquei por A mais B o motivo de detestar criar expectativas para qualquer coisa. Odeio o sentimento de frustração. Fora que colocar o emocional no meio, complica uma crítica técnica do filme, e eu gosto de ter as duas na mão. Afinal, o filme pode ser um lixo tecnicamente, mas me agradar pessoalmente por algum motivo absurdo. Ou pode ser muito bom, porém não provocar lá uma grande identificação, e nem por isso será um filme indigno. Pois bem. Eu fui bem sucedida evitando criar expectativas, em ignorar as notícias, fotos, teasers, trailers o máximo possível e só chegar no dia da estréia e ponto final. Sem mais delongas. E estava muito feliz assim, sabe? Até o dia em que ouvi falar de dois filmes que acabaram com o meu sossêgo: “The Dark Night” e “I´m Not There”.

Alguém pode se perguntar quem foi que me deixou traumatizada. E se não perguntaram, vão saber mesmo não querendo. Foi culpa do “Alexandre” e do Oliver Stone. Eu passei meus 17 anos dedicada a ler sobre Júlio César e Alexandre, O Grande. Aí vem a notícia de que o menino Stone está fazendo um filme sobre o Alex. É óbvio que eu fiquei empolgada, imaginando mil coisas. Descobri que era com o Colin Farrel, Jared Leto e a Angelina Jolie. “Bem, pelo menos, vai ser bonito o filme, né?”. Dia da estréia, estou lá. Brochada. Nem Viagra dava jeito, meus caros. Eu sei que tecnicamente o filme tem seus pontos altos, mas eu nem sequer lembro. Fiquei tão arrasada com a confusão que o diretor fez ali, com as viagens históricas que não tinham relevância, com aquele biscate do Farrel querendo ser gente… Sim, um bonitinho, porém, ordinário. Meu emocional falou mais alto e a relação entre eu e “Alexandre” terminou bem mal. Nunca mais nos vimos depois disso, por mais que eu ache até prudente dar uma chance a ele novamente, com a poeira baixa e os nervos mais contidos. Mas foi ali, no dia da estréia de “Alexandre”, que eu decidi batendo os calcanhares nas escadas de saída da sala, que nunca mais criaria expectativa. Ninguém merece uma brochada.

O último filme que me fez sofrer de expectativa foi “300”. E mesmo assim, foi um relacionamento curto, porém muito proveitoso e cheio de bons momentos. Já sabia da existência desses 300 mocinhos, mas só alguns poucos meses antes da estréia da produção foi que resolvi dar um tratamento especial a eles. O que foi super saudável e positivo para mim. Claro, é bom ter umas pulgas atrás da orelha, ainda mais quando são “pulgas” vindas das mãos de Frank Miller, com abdomens magníficos e Gerard Butler no negócio. E o fim do relacionamento foi de satisfações múltiplas, com direito a segunda rodada. Foi ótimo.

Enfim, fiquei bem. Até ouvir essa brincadeira aí de que o Chistopher Nolan ia lançar o outro Batman. Ai, meu santo lanterninha, se eu já me acabei vendo “Batman Begins” e fiquei uma semana elétrica que nem o Switchy do “Deu A Louca na Chapeuzinho”, imagine essa nova estética para o morcegão que ele está preparando. E isso ainda é o de menos, minha gente. Eu sou fã do Christian Bale. Agradeço muito ele não ter morrido de ataque cardíaco quando saiu de 46kg para 100kg em seis meses para sair do estado-etiópia de “O Operário” e entrar no uniforme sensacional do meu herói favorito. O rapaz ainda vai repetir a dose? E ao lado do Heath Ledger sendo o coringa mais sensacional desde o Jack Nicholson dirigido pelo Tim Burton? Eita, coração…

Eu choro sangue com cada noticia nova que os Rapaduras postam. E meu pobre coração fica sambando toda vez que rola uma foto nova, nem que seja uma desfocada e não revele nada exatamente. Acho que todo mundo já deve um caso assim, né? Cada novidade chega como uma preliminar para o ponto G da estréia. E é mais legal ainda quando a noticia ou a foto é grande. Dá mais vontade de ver. Estou mentindo? Muito bom ter qualidade e tamanho nessas preliminares cinéfilas, porque enfim, também não adianta uma novidade enorme se não tem pontos legais e uma bomba curta deixa muito a desejar.

Se tem uma coisa que me consola é o fato de saber que eu não sou apenas eu que compartilho dessa ansiedade. Até porque, na coluna, eu estou falando dos filmes que me tiraram o juízo, mas sei que tem trilogia por ai que poderia armar uma revolução por tanta fidelidade dos fãs – monogamia deveria ainda existir em alguma setor desse mundo moderno. Inúmeros elfos, jedis, bruxinhos e piratas procurando saber tudo sobre o projeto eleito para o pedestal do cinema.

E como um é pouco, vem o Todd Haynes dirigir uma pérola sobre um cantor que muito admiro, mesmo que recentemente. Haynes já tinha me partido no meio quando dirigiu o filme ícone do Glam Rock, “Velvet Goldmine” (1998) que traz Ewan McGregor, Christian Bale (de novo!) e Jonhathan Rhys-Meyers interpretando papéis que fazem referências gritantes aos grandes nomes do glam: David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop. É mole? Não, é rapadura mesmo.

Pois é. Como se não bastasse, ele lançou recentemente em Veneza “I´m Not There”, uma estilo de biografia super bem bolada sobre o Bob Dylan – e melhor de tudo: aprovada por ele. Só por ser sobre o Dylan, já tiraria meu sono. Aí, eu, curiosa, resolvo saber mais. E aí? E aí que tem, mais uma vez, o Christian Bale, meu karma favorito, e a minha musa Cate Blanchett. E ela, por sinal, virou mais musa ainda agora que ganhou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho como Bob Dylan, representando uma de suas fases. E sim, ela faz o papel de Bob Dylan, porque ela tem culhões. Se mp3 arranhasse, as minhas do Bob Dylan estariam mais furadas do que carro de perseguição em filme de ação com o John McLane.

E o medo agora? E se rolar uma brochada? Trauma. Muitos traumas. E eu escreverei todas as minhas colunas de uma clínica de reabilitação – porque agora virou moda, né? Digam que vocês também tem traumas e sofrem de amores platônicos com filmes que estão para chegar. Essas relações a longa distância acabam com a gente, não é verdade? Mas é bom. Todo mundo gosta de uma preliminar bem feita. E negócios arriscados existem aos montes por aí, ótimas pedidas para quebrar a monotonia.

Telinha ou Telona?

Publicado em: 03-09-2007 @ 4:07 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Tamanho é documento? Digo, o tamanho da tela ainda provoca muita diferença? E são as mesmas diferenças de antes? Afinal de contas, a telinha da TV e a telona do Cinema são concorrentes ou complementares? Ou não são nem farinha do mesmo saco? Abram os olhos, sem piadinhas com o “Vanilla Sky”, porque o mercado televisivo e o cinematográfico estão passando por mudanças significativas.

Antes, era notória a diferença entre TV e Cinema. Agora, essa linha fica cada vez mais tênue. E não acho que seja para provocar uma fusão, mas sim, uma mudança de formatos e estilos. Estamos vendo uma série de trocas, de mesclas, de adaptações nos dois mercados. Fico, então, pensando onde essa “gelatina” toda vai dar.

Antes, a escadinha era TV-Cinema. Hoje, não mais. Mas também não me arrisco a dizer que ela foi invertida. Acredito mesmo é que temos dois estilos, dois mercados. Dois paralelos estão se formando, com inúmeras possibilidades de experiências e influências. E só temos a ganhar. Acredito ainda que a TV esteja sofrendo mudanças mais notórias, e logo, tendo mais destaque, justamente porque o Cinema sempre teve um âmbito maior, e logo, um poder de influência muito maior. Não é uma questão de ganhar e engolis, mas sim de criar e adaptar. No final das contas, ninguém sabe ainda exatamente pesar essa balança.

Temos grandes nomes do Cinema que desenvolvem projetos da TV. Francis Ford Coppola, o ícone da trilogia “O Poderoso Chefão” (a melhor, na minha opinião) e do inquietante “Apocalypse Now”, está produzindo a série “The 4400”. O homem mais rico da TV, Jerry Bruckheimer, além de trabalhar no bem-sucedido “C.S.I”, tem o dedo no meio do projeto milionário “Piratas do Caribe”. Steven Spielberg, o diretor do E.T. mais famoso do século, levou suas idéias extraterrestres para as séries “Taken” e “Band of Brothers”. E, abre aspas: vale lembrar da intertextualidade entre o cinema e a TV com o nome de Steven, quando ele era bastante citado pelo personagem bonitinho, mas ordinário Dawson Lerry, na série juvenil “Dawson´s Creek”. Fecha aspas. Tom Hanks, o eterno Forrest Gump, além de ter dirigido o filme “The Wonders” e produzido “O Náufrago”, agora faz polêmica na TV com o seriado “Big Love”. E o Ridley Scott, o famoso lá por “Blade Runner” e “Gladiador”, produz a série “Numb3rs”. Última citação e a mais importante: Quentin Taratino, minha gente. Meu querido Quentin mandou bem no episódio “Grave Danger” da série “C.S.I”, levando a audiência do seriado s alturas. Ok. Já basta, certo? Deu para listar alguns dos grandes nomes da Sétima Arte com projetos no mundo televisivo. Então, eu pergunto: isso limita suas atuações no Cinema? Será? Acredito que só os menos iluminados pensem assim. Não é anulação. É soma. Vejo aí sim, uma valiosa oportunidade de expansão.

Robert Mckee, um dos mais renomados professores de cinema dos EUA, diz que “os melhores escritores da América estão migrando para a TV”. Prova disso foi a ascensão de séries como “Sex and the City” e “Família Soprano”, duas das minhas favoritas, por sinal, principalmente a primeira. Ao mesmo tempo, séries que tem muito sucesso, logo são cotadas para virar filmes. “Sex and the City” tem projeto para o cinema, assim como “24 Horas”. E a animação dos “Simpsons” já está aí, estourando em inúmeras salas de exibição. Isso não mostra uma conexão entre os dois mundos? Acredito que sim. Não é concorrência, é complementariedade. Motivos diferentes, estruturas diferentes, respostas diferentes.

O cinema é mais caro. É mais demorado. Mas em comparação TV, assume ainda um status de luxo, enquanto a TV é produto mais acessível, mais rápido, mais comum. O retorno do público é imediato, logo, a TV é mais volátil. Um mercado ótimo para experimentações. Se antes os diretores e atores iam ao teatro para “arriscar”, acho que hoje eles estão indo para a TV, que “arrebata” um público maior e mais diversificado. Esse talvez possa ser um dos motivos que atraem roteiristas e até atores bem-sucedidos de Hollywood para a telinha.

E outra. Infelizmente, no cinema, temos muito mais papéis masculinos que femininos. Eis outro motivo pelo qual grandes atrizes estão fechando contratos com emissoras de TV. Exemplos: Glenn Close (”Ligações Perigosas”) e Geenna Davis (”Thelma & Louise”). Duas atrizes de peso, ambas indicadas ao Oscar mais de uma vez. Entretando, nunca mais tinham conseguido um papel nos cinemas (parece que isso vem sendo proeza da Meryl Streep mesmo). Resultado? Glenn Close trabalhará na série “Damages” e Geenna Davis estrelou a série “Commander in Chie” com notório sucesso. E se de cá para lá funciona, de lá para cá também. Atrizes com pouca expressão no cinema conquistaram grande fama através de séries bem sucedidas, como é o caso da atriz Sandra Oh (”Sideways”) que interpreta a Christina em “Grey´s Anatomy”. Mas também tem atriz que dá um show na série e paga um mico no cinema, como foi o caso da minha querida Sarah Jessica Parker, que protagonizou a série “Sex and the City”.

Mas não comecem a pensar que tem um lance sexista na história. Kieth Sutherland, o famoso Jack Bauer da série “24 Horas”, está fazendo um enorme sucesso. Mas isso se deve exclusivamente série, visto que sua carreira no cinema foi inexpressiva até então.

Não acho que vá existir um “caminho” obrigatório entre os dois mercados. Tem gente que só vai estar na TV. Tem gente que só vai aparecer no Cinema. Por opção. E aptidão também, claro. Assim como temos atores hoje que só querem saber de teatro, como o Kevin Spacey (para a minha tristeza profunda…).

Acho que TV e Cinema perderam aquela característica opositória de valor e passaram a ganhar espaço para a produção, sem muita preocupação com richas. Esse papo de apocalipse da Sétima Arte não me convence. E nem acho que exista desmerecimento para um lado nem para o outro. São opções. E quem acaba saindo ganhando com isso somos nós, públicos, que temos mais oportunidades de conferir gente boa trabalhando, de formas novas e diferentes, em dois mercados acessíveis e frequentados pela maioria.

Você, personagem

Publicado em: 27-08-2007 @ 9:31 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Quem nunca se identificou com um personagem? Quem nunca se espantou com a semelhança entre você mesmo e uma figura dentro de determinado filme? Quem nunca achou ter dito algo parecido com o diálogo de tal filme? Quem nunca imaginou ou se inspirou em determinado personagem? Quem, quem, quem?

Filmes com personagens fortes, acredito eu, tendem a provocar uma maior empatia com o público, principalmente se colocamos o cinema como uma imitação da vida, uma reprodução dela, de forma livre, na telona. Exemplos? Joel e Clementine, do várias vezes aqui citado “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Jack Twist, de “Brokeback Mountain”. Alice Ayres, de “Closer” e os outros três também. Rick, de “Casablanca”. James Bond, o homem do 007. David Aames, de “Vanilla Sky”. Ah, são inúmeros os personagens que cativaram o público, que tornaram-se tão importantes – ou até mais – que os próprios filmes e ganharam até comunidades no Orkut. Depende de cada um, mas acredito que quem gosta mesmo de cinema, deve ter seus personagens favoritos e seus momentos de êxtase profundo ao se imaginar na pele de algum deles.

Há quem diga que buscamos o cinema para nos entreter, para viajarmos por mundos e nos projetarmos em situações que não poderíamos viver facilmente na realidade. E, se realmente buscamos isso (não só isso, mas também isso), fica muito mais fácil conseguir essa proeza se houver um personagem que seja como nós. Ou como gostaríamos de ser.

Lendo um comentário no meu blog, achei o assunto para a coluna dessa semana. Falando sobre um filme com o qual eu muito me identificava e de um personagem que vira e mexe aparece nas minhas citações, parei e pensei: afinal de contas, quem são os personagens? Essas “criaturas”, criadas em papéis em branco e projetadas em grandes telas nos encantam, irritam, consolam, divertem. É como se eles fossem um elo entre a gente, público real, e a virtualidade do cinema.

Mas, pensando ainda mais um pouco: personagens só existem no cinema? Nas grandes expressões de arte? Aproveito e pego a pergunta clássica do clichê existencial: afinal de contas, de onde vêm os personagens?

Bem, eu acho que nós somos os grandes personagens. Somos nós que inspiramos os personagens do cinema e as situações das nossas vidas sugerem criações para roteiros e o que mais puder. Nós somos a matéria bruta da sétima arte. Por isso mesmo nos identificamos tanto com certos personagens. Justamente porque eles são feitos a partir de sensações que alguém, como nós, um dia, sentiu.

E não só no cinema podemos perceber que nós merecemos crédito como personagens em nossas próprias vidas. Chico Buarque, na letra da música “Ela Faz Cinema”, questiona: serei eu meramente mais um personagem efêmero da sua trama? Ora pois, nós acabamos sendo personagens de inúmeras tramas, que variam de romance, drama, ação, suspense. Seja em um relacionamento, seja em uma intriga entre amigos, seja em uma aventura durante uma viagem, seja em um assalto no meio da rua. Ana Carolina em “A Câmera que Filma os Dias” fala: a luz que eu vi naquele dia escuro e ruim, era a luz por encomenda para te filme, teus gestos solitários pela lente sem fim, e lento o tempo parecia desfocar nosso enredo. Sim, sim, porque em algumas situações das nossas vidas, parece que tudo conspirava para uma “seqüência” de filme. E há quem ainda diga que tem a impressão de viver em um tipo de “show de Truman”…

Pensando assim, chega até a ser divertido. Não sei vocês, mas eu acho mais que sensacional quando vejo no cinema alguma situação semelhante ou um personagem que em muito parece comigo. E é divertido também imaginar que de situações corriqueiras da realidade, idéias boas são geradas para algum roteiro. O único detalhe importante é não esquecer que, se for para levar a sério que nós realmente somos a fonte de inspiração disso tudo, lembre-se de que você é o protagonista da sua história, e não um figurante qualquer. Portanto, aproveite a “fama” e enquadre bem o foco, porque o público mais exigente do seu “filme” é você mesmo. E nesse caso, não rola edição nem nova gravação.

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