Normalmente, filmes que acabam inacabados não fazem muito sucesso entre a maioria das pessoas. Certo? Ok, não sei se estou certa, mas falando baseada no que vejo, essa afirmativa tem lá sua parte de verdade. E acho que “Flores Partidas” entra para essa lista. Definitivamente.
Dizem que os europeus que tem essa fama. É, essa mania de deixar um imenso ponto de interrogação no final do filme. Aliás, não só um ponto de interrogação. Eles deixam pontos de exclamações e reticências também. Além de alguns vários nós na sua cabeça…
Continuando, o cinema americano tem a tendência de criar problemas e solucioná-los ao final da trama. Antes, tudo acabava bem. Um saco! Tempos depois, felizmente, as câmeras ficaram mais realistas e começamos a ver finais não tão felizes assim, como “A Vida de David Gale” e “Beleza Americana”. Se bem que esses são dois filmes que ainda salvam o cinema americano… Mas, o que importa dizer é que o telespectador sempre tem um final objetivo.
Já em outros lugares, o cinema assume uma posição mais subjetiva, ignorando a intenção de “saciar” quem o assiste. A intenção é mais de cutucar, provocar reações e reflexões. E isso irrita muita gente! É sim! Acha o filme ruim porque não teve “um final”, porque forçou aquela cabeça bitolada e acomodada a pensar. Oh, mundo cruel!
Eu adoro filmes assim. “Encontros e Desencontros”, “Crash”, “Beleza Americana”, “Dogville”… Todos são filmes que driblam a sua expectativa. Não são um “A Dama de Honra”, mas todos possuem finais desconcertantes. São filmes sensíveis, que colocam o homem no microscópio e o dissecam artisticamente. Maravilhoso. E olha que nem precisa ser denso ou tenso para fazer isso, viu?
Felizmente, achei mais um filme para essa lista incomum. “Flores Partidas”, do peculiar Jim Jarmusch. Só por ser um filme dele, já podemos imaginar algumas coisas. Jim tem um jeito muito “dele” de dirigir seus filmes. Câmera estática, personagens marginalizados e até patetas, que muitas vezes são traídos por pessoas ou pelas circunstâncias. E “Flores Partidas” não foge dessa linha.
O personagem principal é feito pelo meu querido Bill Murray. Já tinha adorado ele em “Encontros e Desencontros”, e agora, depois de “Flores”, virei fã assumida. Aquele grandalhão pega uns personagens enigmáticos e consegue tirar risadas mesmo sem contar piadas. Adoro. E claro, ele não fez diferente com o misterioso Don Johnston.
“Flores Partidas” fala de um cara, um tipo Don Juan bem-sucedido, que não aparece estereotipado como tal – longe disso, que recebe uma carta misteriosa contando de um suposto filho. Drama das desquitadas, pois é. E meio que como esperado, ele viaja para descobrir a veracidade dessa carta, principalmente porque seu vizinho amigo, viciado em mistérios, Winston, arruma tudo para jogar Don na estrada. Na verdade, Don relutou muito em cair nessa aventura…
Até aí tudo clichê, né? É. Mas só na história, por que logo no começo já se percebe o jeito diferente – e até agoniante para os mais hiperativos – que a câmera se comporta. E não só a câmera, mas Don também. Ele é, bem dizer, a típica cara-maçaneta, aquela que nunca muda. Parece um “cabeça de gelo, coração de pingüim”. Mas nem é. Acho que ele é apenas um cara calado, pacato, que teve sorte nos negócios, mas não tanto no amor, e que no fundo se incomoda com isso. Que tem sentimentos, mas não é muito fã de ficar passeando com eles por aí.
Sim, onde eu estava? Ah, sim. Pois bem, outra coisa que já mostra que o filme não é “tão comum” assim é a trilha sonora. Adorei! Durante a breve viagem de Don podemos desfrutar de umas músicas super bacanas, inclusive umas eu já conhecia e adorava! Remeteu-me até ao filme “Elizabethtown”. Sim, “some music needs air, roll down your window”. Lembrou pelo fato de ser uma viagem longa, de carro, com uma trilha sonora preparada. Também porque ambas são viagens de descobertas. Mas, claro, a viagem de Don é bem mais subjetiva e estática, graças ao diretor.
A história dele não é tão cheia de fatos como esse outro filme, mas o modo como a história se desenrola me lembrou muito “Sideways”. Assim como me lembrou bastante de “Encontros e Desencontros”.
De qualquer forma, eu vi um filme que explora as reações de um personagem que vive na sua inércia, que explora sem tornar explícito, mas convidando a pensar e sentir junto com ele, no caso, Don. Um cara que teve a vida balançada por uma carta misteriosa, inesperada e subitamente, e que rachou sua crosta de inatingível.
Ele, que antes parecia indiferente tudo e todos, passa a ser atordoada pela suposta idéia de ter um jovem filho por aí em sua procura. Mal sabe o filho que existe um pai na ansiosa expectativa de encontrá-lo atravessando a rua ou dirigindo um carro. O final de três pontinhos nos deixa livre para imaginar o que aconteceu…
Pior que essa não é uma frase só minha. A maioria das pessoas que eu conheço não gosta de filmes dublados. É um movimento quase unânime! Impressionante. Eu lembro que quando era “bem” mais nova - sim, tem sempre aquela piada chata sobre “quando eu era menor/mais nova” - queria sempre ver os filmes legendados para poder ouvir a voz dos meus ídolos (Brad Pitt era o top, preciso nem dizer, né?). Engraçado. E olha que eu pedia para todo mundo calar a boca quando ele falasse!
Animação não é brincadeira. Profissionais competentes e comprometidos se dedicam a lapidar detalhe por detalhe no mundo da criação virtual, horas a fio. Seria uma blasfêmia dizer que animações são apenas brincadeiras. São engraçadas de se ver. São trabalhosas, mas divertidas de serem feitas também. São assistidas com o intuito básico de livre e espontânea descontração. Mas engana-se quem acha que elas ainda se encaixam na seção “bestinhas e infantis”.
De fato, é muito importante discutir sobre os temas que estão em foco na mídia. Foi mais ou menos essa a intenção do Workshop Comunicação & Espiritualidade, realizado no dia 29 do mês passado, numa iniciativa do empresário Luiz Eduardo Girão. Como não poderia deixar de ser, o cinema foi uma das mídias citadas, muito bem representado através das palavras do superintendente da TV Ceará e professor de História e Estética do Cinema da Universidade de Fortaleza, Gláuber Paiva Filho.
Não sei desde quando isso acontece. Nem se é uma convenção, uma conseqüência, uma invenção dos depressivos de plantão ou uma norma social para separar os casais dos solteiros. Sei que desde que eu me dou por gente eu escuto essa ladainha de que ir ao cinema sozinho é muito melancólico.
Do dia 31 a 08 de junho, Fortaleza foi invadida por uma onda ibero-americana da Sétima Arte. Sim, sim. o 16o Cine Ceará chegou cheio de novidades, trazendo filmes de outras nacionalidades, com diferentes linguagens e realidades. Certamente foi um evento muito rico e, por parte das equipe do CCR, deveras divertido. Mas isso vocês podem conferir nos bastidores da nossa cobertura.
Eu ainda não vi o filme. E podem me chamar do que for, mas eu não estou morrendo para vê-lo ainda. Os motivos? São vários. Primeiro, não gosto das adaptações de livros para o cinema. Sempre deixam a desejar. Não por incompetência, mas porque nunca é a mesma coisa, já que cada um é cada um – mas falo sobre isso mais adiante. Segundo, esse filme, para mim, é apenas um caça-níquel. Achei o Ron Howard até corajoso demais ao assumir um projeto tão perigoso. Sim, perigoso, já que o livro foi super polêmico, super lido, super comentado, super exposto. Até o Diabo deve ter lido. Terceiro, os personagens principais não me convenceram nos trailers. Sim, não posso julgar o filme pelo trailer, mas trailers são feitos para causarem impacto e chamarem a atenção das pessoas, certo? Pois bem, não funcionou muito bem comigo. Fora que eu detesto salas lotadas demais. Vou esperar a poeira baixar e então confiro o filme, que até agora chegou aos meus ouvidos como uma produção medíocre, de atores descartáveis. O que foi que houve com o Tom Hanks? E a tal da Audrey deveria ter ficado no mundo fabuloso da Amelie. Que pena!
Já ouvi muitas pessoas saírem da sala do cinema dizendo que o filme era horrível simplesmente porque não encontraram um final feliz, ou porque não entenderam, ou porque não era óbvia a resposta – como até comentei na coluna passada. Que absurdo, não? Ou não? Será justo julgar um filme pelo fim? Tal qual julgar um livro pela capa?
Mais uma vez, eu falando do meu vício: animações. “Selvagem” é algo meio “chapado” de “Madagascar”, que mistura um drama a lá “Rei Leão” e personagens típicos. Tem seus momentos engraçados, mas não passa de uma diversão despretensiosa e que pode até cansar o cidadão por alguns instantes.
Eu sou fã de animações. Não perco uma! Me troco pelos bichinhos fofinhos e rio por qualquer besteira. Talvez seja mais fácil agradar a mim do que a uma criança de verdade! Mas depois de assistir “A Era do Gelo 2” e matar minha sede de risadas, percebi que esse filme segue uma linha de animações para adultos, no mesmo estilo de “Shrek”.