Filmes que acabam inacabados

Publicado em: 26-07-2006 @ 12:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Normalmente, filmes que acabam inacabados não fazem muito sucesso entre a maioria das pessoas. Certo? Ok, não sei se estou certa, mas falando baseada no que vejo, essa afirmativa tem lá sua parte de verdade. E acho que “Flores Partidas” entra para essa lista. Definitivamente.

Dizem que os europeus que tem essa fama. É, essa mania de deixar um imenso ponto de interrogação no final do filme. Aliás, não só um ponto de interrogação. Eles deixam pontos de exclamações e reticências também. Além de alguns vários nós na sua cabeça…

Continuando, o cinema americano tem a tendência de criar problemas e solucioná-los ao final da trama. Antes, tudo acabava bem. Um saco! Tempos depois, felizmente, as câmeras ficaram mais realistas e começamos a ver finais não tão felizes assim, como “A Vida de David Gale” e “Beleza Americana”. Se bem que esses são dois filmes que ainda salvam o cinema americano… Mas, o que importa dizer é que o telespectador sempre tem um final objetivo.

Já em outros lugares, o cinema assume uma posição mais subjetiva, ignorando a intenção de “saciar” quem o assiste. A intenção é mais de cutucar, provocar reações e reflexões. E isso irrita muita gente! É sim! Acha o filme ruim porque não teve “um final”, porque forçou aquela cabeça bitolada e acomodada a pensar. Oh, mundo cruel!

Eu adoro filmes assim. “Encontros e Desencontros”, “Crash”, “Beleza Americana”, “Dogville”… Todos são filmes que driblam a sua expectativa. Não são um “A Dama de Honra”, mas todos possuem finais desconcertantes. São filmes sensíveis, que colocam o homem no microscópio e o dissecam artisticamente. Maravilhoso. E olha que nem precisa ser denso ou tenso para fazer isso, viu?

Felizmente, achei mais um filme para essa lista incomum. “Flores Partidas”, do peculiar Jim Jarmusch. Só por ser um filme dele, já podemos imaginar algumas coisas. Jim tem um jeito muito “dele” de dirigir seus filmes. Câmera estática, personagens marginalizados e até patetas, que muitas vezes são traídos por pessoas ou pelas circunstâncias. E “Flores Partidas” não foge dessa linha.

O personagem principal é feito pelo meu querido Bill Murray. Já tinha adorado ele em “Encontros e Desencontros”, e agora, depois de “Flores”, virei fã assumida. Aquele grandalhão pega uns personagens enigmáticos e consegue tirar risadas mesmo sem contar piadas. Adoro. E claro, ele não fez diferente com o misterioso Don Johnston.

“Flores Partidas” fala de um cara, um tipo Don Juan bem-sucedido, que não aparece estereotipado como tal – longe disso, que recebe uma carta misteriosa contando de um suposto filho. Drama das desquitadas, pois é. E meio que como esperado, ele viaja para descobrir a veracidade dessa carta, principalmente porque seu vizinho amigo, viciado em mistérios, Winston, arruma tudo para jogar Don na estrada. Na verdade, Don relutou muito em cair nessa aventura…

Até aí tudo clichê, né? É. Mas só na história, por que logo no começo já se percebe o jeito diferente – e até agoniante para os mais hiperativos – que a câmera se comporta. E não só a câmera, mas Don também. Ele é, bem dizer, a típica cara-maçaneta, aquela que nunca muda. Parece um “cabeça de gelo, coração de pingüim”. Mas nem é. Acho que ele é apenas um cara calado, pacato, que teve sorte nos negócios, mas não tanto no amor, e que no fundo se incomoda com isso. Que tem sentimentos, mas não é muito fã de ficar passeando com eles por aí.

Sim, onde eu estava? Ah, sim. Pois bem, outra coisa que já mostra que o filme não é “tão comum” assim é a trilha sonora. Adorei! Durante a breve viagem de Don podemos desfrutar de umas músicas super bacanas, inclusive umas eu já conhecia e adorava! Remeteu-me até ao filme “Elizabethtown”. Sim, “some music needs air, roll down your window”. Lembrou pelo fato de ser uma viagem longa, de carro, com uma trilha sonora preparada. Também porque ambas são viagens de descobertas. Mas, claro, a viagem de Don é bem mais subjetiva e estática, graças ao diretor.

A história dele não é tão cheia de fatos como esse outro filme, mas o modo como a história se desenrola me lembrou muito “Sideways”. Assim como me lembrou bastante de “Encontros e Desencontros”.

De qualquer forma, eu vi um filme que explora as reações de um personagem que vive na sua inércia, que explora sem tornar explícito, mas convidando a pensar e sentir junto com ele, no caso, Don. Um cara que teve a vida balançada por uma carta misteriosa, inesperada e subitamente, e que rachou sua crosta de inatingível.

Ele, que antes parecia indiferente tudo e todos, passa a ser atordoada pela suposta idéia de ter um jovem filho por aí em sua procura. Mal sabe o filho que existe um pai na ansiosa expectativa de encontrá-lo atravessando a rua ou dirigindo um carro. O final de três pontinhos nos deixa livre para imaginar o que aconteceu…

Com ou sem legenda?

Publicado em: 24-07-2006 @ 12:09 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu não vou nem negar que eu detesto. Quando dizem que o filme é dublado, eu já perco parte da vontade de pegar a sessão. As únicas vezes que topei pagar para ver um filme dublado foram quando se trataram de animações ou algum filme que eu estivesse beira de um ataque de nervos para ver.

Pior que essa não é uma frase só minha. A maioria das pessoas que eu conheço não gosta de filmes dublados. É um movimento quase unânime! Impressionante. Eu lembro que quando era “bem” mais nova - sim, tem sempre aquela piada chata sobre “quando eu era menor/mais nova” - queria sempre ver os filmes legendados para poder ouvir a voz dos meus ídolos (Brad Pitt era o top, preciso nem dizer, né?). Engraçado. E olha que eu pedia para todo mundo calar a boca quando ele falasse!

Mas vamos elencar os motivos pelos quais as pessoas detestam tantos filmes dublados! Afinal, tem até comunidade “Eu odeio filmes dublados”. Bateu até a curiosidade de procurar “Eu simpatizo com filmes dublados”. Sim, porque querer achar a “Eu adoro…” é pedir demais, certo?

Pois bem. Pela minha experiência de infância, eu queria sempre assistir aos filmes legendados pelo simples motivo de ser curiosa demais. Queria sempre saber como era a voz daquele povo. Imaginava um monte de coisa e quando ia “ver”, achava tão normal que ficava frustrada. Mas aí vem o fato de você sentir melhor o filme, chegar próximo do ator e do personagem.

E falando na voz real dos atores, lembrei de um pensamento ingênuo meu, simpaticamente engraçado. Quando eu era assídua da Sessão da Tarde, achava muito estranho alguns personagens terem a mesma voz em filmes diferentes. Tão bobinha, não? Mas ora, eu não sabia que era dublado. Achava que aquele era o mesmo filme que passava lá nos EUA, com a mesma voz. Tá certo que achava um absurdo de maravilhoso os atores saberem nossa língua tão bem, mas me intrigava a repetição das vozes. É, ainda bem que a gente cresce!

Entretanto, para mim, pelo menos, existe um fator “externo”, digamos assim. Infelizmente, é proibida a entrada de animais irracionais no cinema, sabe? É. Aquela galerinha que devia andar com as quatro patinhas no chão, que não tem a menor educação e fica sendo inconveniente na maior parte do filme. Aí, imagina assistir a um filme dublado com esse tipo de companhia? Não dá, certo? Só estressa. Por isso eu morria de medo quando entrava numa sala de animação que tinha muita criança. Aliás, até hoje sinto isso. Sempre entro e penso: Ai, lá vem!

Aí vem o fato de ter gente que acha as dublagens mal-feitas. Realmente, é motivo de piadas. As novelas mexicanas são conhecidíssimas! A criatura fala mais que a própria boca, ou vice-versa. Nessa situação, independente da direção, o resultado é sempre caótico! Mas, sabia que a dublagem brasileira é a melhor que tem por aí? Se nós achamos a nossa insatisfatória, imagine o que vamos achar das outras!

Agora também não vamos condenar. Algumas animações ficam mais divertidas dubladas. Primeiro, você pode acompanhar melhor o filme, os detalhes, os personagens sempre divertidos. Segundo, os brasileiros sabem fazer comédia. “Madagascar” dublado é muito bom. Os personagens ficam até mais engraçados. E me falaram que “A Fantástica Fábrica de Chocolate” do Tim Burton é melhor na forma dublada. Mas isso eu já não sei. Eu realmente só vi a dublada – é, esse foi um dos filmes que eu estava beira de um ataque de nervos para ver. E ela até que não foi tão ruim. O Willy Wonka estava engraçadinho, mas nada paga ouvir a voz do Johnny Depp.

Enfim, apesar de tudo, ainda tenho uma visão “tradicional”… Quem sabe até preconceituosa. Prefiro assistir aos filmes na sua versão original. Sempre.

Animação na Floresta

Publicado em: 12-07-2006 @ 12:08 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu costumo achar que quando não há uma expectativa muito grande sobre algo, esse “algo” tende a ser melhor. É. Porque a probabilidade de acontecer uma frustração é menor, porque você não espera nada e tudo que vier é lucro – aliás, quase tudo. Pensando melhor ainda, acho que as animações saem ganhando nesse ponto.

Animação não é brincadeira. Profissionais competentes e comprometidos se dedicam a lapidar detalhe por detalhe no mundo da criação virtual, horas a fio. Seria uma blasfêmia dizer que animações são apenas brincadeiras. São engraçadas de se ver. São trabalhosas, mas divertidas de serem feitas também. São assistidas com o intuito básico de livre e espontânea descontração. Mas engana-se quem acha que elas ainda se encaixam na seção “bestinhas e infantis”.

Até um tempo atrás, sim. Podia se dizer que as historinhas eram infantis. Apesar da técnica se superar cada vez mais – quase uma corrida tecnológica, as histórias eram realmente para o público infantil.

Mas aí veio “Shrek”, “Toy Story”, “A Era do Gelo”, “Selvagens”, “Madagascar”… Animações divertidíssimas, mas que começaram a chamar a atenção do público adulto. E sinceramente, eu devo ter rido muito mais em “Shrek” do que o moleque estava na poltrona da frente. Ele não tinha conhecimento para rir das paródias de filmes antigos ou das piadas nas entrelinhas – se bem que tem muito tio por aí que não entende também! Enfim, a animação, ainda divertida para as crianças devido s suas cores e personagens carismáticos, passou a ser dirigida para adultos também.

Sei que não estou falando nenhuma novidade, mas o que me fez repensar mesmo esse ponto foi o filme “Os Sem-Floresta”. De última hora decidi conferir a estréia, e no caminho ouvi opiniões desencorajadoras. “É bestinha, não tem nada de mais”. Entrei na sala, então, esperando uma repetição de “Selvagens”, um filme que serviu para passar o tempo, mas que não arrancou tantas risadas gostosas e tinha uma veia subliminar-política meio estranha para mim.

Então foi isso. Sem expectativa e querendo apenas desopilar, acabei gostando muito de “Os Sem-Florestas”! Primeiro, os personagens são muito fofinhos. Quem me conhece sabe que eu tenho esse defeito de me “apaixonar” pelos personagens das animações. Principalmente os mais nervosinhos e ingênuos, aqueles que sofrem de Déficit de Atenção e hiperatividade (e pior que tem um personagem que cai direitinho no perfil!)

Acontece que eu não vi apenas os personagens dignos de se levar para casa. Vi também algumas críticas nossa sociedade. Quem sabe até eu esteja “viajando na Hellman´s”, como costuma dizer uma amiga cinéfila, mas eu vi!

Só pelas primeiras frases do discurso de apresentação dos humanos para os bichinhos da floresta, eu já fiquei de orelha em pé. “Nós comemos para sobreviver, os humanos vivem para comer”. Essa frase foi muito divertida e extremamente pertinente. Os animais, harmoniosos e sábios, vivem tranqüilamente com o necessário. Nós, os racionais-wanna-be, estamos agora entrando na onda do “luxo for life”, onde quanto maior a quantidade, melhor, e quanto mais escasso, mais valioso. Será que vale mesmo a pena?

Tem a típica personagem moderna: estressada, pirada, dondoca, executiva… Estereótipos facilmente encontrados hoje no meio da rua. Vemos a falta de sociabilidade entre os residentes do tal condomínio. Além de outros pequenos detalhes que mostram traços da convivência humana. E todos entrando em contradição com a relação entre os animais. Começa-se a achar engraçado a comparação que deixa explícitas a estupidez humana.

Algo bastante banalizado atualmente é extremamente citado no filme: família. Pertencer a um grupo parece ser extremamente necessário hoje em dia. E pertencer de forma cúmplice, companheira e incondicional, mais ainda.

Não sei da onde dizem que nós, humanos, somos os seres racionais do planeta. Racional pode estar ligado ao verbo “raciocinar”, certo? Mas nem sempre se raciocina certo. Na maioria das vezes, se raciocina da forma mais errada, egoísta possível. E quem paga o “pato” somos nós mesmos.

Vale falar também que o descaso com o meio-ambiente é super bem colocado na trama. O começo do problema é justamente quando a primavera chega, os animais saem da toca em busca de comida e se deparam com a invasão inconseqüente do homem. Tudo isso porque “muito é sempre pouco”. E é algo tão forte que afeta ate o modo de viver dos animais. O “sabidinho” da turma é, bem dizer, virou um promoter exclusivo.

É mais ou menos assim. “Os Sem-Floresta” é um filme bacana, e que se olharmos bem, podemos ver mais além. Assim como diversas outras animações, é um filme leve e inteligente, que aborda uma situação comum no mundo dos “bichinhos” de forma divertida. Assim como “Era do Gelo 2” abordou tão bem, mas ali, sem interferência humana.

Cinema e Espiritualidade

Publicado em: 05-07-2006 @ 12:06 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Um assunto visto por muitos, ignorados por outros, desconhecido para a maioria. A Espiritualidade sempre rondou a curiosidade do homem e agora está invadindo a mídia. Assim como fez o evento “Comunicação e Espiritualidade”, nós também deveríamos discutir essa nova apresentação do tema.

De fato, é muito importante discutir sobre os temas que estão em foco na mídia. Foi mais ou menos essa a intenção do Workshop Comunicação & Espiritualidade, realizado no dia 29 do mês passado, numa iniciativa do empresário Luiz Eduardo Girão. Como não poderia deixar de ser, o cinema foi uma das mídias citadas, muito bem representado através das palavras do superintendente da TV Ceará e professor de História e Estética do Cinema da Universidade de Fortaleza, Gláuber Paiva Filho.

A conversa começou com algumas experiências do jornalista Marcel Souto Maior, autor dos livros “As Vidas de Chico Xavier” e “Por Trás do Véu de Ísis” e editor do quadro “Profissão Repórter” do programa Fantástico, da Rede Globo. Em seguida, os demais participantes da mesa redonda se pronunciaram, os quais eram a jornalista Déborah Lima, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará (Sindjorce); o jornalista Moacir Maia, colunista de Economia de veículo impresso e professor universitário; o jornalista Nonato Albuquerque, que também é radialista e âncora de programa de telejornalístico; o publicitário Duda Brígido, diretor do Sindicato das Agências de Publicidade do Ceará (Sindapro), além do já citado Gláuber Filho.

Na verdade, algumas pessoas podem ter estranhado o desenrolar do evento. Alguns pensaram em algo realmente espírita, outros pensaram em algo mais focado na comunicação. Acontece que foi uma mescla - não muito equilibrada para o meu gosto, mas não deixou de ser um momento interessante.

De qualquer forma, não quero me ater ao evento em si, mas sim ao tema proposto. Por mais que o momento mereça suas considerações… Como por exemplo: alguns integrantes da mesa que faziam caras e bocas dignas de uma psicografia, o tom pastoral que outros integrantes deram ao discurso, a enrolação de palavras perdidas na perda de foco e o castigo do cerimonialista, engomado e hiperativo, que passou as 3h esperando o santo baixar, mas ao que parece, infelizmente só baixaram interferências telefônicas.

Voltando ao tema. Não é de agora que percebemos a exibição de temas mais espirituais. Na TV, vimos a novela “Alma Gêmea” a personagem Serena, da atriz Priscila Fantin, trazer tona a polêmica da reencarnação. Mas o que nos interessa é o cinema, certo? E aqui é que temos uma lista longa!

“Sexto Sentido” (1999), “Espíritos” (2004), “Os Outros” (2001), “Diário de uma Paixão” (2004), “Amor Além da Vida” (1998), “Ghost – Do Outro Lado da Vida” (1990), “O Iluminado” (1980), “O Exorcista” (1973), “Poltergeist” (1982), “Chave-Mestra” (2005)… Por enquanto basta, né? Acredito que com exceção de dois ou três, todos esses filmes são conhecidos de vocês. Alguns mais recentes, outros da década de 90/80. Mas todos trazem a espiritualidade como ponto influente no enredo.

Acredito até, que princípio, a espiritualidade era usada apenas com a finalidade de assustar. Tanto que a maioria dos filmes que usam espíritos e cia. Ltda. tem um tom de suspense. De uns tempos para cá, talvez com a maturidade do assunto e mudança de pensamento das pessoas, o tema passou a ser melhor trabalhado, virando até histórias de amor e comédias.

Verdade seja dita: nem todo mundo pode acreditar, mas todos já tiveram isso em algum momento do seu cotidiano. Seja em brincadeiras de susto, em historias de terror, em experiências próprias, em alucinações no escuro ou mesmo vendo programas televisivos ou filmes na telona. Assim como dizem “eu não acredito em bruxas, mas elas existem”, há quem diga “eu não acredito em almas, mas não me deixe sozinho no escuro”.

Realmente é um assunto de mil gumes, que pode ser interpretado de diversas maneiras e que pode ser usado de várias formas, e nem todas elas são positivas. Justamente por isso, acho importante ter esse assunto discutido, por mais que ele envolva princípios religiosos e se torna um tanto subjetivo. Mas ele está por aí, sendo tema de muitos trabalhos.

No XVI Cine Ceará, por sinal, um dos longas exibidos foi “As tentações de São Sebastião”, do diretor José Araújo. Certamente é um filme deveria ser visto pelos que gostam ou tem curiosidade pelo assunto. Principalmente porque “As Tentações” não focam no rotineiro catolicismo, mas trazem a Ubanda, religião não tão conhecida por todos.

Tanto o cinema nacional como o cinema internacional (mais comercialmente falando) trabalharam esse tema, que justamente por ser misteriosos e brincar com a subjetividade humana, chama tanta a atenção. Já estava na hora de tratarmos essa temática de forma aberta, com ceticismo ou não, mas trazê-la para a nossa realidade, já que a mídia já trouxe para os meios de comunicação.

Cinema para Um ou Dois?

Publicado em: 26-06-2006 @ 12:05 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Fiquei pensando nisso quando vi “alguém” ser repreendida por ter passado o Dia dos Namorados num cinema, sozinha. Por que as salas de exibição de cinema se tornaram lugares “incomuns” para pessoas solteiras? Quem disse que o filme só é bom se você estiver acompanhado? Por algum acaso a interpretação da história precisa de um terceiro elemento?

Não sei desde quando isso acontece. Nem se é uma convenção, uma conseqüência, uma invenção dos depressivos de plantão ou uma norma social para separar os casais dos solteiros. Sei que desde que eu me dou por gente eu escuto essa ladainha de que ir ao cinema sozinho é muito melancólico.

Eu nunca fui sozinha, então, não sei bem qual a sensação. Mas tenho amigas que preferem muito mais irem desacompanhadas do que acompanhadas. Algumas dizem que a compreensão é melhor, que a atenção não é interrompida. Eu prefiro ir com boas companhias. E quando digo boas companhias, digo boas companhias e não parceiros. Vou ao cinema para ver o filme, não para aproveitar o baixar das luzes. Mas, que jogue a primeira pedra quem nunca teve um romance após os trailers, certo? O escurinho do cinema realmente é clássico. Da maneira de cada um: desajeitado, surpreendente, “aperreado”… Até comprido.

Engraçado que existem até os lugares marcados. Casais devem sentar ao final das cadeiras. Parece até convenção. Quanto mais longe, maior a vontade de ficar junto da pessoa e longe do enredo do filme. E prova disso são as últimas filas dos cinemas UCI! Agora foi! Por que só as últimas, e não todas as cadeiras, podem levantar o apoio do braço? Que discriminação é essa? Essa opção é prova da teoria do “cinema para dois, nunca para um”, e a desculpa esfarrapada de “proporcionar maior conforto” não cola. Até porque subentende-se que quem vai ao cinema, vai para ver o filme, e não para tirar um cochilo - por mais que isso aconteça até demais. Quem quiser uma poltrona, que procure na sua própria sala, ora.

Eu inclusive já li uma pesquisa que dizia que quem senta da metade das filas para frente capta muito melhor o filme, enquanto quem se senta da metade para o fim perde muitos detalhes. Por que será? Além do motivo físico e óbvio, será que a tal teoria aí altera as estatísticas? Interfere no produto final?

Sei que essa história aí acontece demais. Quem sabe, com a idade, ela vá se atenuando. Mas ainda existe. Ainda é estranho ver uma pessoa sozinha na fila do cinema. Alguém sempre pensa: deve estar esperando pela companhia. Ou, os mais terríveis e tradicionais: pobre coitado(a) da alma solitária…

Na verdade, sozinha eu nunca fui. Mas já me senti um peixe fora d´água por estar com uma amiga e não um amigo, formando aquele típico casal. Lembro ainda e morro de rir. Uma vez, quando fui conferir “Lisbela e o Prisioneiro”, no final do filme – quem assistiu, sabe – eu quase explodo de rir. Não sabia se era rindo para não chorar ou o quê, mas eu ri. Outra vez foi durante “Simplesmente Amor”. Nossa, só casal, um filme super romântico… Sai beirando a depressão. Mas fiquei super inspirada depois. Chegou até a influenciar minha vida pessoal!

Vai ver não devemos levar em conta apenas que a pessoa está sozinha. Devemos avaliar também o gênero do filme ao qual ela vai assistir. Se for romântico, aquele ingresso pode ser uma tentativa de curtir a fossa ou apenas uma descontração sadia. Afinal de contas, a modernidade nos dias de hoje é tanta que esse mito já está se perdendo. É tanta correria e tanta gente falando no nosso dia-a-dia que alguns minutos de paz e lazer são muito bem-vindos! E, aliás, esse é um dos melhores pontos de ir ao cinema sozinho: acabam os comentários inconvenientes. Odeio!

Mas voltando questão dos gêneros, pensei em algumas besteirinhas. Realmente ele faz a diferença. Imagina você ir ver sozinho “Máquina Mortífera 3″, “Todo Mundo em Pânico 4″, “Harry Potter”… Dá para aguentar sozinho, certo? E, sinceramente, no caso de alguns filmes, se você for sozinho, estará fazendo um grande favor ao seu companheiro! Agora, imagina aí um cidadão indo assistir “Titanic”, “Um Amor para Recordar”… Esses filmes são bem mais emocionantes, ou seja, o risco de se sentir o frio da vazio da cadeira ao lado é maior. Mas, quer saber, até em uma comédia pode ser que você sinta falta da companhia, ou não, nas horas das risadas, na hora de compartilhar uma cena particular.

Enfim, acho que da próxima vez que encontrar alguém sozinho na fila, vou tirar minha dúvida. Ou quem saiba deva eu mesma conferir essa sensação… Independente de com quem se vá, como se vá, o cinema ainda é um lugar mágico, onde ninguém sabe exatamente o que vai fazer quando as luzes se apagam.

Guarnicê!

Publicado em: 13-06-2006 @ 12:03 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Provavelmente a equipe dos Rapaduras ainda está curtindo o final da ressaca pós-Cine Ceará. Quem viu, aproveitou. Quem não foi, perdeu. Mas quem disse que a maratona de Festivais termina por aí? O cinema nacional já pode contar com o Guarnicê, o festival de cinema que acontece em São Luiz - Maranhão.

Do dia 31 a 08 de junho, Fortaleza foi invadida por uma onda ibero-americana da Sétima Arte. Sim, sim. o 16o Cine Ceará chegou cheio de novidades, trazendo filmes de outras nacionalidades, com diferentes linguagens e realidades. Certamente foi um evento muito rico e, por parte das equipe do CCR, deveras divertido. Mas isso vocês podem conferir nos bastidores da nossa cobertura.

Pois sim. Quem pensa que a maratona de festivais acaba por ali está redodamente enganado. Dia 13 de junho já começa o 29o Festival Guarnicês de Cinema e Vídeo, outro grande evento da área do cinema que acontece na capital Maranhense, São Luiz. O Cine Ceará acabou de debutar, está na sua 16a edição. Já o Guarnicê está um pouco mais adulto, contando com mais de duas décadas de história.

Ele é realizado pelo Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O festival exibe filmes de curta, média e longa metragens nos formatos 8mm, 16mm e 35mm, em mostras informativas e competitivas. Também são organizados concursos de vídeo em várias categorias, de telecomerciais e telereportagens. Até semelhante com o Cine Ceará, certo?

O festival acontece no mês de junho, durante a maior festa cultural do estado. Neste período, grandes manifestações folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi, atraem pessoas de todo o mundo capital São Luís - Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. E olha que mexe mesmo, viu? Eu estou aqui conferindo as preparações para as festas do Boi e fiquei até surpresa com o envolvimento das pessoas.

O festival aproveita essa leva de festa e se baseia nesse tema. Na verdade, o termo “guarnicê” se refere a um momento de preparação, momento em que os brincantes do Bumba-Meu-Boi se reúnem em torno da fogueira onde esquentam os seus tambores e pandeirões, cantando a toada que anuncia a chegada do Boi. Guarnicê é a palavra chave da maior manifestação folclórica do Maranhão. É a expressão que representa simbolicamente o espírito cultural da terra e sintetiza o vigor de suas tradições.

Mas, ele nem sempre teve esse nome, viu? Em 1977, quando foi lançado, era chamado de Jornada Maranhense de Super 8, passou para Guarnicê e cada vez mais vem crescendo. No início reunia um grupo de cineastas locais que durante toda a década de setenta produziram filmes de curta-metragem exibidos em pequenas mostras realizadas em São Luís e no interior do estado. As mostras foram crescendo ano após ano com o aparecimento espontâneo de novos realizadores e através de cursos e oficinas ministradas por grandes nomes do cinema nacional. Assim como o Cine Ceará, ele recebe filmes de todo o Brasil. A diferença é que agora o Cine Ceará abriu as telonas para os países ibero-americanos…

Felizmente a cena do cinema nacional não está tão parada! E antes que eu me esqueça, os cearenses ainda vão ter mais oportunidades no segundo semestre com a segunda edição do eufórico Curta Canoa (Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada). Aproveitem!

Código dos Livros para o Cinema

Publicado em: 29-05-2006 @ 12:02 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Esse negócio de transformar livro em filme é meio complicado, vocês não acham? Andei pensando nisso já várias vezes, mas o assunto me veio tona novamente após a estréia do famoso “O Código DaVinci” nos cinemas.

Eu ainda não vi o filme. E podem me chamar do que for, mas eu não estou morrendo para vê-lo ainda. Os motivos? São vários. Primeiro, não gosto das adaptações de livros para o cinema. Sempre deixam a desejar. Não por incompetência, mas porque nunca é a mesma coisa, já que cada um é cada um – mas falo sobre isso mais adiante. Segundo, esse filme, para mim, é apenas um caça-níquel. Achei o Ron Howard até corajoso demais ao assumir um projeto tão perigoso. Sim, perigoso, já que o livro foi super polêmico, super lido, super comentado, super exposto. Até o Diabo deve ter lido. Terceiro, os personagens principais não me convenceram nos trailers. Sim, não posso julgar o filme pelo trailer, mas trailers são feitos para causarem impacto e chamarem a atenção das pessoas, certo? Pois bem, não funcionou muito bem comigo. Fora que eu detesto salas lotadas demais. Vou esperar a poeira baixar e então confiro o filme, que até agora chegou aos meus ouvidos como uma produção medíocre, de atores descartáveis. O que foi que houve com o Tom Hanks? E a tal da Audrey deveria ter ficado no mundo fabuloso da Amelie. Que pena!

Mas antes de começar a coluna de fato, alguém pode me explicar quem foi o maluco que deu a idéia do filme estrear em Cannes? Quem foi o insano?! Central do Brasil recebeu cinco minutos de palmas, de pé, e eles querem estrear “O Código DaVinci” em Cannes?! Confundiram com o Oscar, não foi? Só pode. Cannes é conhecido por ser exigente. Que pretensão estúpida a desse povo… Não é porque tem o nome do grande Leonardo Da Vinci que a obra leva o crédito dele não, hein!

Mas, saindo do foco do superpop aí, vou voltar para a coluna. Essa parceria de filmes e livros tem futuro? Acho que ela sempre aguça a curiosidade de quem leu o livro, cria uma expectativa. E justamente por gerar uma espera é que a possibilidade de se acontecer uma frustração é maior. Se você vai sem esperar nada, qualquer coisa pode ser lucro. Mas se você tem uma idéia do que pode ser, qualquer coisa que saia desse modelo pode causar reações adversas.

Ao ler um livro, você automaticamente produz um filme na sua cabeça. Imagina as cenas, os personagens. Eu mesma imaginei o Robert Langdon completamente diferente! E imaginei a Sophie Neveau realmente ruiva, sabe? Aí já começa aquela sensação de “Vai, me convence!”. A leitura provoca essa criação. A imagem não, ela já chega com tudo pronto para ser projetado nas nossas cabeças. Por isso não gosto da adaptação. É preciso sempre lembrar que o filme é uma versão dos olhos do diretor. Não podemos exigir que seja igual nossa, certo?

Acho que estou começando a ficar curiosa para ver “O Código” não pelo filme, mas pela curiosidade em ver minha cara após o filme. Será exceção ou cairá na rotina dos que deixaram a desejar?

Terapia no Cinema

Publicado em: 23-05-2006 @ 12:00 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Acho que em todos os aspectos da nossa vida, esperamos um final feliz. Exceto quando pessoas do nosso desafeto estão envolvidas, né? Tem gente que adora ver a desgraça daquela criatura que atrapalha sua vida. Mas de qualquer forma, é verdade que esperamos sempre algo agradável no fim de uma história, logo, sempre esperamos finais felizes nos cinemas. Mas qual o porquê mesmo, hein?

Já ouvi muitas pessoas saírem da sala do cinema dizendo que o filme era horrível simplesmente porque não encontraram um final feliz, ou porque não entenderam, ou porque não era óbvia a resposta – como até comentei na coluna passada. Que absurdo, não? Ou não? Será justo julgar um filme pelo fim? Tal qual julgar um livro pela capa?

Semana passada conferi o previsível “Terapia do Amor”. Empolguei-me para conferir esse filme simplesmente porque queria algo leve, que servisse como ferramenta para uma desopilação do mundo “workaholic” que vivo. E serviu. Só não tão bem porque me deixou muito sensível pelas causas amorosas… Tá certo que a amiga que me fez companhia é sensacional, maluca como eu, mas um príncipe contemporâneo seria bem mais condizente com o contexto!

Ah, antes que você passe para o próximo parágrafo… Se você não viu o filme e não quer saber o final caso pretenda ver, pule o próxima parágrafo e volte depois da seção para ler a coluna completa!

Enfim, por incrível que pareça, “Terapia do Amor” não foi tão previsível quanto eu esperava. No último suspiro, ele virou a mesa. O filme não acaba no “e foram felizes para sempre”. Milagre!

Intencionalmente ou não, o final do filme proporcionou uma compreensão até madura sobre a relação dos dois, atrapalhados pela idade e pela crise ética da mãe. Sei que eu e minhas viagens cinéfilas chegamos num ponto interessante. Dois, aliás.

Primeiro, sobre o próprio filme. Acho que os dois personagens alcançaram um amadurecimento sobre a relação. Será que não importa apenas gostar da pessoa para ficar com ela? Eu sou a favor dessa filosofia, particularmente. Mas isso agora não importa. Quero pensar no geral. Será que ainda existe espaço para tanto romantismo no mundo de hoje? Num mundo que para ter um filho, tem que se pensar não só no nome do menino e na cor do quarto do bebê, mas nas contas que virão. Temos que calcular o planejamento, o investimento e o prejuízo de se ter um filhote! Exagerada? É, bem capaz. Mas sou fã de Cazuza. Faz parte do meu show.

Segunda questão. Por que as pessoas anseiam tanto por um final feliz? Provavelmente pelo mesmo motivo que já falei em colunas passadas: por que muitos vão ao cinema e se projetam nas telonas. Vivem junto com o personagem o seu drama. Mesmo que temporariamente. Sendo assim, não seria conveniente passar por situações desagradáveis. Quase uma frustração.

Mas que complexo, não? O ingresso como passaporte para um mundo virtual mais agradável, uma fuga da realidade. Quase um projeto de “a la Vanilla Sky”.

Nas Entrelinhas de Selvagem

Publicado em: 26-04-2006 @ 11:57 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Por trás do que pode parecer inofensivo e normal, pode-se esconder intenções duvidosas. Tudo, inclusive a arte, pode sofrer da “síndrome da faca de dois gumes”. O cinema não fica fora disso e muitas vezes foi usado para limpar nomes, desmistificar e mistificar histórias, criar lendas… “Selvagem” foi o último filme que vi que me fez repensar sobre essa idéia, por incrível que pareça.

Mais uma vez, eu falando do meu vício: animações. “Selvagem” é algo meio “chapado” de “Madagascar”, que mistura um drama a lá “Rei Leão” e personagens típicos. Tem seus momentos engraçados, mas não passa de uma diversão despretensiosa e que pode até cansar o cidadão por alguns instantes.

Mas o que me fez vir citá-lo no início dessa coluna não foi isso, mas sim uma idéia nas entrelinhas do filme, idéia que inclusive vi outros amigos da área discutindo. “Selvagem” conta, ligeiramente falando, a história de um grupo de bichos do zoológico de Nova York que viaja para a África em busca de um companheiro que foi parar lá por acidente. Chegando lá, eles recuperam o amigo perdido e ainda detonam com a religião dos gnus, convertendo-os para o lado deles e destruindo o líder dos gnus. Perceberam algo? Ok. Vou facilitar. O nome do líder era Kazaan e os gnus têm rosto estreito, olhos redondos e barba preta. E aí? Sim, eles devem ser descendentes dos árabes. Olha só, caiu a ficha? A América vai até a África em um ato heróico e detona com o que encontram por lá, trazendo de volta seu tesourinho e uns novos convertidos.

Alguém pode me dizer o porquê do líder “ter” que se chamar Kazaan? E de ele viver em cavernas sombrias? Tá, eu posso estar exagerando, mas convenha: você já ouviu essa história antes, e ela está muito parecida com uma sátira da realidade. Vou ser ingênua e pensar: será que alguém da equipe se inspirou no arquivo EUA x Oriente Médio? Ou na novela mexicana “Bush, onde estará Bin Laden?” ? Não sei, não sei. Mas que está estranho, está.

Sacanagem. Apelaram para as animações. Já foi visto muito isso em trocentos filmes épicos e verídicos. Quantas vezes Hollywood não tentou minimizar a vergonha da Guerra do Vietnã? Não sabem perder. Até hoje tem o orgulho ferido porque foram derrotados por uns cabinha de olho puxado que usam armas inferiores e calçavam pneus! E não só isso. Depois do 11/9, quantos filmes apareceram abordando o tema de diversas formas? E quando falo filme, coloco os documentários no meio. Michael Moore saiu de primeira com “Fahrenheit”, e o Bush ainda saiu em outro, ridículo por sinal, apelando para o patriotismo e compaixão da humanidade. Eu passei mal assistindo.

Mas não vou discutir política aqui. É que nem outra coisa aculá, cada um tem o seu. Seu time, seu gosto e o que mais tiver que ser. Meu ponto é o poder de formar opiniões que o cinema tem, podendo ser usado das formais mais explícitas, como das mais sutis.

Outra coisa que pensei é que o cinema, por ser arte talvez, tem a capacidade de romantizar as histórias, distanciar da realidade. Por exemplo, a questão da África. Quantos filmes temos falando diretamente da questão? Ou colocando-a como plano de fundo? “O Jardineiro Fiel”, “O Senhor das Armas”, “Amor Sem Fronteiras”… Sabe aquele argumento da percepção que diz que o exagero pode intensificar a idéia, mas também banalizá-la? Talvez isso aconteça. Se acontece na televisão, quando vemos as notícias dos jornais e tem gente que acha que está longe daquela corrupção e miséria! Imagine se isso for maximizado e passar para a telona. Talvez seja algo que não dependa apenas da intenção do diretor, mas da consciência crítica de quem assiste. E essa segunda é de vital importância. Com ela, dispensariam-se os alardes, não precisaríamos colocar em xeque a urgência de certos problemas. Apenas citando-os já teríamos uma análise mais crítica. Sem ela, muitas intenções tornam-se inúteis porque que as assiste não tem capacidade de absorvê-las. E pior, pode absorver completamente errada. Cabe até piada para pessoas inteligentes nessa parte…

É. Muitos filmes fantasiados ainda virão. Muitos filmes realistas e consistentes também virão, como veio os que citados acima e como veio “Crash”. A influência do cinema continuará, cada vez mais adaptada, e nós continuaremos consumindo-o. A questão é: você engole sem processar tudo que consome ou analisa as entrelinhas do que lhe é servido? Não seja um selvagem. Faça bom uso do que te distingue dos bichos da arca de Noé!

Era do Gelo para Adultos

Publicado em: 13-04-2006 @ 11:41 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Engraçado. Ingênuo. Previsível. Talvez… “Era do Gelo 2” pode ser uma animação, mas seu tom de brincadeira e de muitas cores pode esconder uma série de reflexões sobre os tipos de pessoas que habitam nosso mundinho.

Eu sou fã de animações. Não perco uma! Me troco pelos bichinhos fofinhos e rio por qualquer besteira. Talvez seja mais fácil agradar a mim do que a uma criança de verdade! Mas depois de assistir “A Era do Gelo 2” e matar minha sede de risadas, percebi que esse filme segue uma linha de animações para adultos, no mesmo estilo de “Shrek”.

Após algumas conversas com um amigo cinéfilo e com outro companheiro fã de animações – principalmente do tipo monocromática, percebi mesmo que poderíamos tirar boas reflexões do filme.

Aquele esquilo mazelado eternamente em busca da última noz. A gente ri da desgraça do pobre coitado, mas muitos de nós podemos nos identificar com ele. E deveríamos nos inspirar nele! Apesar de todos os obstáculos, ele não desiste. Tá certo que ninguém sobreviveria ao que ele passou, mas ninguém aqui também é doido de levar tudo ao pé da letra. Eu acho… Quem sabe um aviso “não façam isso em casa” seria conveniente durante o filme. Mas independente do sucesso do infeliz, devemos invejar a disposição que ele tem, a garra!

Mas sim. Continuando. De cara, já temos uma lição de determinação e força de vontade. Depois chegam as mais mastigadas: instinto de sobrevivência, necessidade de provar coisas a todos e a si mesmo, checar os fatos antes de fazer algo…

Agora tiveram duas que achei mais interessantes: a do Sid, a preguiça aglutinadora, e a crise de existência da Ellie, a mamute-gambá. Devo dizer que sou fã do Sid. Ele é um prego carismático. Ninguém dá nada pelo pobre. Ele é alvo de chacotas sempre e nada que ele fala é levado em consideração a princípio. Mas acontece que apesar disso tudo, ele é um dos melhores personagens, de grandíssima importância. É ele quem une a turma. É ele quem faz o Diego vencer o medo de água. É ele quem manobra a cabeça-dura do Manny. É ele quem faz a galera rir também. Ele é o chiclete necessário. Aquela coceirinha chata, mas boa de sentir. Sim, sim.

E a questão da Ellie? Para começo de conversa, que viagem torta! Uma mamute pensar que é uma gambá! Mas nem falem muito. Aquilo ali nem está tão longe de nós. O mundo aí está cheio de casos assim.

Mamutes que pensam que são gambás. Gambás que pensam que são mamutes. Mas esses não são os piores casos. Pior é um gambá que pensa que é mamute e convence os outros de que é mesmo um mamute! Aliás… Tem coisa pior. Pior ainda é um gambá que sabe que é gambá, finge que é mamute e convence os outros disso. Já dizia Picasso: para ser um gênio, basta convencer os outros disso. E por aí temos muitos casos assim. São os famosos “convencidos”. Ou também chamados de esnobes, sem-noção, enxamistas… Existem diversos nomes para esse tipo de comportamento. Mas ainda acredito que isso é coisa de “gente sabida”…

E para começar falando disso, vamos diferenciar o que é sabedoria e o que é sabidoria. Sabedoria é digno daquele que é sábio, sapiente. Inteligência. Sabidoria é digno do malandro, do “sabido”, do espertinho que tem sempre um jeito de facilitar a própria vida s custas dos outros. É nesse quadro que encontramos o tal “jeitinho brasileiro”.

Tem gente que acha a sabidoria um “must”. “É o certo mesmo!” Mas acontece que nos dias de hoje as coisas estão mudando, e nem sempre o espertinho consegue se safar de tudo. Ninguém consegue fechar todas as torneiras, certo? Prova disso são as várias descobertas e punições que estão acontecendo por aí. Estamos longe de alcançar o “nirvana” da justiça, mas quem sabe estamos dando os primeiros passos da ética.

Já é um ponto de reflexão interessante. Hoje em dia, dizem que é mais importante “parecer” do que “ser”. Será que continuará assim por muito tempo? Ou as máscaras estão começando a cair mais rapidamente? Os gambás estão sendo descobertos e os mamutes descobrindo sua real capacidade?

Leonardo Boff já falou sobre isso usando águias e galinhas. Não usando necessariamente essa minha abordagem do “fingir para enganar”, mas usando a do “fingir por que não sei quem sou”. Uma pessoa-mamute que cresceu entre pessoas-gambás não vai saber que tem sangue de mamute. Não vai conhecer sua força e sua capacidade, e logo pode tornar-se alguém medíocre involuntarimente. Ainda tem a pessoa-gambá que quer pertencer aos mamutes e se esforça ao máximo para isso, ultrapassando seus limites, passando até para o grupo das pessoas-esquilos!

Já viram que dá para sair classificando as atitudes e os indivíduos de diversas maneiras, hein? Cada personagem do “Era do Gelo 2” pode representar um perfil. Quem sabe aquilo ali é uma paródia de situações corriqueiras nossas, disfarçadas com humor. Descubra qual personagem combina com você, então. Só não tente enganar os outros. A conta sempre chega para ser paga.

Página 7 à 12« Primeira...«45678910»...Última »

Opções:

Size

Colors