Mershandising no Cinema

Publicado em: 16-05-2005 @ 11:18 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Palavra chique. Até gostosa de falar. Mas será que você sabe exatamente o que é o tal do mershandising? Talvez. Primo do Marketing, sobrinho da Publicidade… Vamos tentar desvendar seu segredo e como ele se adapta ao cinema.

Todo mundo já ouvi falar desse moço aê… Mas será que tem certeza na hora de usá-lo? Sim, eu pelo menos acho massa falar mershandising! Acho podre de chique! Mas para ser chique, e não brega ou cafona, vamos aprender um pouco mais sobre esse bicho, que nem é de sete cabeças.

O nosso mershandising aí é o conjunto de atividades de marketing e comunicação destinadas a identificar, controlar, ambientar e promover marcas, produtos e serviços nos pontos-de-venda. A sua grande importância está no fato de ele ser a soma de ações promocionais e materiais que controla o último estágio da comunicação mercadológica: a hora da compra!

Passando a parte chata… O que isso tem a ver com o cinema? Bem, o mershandising das telonas é o mais divertido, na minha opinião, para se ver! Ora, é muitíssimo interessante ter o nome da sua marca - ou você mesmo - atribuído a uma grande produção ou a uma grande estrela. Quem não vai querer usar o celular que o galã de Hollywood usa? E quem não gostaria de ter o mesmo estilo das garotas do Oscar? Pois uma arma do mershandising é essa: associar marcas s pessoas de grande visibilidade pelos supostos consumidores.

Agora vamos parte mais prática e divertida da coluna. Quer alguns exemplos de mershandising nos cinemas? Se você já viu “Constantine”, deve ter percebido que a marca do cigarro do John Constantine aparece mil vezes. E qual era a marca? Malboro! Tome mershandising da Malboro. E quando frisa a marca do carro que a Angela usa, quando eles estão indo encontrar o Belthazor? GM dando o ar da graça! E em “Celular”, com a Kim Basinger, que a Nokia pinta e borda fazendo alusões, citações e mostras dos seus filhotes? Não é coincidência não, é mais um mershandising. Fora que tem uma aparição da Coca-Cola no meio do trânsito com um caminhão bem caracterizado nos fazendo lembrar de beber Coca-Cola após o filme! E falando em Coca-Cola, essa aparece demais, né?

E no começo de “A Intérprete”, que aparece a Nikon estampada no pescoço do Phillipe? Mershandising denovo! E em “Ladrão de Diamantes”, a cena que aparece o queridão do Brosnan com o detetive interpretado pelo Woody Harrelson num iate com um caixa de isopor atoladinha de cervejas Heinekhein… Preciso falar?

Ora, de onde você achava que os diretores conseguiam levantar dinheiro para fazer seu filmes? Mershandigsin é muito bom e muitíssimo caro para ser veiculado. E para ser feito… Bem, depende da criatividade. Os melhores são aqueles bem sutis, que você nem percebe que está acontecendo. Aqueles que se encaixam bem na trama. Totalmente o oposto de um exemplo aculá que dois sujeitos vão explodir uma bomba atômica - atômica, viu? - e se escondem - ilesos - atrás de uma máquina de refrigerantes de Pepsi. Sem comentários! Acho que foi em “De Volta Para o Futuro”… Pense num futuro!

Outros, como falei, aparecem muito bem colocados. Por exemplo, no início de “Pulp Fiction”, na cena do Samuel L. Jackson com o John Travolta, quando eles estão no carro conversando sobre o “royale with cheese”. Será que o McDonalds pagou para aparecer ali? Ou realmente, dessa vez foi só um diálogo comum? Tem essas questões que eu fico encucada: se sempre é mershandising ou se tem algumas exceções na história…

Mas é isso. Quando for assistir a um filme, preste atenção nessas chamadinhas para os produtos. Eu me divirto vendo! Marcas de carros, de bebidas, de roupas… Tudo isso aê é pago para aparecer. E ainda bem que alguém paga!

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Só Em Filme Mesmo?

Publicado em: 06-05-2005 @ 11:16 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sabe aquelas situações fexatórias ou maravilhosas demais que nos dão aquela sensação de ‘parece filme’? Realmente, o cinema é influenciado pelo cotidiano de nós, normais, e a melhor película pode estar bem sua frente!

Ainda tem gente que pensa que certas coisas só podem acontecer em filmes… Ok. Vou tentar mostrar que não é bem assim. Exceto aquelas ficções científicas! Mas não duvido absolutamente nada que tenha alguém por aí esperando se tornar um Jedi ou topar com o tal do Skywalker. Por incrível que pareça, tem sim!

Mas, vamos lá! Vou precisar da sua imaginação na coluna dessa semana. Descer no terminal - de metrô! Por que, nas grandes produções, ônibus é coisa de liso! - e cair de quatro bem na saída, na frente de um aglomerado de gente - curiosa - e com vários metrôs atrás lotados até a tampa. Filme? Não, não… Aconteceu com uma amiga há alguns meses. E não, não vou revelar o nome da coitada!

E que tal uma queda fenomenal de quatro, num dia chuvoso, em uma generosa poça de lama na frente do shopping mais badalado da cidade, caminho da sua faculdade? Sair com as canelas lambuzadas de lama nunca é legal, certo? E também não é filme, é vida real mesmo. Bem real! E já que estamos falando de faculdade… Descer a rampinha lotada na hora do intervalo e perder o equilíbrio, indo de cara ao chão, de quatro e de saia. Não é nenhuma cena daqueles filmes de high school americano. Fui eu, há duas semanas atrás!

E aqueles micos de primeiro encontro? Até parece que os diretores inventaram aquilo ali… No mínimo, um amigo do amigo que é namorado da colega da namorada dele – ou ele próprio – pagou uma vexa daquela e acabou colocando no script. Essas vergonhas são tão normais entre todos que viram. É clichê. A gente já sabe o que vai acontecer antes de alguém cair de bunda no chão.

Chegar na casa da namorada, naquela primeira visitinha, quer deixar todas as boas – e más – impressões e causar um dilúvio: quebra copo, pisa no rabo do gato, taca a testa na porta de vidro, entope o aparelho sanitário, engasga com o jantar, chama o pai de senhor enquanto ele está naquela crise de meia-idade… Quer mais? Vai bem dizer que você nunca soube de alguém que passou por isso? Confesse.

Ah, e aquela fofoca básica falando mal de algo ou alguém na presença do referido? Essa é muito normal! Costumava acontecer demais comigo. Culpa da minha sinceridade flor da pele.

Com certeza, deve haver vários Adams Sandlers por aí. Bens Stiler também, certo? Ninguém merece entrar numa fria maior ainda do que a do Gaylord! Falando em Gaylord… Agora me pegaram: conheço ninguém com esse nome.

Enfim, você deve estar se perguntando por que diabos eu vim reparar nesses fatos hilários de cada dia, ou… talvez nem esteja. De qualquer forma, eu vou falar sim! Acho que foi meu inconsciente pedindo um desabafo! Por que, com o índice de vergonha que eu pago por mês, se eu me der mal como colunista, vou virar concorrente do Tom Cavalcante. A diferença é que vou tirar sarro das minhas próprias mazelas! Ou, virar roteirista de comédia!

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Os Astros também Amam

Publicado em: 25-04-2005 @ 12:16 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Você não sabia? Sério! São podres de ricos e famosos, mas também possuem dor de cotovelo, borboletas no estômago e estrelinhas nos olhos! O amor estar no ar - e literalmente, nas estrelas.

Nós, meros mortais, vivemos nos desiludindo e reclamando das nossas frustrações amorosas. E ainda tem aqueles que, para aumentar o desespero, vivem amores platônicos com as grandes estrelas do cinema. Mas, sim… Só por que são ricos e famosos, só porque estão longe do nosso alcance, quer dizer que eles não sofrem as mesmas dores que nós sofremos? Até parece! Eles sofrem sim!

Quem não acompanhou a namorico de 14 meses da cantora Jennifer Lopez (vulga J-lo) com o nosso querido ator Ben Affleck? Eles até fizeram até filmes juntos, aquele “Gigli” (pior filme de todos os tempos) e “Menina dos Olhos” (ainda bem que ela morre no começo). O coitado foi até apelidado de Bennifer por causa do rolo - coisas que só a mídia sabe fazer! E depois de ser rotulado, Affleck saiu de compromisso sério com a atriz Jennifer Garner, que ele conheceu nos bastidores do filme “O Demolidor”. Será que ele tem queda por Jennifers?

Para os fãs do seriado “Sex and the City”, a Sarah Jessica Parker - que interpreta a colunista Carrie Bradshaw - está casada com o eterno carinha-de-bebê Matthew Broderick, o famoso por curtir a vida adoidado! Sacou? Entretanto, eu sou suspeita a falar do último casal. Sou fã ao cubo da Carrie!

E outro casal, mais reservado, mas também muito estrelado, é o par formado por Michael Douglas e Catherize Zeta-Jones. Em setembro de 1998, no Festival de Deauville, na França, Michael estava lá com o filme “Um Crime Perfeito” e Catherine, com “A Máscara do Zorro”. Dizem as más línguas que ele ficou caidinho pela atriz e pediu ao Antonio Banderas que os apresentasse! Dois anos depois, eles se casaram e já tiveram dois filhos, Dylan e Carys. Ah, e o cupido Banderas está casado com a atriz Melanie Griffith. Pois é, até os queixos são parecidos com os nossos!

Mas até aí não apareceram os queridinhos dos papparazzi… Brad Pitt e Jennifer Aniston. Agora foi! Lembro de quando eu era menininha apaixonada pelo Brad - sim, para os íntimos, e sempre me perguntava: será que um dia ele vai casar? Depois de uns rolinhos com a Gwyneth Paltrow, ele ouviu meus conselhos e acasalou-se com a Jennifer, a Rachel do seriado mais queridinho da América: “Friends”. Ai, que casal mais simpático! Mas, nem tudo que é do cinema, segue a regra clichê do “viveram felizes para sempre”. O casal aparentemente perfeito se uniu em 2000 e agora, em 2005, apartaram-se. Viram?! Nem com eles o casamento é perfeito!

E a década do casal Cruise e Kidman? Os dois se conheceram nas filmagens de “Dias de Trovão”, casaram-se em 1990 e se separaram em 2001. O motivo? Dificuldade de conciliar a vida em comum com os compromissos profissionais. Nicole falou por aí que ficou arrasada, mas mesmo assim, seguiu em frente! Fez filmes de sucesso, voltou a teatro - muito bem elogiada por sinal! Enfim, não se deixou abalar, mesmo pouco tempo depois Cruise tendo confirmado seu namoro com a atriz Penélope Cruz.

Olha aí, eles também sofrem. Eles também acordam de manhã com mau-hálito e com a cara e os cabelos amassados! Os astros também choram! A diferença é que tudo é mais chique, mais comentado, mais e mais. Outra diferença bem básica, semelhante no caso da Jennifer Aniston e da Nicole Kidman, é que quando a relação é com um garotão hollywoodiano, a criatura sortuda ao lado ganha o pedaço de mau caminho e a fama! Tanto Aniston quando Kidman tiveram seus cachês aumentados consideravelmente após o envolvimento. Apareceram mais, tiveram mais espaço… Ok, também não vamos tirar o mérito das meninas! Eu, particularmente, adoro as duas. Que o diga um amigo meu carioca aculá…

Fora os já falados, ainda tivemos e temos vários casais com seus trancos e barrancos, tão iguais a nós! Entram na lista o Leonardo DiCaprio e a modelo brasileiríssima Gisele Bündchen, Richard Gere e Cindy Crawford (…)

O que interessa é que movie-star também é gente! Também chora, também sofre, também leva fora! Não vamos achar que do outro lado da telona tudo é diferente. Talvez, do lado de lá seja até mais complicado, com toda aquele mídia, com toda a expectativa que se cria em torno deles. No final das contas, o que interessa mesmo é cada um ser protagonista da sua própria vida, sem cortes ou encenações, indo bem ou indo mal no amor!

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Quinquilharia ou Relíquia?

Publicado em: 10-04-2005 @ 12:13 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Há quem goste de coisas velhas! Eu gosto de algumas… Ultimamente tenho aprendido a gostar de outras. Ou será que as coisas boas realmente não envelhecem? Ou, ao envelhecerem, algumas coisas até melhoram? Tal qual o vinho, o whiskie e o Sean Connery.

Coisa velha vira quinquilharia ou relíquia? Depende do quê para se responder a isso? E se limita a algum espaço? No século do conhecimento, muitas coisas boas são esquecidas, muitas coisas triviais são postas em pedestais. Mas não vamos generalizar: a justiça também é feita - aleluia! Mas, enfim, vale a idade ou a qualidade?

Cada um tem seu gosto e isso não se discute, certo? Certo, de fato! Há quem seja conservador e há quem seja moderninho. Existem as pérolas conservadas pelo tempo, assim como as porcarias que insistem em aparecer no presente, para nos assombrar. Cada um com sua vulnerabilidade. Música, por exemplo, não envelhece. Por sinal, música boa não envelhece! Mas há músicas que já “nascem” velhas. Mal saem na rádio e já soam caducas. Vão impregnando os seus tímpanos. Vão se agarrando s pobres paredes dos seus ouvidos e não morrem nunca. Música eterna. Eterna não. Música “Highlander”! Quando você pensa que ela morreu, ela volta sem a menor noção de conveniência e fica lá, grudada, sei lá onde.(Quem sabe na sola do sapato!)

Com filmes é a mesma coisa. Há filmes, por sinal, que nem deveriam ter nascido… Ultimamente, assisti a alguns que deveriam mesmo era ter ficado no limbo, que mereceriam. Outros são eternos porque são muito bons. Outros duram porque há algum sacana sádico que insiste em reprisa-los para atormentar a humanidade. Há aqueles filmes antigos que mesmo sendo bons ninguém mais os assiste. Estão em coma! E há a mais nova tendência da máquina Hollywoodiana - sem mais idéias novas - que é de refilmar os sucessos do passado. É a ressurreição por clonagem!

Teve um amigo meu que na semana santa alugou 10 filmes do Chaplin. Contou depois que tanto riu quanto chorou. O autor morto; a obra viva. Assisti um dia desses ao filme “A Primeira noite de um homem”. Dustin Hoffman novinho! Puxa! Um filme de mais de 30 anos. Porém, mais atual do que muitos dos atuais. É verdade que a linguagem aplicada ao cinema mudou muito desde a época do cinema mudo até hoje. Atualmente, a velocidade das seqüências é maior (tem filme que mais parece videoclipe!), e os recursos tecnológicos são radicalmente diferentes (nem ator é mais necessário para fazer um filme de sucesso!)

Para quem está habituado ao cinema moderno, estranha um pouco quando assiste a um filme antigo. Mas, garanto que o “esforço” é plenamente recompensado - quando se trata de clássicos - por exemplo.
Acho que não dá para se dizer uma pessoa “esclarecida” sem ler certos livros. Da mesma forma, não dá para se situar - acredito - no mundo com uma certa visão de horizonte cultural sem ter assistido a alguns filmes. Sim, é como na faculdade. Certos filmes são pré-requisitos. E eu ando “lutando” contra o tempo (literalmente) e me vejo a assistir (e gostando disso!) a diversos sucessos da época da juventude dos meus pais (espero que eles não se ofendam com a referência ao tempo!). Certamente, seria um pecado listar esses filmes imperdíveis do passado sob o imenso e impagável risco de me esquecer de muitas outras pérolas… Isso seria um pecado mortal!

Mas… Eu nunca disse que queria ser santa mesmo! Vou pecar. Ao menos dessa vez, os deuses da Sétima Arte hão de me perdoar.

Os que já citei são ótimos. “A Primeira Noite…” é desconcertante. Um retrato da sociedade hipócrita muito bem pintado pelo mesmo diretor de “Closer”, Mike Nichols. Chaplin é impressionante! “Tempos modernos”, “Luzes da cidade”, “O garoto”, “O Grande Ditador”… Putz, dá nem para falar… E “Casablanca”? Humphrey Bogart e Ingrid Bergman são deuses do Olimpo na grande tela. Mas não estão sós. De Niro, em “Taxi Driver” merecia um busto em praça pública. E Marlon Brando, o eterno “Don Corleone”, alguém questiona? Dustin Hoffman em “Tootsie”! Puxa! Não viu? E em “Rain Man”? Tem o Jack Nicholson em “Um estranho no ninho”. De tirar o fôlego! Alguém já assistiu a “Papillon”? Alugue hoje. Não tem como não gostar. “Ben-Hur” ganhou a mesma quantidade de Oscar de “Titanic”, e na época a quantidade distribuída era bem menor! Um excelente filme.

Há esses nomes que já viraram ícones: Paul Newman, Robert Redford, Elizabeth Taylor, Catherine Deneuve, Steve Macqueen, Kirk Douglas, Burt Lancaster, Cary Grant e mais uma ‘ruma’. São tantos ótimos atores e atrizes. São tantos títulos. Tantos filmes que inspiraram gerações. Excelentes películas. Atuações que viraram referências. Hoje são aulas! E a vantagem dessa época é que o enfoque era no enredo. (sim, os filmes tinham história, não só efeitos, ou defeitos, como preferir…).

Mas tinha muito filme ruim, é claro. Ruindade não é patrimônio de nenhuma época e de nenhum lugar exclusivos. Atualmente, por exemplo, há bons filmes – “Menina de Ouro” me força a dizer isso. Mesmo com um enredo clichê, consegue um desenvolvimento envolvente. Mas, muito legal, é não ter preconceitos ao escolher um filme para o seu entretenimento, porque se o cinema tem mais de 100 anos, é porque muita coisa boa foi feita no passado. Pois, afinal, mais importante do que ser novo ou velho, moderno ou antigo, é ser bom.

O que tem qualidade sobrevive ao tempo. Seja uma música, um livro, um amor ou um filme. O maior juiz é sempre o tempo! Que sobrevivam esses bons filmes. E, óbvio, que sobrevivamos eu e você para perceber isso.

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Auto-biografia

Publicado em: 17-03-2005 @ 12:10 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Impressão minha ou agora a moda é fazer filme da vida dos outros? Ah, agora eu quero fazer um também! Para homenagear, para encher lingüiça, o que seja! Quero também! Você não? Com direito ao galã perfeito e as roupas do ano? Enfim, donde será que veio essa onda biográfica?

Quero fazer um filme biográfico! Melhor ainda: quero fazer um filme autobiográfico: quero escrever o roteiro, dirigi-lo, chamar uma linda e talentosa atriz para protagonizá-lo e depois ainda vou declarar que é uma “Biografia não autorizada”! Hum, por um momento me imaginei como Ed Wood! Mas… Por que não? Essa não é uma tendência, uma coqueluche do momento? Ray Charles, Howard Hughes, Alexandre, Jesus Cristo, Cazuza, Lutero e Cole Porter tiveram recentemente filmes sobre eles. Muitos outros notáveis mereceram quilômetros de películas! Andei pensando nisso por que, ultimamente, tenho me detido a assistir a algumas versões cinematográficas que desejam retratar a vida de personalidades famosas. Mas o que eu quero mesmo é fazer um sobre mim! Por que não?

Que estilo de filme seria? Um drama, certamente! Ou uma comédia? Tragicomédia, sei lá! E não vá levantando as modalidades de filmes que você conhece, caro leitor, que é falta de respeito e não lhe dei intimidade para isso! Claro que eu iria inventar coisas maravilhosas sobre mim mesma! Mas quem seria “eu” na telona? Quem sabe a Pink (não a do BBB, a cantora americana, a que parece que está com raiva o tempo todo e vive querendo ser o pedra no sapato de alguém). Teria que ser alguém exuberante: bela, morena, espirituosa, sedutora… E modesta, claro! Enfim, seria no mínimo divertido!

Mas, e se a sua vida virasse um filme? Eu tenho a mania - deve ser explicada por alguma linha da psicologia - de encarar a minha vida como um filme. Será que sou única com este fetiche? Tenho minhas trilhas sonoras: quando estou triste, por exemplo, parece que ao fundo toca Yellow, do ColdPlay; e quando estou com dor de cotovelo, My Immortal, do Evanescense; e quando estou fazendo algo aventureiro, aparece o baixo de Missão Impossível! Enfim, para tudo na minha vida, até dor de barriga, tem uma música de fundo. Alguém mais tem isso? Ou eu sou louca e engoli um radinho?

Bem, o que mais eu precisaria? Tenho os coadjuvantes, os antagonistas, os elementos complicadores, os problemas. Está difícil mesmo é definir o roteiro e decidir o que fazer com esta personagem eu-mesma. Ah, e claro… Será que o CCR me patrocinaria?

Na verdade, tenho uma teoria sobre estes filmes biográficos! Acho que é mais um lance voyeurista. Mais uma necessidade do grande público de saber o que aprontam (ou aprontaram) as celebridades. É verdade que Ray Charles era um ceguinho pegador? O “aviador” pousou em quantas pistas de atrizes famosas? E quantos sabonetinhos ele usava por semana? Cole Porter era ou não era entendido de jazz? Cazuza era tão intenso daquele jeito?

Não queria que meu filme fosse mais um exercício frívolo de paparazzi embrulhado em película de cinema. Tipo aquelas da Caras, sabe? Nem queria merchandising nas entre-linhas. Muito menos, queria ter minha visão pasteurizada. Nos filmes, não sabemos se o retrato pintado pela direção corresponde realmente realidade. O que, não obrigatoriamente é absoluto e necessário, pois o cinema não tem nenhum “compromisso com a verdade” (quem tem esse objetivo é documentário!). Mas o que dá para perceber, repito, é que roteiristas bons estão mesmo escassos em Hollywood. E na falta de boas histórias, a receita é simples: pega-se a vida de um cidadão famoso, com ou sem a autorização dos envolvidos, dá uma romanceada, uma turbinada, e serve ainda quente. Já estão mexendo com o tsunami da Ásia em “O Destino de Poseidon”, ora!

Algo que notei nas biografias é que muitas vezes são tediosos. Gandhi, por exemplo, o cara é muito melhor que o filme (ou será que gente boa gera filmes sonolentos?! Vamos pegar o Bin Laden! Que filme daria!). E Oscar Wilde? Puxa vida, não é coisa que se faça! Tão interessante e polêmico em vida, tão insosso no cinema! Mas tem as exceções: Modigliani está maravilhoso! Tão bom que não entrou nem em circuito comercial! (Ultimamente estou com dúvidas se o público quer ver coisas boas e se os cinemas as querem mostrar). Wilde dizia (não no filme, é claro!): “Cada coisa boa que faço me cria um inimigo. Para ser popular é preciso ser uma mediocridade”.

Isso também acontece com as artes. Nem tudo que é pop é ruim, eu sei. Mas tem muita coisa boa que o grande público desconhece. Ou por ignorância das pessoas ou porque o “mercado” não elegeu essas coisas como “vendáveis”. Alienação seria a palavra.

Será o que o grande filme sobre mim mesma será melhor do que eu? Ou vai dizer a verdade e será tedioso? Sei não. Estou escrevendo o roteiro dia após dia. O melhor que posso! Algumas cenas serão cortadas numa crônica futura certamente. Mas não dá para voltar para refilmar a vida. Não tem reedição do tempo. E o tempo não perdoa. E nem fazem make-up quando você acorda!

Enquanto isso, vou seguindo querendo fazer da minha vida um filme. Querendo, como todo bom mortal, ser como os meus ídolos do cinema e viver momentos mágicos. Porque, s vezes, a vida é dura demais! Chata demais! Vida demais! E a gente precisa de escapes. Porque quando a gente cansa de ser a gente mesmo, a gente pode ser - ao menos por duas horas - Ingrid Bergman, Catherine Zeta Jones, Uma Thurman, Julia Roberts… Para alguns, até a Xuxa!

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O Fantasma da Ópera

Publicado em: 07-03-2005 @ 12:09 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Um clássico. O cinema deturpou partes de sua excelência, mas o drama de ‘O Fantasma da Ópera’ é tão magnífico que nem Hollywood conseguiu estragá-lo - como tem costumado fazer com os últimos filmes… Não sei se devo me apegar a película, insignificante diante da peça. Prefiro me embriagar com a forte essência d´O Fantasma da Ópera!

Essa é uma coisa louca. Essa é uma coisa realmente maluca e descabida que s vezes insiste em acontecer na nossa vida: gostar de quem não gosta de você! Essa situação vexatória e constrangedora só é interessante quando acontece seja com os outros seja quando é retratada pelas artes. Quando dá o azar e acontece com a gente é uma desgraça! Tem um amigo meu que diz que não há dor pior! Dor de dente um dentista cura, nem que tenha que arrancar. E para tudo há a morfina. Ou até a morte para salvar os desvalidos. Mas a dor de amor é implacável. Você não arranca não! Nenhum remédio cura e o pior é que você não morre de dor de cotovelo! Ela destrói as defesas e você fica combalido. Mas não morre! Apela para todo tipo de santo, simpatia, estratégia humilhante, soluções etílicas e até para a Irmã Janaína (”Irmã Janaína traz a pessoa amada!”). Às vezes dá até certo… Enfim, entrei nesse assunto porque assisti ao “O Fantasma da Ópera”.

Na verdade, o filme vai tentar reproduzir o famoso musical de autoria de Andrew Lloyd Weber que já atraiu mais de 15 milhões de pessoas aos teatros dos grandes centros culturais do mundo. O musical, por sua vez, é baseado num livro de Gaston Leroux, do início do século XX, o qual, como obra literária, nunca mereceu muita atenção.

A adaptação tem seus defeitos: o Fantasma é novo demais (talvez pela necessidade de aproximar o personagem ao público jovem) e nem de perto tem o carisma que demanda o personagem; o diretor inventou umas cenas que não existiam no original; o musical não destacou tanto a ópera; o nome do Fantasma é Erick e aquela viagem sobre a explicação da deformação dele é por conta do diretor; a história ficou mais para romance do que para terror; o outro componente do triângulo amoroso, o Raoul, está mais em evidência no filme que na peça, e - certamente - é muito melhor assistir ao musical que ao filme! Mas como nem todo mundo tem as libras necessárias para assisti-lo em Londres, eis a grande virtude da película: possibilitar ao grande público a oportunidade de conhecer este clássico, se deliciar com a trilha sonora maravilhosa e sofrer com o drama deste amor não correspondido. Mas se você for um cubo de gelo ambulante, amargo e reclamão, nada do que vou dizer aqui fará sentido… Meus pêsames!

O lugar da história já te deixa de boca aberta. A Ópera de Paris. Um prédio construído de forma até polêmica, com 17 andares, sendo 10 subterrâneos, monstruosamente belo. E sim, tem um riozinho passando embaixo do teatro! Só de imaginar dá arrepios…

Agora, vamos história. Christine é uma jovem corista. Órfã. Foi educada artisticamente por um espectro que se manifesta apenas pela voz, ao qual ela batiza de “Anjo da música”. Na verdade, um gênio da música que se esconde nos subterrâneos do teatro de Paris e que tem o rosto terrivelmente deformado. Em virtude de apoio do “Fantasma”, ela se torna “Primma donna” do teatro de Paris. Então aparece o bonitinho. O Visconde com todas as características de príncipe. (Até cavalo branco para complementar o pacote!). O resto já dá para adivinhar. O belo e a bela se apaixonam, noivam e vão casar. E o fantasma? Nem um obrigado ele merece da moça a qual dedicou a vida! Dava até para colocar: “Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência”!

Uma coisa tem que ficar clara: O Fantasma é um monstro! Sim, um monstro da Literatura. Tal qual Drácula, lobisomem, Frankenstein, Cuca. A obsessão dele por Christine o leva a fazer sandices. Quando ele aparecia nos filmes da década de 40, provocava histeria e desmaios nos cinemas. Mas, entre os monstros, sem dúvidas, é o mais charmoso e o que mais desperta compaixão. Há inclusive o hábito de se torcer para que Christine fique com o Fantasma. Ele desperta essa iniciativa de “torcer pelo bandido” mais do que qualquer outro vilão da ficção. E para ser honesta, em termo de sedução e conteúdo, não há comparação. O Fantasma ganha de goleada. Na peça isso é mais fácil de ver. O Fantasma é hipnótico! É carisma ambulante! É magnetismo puro! Isso dá para observar claramente na ópera Don Juan, escrita pelo próprio, onde o casal realiza um dueto glorioso. É bonito demais. Inquietante até a medula!

Passando o drama para nossa realidade mortal… Vivemos num mundo onde imagem é tudo. Estética é curriculum vitae. Seja belo e as portas mais facilmente se abrirão para você. Como dizia Vinicius (um ogro de tão feio, mas um grande pegador!): “As feias que me perdoem mas beleza é fundamental”! Por isso que a nossa sociedade faz qualquer sacrifício pela beleza estética. Para ser fundamental. O Fantasma é rejeitado pelo mundo em que vive em virtude da sua deformação. A humanidade perde um gênio porque não consegue conviver com o feio. O feio se torna aberração porque o ser humano carece mesmo de valores essenciais. Superficialidade é a palavra. “Mais do que paisagens novas, é preciso de olhos novos” já dizia Proust. Mas essa é uma reflexão muito exigente que pode ser intangível ao grande público…

No entanto, por que o “O Fantasma da Ópera” é o clássico entre os musicais? Por que mesmo as pessoas que não entendem a língua durante as apresentações se debulham de tanto chorar? Por que um monstro atrai tanta paixão? Não sei. Talvez só desconfie. Talvez porque eu e você e todo mundo já gostou de alguém que lhe rejeitou. Talvez porque você não agüente mais ver que os almofadinhas e filhos-de-papai que ganham sempre e isso é revoltante! Talvez porque no fundo você saiba que a dor do Fantasma é a sua própria (ou já foi!). Talvez porque tanta devoção por alguém é algo alienado demais. E belo demais! Talvez porque você ame alguém nesse exato momento… E talvez não seja amado.

Coma já falei na coluna passada, os filmes estão cada vez mais próximos de nós. A história do Fantasma podia ser a de qualquer um. Até a sua. Chega de superproduções que não trazem nada de novo, banhadas de prepotência e mesmice. Prefiro filmes que me façam sentir. E definitivamente, ‘O Fantasma da Ópera’, em cinema ou em teatro, é capaz de tocar qualquer um que seja humano.

E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br

Será mesmo só Ficção?

Publicado em: 01-03-2005 @ 11:57 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Será que sempre é ficção?! Na coluna desta semana, penso se ainda podemos dizer sempre de certos filmes a célebre frase: só em filme mesmo! Imagino que o cinema não está mais tão distante da realidade. Cada vez mais ele passa a ser feito com mais ‘carne e osso’. O ‘impossível’ não está mais nas telonas, mas no nosso próprio dia-a-dia.

Costumo pensar que a arte, logo, o Cinema, expressa sensações da vida das pessoas, sendo elas contemporâneas ou do passado. Enfim, vão evocar emoções e fatos marcantes. Sendo assim, lembrei que o ato de trair faz parte de toda boa fofoca, como também de uma série de célebres filmes. Quantos filmes aos quais você já assistiu que tenha um lance envolvendo traição? Vários, certo? Creio que sim. E não digo apenas o famoso “chifre”- mais popular de todos! Falo de traição mesmo! De amigos, de familiares, de ídolos. Qualquer traição. São filmes tratando da “melhor amiga” que agarra o namorado da colega; namorado que mata namorada; marido que tem caso com secretária (o clichê!); casais brincando de passar chifre como se fosse batata quente; quebra de sigilo no trabalho; honra esquecida(…) Nossa! É muita coisa! Agora me pergunto: por quê?

“O Outro Lado da Cama”. “Infidelidade”. “Closer - Perto Demais”. Bons filmes aos quais assisti, e que falam da traição no amor. “Violação de Conduta”. “Crimes em Primeiro Grau”. “Crime na Casa Branca”. Outros que envolvem traição no trabalho (digamos). E por aí vai. Mas por que diabos será que isso ficou tão comum?

Uma das razões das pessoas irem ao cinema é para se distraírem um pouco. Por mero entretenimento. Muitas vezes o filme permite essa clássica frase: “Ah, só em filme mesmo para acontecer uma coisa dessas!” Enfim, há filmes que realmente fogem da realidade e é justamente para permitir essa fuga que são feitos. Mas não há razão para tantas surpresas. A vida é sempre muito mais surpreendente! Outros filmes, ao contrário, querem uma reflexão sobre a realidade, sim, nua e crua! Não desejam fuga alguma, mas um aprofundamento nas questões humanas.

O mundo está descartável. As pessoas estão tão passageiras… Telespectadores da própria vida. Imitando, repetindo sem pensar. Já ouvi de tudo. Que era legal trair. Que faz parte. Que é apenas para quebrar a rotina. Que é normal. Normal! Já dizia Oscar Wilde, “tudo tem preço, nada tem valor”. Ninguém mais sabe o que é amor e todos seus aderentes. Todos querem, mas ninguém sabe tê-lo de verdade. Ou melhor, sabe conquistá-lo. É tudo light demais. Superficial demais. É demais!

Por empolgação, por curiosidade, por pulsação, trocamos algo essencial por algo urgente. E o tempo, que devia trazer a maturidade, com a maior reflexão sobre o peso dos valores, e muitas vezes não traz. Deve ter ficado para próximo avião, junto com a paciência, o respeito, a sensibilidade, a confiança…

Ninguém sabe mais apreciar um craque ou um clássico. Qualquer um é craque! Tudo é clássico! Mas com um tempo de validade breve. Como um grande amigo falou, “craque é aquele que não faz apenas uma jogada genial, mas sim aquele que faz várias jogadas geniais várias vezes. Clássico é aquilo que se repete sem cansar, sem causar o menor incômodo”. Mas agora tudo é superficial demais. A insegurança e a desconfiança imperam. Palavras perdem o sentindo. Perguntas e mais perguntas só encontram respostas vazias ou apenas respostas sem sentido real. É demais da conta!

A cada dia que passa, me identifico ou vejo alguém se identificando com uma traição dessas no cinema. “Closer” dispensa comentários. Quem leu minha coluna sobre essa pérola, sabe. Só tenho a lamentar. E é por nós mesmos, viu? O Cinema, que antes era algo até distante, não passa do espelho de nossas vidas, nossos sonhos, nossas frustrações. Cada vez, fica mais humano. Mas até quando vamos insistir em achar que o cinema é mágico? É de “brincadeira”? Não… Não acredito que ele seja assim. Ele nos fala apenas o que não queremos ver no dia-a-dia. Quem sabe ele tenha sempre sido assim e eu que não havia percebido… De qualquer forma, acredito que muitos ainda não perceberam.

O mundo dá voltas. As pessoas mudam. Logo, o Cinema muda também… Afinal, é a expressão do homem. Portanto, chego a essa conclusão de que esses tantos assuntos polêmicos - que não apenas a traição - aparecem sempre nas telas justamente porque eles aparecem demais na nossa vida. É o realismo. E por favor, não me traiam dizendo que isso tudo aqui é exagero. É demais!

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Música no Cinema

Publicado em: 19-02-2005 @ 11:56 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

O que seria o Cinema sem as trilhas sonoras? Imagine a memorável seqüência de “Cantando na Chuva” ou o agitado “Swat” sem as suas músicas envolventes que nos fazem entrar no clima do filme?

Nesta coluna, tive a idéia de juntar duas paixões minhas: Cinema e Música. Sim, pois todo bom filme tem que ter uma trilha sonora de acordo, e toda boa música tem uma história com a qual nos identificamos. Cheguei, então, a pensar que esses dois andam muito bem entrelaçados.

Imagine “Psicose” sem aquele instrumental angustiante na cena do banheiro, ou o mais contemporâneo “Guerra nas Estrelas” sem aquela trilha que arrepia até quem não é fã. Bem diferente, né? E o tal “Cantando na Chuva”, que nem é uma pérola cinematográfica, mas ficou gravado em nossas memórias pela seqüência de Geene Kelly, literalmente, cantando na chuva?

Engraçado como um nos faz lembrar o outro e vice-versa. Eu não me lembro de “A Dama de Vermelho”, mas conheço bem “I just called to say I love you”, de Stevie Wonder. Também nem conhecia “Rush”, quando me apaixonei por “Tears in Heaven”, de Eric Clapton ou “Dirty Dance”, quando curti a batida de “I´ve have time of my life”. Na maioria das vezes, descubro essas pérolas musicais quando estou revirando os CDs e LPs dos meus pais, e é sempre uma surpresa.

Algumas outras, entretanto, ficam marcadas juntas com o próprio filme. Por exemplo, “My heart will go on”. Não sei o que me atormenta mais: ver a Celine Dion esgoelando-se ao cantá-la ou ver o Jack e a Rose brincando de cai-não-cai na proa do navio. Também tem a Whitney Houston dando o mais potente agudo em “I will always love you” e, noutra hora, está correndo nos braços do Kevin Costner em “O Guarda Costas”. Ah, não posso esquecer de “Ghost - Do outro lado da vida” com aquele romantismo de “Unchained Song”, no tom de Demi Moore e Patrick Swayze. Nossa! Quem não lembra?

Ah, eu parecia pinto no lixo quando descobri que aqui em casa tinha “Take my breath away”! Escutava sonhando com o Tom Cruise, novinho, voando em “Ases Indomáveis”. E quando estava assistindo ao “Robin Hood”, a versão com Kevin Costner, e começou a tocar “Everything I do, I do it for you”, do Bryam Adams? Eu enchia o saco dos meus pais cantando essa música e lembrando da história de amor do filme em todas as nossas viagens.

Definitivamente, esses dois, quando unidos de forma conveniente, são um sucesso. Agora, não poderia fechar essa coluna sem falar de dois certos filmes acolá: “Pulp Fiction” e “Closer”. Esses dois são tão perfeitos, enquanto filme e trilha sonora, que vou dedicar uma coluna exclusiva para cada um. Neste momento, vou apenas dar uma espiada… Se você já viu “Pulp Fiction”, deve ter reparado na poderosa trilha do filme. Sempre amei “Girl, you´ll be a woman soon”, e quando a ouvi no filme… Ah, sem comentários! E quando toca “Let´s stay together” do Al Green? Sublime! “Pulp Fiction” faz uma das melhores uniões que eu já vi. E “Closer”? Bem, “Closer” já me emociona no começo, quando entra a música de Damien Rice, “The Blower´s Daughter”. Só essa já mata. Deve ter marcado a maioria das pessoas que realmente assistiram ao filme e o compreenderam.

Mas é isso. Música no cinema. Unir o útil ao agradável. A fome com a vontade de comer. O que seja! Ambos me emocionam muito por si só, mas quando juntos… Ai é covardia! Espero que vocês possam desfrutar melhor desses dois nos próximos filmes aos quais assistirem. Vale a pena!

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Closer - Perto Demais

Publicado em: 10-02-2005 @ 11:51 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Não é qualquer um que entende esse filme. Só os que passaram por algo parecido. Não culpe quem não sabe desfrutar de uma boa obra! É preciso dor, sensibilidade e dor de novo, para se compreender toda a graça de Closer. Com certeza, um dos melhores filmes que já vi na minha vida. Simplesmente por mostrar a vida como ela é.

Eu sou contra. Eu sou contra os atores, contra a abordagem, contra a produção, contra o tema. Eu sou contra a peça que deu origem ao filme, contra o diretor, contra o nome do filme. Ele não devia se chamar “Closer - Perto Demais”. Devia se chamar “Verdade Demais”. Eu sou contra, sim! Eu sou contra porque as verdades não foram feitas para serem ditas desta forma aberta, clara e sem pudores. Oscar Wilde já dizia há mais de cem anos: “É terrível como as pessoas tem dito coisas completamente verdadeiras s minhas costas”.

A verdade verdadeira é um tabu. Um fetiche. E não venha me dizer que “prefere uma verdade que magoe a uma mentira que iluda”. As verdades são mais complexas do que isso. O próprio protagonista Daniel (brilhantemente personificado pelo charmoso inglês Jude Law) afirma a um certo ponto do filme: “Por que você não mentiu como faz todo mundo?”. “Closer” não mente! Os personagens sim, mentem demais da conta! Até que o lado da ficção entra em cena e todo mundo cai numa síndrome alucinada de contar a verdade, e o pior: de contar tudo! Isso, obviamente, não poderia acabar bem. “Closer” não é um filme para você ir acompanhado de alguém com quem mantenha relações amorosas. Leve um amigo, leve uma amiga, a avó, o papagaio… Aliás, nem o papagaio, por que ele pode repetir algo que você disser durante o filme.

O tema você já sabe qual é: infidelidade. Um clichê que parece nunca se gastar completamente. Basta ver pelas novelas, filmes, fofocas e excelentes obras da literatura. Chifre dá ibope, sim! “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “Madame Bovary”, de Flaubert; “Ana Karenina”, de Tolstoi; “Othelo”, de Shakespeare. Precisa de mais nomes para você perceber que o chifre não sai mesmo das cabeças dos grandes mestres?!

Mesmo sendo contra, tenho que admitir que “Closer” é excelente. Os atores arrebentam! Até a “namoradinha da América”, Julia Roberts, dá o tom certo sua personagem. E destaque irreconhecível Natalie Portman (vale lembrar a garotinha esquálida de alguns anos atrás em “O Profissional”).

Mesmo com tantos predicados, continuo contra “Closer”! É um filme agudo, profundo, cortante. Ele toca nos pontos fracos. Ele nos dá o alento de nos percebermos compartilhando sentimentos humanos. Os medos, os desejos, os pequenos atos de covardia, as mentiras deslavadas, o onipresente ciúme e todas as coisinhas vulgares e ordinárias que nos fazem ser o que somos, mas somadas a uma coisa exuberante, desconcertante, bela e revolucionária: a paixão.

As pessoas são apaixonadas, em “Closer”. E não tem vergonha de sê-lo. A paixão é um sentimento alucinado. É uma doença da alma, ou uma virtude, sei lá. Mas, com certeza, é um estado alterado. E os personagens se deixam levar por suas paixões, sem medo de serem felizes (ou infelizes!). Choram despudoradamente. Agarram-se. Desesperam-se. Exatamente como, ridiculamente, já fizemos, fazemos, ou faremos. Mas, como dizia Fernando Pessoa, “só quem nunca escreveu uma carta de amor que é ridículo”.

Além da história, ainda vem a trilha sonora para criar o clima ideal. Meu Deus, que música maravilhosa! “The Blower´s Daughter”, de Damien Rice já arrebata no começo e termina a overdose nos minutos finais. Perfeito. Mais uma confirmação de que a música faz uma tremenda diferença.

E para sustentar o tema do filme, interfere novamente Wilde: “O auge da falta de criatividade é a fidelidade”. Essa foi boa… E ainda vem Nelson Rodrigues (quem melhor do que ele quando o assunto é traição?) para completar: “Numa relação, há sempre um traído e um traidor. Saiba o que você é para saber qual o papel do outro”. Em “Closer”, todos traem e são traídos. Ficam só alternando os chifres. Parece até Escravos de Jó… O doloroso e vexatório é que eles parecem querer dissecar essas traições. É uma exumação de chifres! Isso é terrível demais! E todo mundo sabe, nada é tão doloroso, nada dói mais na alma, nada é mais insuportável que descobrir o objeto do seu afeto nos braços de outro!

Um amigo meu, de tanto pular cerca virou um verdadeiro atleta de saltos ornamentais (não vou dizer com vara para não soar infame). Certa vez ele me disse numa conversa de bar (e nem estava tão embriagado): “Se eu encontrasse hoje a mulher certa, seria completamente fiel ela por toda a minha vida, sem nunca mentir”. Fiquei impressionada! Não por ele estar dizendo isso ou pela virada de pescoço que ele deu segundos após passar uma morena estonteante. Mas principalmente por ele ter revelado uma outra face desta moeda: mesmo nesse mundo tribalista, onde as pessoas se dispõem como um grande self-service de relações, todos nós queremos a monogamia! Queremos o amor eterno, a metade de maçã. Durante o filme, um amigo me revelou: “Queria me apaixonar pelo menos uma vez na vida para saber como é sentir isso”.

Seria o mundo ideal monogâmico? Nossa! Sexo com amor, amor sem sexo, sexo sem amor, amor com sexo. Decidam-se, por favor. Enfim, confira você mesmo assistindo a esse excelente filme! Vá lá e reflita. Mas, cuidado com quem você vai levar junto!

E-mail para comentários: mairasuspiro@cinemacomrapadura.com.br

O Código Da Vinci

Publicado em: 25-01-2005 @ 11:42 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

O intrigante livro ‘O Código Da Vinci’, de Dan Brown, vendeu mais de 15 milhões de exemplares pelo mundo, graças união de um tema polêmico (religião) com um romance policial envolvente. Agora chegou a vez da adaptação para as telonas. Será que vai funcionar?

O intrigante livro “Código Da Vinci”, de Dan Brown, vendeu mais de 15 milhões de exemplares pelo mundo, graças união de um tema polêmico (religião) com um romance policial envolvente. Em termos de literatura, o livro não tem atrativo algum. Brown tem um ‘padrão’ para escrever. As seqüências são semelhantes, assim como a apresentação dos fatos e personagens seguem um modelo. É tanto que seu primeiro livro, “Anjos e Demônios”, foi elaborado na mesma fôrma do segundo (Código da Vinci).

Pois bem, depois de tanto rebuliço e tantos livros em resposta (Desvendando, Quebrando, Revelando o Códido da Vinci) era até esperada uma adaptação para as telonas! Dito e feito, Ron Howard (”Uma Mente Brilhante”) assumiu a direção do filme, com Brian Grazer na produção, e já decidiu dois dos principais personagens: Jean Reno (”O Profissional”) interpretará o detetive Bezu Fache (perfeito!) e o papel principal do desajeitado professor Robert Langdon, que se torna herói sem o menor jeito para tal, fica para Tom Hanks.

Ouvi pessoas reclamarem da escolha, que estava sendo disputada por Russel Crowell, George Clooney e Hugh Jackman, mas, se você olhar bem, Hanks tem exatamente o ar atrapalhado e inseguro que Langdon mostra ter durante todo o drama! Como o próprio diretor disse, “ele daria a Langdon uma legitimidade instantânea”. Vamos ver como ficará o filme, que começará a ser rodado pela Columbia Pictures, com o roteiro de Akiva Goldsman, próximo ano. Meu grande amigo Bruno disse que Harrison Ford se encaixaria bem no papel… Também achei uma boa, mas, vamos ver como Hanks desenrola, certo?

Até agora estou gostando da história. Nada de pop-stars! Exceto quando ouvi rumores de que as cenas no Louvre seriam feitas em set, devido ao alto custo cobrado pelo Museu. Pode ser que realmente façam um filme do livro e não o filme da fama do livro! Resta saber quem será a ruivona Sophie Neveu e o seu vovô bem enigmático, Jacques Saunière. Ah, se eu for começar a falar dos personagens… Tô me coçando para saber quem vai ser o albino Silas! Tomara que saia logo. E acredito que não vá ser muito difícil fazê-lo. O próprio livro já é bem descritivo, o que já ajuda.

Fico me perguntando se o filme vai sofrer tantas retaliações como o livro sofreu. Será que os caras que escreveram as respostas vão atrás de produtores para fazerem seus filmes também? Seria no mínimo divertido. Engraçado é que o livro só foi polêmico desse jeito, porque escancarou essa história do Santo Graal e cia. Isso já vinha sendo dito há tempos! O Brown só foi mais esperto e ganhou uma bolada em cima disso. Parabéns para ele. Ao meu ver, o que me preocupa não é o fato de Jesus ter sido casado ou não (além de ter sido crucificado, ainda teve que agüentar o casamento? tadinho!), ou se existem descendentes Dele e da Madalena. Como um padre mesmo falou em um documentário na GNT, “o fato de Jesus ter sido ou não casado, não tira a sua divindade”.

Acho perigoso é o que o livro pode fazer com aqueles que tem pouca fé ou, no mínimo, um poder de reflexão medíocre. Esses podem aceitar “O Código Da Vinci” como verdade, como a nova bíblia, (Não duvidem! Eu já escutei isso!) o que seria absurdo! Não sou católica praticante, não aprovo boa parte do comportamento da Igreja, mas sou fã da história do Cristianismo. Não acho que a Bíblia, ou melhor, não acho que o que os homens escreveram seja verdade pura, assim como a teoria do Santo Graal também não é. É muita coisa a ser apurada: os Templários, o Priorado de Sião, o envolvimento de Da Vinci e todas aquelas obras envolvendo segredos. Tudo isso põe em xeque a base da Igreja, o patriarcalismo. São homens tentando julgar homens, e a verdade absoluta nunca aparecerá.

Enfim, próximo ano conferimos como essa polêmica toda será enquadrada nas telas do cinema!

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