Conceitos Perigosos

Publicado em: 12-09-2005 @ 2:20 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Massa significa o mesmo que multidão? Público acaba sendo uma massa específica ou minoria? Quem é que vai ao cinema afinal: o público, a massa ou a multidão? Ou ninguém? Esses são alguns conceitos usados diariamente. Mas quem disse que eles são tão simples quanto aparentam?

Ultimamente, tenho vivido no mundo das teorias da comunicação. Influências da faculdade, perdoem! Mas vejo tanto coisa interessante e intrigante todo dia, que fico com uma vontade louca de traduzir para o ‘coloquial’ e relacionar com cinema, para finalmente transformar numa coluna semanal.

Dessa vez foi a confusão comum entre conceitos que me levou a escrever. Na coluna de hoje vou trabalhar com quatro conceitos: público, multidão, massa e minoria. Parecem sinônimos? Antagônicos? Farinha do mesmo saco? Neologismo? Nada com nada? Palavrão? Quem dá mais? Quem dá mais?

Ok. Para começo de conversa, vamos por tudo nos lugares corretos. Público fica perto de multidão. Massa fica perto de minoria. Vou trabalhar em duplas e depois complicar tudo, tá? Na verdade, nem vai complicar tanto. Em colunas passadas, já falei sobre público e sobre multidão. Então, quem já leu, tem idéia do que pode ser dito aqui.

Pois bem. Multidão. Multidão é a torcida do Flamengo. É a fila na estréia de Star Wars. É o engarrafamento nas avenidas na hora do rush. Algo daquele tipo que vemos em ‘Encontros e Desencontros’, ‘Coração Valente’… É isso tudo e mais qualquer coisa que você imaginar visualmente que tenha uma ‘ruma’ de gente. Isso mesmo. Multidão é um conceito quantitativo e visual. Multidão só existe com uma ‘cambada’ junta, naquele momento por motivos comuns. Por exemplo, uma multidão, composta de diversos indivíduos diferentes, se junta para reclamar o preço da entrada do cinema. Um número grande de pessoas juntas em prol de uma idéia, necessariamente tendo contato físico. Deu pra entender? Isso é uma multidão. E você só participa de uma por cada vez. A não seja feito de uma massa que possa estar em dois lugares ao mesmo tempo!

Relacionando ao cinema, pergunto: e multidão vai ao cinema? Vai sim, ora! Ela só não ‘vai’. Ela se ‘forma’ no cinema. Quando estamos assistindo a um filme, vemos vários pessoas na mesma sala vendo o mesmo filme. É um número considerado, certo? Então, forma-se uma multidão. Obviamente, estou falando de uma sessão normal, não numa sessão de 13:30 da tarde para ver o filme da Xuxa que insiste em aperrear nossas cabeças!

Mas nessa mesma sessão que se forma uma multidão, encontra-se também um público. Complicou? Calma, é fácil. Multidão é algo físico e quantitativo, e essa quantidade chega a ter um limite. Duvido que um dia todo mundo do planeta se junte na mesma multidão! Se chover, nada feito. E se não houver liderança, tudo se fragmenta. Logo, o número da multidão é limitado. Já o número do público é ilimitado! Pense num caba quente! Ele é ilimitado pelo fato de que não exige contato físico nem pessoal. Você tem certo interesse e procura aquilo que satisfaça sua curiosidade. Você gosta de cinema, então, vai conferir os últimos lançamentos. Assim como você pode gostar apenas de dramas e fazer parte do público de drama, ou do público de suspense… Você vê isso no filme ‘O Show de Truman’, que inclusive eu já estudei pelo behaviorismo em colunas passadas. Todas aquelas pessoas, que não se conhecem, fazem parte do mesmo público: o público do reality show da vida de Truman.

Logo, conclui-se: você pode fazer parte de vários públicos, mas apenas de uma multidão por vez. Inclusive, uma multidão pode ter vários públicos contidos. Agora, massa e minoria. Será que tem algo com quantidade? Status? Competência? Qualidade? Vamos ver!

Massa e minoria tem a ver com qualidade. São conceitos qualitativos. Diz respeito ao tipo de homem. E na verdade, esse conceito surgiu com a modernidade, fermentado com todo sistema de mídia. Os estudiosos da comunicação e da sociologia dizem que a sociedade é composta por esses dois fatores – massa e minoria – e que eles diferenciam o comportamento do homem. A minoria procura desafios, procura destacar-se. A massa ‘segue com a boiada’. Daí vem a cultura de massa e etc tal. A massa é composta pelo homem-médio, pelo homem-genérico, por homens que não pretendem ser especiais nem atribuem a si algum valor. Não que a pessoa seja medíocre. Ela apenas prefere ficar na dela e seguir com a maioria. Oposto a isso vem a minoria, com homens que não petulantes, mas que são determinados a diferenciar-se. Conseqüentemente, essas pessoas obtém mais conhecimento e posição, como por exemplo, os políticos.

Tem gente que assiste qualquer filme e que engole qualquer coisa que venha de Hollywood. Tem gente que desenvolve senso critico e prefere ver produções mais elaboradas. São os tipos de pessoas que definem a massa e a minoria.

Enfim, e a massa e a minoria vão ao cinema? Vão sim! E formam multidões e formam públicos também. Na verdade, massa e minoria não é algo consciente. Você não escolhe. Você simplesmente passa a ser de acordo com seu comportamento. E nem por isso vai ser melhor ou pior que alguém. Obviamente, a sistema que vivemos hoje torce para que cada vez mais a massa aumente, por que assim, haverá menos critica e maior será a facilidade de persuasão.

Enfim, todo mundo vai ao cinema. Primeiro, como individuo. Depois, podemos sair classificando nos quesitos de grupo social, classe de homem, classe social… Uma infinidade de coisa. Não é nada absoluto. Nem tampouco tudo é relativo. Digamos que seja uma gelatina!

O importante é saber que os conceitos não são tão simples assim. Importante também é desenvolver senso crítico e saber o que está se fazendo e para onde estão nos guiando. Se o filme que você vai ver é bom ou não, quem diz é você. É a sua subjetividade que faz de você uma pessoa melhor, não a marca que você usa ou o cinema que você freqüenta. Acho que na próxima coluna vou falar de rótulos. Mania besta que o povo tem de rotular tudo… Ah, e povo também é conceito complexo! Mas fica para a próxima!

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Behaviorismo

Publicado em: 05-09-2005 @ 2:13 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Existem filmes brilhantes: simples e inteligentes. Acredito que essa seja uma das melhores combinações do cinema. Assim é o ‘Show de Truman’, que mescla a comédia com alguns fundamentos intrigantes da psicologia, como o behaviorismo.

Eu tenho um vício do qual não consigo largar, e de fato, nem quero! Tenho uma mania incontida de aprender coisas novas, mas de preferência, coisas bem novas mesmo, nada que qualquer um tope no meio da rua, mas algo que exige uma pouco de boa vontade e que seja privilégio dos que buscam conhecimento por livre e espontânea vontade.

Além desse vício explícito, tenho a vontade de sempre relacionar com cinema nos intervalos, principalmente para ter algo bom para falar para vocês aqui! Pois bem, essa última semana eu andei me revirando com a psicologia. Mais especificamente, com o termo ‘behaviorismo’.

Alguém aí sabe o que é Behaviorismo? Ou Comportamentalismo’? Ou Teoria Comportamental? Ou Análise Experimental do Comportamento? Ou Análise do Comportamento? Sabe? Sabe? Sabe? Tomara que não, por que senão vou explicar toa! Na verdade, esse bando de nome aí significam a mesma coisa, fazem referência ao mesmo conceito e acabam caindo na palavra que eu citei antes: behaviorismo.

Para quem anda prestando atenção nas legendas dos filmes, ou nas aulas básicas de inglês, ‘behavior’ significa ‘comportamento’ na língua inglesa. Clareou um pouco sobre o que vamos falar? Um pouco, né? Mas nem se anime e ache que é algo simples assim. John Watson estudou muito, e usou vários ratinhos indefesos, para desenvolver esse termo intrigante do mundo da Psicologia.

Watson, cientista americano que criou esse o termo, chegou e disse que o comportamento seria o novo objeto de estudo da Psicologia e que ele deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio. Certos estímulos levam o organismo a dar determinadas respostas e isso ocorre por que os organismos se ajustam aos seus ambientes por meio de equipamentos hereditários e pela formação de hábitos. Resumindo, Watson buscava a capacidade de prever e de controlar. Ambicioso, hein? O Cérebro deve ter se inspirado nele… Incrível como esses ratinhos de laboratórios aprendem até demais!

Mas sim, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do rapaz (respostas) e as ações do ambiente (estímulo). Dá para entender um pouquinho? Calma que começa já a parte prática! Antes vocês tem que conhecer o Skinner, um sucessor do Watson que chegou com uns conceitos bem práticos.

Skinner falou sobre o comportamento respondente ou reflexo, que normalmente chamamos de ‘não-voluntário’ e inclui as respostas que são produzidas por estímulos antecedentes do ambiente. São ações independente de uma aprendizagem.

Ele falou também sobre o comportamento operante, e Keller completou dizendo que esse comportamento ‘inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que tem efeito sobre ou fazem algo ao mundo ao redor em algum momento. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta ou indiretamente.’ A leitura dessa coluna é um exemplo, assim como eu escreve-la também é. E nesse lance operante, existe uma relação fundamental que é aquela entre a ação do indivíduo e as conseqüências, que acabam por retroagir sobre o sujeito, alterando a probabilidade futuro de ocorrência.

Meio louco, se olharmos rapidamente, mas bastante intrigante se olharmos com calma. Afinal, donde vocês acham que saíram todos aqueles livros de auto-ajuda para pais? Tudo isso tem o fim de criar um comportamento desejado no indivíduo. E é bom vocês ficarem sabendo disso para não serem pegos tão facilmente! E olha que eu só estou falando da psicologia e do homem. Imagine quando eu vier falar da comunicação de massa! ‘Sorria, você está sendo manipulado’, opa, ‘filmado’!

Mas sim, e o que isso tem a ver com o cinema? Ora, existe um filme espetacular que lida com isso tudo que eu falei e mais um pouco, de forma cômica, simples e brilhante. É sim. Você certamente conhece. Não é nem um documentário ou um filme europeu ‘cult’ que exige grandes interpretações.
É aquele com o Jim Carrey, ‘Show de Truman – O Show da Vida’.

Vocês já pararam para pensar, além das risadas, no que o diretor Peter Weir estava pensando quando fez aquele filme aparentemente irreal? Ele nem foi tão longe para buscar inspiração. Deixe-me explicar.

Truman é o primeiro bebê televisivo, criado num mundo aparentemente real e perfeito, encenado por atores e controlado por mais de mil câmeras. Nada ali é real. Tudo ali é real. Loucura, hein? Cristof é o grande criadar do BBB megalomaníaco. Cristof. Notaram alguma semelhança com o cara lá de cima? É, o Cristo. Só um ‘f’ de diferença. E não foi toa. Além do próprio nome de Truman. True + Man. Homem verdadeiro. Tudo ‘a la ironia’.

Existiu um rapaz muito inteligente, chamado Sartre, que desenvolveu um pensamento filosófico conhecido como ‘existencialismo’. Sartre dizia que para nós, homens, sermos livres, Deus não poderia existir. Pesado, né? De fato. Mas tem lá seu sentido. Ele pôs no ringue dois termos: existência e essência. Vou dar um exemplo conhecido: a cadeira. O carpinteiro quando vai fazer uma cadeira, já tem a idéia concreta da cadeira na cabeça, certo? Então, ele tem a essência da cadeira. Então, ele constrói a cadeira e lá está ela, pronta pra servir de assento. Então, ela existe. Agora, a bendita cadeira teve chance de escolher entre ser cadeira ou não? De jeito maneira, ela não passou pelo dilema ‘hamletiano’ de ser ou não ser uma cadeira. Ela já era, já tinha sua essência antes mesmo de existir. Logo, Troque os nomes: carpinteiro por Deus e cadeira por homem. Sacou a jogada do Sartre?

Sendo assim, Truman sempre teve sua existência presa essência criada por Cristof. Nenhuma ação sua era espontânea. Tudo era calculado. Para isso, ele cresceu cautelosamente sendo educado por reforços positivos e negativos, por reflexos condicionados.

Ele morava numa ilha. Logo, não seria tão fácil ele simplesmente ir embora. Mas e quando ele começasse a perguntar? E se ele quisesse simplesmente pegar um barco e explorar o mar? Até por que o pequeno Truman era bastante curioso. Curiosidade fazia parte da sua subjetividade. Então, o que eles fizeram? Mataram o pai de Truman afogado para o coitado ficar traumatizado e não querer chegar perto de água tão cedo!

Acontece que a mente humana não é tão simples assim. Controlar alguém não é tão possível assim, mesmo com a ajuda de todo uma equipe gigantesca. Tem algo que ninguém consegue controlar. E espero eu que não consigam nunca! Truman era cercado por câmeras, mas esqueceram de por uma câmera no seu subconsciente, na sua subjetividade.

Assim, ele, por mais manipulado que fosse, sempre teria seus desejos mais íntimos, suas vontades mais primitivas. Isso foi representando pelo amor primeira vista que ele teve por Sylvia. No primeiro ato espontâneo que ele quis ter, o ato de apaixonar-se, o elenco cuidou de tirar aquela ameaça de perto dele e consertar a ‘cabeça’ de rapaz.

Mas, já falei e repito, enquanto você não esquecer sua subjetividade, sua identidade única e especial, você não vai acabar um Truman da vida. Alias, nem ele acabou assim. Ele foi atrás do que deixava-o inquieto e descobriu toda a verdade, e, muito educadamente, pulou fora daquele mundo falso e ilusoriamente seguro.

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Violência

Publicado em: 05-09-2005 @ 2:08 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Duvido que alguém aí venha dizer que gosta de violência. Se tiver, deve ser uma minoria, torço! Mas há controvérsias, e ela vem do fato de que os filmes que contém cenas de violência conseguem arrebanhar um número considerado de fãs. Em um século de guerras e clamores pela paz, de coisas tão contraditórias, será que o cinema pode espelhar a atitude das pessoas em relação a isso?

Vivendo num mundo cada vez mais capitalista, pelo menos uma coisa eu aprendi: se tá vendendo é por que o consumidor quer. Logo, uma coisa qualquer que não caia no gosto, ou melhor, no bolso do povo, não vai ser produzido com tanta velocidade quanto algo que esteja na crista da onda. Correto?

Então, se existem filmes com cenas violentas – e alguns só com cenas violentas, é por que tem um público para isso. Eu só me pergunto que graça tem ver gente morrendo na telona. Já vimos tanto isso no jornal de todo dia, ora…

Houve uma época que eu só ouvia falar de filmes sangrentos. Ultimamente, existe uma variedade maior. Graças aos bons roteiristas! E esses daí estão em extinção… Os únicos filmes ‘sangrentos’ que eu me atrevo a falar que gostei foi ‘Kill Bill’ e ‘Pulp Fiction’, que nem é apenas pancadaria e jorros de sangue. Mas, venhamos e convenhamos, ambos são crias do queridinho Tarantino. Sou suspeita a falar. Só não venha tentar me convencer que ‘Duro de Matar’, ‘Duro de Matar 2’, ‘Mais Duro de Matar Ainda’ e toda aquela companhia que parece nunca ter fim são boas películas.

Se filmes de ação e violência extrema são produzidos é por que o povo é ávido para ver isso. Agora, não generalize. Não estou dizendo que violência nas telonas é coisa deplorável. Calma aí. Estou dizendo que o modo como ela é mostrada, banalizada e sem razão aparente, é algo extremamente dispensável. Já basta as guerras do Iraque, os abusos da polícia, os tiroteios nas favelas e em toda esquina desse país.

A violência, dependendo de como venha a ser trabalhada, pode ter um objetivo decente. Se mostrada como algo real afim de causar conscientização, ta valendo. Basta ver ‘Carandiru’, ‘Amarelo-Manga’, ‘Cidade de Deus’. Também não vamos ser tão ditadores: um pouco de adrenalina pode ser bom. Mas só um pouco, quando é feita com disputas de carros ou fugas inusitadas. Nem vou falar dos filmes de horror. Tenha dó. E os filmes suspense, os filmes realmente bons desse gênero, não precisam mostrar a anatomia do corpo humano a cada cinco minutos para causar suspense. Vá assistir ‘Silêncio dos Inocentes’ para entender do que eu estou falando. Um clássico!

Mas é isso. Vamos cobrar bons temas no nosso cinema de cada dia. Afinal, o cinema é uma arte, não um purgatório apelativo.

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Multidão ou Público?

Publicado em: 22-08-2005 @ 1:39 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Uma multidão vai ao cinema. Um público vai ao cinema. Afinal de contas, quem é que vai ao cinema: o público ou a multidão? Ou será que os dois dizem respeito s mesmas pessoas? Lendo sobre isso esses dias foi que me inspirei para escrever a coluna de hoje, até por quê, a diferença entre os dois é bem interessante!

De hoje em diante, eu sou uma pessoa mais culta! Sim, sim, sim. Adoro quando aprendo algo novo, principalmente quando é algo que aparentava ser tão elementar e acaba se tornando algo super interessante e complexo. Melhor ainda, só quando consigo relacionar a cinema e fazer mais uma coluna!

Resolvi falar sobre a linha tênue - ou não tão tênue - que há entre público e multidão. Na verdade, a distinção entre esses dois grupos sociais só se fez valer quando houve a invenção da imprensa na idade moderna. Não foi algo tão visceral nossa sociedade, e se não fossem certos acontecimentos, talvez nem existisse tamanha diferença. Como exemplo primordial temos o surgimento da imprensa, como já falei. Tal advento ‘fez surgir uma espécie de público bem diferente, que não cessa de crescer e cuja expansão indefinida é um dos traços mais marcantes de nossa época’, como já dizia Gabriel Tarde.

Mas vamos por partes. Primeiro vamos conceituar ‘multidão’. Digamos que multidão seja um feixe de contatos psíquicos essencialmente produzidos por contatos físicos. Primitivo, não? Acho que o estado de multidão é grosso e principiante. À medida que se vão construindo relações pessoais ou medida que os indivíduos se afastam, dispersa-se a multidão.

Aí o público começa a ter mais graça! Vamos pôr em prática as idéias. Você, que está lendo minha coluna agora, assim como algumas pessoas mais, estão dispersos num vasto território. Entretanto, mesmo fisicamente distante, existe um vínculo entre vocês. Esse vínculo é a simultaneidade e a consciência que cada um de vocês possui e partilham no mesmo momento. Por incrível que pareça, basta o homem saber disso para ser influenciado. Isso começou a ser observado com os jornais, e se você parar e pensar um pouco mais, podemos aproveitar algumas idéias e adaptar para o cinema.

Em uma coluna passada, falei que Thomas Edison havia tido a idéia de exibir pequenas películas em salas escuras para uma pessoa por cada vez, cobrando um valor mínimo por sessão. Felizmente, os irmãos Lumière foram mais interessantes e transformaram essa idéia na forma de cinema que conhecemos hoje: uma sala escura com uma grande tela, onde várias pessoas se encontram para assistir a um filme. Não há sombra de dúvida de que a segunda opção é bem mais interessante! Que graça tem assistir a um filme sozinho? Muito melhor ter amigos ao lado, rir junto, chorar junto, tomar susto juntos… Mais emocionante, não? Além de que existe aquela curiosidade, mesmo que mínima, de se saber o que o outro pensa e sente durante as cenas. Um explosão de pensamentos, idéias e sensações, tudo ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Aparece aí a curiosidade e a influência. A curiosidade de saber do próximo e a influência que esse conjunto de pessoas exerce, quando queremos estar por dentro dos juízos e, se possível, semelhante.

Quando se sofre esse contágio invisível do público que se faz parte, a explicação provém do simples prestígio da ‘atualidade’. Essa sensação de atualidade é tão louca e apaixonante, que se transforma em algo crescente e se torna uma das características mais nítidas da vida civilizada. Agora, a parte intrigante: você sabe o que é ‘atualidade’?

‘Atualidade’ é tudo que inspira atualmente um interesse geral, mesmo que se trate de um fato antigo. Repararam? Atualidade não implica em tempo, mas sim no interesse do momento. Não é atualidade o que é recente, mas negligenciado atualmente pela opinião pública – outro conceito bastante polêmico. Enfim, a paixão pela atualidade progride com a sociabilidade. Sem contatos ou informações comuns, não haveria essa paixão em se saber do que é interesse de muitos.

Vamos para a prática de novo. Um filme badalado no mundo todo é tão empolgante quanto um filme divulgado em apenas certos lugares? Creio que não, certo? Aquela euforia toda das estréias mundiais não são apenas fanáticas. Mesmo quem não gosta de Star Wars ou Harry Potter presta mesmo que o mínimo de atenção na movimentação dos cinemas, nos números de bilheteria, nas fantasias mirabolantes. É atualidade. Todos querem ver os filmes concorrentes ao Oscar, para juntos, poderem formar opinião e participar daquele público.

Começaram a perceber a diferença entre público e multidão? Multidão é algo mais enérgico, rápido e passageiro, com contatos físicos e características repetidas. O público não exige relações pessoais, pelo contrário! Ele requer uma evolução mental, um interesse comum em determinado assunto, o contágio sem contato. Você não tem contato físico com o desconhecido que senta do seu lado numa sessão de cinema. Se tem contato físico, o máximo é o toque de cotovelos! Mas mesmo assim, vocês participam de um mesmo público.

Multidões sempre existiram. Públicos, não. Ele só começou a aparecer mesmo com o desenvolvimento da imprensa, e se destacou de vez no reinado do tal de Luis XIV. E naquela época haviam tantas multidões como hoje, como as das torcidas do Leão ou do Vovô.

Outra coisa legal sobre o público: você pode participar de vários públicos ao mesmo tempo, ao passo de que só pode participar de uma multidão por vez. A não ser que você seja um protótipo de super-homem e esteja em vários lugares ao mesmo tempo, com energias renováveis a cada segundo. Outro fato: o público não se submete aos caprichos do meio físico. Já a multidão se fragmenta na primeira chuva grande que cair, ou quando o líder calar-se.

Sendo assim, prefiro ter um público menor que uma multidão dentro de uma sala de exibição. É mais seguro e mais proveitoso. Mais rico de idéias. Fora que ninguém corre o risco grande de levar banho de refrigerante ou chuva de pipocas… A não ser que você esteja numa sessão infantil!

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Cinema Verde-Amarelo

Publicado em: 15-08-2005 @ 12:16 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Ultimamente tenho assistido a vários filmes nacionais, inclusive alguns que já havia tido o prazer de ver. Foi então que fiquei intrigada, sem entender, como ainda há pessoas que gritam que o cinema nacional ‘não presta’ e que Hollywood tem brilho melhor nos holofotes do que nosso sol e cultura brasileira.

Talvez pela divulgação menor que a dos outros. Talvez pela mania que temos de só valorizar o que vem de fora. Talvez por que alguns não gostem mesmo. Talvez por que talvez… O motivo pelo qual venho bater o pé no chão aqui, ou melhor, a mão do teclado, é pela pouca valorização popular do nosso cinema brasileiro. Evidentemente, haverá filmes que não cairão no gosto, mas aí, a criatura não vai gostar por causa do roteiro, ou do personagem, ou do que quer que seja! Mas não dirá: não gostei por que é filme nacional, só podia ser nacional mesmo! Não sei se você nota, mas há uma grande diferença.

Para esses cegos que não enxergam riqueza na própria casa, tentarei pôr uma lente de aumento em alguns bons trabalhos que temos. ‘O Auto da Compadecida’. Adaptação de Guel Arraes da obra de Ariano Suassuana, que conta com as interpretações por demais convincentes de atores espetaculares, como Matheus Nachtergaele, Selton Melo, Denise Fraga, Marco Nanini, Diogo Vilela, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Rogério Cardoso… Quer mais? Só vendo o elenco já se pode notar que é coisa boa, viu? Mas não chega perto da maravilha que é o filme. Personagens comuns do sertão nordestino com um toque original ‘a la Suassuna’. Um humor incontido e reviravoltas intrigantes. Absolutamente, um dos melhores filmes nacionais que já vi.

Outro que segue a linha de comédia no sertão, sem esquecer a rica cultura do lugar, é ‘Lisbela e o Prisioneiro’, que repete a figurinha de Selton Melo, que agora faz par romântico com Débora Falabela. Coincidentemente, outro filme de Guel Arraes. Aliás, Guel fez alguns dos nacionais mais conhecidos. Além desses dois, ‘Meu Tio Matou Um Cara’e ‘Os Normais – o Filme’. Sendo uns como produtor, outros como diretor.

Outro filme engraçadíssimo que versa sobre o sertão Severino, tão nordestino, é ‘Eu Tu Eles’, de Andrucha Waddington. E o ‘Eles’ conta com Regina Case, Lima Duarte e Stênio Garcia. Precisa dizer mais alguma coisa? Duvido um americano mostrar sua cultura e história, s vezes tão sofrida, por um ângulo de risadas gostosas e tão característico culturalmente!

Mas também não pense que brasileiro só sabe rir. Ou que só é bom por que faz sorrir na hora de chorar. Não, não. Algumas vezes, é mostrado a verdade nua e crua. A diferença é que aqui não vale quanto sangue é derramado ou quantos efeitos a produção conseguiu fazer. O que vale é a sensibilidade e a verdade, sem muito dengo ou muita ‘melosidade’. Confira então ‘Abril Despedaçado’, do popular Walter Salles. Aí, Rodrigo Santoro, Wagner Moura e José Dumont brigam pela honra da terra e da família, com cenas de fortes emoções ao que diz respeito vida, juventude, família e desafios.

E falando em filme forte, não podia passar sem citar ‘Cidade de Deus’, dirigido por Fernando Meirelles, e produzido por Walter Salles, e que conta com as interpretações de Matheus Nachtergaele, que para mim está no topo dos melhores atores brasileiros da sua geração. ‘Carandiru’, de Hector Babenco, também merece seus méritos, mostrando para quem quer ver a realidade crua do maior presídio da América Latina, que conta com Lázaro Ramos e Rodrigo Santoro no elenco.

E nessa linha de realidade ‘nua e crua’, com toques característicos da cultura e do nosso cotidiano, entra na jogada o ‘Amarelo Manga’, de Cláudio Assis. Histórias nervosas que se cruzam, num desenrolar louco, com as encenações de Matheus Nachtergaele (só mais uma vez!), Jonas Bloch, Dirá Paes, Chico Diaz e Leona Cavalli.

Agora, temos também aqueles que não fogem da realidade ‘nua e crua’, mas que dão uma lapida mais amena e emocional, como ‘Central do Brasil’, que concorreu ao Oscar de melhor atriz e melhor filme estrangeiro, com a direção de Walter Salles. Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Vinícius de Oliveira, Othon Bastos, Matheus Nachtergaele embarcam na trajetória emocionante de busca do pai e descoberta de um grande companheirismo e lições de vida.

E para não dizer que não fazemos biografias, vem ‘Olga’. Filme dirigido por Jaime Monjardim, que conta a história de vida de Olga Benário Prestes, de um ponto de vista diferente. O diretor põe Olga como mulher, esposa e mãe. Quem esperava ver a idéia já batida sobre a II Guerra Mundial, dançou. E mesmo quem ‘dançou’, duvido que não tenha se emocionado ao mínimo com as atitudes, e também fraquezas, que Olga teve.
Camila Morgado e Caco Ciocler fazem dupla nesse drama, acompanhados de Fernanda Montenegro.

Na lista dos ‘na medida do possível’ conhecidos, ainda temos ‘Bicho de Sete Cabeças’, com Rodrigo Santoro, e ‘A Dona da História’, com Marieta Severo, Antônio Fagundes e, também, Rodrigo Santoro e Débora Falabela.

Na lista dos que não entram no circuito tão popular, mas que merecem palmas do mesmo jeito, estão ‘Bens Confiscados’, de Carlos Reichenbach, que não tem nada de sertão ou vida Severina. Tem sim, visões urbanas e dramas pouco explorados pelos filmes já citados. Betty Faria, Marina Person e Werner Schünemann estrelam o longa.

Ainda temos o documentário ‘A Pessoa É Para O Que Nasce’, de Roberto Berliner, que mostra o cotidiano das ceguinhas de Campina Grande, Maroca, Indaiá e Poroca, como preferem ser chamadas. Além do longa de Sérgio Bianchi, ‘Quanto Vale ou É Por Quilo?’, que faz um paralelo bastante interessante do tempo do Brasil-colônia aos tempos de hoje, mostrando que pouca coisa mudou.

Enfim, não termino nunca se for comentar todos os grandes filmes nacionais que temos em nosso leque de opções. E que bom que não é fácil de terminar! A variedade é grande. O que falta é boa vontade para se ver. Somos tão aclamados lá fora, tendo até em Miami um festival só para filmes brasileiros! E aqui, poucos os que se interessam. Isso é uma vergonha, já dizia Boris Casoi. Não vamos desmerecer o cinema estrangeiro, mas, pelo menos, vamos dar o devido merecimento nossa película verde-amarela!

Por que as Pessoas vão ao Cinema?

Publicado em: 08-08-2005 @ 12:15 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Não adiantaria haver música, se não houvesse pessoas para escutá-la . Não adiantaria existir quadros maravilhosos, se não houvesse pessoas para apreciá-los. Não adiantaria ter maravilhas no mundo, se não houvesse pessoas para desfrutá-las. Ficariam ali, ao relento. Então, não adiantaria existir o cinema, se não houvesse pessoas para vê-lo. Logo, pergunto: por que as pessoas vão ao cinema?

Tenho algumas perguntas a fazer. Acabei me colocando como psicóloga do rolo de filme, das pipocas, da telona, das poltronas. E tomando o lado deles, pergunto: por que as pessoas vão ao cinema?

Responda rápido. Já! E aí? Lazer? Diversão? Passatempo? Ouvi quase de tudo já. Mas como não posso falar pelos outros, falarei por mim. Acho que já basta. E pro azar de vocês, eu tenho uma boca só, mas dez dedos datilógrafos!

Me fiz essa filosófica pergunta semanas atrás. Ou melhor, me fizeram essa pergunta no meio de um clima de hermética, e consegui chegar a algumas conclusões. Acredito que as pessoas vão ao cinema por lazer, sim. Mas não só isso. Acredito que muitas pessoas buscam o cinema como uma fuga. Ou, apenas buscam no cinema uma identificação.

Simples. Por que os homens gostam tanto do 007? Coisa de homem? Não. Pode até ser, mas isso é muito genérico e estúpido. Prefiro pensar que os homens gostam dos filmes do 007 por que ali eles podem transpor sua vida medíocre nas grande aventuras que o galã traça, nas sensuais mulheres que ele tem ao lado, nas chiquérrimas roupas que ele está sempre vestindo. Os homens, e também as mulheres, buscam projeções. Não só a projeção das imagens na telona, mas também a projeção de suas vidas tediosas no glamour e na imortalidade do cinema.

Quem é que gosta de sofrer duas horas do drama de outra pessoa que nem sequer se conhece? Ora, melhor sofrer com esse drama do que pelo seu próprio, que não tem galã romântico para consolar nem finais felizes previsíveis. Se a história tiver ruim, dá pause, passa pra frente, desliga. Se tiver boa, volta e volta de novo para curtir o momento mágico. Bem que poderiam inventar o controle remoto das nossas vidas, hein?

Tudo isso acaba sendo um tipo de fuga, certo? Compre o ingresso e o transforme na sua passagem para o paraíso por algumas horas. Será? Não vou generalizar. Até por que isso reduziria o cinema, e ele é bem complexo para ser reduzido assim.

Vamos mudar as palavras então. Afinal, nem todo mundo reclama da vida. Deve haver alguém feliz e satisfeito com o que tem… Vamos mudar ‘fuga’ para outro termo. Quem sabe o cinema não seja sempre uma fuga, mas possa ser um encontro.

Por que um filme tal emociona Fulano e não faz cócegas em Sicrano? Simples, são casos de identificação. Baseado na experiência de vida de cada um, na visão de mundo de cada pessoa, o filme terá um impacto diferente, personalizado. Pensando bem, quem faz o filme não são os atores, nem o diretor. Somos nós, expectadores. Participamos da sua história. Enfim, a película está finalizada, mas as expectativas são eternas. E essas expectativas divergem muito. A graça esta aí. Se não divergissem, o Oscar ia ser mais chato do que já é!

Por que eu vou ao cinema. Aliás, por que eu vou a cinema? Eu vou em busca de sensações. De identificação, também. De associações. De cumplicidade. De semelhança. Tudo tão igual, tudo tão diferente. O cinema não é nada mais que nossas vidas interpretadas de um jeito artístico, que acaba se tornando distante. Mas os roteiros são nosso cotidiano. Os atores somos nós mesmos. E o diretor, nossa intuição ou consciência.

Não consigo mais assistir filmes apenas sentando em frente a tela. Eu sento e penso: “Vai, me convence”. Mas não sou otária nem agressiva. Apenas me deixo levar, me mostro, me exponho, e o cosmos e as luzes guiam o resto. Um filme que não me emociona, não é bom. Um filme que não me adiciona algo, não é bom. Um filme que simplesmente passa em raios de luz por mim, nem devia ter saído do script.

É por isso que vou ao cinema. E você?

Cinema Wonka

Publicado em: 02-08-2005 @ 12:13 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Reinventar um clássico nunca foi fácil. A expectativa é grande e, mesmo sendo remake, é sempre algo velho. Mas ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ conseguiu me fazer morder a língua e admitir: nem todos os remakes de Hollywood são tão ruins assim. Tim Burton não poderia ter escolhido ator melhor que Johnny Deep para encarnar o enigmático Willy Wonka e trazer de volta os chocolates fabulosos.

Quem nunca ouviu falar da enorme fábrica de chocolate do senhor Wonka? Sim, aquele carinha de chapéu engraçado e criatividade descontrolada. Certamente, a maioria assistiu ao clássico de 1971, ‘Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate’, com Gene Wilder como protagonista. Assistiu sim, nem que fosse na Sessão da Tarde da Globo!

Eu andava frustrada com os remakes nos cinemas, mas depois que vi ‘A Fantástica Fábrica’, criei esperanças. Tim Burton conseguiu recriar o clássico, sem perder a essência mágica da história e re-espantando os telespectadores. E ainda deu o seu toque de diretor. Eu gostei. Me tele-transportei para a telona e quase sinto o gosto do chocolate Wonka na minha boca. E ah, quem foi que não saiu dali pensando em chocolate, hein? Minhas amigas compraram até antes de entrar na sala!

O filme é fantástico. Todas aquelas cores, aquelas interpretações, aquelas músicas e coreografias dos Oompa Loompas… Mas não é algo que diria ser feito para crianças. Há um humor negro e sarcástico nas entrelinhas - que eu adoro. Fora que ouvi algumas pessoas dizendo que ficaram com medo após o filme. Eu, particularmente, ia adorar cair naquele mundo dual!

Mas, melhor que essa magia e todos aqueles chocolates irreais, só o Johnny Deep. Como sempre, sensacional. Adoro esse cara! Ele conseguiu encarnar a loucura do Wonka. As caras e bocas que ele faz paga a entrada. Vai ver foi essa dedicação dele que causou medo nas pessoas. Eu fiquei apaixonada. É, brega, tá… Mas eu adoro Johnny Deep. Versatilidade maravilhosa. E se ele conseguiu causar esse impacto, é um bom sinal de sua boa perfomance.

E aqueles Oompa Loompas de mil utilidades? Eu queria achar uns para me ajudar a cuidar da casa. Queria também um esquilo, mas não queria cair no lixo como a Violet caiu.

Fiquei com várias pulgas atrás da orelha. Por exemplo, quem foi o figurinista daquele filme? As roupas do Wonka estão super fashion, não? E aquelas roupinhas combinadas entre mãe e filha atléticas… Quero uma igual para ir malhar! Fico me perguntando também se o tal do Augustus Gloop não teve problemas com espinhas ou enjôos depois de tantos chocolates… Afinal, duvido que ele tenha acertado todas as cenas de primeiro - ainda mais com aquele sotaque hilário, e não me espantaria se ele tiver errado de propósito alguma vez só para comer mais chocolates Wonka! Outra dúvida que está me matando: onde encontro aqueles óculos?! Eu quero aqueles óculos do Willy! Tanto o primeiro, quando aquele da sala de televisão. Muito estilosos!

Enfim, não é toa que chama de fantástica fábrica, certo? Aconselho a vocês assistirem. Carreguem-se de chocolates e de imaginação, e conheçam a fabulosa fábrica de Willy Wonka.

Olhar da Ficção

Publicado em: 25-07-2005 @ 12:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

A partir da ficção, conseguimos extrair a maioria dos gêneros do cinema. E quem disse que ela é aquela viagem científica está precisando atualizar-se. A ficção abre as portas para a fantasia, exatamente como Meliès fez com seus filmes, e nos deixou de herança o molde da maioria dos filmes que conhecemos hoje.

Dramas. Emoções. Identificação. Quem nunca assistiu a um filme e sentiu isso? Sempre escuto alguém aqui e acolá dizendo que o filme tal influenciou naquilo, foi igual quilo ou fez alguém estampar reações. Eu vivo tendo isso. E certamente, esse é um dos grandes motivos do meu gosto pelo cinema. Odeio filmes que não mexem comigo. E por isso agradeço ao Meliès por ter expandido os horizontes da telona.

Meliès foi o primeiro cineasta da ficção que inaugurou uma linhagem de autores, entre eles, Orson Welles, e até Ed Wood, o pior diretor dos últimos tempos, mas que rendeu um filme bem interessante sobre sua trajetória trágica com a câmera na mão, sob a direção de Tim Burton. Enfim, sobre esses diretores, o que interessa é o que eles tem em comum: a idéia de que o cinema pode questionar as imagens e sua verdade. Sim, o que é passa a não ser, depois volta a ser verdade, a fantasia se mescla com a realidade e chegamos ao delírio.

Não acredito que a ficção seja uma mentira. Não… Se há identificação, é por que algo parecido aconteceu com alguém. Logo, provavelmente aconteceu com outros e assim vai. A ficção é uma sugestão. Expressão, desabafo, tentativa do autor. E essa é a magia do cinema.

Só o que tem são filmes que conseguem arrancar risadas, choros, suspiros e o que mais puder. ‘Closer’ é meu favorito. ‘Melinda e Melinda’ também é outro, simples e real. ‘Modigliani’. Impressionante como certas biografias nos instigam! ‘Encontros e Desencontros’, ‘Simplesmente Amor’… São inúmeros os filmes que já vi que me adicionaram algo bom, ou me fizeram questionar algo mais. Aposto que você também tem os seus. E até aqueles filmes de serial killers, de ficção científica, ação e etc tal podem nos tocar assim também. Você pode sair do cinema querendo ser um detetive, ou o próprio serial killer! Você pode imaginar o mundo super cibernético ou cheio de pílulas azuis e vermelhas, como no ‘Matrix’… Melhor ainda se fosse cheio de Keanus ou Trinitys! Quem sabe você sai da sala com uns golpes novos, uma dançinha caliente de ‘Dirty Dancing’ ou aquela da Uma Turman e do John Travolta em ‘Pulp Fiction’. Você pode adentrar pela tela e pegar emprestado essas sensações que poderiam ser difíceis de sentir na real realidade de cada dia. Por que não? Faça do ingresso seu passaporte para um mundo novo!

E para tantos tipos diferentes de pessoas, é necessário existir vários tipos de histórias. Tem aquelas pessoas que vivem intensamente, aquelas que apenas existem, aquelas que sobrevivem… Tem aqueles filmes que são super intensos, aqueles que só passam o tempo, aqueles que nem deviam sair do papel… Pior que desse último tipo existem muitos!

O mais interessante de tudo é que a ficção, partindo apenas da fantasia, engloba isso tudo. A tela do cinema é grande, mas se torna mínima diante da extensão de coisas que os raios de luzes projetados podem alcançar.

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