Clube dos Ciclos

Publicado em: 07-04-2008 @ 4:10 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Quem ouviu os RapaduraCasts sobre “Lições para a Vida” e “Influências” vai se sentir bem íntimo com o tema dessa semana. Quem sabe, eu devesse até evitar falar novamente sobre o assunto, mas acho relevante e sempre existe a possibilidade de apresentar um ponto de vista diferente. Sendo assim, o comportamento e o consumo são a dupla dinâmica dessa semana.

Depois do podcast rapadureano sobre lições para a vida, resgatei meu DVD do “Clube da Luta” e fui revê-lo depois de muito tempo. “Caceta!”. Tinha esquecido, realmente, como esse filme é espetacular. E para alguém apaixonada por Marketing, por comportamento e por reflexões, ele vira um prato cheio. Ele dá pano para inúmeras análises. Lembrei de colocá-lo no “Top of Mind” da minha memória, ao lado de “Obrigado Por Fumar”. Quem não viu, veja. Vale a pena demais. Pelo menos para ver o Brad Pitt mais querido (eufemismo) do que nunca e o Edward Norton, mais uma vez, provando que sabe o que faz. (Para ler ouvindo “Where´s My Mind”, do Pixies).

Começando de vez a coluna e deixando de enrolar vocês, devo dizer que “Clube da Luta” pega pelo “colarinho” logo no começo. (E aqui, vou pegar apenas uma das análises que ele permite acontecer.) Sutil e objetivo, o roteiro traz falas que resumem, quase fotografam, o que vivemos hoje. “Antes tínhamos a pornografia, agora temos os catálogos de lojas”. “Que tipo de porcelana me define como pessoa?”. Essas duas frases fizeram meus olhinhos brilhar. Consumo. Vivemos intensamente a “vibe” do consumo mais do que nunca, principalmente porque agora vivemos intrinsecamente o consumismo – sim, é diferente. Precisamos comprar, consumir algo, para nos sentirmos bem. Completos. Até, feliz. Por isso é comum ouvirmos “Ai, eu PRECISO daquela jaqueta”. Precisa? E existe felicidade?

Consumimos idéias, consumimos serviços, consumimos produtos e, agora, consumimos informações. E tudo isso é previsto e analisado pelo “povo” das “comunicações”.

Comportamento do Consumidor. Quem estuda Publicidade e Propaganda deve ter um espaço para estudar isso. E quem não estuda vira “cobaia” disso. E essa parte da faculdade é espetacular. Boa ou ruim, não vou julgar isso. Vou deixar a hipocrisia e o Fidel fora dessa. Quero apenas comentar alguns fatos…

Pois bem. O “Comportamento”. Estudar o comportamento do consumidor nada mais é que analisá-lo e imaginar o que ele fará logo depois. Como ele vai reagir. O que ele vai querer em seguida. Que necessidade ele vai ter, ou mais, que necessidade iremos criar para ele e que consumo irá satisfazê-lo. Sim, é tudo premeditado. “Guilty!” As grandes multinacionais não gastam tubos de dinheiro em comunicação para nada: eles querem lucro. E você também iria querer. “Welcome to the jungle, baby”, já diria os Guns´n´Roses. É o capitalismo.

O personagem de Edward Norton, o narrador, pode ser visto como a personificação disso. Ele está tão inserido nesse contexto que nem nome ele tem. Como Marla Singer diz: “Qual é o seu nome, afinal?”. Porem, a “válvula de escape” dele tem: Tyler Durden. Radical e descolado, Sr. Durden vem e quebra com a apatia do consumo compulsivo e “cortar o mal pela raiz”. (E não só isso, mas também).

Minha pergunta, saindo do filme, é: será que iríamos mesmo topar explodir as empresas de cartões de crédito? Afinal de contas, podemos ser levados e influenciados a fazer algo, mas não somos obrigados. No final das contas, gostamos de consumir, sim, e não aprovaríamos voltar ao tempo da pedra. Para começar, se não fosse esse ciclo de consumo e movimentação de dinheiro, não existiria um filme como “Clube da Luta”. Primeiro, porque não iria rolar pagar o cachê do pessoal e manter um estúdio para tal. Segundo, não teríamos material para tanto, já que a realidade seria outra.

É tudo cíclico. Che Guevara, aquele rapaz barbudo que ficou famoso como ícone do Socialismo. Sabe? Pois é, o capitalismo movimenta muitas verdinhas vendendo camisas com a fotos, boinas e broches. Simpático, hein? Rola até a piada de que, assim como o Elvis, Guevara não morreu e só se escondeu nos matos e abriu uma serigrafia. E os sabonetes do filme me soam até engraçados, pensando assim. Consumimos uma estética-padrão e, para isso, lipoaspirações são feitas. E do “lixo” dessas lipoaspirações – caríssimas, sabonetes maravilhosos são feitos e vendidos de volta para as “dondocas” desenhadas. Nada é desperdiçado. Tudo é ciclicamente reciclado. E o engraçado é criticarmos o consumo na Internet, segmento que cresce cada vez mais e assume papel de mídia do futuro. Aquela mesma mídia que “sustenta” o sistema. Ai, Clube das Contradições, talvez. Ou Clube dos Ciclos. Escolha o seu e nunca, nunca comente sobre ele com os outros.

O Passado Hoje

Publicado em: 31-03-2008 @ 2:08 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Então, tentativa n.101 de se escrever uma coluna. Penso, penso… Jogo as idéias para o futuro e não fisgo nada. Rebolo as caixas do presente, mas não ouvi nenhum click. E aí? Bem, me resta o passado. E na mesma hora que trago o passado para a mesa, mil clicks estalam e algumas memórias fílmicas aparecem para compor as linhas de hoje.

Ultimamente, andei me apegando a certas idéias ditas por pessoas do meu convívio ou personagens das historias que vejo. Idéias como “desapego ao passado”, “desespero silencioso” e “enjôo emocional” andaram recorrentes nas últimas semanas. Até eu me espantei com as descobertas que fiz, e em todas elas, o passado era o protagonista.

Paro para pensar um pouco, com a ajuda de um passarinho azul, e me recordo de personagens que desenrolaram histórias com o “Passado”. A primeira que me veio à mente nem é exatamente de um filme, mas de um seriado. Susan Mayer, de “Desperate Housewives”, personagem da atriz Teri Hatcher, vive uma série de dramas pessoais, porque não consegue se desvencilhar do ex-marido, o passado, que vive interferindo no seu presente e bagunçando as possibilidades de futuro feliz.

Partindo do mesmo princípio da Susan, mas com personalidades e situações diferentes, lembrei de Hermila Guedes, que interpretou a Hermila, em “O Céu de Suely”. Ela começa presa por uma relação do passado, ansiando para que isso continuasse fazendo parte do seu presente, mas o destino não quis assim. Então, Hermila se desapega do fato do passado, engolindo o sofrimento e encarando a situação. Mas, apesar de ter conseguido tomar uma atitude prática, esse ponto do passado dela ainda vai ser relembrado.

São duas formas sofridas de viver o passado no presente. Ansiedade, angústia, tristeza. Costumo me referir aos medos do passado como “fantasmas”. E foi lembrando de “Casablanca” que identifiquei melhor isso. Nenhum dos personagens fala isso, mas o modo como Ricky, personagem de Humphrey Bogart, reage ao encontrar Ilsa, encarnada por Ingrid Bergman, me fez ouvir um click mais alto, dizendo “fantasma!”.

Ricky parecia completamente atormentado pelo passado com Ilsa, e o ar displicente dele tentava disfarçar isso. Ou, por outro lado, justificava o tormento. É dele um dos diálogos que mais me agradam no cinema, quando em uma conversa no bar, ele responde “faz tanto tempo que não me lembro”, quando perguntam sobre o que tinha feito na noite anterior. E quando perguntado sobre o que fará na noite seguinte, ele retruca: “Não faço planos com antecedência”. Aquele que ignora o ontem, releva o agora e aparenta expectativa pelo amanhã. Toda essa relação sentimental com o tempo é capaz de te pôr para pensar… E digo sentimental, porque friso principalmente as relações pessoais.

No seriado “Sex and the City”, em determinado episódio, as personagens discutem quanto tempo leva para curar uma dor de cotovelo. E essa pergunta me foi feita semana passada também. Afinal, tem como medir? Quanto tempo do futuro leva para esquecer algo do passado? Há quem diga nunca. Há quem diga que depende da intensidade da relação. Há quem diga, metodicamente, que leva metade do tempo que a relação toda durou. Eu acho que só o tempo vai dizer. Literalmente.

E pensando em (Hector) Babenco, fiquei remoendo isso, já que no seu último filme, “O Passado”, o personagem de Gael Garcia Bernal passa por um redemoinho de relações atormentadas por passados e presentes e futuros. Bem, foi o que eu entendi, na verdade, porque ainda não vi o filme. Certamente ele vai me dar o que pensar. Talvez, pontos com os quais vou me identificar. Ou, no mínimo, vou ficar com a música do Cazuza passando de background na cabeça: “eu vejo o futuro repetindo o passado, eu vejo um museu de grandes novidades, o tempo não pára”. Dizem para a gente aprender com o passado. Subtendo, então, que devemos superar e entender o que nos aconteceu, para evitarmos dor de cabeça no futuro. Seria ótimo se funcionasse assim, bem certinho na prática, hein?

No final das contas, o passado não pode ser deletado, como “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” insinuou. Ele pode ser superado, jogado de lado, colocado na prateleira menos importante da estante, mas ele faz parte da gente. Somos hoje o que fizemos no passado, enfim. Melhor ou pior, não interessa, mas um reflexo das águas que já passaram. Logo, logo, essa coluna, por exemplo, vira passado. Ou já virou? O tempo não pára.

Desconstruindo uma Suspiro

Publicado em: 24-03-2008 @ 1:34 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Dizem que assumir a idade é algo que assusta a mulher. Dizem também que encarar os medos é sinal de maturidade. Dizem que 100 colunas é muito. Dizem muito, enfim. O negócio é que aqui estou eu, sem (muito) medo de admitir as 100 colunas, rir dos próprios erros escritos e das fotos bizarras, e lembrar os desabafos subliminares. No final das “colunas”, é tudo diversão.

Maíra Suspiro deixando o pato de lado!Admito que duvidei que esse dia fosse chegar. Pensei que eu iria me esgotar no meio do caminho, o Jurandir iria me cortar da equipe ou o contador do blog iria me enrolar para sempre. Mas olha só! Cheguei. Ganhei até três velinhas numéricas para comemorar, que querido… E eis que eu penso: sobre o que se escreve em uma centésima coluna? Silêncio. Ok, vou ser egocêntrica e comentar da viagem divertida até aqui.

Entrei para o time dos Rapaduras e já comecei a escrever as benditas colunas. Logo, posso dizer que acompanhei as rapaduras do caminho desse portal. (Isso me soa tão jurássico…). Enfim, é por isso que chegar até as 100 foi divertido: a casa é agradável, logo, a gente se inspira. Se inspira até demais, diga-se de passagem.

Ainda estou em estado de choque por lembrar das pérolas que já tive a audácia de postar por aqui. (Coragem, Suspiro). Por exemplo, a minha primeira coluna. “João, Maria e os Fuzis”. Jesus, Mary and Joseph, eu seria presa por aquela foto! Trombadinha, total! E em “Qual será o segredo?”, que eu entrei no clima da coluna e fiz a foto com um terninho? Tos-co, meu povo. Entrei no clima demais da conta: “Os Astros Também Amam”, “Auto-Biografia”…

Mas, nem só de fotos toscas eu vivi. Tive meus momentos introspectivos também, com desabafos em linhas tortas. O mais marcante de todos? “Closer”. Filme assistido na estréia, com os Rapaduras, as minhas tentações e o dilema da época. Devo ter escrito a coluna em 15 minutos, imediatamente após chegar em casa. Ai teve outra específica, sobre “Vanilla Sky”, que anos depois viraria roteiro de situações malucas e gostosas. E algumas outras comentando sobre filmes que me quebraram ao meio, como “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança”, que vi uma semana depois de terminar o namoro mais sério até então, ou “Encontros e Desencontros”, que foi visto de forma inusitada em uma viagem conturbada e solitária � dois. Ai, meu Deus, me tragam uma dose que o negócio ficou melancólico!

Passando a linha desabafo, que que eu lembro mais de ter escrito? Ah, as viagens da Comunicação. Lembro que pegava temas discutidos na faculdade e tentava relacionar com Cinema para poder criar a coluna da semana. Bem, a intenção era louvável, mas pensando bem, acho que o resultado não foi dos melhores. Exceto pela ajuda acadêmica que eventualmente servia para alguns estudantes da Publicidade.

Mas, fazendo a linha vinho e melhorando com o tempo, até que algumas saíram interessantes, como a do “Oscar, de cobre?”, a “Pornô também é Cultura”, a “Roteiristas em Greve”, o “Close nos Publicitarios” e blá. Tiveram as colunas exclusivistas, quando eu me agarrava com um só filme e desatava a escrever. E dentro desse time, lembro de uma recente, sobre o “Tropa de Elite”, que veio de um transe imediato após ver o filme e que fez lá a sua polêmica. As colunas oriundas de situações corriqueiras, como “Preliminares”, “Interação Com a Telona”, “Peças da Vida, Trunfos do Cinema” foram queridas de escrever, já que todas me faziam lembrar situações bacanas.

Enfim, foram 100 tentativas ingênuas de mostrar o Cinema através de um ponto de vista diferente por uma cabeça estudante. Em todas as 100, uma curiosidade ansiosa sobre o que os leitores do Rapadura achariam… Curiosidade que foi felizarda com a chegada dos comentários do nosso Rapadura Blog, que permitiram mais ainda a troca de figurinhas entre leitores e autores, críticas e opiniões. Sim, olhando daqui nem parece que já foi isso tudo. E ainda estou no comecinho da nova viagem, doida por um fogo de palha para me inspirar para a 101ª coluna.

Oscar, de cobre?

Publicado em: 13-03-2008 @ 12:43 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Você pode até não ser cinéfilo, mas já ouviu falar do Oscar, o tal homezinho nu e dourado. A festa mais pop de Hollywood que premia os – supostos - melhores do ano nas categorias que tanto conhecemos. Então, o Oscar já bateu os 80 anos de idade e eu resolvi comentar sobre ele essa semana.

De fato, estou atrasada. O Oscar já virou jornal velho que serve para pano de chão. Mas eu não fofoquei sobre ele aqui e além do mais, essa semana estava lendo meu jornal de cabeceira, Meio&Mensagem, e vi uma matéria sobre pequeno pervertido amarelo.

Oscar é sempre nervosismo pelos vencedores e ansiedade para checar o tapete vermelho. Os bem vestidos, as cafuçus, os nonsenses, os meros mortais que acompanham as estrelas e por aí vai. Eu, particularmente, acho o tapete vermelho mais divertido do que a cerimônia. A cada ano ela se torna mais enfadonha. E este ano não poderia ser diferente…

O que é que custa colocar umas apresentações mais bacanas? Parece que fazem no PowerPoint e renderizam depois. Tirando pela apresentação da Beyoncé com a Tina Turner, o resto foi ladeira abaixo, segundo o que lembro. Para mim, ficou registrado como o “Oscar que assassinou a moda”. Só perde para o Grammy: a Aretha Franklin vestida de abacate; a Rihanna que rolou “ milanesa” na palha e se amarrou com um cinto; a Cyndi Lauper com o vestido de alcinhas frouxas; a Tina Turner, diva, mas com uma vibe astronauta-de-aluminio total. Loucura, loucura. No Oscar, o povo quer ser fashion e acaba sendo “trashion”, com oncinhas, plumas, brilhos… Ai.

Porém, para compensar a bizarrice, tivemos Javier Bardem ensinando com quantos suspiros se faz um homem charmoso. Tivemos Daniel Day-Lewis com a vibe pirata e o discurso dúbio (partner?). Tivemos a Marion Cotillard linda. Enfim, vamos ao que interessa, parando o papo fútil.

Voltando a falar sobre a matéria da “Meio&Mensagem”, devido impressão que comentei agora acima, não me espantei quando li a manchete que dizia que o Oscar, coitado, teve a pior audiência desde 1974.

Matando a cobra e mostrando a ferramenta com a qual matei, vou comentar os números que provam que o homem de ouro não anda mais tão brilhante quanto antes. Comparado a 2007, a premiação deste ano teve 21% menos espectadores. E pior do que isso, só saber que 2008 ficou abaixo de 2003, ano em que o Oscar aconteceu dias depois da invasão do Iraque.

Outro detalhe: como já comentei, o Oscar anda cada ano mais tedioso. E os números comprovam! A média da primeira hora foi bem maior que a média da hora final. Começou com 32,3 milhões e terminou com 25,4 insones de plantão. Triste.

Aí o Oscar, melancólico, fazendo a linha polidinho do “ninguém me ama, ninguém me quer, todos me olham com desprezo”, senta no divã para descobrir porque ele perdeu a vaga de queridinho. Bem, a gente pode ajudar, certo? Teve a greve dos roteiristas que durou quatro meses e acabou pouco antes da premiação. Teve a bilheteria fraca dos filmes indicados. Teve também os “estrangeiros” desconhecidos pela maioria dos “Estúpidos” Unidos da Amédica, como a Marion Cotillard e o Javier Bardem. Até a popularização dos gravadores digitais de vídeo entram nessa. Enfim, quem tem saco de ficar madrugada adentro se pode gravar para ver depois?

Bem, Oscar, nem tudo está perdido. 2008 não foi um fracasso com “F” maiúsculo. As vendas dos espaços publicitários da premiação já estavam fechadas desde muito cedo. Sorte sua. American Express, Unilever, Coca-Cola e General Motors concordaram em pagar até US$ 1,82 mi por 30 segundinhos dentro dos intervalos. É mole? Não, é grana mesmo. A festa roda em torno de US$ 80 mi de investimento total. Então, a audiência caiu, mas a renda com comerciais aumentou 7%. Não fique tão triste. Você ainda tem cash no banco.

Enfim, vamos esperar para ver o resultado de 2008. E torcer para que essa queda não faça o pobre do Oscar abandonar o modelito glamour do ouro e passar a usar Cobre.

E agora, José?

Publicado em: 26-02-2008 @ 5:22 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Não só atores passam por dramas, viu? Roteiristas passam por isso também, como notamos bem de perto na última greve. E colunistas também! Cada um ao seu modo, enfim, mas todos com seu drama. Por exemplo, a coluna dessa semana é sobre nada. Exatamente. E eu vou explicar o porquê.

Até onde eu sei, já passei da 97ª coluna. São mais de 90 textos diferentes, abordando assuntos diferentes com observações diferentes. Aí você pensa que ainda existe muita coisa para falar, mas quando faz as contas, bem, não fica tão fácil assim. Ainda mais quando você faz parte do grupo de pessoas como eu: sem inspiração não sou ninguém. É. Racionalmente eu até sei que tem muita coisa para se falar em linhas tortas rapadurianas, mas, mas… Estou em crise de inspiração. Perdão.

Podem ser as 97 colunas escritas. Pode ter sido a febre que me quebrou nos últimos três dias. Pode ser o aquecimento global, que me desidratou até o último suspiro. Podem ser os cavaleiros do Apocalipse dando sinal de chegada. Ou meu Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA). Pode ser muita coisa. Mas para tudo tem jeito, não é mesmo? Menos para a morte. E a minha inspiração não morreu, só anda meio desanimada, tadinha.

Quem sabe eu devesse escrever uma coluna com o nome “Mais do Mesmo”, mas me soa tão Legião Urbana… Ou sei lá, fazer releituras do que eu já escrevi. Ou comentar minhas garfes nas outras 90 e poucas colunas. Ah, isso seria interessante! Provavelmente, morreria iria me esconder relembrando textos passados.

Já falei de chifre, de música, de trilha sonora, de filmes específicos, de consciência social, até teorias da Comunicação entraram nessas colunas semanais. Já foi fofoca, já foi questionamento, já foi sobre história do Cinema, já foi psicologia, já foi até seriado! E agora, José? O que é que eu faço? Já foi pornografia, já foi retrospectiva, já foi a vibe “Top 5” de coisa-tal.

Ah, me ocorreu uma idéia! E se eu falasse, não só das minhas colunas, mas dos comentários que elas tiveram? Sim, sim, porque uma vez até comentei respondendo aos comentários de uma coluna tal: tão divertido quanto escrever uma coluna é ler os comentários que fazem dela. Por bem ou por mal, sempre gosto de ler o que vocês acham. E muitos me fazem rir – no sentido legal da risada.

Outra coisa que fico pensando nas vésperas de escrever a coluna é: o que os rapaduras gostariam de ler sobre? Não, não foi uma pergunta retórica. Perguntei de verdade mesmo, e caso vocês tenham um assunto de preferência, me digam! Não prometo milagres, mas a gente tenta. Ah, eu poderia falar sobre o Oscar, né? Sobre a chatice que ele se tornou… Ótimo, essa já vai pra cadernetinha de pautas!

Gente, fui até o Google e digitei: socorro, estou sem inspiração! Mas aí vi que tem gente em situação pior do que eu… Menos mal! Nessas horas, admito que fico feliz de ver a falta de graça dos outros. Sim, se eu estivesse tão assim, sem graça, gracinha alguma, eu poderia apelar para falar do Big Brother Brasil 8. Ou do jogo de futebol de ontem que teve aqui (que meu time perdeu, por sinal). Ou do show da Ivete que teve lá no Rio Grande do Sul e eu vi tudo pela TV, eu e minha febre. Ou sobre a reprise do Grammy na Sony ontem noite. Mas não. Sou sincera com vocês e admito: eu não sei sobre o que escrever hoje. Escrevo sobre nada. E dispenso a filosofia. É, nada de estilo “socratiano” aqui dizendo que “tudo que sei é que nada sei”.

Bem, fazendo a linha Rick Astley, essa coluna foi “cry for help”, com estilo de ouvidoria. É. Waldick Soriano disse no DVD dele, produzido pela Patrícia Pillar – super chique, que “a voz do povo é a voz de Deus”. Bem, não sou lá muito católica, mas adoraria ouvir o que vocês tem para me sugerir. Afinal de contas, as colunas são para vocês. :mrgreen:

Culpa da Disney!

Publicado em: 30-01-2008 @ 1:47 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Assistindo a um de meus seriados favoritos, escuto a frase: é tudo culpa da Disney! No meio de risadas frouxas, imagino que, de fato, a afirmação tem lá seu fundo de verdade, e que as mulheres mal resolvidas ou enroladas de hoje são resultados de uma infância regada por historinhas da Disney.

PS: Antes de tudo, aviso que a coluna dessa semana exige um certo senso de humor, já que a seriedade descabida pode levar a interpretações exageradas.

Na primeira temporada de “Ally McBeal”, a personagem de Calista Flockhart discute com sua “rommie” seus problemas de relacionamento. De repente, sai o disparate: eu não sou desesperada! Passei a infância vendo os contos de fadas, isso é tudo culpa da Disney! Bem, vindo da Ally McBeal, advogada campeã em alucinações, isso não deveria ser levado a sério. Mas, ou eu sou tão doida quanto ela ou isso tem lá sua lógica. Afinal de contas, o mundo está cheio de mulherzinhas mal-resolvidas e de meninos afetados, ambos enrolados tal qual cabelo “pixain” em dia de ventania. Felizmente, esses dois tipos não são unanimidade, mas ainda perturbam bastante o universo de quem tenta se dar bem por aí.

Aí eu lembro que, quando criança, viviam querendo me descer aquelas história de princesas. E eu, rebelde, detestava. Achava um saco. Assisti a todos, claro, mas sem nutrir muita simpatia. E começo a pensar que isso me fez muito bem! Exceto pela rebeldia da Ariel e por “A Bela e a Fera”, só gostava da Branca de Neve por causa dos anões, da Cinderela, por causa do sapato e da Bela Adormecida, porque ela sabia passar bem as horas livres. Mas parei e lembrei das minhas coleguinhas que adoravam a Disney e sonhavam em ser princesas e tento vê-las hoje em dia: a maioria virou pseudo-dona-de-casa ou ainda reclama a busca do príncipe encantado montado em um cavalo branco. Aliás, se ele viesse como príncipe em um cavalo branco, eu até simpatizaria. Pior que ele se adaptou para um playboy dirigindo uma Hilux com um paredão de som gritando forró, ou, de fato, ficou bastante encantada, se é que você me entende, bee…

Enfim, lembrando das princesas, a gente pode até imaginar um padrão de comportamento atual inspirado nelas. E certos fatos de hoje até se parecem com os das historinhas. Tudo colaborando com a teoria do “put the blame on Disney” – parodiando Gilda e a vaquinha Mame. (Sim, vou me divertir com o exagero.)

Branca de Neve. O nome já insinua que esse padrão deve ser relacionado com mulheres das áreas frias do mundo, nada de muito tropical. Ou, como os boatos já diziam, que são mulheres viciadas em cocaína. Para variar, tem uma madrasta no meio que super perturba a vida da menina Branca por invejar a beleza dela. Bem, não lembro Sr.Branco de Neve, pai da princesinha, mas deveria rolar um mimo exagerado dele pela Branca de Neve, o que ocasionou o ciúme da madrasta e a inveja desequilibrada pela menina. Aquela insegurança da mulher de meia-idade pelo cálculo “uma de quarenta por duas de vinte”, bastante recorrente. E aí, a Branca de Neve foge e vai se esconder com sete anões. Claro, ela não poderia ir atrás de um homem de verdade, aí vai e fica com sete anões. Outro cálculo bizarro que insinua as mulheres papa-anjos que existem mundo afora. Rola também uma maçã envenenada, não é? Ora, uma prévia da anorexia. Fora que todo bom farrista sabe que maçã é a melhor fruta para combater uma ressaca: limpa tudo e hidrata. Pelo visto, a Branca de Neve também sabia disso. Sendo princesas, todam tinham que ser belas. A apologia beleza enjoa, até. E aquela fixação pelo espelho prova isso rapidinho. A madrasta da Branca que o diga… Mas, vamos dar um desconto para a megera: era estava insegura pela crise da meia idade, sem os aparos do botox e da Victoria Secret. Claro, outro ponto recorrente nos contos e na pós-modernidade é a secura. Como? Ora, a Branca de Neve só voltaria vida se um Príncipe Encantado pegasse ela de jeito. E ok, essa parte não seria tão ruim, mas tudo era resolvido na base do quê? Preciso dizer? Pois é, com o tempo, isso inspirou a promiscuidade. Freud concordaria comigo.

Cinderela. Ah, a Gatinha Borralheira, miau. Sim, sim, seguindo a linha dos casamentos falidos, tem uma madrasta no meio do engodo. Tinha uma vibe de inveja também. A pobre da Cinderela se lascava por ser bonitinha e as irmãs trash dela obrigavam-na a fazer trabalhos de E.D (empregada doméstica). Até que finalmente chega a Fada Madrinha e deixa a menina se jogar num baile (que não, não era funk). A Cinderela se empolgou tanto que perdeu a hora de voltar para casa e esqueceu o sapatinho lá nas escadas da boate. E fina como ele era, apesar da vida de E.D, o sapato ainda era de cristal. Arrasou! Adoraria que a Disney me contasse sobre o estilista desse conto.

Tem também a Bela Adormecida, a viciada em Lexotan. A Bruxa Má deu um coquetel de antidepressivo para a princesa e ela capotou. Ta, não foi um drink, foi uma espetada de dedo da roca… Mas nos dias atuais, a roca pode ser trocada por uma agulha, tipo aquelas que usam para heroína. Enfim, ao invés da Bela ir atrás de resolver a vida, ela ficou lá, babando, esperando pelo Príncipe Encantado. É tanta supervalorização por esses príncipes que hoje a gente vê o mundo entupido de metrossexuais, a versão realidade-conseqüente dos contos de fadas.

Finalmente, depois de muita princesa insossa, chega a menina, literalmente, com sal. É, a tal sereia que vivia nas profundezas do mar, a Pequena Sereia. Começa mandando bem, porque ela é ruiva. Adoro ruivas. A bichinha ainda era desaforada e rebelde. Aí, claro, se apaixona. Só que por um humano. Ai ela dá uma de menina de quinze anos desesperada e apela para uma bruxa, tal qual umas meninas de hoje apelam para simpatias, cartomantes e enroladores afins. Será que se ela existisse hoje, A Ariel seria fã do RBD? Mas sim, continuando com o paralelo da Disney, finalmente tem uma figura paterna na história de forma mais ativa! Vai ver por isso a menina tem um comportamento diferente das outras… Só não me perguntem se isso é bom ou não. Não vamos discutir educação aqui. Mas que fique registrado que a Ariel é menos bundona que as outras. E pelo menos não anda dormindo pelas tabelas ou incentivando a pedofilia. Ela tinha até de esportista, nadando para lá e para cá. Provavelmente, deveria ser fumante, por sinal.

Sim, aí lembrei da Bela, a que morava com a Fera. Minha historia favorita. Essa também teve um envolvimento maior com o pai. Para salvar o velho gagá, ela virou prisioneira da Fera. E o resto vocês já sabem. Essa da Disney, certeza, foi para amenizar a supervalorização da beleza. Oh. Mas ela, a Bela, era ótima. Além de ser boa dona de casa, era inteligente e tirava a Fera de tempo rapidinho. Ela deveria ser mais valorizada pela massa feminina, e não as outras chatinhas do começo da coluna.

De qualquer forma, dá para perceber certas nuances semelhantes entre as princesinhas e a ala feminina de hoje. Logo, imagine a lavagem cerebral que pode acontecer com as criancinhas. Que horror! Ainda bem que a infância pós-moderna dura quase nasce nada.

Mataram o marido alheio!

Publicado em: 15-01-2008 @ 2:07 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Mataram o marido alheio! Eu cresci vendo filmes românticos com casais fofos e histórias melodramáticas, que emocionam e dão aquela luz de esperança de que, um dia, todo mundo vai ter um “happy ending” no amor. De repente, acendem a luz da sala de exibição e eu penso: mataram o marido alheio!

Como disse, era comum ver historinhas bonitinhas com casais fofinhos e etc tal. E hoje, temos muitos filminhos assim. Mas agora rola uma diferença que se mostrou para mim esses dias: alguém tem que estar morto, e no caso, é o maridão. Exato. Em um só dia, conferi 2 filmes e meio – o outro, peguei de arrebaba - e todos tinham uma viúva no meio. Todos. E, por sinal, eram viúvas bonitonas, viu? Nada de preto murcho.

O primeiro filme da saga da viuvez foi “Coisas Que Perdemos no Caminho”, com a Halle Berry, o Benício Del Toro e o eterno agente Mulder, o David Duchovny. Deu para sacar que a viúva da vez é a Halle, certo? E o presuntão foi o David. O Benício DelToro é o amigo legal que ajuda a segurar a onda, outro personagem importante na saga da viuvez. É quase o Ricardão do Sétimo Dia, que chega para aplacar a “saudade” da viúva novata.

Depois de ver a menina Berry e o charmosão El Touro – ok, Del Toro, muito bem encarnados, por sinal, eu tenho que me aguentar com o Gerard Butler e a Hillary Swank em “PS: Eu Te Amo”. Antes de tudo, preciso dizer: um marido desse, eu queria até morto. Dito. Pois bem, esse foi o segundo karma de viúva do dia. E foi quando percebi que os mortos poderiam estar voltando do além para as telonas. Dois filmes em cartaz e ambos com caixão e vela preta no meio? Eu, hein…

Em seguida, na maratona do audiovisual, por acaso começo a assistir “Sal de Prata”, filme nacional que fala de um roteirista que morreu, deixando como viúva a Cátia, personagem da Maria Fernanda Cândido. É mole? Nesse caso, tinha sim um amigo garotão, mas ele não ganhou lá muito espaço não. Quem aparecia mais era a possível amante do falecido, interpretada pela Camila Pitanga. Notaram que a moça aí tem uma “vibe” para esse tipo de papel, não é?

Cortando o ar de humor negro – literalmente negro, devo dizer que achei simpática a coincidência. E não, não acho que seja uma tendência. Mas, nunca se sabe… Sei que os três filmes levam bem o lance da viúva, que, por sinal, é uma personagem que pode dar muito pano para manga.

Fiquei surpresa com a atuação da Halle Berry. Determinadas cenas dela fazem você querer abraçar a criatura ao lado e chorar junto, como se realmente tivesse perdido alguém amado. Algo como a sua outra metade. A menina tem talento, só precisa ser bem dirigida e produzida. Já sobre o Benício Del Toro nem preciso dar muitas explicações. Ele ainda tem um borogodó latente e consegue fazer qualquer personagem crescer. Fora que tem duas coisinhas pequenas no filme que me fazem lembrar o Ben Harper na questão mais capilar de se dizer.

Depois da overdose de luto, fiquei pensando em mil formas de como contar a história de uma viúva. Certamente, é um personagem cheio de camadas e sentimentos que podem ser explorados de diversas formas, desde a mais clichê até a mais subjetiva. Fico tentando me lembrar agora de outros filmes que também trazem uma viúva como protagonista. Alguém arrisca?

2008, por favor!

Publicado em: 10-01-2008 @ 11:28 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

“Ano novo, vida nova”. Ou, pelo menos, era para ser. Enfim, 2007 pediu para sair e 2008 chegou de vez. E eu fiquei sem saber sobre o que escrever na primeira coluna desse ano novato. Seguindo a sugestão de um amigo, resolvi ser prática e falar sobre algumas vontades que gostaria que 2008 realizasse.

Sonhar não custa nada, não é mesmo? Então, não dói imaginar as coisas que gostaríamos que acontecesse a cada virada de ano. Há quem diga que esses momentos são mágicos, enfim. E caso tenham lá seu charme de magia, atendam aos pedidos de cinéfilos legais como a gente.

Aposto que cada um aí tem uma listinha, mesmo que pequena, de desejos para o Gênio da Sétima Arte. Se não tem, inventem. Ora, duvido que todos estejam satisfeitos com Cinema. Já dizia Billy Joel, na música “Vienna”, “only fools are satisfied”. Então, vamos preparar a listinha que tornaria nossa pipoca de cada dia quase perfeita.

O fim da greve dos roteiristas. Claro. Essa é quase unânime: a não ser que você seja um roteirista rebelde que curte a polêmica da situação. A gente morre de tédio sem seriados e com as interrupções de filmes que deveriam estar sendo rodados. Quando isso vai acabar? E olhe lá. É melhor nos precavermos e pedirmos o fim da greve dos roteiristas e a resolução instantânea de outras futuras greves, porque quem é que garante que os atores também não vão entrar nessa?

Edições especiais de DVDs a preço de banana. Sim, para os colecionadores de DVDs e para aqueles que ficam horas fuçando as lojas atrás daquele DVD tão procurado. Eu queria tanto uma edição especial de “Psicopata Americano”, com joguinhos e tudo mais, para encarnar com excelência a vibe do Patrick Bateman. Ou uma edição especial de “Obrigado Por Fumar” que tivesse um “Guia Seja o Nick Naylor em 10 Passos”. Ou a volta das edições especiais mais “acessíveis”, como ado 007, da maleta prata.

Fim das continuações idiotas. Sim, porque a frase “um é pouco, dois é bom e três é demais” tem lá sua razão, mas s vezes, pode ser “um é ruim, dois é tosco e três é agressão paciência do público”. Hollywood não sabe ficar quieta e fica botando uns diretores de meia tigela para brincar e a gente que paga o pato.

Queda dos preços dos cinemas. Sim, sim! Porque DVD é legal para ter em casa, mas bom mesmo é conferir o filme na telona. Então, seria lindo se os ingressos dos cinemas voltassem aos preços de 10 anos atrás. Pagar R$ 4,00 para conferir um filme recém lançado. Ó! Coisa mais singela!

Mais Premiéres pelo Brasil. Ah, seria muito gratificante se o Brasil entrasse mais vezes na lista dos estúdios e distribuidoras para a realização das festas de lançamentos dos filmes. Sem essa de cabine de imprensa, que sim, é legal, mas é ainda fica muito na vibe de trabalho. Legal seriam as festas. Os coquetéis. As visitas dos atores famosos e tudo mais.

Enfim, se eu começar a pedir por filmes com Fulano e Sicrano de Tal, não termino tão cedo. E se começar a pedir continuação de filmes que me deixaram viciada, também. Resolvi limitar aos pedidos mais abrangentes e deixar os outros pedidos para vocês. E ah, claro, um 2008 cheio de muita luz, pipoca e surpresas boas para vocês!

“Ceia de Cinema”

Publicado em: 28-12-2007 @ 12:28 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Aproveitando o clima de Natal, ho ho ho, que inspirou muita gente nos últimos dias, decidi que o tema da coluna teria que passar por esse tom. E para fugir do óbvio, dos comentários de filme de Natal e companhia limitada, tentei imaginar algo diferente, como uma Ceia de Natal Cinematográfica.

Noite de Natal é quase sempre igual. Família, muita comida e bebida, presentes, aquelas declarações rasgadas de amor que só aparecem no final do ano mesmo. Nas famílias mais excêntricas, rolam umas briguinhas e umas situações inusitadas com as personalidades fortes do grupo. Foi daí que pensei: quem eu chamaria para a minha Ceia de Natal?

Claro, óbvio, e como de esperado, chamaria meus dois personagens mais admirados: Nick Naylor, de “Obrigado Por Fumar” e Miranda Priesley, de “O Diabo Veste Prada”. Primeiro, pelos motivos mais óbvios: quero ser que nem eles quando crescer. Certamente, o papo manipulador me entreteria noite adentro e eu nem sequer iria dar conta do Papai Noel. Segundo, muito provável que o Nick trouxesse um maço de cigarros especiais para mim, e a Miranda, alguma peça dos grandes estilistas do mundo da Moda.

Hum. Acho que chamaria o Rei Leônidas, de “300”, só para ele gritar “Ho, Ho, Ho” com aquele vozeirão. E chamaria a Bridget Jones, para garantir cenas constrangedoras e hilárias. Vai que ela traz o Mark Darcy ou o Daniel Cleaver também? Melhor ainda. E já que é pra criar o ar natalino, tudo em família e amigos queridos, chamaria o Michael Corleone e o Vicent Mancini. O Mikey, porque ele tem todo aquele ar que me agrada, e o Vicent, bem, só para ele exibir a malemolência dele mesmo. E para ele não ficar sozinho, chamaria também o Alfie, “o Sedutor”.

Ah, mas eu não poderia deixar de convidar o Marvin, de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Não tem robô mais engraçadinho do que ele! Desculpem, C3PO e RD2M, mas eu sou fã do Marvin e toda melancolia dele. Para completar a turma de pessoas um tantinho fora do normal, chamaria o Raymond, de “Rain Man” e a dupla de doutores de “Huckabees”.

E ainda no time dos loucos, mas com um tanto de refinação, é óbvio que eu chamaria o Patrick Bateman, de “Psicopata Americano”. Adoraria colocá-lo ao lado do Hannibal Lecter, assim, os dois discutiriam formas mirabolantes de matar aqueles desprovidos de bom gosto. E só para completar o nível de loucura, chamaria o Willy Wonka, na versão do Tim Burton, para cuidar das criancinhas chatas que insistem em “parasitar” a noite. E já que falamos de duplas excêntricas com um quê de violência, chamaria o Vicent Vegas e o Jules Winnfield. E não, não chamaria jamais o quarteto de druguies de “Laranja Mecânica”. Perdão, Kubrick.

Para dar uma mesclada nas idades, chamaria o Rémy Girard e seus amigos de “Invasões Bárbaras” e “O Declínio do Império Americano”. Aí era muita bebedeira e conversas intelectuais com um humor absurdo.

Enfim, são tantas personalidades que deveriam ser chamadas que a minha memória pifa. Acho que faltaria só um casal de apaixonados. E como detesto seguir padrões, chamaria o Edward Grey e a Lee Holloway, o casal noiado de “Secretária”. Acho que com essa lista já dava para ter uma noite bem atípica e memorável. E vocês? Quem chamariam?

Um close nos publicitários

Publicado em: 18-12-2007 @ 1:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Como já falei inúmeras outras vezes por aqui, é sempre muito bacana ver algo seu nas telonas: uma situação, um pensamento, uma impressão e até mesmo sua profissão ou o que seja lá que você faz para tirar uns trocados. Esses dias, fiquei rindo lembrando dos naipes de publicitários espalhados nos filmes.

Pensando bem, não são “os” naipes, mas sim “o” naipe. Rola um estereotipo dos publicitários que não passa muito longe da realidade, mas certamente exagera determinados pontos. E ao contrário da maioria das impressões que uma rotulação estereotipada provoca, eu me divirto com essas.

Costumo ver os publicitários (e publicitárias) na telona como pessoas desenroladas e, no mínimo, um tanto fora do eixo pertencente aos normais. Depois, varia entre seguir o tipo canalha ou o tipo engraçado. E claro, existem os mix de tudo isso. Afinal de contas, no mundo da comunicação, quanto mais integrado, melhor, não é mesmo?

Pois bem. Em “Do Que As Mulheres Gostam”, o Mel Gibson interpreta um publicitário canastrão com seu toque de simpatia e se mete em uma guerra fria com a colega-concorrente, também publicitária, interpretada pela Helen Hunt. Claro, super rico e desenrolado… Eis o tipo “mix”.

Em “Isca Perfeita”, Bruce Willis é um publicitário canastrão e malvadão. Desde quando trocaram os advogados pelos publicitários para os papéis de vilão? Por sinal, desde os 13 anos que eu decidi correr para o rumo da publicidade, mas nos 18, admito, senti uma queda pelo mundo dos advogados. Tudo culpa daquele filme, “O Júri”, que eu achei sensacional toda a manipulação e adrenalina. Mas aí vi que aqui no Brasil nem rola julgamento legal como nos filmes, tsc, e que eu poderia brincar de manipular de forma mais diversificadas no time dos publicitários. Enfim, voltando “Isca”, não assisti ao filme, mas parece que ele era o cara do mal na história. E também era rico. Sim, ô povo para ter dinheiro… Aqui, o Bruce é o tipo canastrão não tão legal.

Em “Paixão de Ocasião”, a gente tem a Jennifer Aniston se metendo em uma roubada para subir na empresa. Toda desengonçada, mas uma gracinha com todo seu jeito tapioca de ser. Quase a mesma vibe que vemos no nacional “E Se eu fosse você?”, que tem o Tony Ramos e o Thiago Lacerda como donos de uma agência de publicidade, com todo o glamour dos prêmios e conquistas de clientes. Aí é o tipo anormal, mas super competente no entretenimento.

Mas, o cinema se inspira na realidade, mas não copia. Assim, normalmente rola grana no meio. E aí, eu me pergunto: quem foi que disse que todo publicitário é cheio da grana assim? Tá bom que o terreno é propicio e que tem muita festa, mas não é para qualquer um não, viu? Fora que os filmes não mostram muito a guerra de nervos e o papel de cada divisão de setor, e quem leva a boa vida no tapete vermelho é o povo da criação, que nem anda em festa e só é responsável pelo final da história toda. Sim, sim. Onde estão os mídias, que recebem toda a babação em brindes, convites e tudo de bom? E o povo do atendimento, que vive de DRs com os clientes?

Quem ainda mostra um lado mais tosco da vida da gente é o seriado “Ugly Betty”, que rola dentro de uma agência moderninha e a nossa amiga Betty é o lado looser simpático que nos faz rir. E ela nem é publicitária, só trabalha no ninho… A grande maioria dos casos gira em torno do lado glamour. Vejamos: “Sex and the city” e “Queer as Folk”. Samantha Jones e Brian Kinney. Dois personagens que eu adoro: canalhões, mas ótimos para se ter entre amigos. Claro, várias festas, histórias divertidas e personalidades atípicas. Impossível não se divertir vendo esses dois, e ficar com um pingo de vontade de passar um dia na pele deles. Principalmente no caso do Brian Kinney, que abre a própria agência no final do seriado e é a coisa mais linda e branca e moderna que eu poderia querer para mim.

Enfim, enquanto nós, pequenos publicitários, não chegamos lá, podemos nos projetar nos personagens que aparecem vez ou outra na telona. E de quebra, ainda fazemos o público rir das aventuras e situações inusitadas.

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