Desafiaram-me a falar sobre trilhas sonoras que foram marcantes, sem citar uns conhecidos aculá. Pois bem. Não poderia deixar essa passar e pensei rapidamente em filmes que tenham me marcado de alguma forma com sua trilha sonora.
Não vou sair pensando nas melhores trilhas sonoras e etc tal. Não acho que eu tenha bagagem e moral para julgar o cinema dessa maneira. Escolhi ir pelo lado divertido e momentâneo do desafio, lembrando rapidamente de músicas que me marcaram de alguma forma. Não foi nem um pouco difícil, já que a música é outra paixão que eu alimento diariamente, até com mais intensidade do que o cinema – apenas por quesito de tempo.
Contrariando as previsões e obedecendo ao “atiçador” do desafio (o sempre presente Bruno Garcia), não citarei o filme que tem como trilha a música “The Blower´s Daughter” nem o que tem “Last Goodbye”. Para o meu espanto, lembrei de filmes que nem eu esperava citar, tornando a lista um tanto heterogênea e distante do que imaginei em primeira instância… Mas isso é ótimo! Sempre bom sair da rotina, certo?
Pois bem. De cara, lembrei logo do filme de um dos meus diretores queridos: Cameron Crowe. “Quase Famosos” passa a ser o favorito de qualquer fã do bom rock que se preze. Cameron Crowe, Phillip Seymour-Hoffman, Led Zeppelin e Lester Banks na mesma produção, não poderia ser diferente. Para quem não sabe, “Quase Famosos” mostra a aventura de William, um moleque de 16 anos – para mim, um nerd do rock, que encontra a luz ao embarcar acompanhando a turnê da banda Stillwater. O contexto já é bacana por si só, mas ainda consegue melhorar quando se percebe que o filme é um tipo de biografia de Crowe. Quando ele estava nas suas jovens primaveras, viajou com a banda Led Zeppellin para escrever uma matéria para a consagrada revista Rolling Stone. É mole ou quer mais?
Até hoje, escuto os gritos do ator Jason Lee - que tem filmes ótimos na filmografia, por sinal, cantando “Fever Dog”. E o momento de introspecção lombrativa que o Willy tem escutando “Sparks”, do The Who, arrancou suspiros de inveja. Fora o momento super querido, dentro do ônibus da banda, que é embalado com “Tiny Dancer”, na voz do Elton John, que apesar da extravagância, manda muito bem em termos musicais. Já que citei o Sir aí, vou abrir umas aspas e lembrar do clipe da música “I Want Love”, que tem uma direção bacana e conta com a participação de outro ator que eu adoro, o Robert Downey Jr. E ah, como se não bastasse ter uma trilha perolada com Jimi Hendrix, Led Zeppellin e por aí vai, o David Bowie ainda dá uma canja cantando “I´m Waiting For the Man”. Mas, não vale falar de Bowie, senão eu teria que citar todos os filmes que ele emprestou a voz, começando por “Clube dos Cincos” com a clássica “Changes”.
Saindo de “Quase Famosos” e passando para um filme de gênero completamente diferente, mas com trilhas sonoras que bebem da mesma fonte, cito o próximo “escolhido”. Nunca fui fã de filmes de ação, mas quando assisti “Duro de Matar 4“, saí do cinema querendo voar com carros e ser amiga do John McLane. E o melhor: isso tudo ao som de “Fortunate Son”, do Creedence Clearwater Revival. Delícia! E essa banda passou a ser melhor ainda quando vi que a sigla dela é igual ao do Cinema Com Rapadura. Infamia, perdão! Mas, é a verdade. Fiquei dias cantarolando o refrão e as seqüências de ação ficaram muito mais animadas com o rock do Credence de fundo, ao invés de alguma mixagem eletrônica da pós-modernidade.
Saindo da linha “ouié, baby”, mas ainda mantendo um dedinho no mundo do rock, lembrei de outro filme que terminou com uma música estilo cereja do bolo. Ainda lembro das sensações que senti ao terminar de ver “Crash” no cinema, levantar da cadeira e sair da sala enquanto ouvia o Stereophonics cantando “Maybe Tomorrow”. Provavelmente, marcou mais ainda porque exatamente na semana anterior que vi o filme, eu tinha descoberto essa música e já andava com ela na cabeça. Agora, atenção para o restante da trilha de “Crash”, que é linda, instrumental, sintonizada com as emoções do filme. E já citando trilhas instrumentais introspectivas, lembremos de “Babel“, que teve o dedo do Gustavo Santaoalla e do Fatboy Slim mandando brasa em termo de qualidade.
Ah, mas aí eu lembrei de outro filme que é rodado todo com instrumental – mas não tão bons, e no final, arrebata com um clássico! “Entrevista Com o Vampiro”, que acaba com “Sympathy For The Devil”, uma das minhas favoritas do Rolling Stones.
Continuando a aba das músicas já íntimas, não foi a primeira vez que isso aconteceu – e é ótimo quando acontece. Outra vez foi quando assisti ao filme “Flores Partidas” e pulei do sofá quando começou a tocar o lounge do Mulatu Astatke, “Yegelle Tezeta”. O filme todo é sonorizado com musiquinhas batutas que foram parar direto no meu mp3player, principalmente “I Want You”, na voz do grande Marvin Gaye.
Pensando bem, esse lance de já conhecer as músicas do filme é sempre bacana. É como se ajudasse você a se envolver com o filme e fazer parte dele, nem que seja cantando – e baixo, para não violentar os ouvidos alheios. Foi o que eu fiz quando assisti “O Diabo Veste Prada“. Claro, um filme clichê-bacaninha que segue do começo ao fim os traços pop só poderia ter uma trilha sonora pop. Muito justo e realista. E as músicas foram o detalhe final para eu me “esbaldar”. De cara, já começa com “Suddenly I See”, da KT Tuntsall. Claro, não poderia faltar a diva Madonna, que dá o ar da graça com “Vogue” e “Jump”. Em momentos super convenientes, você tem Moby, com “Beautiful” e U2, com “City of Bright Lights”, Alanis, com “Crazy” e etc tal. Agora, só para mostrar que o estilo foi mantido, rola ainda Belle and Sebastian e Jamiroquai. Pronto, parecia que tinham furtado o meu HD e selecionado a trilha da vez…
Mantendo o clima feliz e pop das lembranças musicais do cinema, lembrei de uma comédia romântica que está no Top 3 para mim. “O Casamento do Meu Melhor Amigo“. Eu repeti mil vezes (ou mais) a cena em que o Rupert Everett canta “I Say a Little Pray For You” para a Julia Roberts. Cômico! E a música é ótima! Fora que a do comecinho do filme é uma graça: “Wishin´ and Hopin´”, e ainda tem a mais romântica, que é “The Way You Look Tonight”. Ai, tão fofo que quase fica brega.
Outro filme do gênero que entra no Top 3 de comédia romântica despretensiosamente boa é o “De Repente 30“, com a Jennifer Garner e o fofo do Mark Rufallo. O que é a trilha daquele filme? É pra sacudir qualquer um! “Ice, Ice, Baby”, do Vanilla Ice! Eita, coragem! “Love is a battlefield”, da Pat Benatar é outra pérola do baú. Agora, eles quebram mesmo é com “Thriller”, do Michael Jackson, com direito dancinha, e com “Vienna”, do Billy Joel – e essa foi para me quebrar no meio, porque “Vienna” é uma das minhas músicas de estimação.
Agora, para pisar com os dois pés na jaca e aproveitar a levada pop aí do Diabo super na moda, tenho que admitir que marcou muito algumas músicas do filme “Um Amor para Recordar“. Esse é o tipo do filme que não deve ser visto por mulheres em plena TPM e situações românticas com o namorado. Resultado: eu chorei rios e ainda fiquei viciada em “Someday We´ll Know”, cantada pelo Jonathan Foreman, da extinta “New Radicals”.
Para elevar um pouco o nível do romance, por sorte, lembrei de outro filme super cativante e digno, com uma trilha sonora mais que sensacional. O clássico “Um Homem, Uma Mulher” arrebatou com a baladinha singela que virou marca registrada e ecoa até hoje em seriados, filmes e citações por aí. Qual? “Um Homme Et Une Femme”, do Paul Mauriat e Francis Lai. Fora que toda a trilha sonora do filme foi fruto de pesquisas e contribuições brasileiras! “Samba Saravá” é linda e carismática na voz de Baden Powell, e deixa qualquer brasileiro orgulhoso do samba nacional. Por sinal, foi o Vinícius de Moraes quem escreveu a letra. E pelo amor de Lumière, estou falando de samba e não daquela zuada chamada Pagode. E vive lê France.
E já que falei da França, quebra um pouco para a direita e vamos parar em Londres para falar da peça teatral que foi adaptada para o cinema. É, um pipper para quem adivinhou que era “O Fantasma da Ópera“… O filme não chega nem perto da sombra do dedo mindinho da peça. E quem salva a produção é o Gerard Butler, a cômica Minnie Driver e a trilha sonora, que é estupenda. E saindo das previsões, não vou citar as conhecidas “The Phantom Of The Opera” e “All I Ask Of You”. Eu me acabei mesmo foi com “Masquerade”, “The Point Of No Return” e “Angel of the Music”. E palmas para o Gerardão, que mostrou que é um artista que sabe cantar, atuar, ser bonito e agradável – características escassas no mercado.
E para finalizar a lista rápida, um filme para destoar de todos os já citados. Com certeza, todo mundo já curtiu essa trilha. Que minha memória curta me permita saber, ele foi a primeira trilha sonora que marcou presença na minha consciência e claro, não poderia passar em branco na coluna dessa semana. “O Rei Leão” e a famosa Hakuna Matata fez muita gente quebrar as cadeiras nas cadeiras da sala de exibição. E fora dela também! Divertido demais, e até hoje, eu lembro mais do Timão e do Pumba cantando ela do que o mamão do Simba. Fora que o restante da trilha é ótima! Até hoje eu cantarolo “The Lions Sleep Tonight”!
Enfim, vou parar de lembrar, senão vão editar a minha coluna. São inúmeras as trilhas que fizeram sucesso. E inúmeras as opiniões. E inúmeras as possibilidades, já que a cada semana chega um filme novo para ser visto. É papo para uma semana inteira…