Filmes Cults - O Retorno

Publicado em: 19-09-2006 @ 12:19 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sim, sim, sim. Eu já falei sobre esse assunto! Mas é que li algo sobre isso essa semana e quis puxar essa pasta mais uma vez. Até porque, agora meu foco não é as pessoas “cults” ou “pseudo-cults”, mas sim os próprios filmes! Sim, sim, sim: as películas vão para o banco dos réus!

Estava eu, distraidamente, passeando por uma livraria, encantada por todos aqueles livros caríssimos que eu adoraria poder levar para casa, quando avistei lá na estante das revistas algo do tipo “30 filmes cults do cinema”. Meu primeiro pensamento foi: se é filme, é quase óbvio que seja do cinema, né Chiquinho? Depois seguiu para algo do tipo: e por que mesmo que vocês não publicaram isso quando eu tive a idéia da coluna, hein? Ora, bolas… Lá fui eu buscar a revista para ver do que se tratava.

Foi quando achei uma matéria sobre os 30 maiores filmes cults do cinema. Rá! Voei para as páginas “cults” e percebi que não tinha muito – bem dizer, nada – a ver com o tipo de conteúdo que eu tinha colocado naquelas minhas duas colunas sobre “Filmes dos Pseudo-Cults”. Sim, porque eu tinha falado sobre as produções que eu achava que tinham essa fama de ser “filme de gente inteligente e etc tal”. E a revista nas minhas mãos estava falando sobre os próprios filmes, e diferencialmente, não estava se referindo aos supostos filmes “inteligentes”. O ponto divisor ali era diferente do qual eu havia colocado. E foi aí que eu gostei mesmo. Claro, é sempre muito bom ter visões diferentes.

Aí lá fui eu ler. E entendi que eles estavam listando filmes que marcaram o cinema. E quando digo marcaram, nem sempre foi porque o filme foi “inesquecível”. Aliás, pode até ser, mas nem sempre foi por seu talento na técnica ou por sua excelência no enredo. Exemplo? “Pink Flamingos” (1972). Uma história que fala sobre um travesti que deseja reaver o título de pessoa mais “podreira” do mundo deixaria até os carinhas do Jackass e os irmãos Farrelly enjoados. E é disso que se trata o filme de John Waters, filmado em dois dias e com baixíssimo orçamento. Imagina aí… Esse seria um DVD que eu daria de Amigo da Onça.

Mas nem só de horrores a lista foi feita. E nem só de produções “que até o Diabo duvida”. “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) está no páreo, filme no qual Tobe Hooper diz adeus sutileza com o seu orçamento de 300 mil dólares. Por que dizem que é cult? Ora, você nem deve ter assistido a essa versão de 1974, mas já viu ou pelo menos ouviu muito falar dos remakes, dos fãs e da lenda do Leatherface. Ai vem “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (1966), que nem de longe lembra o “Kill Bill”, falando sobre uma stripper karateca. Isso já basta para causar risos, né? E cinematograficamente falando, Russ Meyer escancarou o erótico e a violência, influenciando uma pessoa aculá que vocês já devem ter imaginado: Quentin Tarantino. Precisa ainda falar o porquê de ser cult?

Aí aparecem algumas figurinhas carimbadas: “O Estranho Mundo de Jack” (1993), no qual Henry Selick resgatou a animação em stop-motion, “Como Enlouquecer Seu Chefe” (1999), a suposta mancada de Mike Judge que virou sucesso quando passou para DVD e que conta com a atuação de Jennifer Aniston como garçonete! Aparece também “A Bruxa de Blair” (1999), a pegadinha que Daniel Myrick e Eduardo Sanchéz pregaram em todo mundo, alegando ser um vídeo verídico.

Eis que surge uma pérola que me emocionou só de ler: “Cães de Aluguel” (1992). Primeiro filme do querido Tarantino, que tarantaniou muita gente com os “moços coloridos” e a cena dos seis ladrões andando em direção câmera. Como se não bastasse, o já falado e idolatrado – tanto que ensaia perder a graça, “Laranja Mecânica” (1971), mas que nunca deixa o posto de polêmico. Kubrick se tornou subversivo, levando em conta o momento e todo o efeito que o filme provocou, desde estudos aprofundados a fãs aprendendo o dialeto dos druguis. “Matrix” (1999) chega para dar uma passada também, e nem eu nem o Neo precisamos explicar o porquê. E “Donnie Darko” (2001) também não passa despercebido. Por sinal, ele foi muito bem lembrado por minha colega Yumi nas listas anteriores… E ele além de cult é louco. Richard Kelly deve ter sofrido para criar um coelho gigante que prevê o apocalipse e sai praticando o vandalismo por aí.

E de repente, não mais que de repente, me aparece o fantástico “Clube da Luta” (1999). Nossa, eu fico sem palavras. Como se não bastasse ter o Brad Pitt e o Edward Norton, dois atores que eu adoro, a história ainda é algo assim, bom demais. Quem não viu, tem que ver. E quem já viu, custa nada ver de novo – é, quase aquele “vale a pena ver de novo” da Globo, só que esse vale a pena mesmo!

E esses foram alguns filmes da lista que chamaram a minha atenção. E acho que a intenção da lista foi válida. É sempre bom lembrar dos filmes que marcaram época ou qualquer coisa. Seja por ser muito bom, seja por ser muito ruim. Aliás, devemos louvar a coragem dos que lançam lixos na telona… Serve como exemplo, ora. E se não tivéssemos algo tão ruim assim, não poderíamos comparar e enxergar outra coisa tão boa! Só não exagerem na dosagem…

A Vida Se Mistura Com o Cinema

Publicado em: 05-09-2006 @ 12:18 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu sempre me pego imaginando como seria a nossa vida mortal se ela fosse passada nas telonas. Mas, por algum acaso do destino – ou da película mesmo, nos últimos dias, me peguei pensando o contrário: como seriam certas situações do cinema se estas fossem colocadas na vida real?

Vamos logo ser práticos: tudo o que se vê no cinema, provavelmente saiu dos trilhos da vida real. Até mesmo o Darth Vader e o Gandalf. É sim, ou o diretor de cada um desses filmes não era humano, com uma criatividade extremamente fértil e alguns parafusos a menos? Quem disse que o Darth Vader não poderia ser aquele chefe megalomaníaco que invade o escritório para manipular e acabar com todos os estagiários que sonham em ser modelo da empresa? E quem disse que a Mary Poppins e a Noviça Rebelde não são o grito de desabafo de uma babysitter, de uma faxineira, de uma “Marinete” estrangeira?

Certamente, todos os personagens que marcaram nossa ida ao cinema devem ter marcado, antes, a vida do diretor ou do roteirista, a ponto de eles buscarem inspiração nisso e colocar no filme. Imagina aí. Se você pudesse transformar em filme algumas cenas da sua vida, que cenas pegaria? Aquela briga fenomenal com o namorado(a), tanto aquela em que você dá uma de megera indomada e acaba com ele, quanto aquela que ele joga você no chão, chama de lagartixa e bate a porta – algo no estilo de “Sr. e Sra. Smith”. Ou aquela reconciliação super romântica, tão “i will always love you”, que o câmeraman teria ficado diabético? Ou aquele pé na bunda digno de uma garrafa de vodka e alguns dvds ao estilo flashback para sofrer ao som de “more than words to show you fell”, parecida com “Bridget Jones”?

O cinema se mistura com a vida e a vida se mistura com o cinema. É por isso que nos identificamos tanto com certos filmes. Por isso nos emocionamos tanto. E odiamos tanto também… Quem não sentiu uma ponta do chifre nascendo ao final de “Closer”? Com aquela voz do Damien Rice dizendo que não poderia tirar os olhos de você? Aposto que teve um grupo de “acompanhantes” que olhou o parceiro de rabo de olho e pensou: será? E aposto mais ainda que teve outra “banda” que olhou e pensou: será que ele(a) desconfia? Claro que teve. “Closer” é um dos filmes que fala da vida nua e crua. E pior, de um assunto super popular na relações: síndrome da infidelidade justificada. “Bridget Jones” é outro. Duvido que a maioria das mulheres não tenha se identificado com a simpática Miss Jones em algumas situações. Tá bom que provavelmente, se a Bridget fosse passar para a vida real, ela não teria aquela sorte toda de arranjar um canalha lindo como o Daniel Cleaver, muito menos um partidão charmoso como o Mark Darcy. Poderia chegar perto, mas ia demorar, hein? Se alguém achar por aí, me avisem!

E imagina ai se a vida fosse um musical. Hilário! Essa foi a primeira palavra que me ocorreu. Como brincou um professor da faculdade, o famigerado Bittencourt, até os ônibus entrariam na história. “Trocador, quero o meu trocô!”. E os passageiros, todos sincronizados e empolgados, “Dê o troco, Dê o trocô!”. Olha só… cada uma teria uma trilha sonora. E você poderia até antecipar o que iria acontecer com você dependendo da música que começasse a tocar. Por exemplo, se viesse a vinheta do Plantão da Globo ou de “Psicose”, era melhor você sair correndo. Como já diria uma amiga minha, “o rabo era um rei”! Mas se viesse uma musiquinha estilo “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, você poderia partira para o abraço. Ou se começasse a tocar um “I Fell Good”, era hora de curtir a vida adoidado. Seria bem legal, né? Mas por enquanto, e pelo menos por aqui, a única trilha sonora que aparece inevitavelmente na minha rotina é o forró da minha vizinha, que passa a ser combatido ferozmente pelo meu “bom-gosto player”.

Olha só, “O Show de Truman”. Vai ver o diretor tinha síndrome de perseguição e teve um ataque de ansiedade no meio de um supermercado, agoniado com todas aquelas câmeras. Aí ele escuta a voz do gerente avisando “Atenção, cliente problemático no portão B” e no subconsciente dele, e na loucura também, ele imagina a vida dele vigiada por câmeras e guiadas por uma voz do além.

Ah, são tantas cenas que podem ter inspirado filmes e tantos filmes que podem coincidir com cenas do nosso cotidiano. É divertido procurar essas coincidências e semelhanças. Quem sabe você não tenha alguns takes de fama, achando-se em algumas situações do cinema…

Saga dos Pseudos-Cults

Publicado em: 22-08-2006 @ 12:16 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Continuando o que eu falei na semana passada, a coluna dessa semana trás a Parte II daquela hipotética lista dos filmes dos “Pseudo-Cults”. Como na coluna passada eu já havia dissertado sobre o tema, agora eu vou apenas repassar mais uma parte da listinha.

Ao contrário do que eu tinha dito semana passada, eu achei uma denominação para “cult” no dicionário, mais especificamente, no dicionário Koogan-Houaiss. Quem quiser se aventurar procurando, aí está. Mas a de “pseudo-cult” ainda não foi adicionada… De qualquer forma, quem quiser se informar mais, procura o verbete “cult” + “pseudo” + “moda” + “tendência” + “volúvel” + “vazio” + “encenação” que você deve achar algo parecido…

Os Sonhadores (2003). Talvez por ser uma metalinguagem do cinema, por ter por si só um clima meio intelectual, aquele ar de estudante rebelde, ousado e prepotente, “Os Sonhadores” se encaixa perfeitamente nos anseios “pseudo-cultistas”. Assim como Giuseppe Tornatore em “Cinema Paradiso”, Bernardo Bertolucci investiu na metalinguagem, mas de uma forma completamente diferente. Enquanto “Cinema Paradiso” é mais emocional, sensível em todos os aspectos, bem mais puro e humano até, “Os Sonhadores” é uma história mais específica, sensual e ousada, que gira em torno de três personagens distintos e tem como fundo o Cinema Novo e as questões sociais e protestos da juventude da época. Mas isso é só pano de fundo mesmo. É um bom filme, e para os psicólogos, a personagem de Eva Green é um prato cheio. Mas acho que algumas pessoas exageram nos elogios… Potencializam e intelectualizam até o vácuo, se duvidar.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraça (2004). É um filme louco. Extremamente inteligente. Por isso tem a fama de louco. E a protagonista expressa toda essa complexidade simpática nas suas madeixas. “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança” é capaz de causar grandes discussões, muito riso e muito choro, principalmente naqueles que compartilham experiência igual ou semelhante a do casal, Clementine e Joel . Kate Winslet e Jim Carrey estão ótimos. Até me espantei porque nunca havia imaginado nem um nem outro num drama daquele… E muito dificilmente alguém os escalarias para algo “cult”. Mas entraram no projeto e se saíram muito bem. Gosto demais desse filme. E não só eu. Argh! Tem gente que só porque sofreu uma dor de cotovelo, elege “Brilho Eterno” como filme da sua vida, e de uma hora para outra, pessoas que se faziam de inatingíveis, dissecam seu “sofrimento” se comparando Clementine, querendo pintar os cabelos e ter Alzheimer genérico e específico também. Como Ana Lee fala: é o filme da minha vida! Credo, viu. Esse é filme de “pseudo-cult” demais. Além de ser filme, é fonte de inspiração para como se tornar um sofredor. Porque o sofrimento é arte. Ui! Tem gente que confunde o fim de uma relação íntima com arranhão proposital no cotovelo… E dessa confusão, vem a idolatria vazia esse tipo de filme.

Edukators (2004). Ai vem a onda dos filmes estrangeiros, e quando digo “estrangeiros” me refiro aos filmes não-americanos, já que o cinema mais conhecido é o deles e quando não são eles, são estranhos. Daí surge a falsa idéia de que todo filme europeu faz sucesso, provavelmente pela fama artística que a Europa tem. Como eu suspeito, deve ser o sotaque diferente que cativa as pessoas… O cara pode falar a maior besteira do mundo, o maior clichê, mas fez biquinho, cuspiu rápido, falou com charme, tá valendo. É aqui que lembro de ” Edukators”.

Kill Bill (2003). Ok. Eu realmente nem acho que esse seja um filme de “pseudo-cult” de verdade não. Mas ele é do Tarantino, e Tarantino é ícone “pseudo-cult”, sim. Porque ele é louco. Loucura deve ser coisa de “pseuco-cult”… Como ouvi Ana Lee hoje dizendo: eu não gosto de coisas normais, de coisas que todo mundo tem. Então, filosofo eu nessa atitude - nada clichê… – e penso que, como o normal é ser normal, ser louco vai virar – se não já virou – moda. Crazy Fashion Show. Sei lá. Então, meu querido Quentin Tarantino tem que aparecer na lista. E esse, para mim, foi o filme dele mais banalizado e idolatrado toa. Mesmo assim, o filme é muito divertido, a Uma Thurman está de dar inveja aos sedentários e aos samurais, mas eu ouvi muita gente babando nele sem motivo aparente. A Ana Lee tem fortes motivos. O tênis amarelo que ela comprou na semana seguinte, por sinal, é um deles. Eu acho “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel” muito melhores, desculpa aí. Mas aí já exigir demais dos “pseudo-cults”, né? Vamos combinar… Eles teriam que pesquisar um pouco para descobrir… E já me falaram que pensar dói.

Ok. Já estiquei demais o assunto, certo? E ele já deixou de ser novo. Eu quis apenas cutucar. Digamos que as últimas duas colunas foram um desabafo, e acredito demais, não foi apenas meu.

Filmes de Pseudo-Cults

Publicado em: 09-08-2006 @ 12:14 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Como muitos já falaram por aí, Cinema é paixão de muita gente. E eu até acredito que ele faça mesmo parte do gosto de várias pessoas mesmo. Minhas dúvidas são sobre o real motivo para essa preferência. Tem aqueles que gostam por gostar, aqueles que gostam e apreciam de perto, aqueles que até estudam e fazem cinema e aqueles que gostam porque, assim como diversas outras coisas, o Cinema tem alguns valores agregados. É aí que aparecem os “Pseudo-Cults” e seus filmes favoritos…

Inteligência. Bom gosto. Sensibilidade. Alguém diz mais? Mais alguma característica que a Sétima Arte pode agregar a uma pessoa? Acredito que podem ser várias, e como vivemos hoje na Era da Aparência, uma época na qual as pessoas se preocupam mais em “parecer” do que em “ser” realmente, é bem capaz de terem elaborado um “Manual de Como Parecer ____ - escolha sua opção”. Um desses manuais deve ter sido “Lista de Filmes Para Ser um Cult”.

Para começo de conversa, eu nem sei ao certo o que é uma pessoa “Cult”. Nem do lado verdadeiro e bom da palavra, nem do lado falso e pretensioso da coisa. Mas deve ser algo distinto e respeitável, porque está mais comum do que corrupção no Senado. Também não vou entrar na polêmica de se é bom ou ruim ser “Cult”. Essa crise existencial eu deixo para os que escolherem levar essa bandeira. E na verdade, eu acho simpática e divertida essa rotulação que rola por aí. Principalmente, quando se vê que os filmes estão sendo comentados – bem ou mal. Afinal, como já diria aquele lema dos aspirantes a popularidade, “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Pois bem… Essa semana, eu fiquei pensando naqueles filmes que sempre estão na boca daqueles que querem exalar intelectualidade com aquele típico ar blasé. Agora, vamos deixar claro que eu não estou dizendo que os “filmes” são “pseudo-cults”. Não são os filmes que querem ser metidos a intelectuais ou “artísticos” demais. Estou chamando as “pessoas” de “pseudo-cults”, e pretendo citar alguns filmes que elas gostam de exibir. E a maioria são filmes realmente bons, renomados e respeitos, mas claro, deve haver aquelas viagens psicodélicas, abstratas até o último quadro, que ninguém entende, mas, é arte! Quase uma paródia da história “A Roupa do Rei”, que dizia que só os inteligentes poderiam enxergá-la, enquanto na verdade, não existia roupa alguma. É aquela situação na qual a pessoa não entende absolutamente nada do filme, mas sai dizendo que é maravilhoso, tão maravilhoso que ela não tem palavras para descrevê-lo.

Pedi, então, ajuda para a minha companheira de papos cinematográficos, Ana Lee, uma cinéfila que odeia qualquer futilidade, qualquer superficialidade, qualquer coisa que não pareça ou seja relacionada imagem que cuidadosamente criou para si. Ana Lee se entitula uma jovem intelectual. Gosto muito de ouvir seus pensamentos sobre os filmes que assistimos juntas algumas vezes… Aprendo bastante, sabe? Quando comentei o tema da coluna dessa semana, ela ficou extremamente empolgada e me ajudou a escolher alguns filmes. Ironicamente, metade deles estava na sua lista de filmes favoritos do Orkut…

O primeiro filme que me veio na cabeça foi “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989). Esse foi um dos primeiros filmes ao qual eu assisti conscientemente, o qual me emocionou e marcou. A cena dos alunos subindo em suas carteiras reverenciando o velho professor, personagem do espetacular Robin Williams, gritando “Oh Capitan, My Capitan” me causa arrepios até hoje. Nem sei se todos percebem a sensibilidade daquela história, as aprendizagens obtidas durante o filme, o peso das experiências de cada um, as diferenças entre cada integrante do grupo de poesia secreto… É um belo filme. Foi ele quem eternizou para mim o “Carpe Diem”, que depois ficou tão comum que virou nome de perfume e desculpa para danações… Aí me fica a dúvida: todo mundo gosta mesmo do filme, se envolve com ele e se emociona, ou apenas aproveita o apanhado de elogios que ele tem, o ar artístico e sensível, e encarna o lado Neil Perry (Robert Sean Leonard) de viver a vida?

Outro que entrou na lista foi um muito comentado por Ana Lee. Ela gosta muito de falar sobre o cinema antigo. Principalmente sobre como “Casa Branca” teve uma influência política na América do Norte, originando o nome da casa do Tio Sam… Esse filme eu nunca tive a oportunidade de ver, mas quando ela caiu na felicidade de falar sobre o mesmo, eu me lembrei do clássico “Casablanca” (1942), do beijo apaixonado de Humphrey Bougart e Ingrid Bergam ao som de “As Time Goes By”. Meu Deus, como tem gente que endeusa aquela filme. E eu gostei. Mas não achei a oitava maravilha do mundo na primeira vez que vi. É, vai ver não sou tão intelectual assim… Mas é que demorei para me acostumar com o estilo dos atores, aquela atuação meio estática e aquela textura diferente. O que sempre gostei mesmo foi da música. Mesmo antes de conhecer o filme, já arranhava tocar aquela melodia. Diz a Ana Lee que eu não tinha a veia artística desenvolvida na época, que ela desde o início admirou a beleza e o trabalho da Katherine Hepburn, que até hoje eu procuro nos figurantes de “Casablanca” e nunca vi… Ela realmente tem um olhar diferenciado!

E continuando nos filmes antigos, para os mais “Pseudo-Cults” mesmo, não pode faltar “Cinema Paradiso” (1989). Nesse eu me transformei em manteiga derretida em fogo alto. Que filme lindo. Que metalinguagem belíssima do cinema. Ai, claro, vem aqueles que dizem que o filme é ótimo por causa do menino Salvatore, do sotaque italiano, da simplicidade e ingenuidade dos personagens. Enfim, uma infinidade de coisas. A dúvida que continua é se eles realmente chegaram a essas conclusões ou se leram no artigo mais próximo na Internet e decoraram as frases difíceis daquele estudioso. A impressão que eu tenho é que tem gente que pega aquelas listas “10 melhores filmes do mundo” e já adota como “filme de sofá”, tal qual os “livros de cabeceira”.

Avançando um pouco no tempo, tem um filme que conseguiu até me despertar abuso de tanto enxame que fizeram em cima. Principalmente, o alarde que fizeram para a protagonista do filme, que agrada, mas ainda tem que aprender, principalmente no que diz respeito a diminuir a “síndrome da maçaneta” (aquele ator/atriz que sempre tem a mesma cara, o mesmo estilo de papel…). O filme? “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”(2001). A atriz? Audrey Tautou. Polêmica, não? Demais. Eu saí do cinema embasbaca com esse filme. Super singelo e mesmo assim, profundo, muito interessante e a personagem da Amélie conquista todos pela sua simpatia. E é aí que surge o problema: metade do mundo cismou de ter ataques de ciúme pela Amélie, esqueceram até o nome da pobre da Audrey, e saem por aqui dizendo que “O Fabuloso Destino” é seu filme favorito. Ana Lee adora, porque é francês. Ela, claro, já está nas aulas de francês e vez ou outra, eu a pego na frente do espelho ensaiando seus biquinhos.

O filme realmente é bom. A atriz também está bem. Mas eu nunca ouvi falar que ser meiga merecia aplausos. Se fosse assim, os ursinhos carinhosos estariam no Top dos desenhos, com horário nobre no Cartoon NetWork e companhia limitada até hoje, e as personagens boazinhas teriam muito mais sex appeal e fãs do que as malvadas/canalhas. E engraçado que até parece que a Audrey só tem esse filme… Tem tantos. Se duvidar, tem gente que acha que “O Código DaVinci” encerrou sua filmografia… Ok, em alguns filmes ela me passa a impressão de tapioca mal-passada e só se destaca pelos ataques de nervos que causa (“Albergue Espanhol” e “Bem Me Quer, Mal Me Quer”). Mas isso é bom, certo? Mexer com o espectador, positiva ou negativamente, é o intuito do ator. Por isso, gosto do trabalho da Audrey. Não porque ela é fofa. Não mesmo, hein?

Outro filme clássico é o “Laranja Mecânica” (1971) do complexo Stanley Kubrick. Acho que esse é pau-a-pau com o “Amélie”. Em ambos, os protagonistas viraram “ícones cults”. Tem até blusa e almofada. Chiques, não? Eu acho “Laranja” espetacular. Que filme doido! E o livro não fica para trás. Sim, existe um livro, escrito pelo Anthony Burges, que criou todo aquele dialeto e aquela realidade dos Druguis comandados por Alex DeLarge. Fantástico. Justamente por causar tantas reações diferentes. Alguns tem abuso, outros acham sensacionalista, outros acham psicodélico demais, outros admiram o comportamento rebelde dos druguis, outros estudam e não cansam de achar novas abordagens. É um carnaval de reações.

Para mim ele é “pseudo-cult” porque a maioria das pessoas que citam ele com tanta reverência, nem conhecem Kubrick e suas outras obras, não reconhecem o traço dele na direção, apenas repetem as mesmas frases-feitas sobre Alex ou sonham em tomar aquele leite batizado – que eu não nego, eu também tive vontade de experimentar! É um filme que provoca questionamentos. E alguns bem estranhos, tipo o que a Ana Lee teve quando viu o filme: E aonde foi parar a tal laranja? Eles não bebem leite?

Ah, ainda tem vários filmes que entram para essa lista, mas aí eu correria o risco de vocês não chegarem até o último parágrafo! Vou então trazer o resto do “manual” próxima semana, na Parte II.

Mas, antes de finalizar, queria voltar a falar dos supostos “Pseudo-Cults”. E não só deles, dos “Cults” também. Pena não ter no dicionário – pelo menos, ainda - a descrição dessa palavra. Penso que ela deve ter relação com cultura, certo? Logo, informações, conteúdo, arte… E isso costuma ser valorizado por muita gente. Pessoas inteligentes, com larga bagagem cultural, são normalmente respeitadas, admiradas… E quem não gostaria de ocupar esse lugar? Deve ser dessa vontade, dessa carência de atenção, que veio essa denominação. Vai ver é o neologismo para “intelectual”.

O que acho engraçado é que tem toda uma regra para isso. Para ser “cult”, para ser “intelectual”. Você deve ler tantos livros por semana, ver tantos filmes por mês. Deve freqüentar determinados lugares, evitar certos tipos de pessoas… Ser contra teses tais e apoiar atitudes X. Na verdade, acho que esse é o comportamento do “pseudo-cult”. O “cult” nem deve saber que é “cult”. O “cult” deve ser aquele que nem venera ter bom-gosto, simplesmente tem. Não ostenta os filmes que já viu, nem as bandas underground que conhece. Simplesmente aprecia. Ele não evita ou tem fobias de nada, pelo contrário, está sempre disposto a conhecer de tudo. E estar aberto ao novo e ao qualquer não é ser eclético, é apenas ser curioso e instigado. Aceitar tudo e não filtrar nada, isso sim é ser eclético, e para mim, é apenas uma forma bonita de dizer que não tem gosto algum.

Nessas horas é que me lembro do baixinho narigudo da Grécia que dizia “Só sei que nada sei”. E por sinal, ele também deve ter virado ícone “pseudo-cult”, e a frase dele, nem se fala. Pena que nem todo mundo pensa o que fala. Se assim fosse, a linguagem de sinais já estaria nos cinemas… E desse novo cinema mudo, Chaplin não se orgulharia.

Irreversível

Publicado em: 02-08-2006 @ 12:12 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

O nome do filme não foi escolhido toa. Deve ter sido escolhido na tentativa de resumir ou sugerir os efeitos que aquela história causaria nas pessoas (personagens) que participaram da trama e nas pessoas que assistiram ao filme. Espantosamente, ele é mesmo “Irreversível”.

Desde o início da coluna, aviso logo. Juro que tentei não expor tanto o filme, a ponto de prejudicar a expectativa daqueles que não o assistiram. Mas não consegui. Até peguei leve, mas alguns detalhes tiveram que ser revelados. Então, se você não conferiu ainda essa película, e quer vê-la genuinamente, deixe para ler a coluna dessa semana depois. Caso contrário, seja bem-vindo.

Segunda coisa que devo dizer é que já cansei de ler tanto artigos maravilhosos sobre ele, como coisas pejorativas. E nem digo que não entendo os “opositores”. Realmente, é um filme polêmico e para os ingênuos de plantão, pode até ser classificado como “enxame para chamar atenção”. Mas cada um tem sua visão, certo? E eu gostei de ter tido a chance de conhecer a visão de Garspard Noé. É uma sensibilidade através do grotesco, talvez…

O começo é estranho. E quando digo o “começo”, me refiro ao começo mesmo, ao início do começo. Mas, pensando bem, o começo do filme não é o começo que costumamos pensar… Ah, estou falando do filme como produção audiovisual, certo? Não tanto da história. Então, sim, o começo do filme já te faz levantar as orelhas. Eu até pensei que o DVD estava com defeito, e depois de alguns minutos, fiquei me perguntando se tive muita sorte ou muito azar por não ter visto essa produção nos telonas… Resumindo, depende do seu ponto de vista. O que acontece mesmo é apenas uma inversão dos pontos de partida e de fim. Sensacional. Algo feito também em outros filmes, mas cada um com seu intuito e forma diferente: Amnésia (2001) de Christopher Nolan e Pulp Fiction (1994) de Quentin Tarantino.

Essa alteração na linearidade da exposição dos fatos da história é extremamente interessante. Ela altera de forma brutas as emoções do expectador. “Irreversível” nos passa primeiro a resolução do “problema”. O que antes traria uma reação do tipo “bem feito”, causa a priori algo que nem sei como descrever. Um absurdo, uma vontade de esculhambar o “animal” que ali está presente na forma de homem. Garspard Noé usa essa estrutura narrativa para brincar com as nossas expectativas. Nos “joga” personagens desconhecidos e só depois, segmento após segmento, que nos familiariza com situação vivida por Marcus e Pierre (Albert Dupontel), aparentemente, tão normais quanto qualquer um de nós. Realmente uma inversão sensacional.

A câmera. A impressão que ela me deu foi de emoção flor da pele. Pensei até que, talvez, ela estivesse ligada diretamente ao estado emocional de Marcus (Vincent Cassel), mas um tempo depois, desisti. Acho que ela segue o tom da história. E devemos dizer que é um tom extremamente inquieto, com as emoções condensadas e concentradas. É um detalhe perturbador do filme. Contribuiu significantemente para o tom do filme.

“Irreversível” não é o tipo de filme que quer dar respostas ao espectador. Até porque a história é cronologicamente curta e simples, o que não anula a intensidade e a rebeldia que ela provoca. Ela é contada de forma peculiar. De trás para frente, causando reações adversas. Acredito que seja mais do tipo de filme “laboratório”. Aquele filme que explora as ações e reações humanas. Como li uma vez, ele provoca pelo desejo de provocar, de incomodar, cutucar. Ele choca. Nem de longe é um filme leve. Eu admito que fiquei tonta nos primeiros minutos e achei espetacular ele ter conseguido me passar uma emoção tão intensa e diferente.

Há quem diga que ele possa ser forçado. Mas e daí? É uma ficção, não um documentário. E atire a primeira pedra quem acha a história absurda o bastante ou inverossímil demais para ser comparada com a nossa realidade. Faça o favor de cair na real. Ou se contente com os filmes pré-fabricados de Hollywood.

Ele aponta vários temas, mas não discute necessariamente nenhum. Sexo, homossexualismo, indiferença, rebeldia, vingança, frieza, maldade, nojo, perversão, preconceito, impulsividade, justiça, descoberta, surpresa, drogas. Uma mescla densa. E talvez não seja “politicamente correto” porque não levanta nenhuma bandeira explicitamente. Aí vai da cabeça de cada um.

No final, o filme de Gaspard Noé revela-se um amargo ensaio sobre a impossibilidade de corrigir acontecimentos determinantes. A inversão narrativa permite uma maior reflexão sobre o tema; se a estrutura fosse cronológica, mais facilmente tomaríamos o material como uma simples, ainda que brutal, história de vingança e os temas que permeiam a história de Alex, Marcus e Pierre não seriam tão eficazmente desenvolvidos.

E claro, não poderia citar esse filme sem falar de uma das cenas mais, mais… Mais intensa do filme - sim, porque outras palavras seriam censuradas. Monica Bellucci encara a cena de estupro mais fria que já tive o (des)prazer de ver. Cinco minutos que nos fazem pensar o que Darwin quis dizer com “evolução da espécie”. Sabe? E não, aqui não cabe uma piada, justamente porque é um assunto infeliz e a cena é cruel. E não é tosca, sensacionalista e muito menos apela pro lado erótico. Ela é crua. Esse foi um dos momentos que pensei: ele vai mesmo filmar isso tudo? Cabra quente…

O contraste entre o “começo” e o “final” do filme são absurdos, quase chegam a anestesiar. As cores, a música, a situação, o ambiente. São extremamente opostos. Realmente, é um filme que faz pensar, que choca, que marca. Irreversível.

Filmes que acabam inacabados

Publicado em: 26-07-2006 @ 12:11 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Normalmente, filmes que acabam inacabados não fazem muito sucesso entre a maioria das pessoas. Certo? Ok, não sei se estou certa, mas falando baseada no que vejo, essa afirmativa tem lá sua parte de verdade. E acho que “Flores Partidas” entra para essa lista. Definitivamente.

Dizem que os europeus que tem essa fama. É, essa mania de deixar um imenso ponto de interrogação no final do filme. Aliás, não só um ponto de interrogação. Eles deixam pontos de exclamações e reticências também. Além de alguns vários nós na sua cabeça…

Continuando, o cinema americano tem a tendência de criar problemas e solucioná-los ao final da trama. Antes, tudo acabava bem. Um saco! Tempos depois, felizmente, as câmeras ficaram mais realistas e começamos a ver finais não tão felizes assim, como “A Vida de David Gale” e “Beleza Americana”. Se bem que esses são dois filmes que ainda salvam o cinema americano… Mas, o que importa dizer é que o telespectador sempre tem um final objetivo.

Já em outros lugares, o cinema assume uma posição mais subjetiva, ignorando a intenção de “saciar” quem o assiste. A intenção é mais de cutucar, provocar reações e reflexões. E isso irrita muita gente! É sim! Acha o filme ruim porque não teve “um final”, porque forçou aquela cabeça bitolada e acomodada a pensar. Oh, mundo cruel!

Eu adoro filmes assim. “Encontros e Desencontros”, “Crash”, “Beleza Americana”, “Dogville”… Todos são filmes que driblam a sua expectativa. Não são um “A Dama de Honra”, mas todos possuem finais desconcertantes. São filmes sensíveis, que colocam o homem no microscópio e o dissecam artisticamente. Maravilhoso. E olha que nem precisa ser denso ou tenso para fazer isso, viu?

Felizmente, achei mais um filme para essa lista incomum. “Flores Partidas”, do peculiar Jim Jarmusch. Só por ser um filme dele, já podemos imaginar algumas coisas. Jim tem um jeito muito “dele” de dirigir seus filmes. Câmera estática, personagens marginalizados e até patetas, que muitas vezes são traídos por pessoas ou pelas circunstâncias. E “Flores Partidas” não foge dessa linha.

O personagem principal é feito pelo meu querido Bill Murray. Já tinha adorado ele em “Encontros e Desencontros”, e agora, depois de “Flores”, virei fã assumida. Aquele grandalhão pega uns personagens enigmáticos e consegue tirar risadas mesmo sem contar piadas. Adoro. E claro, ele não fez diferente com o misterioso Don Johnston.

“Flores Partidas” fala de um cara, um tipo Don Juan bem-sucedido, que não aparece estereotipado como tal – longe disso, que recebe uma carta misteriosa contando de um suposto filho. Drama das desquitadas, pois é. E meio que como esperado, ele viaja para descobrir a veracidade dessa carta, principalmente porque seu vizinho amigo, viciado em mistérios, Winston, arruma tudo para jogar Don na estrada. Na verdade, Don relutou muito em cair nessa aventura…

Até aí tudo clichê, né? É. Mas só na história, por que logo no começo já se percebe o jeito diferente – e até agoniante para os mais hiperativos – que a câmera se comporta. E não só a câmera, mas Don também. Ele é, bem dizer, a típica cara-maçaneta, aquela que nunca muda. Parece um “cabeça de gelo, coração de pingüim”. Mas nem é. Acho que ele é apenas um cara calado, pacato, que teve sorte nos negócios, mas não tanto no amor, e que no fundo se incomoda com isso. Que tem sentimentos, mas não é muito fã de ficar passeando com eles por aí.

Sim, onde eu estava? Ah, sim. Pois bem, outra coisa que já mostra que o filme não é “tão comum” assim é a trilha sonora. Adorei! Durante a breve viagem de Don podemos desfrutar de umas músicas super bacanas, inclusive umas eu já conhecia e adorava! Remeteu-me até ao filme “Elizabethtown”. Sim, “some music needs air, roll down your window”. Lembrou pelo fato de ser uma viagem longa, de carro, com uma trilha sonora preparada. Também porque ambas são viagens de descobertas. Mas, claro, a viagem de Don é bem mais subjetiva e estática, graças ao diretor.

A história dele não é tão cheia de fatos como esse outro filme, mas o modo como a história se desenrola me lembrou muito “Sideways”. Assim como me lembrou bastante de “Encontros e Desencontros”.

De qualquer forma, eu vi um filme que explora as reações de um personagem que vive na sua inércia, que explora sem tornar explícito, mas convidando a pensar e sentir junto com ele, no caso, Don. Um cara que teve a vida balançada por uma carta misteriosa, inesperada e subitamente, e que rachou sua crosta de inatingível.

Ele, que antes parecia indiferente tudo e todos, passa a ser atordoada pela suposta idéia de ter um jovem filho por aí em sua procura. Mal sabe o filho que existe um pai na ansiosa expectativa de encontrá-lo atravessando a rua ou dirigindo um carro. O final de três pontinhos nos deixa livre para imaginar o que aconteceu…

Com ou sem legenda?

Publicado em: 24-07-2006 @ 12:09 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu não vou nem negar que eu detesto. Quando dizem que o filme é dublado, eu já perco parte da vontade de pegar a sessão. As únicas vezes que topei pagar para ver um filme dublado foram quando se trataram de animações ou algum filme que eu estivesse beira de um ataque de nervos para ver.

Pior que essa não é uma frase só minha. A maioria das pessoas que eu conheço não gosta de filmes dublados. É um movimento quase unânime! Impressionante. Eu lembro que quando era “bem” mais nova - sim, tem sempre aquela piada chata sobre “quando eu era menor/mais nova” - queria sempre ver os filmes legendados para poder ouvir a voz dos meus ídolos (Brad Pitt era o top, preciso nem dizer, né?). Engraçado. E olha que eu pedia para todo mundo calar a boca quando ele falasse!

Mas vamos elencar os motivos pelos quais as pessoas detestam tantos filmes dublados! Afinal, tem até comunidade “Eu odeio filmes dublados”. Bateu até a curiosidade de procurar “Eu simpatizo com filmes dublados”. Sim, porque querer achar a “Eu adoro…” é pedir demais, certo?

Pois bem. Pela minha experiência de infância, eu queria sempre assistir aos filmes legendados pelo simples motivo de ser curiosa demais. Queria sempre saber como era a voz daquele povo. Imaginava um monte de coisa e quando ia “ver”, achava tão normal que ficava frustrada. Mas aí vem o fato de você sentir melhor o filme, chegar próximo do ator e do personagem.

E falando na voz real dos atores, lembrei de um pensamento ingênuo meu, simpaticamente engraçado. Quando eu era assídua da Sessão da Tarde, achava muito estranho alguns personagens terem a mesma voz em filmes diferentes. Tão bobinha, não? Mas ora, eu não sabia que era dublado. Achava que aquele era o mesmo filme que passava lá nos EUA, com a mesma voz. Tá certo que achava um absurdo de maravilhoso os atores saberem nossa língua tão bem, mas me intrigava a repetição das vozes. É, ainda bem que a gente cresce!

Entretanto, para mim, pelo menos, existe um fator “externo”, digamos assim. Infelizmente, é proibida a entrada de animais irracionais no cinema, sabe? É. Aquela galerinha que devia andar com as quatro patinhas no chão, que não tem a menor educação e fica sendo inconveniente na maior parte do filme. Aí, imagina assistir a um filme dublado com esse tipo de companhia? Não dá, certo? Só estressa. Por isso eu morria de medo quando entrava numa sala de animação que tinha muita criança. Aliás, até hoje sinto isso. Sempre entro e penso: Ai, lá vem!

Aí vem o fato de ter gente que acha as dublagens mal-feitas. Realmente, é motivo de piadas. As novelas mexicanas são conhecidíssimas! A criatura fala mais que a própria boca, ou vice-versa. Nessa situação, independente da direção, o resultado é sempre caótico! Mas, sabia que a dublagem brasileira é a melhor que tem por aí? Se nós achamos a nossa insatisfatória, imagine o que vamos achar das outras!

Agora também não vamos condenar. Algumas animações ficam mais divertidas dubladas. Primeiro, você pode acompanhar melhor o filme, os detalhes, os personagens sempre divertidos. Segundo, os brasileiros sabem fazer comédia. “Madagascar” dublado é muito bom. Os personagens ficam até mais engraçados. E me falaram que “A Fantástica Fábrica de Chocolate” do Tim Burton é melhor na forma dublada. Mas isso eu já não sei. Eu realmente só vi a dublada – é, esse foi um dos filmes que eu estava beira de um ataque de nervos para ver. E ela até que não foi tão ruim. O Willy Wonka estava engraçadinho, mas nada paga ouvir a voz do Johnny Depp.

Enfim, apesar de tudo, ainda tenho uma visão “tradicional”… Quem sabe até preconceituosa. Prefiro assistir aos filmes na sua versão original. Sempre.

Animação na Floresta

Publicado em: 12-07-2006 @ 12:08 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Eu costumo achar que quando não há uma expectativa muito grande sobre algo, esse “algo” tende a ser melhor. É. Porque a probabilidade de acontecer uma frustração é menor, porque você não espera nada e tudo que vier é lucro – aliás, quase tudo. Pensando melhor ainda, acho que as animações saem ganhando nesse ponto.

Animação não é brincadeira. Profissionais competentes e comprometidos se dedicam a lapidar detalhe por detalhe no mundo da criação virtual, horas a fio. Seria uma blasfêmia dizer que animações são apenas brincadeiras. São engraçadas de se ver. São trabalhosas, mas divertidas de serem feitas também. São assistidas com o intuito básico de livre e espontânea descontração. Mas engana-se quem acha que elas ainda se encaixam na seção “bestinhas e infantis”.

Até um tempo atrás, sim. Podia se dizer que as historinhas eram infantis. Apesar da técnica se superar cada vez mais – quase uma corrida tecnológica, as histórias eram realmente para o público infantil.

Mas aí veio “Shrek”, “Toy Story”, “A Era do Gelo”, “Selvagens”, “Madagascar”… Animações divertidíssimas, mas que começaram a chamar a atenção do público adulto. E sinceramente, eu devo ter rido muito mais em “Shrek” do que o moleque estava na poltrona da frente. Ele não tinha conhecimento para rir das paródias de filmes antigos ou das piadas nas entrelinhas – se bem que tem muito tio por aí que não entende também! Enfim, a animação, ainda divertida para as crianças devido s suas cores e personagens carismáticos, passou a ser dirigida para adultos também.

Sei que não estou falando nenhuma novidade, mas o que me fez repensar mesmo esse ponto foi o filme “Os Sem-Floresta”. De última hora decidi conferir a estréia, e no caminho ouvi opiniões desencorajadoras. “É bestinha, não tem nada de mais”. Entrei na sala, então, esperando uma repetição de “Selvagens”, um filme que serviu para passar o tempo, mas que não arrancou tantas risadas gostosas e tinha uma veia subliminar-política meio estranha para mim.

Então foi isso. Sem expectativa e querendo apenas desopilar, acabei gostando muito de “Os Sem-Florestas”! Primeiro, os personagens são muito fofinhos. Quem me conhece sabe que eu tenho esse defeito de me “apaixonar” pelos personagens das animações. Principalmente os mais nervosinhos e ingênuos, aqueles que sofrem de Déficit de Atenção e hiperatividade (e pior que tem um personagem que cai direitinho no perfil!)

Acontece que eu não vi apenas os personagens dignos de se levar para casa. Vi também algumas críticas nossa sociedade. Quem sabe até eu esteja “viajando na Hellman´s”, como costuma dizer uma amiga cinéfila, mas eu vi!

Só pelas primeiras frases do discurso de apresentação dos humanos para os bichinhos da floresta, eu já fiquei de orelha em pé. “Nós comemos para sobreviver, os humanos vivem para comer”. Essa frase foi muito divertida e extremamente pertinente. Os animais, harmoniosos e sábios, vivem tranqüilamente com o necessário. Nós, os racionais-wanna-be, estamos agora entrando na onda do “luxo for life”, onde quanto maior a quantidade, melhor, e quanto mais escasso, mais valioso. Será que vale mesmo a pena?

Tem a típica personagem moderna: estressada, pirada, dondoca, executiva… Estereótipos facilmente encontrados hoje no meio da rua. Vemos a falta de sociabilidade entre os residentes do tal condomínio. Além de outros pequenos detalhes que mostram traços da convivência humana. E todos entrando em contradição com a relação entre os animais. Começa-se a achar engraçado a comparação que deixa explícitas a estupidez humana.

Algo bastante banalizado atualmente é extremamente citado no filme: família. Pertencer a um grupo parece ser extremamente necessário hoje em dia. E pertencer de forma cúmplice, companheira e incondicional, mais ainda.

Não sei da onde dizem que nós, humanos, somos os seres racionais do planeta. Racional pode estar ligado ao verbo “raciocinar”, certo? Mas nem sempre se raciocina certo. Na maioria das vezes, se raciocina da forma mais errada, egoísta possível. E quem paga o “pato” somos nós mesmos.

Vale falar também que o descaso com o meio-ambiente é super bem colocado na trama. O começo do problema é justamente quando a primavera chega, os animais saem da toca em busca de comida e se deparam com a invasão inconseqüente do homem. Tudo isso porque “muito é sempre pouco”. E é algo tão forte que afeta ate o modo de viver dos animais. O “sabidinho” da turma é, bem dizer, virou um promoter exclusivo.

É mais ou menos assim. “Os Sem-Floresta” é um filme bacana, e que se olharmos bem, podemos ver mais além. Assim como diversas outras animações, é um filme leve e inteligente, que aborda uma situação comum no mundo dos “bichinhos” de forma divertida. Assim como “Era do Gelo 2” abordou tão bem, mas ali, sem interferência humana.

Cinema e Espiritualidade

Publicado em: 05-07-2006 @ 12:06 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Um assunto visto por muitos, ignorados por outros, desconhecido para a maioria. A Espiritualidade sempre rondou a curiosidade do homem e agora está invadindo a mídia. Assim como fez o evento “Comunicação e Espiritualidade”, nós também deveríamos discutir essa nova apresentação do tema.

De fato, é muito importante discutir sobre os temas que estão em foco na mídia. Foi mais ou menos essa a intenção do Workshop Comunicação & Espiritualidade, realizado no dia 29 do mês passado, numa iniciativa do empresário Luiz Eduardo Girão. Como não poderia deixar de ser, o cinema foi uma das mídias citadas, muito bem representado através das palavras do superintendente da TV Ceará e professor de História e Estética do Cinema da Universidade de Fortaleza, Gláuber Paiva Filho.

A conversa começou com algumas experiências do jornalista Marcel Souto Maior, autor dos livros “As Vidas de Chico Xavier” e “Por Trás do Véu de Ísis” e editor do quadro “Profissão Repórter” do programa Fantástico, da Rede Globo. Em seguida, os demais participantes da mesa redonda se pronunciaram, os quais eram a jornalista Déborah Lima, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará (Sindjorce); o jornalista Moacir Maia, colunista de Economia de veículo impresso e professor universitário; o jornalista Nonato Albuquerque, que também é radialista e âncora de programa de telejornalístico; o publicitário Duda Brígido, diretor do Sindicato das Agências de Publicidade do Ceará (Sindapro), além do já citado Gláuber Filho.

Na verdade, algumas pessoas podem ter estranhado o desenrolar do evento. Alguns pensaram em algo realmente espírita, outros pensaram em algo mais focado na comunicação. Acontece que foi uma mescla - não muito equilibrada para o meu gosto, mas não deixou de ser um momento interessante.

De qualquer forma, não quero me ater ao evento em si, mas sim ao tema proposto. Por mais que o momento mereça suas considerações… Como por exemplo: alguns integrantes da mesa que faziam caras e bocas dignas de uma psicografia, o tom pastoral que outros integrantes deram ao discurso, a enrolação de palavras perdidas na perda de foco e o castigo do cerimonialista, engomado e hiperativo, que passou as 3h esperando o santo baixar, mas ao que parece, infelizmente só baixaram interferências telefônicas.

Voltando ao tema. Não é de agora que percebemos a exibição de temas mais espirituais. Na TV, vimos a novela “Alma Gêmea” a personagem Serena, da atriz Priscila Fantin, trazer tona a polêmica da reencarnação. Mas o que nos interessa é o cinema, certo? E aqui é que temos uma lista longa!

“Sexto Sentido” (1999), “Espíritos” (2004), “Os Outros” (2001), “Diário de uma Paixão” (2004), “Amor Além da Vida” (1998), “Ghost – Do Outro Lado da Vida” (1990), “O Iluminado” (1980), “O Exorcista” (1973), “Poltergeist” (1982), “Chave-Mestra” (2005)… Por enquanto basta, né? Acredito que com exceção de dois ou três, todos esses filmes são conhecidos de vocês. Alguns mais recentes, outros da década de 90/80. Mas todos trazem a espiritualidade como ponto influente no enredo.

Acredito até, que princípio, a espiritualidade era usada apenas com a finalidade de assustar. Tanto que a maioria dos filmes que usam espíritos e cia. Ltda. tem um tom de suspense. De uns tempos para cá, talvez com a maturidade do assunto e mudança de pensamento das pessoas, o tema passou a ser melhor trabalhado, virando até histórias de amor e comédias.

Verdade seja dita: nem todo mundo pode acreditar, mas todos já tiveram isso em algum momento do seu cotidiano. Seja em brincadeiras de susto, em historias de terror, em experiências próprias, em alucinações no escuro ou mesmo vendo programas televisivos ou filmes na telona. Assim como dizem “eu não acredito em bruxas, mas elas existem”, há quem diga “eu não acredito em almas, mas não me deixe sozinho no escuro”.

Realmente é um assunto de mil gumes, que pode ser interpretado de diversas maneiras e que pode ser usado de várias formas, e nem todas elas são positivas. Justamente por isso, acho importante ter esse assunto discutido, por mais que ele envolva princípios religiosos e se torna um tanto subjetivo. Mas ele está por aí, sendo tema de muitos trabalhos.

No XVI Cine Ceará, por sinal, um dos longas exibidos foi “As tentações de São Sebastião”, do diretor José Araújo. Certamente é um filme deveria ser visto pelos que gostam ou tem curiosidade pelo assunto. Principalmente porque “As Tentações” não focam no rotineiro catolicismo, mas trazem a Ubanda, religião não tão conhecida por todos.

Tanto o cinema nacional como o cinema internacional (mais comercialmente falando) trabalharam esse tema, que justamente por ser misteriosos e brincar com a subjetividade humana, chama tanta a atenção. Já estava na hora de tratarmos essa temática de forma aberta, com ceticismo ou não, mas trazê-la para a nossa realidade, já que a mídia já trouxe para os meios de comunicação.

Cinema para Um ou Dois?

Publicado em: 26-06-2006 @ 12:05 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Fiquei pensando nisso quando vi “alguém” ser repreendida por ter passado o Dia dos Namorados num cinema, sozinha. Por que as salas de exibição de cinema se tornaram lugares “incomuns” para pessoas solteiras? Quem disse que o filme só é bom se você estiver acompanhado? Por algum acaso a interpretação da história precisa de um terceiro elemento?

Não sei desde quando isso acontece. Nem se é uma convenção, uma conseqüência, uma invenção dos depressivos de plantão ou uma norma social para separar os casais dos solteiros. Sei que desde que eu me dou por gente eu escuto essa ladainha de que ir ao cinema sozinho é muito melancólico.

Eu nunca fui sozinha, então, não sei bem qual a sensação. Mas tenho amigas que preferem muito mais irem desacompanhadas do que acompanhadas. Algumas dizem que a compreensão é melhor, que a atenção não é interrompida. Eu prefiro ir com boas companhias. E quando digo boas companhias, digo boas companhias e não parceiros. Vou ao cinema para ver o filme, não para aproveitar o baixar das luzes. Mas, que jogue a primeira pedra quem nunca teve um romance após os trailers, certo? O escurinho do cinema realmente é clássico. Da maneira de cada um: desajeitado, surpreendente, “aperreado”… Até comprido.

Engraçado que existem até os lugares marcados. Casais devem sentar ao final das cadeiras. Parece até convenção. Quanto mais longe, maior a vontade de ficar junto da pessoa e longe do enredo do filme. E prova disso são as últimas filas dos cinemas UCI! Agora foi! Por que só as últimas, e não todas as cadeiras, podem levantar o apoio do braço? Que discriminação é essa? Essa opção é prova da teoria do “cinema para dois, nunca para um”, e a desculpa esfarrapada de “proporcionar maior conforto” não cola. Até porque subentende-se que quem vai ao cinema, vai para ver o filme, e não para tirar um cochilo - por mais que isso aconteça até demais. Quem quiser uma poltrona, que procure na sua própria sala, ora.

Eu inclusive já li uma pesquisa que dizia que quem senta da metade das filas para frente capta muito melhor o filme, enquanto quem se senta da metade para o fim perde muitos detalhes. Por que será? Além do motivo físico e óbvio, será que a tal teoria aí altera as estatísticas? Interfere no produto final?

Sei que essa história aí acontece demais. Quem sabe, com a idade, ela vá se atenuando. Mas ainda existe. Ainda é estranho ver uma pessoa sozinha na fila do cinema. Alguém sempre pensa: deve estar esperando pela companhia. Ou, os mais terríveis e tradicionais: pobre coitado(a) da alma solitária…

Na verdade, sozinha eu nunca fui. Mas já me senti um peixe fora d´água por estar com uma amiga e não um amigo, formando aquele típico casal. Lembro ainda e morro de rir. Uma vez, quando fui conferir “Lisbela e o Prisioneiro”, no final do filme – quem assistiu, sabe – eu quase explodo de rir. Não sabia se era rindo para não chorar ou o quê, mas eu ri. Outra vez foi durante “Simplesmente Amor”. Nossa, só casal, um filme super romântico… Sai beirando a depressão. Mas fiquei super inspirada depois. Chegou até a influenciar minha vida pessoal!

Vai ver não devemos levar em conta apenas que a pessoa está sozinha. Devemos avaliar também o gênero do filme ao qual ela vai assistir. Se for romântico, aquele ingresso pode ser uma tentativa de curtir a fossa ou apenas uma descontração sadia. Afinal de contas, a modernidade nos dias de hoje é tanta que esse mito já está se perdendo. É tanta correria e tanta gente falando no nosso dia-a-dia que alguns minutos de paz e lazer são muito bem-vindos! E, aliás, esse é um dos melhores pontos de ir ao cinema sozinho: acabam os comentários inconvenientes. Odeio!

Mas voltando questão dos gêneros, pensei em algumas besteirinhas. Realmente ele faz a diferença. Imagina você ir ver sozinho “Máquina Mortífera 3″, “Todo Mundo em Pânico 4″, “Harry Potter”… Dá para aguentar sozinho, certo? E, sinceramente, no caso de alguns filmes, se você for sozinho, estará fazendo um grande favor ao seu companheiro! Agora, imagina aí um cidadão indo assistir “Titanic”, “Um Amor para Recordar”… Esses filmes são bem mais emocionantes, ou seja, o risco de se sentir o frio da vazio da cadeira ao lado é maior. Mas, quer saber, até em uma comédia pode ser que você sinta falta da companhia, ou não, nas horas das risadas, na hora de compartilhar uma cena particular.

Enfim, acho que da próxima vez que encontrar alguém sozinho na fila, vou tirar minha dúvida. Ou quem saiba deva eu mesma conferir essa sensação… Independente de com quem se vá, como se vá, o cinema ainda é um lugar mágico, onde ninguém sabe exatamente o que vai fazer quando as luzes se apagam.

Guarnicê!

Publicado em: 13-06-2006 @ 12:03 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Provavelmente a equipe dos Rapaduras ainda está curtindo o final da ressaca pós-Cine Ceará. Quem viu, aproveitou. Quem não foi, perdeu. Mas quem disse que a maratona de Festivais termina por aí? O cinema nacional já pode contar com o Guarnicê, o festival de cinema que acontece em São Luiz - Maranhão.

Do dia 31 a 08 de junho, Fortaleza foi invadida por uma onda ibero-americana da Sétima Arte. Sim, sim. o 16o Cine Ceará chegou cheio de novidades, trazendo filmes de outras nacionalidades, com diferentes linguagens e realidades. Certamente foi um evento muito rico e, por parte das equipe do CCR, deveras divertido. Mas isso vocês podem conferir nos bastidores da nossa cobertura.

Pois sim. Quem pensa que a maratona de festivais acaba por ali está redodamente enganado. Dia 13 de junho já começa o 29o Festival Guarnicês de Cinema e Vídeo, outro grande evento da área do cinema que acontece na capital Maranhense, São Luiz. O Cine Ceará acabou de debutar, está na sua 16a edição. Já o Guarnicê está um pouco mais adulto, contando com mais de duas décadas de história.

Ele é realizado pelo Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O festival exibe filmes de curta, média e longa metragens nos formatos 8mm, 16mm e 35mm, em mostras informativas e competitivas. Também são organizados concursos de vídeo em várias categorias, de telecomerciais e telereportagens. Até semelhante com o Cine Ceará, certo?

O festival acontece no mês de junho, durante a maior festa cultural do estado. Neste período, grandes manifestações folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi, atraem pessoas de todo o mundo capital São Luís - Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. E olha que mexe mesmo, viu? Eu estou aqui conferindo as preparações para as festas do Boi e fiquei até surpresa com o envolvimento das pessoas.

O festival aproveita essa leva de festa e se baseia nesse tema. Na verdade, o termo “guarnicê” se refere a um momento de preparação, momento em que os brincantes do Bumba-Meu-Boi se reúnem em torno da fogueira onde esquentam os seus tambores e pandeirões, cantando a toada que anuncia a chegada do Boi. Guarnicê é a palavra chave da maior manifestação folclórica do Maranhão. É a expressão que representa simbolicamente o espírito cultural da terra e sintetiza o vigor de suas tradições.

Mas, ele nem sempre teve esse nome, viu? Em 1977, quando foi lançado, era chamado de Jornada Maranhense de Super 8, passou para Guarnicê e cada vez mais vem crescendo. No início reunia um grupo de cineastas locais que durante toda a década de setenta produziram filmes de curta-metragem exibidos em pequenas mostras realizadas em São Luís e no interior do estado. As mostras foram crescendo ano após ano com o aparecimento espontâneo de novos realizadores e através de cursos e oficinas ministradas por grandes nomes do cinema nacional. Assim como o Cine Ceará, ele recebe filmes de todo o Brasil. A diferença é que agora o Cine Ceará abriu as telonas para os países ibero-americanos…

Felizmente a cena do cinema nacional não está tão parada! E antes que eu me esqueça, os cearenses ainda vão ter mais oportunidades no segundo semestre com a segunda edição do eufórico Curta Canoa (Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada). Aproveitem!

Código dos Livros para o Cinema

Publicado em: 29-05-2006 @ 12:02 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Esse negócio de transformar livro em filme é meio complicado, vocês não acham? Andei pensando nisso já várias vezes, mas o assunto me veio tona novamente após a estréia do famoso “O Código DaVinci” nos cinemas.

Eu ainda não vi o filme. E podem me chamar do que for, mas eu não estou morrendo para vê-lo ainda. Os motivos? São vários. Primeiro, não gosto das adaptações de livros para o cinema. Sempre deixam a desejar. Não por incompetência, mas porque nunca é a mesma coisa, já que cada um é cada um – mas falo sobre isso mais adiante. Segundo, esse filme, para mim, é apenas um caça-níquel. Achei o Ron Howard até corajoso demais ao assumir um projeto tão perigoso. Sim, perigoso, já que o livro foi super polêmico, super lido, super comentado, super exposto. Até o Diabo deve ter lido. Terceiro, os personagens principais não me convenceram nos trailers. Sim, não posso julgar o filme pelo trailer, mas trailers são feitos para causarem impacto e chamarem a atenção das pessoas, certo? Pois bem, não funcionou muito bem comigo. Fora que eu detesto salas lotadas demais. Vou esperar a poeira baixar e então confiro o filme, que até agora chegou aos meus ouvidos como uma produção medíocre, de atores descartáveis. O que foi que houve com o Tom Hanks? E a tal da Audrey deveria ter ficado no mundo fabuloso da Amelie. Que pena!

Mas antes de começar a coluna de fato, alguém pode me explicar quem foi o maluco que deu a idéia do filme estrear em Cannes? Quem foi o insano?! Central do Brasil recebeu cinco minutos de palmas, de pé, e eles querem estrear “O Código DaVinci” em Cannes?! Confundiram com o Oscar, não foi? Só pode. Cannes é conhecido por ser exigente. Que pretensão estúpida a desse povo… Não é porque tem o nome do grande Leonardo Da Vinci que a obra leva o crédito dele não, hein!

Mas, saindo do foco do superpop aí, vou voltar para a coluna. Essa parceria de filmes e livros tem futuro? Acho que ela sempre aguça a curiosidade de quem leu o livro, cria uma expectativa. E justamente por gerar uma espera é que a possibilidade de se acontecer uma frustração é maior. Se você vai sem esperar nada, qualquer coisa pode ser lucro. Mas se você tem uma idéia do que pode ser, qualquer coisa que saia desse modelo pode causar reações adversas.

Ao ler um livro, você automaticamente produz um filme na sua cabeça. Imagina as cenas, os personagens. Eu mesma imaginei o Robert Langdon completamente diferente! E imaginei a Sophie Neveau realmente ruiva, sabe? Aí já começa aquela sensação de “Vai, me convence!”. A leitura provoca essa criação. A imagem não, ela já chega com tudo pronto para ser projetado nas nossas cabeças. Por isso não gosto da adaptação. É preciso sempre lembrar que o filme é uma versão dos olhos do diretor. Não podemos exigir que seja igual nossa, certo?

Acho que estou começando a ficar curiosa para ver “O Código” não pelo filme, mas pela curiosidade em ver minha cara após o filme. Será exceção ou cairá na rotina dos que deixaram a desejar?

Página 5 à 10«2345678»...Última »

Opções:

Size

Colors