Eu costumo achar que quando não há uma expectativa muito grande sobre algo, esse “algo” tende a ser melhor. É. Porque a probabilidade de acontecer uma frustração é menor, porque você não espera nada e tudo que vier é lucro – aliás, quase tudo. Pensando melhor ainda, acho que as animações saem ganhando nesse ponto.
Animação não é brincadeira. Profissionais competentes e comprometidos se dedicam a lapidar detalhe por detalhe no mundo da criação virtual, horas a fio. Seria uma blasfêmia dizer que animações são apenas brincadeiras. São engraçadas de se ver. São trabalhosas, mas divertidas de serem feitas também. São assistidas com o intuito básico de livre e espontânea descontração. Mas engana-se quem acha que elas ainda se encaixam na seção “bestinhas e infantis”.
Até um tempo atrás, sim. Podia se dizer que as historinhas eram infantis. Apesar da técnica se superar cada vez mais – quase uma corrida tecnológica, as histórias eram realmente para o público infantil.
Mas aí veio “Shrek”, “Toy Story”, “A Era do Gelo”, “Selvagens”, “Madagascar”… Animações divertidíssimas, mas que começaram a chamar a atenção do público adulto. E sinceramente, eu devo ter rido muito mais em “Shrek” do que o moleque estava na poltrona da frente. Ele não tinha conhecimento para rir das paródias de filmes antigos ou das piadas nas entrelinhas – se bem que tem muito tio por aí que não entende também! Enfim, a animação, ainda divertida para as crianças devido s suas cores e personagens carismáticos, passou a ser dirigida para adultos também.
Sei que não estou falando nenhuma novidade, mas o que me fez repensar mesmo esse ponto foi o filme “Os Sem-Floresta”. De última hora decidi conferir a estréia, e no caminho ouvi opiniões desencorajadoras. “É bestinha, não tem nada de mais”. Entrei na sala, então, esperando uma repetição de “Selvagens”, um filme que serviu para passar o tempo, mas que não arrancou tantas risadas gostosas e tinha uma veia subliminar-política meio estranha para mim.
Então foi isso. Sem expectativa e querendo apenas desopilar, acabei gostando muito de “Os Sem-Florestas”! Primeiro, os personagens são muito fofinhos. Quem me conhece sabe que eu tenho esse defeito de me “apaixonar” pelos personagens das animações. Principalmente os mais nervosinhos e ingênuos, aqueles que sofrem de Déficit de Atenção e hiperatividade (e pior que tem um personagem que cai direitinho no perfil!)
Acontece que eu não vi apenas os personagens dignos de se levar para casa. Vi também algumas críticas nossa sociedade. Quem sabe até eu esteja “viajando na Hellman´s”, como costuma dizer uma amiga cinéfila, mas eu vi!
Só pelas primeiras frases do discurso de apresentação dos humanos para os bichinhos da floresta, eu já fiquei de orelha em pé. “Nós comemos para sobreviver, os humanos vivem para comer”. Essa frase foi muito divertida e extremamente pertinente. Os animais, harmoniosos e sábios, vivem tranqüilamente com o necessário. Nós, os racionais-wanna-be, estamos agora entrando na onda do “luxo for life”, onde quanto maior a quantidade, melhor, e quanto mais escasso, mais valioso. Será que vale mesmo a pena?
Tem a típica personagem moderna: estressada, pirada, dondoca, executiva… Estereótipos facilmente encontrados hoje no meio da rua. Vemos a falta de sociabilidade entre os residentes do tal condomínio. Além de outros pequenos detalhes que mostram traços da convivência humana. E todos entrando em contradição com a relação entre os animais. Começa-se a achar engraçado a comparação que deixa explícitas a estupidez humana.
Algo bastante banalizado atualmente é extremamente citado no filme: família. Pertencer a um grupo parece ser extremamente necessário hoje em dia. E pertencer de forma cúmplice, companheira e incondicional, mais ainda.
Não sei da onde dizem que nós, humanos, somos os seres racionais do planeta. Racional pode estar ligado ao verbo “raciocinar”, certo? Mas nem sempre se raciocina certo. Na maioria das vezes, se raciocina da forma mais errada, egoísta possível. E quem paga o “pato” somos nós mesmos.
Vale falar também que o descaso com o meio-ambiente é super bem colocado na trama. O começo do problema é justamente quando a primavera chega, os animais saem da toca em busca de comida e se deparam com a invasão inconseqüente do homem. Tudo isso porque “muito é sempre pouco”. E é algo tão forte que afeta ate o modo de viver dos animais. O “sabidinho” da turma é, bem dizer, virou um promoter exclusivo.
É mais ou menos assim. “Os Sem-Floresta” é um filme bacana, e que se olharmos bem, podemos ver mais além. Assim como diversas outras animações, é um filme leve e inteligente, que aborda uma situação comum no mundo dos “bichinhos” de forma divertida. Assim como “Era do Gelo 2” abordou tão bem, mas ali, sem interferência humana.
De fato, é muito importante discutir sobre os temas que estão em foco na mídia. Foi mais ou menos essa a intenção do Workshop Comunicação & Espiritualidade, realizado no dia 29 do mês passado, numa iniciativa do empresário Luiz Eduardo Girão. Como não poderia deixar de ser, o cinema foi uma das mídias citadas, muito bem representado através das palavras do superintendente da TV Ceará e professor de História e Estética do Cinema da Universidade de Fortaleza, Gláuber Paiva Filho.
Não sei desde quando isso acontece. Nem se é uma convenção, uma conseqüência, uma invenção dos depressivos de plantão ou uma norma social para separar os casais dos solteiros. Sei que desde que eu me dou por gente eu escuto essa ladainha de que ir ao cinema sozinho é muito melancólico.
Do dia 31 a 08 de junho, Fortaleza foi invadida por uma onda ibero-americana da Sétima Arte. Sim, sim. o 16o Cine Ceará chegou cheio de novidades, trazendo filmes de outras nacionalidades, com diferentes linguagens e realidades. Certamente foi um evento muito rico e, por parte das equipe do CCR, deveras divertido. Mas isso vocês podem conferir nos bastidores da nossa cobertura.
Eu ainda não vi o filme. E podem me chamar do que for, mas eu não estou morrendo para vê-lo ainda. Os motivos? São vários. Primeiro, não gosto das adaptações de livros para o cinema. Sempre deixam a desejar. Não por incompetência, mas porque nunca é a mesma coisa, já que cada um é cada um – mas falo sobre isso mais adiante. Segundo, esse filme, para mim, é apenas um caça-níquel. Achei o Ron Howard até corajoso demais ao assumir um projeto tão perigoso. Sim, perigoso, já que o livro foi super polêmico, super lido, super comentado, super exposto. Até o Diabo deve ter lido. Terceiro, os personagens principais não me convenceram nos trailers. Sim, não posso julgar o filme pelo trailer, mas trailers são feitos para causarem impacto e chamarem a atenção das pessoas, certo? Pois bem, não funcionou muito bem comigo. Fora que eu detesto salas lotadas demais. Vou esperar a poeira baixar e então confiro o filme, que até agora chegou aos meus ouvidos como uma produção medíocre, de atores descartáveis. O que foi que houve com o Tom Hanks? E a tal da Audrey deveria ter ficado no mundo fabuloso da Amelie. Que pena!
Já ouvi muitas pessoas saírem da sala do cinema dizendo que o filme era horrível simplesmente porque não encontraram um final feliz, ou porque não entenderam, ou porque não era óbvia a resposta – como até comentei na coluna passada. Que absurdo, não? Ou não? Será justo julgar um filme pelo fim? Tal qual julgar um livro pela capa?
Finalmente tive a sorte de assistir “As Bicicletas de Belleville” (2003), uma animação francesa fantástica do diretor Sylvain Chomet. Mas não vou falar aqui da história. Quem tiver a oportunidade, confira. Quero falar mesmo é da magia do desenho.
Mais uma vez, eu falando do meu vício: animações. “Selvagem” é algo meio “chapado” de “Madagascar”, que mistura um drama a lá “Rei Leão” e personagens típicos. Tem seus momentos engraçados, mas não passa de uma diversão despretensiosa e que pode até cansar o cidadão por alguns instantes.