Sabe o que vale mais em uma empresa? Não são os equipamentos, ações e nem o capital intelectual, mas sim sua marca. A marca é o que representa tudo que uma empresa tem de valor e o que deve ser lembrado pelas pessoas. E o que isso tem a ver com cinema? Tudo. Você já vai entender o por quê.
Apple, Coca-Cola, Microsoft, McDonalds. Mais do que marcas, são sinônimos de empresas em seus setores. Quando se fala no nome de uma delas, sabe-se do assunto que se vai falar. Elas têm conceitos e posicionamentos firmados na cabeça de qualquer consumidor e este é o sonho de qualquer empresa.
E para pular logo para a parte que fala de cinema, voltemos no tempo. Retornamos ao ano de 1977. Estreava nos cinema um projeto que George Lucas tinha custado muito para conseguir viabilizar: Star Wars. O filme chegou a ser recusado por produtoras que não acreditaram no projeto.
Ali, começou a ser construída uma marca, uma franquia que mudaria a história do cinema. O filme foi tão bem recebido que ganhou uma legião de fãs. Pessoas que se vestiam igual aos personagens, que compravam objetos e produtos referentes ao filme e faziam apologia ao universo Star Wars. Ou seja, a história dos Jedis saiu das telonas para fazer parte da vida dos espectadores. E construiu uma marca tão forte e tão sólida que o tempo não apagou.
Foram 6 anos para o fim da primeira Trilogia. E depois, mas 28 anos para a conclusão da segunda trilogia, que conta na verdade o começo da história. Livros paralelos, histórias e teorias. Jogos, toy arts, bonecos e muita imaginação dos fãs, compuseram uma espécie de universo estendido, o que mantém os fanboys vidrados até hoje.
George Lucas, que quase não conseguiu tirar o projeto do papel, entregou o filme para a produtora quase de graça. Ele queria apenas, o direito da franquia e de tudo que levasse a marca de Star Wars. Talvez ele não soubesse o sucesso que seu filme faria, ou talvez já pressentisse. Hoje, o que se tem notícia através da Revista Forbes que em 2006 publicou o quanto a franquia Star Wars faturou até hoje, colocou o filme entre as marcas mais caras do mundo. São mais de 20 BILHÕES de dólares arrecadados. Para vocês terem uma idéia, este valor caracteriza marca 20º empresa do Ranking de Marcas mais valiosas do mundo.
Por fim, essa é a condição que toda a marca gostaria de ter. Ao invés de compradores, usuários ou espectadores, o objetivo é ter fãs. Ter uma legião de amantes de determinada marca, produto ou serviço.
E a legião de fãs de Star Wars vai continuar sempre cultuando a obra de George Lucas.
Enquanto torcemos para que o novo inédito filme de Jack Black entre no em cartaz aqui no Brasil, ou pelo menos chegue às nossas locadoras, confira as loucas ações que divulgaram Be Kind Rewind.
Acho que todo mundo lembra do VHS, né? Confesso que lembro até com saudades. Tá bom, nem tantas saudades assim. É essa nostalgia que o filme de Michael Gondry (diretor de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças“), que estreou em fevereiro nos Estados Unidos e ainda não tem data para estrear no Brasil, traz a tona.
Para contar a ação que divulgou o filme de forma inusitada, vou falar um pouquinho sobre ele. Mos Def fica responsável por cuidar de uma antiga locadora de filmes que ainda usa VHS. Por acidente, Jack Black apaga todas as fitas o que levaria a locadora ao fracasso total. Para não perder os clientes, os dois começam a refazer filmes famosos com suas próprias mãos, usando sucatas e figurinos improvisados. As versões caseiras dos filmes são chamadas de “sweedadas”, traduzindo ao pé da letra, versões suecadas.
Pois bem. Se o espírito do filme era brincar com filmes refeitos de maneiras alternativas, nada mais justo que usar isso como divulgação. Antes do filme estrear foi criado um Canal do YouTube do filme, onde o visitante podia conferir a versão “suecada” de 4 filmes: “Robocop”, “Conduzindo Miss Dasy”, “Os Caça-Fantasmas” e “A Hora do Rush 2”. Além de um vídeo de Jack Black explicando o que eram as versões suecadas e convidando a todos para enviar as suas. Confira este vídeo abaixo:
A brincadeira foi um pouco mais além. Michael Gondry alugou uma antiga galeria chamada Soho e transformou-a em um estúdio de suecagem e em uma locadora de verdade. Ali, você poderia montar seu filme suecado, gravar, levar uma cópia e deixar a outra na locadora que quem quisesse alugar. O estúdio/locadora funcionou entre o dia 24 de janeiro e o dia 1º março no centro de Nova Iorque:
No Youtube pode-se encontrar vários filmes suecados, mostrando que o pessoal gostou da idéia e pôs em prática. O hotsite do filme, que agora anuncia o lançamento do Blu-Ray, mostra o que acontece quando sem querer Jack Black apaga a internet, e sites famosos tem suas versões suecadas. Confira como ficou em www.bekindmovie.com.
Gondry também planejou criar um estúdio parecido no Festival de Sundance, onde “Be Kind Rewind” estreou. Ali, diretores dos filmes suecados em Be Kind, poderiam suecar filmes de Gondry.
O filme que faturou 11 milhões nos Estados Unidos e infelizmente deve demorar pra chegar até aqui e quando chegar será direto nas locadoras (ou não, já que ele vem sendo empurrado mês a mês). Vamos sueca-los enquanto isso? Maurício Saldanha fez isso com “Magnólia“. Veja aqui!
Enviem comentários, dúvidas, sugestões e contribuições para a coluna. Semana que vem, tem mais.
O texto abaixo é uma opinião do autor e não retrata necessariamente a posição do Cinema com Rapadura. Deixamos claro que somos totalmente contra a pirataria.
E quando o camelô vira o principal divulgador de um filme? Roubo na subtitulagem, ou ação de marketing? Como Tropa de Elite chegou a expressivos valores de arrecadação, mesmo estreando antes no mercado negro do que nas telonas? 1 é R$ 5 e 3 é R$ 10, caro leitor. Bem-vindo a coluna da semana.
Até o meio do ano passado pouco tinha se ouvido falar de Tropa de Elite. Sites como o Cinema com Rapadura e veículos especializados em cinema, haviam noticiado que José Padilha, diretor do documentário Ônibus 147, estava em novo projeto. Porém, o conhecimento do público em geral sobre a produção só veio perto do lançamento do filme, quando uma cópia pirata vazou e começou a ser vendida nos camelôs.
O filme se espalhou como foguete. Em qualquer esquina poderiam ser encontradas cópias e mais cópias. Algumas tinham até extras com cenas de ações de policiais de verdade. E tudo isso antes da estréia oficial do filme.
Na mesma velocidade que este foguete, a mídia também aproveitou a oportunidade para pautar suas noticias no filme. Na verdade não no filme em si, mas em sua distribuição pirata e até mesmo em um seqüestro relâmpago das equipes de filmagens, que resultou no roubo de 90 armas cinematográficas. A história do filme, ou a violência retratada, não chamava tanto a atenção da imprensa que focava suas matérias na pirataria.
O resultado é que foi dessa forma que todo mundo ficou sabendo sobre Tropa de Elite e a arrecadação bateu a marca de R$ 20 milhões de reais. Com pirataria e tudo.
Mas então qual é a lógica? A pirataria não deveria ter espantando os espectadores do cinema, já que eles podiam ver o filme alternativo em seus próprios lares? Também. Mas o efeito foi contrário. O público que não iria para as salas de cinema, se contentou com o piratão. Enquanto os que queriam realmente apreciar o filme, foram conferir Capitão Nascimento e sua turma nas telonas.
Foi tudo tão perfeito e tão benéfico, que começo a me perguntar se isso não foi de propósito. Se houve mesmo um roubo, ou se foi a melhor estratégia de divulgação já vista neste país. Uma mistura de buzz marketing, com os camelos divulgando o filme a torto e a direito, com uma estratégia de guerrilha chamada PR STUNT, que provoca a imprensa a pautar suas matérias em assuntos que você deseja. Genial e extremamente convincente. Seria tudo uma grande farsa? O filme teria sido, propositalmente lançado nos camelôs para criar burburinho? É o que eu acho!
Além do resultado financeiro, Tropa de Elite alcançou reconhecimento nacional e internacional como um bom filme. Foi vencedor do Urso de Ouro, do festival de Berlim, e tenta, quem sabe, aparecer no Oscar do ano que vem.
Semana que vem, estaremos de volta. E a pauta é uma grande surpresa.
Santa publicidade, leitores. Empolgado para assistir ao novo filme do morcegão? Então se ajeita na cadeira e confira o motivo de Batman: O Cavaleiro das Trevas ser o filme mais esperado do ano.
O que você vai fazer HOJE? Sim, eu também vou ao cinema. E eu vou confessar o motivo. Não gosto de filmes de heróis, não sou fã do Batman e nem gostei tanto assim do último filme do Homem-Morcego. Mas foram tantas ações para divulgar o filme que eu fui impactado. Resultado: também estou louco para ver “Batman: O Cavaleiro das Trevas“.
A primeira ação aconteceu em maio de 2007. Quando lançaram a sinopse e o site oficial do filme. Porém, ao acessar o endereço, o usuário encontrava apenas o símbolo do morcegão com um link. Ao clicar, o site era redirecionado para outro endereço: “ibelieveinharveydent.com“. Harvey Dent é o personagem que, na história, está disputando a eleição para promotor de Gotham City, e mais tarde irá se tornar o vilão Duas-Caras. O site continha diversas fotos e matérias de campanha.
Dias depois foi revelada uma ação realizada em uma loja de quadrinhos na Califórnia. Cartas de baralho, com riscos e rabiscos que formavam risadas e o endereço de um novo site, foram encontradas. O novo endereça era: www.ibelieveinharveydenttoo.com. A home era idêntica ao site da campanha do Harvey Dent, só que todo pichada. E enquanto o visitante conferia o estrago feito no site, uma imagem pulava em poup-up mostrando a foto do Coringa. Esta foi a primeira aparição do vilão macabro. O site saiu do ar logo em seguida, dando espaço a uma tela de página não encontrada, mas que revela, quando você seleciona o texto, várias risadas. A página do Harvey Dent continua pichada. Quem quiser conferir é só clicar: www.ibelieveinharveydent.com.
O Coringa atacou novamente em julho, quando começou o ARG do Homem-Morcego. ARG ou Alternative Reality Game, é um jogo, que reúne elementos totalmente virtuais com o mundo real. Essa interação da fantasia com a realidade é que causa mais impacto e surpresa. No site www.whysoserious.com o Coringa convocava um exército. Os interessados deveriam se apresentar no horário que o cronômetro zerasse, em um local definido por uma coordenada cartográfica. A recomendação era que o participante tivesse um amigo ligado na internet, que comunicasse ele por um telefone o que iria acontecer. O local demarcado era uma feira de quadrinhos: a Comic-Con. Mesmo quem não estava presente na Califórnia, pode brincar e desvendar os mistérios on-line já que sites brazucas revelaram algumas respostas. Entre enigmas e pistas foi descoberto: uma ficha criminal dizendo que o Coringa estava morto e um número de telefone, escrito nos céus da Comic-Con por um avião, que tinha uma gravação de áudio, contando que o vilão havia seqüestrado pelo vilão:
O tema do site “Why so Serious” foi usado depois em cartazes teasers do filme. Em fevereiro de 2008, uma fatalidade levou Heath Lether para o andar de cima. O que também alavancou muito a curiosidade de todos para conferir como ele está no filme. Já que não tínhamos mais um Coringa, as ações on-line voltaram-se novamente para Harvey Dent. Agora, não só o site da campanha estava de volta muito mais completo, como havia um site para o comitê eleitoral, outro para uma companhia rodoviária e várias outras empresas de Gotham City. Na vida real, furgões e cabos eleitorais levaram bottons, adesivos e materiais de campanha do Duas-Caras para a população americana. Blogueiros baixaram os materiais e incorporaram em seus blogs e várias pessoas tornaram-se apoiadores do candidato à promotoria:
Finalmente, chegaram ao Brasil com os ARGs. Primeiro, utilizando um site de uma agência turística fictícia. No dia 1º de abril prometeram que algo aconteceria nos Shoppings Eldorado e Interlagos. Uma mala do Coringa havia sido perdida. Ambas foram encontradas próximas aos boliches do shopping e continham uma bola de boliche e um celular com um número para ser discado. Quem atendia era um auxiliar do palhaço vilão dizendo que a partir de agora eles sabiam quem havia ligado:
A ação que ocorreu na Comic-Con foi realizada de uma maneira parecida em também em SP. No whysoserios.com um quadro com um contador regressivo, que acabaria às 21h do dia 28 de abril, e uma coordenava que apontava para o Masp, indicavam a próxima ação.
Essa era a mensagem, já traduzida:
“Reuna-se com 300 dos seus melhores amigos neste exato local em 28 de abril.
Você vai precisar estar em contato com um parceiro-do-crime que tenha acesso online pra saber o que fazer quando chegar por lá. Estas instruções lhe darão a TRILHA a seguir, mas não esqueça de olhar para os dois lados quando cruzar a rua; nós não queremos que você faça uma visita inesperada ao PS agora, queremos?
Ponha um sorriso e planeja gastar cerca de uma hora ou mais passeando como seus colegas palhaços. Volte sempre aqui para atualizações e mudanças.”
No evento, depois de desvendar alguns enigmas e realizar algumas provas, os participantes ganhavam uma entrada para assistir a um novo trailer do filme:
Na gringa, as ações também continuaram. Além da divulgação discreta, na última corrida de fórmula 1, noticiada aqui nesta coluna, foi realizada mais uma etapa do ARG. No dia 10, outras coordenadas e dicas foram postadas no site. Desta vez, as brincadeiras aconteceriam em Chicago e Nova York. Vários fãs participaram e puderam ver a marca do morcego, projetada em prédios das cidades. Além, de pizzarias da região adotaram promoções com o tema do morcegão:
Toda ação do ARG e o disparo desses virais foi contratada pela WarnerBrothers com a agência 42 Entertainment. Especializada em virais, a agência já comandou ações parecidas para Lost e para o grupo musical Ninety Nails. Com este último, faturou um leão em Cannes. A grande aposta é que, ano que vem, o case do Batman também fature muito prêmios.
Nas vésperas do lançamento do filme, algumas ações foram traduzidas e lançadas no Brasil. A RMG Connect de São Paulo colocou no ar o porquetaoserio.com.br, onde você pode upar uma foto sua e maquia-la de Coringa. Além disso, o blog euacreditoemharveydent.com.br, também está ativo. E para finalizar, estão prometendo uma grande promoção entre a Claro, a Warner e a Nokia: um jogo para você descobrir cartas escondidas que estará disponível em breve, neste link.
Esse foi, na minha opinião, o Case do ano. Onde foram utilizadas diversas mídias, e realizadas dezenas de ações, impactando milhares de pessoas. O resultado? Nova York não tem mais ingressos para o filme do Homem-Morcego. Em SP, tudo esgotado na sexta e no sábado. Será que deu certo? Agora, só falta a agente conferir se o novo Batman convence, se Harvey Dent é tão surpreendente assim e se o falecido Coringa, é mesmo sombrio, assustador e impecável em sua atuação.
Semana que vem tem novidade. Mas fica na expectativa, será um texto polêmico que causará uma superdiscussão. E se você leu TUDO até o final, parabéns Rapadura!
Para lançar “Os Simpsons”, trouxerem produtos do universo do desenho direto para a realidade. Resultado: Mais que sucesso, um Leão em Cannes.
A publicidade também tem o seu Oscar, isto é a sua premiação máxima. Todo ano, na mesma cidade francesa que acontece o Festival de Cinema de Cannes, é realizado o Cannes Lions. Neste evento, são escolhidas as melhores peças publicitárias do ano, divididas em várias categorias: Promo, Design, Press (impresso), Direct (dirigida), Cyber, Radio, Media, Film e Titanium and Integrated (comunicação integrada, com uso de várias mídias)
E na última edição do festival, que aconteceu mês passado, uma ação criada para divulgar “Os Simpsons - O Filme” faturou um importante prêmio: um Leão de Ouro na categoria Promo.
Quem acompanha o desenho na TV, com certeza já viu a loja Kwik-E-Mart, a famosa loja do Abu. Para deixar os cidadãos norte-americanos ainda mais curiosos para ver o longa-metragem de um programa que está a mais de 19 anos no horário nobre da TV deles, a TracyLocke, agência americana de publicidade, ambientou 12 lojas de conveniência do 7-Eleven como se fossem lojas do Abu.
Todos os itens vendidos no desenho, estavam presentes na loja. Refrigerante Buzz, cereais do Palhaço Krust. Enfim, tudo, mas tudo mesmo ficou igualzinho a loja do desenho. As vendas foram um absurdo. Todo mundo queria comprar itens que Homer Simpson também comprava. O único item que faltou foi à cerveja Duff.
Ao todo, foram 12 lojas caracterizadas – 10 na terra do Tio Sam e duas no Canadá. O sucesso da ação foi merecido, pois além de criatividade o destaque foi à surpresa de todos, ao ver uma loja do Abu de verdade.
Em lançamento de filmes, acontece muito a venda de brinquedos, bonecos, roupas e vários produtos relacionados ao que vem por aí. O mais legal aqui, não foi ter “um objeto do filme dos Simpsons”, como ter um chaveiro do Batman, ou um caderno do Homem-Aranha. Mas sim, trazer objetos do mundo dos Simpsons para a realidade. Um gole de Buzz Cola para comemorar..
Confira abaixo, algumas fotos:
Na próxima coluna é a vez de contar tudo que esteve por trás do lançamento do novo Batman, que chega as telonas na sexta. Aguardem!
Domingo, dia 6 de Julho, quem vai dirigir o Batmóvel são os pilotos da Toyota. Saiba os detalhes da campanha produzida pela Warner para a divulgação do novo Batman durante o circuito de Silvertone, na Inglaterra. Quem mais já usou do esporte para divulgar seus filmes? Confira aqui!
Por motivos de força maior, mudei a pauta da semana. Mas prometo semana que vem contar a ação de “Simpsons – O Filme“, que levou o Leão de Ouro em Promo no Festival de Cannes, o Oscar da publicidade mundial.
“Batman - O Cavaleiro das Trevas” promete muito. Não só pelo filme, mas por toda a publicidade feita até agora: ARGs, virais e tudo mais para deixar os espectadores morrendo de curiosidade para ver o novo filme do morcegão. Irei retomar este assunto, na coluna do dia 16, semana de lançamento do filme e detalhar o case completo, mostrando ação por ação o que vem sendo feito e como o público participou dos virais.
Agora, a Warner Bros. encontrou um outro meio de divulgar o filme: no circo da Fórmula 1. Neste final de semana, acontece a nona etapa do mundial, no circuito de Silvertone, Inglaterra. E a equipe Toyota terá uma pintura temática, divulgando o filme em seu carro. Os pilotos da escuderia, Jarno Trulli e Timo Glock, também terão detalhes do herói em seus capacetes e macacões. E não pára por aí. Um Batmóvel e uma Bati-pod, a motoca do homem-morcego, também estarão presentes no circuito. Na quinta-feira, irão dar um volta completa, ao lado de um carro da Toyota, para a gravação de um comercial. E depois, os dois veículos ficarão o resto do final de semana expostos no padock, área de circulação de visitantes e da imprensa, atrás dos boxes do Toyota.
Não é a primeira vez que usam a Fórmula 1 para divulgar uma estréia. Em 2006, no GP de Mônaco a Red Bull Racing anunciou a chegada de “Superman - O Retorno“. E caracterizou os seus pilotos com o uniforme do homem de aço. O piloto Escocês David Coulthard cruzou a linha de chegada na terceira colocação e subiu ao pódio de um forma curiosa: com uma capa vermelha igual ao do herói.
A mesma equipe já havia participado do lançamento de “Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith“, exibindo uma pintura nova em seus carros. E o mais legal: vestiu todos os mecânicos que fazem o Pit Stop de soldados do Império.
É uma forma interessante de pegar carona e divulgar o filme em um esporte visto por milhões de pessoas no mundo inteiro e que tem uma legião enorme de fãs e admiradores. Domingo, às 9h, assitam a corrida para conferir a pintura especial da Toyota e, quem sabe, ações interessantes durante a corrida.
Vale lembrar que “Batman - O Cavaleiro das Trevas” estréia no Brasil no dia 18 de julho. E na Inglaterra, local da corrida, na semana seguinte, dia 25.
ATUALIZADO: Confira imagens do treino que aconteceu na quinta-feira (4):
Sabe aquilo que você ouve de alguém, conta para outra pessoa e essa pessoa passa adiante? Não é fofoca, não. O nome disso é Buzz!
Começo agradecendo os comentários e elogios da coluna passada. Estaremos sempre aqui, tentando mostrar coisas interessantes. E como o prometido, hoje vou abordar a ação de buzz marketing, realizada em 2006, para o lançamento do filme “Obrigado por Fumar”. Sabe o que é Buzz? Não, não é o companheiro do Woody em “Toy Story“. Buzz Marketing é uma estratégia que encoraja o público alvo a repassar uma mensagem a outros indivíduos, por livre e espontânea vontade. Como assim? Quando algo que você vê é tão legal, mas tão legal que você não consegue guardar só para você e sai contando para todo mundo. Isto é Buzz.
O Buzz Marketing tem base em 5 pilares: A causa (o quê), o contexto (quando), os eleitos (quem), a fixação da idéia (como) e o desequilíbrio (impacto). E isso funciona? Claro que funciona. Normalmente o buzz é provocado por ações de alto impacto que, de alguma forma, impressionam ou chocam as pessoas gerando o famoso burburinho.
Por exemplo, para lançar o (excelente) filme “Obrigado por Fumar”, a 20th Century Fox contratou a LiveAd para fazer uma ação curiosa: semanas antes do lançamento do filme, dia 18 de agosto de 2006, promotoras ficavam a esperando a saída das salas de cinema. O intuito era identificar os fumantes, que passaram entre 90 e 120 minutos assistindo um filme, e saiam loucos para acender o seu cigarrinho. Na saída, quando o cidadão, morrendo de vontade de seu careta, acendia o fumo, ele recebia da mão da promotora uma nota de 1 real com data da estréia do filme em um adesivo. E por fim a saudação “obrigado por fumar”.
Várias pessoas comentaram entre si a ação. Tudo isso veio parar é claro na internet, onde blogs e pessoas impactadas chegaram dar seu depoimento. Tudo isso, espontaneamente. Algumas pessoas passavam a nota para frente sem tirar o adesivo, espalhando ainda mais a mensagem. Mas o que mais impressionou foi mesmo, o fato da distribuição de dinheiro.
E para coroar a ótima publicidade, o público foi presenteado com um superfilme, que tem um dos personagens que mais admiro: Nick Naylor e sua tese que com o argumento certo você nunca está errado.
Semana que vem, a ação para “Os Simpsons – O Filme” que ganhou um Leão em Cannes, o Oscar da Publicidade.
Esta semana estou estreando como o novo colunista do Cinema com Rapadura. A partir de agora vocês irão ficar sabendo de tudo que acontece ou aconteceu no mundo do marketing focado para a 7ª arte.
Nos fatores que levam um filme a ser sucesso de bilheteria, tem um que passa quase despercebido aos olhos dos espectadores. Não basta um filme ter um ótimo roteiro e uma excelente produção se ele não tiver uma boa divulgação. Sim, se ninguém for ao cinema e pagar uns trocos para ver a fita, o filme será um fracasso. Não estou querendo dizer que filmes que não têm grande bilheteria são ruins. Pelo contrário, quero falar de como os filmes são divulgados. Como produtoras e distribuidoras armam ações publicitárias para atrair o público.
E para isso, ganhei um espaço semanal, aqui no RapaduraBlog. Vocês vão adentrar no mundo da publicidade, propaganda, Internet, enfim, do Marketing no Cinema. Vamos falar sobre cases, tendências e o que está acontecendo por aí. E é claro que se você quiser dar dicas ou sugestões, basta postar um comentário.
Vou começar falando de uma ação brasileira que promoveu o filme PodeCrer, que estreou no fim do ano passado nos cinemas.
No começo de agosto, foi criado um videoblog chamado “Babilônia, 1981”. Ali, eram postados vídeos de personagens que diziam estar na década de 80. Toda a caracterização levava a crer que era tudo verdade. E a história começou a ter vários capítulos, vários vídeos novos a cada dia. Os fatos eram bem corriqueiros. Três jovens contando suas aventuras e desventuras. Até aí, nada de mais.
Para ajuda a divulgar o videolog, foram disparados e-mails para os donos dos principais blogs do país, convidando-os para acessar o site e conferir os vídeos. Algumas indicações aqui, e uma molhadinha de mão de um blogueiro ali e toda blogosfera passou a comentar sobre o Babilônia 81.
E dentro de um desses vídeos os personagens do Babilônia, lançaram uma promoção: quem melhor divulgasse o videolog utilizando o seu próprio orkut, ganharia um disco de vinil. Com a ajuda dos blogues, da imprensa e do canal Fiz.TV da Net, a adesão dos internautas foi grande e muitos participaram da promoção. Reparem na imagem acima.
A ação saiu do campo virtual quando a Conspiração Filmes contratou a Espalhe, agência de guerrilha, para realizar algo no mundo real. Utilizando como referência, o “Verão da Lata de 1988”, um fato conhecido por alguns cariocas, que conta que um navio carregado com latas de maconha naufragou em alto mar e a maré trouxe as latinhas de droga para praia, virou tema da ação de guerrilha. Milhares de latas foram espalhadas pelas praias do Rio de Janeiro. Dentro delas, havia um rolinho de filme fotográfico com uma cena do filme PodeCrer. Fernanda Paes Leme e Cleo Pires eram reconhecidas no filminho.
Na Internet, foi revelada que a ação tratava-se de um viral para o filme. E nas ruas, começaram a ser vendidos discos de vinil com a trilha sonora do filme.
O filme não foi um grande sucesso de público. Mas utilizou ferramentas interessantes de divulgação.
Mais que alto impacto ao transmitir a mensagem é interessante ver o nível de interação dessas ações com o público. Pois, cada vez mais as pessoas estão contrárias a propagandas intrusivas ou a publicidades que deixem claro a tentativa de indução a compra ou a aceitação de uma idéia. Cada vez mais, agências, anunciantes e empresas utilizam ações “diferentes” para atingir seu público-alvo, sempre de maneira criativa e que desperte neles à vontade por adquirir conteúdo, e não só um produto.
Na semana que vem, comentarei sobre uma ação mais antiga, mas muito interessante, para o filme “Obrigado por Fumar”.
Este é o blog criado pelo portal Cinema com Rapadura com o intuito de realizar uma maior interação com os seus leitores. São publicadas matérias especiais, podcasts, colunas, textos variados e muitos mais. Tudo sobre o mundo cinematográfico!