Homenagem aos 81 anos da mulher que não tem idade - Marilyn Monroe

Publicado em: 25-07-2007 @ 1:43 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Marilyn Monroe

Eu que não gosto de escrever textos pessoais, começarei esta coluna falando de mim: além de não gostar de escrever textos pessoais, não gosto de homenagens “fora de época”, como, de repente, uma mobilização em comemoração dos 67 anos de O Mágico de Oz. Nada contra o filme; pelo contrário. Adoro e até sei as músicas de cór… mas, como disse, não gosto de textos pessoais, então vou parar de falar de mim. Antes, preciso justificar-me: eu que não gosto de homenagens “fora de época”, encontrei-me extremamente tentada a escrever sobre Marilyn Monroe no último junho, em que ela comemoraria 81 anos se não tivesse sofrido tão trágica morte. Logo pensei que iria contra os meus princípios, pois o melhor seria homenageá-la em seu aniversário de 80 ou 85 anos. O primeiro já passou; o segundo está tão longe… Foi então que percebi que Marilyn não tem idade.

É provável que muita gente pare para refletir sobre a razão de Marilyn Monroe ser nada menos do que o maior ícone de um século. A relação de Marilyn com as câmeras começou com a fotografia, mas a resposta está em seus filmes; em algum lugar. Ao assistirmos Marilyn Monroe, torna-se uma difícil tarefa discordar da atriz Natalie Wood, que afirmou carinhosamente: “quando a gente vê Marilyn na tela, deseja que vá tudo bem com ela, que seja feliz”. Billy Wilder, um entre os maiores cineastas que Hollywood acolheu, responsável pela mítica cena do vestido esvoaçante, assume que a questão mais ouvida dos jornalistas é como ele decidiu virar cineasta. Depois, claro, da pergunta que não quer calar: como era Marilyn Monroe? Wilder, pacientemente, respondia que a Srta. Monroe possuía uma série de defeitos, como os seus famigerados atrasos ao estúdio, mas a recompensa sempre falava mais alto. Quando Wilder via Marilyn na tela, os problemas enfrentados nas gravações pareciam jamais ter existido.

Marilyn Monroe

Vamos agora pensar juntos sobre o que faz desta mulher tão encantadora: apesar de imitada � exaustão, só ela consegue cerrar os olhos e fazer biquinho sem soar ridícula. Só ela pode transmitir tanta graça e sensualidade ao mesmo tempo, de forma tão natural. Só ela convence a mais ferrenha das feministas de que uma dama jamais pode assumir que seus pés doem, independente da altura do salto. Só ela faz parecer correto o casamento por interesse. Só um fenômeno como ela, depois de 45 anos de sua morte, consegue continuar vendendo como água bonecas, canecas, camisetas, sapatos, tatuagens, rosas (naturais, com seu rosto impresso), pôsteres, discos, livros, filmes etc, formando uma legião de fiéis fãs falidos, mas felizes (a aliteração foi desproposital).

Segundo Wilder, não há dúvidas de que no cemitério em que Norma Jean Mortensen (nome de batismo de Marilyn) está enterrada há festa todo dia. Aliás, proporcionar alegria e encantamento certamente foi e continua sendo sua missão, pois Marilyn não tem idade. Esta, quiçá, é a razão do preconceito de muitas mulheres em relação � atriz. Enquanto elas envelhecem, Marilyn, que sacrificou sua vida pela sétima arte, sempre será Nell Forbes, Rose Loomis, Lorelei Lee, Pola Debevoise, Cherie, Sugar Kane, Roslyn Taber, entre outras maravilhosas personagens que, registradas no celulóide, viverão enquanto houver cinema.

Não tem o que fazer? Vamos fazer DVD!

Publicado em: 24-07-2007 @ 12:07 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Thiago Sampaio

American Pie 5! Isso mesmo, 5!Há algumas semanas, escrevi uma matéria sobre a falta de criatividade que assola atualmente Hollywood, tendo saído diversas continuações, adaptações de livros, HQs, vídeo-games, etc. Agora, eu bato novamente nessa tecla, porém, atenuando mais ainda esse cúmulo da falta de criatividade: as continuações extremamente desnecessárias que são lançadas diretamente em DVD.

Certos filmes chegam discretamente aos cinemas, não apresentam grande coisa em termos de qualidade, mas não fazem feio na bilheteria. Eis que fazer continuações sempre foi uma jogada batida dos estúdios de arrancar cada vez mais grana, mas como tais filmes originais já surpreenderam em ter feito bonito nas bilheterias sem serem grande coisa, pelo menos os produtores têm o bom senso de imaginar que suas continuações não teriam o poder de repetir o feito no cinema, lançando-as diretamente em DVD. Aliás, engano meu dizer que eles têm bom senso, pois se tivessem tais continuações não deveriam sequer existir.

Os Gatões”, “O Homem Sem Sombra”, “Pânico Na Floresta”, “Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Efeito Borboleta”, “Vozes do Além”… esses são só alguns títulos cujas seqüências estão sendo ou foram produzidas, com lançamento direto para DVD (nos EUA, conseqüentemente, no Brasil, exceto “Efeito Borboleta 2″, que saiu por aqui nos cinemas e “Vozes do Além 2″, que deve chegar ainda esse ano). Os originais são filmes corretos, divertidos dentro de suas particularidades (desses, apenas “Efeito Borboleta” recebe um destaque maior), mas será mesmo que o público achava necessário essas seqüências? E o pior de tudo: sendo filmes em que de antemão sabem que não terão um público grande, seus orçamentos são demasiadamente reduzidos em comparação aos filmes originais. Nada de grandes efeitos especiais, ou o retorno das carinhas famosas que estrelaram os originais. O que está por vir são típicas produções de segunda, estreladas por atores decadentes ou jovens recém saídos de seriados procura de um lugar ao sol. Em resumo: produtos totalmente descartáveis que podem até proporcionar diversão gratuita, mas que nunca sairão do lugar comum e da banalidade, chegando ao extremo da falta de criatividade de Hollywood.


Filmes lançados direto em DVD nos EUA. No Brasil,
muitos deles chegaram ou devem chegar nos cinemas.

Faço-lhes um desafio: que tal chegar na locadora mais próxima de sua casa, alugar os filmes “8mm 2”, “ A Rede 2”, “Inspetor Bugiganga 2”, “George – O Rei da Floresta 2”, “American Pie 4 e 5”… e qualquer outro título que tenha um número no final de algum título conhecido, mas que você nunca imaginaria que existissem outros filmes desses títulos, fora os que você já viu no cinema. É, com certeza podemos batizar isso de “Sessão-Falta-do-Que-Fazer”. Tais filmes apenas vão contra a idéia de que cinema é arte feita pela arte, escancarando a ânsia pelo capital dos estúdios, produtores e distribuidoras. Se desejam apenas ganhar dinheiro, que ao menos usem um pouco mais de imaginação e parem de fazer o público de trouxa. Ah, e não se espantem se daqui a pouco encontrar nas prateleiras filmes como “Anaconda 3”, “Celular 2”, “Ladrão de Diamantes 2” e coisas do tipo. Quem sabe algum deles pode até ser estrelado ou dirigido por algum parente seu.

Locadoras on-line revolucionam sistema de aluguéis de filmes no Brasil

Publicado em: 20-07-2007 @ 11:59 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Emanuele Silveira

As pessoas que adoram assistir muitos filmes por mês, mas não gostam de pegar filas indo para o cinema e preferem esperar os lançamentos na locadora mais perto de casa, agora tem a opção de optar pelo serviço online. O novo mercado de aluguéis de filmes tenta trazer comodidade aos clientes que sempre gostam de levar vários filmes pra casa e costumam deixar pra assistir só depois de ter passado o prazo de entrega, gerando multa na devolução. As locadoras online permitem que você receba o DVD em casa, com total comodidade, e que o cliente passe o tempo que desejar com aquele DVD, trocando-o quando quiser.

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Filas. Intermináveis filas!

Como assim você poder escolher DVDs, passar o tempo que quiser e ainda receber tudo em casa? Tá, não exatamente desse jeito. As locadoras online oferecem um número limite de DVDs, de 1 a 5, que você pode manter em sua casa por mês. Você faz a escolha pela internet, e eles enviam o filme para sua casa. Depois de assistir, você recebe outros de acordo com uma lista de prioridades, que você mesmo monta. Mas, obviamente, tudo tem um preço. Ao invés de pagar por filme, o preço é cobrado por mensalidade, que também varia de acordo com o número de DVDs que cada cliente escolhe manter em casa.

As principais locadoras existentes no mercado hoje são a NetMovies, a Pipoca Online e a Videoflix. As concorrentes cobram mensalidades que variam entre R$ 28 e R$ 99, preço que está interligado com a quantidade de DVDs que o cliente deseja manter em casa. A NetMovies possui o maior acervo, com 9 mil títulos e estende sua área de atuação nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. As outras duas só atendem em São Paulo e trazem até 6 mil títulos. Para ter idéia do lucro com o novo investimento, a locadora Netflix, que atua nos Estados Unidos, fatura em torno de 700 milhões de dólares por ano. Como sugestão do leitor A.Guilherme, existe também a TOP MOVIE. A empresa está presente nos estados de São Paulo (Campinas, Jundiaí, Vinhedo, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista); Santa Catarina (Chapecó); Amazonas (Manaus) e Distrito Federal (Brasília).

O novo serviço já conquista adeptos que sempre se enrolavam com os problemas de devolução. Para essas pessoas, a mensalidade é muito mais barata do que as multas pagas por atrasos. “Não pago mais multas, não enfrento estresse de horário de devolução e o sistema de acesso é muito simples e amigável”, comentou a profissional de tecnologia da informação Elizabeth Toscanelli, 52, ao portal G1. Outros entrevistados também enfatizaram o fato de não ter que se locomover até a locadora para ter os filmes em casa como uma vantagem. Mas para aqueles que assistem poucos filmes por falta de tempo, a opção não é um bom negócio. “Não estava valendo a pena”, ressaltou a jornalista Juliana Alencar, 23.

Para competir com o novo serviço, as locadoras convencionais começam a trabalhar em outros métodos de locação. A Blockbuster lançou um sistema de assinatura mensal também sem multas, no entanto o cliente precisa ir até a locadora para alugar e devolver os DVDs. De olho no futuro, a mesma empresa está negociando a venda de download de filmes, cujo faturamento deve alcançar 1 bilhão de dólares no ano de 2009, explicou o presidente-executivo da companhia norte-americana, John Antioco. Os empecilhos para o sistema são a dificuldade de montagem de acervo com filmes de alta definição e baixa velocidade da Internet banda larga, que ainda atinge a maioria da população em que a Blockbuster atua.

Filmes de terror causam violência?

Publicado em: 18-07-2007 @ 10:50 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Emanuele Silveira

Quem nunca assistiu ou conheceu alguém que assistiu a um filme de terror e ficou um pouco (ou muito) assustado na hora de dormir? Filmes famosos por causarem medo, como “O Exorcista” (fotos abaixo), de 1973, fazem as pessoas imaginarem que a situação vista na película poderá acontecer com elas de verdade, ainda mais quando estão sozinhas em casa, no escuro e em silêncio. Mas quem já chegou a pensar que filmes que mostram muitas mortes influenciam � violência?

Pôster e Fotos de O Exorcista - 1973

Essa é uma polêmica há muito discutida pela mídia: filmes de terror causam ou não violência? Para muitos estudiosos, sim. O fato de se observar muitas mortes talvez induza � s pessoas a sentirem vontade de reproduzir o que estão vendo (não facilmente, obviamente). Não só os estudiosos, mas também o governo. Tanto que existe a censura de filmes com extrema violência somente � pessoas maiores, já que crianças e adolescentes são mais propícios a se impressionarem ou se influenciarem com o conteúdo.

A discussão foi tema de um depoimento do diretor do famoso filme de terror “Halloween”, de 1978, John Carpenter. Para o diretor, o fato de filmes de terror abordarem a violência costumeiramente não passa de um reflexo da sociedade em que vivemos e que não adianta os governantes tentarem controlar o acesso a esses filmes. “A censura nunca funciona, você não pode destruir uma idéia. Você pode esconder, você pode tentar acobertá-la, mas você não pode destruí-la, ela estará lá e ela vai borbulhar de novo”, criticou.

Peter Block, produtor-executivo da série de filmes de terror “Jogos Mortais” (fotos abaixo), de 2004, também concordou com a opinião de Carpenter e Jim Steyer (executivo-chefe do grupo Common Sense Media, defensor da melhora da mídia voltada para as crianças), que supostamente deveria ter um pensamento contrário, também apoiou Carpenter. Em contraparte, a Comissão Federal de Comunicações recentemente divulgou um relatório afirmando que a exposição � violência na mídia pode influenciar um comportamento agressivo em crianças, mesmo que em um curto período de tempo.

Cenas clássicas do filme Jogos Mortais

A referência da influência � s crianças é totalmente aceitável, pois estas têm o costume, pela própria idade, de reproduzirem o que vêem, entretanto, sem ter noção exata do que aquela atitude pode causar. Adolescentes também podem ser vistos como um público propício, já que gostam de experimentar novas aventuras, sem contar com as conseqüências; um tema até típico de filmes de terror. Já se tratando de pessoas adultas, é difícil que alguém de juízo sã resolva matar ou cometer algum crime baseada numa cena de filme. Com certeza, uma influência maior são as guerras que matam milhões de pessoas por causa de dinheiro, o que gera revolta, terrorismo e mais violência.

Harry Potter e o Sucesso na Mídia

Publicado em: 16-07-2007 @ 3:20 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Emanuele Silveira

Hermione, Harry e RonO bruxo Harry Potter, criado pela autora J.K. Rowling, conseguiu mais do que fama ao longo dos anos de suas aventuras, ele conseguiu conquistar muitas pessoas. Desde criança, ele viveu suas aventuras na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, tanto as mágicas e cheias de emoções fabulosas, quanto aquelas comuns a todos os jovens, como problemas em relação � s amizades, ao primeiro beijo, � s provas da escola e aos desencontros familiares.

Esses acontecimentos se mostraram mais reais no cinema, pois atores que interpretaram Harry e seus amigos, também cresceram ao longo da saga. Começaram bem jovens, com fisionomias mais infantis e, � medida que Harry e seus amigos iam crescendo, os atores também cresciam do lado de fora da telinha, fortalecendo a imagem de evolução do personagem. O período do lançamento dos livros e dos filmes também foi fiel � imagem de desenvolvimento, pois era lançado por anos, como em Hogwarts, que tinha cada ano letivo.

A própria vida dos atores foi influenciada pelas aventuras de Potter, já que viveram praticamente toda a adolescência entre os seus afazeres cotidianos e as gravações dos grandes sucessos de cinema. Como qualquer outra celebridade, eles precisaram enfrentar as opiniões da mídia de entretenimento, principalmente porque seus papéis estão vinculados ao público infantil. Daniel Radcliffe, que interpreta o protagonista, teve que lhe dar com a forte crítica do público e da mídia quando resolveu atuar na peça teatral “Equus”, cujo personagem apresentava uma linha mais adulta e ligada � sexualidade.

Embora o sucesso literário de Harry Potter comece a se estabilizar com o lançamento do último livro, no qual Rowling afirmou ter dado um fim � s publicações, nas adaptações cinematográficas Harry ainda terá mais alguns anos de muita fama. Com o sexto filme previsto para ser lançado apenas para 2010, a saga tem levado milhões de pessoas ao cinema, desde os que vão apenas por diversão até os “pottermaníacos”, fãs de carteirinha que se caracterizam como os personagens e vão assim, vestidos � la Harry Potter para o cinema.

Mas as perguntas sobre o futuro do bruxo mais famoso do mundo não param de ser feitas e, brevemente, serão relevadas com o lançamento da última edição da série, previsto para o dia 21 de julho. Irá Harry realmente morrer? Ou derrotará Voldemort fazendo de sua história um final feliz, no qual os vilões morrem e os mocinhos continuam? A autora já garantiu � imprensa que não dará margens para que outras pessoas falem de seu personagem, por isso dará um fim a ele nesta obra, não se sabe qual.

Por outro lado, as declarações que Rowling deu durante a pré-estréia do quinto filme da saga em Londres, levaram aos fãs a esperança de que este não seja realmente o fim. A escritora, que já havia admitido anteriormente estar bem triste com o término dos livros, confessou que jamais poderia dizer “nunca” para uma das histórias mais populares do mundo. E o sentimento de Rowling não é único, já que Harry Potter já conseguiu ganhar vida através de suas cativantes aventuras, sendo marcado para sempre como um sucesso.

Homenagem a Humphrey Bogart²

Publicado em: 11-07-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Caros leitores, como anunciado (1), eis a continuação da matéria sobre Humphrey Bogart, uma retrospectiva de sua filmografia resumida em dez títulos.

UMA AVENTURA NA MARTINICA (COMPRE O FILME)
(To Have and Have Not, 1944. De Howard Hawks. Com Walter Brennan, Lauren Bacall, Dolores Moran, Hoagy Carmichael)


O cenário é a ilha caribenha Martinica da Segunda Guerra Mundial. Harry Morgan (Bogart), um norte-americano, sobrevive do aluguel de seu barco para passeios turísticos. A Resistência Francesa lhe propõe uma boa quantidade de dinheiro para fazer o transporte ilegal de um de seus membros, mas, decididamente, Morgan não está disposto a arrumar problemas. Porém, ele conhece no hotel em que vive a charmosa batedora de carteiras Marie Browning (Bacall), uma jovem que sonha em voltar ao seu país. Em benefício de ambos, Morgan aceita correr os riscos e prestar o serviço � Resistência. Baseado em “Ter e Não Ter”, considerada uma das piores obras de Ernest Hemingway, o filme foi assumido por Hawks como um desafio. Aliás, o diretor adorava desafios. Um entre os seus preferidos era lançar novos astros e, acatando a sugestão de sua esposa, resolveu contratar uma jovem atraente que viu em uma revista, Betty Perske. A moça de apenas 19 anos conseguiu um contrato de alguns meses na Warner e deram início � sua transformação em Lauren Bacall. O resultado todos conhecemos: em Uma Aventura na Martinica somos testemunhas do surgimento de uma tórrida paixão entre dois atores, que resultaria no casal mais famoso e querido de Hollywood desde Douglas Fairbanks e Mary Pìckford.

PRISIONEIRO DO PASSADO (COMPRE O FILME)
(Dark Passage, 1947. De Delmer Daves. Com Lauren Bacall, Bruce Bennett, Agnes Moorehead, Tom D’Andrea)


Em sua fuga da prisão, Vincent Parry (Bogart) é encontrado � beira da estrada por Irene Jansen (Bacall), uma jovem pintora que resolve dar tudo de si para ajudá-lo. Acusado de ter assassinado sua esposa, ele não entende o sentimento compassivo da moça, até que ela confessa ter sido cadeira cativa em seus julgamentos e que aposta em sua inocência. Nesta terceira parceria entre Bogie e Bacall, foi adotado o uso de uma técnica moderna, aplicada anteriormente em A Dama do Lago, do mesmo ano: a câmera subjetiva, em que o que vemos em tela é a visão do personagem. Diferente do longa-metragem de Robert Montgomery, o filme abandona o recurso antes da metade, recorrendo a bandagens cirúrgicas para ocultar o personagem de Bogart, evidenciando apenas sua voz inconfundível. O manda-chuva do estúdio, Jack Warner, detestou a idéia de o seu maior astro permanecer “escondido” por tanto tempo, mas, ainda assim, a parceria Bacall & Bogart atraiu bastante público aos cinemas, gerando mais um sucesso para a Warner.

O TESOURO DE SIERRA MADRE (COMPRE O FILME)
(The Treasure of Sierra Madre, 1948. De John Huston. Com Walter Huston, Tim Holt, Bruce Bennett)


Fred (Bogart) e Bob (Holt) são americanos que vivem de esmolas no México. Eles arrancam algum dinheiro de um homem que lhes ofereceu trabalho duro e saiu � francesa, passando-lhes a perna. Fred tira também a sorte grande ao jogar na loteria, ganhando algumas centenas de dólares. Os dois conhecem Howard (Huston), um velho minerador que lhes conta sobre algumas jazidas de ouro jamais acessadas pelo homem. O interesse dos rapazes é imediato, então os três unem fundos para pagar alguns equipamentos e partem para o local a fim de explorá-lo. Mais uma parceria entre o cineasta John Huston e Bogie, é ainda hoje considerada um dos melhores retratos da ganância humana. Em uma das interpretações mais marcantes da sua carreira, Bogart assume com realismo o papel de um homem que, aos poucos, tem o seu caráter desintegrado pela ambição, como profeta o personagem de Walter Huston, pai do diretor. O ator Robert Blake, que futuramente trabalharia com David Lynch e causaria polêmica ao assassinar sua esposa, faz aqui uma participação curiosa como o menino da loteria.

SABRINA (COMPRE O FILME)
(Sabrina, 1954. De Billy Wilder. Com Audrey Hepburn, William Holden, Walter Hampden, John Williams, Martha Hyer)


Sabrina (Hepburn) é filha do chofer da importante família de empresários Larrabee. Criada na mansão dos patrões de seu pai, nutre desde menina uma paixão platônica pelo caçula da família, David (Holden), um boa-vida que coleciona casamentos. Enviada a uma grande escola de culinária em Paris, amadurece em sua estada, voltando � Long Island com a devida elegância. Preocupado em garantir um acordo empresarial, Linus (Bogart), o filho mais velho dos Larrabee, arruma mais um casamento para o irmão mais novo. Intencionando manter Sabrina longe do irmão prometido, Linus aproxima-se dela, mas acaba envolvendo-se. Depois de uma gama de personagens relacionados ao gangsterismo e outros crimes, Bogie adiciona � sua galeria um galã de meia-idade, provando a sua indiscutível versatilidade. Ele foi dirigido pelo já premiado Billy Wilder, hoje considerado um entre os maiores diretores de todos os tempos. Há boatos de que Bogie antipatizava com a doce Audrey Hepburn, insistindo que o papel deveria ser repassado � sua esposa, Lauren Bacall. Felizmente, essa não era uma possibilidade e Audrey realizou uma das performances mais graciosas do cinema; além de dar início a uma parceria com Hubert de Givenchy, estilista francês que a transformaria também em uma lenda da moda. Realizado há mais de 50 anos, Sabrina continua emocionando com a mesma intensidade os espectadores de um bom romance.

A TRÁGICA FARSA (COMPRE O FILME)
(The They Harder They Fall, 1956. De Mark Robson. Com Rod Steiger, Jan Sterling, Mike Lane, Max Baer)


Eddie Willis (Bogart), consagrado jornalista esportivo, é contratado por um grupo de homens para trabalhar como assessor de imprensa de um novo talento do boxe. Logo ele descobre que o “habilidoso” rapaz não passa de um homem corpulento e ingênuo que acredita ser forte e resistente como ouve dizer. Apesar de respeitado comunicador, Willis está desempregado e, em troca de uma boa fortuna, aceita a proposta de forjar para a imprensa informações acerca do lutador. Diferente de grande parte dos filmes estrelados por Bogart, A Trágica Farsa é assumidamente crítico. Propõe o desmascaramento da indústria milionária e desumana do boxe, que não distingue seus esportistas de um cavalo de corrida. Em um desempenho mais do que digno de respeito, é com este filme que Humphrey Bogart, uma entre as lendas imortais de Hollywood, despede-se do cinema.

Bogie faleceu em 14 de janeiro de 1957, vitimado por um câncer de garganta ocasionado pelo cigarro, seu inseparável companheiro (inclusive nos filmes). Com sua última esposa, a atriz Lauren Bacall, dividiu as telas quatro vezes e teve dois filhos: Stephen Humphrey Bogart e Leslie Bogart. O nome de sua filha é uma demonstração de gratidão ao ator Leslie Howard que, como citado na primeira parte da matéria, foi quem fez a carreira de Bogie em Hollywood deslanchar, na segunda metade da década de 30. Nestes 50 anos de sua morte, não há melhor homenagem do que comemorar seu legado: os seus filmes.

Ele foi agraciado com o maior dom que um homem pode ter: talento. O mundo inteiro o reconheceu… Sua vida, ainda que não longa se medida em anos, foi rica e plena… Não temos motivos para sentir pena alguma dele; apenas de nós mesmos por tê-lo perdido. Ele é absolutamente insubstituível. Jamais haverá outro como ele”. (John Huston)

Filmes que só você viu (ou pouca gente lembra)

Publicado em: 11-07-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Garanto que você, leitor do Cinema Com Rapadura, tem um filme que marcou a infância e que andava perdido em suas memórias. Garanto também que se em um belo dia, você se deparasse com ele sendo exibido na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa você comentasse sobre ele em uma roda de amigos em vã tentativa de encontrar outra pessoa que também tivesse assistido a essa produção. E se um deles assinalasse positivamente, com certeza, você ficaria muito contente. Afinal, finalmente você encontrou alguém, além de suas irmãs, com quem você possa comentar sobre esses “clássicos” que te acompanharam até hoje.

Escolhi três fitas para discorrer neste post. É provável que, em todo o grupo de leitores do blog, encontremos outros espectadores e/ou fãs destes filmes. Ou não. Mas garanto que você também tem uma lista de longas que (quase) ninguém viu ou ouviu falar.

Loucuras em Plena Madrugada (Midnight Madness, 1980)

Este filme de 1980 é uma produção Disney e foi o primeiro trabalho do então jovem Michael J. Fox. A história é a seguinte: Leon, um típico gênio, convida cinco universitários para o seu apartamento e os desafia a participar de um jogo criado por ele. Primeiramente, eles se recusam, mas a rivalidade entre si faz com que todos aceitem o desafio.

loucuras.jpg
Leon, o criador do jogo (no centro acima), e os líderes
das cinco equipes na disputa

Eles devem reunir uma equipe (sinalizada por cores) e seguir do pôr-do-sol até o amanhecer resolvendo pistas e charadas. O jogo funciona da seguinte maneira:

1. Uma pista inicial é dada aos jogadores para ser resolvida.
2. Quando resolvida, a pista os leva a um determinado local.
3. No novo local, eles devem encontrar uma nova pista que os levará a outro lugar e assim por diante até o final.

Essa corrida pela vitória os levará em situações divertidíssimas a lugares como uma pista de mini-golfe, uma cervejaria e o aeroporto de Los Angeles.

São cinco as equipes na competição. A amarela é formada pelos mocinhos do filme (Fox interpreta o irmão problemático do protagonista que é forçado a entrar na competição) e os azuis representam os vilões. A equipe verde tem os brutamontes do time de futebol americano, enquanto os brancos são representados pelos nerds e as vermelhas por um grupo de feministas.


Neste vídeo, é possível ver quase todas as equipes.
Os brancos são a exceção. Reparem também
no jovem Michael J. Fox.


Aqui, os azuis não conseguem encontrar a nova pista.

Se Minha Cama Voasse (Bedknobs and Broomsticks, 1971)

Outra produção Disney, “Se Minha Cama Voasse” é um musical, ao estilo de Mary Poppins, que mistura animação e atuações live-action. Eglantine Price é uma bruxa amadora que é forçada a abrigar três irmãos órfãos em sua casa. Devido a suas traquinagens, os garotos acabam descobrindo uma cama que através de suas maçanetas mágicas os levam aos mais diversos lugares do mundo, incluindo uma ilha habitada por animais. Eles, então, partem em busca de um professor que pode ajudá-los a encontrar um antigo amuleto que os ajudará defender a Inglaterra dos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial.

Neste divertido filme família da Disney, os personagens vão encarar situações como uma partida de futebol na selva, um baile no fundo do mar e roupas que dançam por si só.


Musical extraído de “Se Minha Cama Voasse”.
Mais uma vez, a bruxa amadora Eglantine
se atrapalha nos feitiços.

Alice in Wonderland (Alice in Wonderland, 1985)

Esta adaptação do clássico de Lewis Carroll foi levada TV em um especial de duas partes no ano de 1985. A história mescla as aventuras vividas pela pequena Alice nos dois livros de Carroll, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice Através do Espelho”. Filmado com atores de verdade, o filme tem a participação do ex-beatles Ringo Starr.

alice.jpg
Capa do DVD de
“Alice in Wonderland”, lançado em 2006

Se você já achava o clássico Disney alucinógeno e muito louco, você precisa assistir a essa produção. A história todo mundo já sabe. Uma garotinha, que apesar dos seus sete anos já se acha grande o suficiente para tomar o chá de todas as tardes e ao mesmo tempo odeia livros sem gravuras, acaba seguindo um coelho branco apressado e vai parar em um mundo onde nada é o que parece ser. Aqui, a Rainha de Copas, a Duquesa, o Coelho Branco, a Cigarra e todos os demais personagens têm a loucura multiplicada por dez. E este musical ainda tem em Natalie Gregory a melhor personificação que Alice poderia encontrar.

E você? Já assistiu a alguma dessas produções? Tem uma lista de clássicos que só você viu? Deixe o seu comentário.

Os filmes e a sua relação com as nossas vidas

Publicado em: 04-07-2007 @ 4:36 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Andreisa Caminha


Como praticamente a maioria cinéfilos, tenho o costume de guardar as minhas entradas do cinema. Um dia, enquanto as folheava, reafirmei a minha idéia de que alguns filmes realmente nos marcam. Não pelo fato de serem plenas obras-primas ou por serem ruins demais a ponto de você se questionar se realmente gastou o seu dinheiro com eles, e sim porque naquele exato dia, no qual você estava passando por tal situação, acompanhado de determinada pessoa, você acabou se tornando mais suscetível a guardar tal lembrança e associá-la a algum filme.

Bem, devido ao espaço da coluna ser reduzido, me aterei ao básico, já que, se fosse citar diversos casos ocorridos na minha vida, passaria o dia inteiro escrevendo. Podem me chamar de sentimental a vontade, porém ainda lembro o primeiro filme – e o segundo e o terceiro também, por sinal - que assisti tecnicamente ao lado do meu primeiro namorado. O longa era bom? Nem tanto, era “Encontro de Amor“, com a Jennifer Lopez e o Ralph Fiennes. De certa forma, revê-lo sempre me faz bem. O filme poderia ser o pior do mundo – não que este seja o caso de “Encontro de Amor“, ok? -, mas me faria recordar de momentos bons, talvez até inesquecíveis.

Também ainda me lembro como se fosse hoje o dia em que fui conhecer pessoalmente um dos meus melhores amigos da época – pois é, eu também já tive e ainda tenho, em menor quantidade, amigos virtuais. Como já falei, o longa poderia ser lastimável, mesmo assim lembraria. E quantas vezes não recorri ao cinema depois de um dia cansativo? Para falar a verdade, alguns momentos - sejam tristes, felizes, descontraídos ou marcados por tragédias - pedem um filme.

Concluindo, não importa o que digam, o cinema já faz parte da vida de muitas pessoas e creio que inclusive da sua, caro leitor. Até mesmo os menores detalhes da sua trajetória podem ter um filme específico responsável por deixá-lo em estado de êxtase, nostalgia, depressão, seja lá qual for. Não adianta tentar fugir, para quem gosta de cinema, sempre um filme estará presente. E me arrisco mais, é praticamente como se ele fosse um espectador de sua vitória ou derrocada, como se fosse um amigo que o conforta e torce para que o melhor ocorra. Portanto, aqui vai meu conselho: cinema não faz mal a ninguém, muito pelo contrário, se não o freqüenta assiduamente, faça um esforço, não irá se arrepender. ;)

O Cinema e o Sonho

Publicado em: 04-07-2007 @ 4:02 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Nietzche uma vez disse: “A maior das calamidades cairá sobre a humanidade no dia em que todos os sonhadores desaparecerem”. Há aqueles que sonham para transformar a realidade. E há aqueles que sonham e transformam o próprio sonho em algo próximo do palpável. No cinema, alguns poucos diretores souberam transmitir o clima onírico de uma maneira tão especial que temos certeza de que eles têm um nível de percepção do inconsciente diferente da maioria de nós. Como sou canceriano, signo dos sonhos e das fantasias, isso sempre vai ser objeto de fascínio pra mim.

O cinema é a arte que melhor se aproxima do sonho, afinal os nossos sonhos parecem pequenos filmes protagonizados por nós mesmos - há quem diga que a gente sonha em preto e branco. Selecionei, então, três dos diretores mais ligados ao sonho que eu conheço. Esses três diretores são Luis Buñuel, Alejandro Jodorowsky e David Lynch. Eles são provavelmente os grandes mestres do cinema surreal.

Comecemos com o pai de todos: Luis Buñuel (foto ao lado). Esse senhor espanhol é um dos poucos diretores de cinema que pode ser tranqüilamente chamado de gênio sem que isso pareça um exagero. Dom Buñuel começou ainda no cinema mudo com uma obra de referência para o Movimento Surrealista no começo do século XX. Ele aliou-se ao pintor Salvador Dali para compor a obra-prima “Um Cão Andaluz” (1928), cuja cena da navalha cortando o olho de uma mulher está no imaginário até de quem nunca viu o filme completo. Nunca existiu outro cineasta como Buñuel. Ele também era famoso por ser um crítico ferrenho da Igreja Católica. A frase “sou ateu graças a Deus” ficou popularizada graças a ele. Ele era tão contraditório quanto essa frase: um de seus melhores amigos era um padre, e ele tinha uma obsessão pelos símbolos e dogmas do catolicismo.

O que pode ser visto em filmes como “Nazarin” (1959), “Viridiana” (1961) e “A Via Láctea” (1969). Esse último filme, inclusive, é um de seus trabalhos que privilegiam pouco a história e valorizam mais a atmosfera surreal, ao lado de “O Discreto Charme da Burguesia” (1972) e “O Fantasma da Liberdade” (1974). São filmes que não possuem uma narrativa linear tradicional. O surrealismo de Buñuel também estava presente na sua brilhante fase mexicana, que antes era considerada a mais comercial de sua carreira, mas que tem sido cada vez mais valorizada nos dias de hoje. Foi em sua temporada no México que Buñuel nos presenteou com obras-primas como “O Alucionado” (1953), “Ensaio de um Crime” (1955) e “O Anjo Exterminador” (1961). Claro que Buñuel é muito grande para ser descrito apenas em um tópico num texto generalizador sobre o cinema-sonho, sem falar que não me julgo apto para analisar sua obra tão rica, sem sequer ter visto metade de seus filmes. Ainda assim, deixo registrado o meu respeito e carinho por seus filmes fabulosos.

O chileno Alejandro Jodorowsky (foto ao lado) é bem menos conhecido pelo público e o surrealismo em seus filmes era ligado a suas crenças religiosas. Junto com os cineastas Roland Topor and Fernando Arrabal criaram em 1962 o “Movimento Pânico” em homenagem ao deus mítico Pã. O único filme de Jodorowsky que tive contato até o momento foi “The Holy Mountain” (1973). Esse filme é melhor compreendido por quem conhece um pouco de astrologia. Parte da trama desse filme gira em torno dos simbolismos relacionados aos planetas regentes dos signos. Nos últimos anos, Jodorowsky tem se dedicado ao estudo do tarô e trabalhado como roteirista de histórias em quadrinhos. Espero ter a chance de ver outros filmes desse diretor instigante em breve.

Apesar de ser o mais popular dos três diretores, David Lynch (foto ao lado) é famoso por sua ousadia e coragem de lançar no circuitão filmes que desagradam os desavisados que entram no cinema para ver filmes com explicações fáceis. Dois de seus filmes se passam literalmente no mundo dos sonhos - “A Estrada Perdida” (1997) e “Cidade dos Sonhos” (2001) - e outros trazem elementos de estranheza perturbadores, como “Eraserhead” (1977), “Veludo Azul” (1987) e “Coração Selvagem” (1990). Inclusive, “Coração Selvagem” foi o primeiro filme que tive o prazer de ver no cinema desse que eu considero um dos cinco mais importantes cineastas americanos da atualidade.

Foi na mesma época que tive contato com “Twin Peaks” (1990), a revolucionária série de tv que parecia um peixe fora d’água em meio mediocridade dos seriados de televisão da época. Foi o momento da febre “Twin Peaks”, que hoje está sendo revivida graças ao lançamento em DVD da primeira temporada da série e da expectativa do lançamento da segunda. Lynch foi o diretor que mais me fez sentir medo. Senti um calafrio ao olhar para o rosto do “homem misterioso” de “A Estrada Perdida”; gelei ao ver a entidade demoníaca BOB na casa de Laura em “Twin Peaks” - “Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992); senti pavor do mendigo escondido na lanchonete e da mulher de cabelo verde do Clube Silêncio de “Cidade dos Sonhos” (2001). E o mais surpreendente, pela telinha de 14 polegadas do meu computador, ao ver uma série de curtas para a internet chamada “Rabbits” (2002), senti um medo do irracional que não encontro paralelo em momento algum. David Lynch, esse homem que fisicamente parece uma versão moderna de James Stewart, com aquele aspecto de bondade e generosidade, tem o poder de materializar os nossos sonhos e pesadelos como nenhum outro.

Bons sonhos!

Sentimentos advindos de um filme

Publicado em: 01-07-2007 @ 12:00 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Andreisa Caminha

Assim como livros, filmes são capazes de despertar sentimentos, algumas vezes até mesmo adormecidos, em nós, seres humanos. Determinadas pessoas, por argumentarem que produções cinematográficas dão um teor maior de veridicidade s sensações, preferem os longas s obras escritas. Não que este seja o meu caso (já que, para mim, depende do livro ou do filme em questão), porém, como o CCR é um portal sobre cinema, irei focar os meus pensamentos apenas nos projetos cinematográficos.

Sabe quando você vai uma sala de cinema sem intenção alguma de se emocionar com determinada película e esta acaba o pegando de surpresa? Isso pode ocorrer por diversos fatores ou até mesmo por nenhum. Você pode estar com um problema familiar, ter se decepcionado com um amigo, estar passando pela gostosa euforia de um começo de namoro, enfim, pode encontrar-se mais suscetível a baques emocionais. Então, quando menos percebe, já está se derramando em lágrimas, rindo toa, estressado, entre outras coisas, durante a exibição de um filme. Pois é, os longas têm esse poder sobre a gente. Poder este que ninguém sabe dizer muito bem de onde emana, e, para falar a verdade, nem precisa saber, apenas ter noção que existe já é suficiente.

Eu, particularmente, sou uma pessoa bastante emotiva. Por qualquer besteirinha, pela menor rixa, pareço que vou secar de tanto chorar. Já me imaginaram assistindo a um DVD sozinha em casa? Não digo no cinema porque consigo me conter um pouco em lugares públicos, porém quando estou na comodidade do meu lar vendo um filme - drama, especialmente - tenho pena dos meus lenços. Chorei que cheguei a soluçar em uma cena de “Crash – No Limite“, na qual uma meninazinha, acreditando usar uma capa invisível prova de balas, se joga na frente de seu pai com o intuito de salvá-lo. Também foi impossível não me emocionar com o final de “Moulin Rouge“, filme que, para mim, é um dos mais marcantes. Infelizmente, assim como sou fácil de chorar, não sou de rir. Não que eu seja depressiva, todavia, para mim, as seqüências ligadas tristeza acabam se tornando mais ricas. Não sei bem o porquê.


“Crash” e “Moulin Rouge”, dois ótimos filmes para chorar

É fato que há inúmeros sentimentos possíveis de serem emanados de uma produção cinematográfica, como o medo, a alegria, a raiva, entre outros, porém, se fosse divagar a respeito de todos, com certeza tornaria este texto demasiado enfadonho. Enfim, seja você homem ou mulher, adolescente ou idoso, heterossexual ou homossexual, assista a um filme e não se preocupe em conter seus sentimentos. Pode ter certeza que, ao permitir que venha tona todas as suas emoções, o longa se tornará melhor ainda.

Espaço Unibanco reformado exibe o premiado “Cine Zé Sozinho” e o documentário “Cartola”

Publicado em: 01-07-2007 @ 8:08 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Maíra Suspiro

Na noite de segunda-feira (25), as salas de exibição do Unibanco, localizadas no Centro Cultural Dragão do Mar, na cidade de Fortaleza (CE), foram re-inauguradas. Com poltronas mais confortáveis e mais espaço, além de ganharem salas reformadas, o cinema ganhou a projeção digital, via satélite.

Graças a esse novo recurso, foi possível a exibição do documentário “Cartola”, que não existe mais em rolos, impossibilitando o uso das convencionais películas, explicou Ademar de Oliveira, diretor nacional do Espaço Unibanco. Ele falou ainda que uma nova política está em vigor. A intenção é trazer uma maior diversidade de filmes, desde clássicos, documentários e infantis. Existe ainda a possibilidade de se trazer a Fortaleza o cineasta Walter Salles para fazer o lançamento de seu novo filme, “Linha de Passe”.

Além das novidades e da exibição do longa “Cartola”, houve ainda a exibição do premiado curta-metragem “Cine Zé Sozinho”, do cearense Adriano Lima.

O Boêmio da Primavera

cartola_1.jpgAngenor de Oliveira. Nome desconhecido, talvez. Quem sabe se refrescarmos a memória de vocês dizendo que esse nome é de um grande compositor, cantor e poeta brasileiro, uma luz se acenda no fim do túnel. Mas, se é pra ser unânime, basta revelar o apelido dessa figura popular de extrema importância para a cultura brasileira.

O nome de guerra (ou seria de samba?): Cartola. Sambista criador e participante da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, compôs, sozinho ou com parceiros, mais de quinhentas canções. Como exemplo, temos “As Rosas Não Falam”, “Alvorada”, “O Mundo é um Moinho” (favorita de Drummond de Andrade), “Tive Sim” e “O Sol Nascerá”. Sua produção musical foi marcada pelo alto nível de elaboração e uma carga poética intensa.

Seu apelido veio dos tempos em que trabalhou como pedreiro. Por ser muito vaidoso, se aborrecia constantemente quando o cimento sujava seus cabelos. Para solucionar o pequeno problema, passou a usar sempre um chapéu para proteger os cabelos do cimento, ocasionando o apelido dado pelos colegas. E essa é uma história que não agradava muito ao grande poeta. Ele detestava ter que explicar o nome artístico.

O apelido virou também nome do documentário feito em sua homenagem. Lírio Ferreira e Hilton Lacerda assinam a direção da produção que relembra a história desse artista do subúrbio, através de depoimentos, fotografias antigas, trechos de momentos gloriosos, como o desfile de carnaval e as apresentações de Cartola com amigos ilustres, como Chico Buarque e Beth Carvalho.

O documentário segue um ritmo entrecortado que chega a ser incômodo em determinados momentos. A montagem pode não agradar a todos, mas chega a ser compensada pelas imagens nostálgicas e pelas músicas memoráveis que são cantadas. Vale a pena ser visto pelo material que conseguiu reunir, apesar de não ter sido compartilhado de forma envolvente. As palavras dos amigos, familiares e companheiros de samba tornam íntima a imagem daquele boêmio-trabalhador que teve reconhecimento tardio.

Certamente, após “Cartola” podemos ter noção do grande artista que Angenor foi. Sua vida de altos e baixos é tratada de forma sensível pelos diretores, principalmente através das nuances experimentais que o documentário mostra em certos momentos. Os depoimentos riquíssimos e os encontros com os companheiros músicos são essenciais nesse ponto.

Como Nelson Sargento uma vez disse, “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”. Um sonho que nasceu e despediu-se em um domingo de primavera.

Você pode conferir alguns vídeos de Cartola nos links abaixo:

Encontro de Cartola com o pai e canta “A Vida É Um Moinho”
http://www.youtube.com/watch?v=HFQoOVokKkE

Cartola canta “Peito Vazio”
http://br.youtube.com/watch?v=53-rCftBn0w&mode=related&search=

Cartola canta “Tive, Sim”
http://www.youtube.com/watch?v=SoC8PYMHA54&mode=related&search=

Trechos do documentário “Cartola”
http://br.youtube.com/watch?v=xlMRgr6vxLg&mode=related&search=

Cine Zé Sozinho

Vencedor na categoria de “Melhor Documentário”, tanto no 30o Festival Guarnicê de Cinema do Maranhão quanto no 11 o FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul, o documentário “Cine Zé Sozinho” teve sua estréia na capital cearense na noite do dia 25. A exibição contou com a presença do próprio Zé Sozinho, que recebeu a Menção Honrosa ao personagem no 30 o Guarnicê e ainda disse: “Cinema é cultura e diversão. E aquele que não gosta de cinema não é brasileiro”.

O curta-metragem de 16 minutos traz a história de um personagem carismático e apaixonado pela Sétima Arte. Estamos falando do Seu Zé Sozinho, menos conhecido como José Raimundo Cavalcante. Pernambucano de Pajeú das Flores, ele foi criado em Caririaçu, no sul do Ceará. Até aí, nada de mais na sua história, até ele completar 12 anos e fugir de casa, rumo a Fortaleza, onde descobre sua paixão pelo cinema.

Acontece que essa paixão não é igual � quela que muita gente descobriu indo � s salas de cinema no fim de semana ou colecionando DVDs em casa. A paixão de Zé Sozinho vai bem mais além, influenciando toda a sua vida e a das pessoas que conviviam ao seu redor.

Após trabalhar varrendo salas de exibição, tentando conseguir ver filmes de graça e alguma refeição, ele volta a Caririaçu e passa a exibir filmes no Círculo Operário, utilizando um projetor de 16mm. Esse homem que aparece com tanta boa-vontade e humildade na película dedicou a vida a levar o cinema aos lugares mais improváveis, como o interior cearense.

A produção traz depoimentos tanto de Seu Zé quanto de sua família, assim como de pessoas que conheceram o cinema através do esforço de Zé Sozinho. É interessante ver a reação das pessoas falando de clássicos do cinema antigo, desde Bruce Lee até “Jesus Cristo”.

“Cine Zé Sozinho” é o primeiro trabalho de Adriano Lima como diretor, e quem conhece seu trabalho pode perceber alguma semelhança entre ele e a pessoa de Seu Zé, explicando até o motivo pelo qual ele decidiu fazer esse projeto. Adriano é o realizador do Curta Canoa, Festival Latino Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada. O festival é famoso por fazer a exibição dos curtas selecionados ao ar livre, aberto ao público e habitantes do local, proporcionando uma sensação semelhante � que o protagonista do curta promoveu.

Adriano teve o primeiro contato com Zé Sozinho durante o 13o Cine Ceará, quando o festival homenageou o seu trabalho. Desde então, Adriano sempre pensou na possibilidade de registrar a vida e o trabalho daquela figura dedicada no meio em que ele mais adorava: o cinema.

O resultado foi um curta-metragem carismático só por ter o personagem principal que tem. Com depoimentos sinceros que repassam a história de Zé Sozinho, a forma escolhida é o jeito como ele mesmo é: bem humorado e objetivo. Apesar dos tempos acelerados e da trilha sonora que se perde em algumas montagens, “Cine Zé Sozinho” deve ser visto, pois é um registro de cultura mais que merecido. Arrisco ainda dizendo que apesar de se diferenciarem em gênero, produção e estilo, “Cine Zé Sozinho” e o clássico “Cinema Paradiso” andam juntos, lado a lado, guiados pela vontade de homenagear o Cinema.

Preço nos Cinemas

Publicado em: 26-06-2007 @ 10:49 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jonas Maciel

Como a maioria dos cinéfilos, assisti com certa indignação ao aumento do preço dos ingressos nos últimos anos. Logo, fomos forçados a buscar horários promocionais para continuarmos a ver filmes com uma freqüência ao menos semelhante a que costumávamos ter. Mesmo quem não vai ao cinema freqüentemente tem reclamado do preço dos cinemas. Se levarmos em consideração que grande partes dos espectadores não são estudantes, percebemos que um casal, no fim-de-semana, pode pagar até 36 reais só pelas entradas. Caso ele resolva comprar um lanche, que também não é barato, a diversão pode sair por cerca de 50 reais.


Os cinemas enchem os bolsos de dinheiro ou é exagero nosso?

Olhando os meus ingressos de 7 anos atrás, percebo que era possível encontrar ingressos a 4 reais, a inteira, durante a semana. Os tíquetes, no final de semana, não passavam de 10 reais. Hoje as únicas salas que mantém preços semelhantes são aquelas dos cinemas de rua. Além desses cinemas, existem algumas exibidoras que fazem dias promocionais, onde o preço do ingresso diminui em quase 50%, mas não passa disso. E outra, nem todo mundo pode ir ao cinema s segundas-feiras, por exemplo. E aí?

Se avaliarmos, constataremos que o preço do tíquete aumentou cerca de 100% nos últimos anos. Nesse período, foram inaugurados vários complexos de salas pelo Brasil, que mantêm a mesma estrutura de suas aberturas. Alguns deles sofreram algumas reformas perdidas nesse período. Algumas salas têm sons ruins, outras problemas estruturais. É certo que os equipamentos de projeção são caros e frágeis, todavia não justifica tal aumento.

Pode ser que, lendo esse texto, as empresas responsáveis pelas salas de algumas cidades enviem notas esclarecendo tais aumentos, no entanto pergunto: por que não fizeram isso antes? Como consumidores, temos o direito de questionar o motivo desses aumentos. Lembro, por último, que próximos das férias escolares, com várias estréias agendadas, nessa época, os cinemas aproveitam para subir os preços dos ingressos. E agora?

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