Podemos ver o que seus olhos vêem?

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:40 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Paulo Flausino

Revendo o convincente documentário “Janela da Alma”, testemunhei uma frase inesquecível que dizia, mais ou menos, assim: “Apesar de enxergar bem sem óculos, eu sentia falta do enquadramento. Acho que a visão é mais seletiva de óculos”. Nesse mesmo instante pausei o vídeo, desliguei o monitor, fechei meus olhos, olhei para dentro e… algo aconteceu. Inspirei profundo e… algo se moveu. Dessa vez encontrei? Será? Sim! Não há mais duvida. Do imenso e profundo mar que é o inconsciente, emergiu um entendimento súbito (insight)!

Finalmente entendi um mistério que sempre me rondou, um enigma que sempre me incomodou! Que olhos são esses, que os diretores têm e que mais ninguém tem? Que visão de mundo é essa? Visão que, como um arpão, nos atravessa a alma, dilacera-nos os conceitos, reformula-nos as idéias e nos prende a algo único e fascinante que é o sentimento da transcendência, a sensação de sair de si, o poder de alcançar o outro, a proeza de transpor nossa limitada realidade! Através do trabalho deles podemos ser outras pessoas e viver outras histórias! Conhecer outros lugares e entender outras paragens!

É claro que não estou me referindo a Michael Bay’s e Tim Story’s da vida, que alastram o mundo cinematográfico com produtos descartáveis e renegam o potencial do cinema como arte e como canal de crescimento cultural e intelectual. Ali me referia a senhores como: Charles Chaplin, Orson Welles, Steven Spielberg, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Peter Jackson, Woody Allen e “George Lucas”. Todos esses senhores são, em minha opinião, gênios incontestáveis sendo que cada um deles tem suas próprias particularidades que os engrandecem ou os apequenam dependendo de que contextos forem julgados e avaliados.

Voltando � quela grande questão: “Que olhos são esses, que somente eles têm, que mais ninguém tem? E mesmo que eles se diferenciem, um do outro, em vários e vários aspectos, o que todos eles têm em comum? O que? Hein?” Inspirado pelas palavras que grifei naquela frase citada no primeiro parágrafo, atrevo-me a dizer que sei o que liga a todos eles; o que os fazem manter um elo eterno de um para com o outro e os diferencia de todo o resto (nós)! Vamos pensar… “Elementar, meus caros Watsons Rapaduras!” Nada mais simples… Nada mais eficaz e diferenciador em nossas vidas e em nossa sociedade!

OLHAR COM A ALMA!!! Sim! Olhar com alma… Isso simboliza dar um significado profundo e singular para cada visão do dia-a-dia, isso representa valorizar a cada tomada que seus olhos venham a fazer! Com essa premissa de vida, eles conseguem a proeza de utilizarem suas visões SELETIVAS, de seus sensos de grandiosidade, de suas profundas admirações pelo belo e pela vontade irresistível de arrebatar e transportar multidões e mais multidões para o ENQUADRAMENTO da vida, que só eles conseguem vislumbrar e entender em profundidade real!

É assim que os enxergo. É assim que os sinto. É assim que os admiro! Quanto a você, meu amigo rapadura, que diretores você admira? Como você os enxerga?

Agnes Varda e Seus Quase Documentários

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:39 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Agnes Varda tem um estilo beirando o pitoresco de apresentar imagens que desencadeiam sua história. O jeito quase documental de “Os Respigadores e a Respigadora” é brindado pela maneira leve que ela tem de brincar com fatos, e com a própria câmera. Como se estivesse ali descobrindo não só histórias, mas também o uso da câmera, seus efeitos, suas cores – e apresentando tudo isso para quem assiste aquela experiência. Muito interessante os momentos em que ela se filma: penteando os cabelos, depois a imagem da própria mão e enfim a brincadeira com relógio re-aproveitado.

Dessa forma ela vai entrelaçando os fios desse quase embate, mostrando personagens que não são exatamente personagens, e que nos fazem sentir que estão contando para nós (e não para uma câmera) suas descobertas. Como se eu tivesse a oportunidade de conhecer aquelas pessoas e compartilhar de suas experiências, num momento descontraído.

Quase parece um filme caseiro, uma câmera na mão e uma expectadora curiosa e profundamente observadora. E de certa forma, é. Mas a junção de outros elementos que compõe o filme, nos faz perceber a profundidade do trabalho que foi realizado. Essa característica da “expectadora curiosa e observadora”, é levada aos seus projetos, como uma marca mesmo do seu trabalho. Já no seu primeiro trabalho (La Pointe-courte, 1956), ela demonstra isso, mesmo que a linguagem utilizada seja diferente (há ficção, personagens criados).

Existe um constante diálogo com a câmera nos trabalhos de Varda, uma ligação forte em seus filmes. Em Lions Love (1969), o “ensaio” com o documentário acontece mais uma vez, mas através de mais uma ficção. Agnès Varda gosta de trabalhar com documentários, mas claro, � sua maneira própria e característica: eles normalmente são documentários que não parecem exatamente documentários. E paralelo a isso, trabalha com suas ficções, caminhando com tranqüilidade pelos gêneros, como comédias, dramas e até fantasia. É interessante o costume que ela conserva de fazer parte de seus filmes de alguma maneira, de aparecer na tela mesmo em alguns deles.

Da mesma geração de Godard, Agnes Varda chegaram a trabalhar juntos em Loin du Vietnam (1967), onde alguns cineastas (como Joris Ivens, William Klein, Claude Lelouch, Chris Marker e Alain Resnais) juntaram-se na realização deste documentário quase político, onde apóiam o exército Vietnamita durante a tão falada Guerra do Vietnã.

Vencedora de pelo menos 23 prêmios em festivais respeitados de cinema, Agnès Varda continua dirigindo filmes, sendo uma cineasta ativa. Aliás, não só dirigindo, como produzindo, escrevendo, editando e atuando!

10 Road Movies

Publicado em: 25-10-2007 @ 2:07 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Viajar é sempre bom. É emocionante a ida a um território desconhecido. Claro que você, mesmo estando em sua própria cidade, também está sujeito a eventos totalmente desconhecidos - a vida é cheia de surpresas -, mas ter a oportunidade de mudar de ares é sempre uma sensação das mais agradáveis e excitantes.

Tendo em vista a minha ida recente para São Paulo e o fato de eu ter visto o road movie “Transamérica” por lá, pensei em enumerar dez filmes do gênero. O road movie é aquele tipo de filme que deixa a gente ansioso para chegar ao destino, ao mesmo tempo que nos dá tempo para curtir a paisagem. Na verdade, a viagem é tão ou mais importante que o destino. Então, como forma de celebrar as viagens, segue uma lista de dez road movies. Não necessariamente os melhores, mais os que mais rapidamente me vieram cabeça.

1. HISTÓRIA REAL (The Straight Story). Um filme atípico na filmografia de David Lynch, ainda que muito de sua marca esteja presente nessa história de um velhinho que parte numa longa viagem em cima de um cortador de grama. Ele atravessa várias cidades devagarinho, nesse “meio de transporte” com o objetivo de ver o seu irmão, que estava muito doente. Ele tem suas próprias razões para querer viajar em cima de um cortador de grama, em vez de um meio de transporte mais rápido. Pra que razão melhor do que ver aquele céu estrelado? Curiosamente, o veterano Richard Farnsworth, o protagonista do filme, cometeu suicídio poucos meses depois do filme, aos 80 anos de idade. Farnsworth foi indicado a dois Oscars, sendo que um deles por “História Real”.

2. O ESTRANHO CAMINHO DE SÃO TIAGO / A VIA LÁCTEA (La Voie Lactée). O genial Luis Buñuel conta a história de dois vagabundos saindo de Paris e seguindo o caminho de Santiago de Compostella, na Espanha. Ao mesmo tempo que mostra o percurso dos dois, Buñuel nos apresenta o que ele e Jean-Claude Carrière consideravam as seis maiores heresias. Os dois fizeram uma intensa pesquisa e fizeram um filme bastante polêmico e considerado ofensivo pelos católicos mais radicais.

3. E SUA MÃE TAMBÉM (Y Tu Mamá También). Talvez um dos filmes em que a gente mais sente a alegria de viajar. Talvez porque seus protagonistas são muito jovens e cheios de vida. No México, dois rapazes e uma mulher mais velha que eles partem numa viagem pelo interior do país. No caminho, eles aprendem muito sobre sexo, amizade e a valorização de cada momento da vida, como se fosse o último. Belíssimo e sensual trabalho de Alfonso Cuarón.

4. SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS (Sideways). Diferente dos jovens do filme de Cuarón, os protagonistas de “Sideways” já se aproximam da meia-idade e a vida já lhes trouxe muitas amarguras e decepções. Talvez por isso que o personagem de Paul Giamatti não consegue sentir se entusiasmar tanto com essa viagem. Para ele, o principal objetivo da viagem vai ser mesmo conhecer as principais rotas de vinho da Califórnia. Mas, para sua sorte, a amizade, o retorno da auto-estima e as mulheres estarão pelo caminho.

5. FLORES PARTIDAS (Broken Flowers). Assim como o personagem de Giamatti, o personagem de Bill Murray nesse filme é um homem anestesiado e que já perdeu o gosto pela vida. Até o dia em que ele recebe uma carta anônima que lhe avisa de um filho adolescente, do qual ele não sabia da existência. Auxiliado por seu vizinho e amigo, ele faz uma viagem em busca da mãe de seu filho. O final é belíssimo.

6. CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS. Um dos melhores filmes dos últimos anos do cinema brasileiro, essa pérola dirigida pelo pernambucano Marcelo Gomes é uma das mais inspiradas odes sobre a amizade já realizadas. Grande sacada colocar como um dos protagonistas um estrangeiro. É assim como nos sentimos naquele lugar devastado pela fome e pela miséria, mas que pelo menos não cai bombas do céu. Poucos filmes me deram tanto prazer nesse ano de 2006.

7. ONDE ANDA VOCÊ?. Já que estamos falando de filme brasileiro, lembro desse título tão mal recebido pela crítica e pelo público, mas que me proporcionou momentos de muita alegria. Na trama, um comediante decadente realiza uma viagem em busca de um comediante lendário que mora numa terra distante do Nordeste brasileiro. Vale tudo para alcançar a felicidade perdida. Adoro o tom agridoce desse filme. Dirigido por Sérgio Rezende, que voltou s telas com “Zuzu Angel”.

8. DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (Diarios de Motocicleta / The Motorcycle Diaries). Projeto bem mais ambicioso dirigido por um cineasta brasileiro é essa cinebiografia de parte da juventude de Che Guevara, quando ele saiu de motocicleta com um amigo para conhecer a América do Sul. Este é o exemplo clássico de road movie que mostra o quanto uma viagem pode interferir na vida de uma pessoa e modificá-la para sempre.

9. THELMA & LOUISE. Já entrando no território misto de road movie com filmes de fuga, um dos exemplos mais acabados da filmografia de Ridley Scott é “Thelma & Louise”. O que acontece quando duas mulheres saem em busca da liberdade que há tanto tempo lhes foi negada? Na história, uma dona de casa e uma garçonete fogem de suas vidas e de seus maridos num Thunderbird. A viagem das duas vai ser no mínimo explosiva.

10. TRÊS ENTERROS (The Three Burials of Melquiades Estrada). A viagem não é nada agradável, principalmente para o homem que matou acidentalmente Melquiades Estrada. Para ele, essa viagem é como uma purgação pelos seus pecados. No meio do caminho, o deserto que castiga o corpo, cobras venenosas, a pobreza do México e um velho cego que pede para que uma alma caridosa lhe faça o favor de ceifar a sua vida miserável. Excelente estréia na direção de Tommy Lee Jones.

O Segredo da Vida

Publicado em: 22-10-2007 @ 12:56 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Luiz Belmiro

Eles estão chegando! Depois de venderem milhões de livros pelo mundo inteiro os magos da auto-ajuda finalmente (ou infelizmente) estão chegando s telas de cinema, com suas fórmulas mágicas de sucesso e fortuna ao alcance de qualquer um. O grande representante dessa nova “escola” cinematográfica é o “Segredo”, que conta a história de uma conspiração milenar para ocultar da humanidade a “Lei da Atração”, o tão afamado segredo do título. A tal “Lei” consiste basicamente em acreditar na força do pensamento, na sua capacidade em atrair para si tanto coisas boas (dinheiro, dinheiro e mais dinheiro) quanto coisas ruins.

Uma vez que a qualidade cinematográfica do documentário é baixíssima, a ponto de parecer um daqueles vídeos de formatura (inclusive com animações toscas no estilo do 3D-Max), nos resta discutir a “Lei” em questão. Vejamos como tudo funciona, a história de um homossexual que sofria preconceito no trabalho é belo exemplo da teoria defendida no filme: segundo a “Lei da Atração” ele atraia pra si com seus pensamentos negativos toda a discriminação que sofria. Ou seja, o problema não estava na sociedade homofóbica em que ele vivia, mas no fato dele pensar constantemente em coisas negativas, ao invés da sociedade mudar e ser mais tolerante ele é quem teve mudar seus pensamentos e pronto, sucesso, dinheiro e fim do preconceito.

A fórmula é basicamente a mesma de outros sucessos do lucrativo mercado da auto-ajuda: a resposta está sempre no indivíduo, ele tem a chave para todos seus problemas, caso não consiga resolvê-los a responsabilidade é toda sua, e não do guru do sucesso que estiver na moda (ótima válvula de escape teórica, qualquer problema com a teoria está no intérprete, e não na formulação). O significado do sucesso tão almejado pode ser resumido a uma simples palavra: dinheiro. Amor, amigos, fraternidade e solidariedade são todos frutos do dinheiro. E mais uma vez é reforçada a lógica individualista, você e seu sucesso em primeiro lugar, todo o resto do mundo será automaticamente feliz se você também for. O fato do ser humano viver em sociedade, e de que todos dependemos em maior ou menor escala das pessoas com quem convivemos, sequer são abordados pelo filme. Se você pretende se inserir numa lógica arrivista do “salve-se quem puder” esse é o filme ideal, depois de assistir pode se inscrever no “Aprendiz” do Roberto Justus e mentalizar que ficará igualzinho a ele. Mas e se a resposta não estiver em você, mas justamente nas pessoas ao seu redor? E se a fórmula mágica para a felicidade não puder ser encontrada sozinho?

Dois dos melhores filmes de 2006 investem mais nessa possibilidade, e se revelam muito mais interessantes, seja como cinema ou então como teoria (ou “Segredo”, como queiram). Em “A Fonte da Vida”, um médico vivido por Hugh Jackman pesquisa obsessivamente uma cura para o câncer de sua amada esposa (interpretada por Rachel Weiz), sua busca é incansável a ponto de fazer com que sacrifique as últimas horas que teria ao lado dela no laboratório. A angústia do personagem não se deve apenas ao medo da perda, mas também ao fato de não entender o mistério da morte. Por outro lado, mesmo estando com as horas contadas, sua esposa aceita seu destino e acaba por lhe dar a resposta para todos seus questionamentos por meio da forma como encara a morte. Ela mostra que uma vida nunca faz sentido sozinha, mas apenas em complementaridade s vidas ao seu redor, em especial aqui a vida da pessoa que se ama. Tanto que ela deixa seu último livro inacabado para que ele termine, a história dela é a história dele.

O diretor Darren Aronofsky (”Réquiem Para Um Sonho“) utiliza os recursos narrativos do cinema para melhor desenvolver sua “tese”, em especial a fotografia: uma mesma luz ilumina o filme inteiro, a luz de uma estrela para a qual todas as vidas convergem, aí a vida transcende a morte, no momento em que os dois se tornam um. No final, poderia ser apenas mais um filme romântico com queda para o melodrama, mas toda simbologia da trama (religiosa, filosófica) consegue superar um único gênero, flertando até mesmo com a ficção cientifica de forma convincente. O amor entre os dois personagens principais nos faz lembrar dos versos da última canção dos Beatles: “e no final, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá”.

E quanto ao dinheiro e bens materiais? Igualmente podemos dizer que eles não fazem o menor sentido sem o componente humano, como mostra “Filhos da Esperança”. Num futuro próximo, por algum motivo desconhecido as mulheres não conseguem engravidar, e a morte da pessoa mais jovem do planeta desencadeia uma onda de protestos e confrontos violentos por todo planeta. Mas o aspecto mais interessante é quanto s conquistas materiais da humanidade, os avanços tecnológicos desse futuro alternativo pararam na década de 90. Sem futuras gerações para herdarem o mundo, não quer dizer mais nada um tv de plasma ou um celular com bluetooth. A certa altura, o personagem de Clive Owen interroga o curador do maior museu de Londres: de que adianta preservar todas estas obras-primas se dentro de cinco décadas não vai haver mais ninguém para apreciá-las?

Sucesso, fama e dinheiro, bem como todas as conquistas materiais da humanidade são vazias quando não podem ser aproveitadas em benefício das pessoas, e de preferência em benefício de mais de uma pessoa, ou seja, da coletividade. Se existe mesmo algum “segredo”, com certeza ele não pode ser descoberto sozinho, e tão pouco ser apropriado em benefício próprio, porque se assim o for o “segredo” pode ser definido numa simples palavra: egoísmo.

Exclusão social

Publicado em: 22-10-2007 @ 12:49 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Thiago Sampaio

É inquestionável o poderio econômico e social que os Estados Unidos exercem sob os demais país da América. Não é a toa que são o país considerado com o melhor índice de desenvolvimento, mas é revoltante ver a idéia de exclusão tida por eles em relação ao resto da América. Nunca fui desses radicalistas e nem pretendo ser, e, por sinal, admiro muita coisa da cultura americana (sim, assumo, e podem me criticar), mas, visto de camarote, é clara a impressão que eles têm de que são o topo do mundo, o grande centro econômico e o resto dos países americanos não passam de florestas, lares de índios, pólos de contrabandos e tráficos de drogas, etc. Não é nóia minha, pois o cinema está aí para provar.

Vou começar com um exemplo bem exagerado: o filme “Bem-Vindo Selva”, em que The Rock interpreta um caçador de recompensas que vai procura do filho de um magnata (vivido por Seann William Scott). Adivinhem onde é a tal Selva do título? Na Floresta Amazônica. No filme, o Brasil é retratado como uma grande represa onde um gringo (vivido por Christopher Walken) se aproveita da mão de obra barata e usa dos brasileiros como verdadeiros escravos, e o pior de tudo: os brasileiros não se mostram nem um pouco descontentes com isso e ainda agem como capangas do gringo, protegendo-o. Sem falar na linguagem castelhana horrivelmente forçada falada pelos “brasileiros” do filme, tentando enganar a todos que aquilo é português. Para nós, é ridículo (chegando até a ser cômico), mas para eles, tanto faz, afinal, português, castelhano, tudo é a mesma porcaria.

E esse lance de colocar atores falando em espanhol ou castelhano para enganar que são brasileiros falando em português não é novidade, e os exemplos são muitos. Usando um filme de grande conhecimento do público: quem lembra daquela cena de “Sinais”, em que os protagonistas assistem a um telejornal e lá estão informando que os ETs invadiram o Brasil, jogando para uma imagem de criancinhas apontando para um beco e gritando um “ali atrás” que nem aqui nem na China é português?

O filme “Mr.Magoo”, estrelado por Leslie Nielsen, também tem boa parte da trama centrada no Brasil (que, na verdade, sabemos que ali não é o Brasil). Para variar, o que é mostrado é um monte de mato, além de uma seqüência curiosa em que o velhinho ruim de vista, “Mr.Magoo”, conversa com um babuíno. Desde quando existem babuínos, uma espécie tipicamente africana, aqui no Brasil? Enfim, para eles, somos tudo índios ou animais, não é?

E olhem que até agora só citei o Brasil como alvo da exclusão social estadunidense. Já fizeram a conta de em quantos filmes policiais o vilão é um grande traficante de drogas colombiano, ou um contrabandista paraguaio? Já virou foi tradição remeter a imagem desses países a coisas negativas. Até parece que nos EUA só existem santos! O mais recente exemplo é o recém estreado “Miami Vice”, em que a dupla de tiras protagonistas viaja até esses países para se infiltrar numa gangue que fazem adivinhem o que? Um doce para quem adivinhar. Sem falar na exagerada imagem de subúrbio mostrada no filme, como se os países fossem apenas aquilo.

Não gosto de generalizações, e sei muito bem que não são todos os dos Estados Unidos que enxergam o resto do mundo com esses olhos, mas, pelo menos no mundo do cinema, é lamentável o que se tem visto. Nós pelo menos temos orgulho de nossa cultura, e apesar de não sermos tão desenvolvidos economicamente, prezamos por nossa valorização.

A culpa é sempre do DNA

Publicado em: 15-10-2007 @ 5:24 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Diego Coelho

Quem nunca ouviu algum personagem de filme dizer: “Veja, o DNA da criatura está se multiplicando!”? Esses comentários são bastante comuns em filmes de ficção científica, nos quais, além do DNA, os cientistas conseguem observar vírus ou aquelas bactérias (que têm cara de protozoários) em simples microscópios ópticos (aliás, tudo nos filmes parece se resolver com um microscópio), o que, até o presente momento, é simplesmente impossível. Como pôde o Superman ter tido um filho com Louis Lane se ambos pertencem a espécies diferentes? (Será que o roteirista nunca ouviu falar em incompatibilidade genética?). Como a tartaruga de “Procurando Nemo” permanecia em uma corrente oceânica por horas sem subir para respirar? Sendo biólogo e cinéfilo, não poderia deixar de comentar esses impropérios biológicos tão comuns em Hollywood, tendo em vista a enorme ascensão da biologia dentro do nosso contexto atual, e que certamente representou para o cinema uma fonte inesgotável de idéias.

O principal alvo da indústria cinematográfica, sem dúvidas, é a molécula do DNA. Desde a sua descoberta, em 1953, pelos cientistas Watson e Crick, ela causou fascínio na humanidade por ser a chave da vida, um guia de instruções para a construção de um ser vivo. Na literatura, televisão, quadrinhos, cinema só se fala do tão famoso DNA. Antes de sua descoberta, os autores criavam suas histórias s escuras, como no caso do Frankstein, retalho de espólios humanos que tomam vida por um raio. Agora, através da biologia molecular e da engenharia genética, os criadores podem se sentir livres para trazer vida a qualquer tipo de criatura luz da ciência, bastando utilizar alguma justificativa que contenha a sigla DNA.

Este é o caso dos super-heróis, que apesar de serem capazes de realizar proezas física e biologicamente impossíveis, baseiam-se pelo menos sob algum aspecto em estudos científicos. Como exemplo, podemos citar o Homem-Aranha, que teve seu genoma modificado pela picada de uma aranha, tornando-se o mutante com os poderes que todos nós conhecemos. Por que não falar também do recente “X-Men 3”, no qual os mutantes enfrentaram um problema bastante criativo: um indivíduo que possuía em seu material genético um gene supressor de mutações bota os mutantes frente a uma questão nunca antes imaginada, a possibilidade de tornarem-se humanos, ou seja, de serem aceitos e de se tornarem seres sociais.

Além de entretenimento, alguns filmes já anteciparam até mesmo futuros problemas éticos pelos quais nós provavelmente passaremos, como a questão da discriminação gênica vista em “Gattaca”, ou a fabricação de clones para fins comerciais mostrada em “A Ilha”. Para finalizar, é preciso ressaltar a importância do cinema como fonte de conhecimento, e o cuidado que os estúdios deveriam ter antes de aceitar qualquer desculpa biológica para emendar retalhos de roteiro, de modo que prejudique o resultado final do filme. Agora, o velho clichê de que o mordomo era sempre o culpado pode ser atualizado: a culpa agora é do DNA.

Preconceito com Gêneros

Publicado em: 09-10-2007 @ 11:51 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Uma das coisas que eu aprendi nesses últimos anos foi a não ter preconceito com qualquer tipo de filme. Como mantenho um blog de cinema há cinco anos, de vez em quando eu percebo o quanto alguns gêneros são desprezados e relegados a uma categoria inferior por uma parcela considerável do público de cinema.

Existem dois extremos: o público dos “filmes de arte” que rejeita os gêneros mais populares e o público leigo que rejeita o “cinema de arte”. Coloco as aspas nesses termos porque eu também considero o cinema de gênero uma forma de cinema de arte.

O filme de ação de baixo orçamento é constantemente alvo de repúdio dos espectadores mais exigentes. Eu mesmo confesso que não é o meu gênero favorito quando eu entro numa videolocadora. É verdade que existe muita porcaria e o pouco tempo que a gente dispõe nessa correria que é a vida não pode ser desperdiçado com qualquer tranqueira. Por isso, é preciso fazer uma seleção, seja ela por astros ou, melhor ainda, por diretores. Por esse critério, é possível encontrar preciosidades de mestres dos filmes B, como Larry Cohen ou John Flynn, pra citar os mais conhecidos.

Um exemplo clássico de preconceito é em relação aos filmes estrelados por astros como Jean-Claude Van Damme, Sylvester Stallone ou Charles Bronson. São três casos completamente diferentes e é verdade que há realmente uma série de filmes ruins nas filmografias desses camaradas, mas ignorá-los seria um erro. Van Damme fez filmes com mestres do cinema de ação de Hong Kong, como John Woo, Tsui Hark e Ringo Lam; Stallone, antes de sujar o seu nome com as continuações de “Rambo” e “Rocky” já foi mais respeitado; e Charles Bronson fez muitos filmes excelentes ao longo de sua longa carreira, tendo trabalhado com mestres como Sergio Leone, Sergio Solima, Walter Hill e John Sturges. Sem falar que esses três astros têm carisma suficiente para levar um filme inteiro nas costas.

O filme pornô é até desnecessário dizer o quanto é relegado mais baixa categoria. São filmes que já nascem marginais e proibidos. Mas mesmo esse gênero também possui os seus clássicos. E não me refiro a “Império dos Sentidos” ou coisa do tipo, mas a filmes de sexo explícito mesmo. É possível encontrar no meio da lama onde o gênero costuma nadar casos de filmes de vanguarda e que imediatamente se tornaram cultuados pelos fãs, ainda que continuem desconhecidos pela maior parcela dos fãs de cinema. Alguns casos que mereceriam destaque: “Café Flesh”, “Misty Beethoven”, “Fresh Meat”, “Justine”.

E do mesmo jeito que há o preconceito por parte desse público mais exigente, também há, naturalmente, das pessoas que não têm o hábito de variar o seu cardápio e provam sempre da mesma “fast food” servida por Hollywood. Para elas, “filmes-cabeça” é o mesmo que “filme sem pé nem cabeça”. Ver filmes de Robert Bresson, Luis Buñuel ou Alejandro Jodorowski seria então diversão pra gente doida. Até hoje não me esqueço do dia em que indiquei “Cidade dos Sonhos” para um amigo meu e ele saiu do cinema p. da vida comigo. Aí eu falei pra ele, rindo: “você é um privilegiado de ter assistido a esse filme no cinema.” E eu falava isso com convicção.

Há também preconceito relativo idade do filme. O público comum acha que filme produzido na década de 80 é filme antigo, enquanto que o cinema existe desde o começo do século e é possível ver obras-primas de quase cem anos de idade se você visitar a sessão de clássicos da locadora.

No fim das contas, é tudo uma questão de ver cinema com os olhos abertos e perceber o quão rica pode ser a apreciação de um filme. Claro que não é aconselhado a uma pessoa que não tem o hábito de ver filmes a pegar logo de cara um Godard ou um Tarkovski. A esses se chega aos poucos, através do interesse e da leitura. Hoje em dia, com a democratização da informação que veio com o advento da internet, o conhecimento está a um clique de distância.

Quadro Clínico do Cinema Nacional

Publicado em: 29-09-2007 @ 9:49 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Luiz Belmiro

Recentemente, durante o Festival de Cinema de Gramado, o diretor Jorge Furtado declarou: “o cinema ainda não morreu, mas não vai muito bem de saúde”. Diretor de sucessos recentes do cinema nacional, como “O Homem que Copiava” e “Meu Tio Matou Um Cara”, Furtado chegou a este “diagnóstico” após sua mais nova obra, “Saneamento Básico – O Filme”, não ter ido tão bem nas bilheterias quanto se esperava. A baixa das bilheterias nacionais em 2007 até agora foi sentida por praticamente todos nossos cineastas, salvando raras exceções como “A Grande Família”, e quando um dos mais importantes cineastas brasileiros (autor do já clássico curta “Ilha das Flores”) sai declarando algo desse tipo aos quatro ventos, precisamos fazer uma reflexão um pouco maior, e aprofundar o “diagnóstico” de nosso cinema.

O objetivo aqui não é esgotar o assunto, e receitar medicamentos que possam curar nosso “doente”, mas apontar pelo menos os maiores “sintomas” que afetam nossa produção cinematográfica. Primeiramente falemos das políticas públicas voltadas para o cinema, ou melhor dizendo, da política: lei de incentivo baseada em renúncia fiscal. Seja na esfera municipal, estadual ou federal, as leis de incentivo sustentam nosso cinema, e ditam a sua lógica. Eis o primeiro paradoxo: políticas públicas baseadas nas leis de mercado, mas não no bem “público”.

A lei de incentivo não disponibiliza recursos diretamente para os filmes aprovados, mas sim uma espécie de “selo de qualidade”, que possibilita aos cineastas buscarem recursos no mercado com grandes patrocinadores, que por sua vez estão interessados em patrocinar apenas aquilo que os possibilite algum “lucro”. Ora, o que pode ser mais interessante aos olhos de um potencial patrocinador: o novo filme de Fernanda Montenegro ou a estréia de um jovem cineasta?

Pronto, está instalada uma competição acirrada entre a classe artística nacional pelas migalhas da iniciativa privada, filmes que teriam capacidade de ser produzidos sem a lei, como os da Globo Filmes, disputam o mesmo parco mercado que os cineastas independentes. Políticas públicas voltadas para a valorização de nossa produção cultural? Ora, estamos em tempos neoliberais, e o Estado deve se eximir de qualquer imposição ao mercado, pois este se auto-regula sozinho.

Uma vez instaurada tal lógica, resta aos realizadores centrar todos os seus esforços na busca por patrocínio para a produção, e quando muito para a pós-produção. Assim, uma outra fase igualmente importante do processo que envolve um filme fica esquecida: a distribuição. O número de salas que exibem filmes brasileiros é ínfima em comparação � s salas dedicadas ao cinema hollywoodiano, e o tempo de exibição também é igualmente ínfimo, um filme brasileiro que consegue ficar mais de duas semanas em cartaz pode-se considerar um vencedor, e você que insiste em gostar de nosso cinema deve se apressar para ver aquele filme que tanto esperou antes que ele saia de cartaz. O resultado em números: apenas 10% das produções nacionais conseguem receitas nas bilheterias correspondentes aos valores captados com leis de incentivo.

Além disso, uma vez negligenciada a distribuição presenciamos fenômeno no mínimo curioso: o “filme na lata”, aquele que chega a esperar anos por uma vaga no circuito nacional de exibição. Estabelece-se assim um círculo vicioso: como nossos filmes não dão lucro sem apoio estatal eles não podem existir, e como os prejuízos são assumidos pelo Estado nossos cineastas e produtoras também não precisam centrar esforços em criar um público para seus filmes. Todos se transformaram numa espécie nova de funcionalismo público, capacitada e selecionada (via as leis de incentivo) para produzir um estoque considerável de filmes para o Estado.

Se essa política cultural se mostra tão ineficiente, em números e em qualidade (uma vez que compromete a produção), por que ela não é modificada? Bem, o primeiro passo para isso seria uma articulação entre a própria classe dos cineastas, capaz de discutir e propor um novo modelo tanto para as leis de incentivo quanto para o circuito de distribuição. Discutir inclusive temas considerados polêmicos, como a reserva de mercado para o cinema nacional.

Argumenta-se contra a reserva que o nosso cinema deve se impor pela qualidade, que a obrigatoriedade em exibir filmes nacionais levaria inevitavelmente a um aumento no número de produções medianas, que teriam público garantido apenas graças � reserva. Mas quem argumenta isso fala como se o cinema brasileiro tivesse uma estética definida, como se nossa escola cinematográfica não tivesse passado por vários hiatos (o mais recente na era Collor, com o fechamento da EMBRAFILME). Para falarmos apenas na tão aclamada “qualidade” de nossa produção atual, citemos algumas “estéticas” atuais: os filmes trash infantis de Xuxa, Didi e “Eliana e os Golfinhos”; aqueles que mais parecem um capítulo da novela da seis como Dom (Machado de Assis dá voltas no túmulo); ou ainda, os apêndices de seriados ao estilo do “Casseta e Planeta”. Pelo visto, a estética dominante hoje em dia é uma estética televisiva, e não cinematográfica.

Como concorrer com “Transformers”, “Shrek” e “Piratas do Caribe”? Que além de milhões de dólares em efeitos especiais e publicidade são exibidos em centenas de salas no país inteiro. Uma saída seria abrir mais espaço para cineastas como o próprio Jorge Furtado, e filmes como os recentes “O Cheiro do Ralo” e o “Céu de Suely” (que contribuem para a estética do cinema nacional). E para mostrar como a idéia não é tão absurda basta falarmos de escolas mais tradicionais que a nossa, que nunca passaram por interrupções como passamos, já adotaram a reserva de mercado para concorrer contra Hollywood.

Vide os países da União Européia (para não falarmos dos asiáticos, fortíssimos com China e Índia), que graças � pressão dos mais famosos cineastas franceses conseguiram para o cinema dos países que a integram, a exibição obrigatória de 51% para seus filmes. A reserva de mercado foi tão benéfica que fez ressurgir o cinema de vários países: França, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Suécia e Holanda conseguiram reconquistar seu público. Está na hora de debatermos com seriedade o nosso cinema, e deixarmos de comprar o falacioso discurso neoliberal que prega liberdade de mercado entre desiguais, entre aqueles que dispõe de milhões (sejam hollywoodianos ou globais) e aqueles que lutam pela sobrevivência diária. No caso, a sobrevivência que está em jogo é de uma representação cultural importante para o país, o cinema, realizado por nossos artistas e focando em temas que nos são mais próximos do que carros que viram robôs ou piratas fantasmas.

Vergonha de Chorar?

Publicado em: 27-09-2007 @ 6:27 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

As vezes muitas pessoas não conseguem demonstrar seus reais sentimentos. Isso é algo bastante normal, afinal, nem todo mundo possui esta facilidade. Mas é incontestável que o cinema consegue fazer até os mais durões caírem em lágrimas. Eu sou um chorão assumido. Fico emocionando em dramas candidatos a Oscar até comédias românticas clichês. Eu tento não enxergar diferenças de qualidades dos filmes. Costumo me colocar na situação de cada personagem para conseguir sentir o que ele está passando. E dependendo da ocasião, até um trailer consegue emocionar, por exemplo, “A Casa do Lago” e “As Torres Gêmeas” conseguem atingir bem e atrair o público por seus trailers emocionantes (apesar de não ser filmes bons). Cada um na sua vertente, mas ainda assim, emocionantes. Antes de comentar alguns filmes, vale dizer que logo abaixo possui SPOILERS. Isso quer dizer que posso estar revelando algo que você não goste caso não tenha visto os filmes.

No caso dos filmes, vamos tentar nos colocar na pele dos personagens. Esqueça a qualidade das produções, o ponto aqui são situações. Exemplo, “Meu Primeiro Amor“. Como o nome já diz, este é o primeiro amor de alguém, ou melhor, neste caso, de duas pessoas. Vada (Anna Chlumsky, aquela loirinha bonitinha) é apaixonada por seu professor. Isso é normal, já que muitas meninas se apaixonam por seus professores. E ela tem um amigo, Thomas (Macaulay Culkin, no começo da carreira), que é companheiro para todas as horas. Juntos, eles descobrem o que um beijo significa. A inocência impera aqui e isso é mágico de se ver. Toda aquela vergonha e o sentimento de não achar aquilo tão importante são peças chaves da cena. Continuando, o sentimento entre as duas crianças é grande, apesar de Vada gostar do professor, mas depois ela fica sabendo que ele não está interessado e tem outros planos. Até que um fatídico dia acaba por levar Thomas, após um acidente com abelhas. A partir daí, as emoções se misturam. E é algo sensacional de se ver. Você acaba se colocando na pele da personagem. Imagine você perdendo seu melhor amigo, seu primeiro amor, seu companheiro de todas as horas e a pessoa com que você gostaria de descobrir as reviravoltas da vida. Tudo isso foi embora. É emocionante. Inesquecível. Vale a pena ver principalmente pela superação da personagem. Este filme já passou várias vezes na Sessão da Tarde e é impressionante o quanto ainda continua emocionante. :~

Um outro exemplo que vale citar é o filme “Um Ato de Coragem“. Este é deveras emocionante. John Q. (Denzel Washington) é um homem comum, bastante trabalhador e que tem uma família bastante feliz. Mesmo sendo uma pessoa humilde e sem muitos recursos financeiros, consegue superar as dificuldades e viver dignamente. Até que seu filho, Michael, fica gravemente doente, necessitando com urgência de um transplante de coração para sobreviver. Sem ter condições de pagar pela operação e com o plano de saúde de sua família não cobrindo tais gastos, John não sabe o que fazer. Até que, como atitude de desespero, seqüestra e toma como refém todo o setor de emergência de um hospital com o intuito de conseguir o transplante para o seu filho, que tem poucas horas de vida. Puxa vida. O que desespero não faz com uma pessoa? Você fica afirmando na sua cabeça: “Eu faria o mesmo. Eu faria o mesmo”. Um filho acaba se tornando a coisa mais importante na vida de qualquer pai ou mãe. E quando ele começa a se esvair pelos dedos e ninguém quer ajudar, principalmente por questões financeiras, o desespero bate rapidamente. Vale a pena pensar que isso não é um caso isolado. Enquanto nos EUA o plano de saúde não cobre certas coisas, aqui no Brasil muita gente que não possui plano de saúde tem que ficar esperando vagas em corredores de hospitais públicos. Muita gente morre ali nos corredores, sem assistência alguma. No filme, é mostrado que tudo não passa da questão financeira. Com base em todos os acontecimentos do filme, você já imaginou o que significa o “Um Ato de Coragem”? Não? Hum, você seria capaz de dar o seu próprio coração para salvar seu filho? Só posso dizer que é emocionante. É de chorar mesmo. :~

E, por último, para não prolongar muito a matéria, vou falar de um filme mais pop, que muita gente gostou, mesmo abordando um tema clichê: “Um Amor Para Recordar“. No filme, Landon (Shane West) é punido por ter feito uma brincadeira de mau gosto em sua escola. Com punição, ele acaba tendo que ensinar para crianças aos sábados e ainda tem que participar de uma peça teatral. Jamie (Mandy Moore) é quem coordena os ensinamentos e a personagem principal da peça. Para efeito de raciocínio, Landon e Jamie sempre estudaram juntos desde crianças. Mas Landon nunca notou nada em Jamie. Só que, depois da convivência, ele acaba se apaixonando pela garota. Ela sempre estava ali, ao lado dele, e ele nunca notou a sua existência. Quando passou a conhecê-la, viu que se tratava de uma pessoa ímpar. O filme consegue dar certas lições de amor que valem a pena serem conferidas. Principalmente quando você se coloca no lugar, tanto de Landon, como de Jamie. A mensagem final, ou melhor, quando o filme engrena para o final, você realmente percebe o que o amor é capaz de fazer. E, ainda, quando em todo o filme você é embalado por uma boa trilha sonora, algumas músicas acabam marcando. Nem sempre o “felizes para sempre” é o melhor final. Para que algumas pessoas aprendam com seus erros e consigam assimilar melhor suas virtudes, um final triste é importante. Triste, porém emocionante. Vale ver! :~

Encerrando, gostaria de lembrar novamente que aqui não importa a qualidade do filme. Se é clichê ou não, tanto faz. O ponto principal aqui são as situações emocionantes que os personagens passam no decorrer de todo o filme. Portanto, não tenham medo de chorar quando algo emocionante está acontecendo. Tenho certeza que este filme ficará marcado na sua cabeça, mesmo não sendo lá essas coisas todas, mas pelo simples fato de ter conseguido fazer você se emocionar. E isso, com certeza, é um dos princípios do cinema. Quando ele é atingido, a missão do cinema é cumprida com êxito. Não tenha vergonha de chorar. Vergonha é não ter capacidade de se emocionar.

Quais os filmes que você se emocionou e em quais situações?

Pink Flamingos

Publicado em: 18-09-2007 @ 11:51 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

Evitando atrair maiores atenções para si, Divine, uma mulher inescrupulosa, esconde-se adotando o falso nome de Babs Johnson. Ela é a pessoa mais imunda que existe, e mora em um trailer cor-de-rosa próximo � cidade de Baltimore, na companhia de uma fiel amiga e assistente de crimes; de seu pervertido filho; e de sua mãe, uma senhora doente mental que vive de lingerie em um berço infantil e é obcecada por ovos.

No centro da cidade, um casal invejoso mantém um negócio ilegal de bebês: continuamente seqüestram moças para serem fecundadas por um empregado e terem seus recém-nascidos vendidos para casais de lésbicas. O dinheiro é investido na venda de drogas para escolas. Toda essa sujeira a troco de nada além do almejado título de “pessoa mais imunda que existe”, pertencente � excêntrica (e imunda, claro) Divine.

Com a ingênua “(How Much Is) That Doggie in The Window”, de Patti Page, John Waters coroou um dos filmes mais ultrajantes já feitos, dando música � célebre cena de coprofagia (Divine devora fezes fresquinhas de um poodle) que lhe rendeu a honra de representar para o cinema o Papa do Trash e Príncipe do Vômito. Conheça um pouco sobre John Waters e Glen “Divine” Milstead, ícones do cinema independente; diretor e estrela de Pink Flamingos (1972), respectivamente.
John Waters nasceu em 22 de abril de 1946, nos EUA; mais especificamente em Baltimore, cidade-cenário de muitos de seus filmes. Foi onde conheceu grande parte de sua equipe, os Dreamlanders, inclusive o jovem Glen Milstead, que logo se tornou a glamurosa Divine. Waters tinha 18 anos quando realizou seu primeiro filme: o curta-metragem em 8 mm Hag in a Black Leather Jacket (1964). Mas foi com Multiple Maniacs (1970), seu segundo longa, que chamou a atenção. O filme foi exibido nas loucas sessões da meia-noite do Palace Theatre, em São Francisco, para onde Waters partiu na tentativa de arrecadar dinheiro para produzir seus próximos filmes. Abaixo, uma foto de John Waters e Glen Milstead juntos:

Seu objetivo era promover um novo tipo de humor, afrontando a tirania do bom gosto, e assim lançou Pink Flamingos (1972), que não permite duvidar de sua ousadia. O filme estourou nas sessões da meia-noite do cinema Elgin, em Nova Iorque, consagrando Waters como o “papa do trash”. Nos próximos anos, ele dirigiu pérolas como Problemas Femininos (1974), Polyester (1981) e Hairspray (1988; este virou peça de sucesso na Broadway, que, por sua vez, inspirou a recente versão com John Travolta), abordando temáticas como drogas, sexo, religião, donas de casa incompreendidas e adolescentes rebeldes. Recentemente, Waters parodiou o cinema independente na apaixonada comédia Cecil Bem Demente (2000), provando que sua filmografia é o perfeito exemplo da transição do underground para o cinema de massa, sem a perda de sua integridade estética. Também publicou livros de ensaios e de fotografia, e, atualmente, dá aulas de cinema e estudos subculturais na European Graduate School, na Suíça.

Glen Milstead nasceu em 19 de outubro de 1945, no subúrbio de Baltimore, nos Estados Unidos. Cedo, demonstrou comportamento afeminado e foi levado pela mãe ao médico, que o “diagnosticou” como homossexual. Em 1963, aos 18 anos, foi ao baile do colégio caracterizado como Elizabeth Taylor, sua diva. Nessa mesma época, conheceu o aspirante a cineasta John Waters e, louco por fama, aceitou firmar uma parceria que duraria até o fim de sua vida. Segundo Waters, seu objetivo era mostrar a beleza de Glen e testar sua própria loucura. O resultado disto foi o nascimento de Divine e, além de alguns filmes experimentais, longas como Pink Flamingos (1972), Problemas Femininos (1974) e Polyester (1981). Abaixo, três imagens de Divine:

Não tardou até que Glen se sentisse incomodado com sua criação, desejando ser reconhecido por sua capacidade cênica; não por um show de atrocidades. Fez uma série de apresentações, lançou o single “I’m So Beautiful”, viajou o mundo em turnê, estrelou dois filmes (em um deles, com um personagem masculino), mas voltou a trabalhar com Waters, em Hairspray (1988). No mesmo ano, aos 42 anos, decidiu guardar a saia no armário e empolgou-se com a idéia de estrelar um papel masculino na série de sucesso Married With Children, mas foi vitima de seu peso (170 quilos), falecendo depois de um ataque cardíaco durante o sono, na madrugada de sua estréia.

Página 26 à 33« Primeira...«23242526272829»...Última »

Opções:

Size

Colors