Rapadura Blog - O Blog do Portal Cinema com Rapadura

Lei pretende IMPOR programação na TV a Cabo

Publicado em: 10-12-2007 @ 2:05 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho


Você pretende deixar o governo de seu país lhe obrigar a assistir o que ele acha certo? No projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e será votado agora na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicações (cujo relator, o deputado Jorge Bittar - PT-RJ, defende a proposta dos deputados), ficaria definido por lei que:

- 50% da rede de canais das TVs por assinatura deverá ser composta por CANAIS BRASILEIROS.
- 10% da programação dos canais estrangeiros deverá ser composta por PROGRAMAS BRASILEIROS.

Infelizmente, o Brasil se encontra nas mãos de uma política manchada aos olhos de todo o mundo, mas agora querem obrigar você, cidadão, a não ter mais suas séries e filmes disponibilizados com liberdade. Querem lhe obrigar a encontrar 50% dos canais transmitindo programas brasileiros, ou seja, sumariamente NOVELAS e: Big Brother Brasil, Casa dos Artistas, Caminhos do Coração (novela da Record onde pessoas têm super-poderes mais parecidos com os efeitos da década de 70 em Chapolin), Faustão, Gugu Liberato, Charme, Zorra Total, A Praça É Nossa, A Turma do Didi… Isso para não mencionar outros centenas de programas baseados em futilidades, depravação, jogos para pessoas com QI 25, enfim… Todo tipo de programa que a massa brasileira aplaude, mas que as classes A e B, em maioria, não se sujeitam a assistir (tais classes compõe 70% da clientela da TV paga brasileira e serão as mais prejudicadas).

Para você compreender os efeitos de tal ação, segue uma lista dos canais estrangeiros da TV Paga brasileira: Warner, Fox, CNN, History Channel, Discovery Channel, AXN, Universal Channel, Sony, TNT, ESPN, Disney Channel, HBO e muitos outros. Para ter uma programação 50% brasileira e 50% estrangeira, veríamos uma reformulação das empresas como NET e SKY, que nos presentearia com pacotes recheados de canais ao estilo de: TV Senado, TV Cultura, Futura, Nacional Brasil, TV Justiça, TV Câmara, Canal Universitário, Rede Globo, SBT, Rede TV, Band, TV Rá-Tim-Bum, Canal Rural e muitos outros.

E sabem quais medidas serão tomadas caso a lei seja aprovada?

Ou o preço de sua TV a cabo irá subir MUITO (para poder ter os novos e incríveis canais brasileiros recheados de uma programação rica e deslumbrante), ou OS CANAIS ESTRANGEIROS SERÃO CORTADOS. Como informa o Presidente-Executivo da ABTA, Alexandre Annenberg: “A imposição das cotas de conteúdo nacional ou vai encarecer – e muito - o serviço aos assinantes ou vai forçar os programadores e operadores a reduzirem os canais estrangeiros, o que pode inviabilizar toda a indústria de TV por assinatura no País“.

Você vai permitir que isso aconteça sem mover um dedo?

No que depender do Cinema com Rapadura/IsFree e da ABTA, não!
Por isso convidamos a todos vocês, usuários dos portais Cinema com Rapadura e IsFree.TV, a assinar o manifesto criado pela ABTA, que visa enviar um número imenso de mensagens para os autores / relatores deste projeto.

CLIQUE AQUI E PROTESTE CONTRA ESTE DESCARAMENTO DA POLÍTICA BRASILEIRA! Basta preencher o formulário e enviar o seu protesto.

Leia abaixo as conseqüências que isso causaria para sua TV A CABO:

- Menos liberdade de escolha: Ao impor uma cota artificial e arbitrária na exibição da TV por assinatura, automaticamente a lei restringiria as opções de canais em nosso País. Isto praticamente isola o Brasil do resto do mundo, pois limita a livre circulação de bens culturais com base em seu país de origem. Este projeto é um passo ao autoritarismo, já que permite o controle dos meios de comunicação, e um ataque � liberdade garantida como direito fundamental no Art.5° da nossa Constituição Federal.

- Redução da livre escolha de canais: Com a definição de cotas de exibição, canais já consolidados na programação que não possam cumprir os critérios do projeto ficam ameaçados de extinção. Mesmo o investimento em novos canais e em nova programação fica comprometido diante deste cenário. Como resultado, empregos diretos e indiretos ligados a todo setor de TV por assinatura ficam ameaçados.

- Menor diversidade na programação: Como a demanda para preencher a programação dos canais é gigantesca – basta considerar que para consolidar 24 horas de uma grade é necessária a exibição de pelo menos 12 programas por dia – num primeiro momento é certo que o índice de reapresentações irá aumentar consideravelmente. Quem se recorda da cota de telas e da imposição de curtas metragens nas salas de cinema certamente sabe o que isto pode significar: reprises e mais reprises!

- Controle da informação: De forma indireta, ao determinar cotas nas TVs por assinatura, a Câmara sinaliza a disposição de interferir na programação exibida no País. Hoje, a restrição se dá por conta do país de origem. E amanhã? Alinhamento político? Que outro critério poderia ser adotado a partir daí? E se a ameaça hoje é no conteúdo veiculado na TV por assinatura (que por princípio deveria ser uma escolha individual do assinante, já que não se trata de exibição em plataforma de regime público), o que impediria futuras restrições � Internet? Aos celulares? Aos telefones?

Texto produzido por Cap_Sparrow, do portal IsFree.

Adaptação de Jogos!

Publicado em: 04-12-2007 @ 12:36 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Uma coisa que posso me orgulhar foi de ter sabido tirar proveito de minha infância. Fiz de tudo um pouco e, ainda, adorava (adoro) jogar videogames. O que muitos dizem ser coisa de criança, hoje é a indústria que mais fatura no mundo, derrubando até Hollywood, e possui uma mágica ímpar. Quem diz que um jogo como “Final Fantasy 7” é para criança é porque não sabe do que se trata. É a mesma coisa que ainda dizem quando vamos assistir s animações. Ainda existem energúmenos que falam que é coisa para criança. Resumindo, preconceito.

Então, aproveitei esse último fim de semana para dar uma organizada nas matérias sobre as três adaptações do jogaço “Resident Evil“. Quem não conhece, recomendo dar uma conferida no jogo. Tudo bem que os dois filmes que foram feitos não chegam aos pés do que a série pode oferecer, mas até que eles não são ruins (tirando o último, que é terrível). Inclusive, o final do primeiro filme é idêntico ao começo do segundo jogo. Sensacional! Mas, infelizmente, não fizeram como os fãs esperavam. E olha que eles até tentam. O que me deixa intrigado é o fato de eles nunca fazerem completamente fiel ao jogo. Pô, ele fez sucesso desse jeito nos games, como não funcionaria nas telonas? Até a apresentação do jogo do primeiro Resident Evil, que é feita com pessoas reais (live-action), se fosse transformada para as telonas, talvez ficasse legal. A única explicação plausível é que as empresas detentoras dos direitos do jogo não autorizam a reprodução idêntica do roteiro e elementos originais.

Estão tentando fazer a adaptação do jogo “Metal Gear Solid“. Se pegarem a história do primeiro jogo, todos os ambientes, inimigos, armas e etc, ela com certeza seria um dos maiores filmes de espionagem e ação de todos os tempos. Quem conhece sabe do que eu estou falando. É fenomenal. O jogo cheira a cinema. Falta só alguém para fazer. Daria uma ótima trilogia. Se conseguiram fazer “O Senhor dos Anéis” com uma maestria ímpar, mesmo sem ter imagens para se basearem na criação dos personagens, imagina fazendo uma adaptação fiel dos jogos de sucesso, onde está tudo feito, tendo apenas que transformar para a tela grande. Na parte dos rumores, Viggo Mortensen está cotado para interpretar o Solid Snake. Será? O Aragorn com aquela voz de pinguço?

O problema é que já existe um preconceito tão grande na indústria cinematográfico em relação as adaptações de jogos que tudo acaba sendo muito difícil. Quem começou agora a dar uma reviravolta foi o filme “Terror em Silent Hill“. E por falar nesse filme, todos os ambientes dele são IDÊNTICOS aos do jogo. Fantástico! Até os inimigos estão fiéis. Se o roteiro não fosse tão fraco, o filme seria perfeito. Seria o grande exemplo de como se fazer uma adaptação de jogo. Aliás, se pegassem o roteiro do jogo original de Silent Hill, já seria perfeito. Mas como não foi feito assim, não adianta lamentar, valeu a intenção.

Tem tanto jogo bom que daria ótimos filmes. O problema é que a maioria dos jogos com grandes histórias é RPG, assim como “O Senhor dos Anéis“, e nem todo mundo tem dinheiro no bolso para financiar um negócio de risco como esse. Mas vamos ver, não é? Gostaria de ver um “Legend of Zelda” nos cinemas. Tem até a adaptação de “Warcraft” vindo por aí. Estão chegando algumas novas adaptações, quem sabe a história muda …

Agora eu deixo algumas perguntas: será que a história do filme tem que ser idêntica a que foi mostrada no jogo? Se for idêntica, as pessoas que jogaram os games, que já conhecem muito bem a história, iriam ver ao filme no cinema? Afinal, hoje em dia os jogos estão cada vez mais cinematográficos. Será que o roteiro do filme tem que ser uma história nova, mas criada por quem fez a história do jogo? Ou os responsáveis pelos games precisam apenas supervisionar (como acontece atualmente)?

PS: No dia 11 de maio de 2007 fizemos um RAPADURACAST especial sobre as principais adaptações de jogos feitas até agora. Você não pode deixar de conferir.

Quando Um Filme é o que Menos Importa

Publicado em: 03-12-2007 @ 1:50 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Luiz Belmiro

Por vezes alguns filmes ultrapassam os limites de uma sala de cinema, ou da sala de casa (quando vistos em dvd), pois representam mais do que a história que contam, representam por vezes um estado de coisas latente na sociedade da qual são produtos. O mais recente exemplo de um filme assim é o novo longa de José Padilha (Ônibus 174), “Tropa de Elite”.

Desde antes de seu lançamento “Tropa” esteve envolvido em polêmicas, primeiramente quando foi alvo de pirataria até então inédita para um filme nacional, em qualquer esquina das grandes cidades do país era possível achar um dvd � cinco reais. Recém-lançado, para platéias seletas em festivais de cinema, o filme esteve mais uma vez no centro de debates calorosos, pois recebeu acusações de se tratar de uma obra fascista.

Mas o que é fascismo? Recorrendo � Wikipédia, que se referenciou num artigo da Enciclopédia Italiana de 1932, escrito por Giovanni Gentile e atribuído a Benito Mussolini, o fascismo é descrito como um sistema no qual “o Estado não apenas é autoridade que governa e molda as vontades individuais com leis e valores da vida espiritual, mas também poder que faz com que a sua vontade no estrangeiro prevaleça. …Para o fascista, tudo está dentro do Estado e … nem indivíduos ou grupos estão fora do Estado… Para o Fascismo, o Estado é absoluto, perante o qual os indivíduos ou grupos são apenas algo de relativo.” Nesse sentido, “Tropa” pode ser caracterizado como fascista? Creio que não, pois até certo ponto denuncia a falência de nosso Estado para resolver os problemas da segurança pública. Produções hollywoodianas recentes, como “300” e “Tróia” estariam mais próximas de serem fascistas, por trazerem toda uma simbologia embutida, como já apontaram diversos críticos. Isso quer dizer que “Tropa” faz um retrato contundente da realidade social brasileira dos dias de hoje? Que se trata de uma obra essencial para quem procura entender nosso país?

Para a primeira pergunta a resposta é sim, poucas vez se viu a violência em nossas favelas tratada de maneira tão nua e crua, mas para a segunda pergunta a resposta é não necessariamente. Justamente as características que fazem do filme uma obra tão forte é que colocam em cheque a sua interpretação da realidade social brasileira, primeiramente a opção do diretor de ter como narrador em off o capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura): a versão que ouvimos da “guerra” do tráfico é a sua, somos levados a comprá-la como a verdadeira. Aqui não acontece como “Platoon”, no qual o narrador Charlie Sheen se divide entre a versão de dois superiores seus, Tom Berenger e Willen Defoe, e ao final acaba escolhendo um dos lados, já em “Tropa” não há opção: se correr o bicho pega se ficar o bicho come (ou melhor, mata). Ainda mais quando a narrativa se pretende tão próxima a de um documentário (no caso um documentário com um único entrevistado), estamos diante de uma testemunha ocular dos fatos, portanto qualquer opinião nossa vai parecer arrogante e infundada, tomada a partir da experiência de quem vive numa torre de marfim. E essa impressão fica forte por um detalhe muito importante: o personagem melhor desenvolvido de todo filme é o próprio Capitão Nascimento (interpretado magistralmente por Wagner Moura), cheio de contradições, motivações e o único capaz de interpretar a realidade que cerca a todos.

De um lado estão os traficantes sanguinários, de outro os policiais corruptos que não fazem seu trabalho direito, a única saída é o BOPE, que conta em seus quadros com policiais capazes de fazer o que deve ser feito. E justificando a existência do tráfico está a classe média, que sonha em consumir seu baseado impunemente nos intervalos de seu trabalho voluntário em ong’s. Esse é o máximo de complexidade com que o filme trata drogas e violência policial, algo estranho, para um cineasta que conseguiu tecer uma teia bem mais complexa a partir do caso de seqüestro do ônibus em 2000. Esse sim, um documentário que consegue construir uma história a partir de diversos pontos de vistas, conflitantes por vezes, mas que ajudam a compor um quadro geral a partir de um fato isolado.

Um filme é antes de tudo uma obra de arte, que se insere numa linguagem específica (no caso a cinematográfica), e que não necessariamente precisa falar das mazelas sociais para possuir valor artístico. Mas uma vez que resolve fazer dessas mazelas seu tema, espera-se que ao menos não pegue uma história e seus personagens (policiais, traficantes, “maconherinhos”) e os retire de seu contexto social mais amplo, isso o empobrece tanto como interpretação quanto como obra cinematográfica. Por exemplo, imaginem se mais alguns personagens do filme tivessem a mesma profundidade do Capitão Nascimento.

Num contexto social mais amplo é que a recepção do filme ganha mais significado do que o próprio filme, em entrevistas o diretor e os atores afirmam que não desejavam fazer uma apologia da tortura como prática comum da polícia, que leituras que sugerem isso estão totalmente equivocadas. Então uma pergunta faz-se não só necessária, mas urgente: que tipo de sociedade celebra cenas de tortura e as exalta como comportamento esperado de sua polícia? O mesmo tipo de sociedade que lava as mãos e não se responsabiliza perante seus atos, vejamos o caso dos viciados em drogas: se eu sou um filho da classe média viciado em maconha ou cocaína levo a morte pra dentro da favela, então se eu passar a consumir drogas sintéticas (como êxtase), vendidas por traficantes de classe média como eu está tudo resolvido, acabaram-se os problemas da favela. Afinal, quando se faz uma batida atrás de um traficante de êxtase não se tortura livremente seus vizinhos até que o entreguem, a sociedade se revoltaria com casos assim contra moradores de apartamentos bem localizados.

Mas o problema das inúmeras favelas no Rio e pelo Brasil a fora não se reduz � s drogas: saneamento básico, educação e desemprego também fazem parte do pacote. Enfrentar todos esses problemas requer responsabilidade e tomada de posição política (partidária ou não), e é muito mais fácil culpar traficantes, policiais corruptos, viciados ou até mesmo cineastas pelos problemas sociais. Enquanto isso não ocorrer o problema só tende a piorar, e quando o BOPE descer o morro pra fazer incursões na zona sul do Rio (porque uma hora fatalmente isso vai acontecer se não for feito nada), aí sim estaremos � beira do fascismo.

Fofocar ou não?

Publicado em: 27-11-2007 @ 11:17 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Diego Benevides

Katie Holmes querendo fugir com a filha, Lindsay Lohan com suas manias e futilidades, Paris Hilton sendo presa ou dando os escândalos de praxe, Angelina Jolie e Brad Pitt cada dia com algo inusitado… ufa! Se eu for continuar citando as outras milhões de fofocas que circulam todos os dias pelas páginas virtuais, revistas especializadas e colunas do gênero, não caberiam neste pequeno espaço que tenho. Nossos brilhantes astros não são só alvos de novos projetos e afins, mas também possuem uma vida pessoal que, como dá para perceber, na maioria das vezes, vira alvo de boatos e fatos dos tablóides internacionais.

Por menos especialista em fofoca que o CCR seja, não é novidade que sempre colocamos na seção notícias umas fofoquinhas básicas quando achamos que seja algo de interesse de determinado público, porque é óbvio que tem gente que adora ler essas notícias quentíssimas. Por exemplo, eu não sou muito fã da Paris Hilton, mas acho tão absurdas as coisas que ela apronta que quando sai uma nota sobre ela, logo me interesso em ler para rir um pouco ou reforçar a futilidade dela. Com ou sem fofocas, o CCR não abandona a parte séria da coisa e sempre tenta atualizar os leitores do que está rolando no mundo cinematográfico afora, tentando fazer um mix do útil e do agradável.

Por que eu estou falando isso se todos já sabem, não é? Porque nós da equipe recebemos recentemente um e-mail de uma leitora insatisfeita com o abuso que estamos fazendo na seção noticiária, exagerando no número de fofocas e desvirtuando a proposta do site. Achei interessante pegar isso como gancho e explanar sobre alguns pontos de vista acerca do assunto, até porque eu também sou um dos responsáveis por colocar material do gênero aqui no CCR e concordo que nem todo mundo está interessado em notícias que não se refiram diretamente ao cinema, que nem todos se importam se ator X ou atriz Y está feliz com o casamento, ou esperando um bebê ou tendo um barraco entre uns, enfim. Do mesmo jeito que é certo que muitos adoram saber as novidades na vida de seus artistas preferidos, até mesmo aqueles que não são grandes admiradores de fofoca e só querem se informar. Este é o fato: informar e não fofocar, apesar de a fofoca ser uma conseqüência onde sempre terá gente que vai querer ler, e tal interesse sobre o assunto vai depender do gosto de cada um.

O CCR não pode se limitar demais, pois temos um público eclético que se agrada com isso ou aquilo que publicamos, o que gera um certo fanatismo até pelos nossos redatores que sempre recebem elogios ou críticas, mas é preciso entender que precisamos lidar com assuntos de interesse em geral para atender a necessidade (ou a curiosidade) de qualquer leitor, principalmente aquele que nos visita pela primeira vez. Acho que o que incomoda alguns é a maneira como os assuntos são abordados, dosando ou não o sensacionalismo e é claro que não usamos a mesma medida quanto a mídia especializada, até porque não vivemos disso. Somos até pacientes ao lidar com um assunto e procuramos não colocar a notícia somente por colocar, mas pensamos no que pode atrair um clique dos nossos leitores. Em tudo na vida sempre tem algo que desagrada, do mesmo jeito que tem muita coisa que nos agrada. Gostos não se discutem, se compartilham. E fofoca sempre vai existir. Aqui, lá. Sempre.

Spot de Sweeney Todd em primeira mão!

Publicado em: 24-11-2007 @ 2:42 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Lais Cattassini


SWEENEY TODD – O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET” demorou para ter suas qualidades musicais divulgadas, mas um novo spot revela momentos mais semelhantes ao musical da Broadway do que aos clássicos do diretor Tim Burton (“Ed Wood”), como “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”.

O destaque do novo vídeo fica para um rápido trecho da voz de Helena Bonham Carter (“Clube da Luta”) em dueto com Johnny Depp (“Piratas do Caribe”). Quando o barbeiro Benjamin Barker retorna a Londres, após ter sido preso injustamente e perdido esposa e filha para a corrupção da cidade, encontra nos braços da quituteira Mrs. Lovett um modo para se vingar de todos que compactuaram com a destruição de sua família. Enquanto utiliza a profissão de barbeiro como forma de aproximação de suas vítimas Mrs. Lovett assa a carne dos corpos assassinados em suas tortas. É a canção que dá origem parceria que Depp e Carter, como Todd e Lovett, entoam ao admirar a cidade de Londres na época vitoriana, tão cruel e imunda quanto o conturbado Todd acredita ser.

SWEENEY TODD” ainda guarda algumas surpresas quanto ao poder vocal de seu elenco. O ator Sacha Baron Cohen (“Borat”) interpreta o barbeiro Adolfo Pirelli, concorrente de Todd, e encena um dos momentos mais divertidos e admiráveis do musical, uma competição com Depp. Rumores de que a canção “The Contest”, que completa a cena, seria um rap assustaram os fãs e foram desmentidos por Burton, que alegou que Cohen tem formação no canto.

Outro mistério é Alan Rickman (“Simplesmente Amor”) que, muito embora já tenha exibido seus dotes vocais no cinema, não possui provas mais consistentes de seu talento além de um bizarro vídeo, que você pode assistir clicando aqui. Rickman é o juiz Turpin, responsável pela prisão de Todd e principal desafeto do barbeiro.

SWEENEY TODD” é inspirado em uma lenda urbana inglesa e se tornou um musical teatral em 1979, nas mãos do talentoso Stephen Sondheim (“West Side Story”). A adaptação, dirigida por Tim Burton, tem roteiro de John Logan (“O Aviador”) e deve estrear no Brasil no dia 8 de fevereiro.

Dez Filmes Gay

Publicado em: 22-11-2007 @ 11:22 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Um dia desses eu estava conversando com uma amiga minha, que dizia que alguns de seus amigos gays costumavam dizer que um dia eles (os gays) iriam dominar o mundo. Não sei se isso vai mesmo acontecer, ou se já está acontecendo, mas o mundo dos artistas sempre dá um passo adiante nas revoluções sociais. Assim que acabou a edição do Globo de Ouro de 2005, muitos falaram que essa foi a edição mais gay da história do prêmio. Senão vejamos: melhor filme (drama): “O Segredo de Brokeback Mountain”, atriz (drama): Felicity Huffman, pelo filme “Transamérica”, que trata de um transexual; ator (drama): Philip Seymour Hoffman por “Capote”, sobre o célebre escritor Truman Capote, gay assumido. Claro que isso foi repercutir também no Oscar. “O Segredo de Brokeback Mountain” foi o recordista das indicações nesse ano. Os outros dois filmes também ganharam destaque.

Aproveitando o hype em cima do tema, lembremos de alguns ótimos filmes que traziam protagonistas homossexuais. Lembrando que eu deixei de fora filmes “suspeitos”, isto é, que traziam apenas nas entrelinhas subtextos homo, como “Top Gun” ou “Rio Vermelho”.

1. A LEI DO DESEJO, de Pedro Almodóvar. Bem diferente da sutileza de Ang Lee, o Almodóvar dos anos 80 era visceral, subversivo e sem frescuras. Pra um filme gay, “A Lei do Desejo” é também bastante agressivo e as cenas de sexo são quase explícitas. Já faz muito tempo que vi esse filme no cinema, mas acho que até hoje nunca vi nada tão forte no gênero. Compre o filme aqui!

2. MORTE EM VENEZA, de Luchino Visconti. O mais aristocrata dos cineastas do mundo era gay e “Morte em Veneza” talvez seja um de seus filmes mais pessoais, ainda que seja a adaptação de um romance de Thomas Mann. Não era um roteiro escrito pelo próprio cineasta. O filme mostra a paixão de um homem doente por um adolescente de feições andróginas na Veneza dos tempos do cólera.

3. FELIZES JUNTOS, de Wong Kar-wai. O relacionamento conturbado de dois namorados que moram em Hong Kong e vão passar as férias na Argentina. Um filme sobre os altos e baixos de uma relação, com uma belíssima fotografia e as já conhecidas elipses de Kar-wai.

4. AS REGRAS DA ATRAÇÃO, de Roger Avary. Filme sobre uma ciranda de paixões das mais diversas envolvendo um bissexual, uma garota virgem, um traficante de drogas e um namorado ausente. Um filme com uma narrativa não-linear a cargo do roteirista de “Pulp Fiction”. Compre o filme aqui!

5. TRAÍDOS PELO DESEJO, de Neil Jordan. Na época que “Traídos pelo Desejo” surgiu nos cinemas, os responsáveis pelo marketing do filme recomendavam aos espectadores a não contar o final do filme pra ninguém. Pena que quando o filme chegou no Brasil todo mundo já sabia que a tal namorada de Stephen Rea era um transexual. Ainda assim, não deixa de ser surpreendente a cena da revelação. Compre o filme aqui!

6. MISTÉRIOS DA CARNE, de Gregg Araki. Esse filme pôde ser visto recentemente nos cinemas. “Mistérios da Carne” narra em paralelo a vida de dois rapazes que estudaram juntos na infância. Quando crescem, um vira garoto de programa para homossexuais e o outro fica obcecado por discos voadores. Filme “pancada”.

7. DEUSES E MONSTROS, de Bill Condon. A relação entre o diretor James Whale (dos clássicos “Frankenstein” e “O Homem Invisível”), vivendo seus últimos dias de vida, e um jovem que trabalha em sua casa como jardineiro. O diretor Bill Condon exploraria novamente a temática homo em filme mais recente: “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”.

8. MENINOS NÃO CHORAM, de Kimberly Peirce. O filme que deu o primeiro Oscar para Hilary Swank, que levou a segunda estatueta no ano passado, com “Menina de Ouro”, de Clint Eastwood. “Meninos não Choram” trata da dificuldade de uma moça que tenta viver como um rapaz numa cidadezinha do interior dos EUA. O filme é uma tragédia barra-pesada. Destaque para a cena de sexo entre Hilary e Chloë Sevigny. Compre o filme aqui!

9. DESEJO PROIBIDO, de Jane Anderson, Martha Coolidge e Anne Heche. A mesma Chlöe Sevigny, um ano depois de “Meninos Não Choram”, esteve em outra produção sobre lesbianismo. DESEJO PROIBIDO é um filme de segmentos produzido pela HBO, mostrando histórias que se passam nos anos 60,70 e 2000. Novamente, Chlöe arrasa quando está em cena. Compre o filme aqui!

10. MADAME SATÃ, de Karim Ainouz. Pra terminar, um filme brasileiro, dirigido por um cearense e brilhantemente protagonizado por Lázaro Ramos. O filme narra a vida de João Francisco dos Santos, vulgo “Madame Satã”, no Rio de Janeiro da década de 30. Além de homossexual, João Francisco era negro, o que só aumentava o nível de preconceito da sociedade. Felizmente ele tinha muita coragem. E quando precisava partir pra porrada, isso não era problema pra ele.

Cinema nos tempos de Internet

Publicado em: 21-11-2007 @ 3:21 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

O que mudou para os amantes da sétima arte em tempos de internet? Sites especializados, listas de discussão, blogs, filmes para download são algumas das novidades que têm contribuído para um enriquecimento da cultura cinematográfica. Uma breve reflexão sobre os novos tempos.

A internet tem mudado a relação das pessoas com o cinema. Não que se tenha passado a gostar mais ou menos de ver filmes. Mas houve uma mudança e ela veio para melhor. Hoje é possível encontrar filmes que seriam praticamente impossíveis de se ver dez anos atrás. Isso porque a internet se tornou não apenas um meio de se aprender sobre cinema através de sites especializados ou de listas de discussão: é que ela também disponibiliza os próprios filmes para download mesmo. Não duvido nada que filmes raros como “The Day the Clown Cried”, de Jerry Lewis, ou “Fear and Desire”, de Stanley Kubrick, já estejam nos e-mules ou torrents da vida.

Baixar filmes na internet é um ato ainda controverso e a indústria cinematográfica americana está lutando, com dificuldades, contra isso. Para alguns, pode parecer quase um roubo. Afinal, as pessoas estão deixando de ver o filme no cinema para ver na tela do computador. Eu por exemplo, só recorro aos filmes pelo computador quando não tenho outra alternativa. Só vou atrás de filmes raros ou inéditos no Brasil. Mas quem mora em cidades do interior que não têm nenhuma sala de cinema, com certeza, está sendo beneficiado com essa tecnologia. Principalmente agora, com o advento dos players que tocam divx.

Mas será que essa facilidade de baixar filmes está fazendo mesmo com que o público de cinema diminua? Se sim, como explicar as enormes filas nos cinemas, formadas em sua maioria pelo mesmo público jovem que tem intimidade com o mundo dos divx e codecs? Bom, a resposta não é tão simples e é preciso que se faça uma pesquisa séria antes de se dar qualquer diagnóstico, mas quando vejo filmes nos multiplexes reparo que a maior parte desse grande público está ali apenas por diversão. Para eles, o cinema é como um parque de diversões ou uma praia: um lugar para encontrar os amigos, paquerar, beijar na boca, comer pipoca. E não vejo nada de errado com isso. Esse povo está curtindo a vida. E alguns deles vão se tornar cinéfilos medida que o gosto pelos filmes for se solidificando e se transformando em amor.

Em certo sentido, a internet até tem ajudado a ampliar o público dos cinemas, já que ela se tornou uma ferramenta de informação muito importante. O fenômeno dos blogs de cinema também tem ajudado a divulgar filmes de menor repercussão na grande mídia. Divulgam o amor de seus mentores pela sétima arte, incentivando muitos a ver certos filmes que passariam desapercebidos se dependêssemos apenas da imprensa escrita ou da televisão.

Uma outra característica desses novos tempos é uma maior exigência dos cinéfilos com o formato de tela original dos filmes, a janela. Na época do videocassete pouca gente ligava para isso. A gente alugava “Era uma vez no Oeste”, por exemplo, e assistia só metade do filme, já que só era possível ver o filme em “tela cheia”, perdendo os lados do quadro. E pouca gente reclamava. Hoje é possível ver o filme bonitinho, integral, versão restaurada e em glorioso scope. E com um monte de extras.

Claro que há aqueles que ainda têm saudade do passado, mas mesmo o público mais idoso, que não liga muito para os novos filmes e não quer saber de baixar filmes pela internet, ainda pode fazer a festa alugando DVDs de filmes antigos. Distribuidoras como a ClassicLine, a Versátil, a Aurora, a Magnus Opus, além das majors (Columbia, Warner, Fox etc) que também têm lançado seus clássicos, têm contribuído para o enriquecimento do mercado de DVD no Brasil, que só tem crescido. Mas isso é assunto para uma outra ocasião. No mais, há que se concordar que vivemos em tempos de alegria para os apreciadores do cinema.

Lembrando que de forma alguma eu quero incentivar as pessoas a fazerem download de filmes, já que em vários países isso ainda é ilegal. É mais uma opinião pessoal sobre esse assunto que é realidade hoje em dia. Afinal, jogue uma pedra em mim caso você nunca tenha feito um download de um filme ou de uma mp3 na vida …

Sobre a Magia do Cinema e Meirelles

Publicado em: 19-11-2007 @ 5:09 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

Quando recebi o e-mail do Jurandir Filho (o Juras), indicando o novo blog do Fernando Meirelles, sobre sua nova incursão no cinema mundial, não pude conter a curiosidade. Apesar do recurso já ter sido usado por outros diretores, e até mesmo por Meirelles na ocasião da produção de “O Jardineiro Fiel”, nunca havia lido nada que acompanhasse o dia-a-dia de um set de filmagens vindo da fonte direta e mais completa que é o cineasta.

Acompanhava cada nova notícia sobre a escolha do elenco, as locações (que acabou por contemplar Canadá, Uruguai e Brasil – que vontade de viver em São Paulo só para acompanhar um dia que fosse de gravação) e tudo o mais que a imprensa divulgava sobre o título provisório “Blindness – Ensaio Sobre a Cegueira”. Agora, seria diferente. Ficaria sabendo da boca ou dos toques do brasileiro indicado ao Oscar e que trabalharia com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Gael García Bernal. Admirador do trabalho de Meirelles e do texto de Saramago que sou mesmo não tendo lido ainda o livro que deu origem ao filme, virei fã do diretor logo que li o primeiro post. A paixão com que o cara escreve é de deixar muito estudante de cinema babando. E pensar que tem um estagiário sortudo e, deixando de lado o recalque, provavelmente talentoso da ECA na equipe do filme.

Um dos melhores momentos da leitura do blog, que vez ou outra releio além de acompanhar as últimas novidades, continua sendo o Post 3: Sobre filmagem “al dente”, quando ele compara o trabalho com Moore e Ruffalo a cozinhar na mesma panela um ravióli e um fusili. O texto repleto de metáforas culinárias fala sobre os diferentes tempos dos atores. Aspectos do trabalho que só aprenderíamos no local ou de alguém realmente experiente.

Outro post marcante é aquele sobre carisma. Fernando Meirelles escreve sobre alguns nomes em seu elenco que transbordam dessa qualidade, caso da canadense Sandra Oh. Mas seus escritos vão além de suas impressões pessoais sobre este ou aquele ator. O autor descreve todo o processo que considera relevante em todas as etapas da criação de um filme. Desde o encontro com José Saramago para discutir o roteiro adaptado até os detalhes de edição. Para a sorte dos aficionados por cinema, o trabalho de Meirelles vai além do apenas posicionar câmeras e orientar o elenco principal. Ele gosta e gasta muito tempo preocupado com os mínimos detalhes. Detalhes esses que levam a múltiplas questões como as tratadas no Post 6: Sobre cocô, civilização e barbárie. É graças também a Meirelles que podemos aprender que filmar com mais de uma câmera não significa necessariamente preguiça ou dinheiro de sobra no orçamento, mas também criatividade e sensibilidade; que a preparação de atores é um processo muito mais complicado do que alguns poderiam imaginar (as oficinas para que todos agissem como cegos de olhos abertos incluíram os atores, figurantes e a equipe técnica); e que a observação é um trunfo para aqueles que querem seguir nessa área, vide os detalhes nos comportamentos de Ruffalo nas oficinas e de Bernal nos ensaios que lhe chamaram a atenção e ele aproveitou em cena.

Através desta recente ferramenta da Internet, nós humildes cinéfilos passamos a conhecer mais sobre técnicas, manias e idéias de um diretor. Coisas que alguns consideram um verdadeiro efeito broxante. Quando fiz um curso em uma Universidade Federal, ouvia alguns alunos colocarem que o apreendimento da técnica fazia perder o brilho e a magia da coisa. Pensava justamente o contrário. Achava fascinante o modo como cálculos e estratégias que pareciam oriundas de uma ciência exata se transformavam em tudo o que se via na tela. Hoje, depois de Diário de Blindness, entendi que o sentimento, a intuição, a emoção e o talento ainda prevalecem nesta área.

Para aqueles que não conhecem ainda Diário de Blindness, basta clicar aqui. O Cinema com Rapadura também acompanha as atualizações do blog e disponibiliza no portal as últimas notícias que surgem dos sets de filmagem.

Fórmula para ganhar Oscar?

Publicado em: 14-11-2007 @ 6:44 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Luiz Belmiro

Desde que Fábio Barreto conseguiu a façanha de ter um filme indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro, “O Quatrilho” (1995), a cada novo sucesso de nosso cinema, cogita-se quais as chances de finalmente um filme brasileiro ganhar o prêmio mais famoso do cinema mundial. Não que premiações internacionais sejam novidade para nós, Glauber Rocha, Anselmo Duarte, Hector Babenco (mezzo argentino mezzo brasileiro) e até mesmo Arnaldo Jabor já tiveram filmes premiados em importantes festivais como Cannes, mas o prêmio da Academia de Artes de Hollywood tornou-se uma verdadeira obsessão brasileira.

Depois de “O Quatrilho” tivemos outros indicados: “O Que é isso Companheiro?”, “Central do Brasil”, “Cidade de Deus” (que conseguiu indicações importantes em categorias técnicas, como edição). “Central do Brasil” ganhou o urso de ouro em Berlim, num dos mais importantes festivais do mundo, além do urso de prata para Fernanda Montenegro como melhor atriz. Outros filmes não chegaram a ganhar prêmios, mas foram bem recebidos pela crítica internacional, como “Ceú de Estrelas” de Tata Amaral, e “Baile Perfumado” de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Mesmo assim, todas as vezes que nossos filmes figuraram entre os cinco indicados a filme estrangeiro acabamos esbarrando em outras escolas cinematográficas, como Holanda (por duas vezes) e Itália.

Primeiramente precisamos admitir algo que pode ser doloroso para os cinéfilos mais nacionalistas: todas as vezes que perdemos o Oscar, perdemos para filmes melhores do que os nossos. A recusa em admitir isso levou a um certo ressentimento por parte de nossos cineastas, um complexo de inferioridade, e alguns filmes antes mesmo de estrearem são colocados como representantes oficiais do Brasil, porque teriam mais chances de enfim ganhar a estatueta. Filmes bem resolvidos tecnicamente, que procuram “fórmulas” que possam conquistar os membros da academia acabam se perdendo em suas narrativas, como foi o caso de “Olga”, que virou uma doce história de amor entre uma judia e um brasileiro interrompida pelo nazismo, uma tentativa de realizar uma “Lista de Schindler” � brasileira?

A categoria de melhor filme estrangeiro é justamente a categoria na qual fórmulas menos funcionam, enquanto categorias como melhor ator e atriz possuem favoritos � priori (aqueles que interpretam doentes terminais, homossexuais, pessoas com problemas mentais), o filme estrangeiro não possui nenhum tema ou conteúdo privilegiado. Se alguns anos temos verdadeiras barbadas, quando sucessos internacionais apenas se confirmam, como “O Tigre e o Dragão”, em outros temos grandes surpresas, vide quando o delicioso “O Destino de Amélie Poulain” perdeu mesmo sendo um sucesso consolidado internacionalmente. Este ano tivemos outra surpresa, o maravilhoso “O Labirinto do Fauno”, mesmo recebendo três prêmios técnicos, perdeu justamente na categoria que era considerado favorito absoluto.

Neste ano já tivemos uma surpresa no próprio representante brasileiro, a comissão do Ministério da Cultura contrariou as expectativas de muita gente e indicou “O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias”. Muitos preferiam o sucesso instantâneo “Tropa de Elite”, por suas inegáveis qualidades técnicas e por sua temática supostamente “social”. Sejamos sinceros mais uma vez: as tão aclamadas qualidades de “Tropa…” nos parecem tão grandes por se tratar de um filme nacional (mais uma vez nossos cinéfilos nacionalistas na área), qualquer filme de ação norte-americano como “Duro de Matar 4.0” ou “Transformers” possui as mesmas qualidades e mesmos truques pirotécnicos. Não que isso chegue a comprometer, é apenas um fato que deve ser reconhecido.

Já quanto ao “O Ano…”, me pareceu uma boa escolha. Trata-se de um filme que faz parte de uma onda recente de resgatar histórias da época do regime militar no Brasil, um tema sempre necessário, mas que acrescenta � sua história a maior paixão nacional, o futebol. Enquanto o menino Mauro espera pela volta de seus pais, militantes políticos que partiram para a clandestinidade dizendo que estavam saindo de férias, torce pela seleção brasileira de futebol na Copa do México. O clima político do Brasil nos anos de maior repressão do regime contrasta com a euforia provocada por Pelé & Cia, o que sugere uma reflexão sobre a luta política, o ufanismo provocado pelo futebol, e a alienação diante de uma ditadura no país.

A delicadeza com que o diretor Cao Hamburger conduz a história, aliada � s boas interpretações (principalmente do elenco infantil) são os grandes trunfos do filme. Se o filme tem chances de ganhar o Oscar? Essa é outra história, e francamente, ganhar prêmios é sempre bom, mas consolidar nosso cinema com linguagem e temática próprias é mais importante. A academia inclusive reconhece isso, por vezes o melhor filme estrangeiro vai justamente para escolas que alcançaram esse grau de maturidade, como China ou Itália. Essa é a grande contribuição de “O Ano…”, a partir de uma temática específica nossa faz um cinema que pode ser considerado universal, provando que nada substitui o valor de uma boa história bem contada, para isso não existem fórmulas mágicas.

Qual é a Cena? - Edição #07

Publicado em: 14-11-2007 @ 6:39 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Raphael Santos

Você pediu e nós voltamos. Depois de um tempo sumida, o “Qual é a Cena?” está de volta. Para comemorar tal retorno, resolvemos fazer uma homenagem à Pixar. Como o grau de dificuldade está bastante baixo, eu quero entrar em um acordo com vocês. Que tal além de descrever a cena, descrever um pouco o que acontece depois? Quero ver quem é bom nisso. Se habilita?

Você ainda não sabe o que é a seção? É simples. Colocaremos imagens marcantes e vocês terão que adivinhar qual é o nome do filme e descrever a cena. Porém, o leitor que MELHOR descrevê-la, terá seu comentário juntamente com seu nome e sua cidade inseridos aqui na matéria, logo abaixo da imagem correspondente ao filme. Seja bastante claro e objetivo nas suas palavras. Diga os nomes dos personagens para reforçar ainda mais a sua descrição. Vale lembrar que quem já acertar o nome do filme de primeira, já terá seu crédito fixo. Vamos aos filmes e suas cenas:

ATUALIZADO: Edição encerrada! Vocês estão cada vez piores. :(
19 de Novembro de 2007

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Nome do filme: Carros (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Luigi, fã de corridas toda a sua vida, fica empolgadíssimo ao ouvir o estrangeiro Relâmpago McQueen dizer que é um carro de corrida famoso. Sua empolgação logo acaba ao saber que McQueen não conhece nenhuma Ferrari. ”Luigi só gosta de Ferraris”. (Lincoln Péricles)
Dificuldade: 3/10

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Nome do filme: Vida de Inseto (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Hopper, líder de um bando de gafanhotos, vai buscar sua oferenda que as formigas sempre fazem por medo dos gafanhotos. Mas Flik, uma formiga que vive fazendo inventos para ajudar as formigas, acidentalmente joga um de seus inventos em cima das sementes dos gafanhotos, por estar desesperado, logo depois ele percebe o que fez e tenta impedir, porém já é tarde. Ele entra no formigueiro com se nada tivesse acontecido, até que pouco depois os gafanhotos perguntam onde está a comida e entram no formigueiro destruindo boa parte dele, depois eles vão embora dizendo que querem a comida em uma semana. Flik é expulso pelos outros até que ele propõe buscar ajuda para pegar as sementes mais rápido… (Rafael Moreira)
Dificuldade: 4/10

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Nome do filme: Toy Story (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Sid é um garoto que não gosta de brinquedos. Seu principal hobby é explodi-los ou mutilá-los. Quando Woody, o boneco cowboy protagonista vai parar na casa do garoto na companhia de Buzz Lightyear, o boneco astronauta, o seu plano é voltar pra casa, na companhia de seu dono Andy, que na verdade é na frente da casa do masoquista de brinquedos. Quando Sid cola um foguete nas costas de Buzz, na intenção de mandá-lo pro espaço e explodi-lo em seguida, Woody arma um mirabolante plano com os brinquedos do quarto do Sid para fazer com que ele veja a real razão para a que os brinquedos foram feitos: brincar, não destruir. Quebrando todas as regras de ficarem imóveis na presença de humanos, os brinquedos saem de diversos lugares, como a caixa de areia do quintal e ameaçam encurralar Sid, conseguindo amedrontá-lo. (Rodrigo Ferreira)
Dificuldade: 2/10

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