Rapadura Blog - O Blog do Portal Cinema com Rapadura

Qual é a Cena? - Edição #07

Publicado em: 14-11-2007 @ 6:39 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Raphael Santos

Você pediu e nós voltamos. Depois de um tempo sumida, o “Qual é a Cena?” está de volta. Para comemorar tal retorno, resolvemos fazer uma homenagem à Pixar. Como o grau de dificuldade está bastante baixo, eu quero entrar em um acordo com vocês. Que tal além de descrever a cena, descrever um pouco o que acontece depois? Quero ver quem é bom nisso. Se habilita?

Você ainda não sabe o que é a seção? É simples. Colocaremos imagens marcantes e vocês terão que adivinhar qual é o nome do filme e descrever a cena. Porém, o leitor que MELHOR descrevê-la, terá seu comentário juntamente com seu nome e sua cidade inseridos aqui na matéria, logo abaixo da imagem correspondente ao filme. Seja bastante claro e objetivo nas suas palavras. Diga os nomes dos personagens para reforçar ainda mais a sua descrição. Vale lembrar que quem já acertar o nome do filme de primeira, já terá seu crédito fixo. Vamos aos filmes e suas cenas:

ATUALIZADO: Edição encerrada! Vocês estão cada vez piores. :(
19 de Novembro de 2007

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Nome do filme: Carros (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Luigi, fã de corridas toda a sua vida, fica empolgadíssimo ao ouvir o estrangeiro Relâmpago McQueen dizer que é um carro de corrida famoso. Sua empolgação logo acaba ao saber que McQueen não conhece nenhuma Ferrari. ”Luigi só gosta de Ferraris”. (Lincoln Péricles)
Dificuldade: 3/10

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Nome do filme: Vida de Inseto (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Hopper, líder de um bando de gafanhotos, vai buscar sua oferenda que as formigas sempre fazem por medo dos gafanhotos. Mas Flik, uma formiga que vive fazendo inventos para ajudar as formigas, acidentalmente joga um de seus inventos em cima das sementes dos gafanhotos, por estar desesperado, logo depois ele percebe o que fez e tenta impedir, porém já é tarde. Ele entra no formigueiro com se nada tivesse acontecido, até que pouco depois os gafanhotos perguntam onde está a comida e entram no formigueiro destruindo boa parte dele, depois eles vão embora dizendo que querem a comida em uma semana. Flik é expulso pelos outros até que ele propõe buscar ajuda para pegar as sementes mais rápido… (Rafael Moreira)
Dificuldade: 4/10

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Nome do filme: Toy Story (Guilherme Diniz)
Descrição da cena: Sid é um garoto que não gosta de brinquedos. Seu principal hobby é explodi-los ou mutilá-los. Quando Woody, o boneco cowboy protagonista vai parar na casa do garoto na companhia de Buzz Lightyear, o boneco astronauta, o seu plano é voltar pra casa, na companhia de seu dono Andy, que na verdade é na frente da casa do masoquista de brinquedos. Quando Sid cola um foguete nas costas de Buzz, na intenção de mandá-lo pro espaço e explodi-lo em seguida, Woody arma um mirabolante plano com os brinquedos do quarto do Sid para fazer com que ele veja a real razão para a que os brinquedos foram feitos: brincar, não destruir. Quebrando todas as regras de ficarem imóveis na presença de humanos, os brinquedos saem de diversos lugares, como a caixa de areia do quintal e ameaçam encurralar Sid, conseguindo amedrontá-lo. (Rodrigo Ferreira)
Dificuldade: 2/10

Manifesto Contra as Continuações Despropositadas!

Publicado em: 14-11-2007 @ 6:33 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Alguns filmes trazem na sua essência um fechamento natural de história. De maneira tal, que não existe como fazer uma continuação desse longa. Ele é bem feito, produzido, finalizado e construído (com utilização de tempo necessário para contar a história), e não necessita de uma segunda parte. Na verdade, não existe como trazer uma segunda parte dele sem desmerecer a qualidade e o bom nome do primeiro. São exemplos disso os recentes (talvez não tão recentes) “Efeito Borboleta” e “Premonição”.

Mas alguns “mercenários” da indústria cinematográfica insistem em ir de contrapartida a essa lógica e filmar novos episódios, usando do bom desempenho do antecessor para conseguir algum dinheiro de alguns espectadores que não percebem essa enrolação e ficam até mesmo felizes em saber que podem assistir um pouquinho mais daquilo que os satisfez algum tempo atrás.

O primeiro modo de reconhecer esses aspirantes a roubo de obra alheia é olhar os créditos: grande parte da equipe técnica do primeiro sequer entra no segundo (ou terceiro, ou quarto…), porque já sabe de antemão da bomba que está por vir, e visando manter a boa reputação e o respeito entre os profissionais, tira o nome de “projetos” como esse.

Basta de usar filmes que arranhem a imagem dos originais simplesmente por ganância! Basta de estúdios que não conseguem ter a mentalidade de que apoiar trabalhos como esse acabam por desacreditar o cinema para as pessoas! Basta de tentar obter sucesso em projetos que não merecem nosso respeito!

Somos terminantemente contra a banalização de bons enredos, somos contra as continuações despropositadas que ferem o fechamento de filmes que merecem um ponto final e não uma vírgula seguida de continuação!Alguns filmes trazem na sua essência um fechamento natural de história. De maneira tal, que não existe como fazer uma continuação desse filme. Ele é bem feito, produzido, finalizado e construído (com utilização de tempo de filme necessário para contar a história), e não necessita de uma segunda parte. Na verdade, não existe como trazer uma segunda parte dele sem desmerecer a qualidade e o bom nome do primeiro. São exemplos disso os recentes (talvez não tão recentes) “Efeito Borboleta” e “Premonição”.

Mas alguns “mercenários” da indústria cinematográfica insistem em ir de contrapartida a essa lógica e filmar novos episódios, usando do bom desempenho do antecessor para conseguir algum dinheiro de alguns espectadores que não percebem essa enrolação e ficam até mesmo felizes em saber que podem assistir um pouquinho mais daquilo que os satisfez algum tempo atrás.

O primeiro modo de reconhecer esses aspirantes a roubo de obra alheia é olhar os créditos: grande parte da equipe técnica do primeiro sequer entra no segundo (ou terceiro, ou quarto…), porque já sabe de antemão da bomba que está por vir, e visando manter a boa reputação e o respeito entre os profissionais, tira o nome de “projetos” como esse.

Basta de usar filmes que arranhem a imagem dos originais simplesmente por ganância! Basta de estúdios que não conseguem ter a mentalidade de que apoiar trabalhos como esse acabam por desacreditar o cinema para as pessoas! Basta de tentar obter sucesso em projetos que não merecem nosso respeito!

Somos terminantemente contra a banalização de bons enredos, somos contra as continuações despropositadas que ferem o fechamento final de filmes que merecem um ponto final e não uma vírgula seguida de continuação!

Falta de Idéias? Não é de hoje…

Publicado em: 14-11-2007 @ 1:18 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Muitas refilmagens, muitas adaptações de quadrinhos e muitos cineastas estrangeiros aportando em Hollywood. Seria isso um sinal de crise de criatividade na indústria cinematográfica americana?

Hoje em dia muito se tem falado de uma suposta falta de criatividade em Hollywood. Isso é atribuído principalmente por causa dos inúmeros remakes produzidos - sejam de produções americanas, sejam de outros países -, das várias adaptações de quadrinhos para o cinema e da “importação” de cineastas estrangeiros para a indústria hollywoodiana. Mas será que isso é verdade mesmo? Será que os produtores americanos estão recorrendo a isso simplesmente pela falta de idéias novas? Vamos por partes.

No que se refere s refilmagens, não é de hoje que isso se faz em Hollywood. Nos anos 50, o próprio Hitchcock chegou a fazer um remake de um filme seu da fase inglesa, “O Homem que Sabia Demais”. As versões mais conhecidas de “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos” também são remakes, tentativas bem sucedidas de melhorarem o que já era bom. Acontece que ultimamente isso está sendo bem mais freqüente, principalmente no gênero horror. “Psicose”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “Despertar dos Mortos”, “Assalto 13ª D.P.”, “13 Fantasmas”, “Museu de Cera”, todos já tiveram suas refilmagens recentemente. Para breve, vem aí remakes de “Quadrilha dos Sádicos”, de Wes Craven, e de “The Fog”, de John Carpenter. Nas próximas semanas, já estréiam no Brasil as refilmagens de “Guerra dos Mundos” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Além do mais, ainda está sendo cogitada uma refilmagem de “Os Pássaros”, de Hitchcock, uma heresia, ainda mais quando sabemos que quem está por trás disso é ninguém menos que Michael Bay, o horrível. Há também os remakes dos sucessos orientais, como “O Chamado”, “O Grito” e “The Eye”. Recentemente, já foi anuciado um remake do coreano “OldBoy”. Bom, pelo menos, a maioria desses remakes têm sido de alto nível.

Quanto s adaptações de quadrinhos para o cinema, elas são menos uma crise de idéias e mais a descoberta de uma mina de ouro para os executivos da indústria. E não devem parar tão cedo. Como o público jovem é responsável pela maior parte dos ingressos vendidos, temos que nos preparar para ver mais e mais super-heróis nas telas.

Quanto “importação” de diretores estrangeiros, não é de hoje que isso acontece na indústria. Basta lembrar que grandes diretores europeus como Fritz Lang, Ernst Lubitsch, Billy Wilder e Alfred Hitchcock fizeram obras grandiosas nos EUA. Já na época do cinema mudo, o genial F.W. Murnau teve uma de suas obras-primas - “Aurora” - financiada pelos americanos. O subversivo Paul Verhoeven, antes de estrear nos EUA, já era um diretor consagrado na Holanda. Por mais que acusem os americanos de protecionismo, há tempos o país tem aberto as portas para muitos estrangeiros. Mesmo assim, é digna de nota essa nova abertura que se tem dado a vários cineastas estrangeiros. Eles vêm de várias partes do mundo: Japão (Hideo Nakata, Takashi Shimizu), França (Alexandre Aja, Florent Emilio Siri, Jean-François Richet), Brasil (Walter Salles), Espanha (Alejandro Amenábar, Jaume Balagueró), México (Alfonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu), China (Ang Lee, Chen Kaige).

Mas será que esses fatores se constituem como provas da crise de idéias em Hollywood? Será que um país que tem o luxo de ter nomes como Clint Eastwood, Martin Scorsese, Woody Allen, Brian De Palma, George Romero, John Carpenter, David Lynch e Steven Spielberg, todos cineastas que continuam realizando vez ou outra obras-primas, será que dá pra acreditar em falta de criatividade? Isso sem mencionar outros nomes mais recentes, como os de Richard Linklater, Gus Van Sant, Quentin Tarantino e M. Night Shyamalan, diretores que têm contribuído para fazer de uma simples ida ao cinema uma experiência inesquecível. Não se trata de estar supervalorizando os americanos em detrimento dos filmes produzidos no Brasil ou em outros países, mas não tem como não ficar admirado com um time desses. E eles ainda têm a sorte de terem disposição um bom dinheiro para gastar.

Por isso eu acho que não. Não está havendo essa chamada falta de novas idéias. O que pode estar havendo é uma preferência pela reciclagem e uma injustiça com alguns grandes cineastas. David Lynch e Brian De Palma, por exemplo, só tem conseguido realizar seus filmes com a ajuda dos franceses. George Romero só voltou a fazer uma produção de orçamento mais gordo (”Land of the Dead”) por causa do sucesso dos zumbis do remake “Madrugada dos Mortos”. John Carpenter continua com dificuldade de financiamento para seus projetos. Francis Ford Coppola sempre fez melhores filmes com muito dinheiro e não tem conseguido fazer mais nada bom desde a falência de sua produtora, a Zoetrope. Histórias de falência e prejuízo também perseguem o sumido e talentoso Michael Cimino. Hollywood não perdoa quem dá prejuízo e por mais que o cinema americano tenha uma história gloriosa, há sempre também histórias vergonhosas, como o descaso que se teve com o gênio Orson Welles. Mas como vivemos num mundo capitalista, isso já era de se esperar.

Cinema e Literatura

Publicado em: 13-11-2007 @ 9:03 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Foram poucos os livros que li que foram adaptados para o cinema. Sei que comparar dois tipos de arte não é muito aconselhável, seria comparar bananas com maçãs, alguns diriam, mas é mais ou menos isso que eu me proponho a fazer agora. A comparação, no caso, levaria em consideração o meu grau de satisfação depois de ter lido o livro ou visto o filme.

Geralmente, se eu for ler um livro adaptado para o cinema, prefiro que seja antes de ver o filme, já que o livro normalmente vem antes do filme. Mas já aconteceu de eu ler o livro depois de ter visto o filme. Por exemplo, só li “O Cemitério”, de Stephen King, alguns anos depois de ter visto o filme “O Cemitério Maldito”, de Mary Lambert. E o que aconteceu é que o livro deixou o filme bem atrás. Stephen King tem o poder de fazer com que a gente acredite naquilo tudo. Enquanto se está lendo “O Cemitério”, acredita-se piamente que aquele cemitério indígena tem mesmo o poder de ressuscitar os mortos, nem que eles venham como zumbis e com seus corpos ainda em contínuo estado de putrefação.

“Ah”, alguém poderia dizer, “mas o filme nunca é melhor que o livro”. Eu diria que isso é possível sim. Alfred Hitchcock, por exemplo, nunca gostou de pegar livros importantes para adaptar. Ele jamais pegaria “Crime e Castigo”, do Dostoiévski, pra citar o exemplo que o próprio mestre deu. Ele preferia pegar obras menores e transformá-las em filmes maiores. O exemplo vivido por mim foi o de quando li “O Chefão”, de Mario Puzo. Apesar de ser um ótimo romance, comparado com “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, o livro perde muitos pontos. A força que Coppola imprime na saga dos Corleone é algo sem paralelos na história do cinema.

Alguns livros são tão grandes e importantes que sempre que alguém tenta fazer uma adaptação deles, acaba dando com os burros n’água ou, na melhor das hipóteses, realiza obras medíocres, como foi o caso de “Memórias Póstumas”, de André Klotzel, adaptado de um dos maiores clássicos da literatura (”Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis). No Brasil, eu diria que um dos melhores exemplos de boa adaptação para as telas foi o caso de CARANDIRU, que Hector Babenco fez do bonito livro de Dráuzio Varela.

É bem interessante ver alguns filmes tendo lido o livro em que ele se baseia. Uma das primeiras vezes que tive essa experiência foi quando vi no cinema “A Insustentável Leveza do Ser”, de Philip Kaufman, poucos dias depois de ter terminado de ler o romance homônimo de Milan Kundera. O livro até hoje está entre os meus preferidos de todos os tempos e o filme soube captar bem o espírito do romance, apesar da dificuldade que se tinha de adaptar as reflexões filosóficas de Kundera para as telas. A vantagem do filme é que vemos, materializadas em nossa frente, as personagens de Tereza e Sabina, que aparecem nuas no filme e na pele de duas atrizes excepcionais. O livro tinha alguns momentos bem quentes em se tratando de erotismo, mas o filme é mais explícito. Pode-se dizer que é um filme erótico. Até hoje me lembro de um texto de Eugenio Bucci, que saiu numa antiga edição da Revista SET, em que o crítico falava poeticamente dos pentelhos da personagem de Juliete Binoche. Acreditem, ficou muito bonito e nada vulgar.

Mais recentemente, pude ver a trilogia “O Senhor dos Anéis”, magnificamente dirigida por Peter Jackson, depois de ter lido os três livros de J.R.R. Tolkien. Eu diria que esse é o caso de filme que fica melhor pra quem leu os livros. Quem leu os livros e viu a bela adaptação - chegando perfeição no último filme, em se tratando de fidelidade ao texto original - deve curtir muito mais o filme. Enquanto isso, eu conheço gente que odeia a trilogia e não quer mais ouvir falar de hobbits de jeito nenhum. Coincidência ou não, essas pessoas nunca leram os livros.

Talvez seja o mesmo caso de quem leu “Duna”, de Frank Herbert. Eu, que nunca li o livro, acho o filme de David Lynch um erro em sua carreira. Sem DUNA, eu diria que a filmografia de Lynch seria irretocável, perfeita. Por outro lado, já conheço gente que leu o livro de Herbert e considera o filme de Lynch o melhor de sua carreira, mesmo com todos os problemas de cortes, edição e ritmo irregular. Existe até uma versão estendida do filme, que saiu recentemente em DVD, mas eu até agora não tive coragem de pegar pra ver. Vai que o filme melhora, fica mais palatável e compreensível…

Lembrei agora de “O Exorcista”. Li o livro de William Peter Blatty no início da minha adolescência. Na época, esse livro era visto como maldito e acredito que eu era muito novo para ler esse livro. Se bem que isso não me afetou muito não. O que mais me impressionou no livro - e que não tem no filme - foram as descrições das hóstias fabricadas para a missa negra. Mas faz muito tempo que li esse romance e fica difícil de lembrar de outros detalhes. Esse é talvez o caso de filme que ultrapassa a força do livro. “O Exorcista” de William Friedkin não é um filme de sustos, mas de mal estar, de clima pesado. Tanto que ele é um dos filmes que mais tem uma mitologia de maldição ao seu redor. Mas deve perder nesse quesito para “Incubus”, de Leslie Stevens.

Teria mais alguns para comentar, como “A Grande Arte” e “O Nome da Rosa”, por exemplo, mas esse texto já está ficando bem grande. Pra terminar: no ano passado li “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, e não gostei do livro. Não achei engraçado o senso de humor do autor e achei a história bem boba. Pode ser que o filme seja melhor, mas ontem mesmo um amigo que mora no Canadá falou que viu várias vezes o trailer do filme e achou insuportável. A seu favor: a) a obra serviu de referência para a obra-prima Ok, Computer, disco de 1997 do Radiohead; e b) a direção do filme é de Garth Jennings, que no currículo tem o interessante videoclipe “Imitation of Life”, do R.E.M.

BlogCamp e rosto novo

Publicado em: 13-11-2007 @ 1:24 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Raphael Santos

Durante os dias 10 e 11 de novembro o Cinema com Rapadura esteve representado no 1º BlogCamp-CE. O evento é uma espécie de encontro dos blogueiros de um certo estado e com alguns convidados de outros. No caso desse, estiveram presentes além dos blogueiros locais o paulista Ian Black (do Enloucrescendo, além de blogueiro, especialista em marketing viral) e Sampson Moreira (Inovavox) diretamente de Recife-PE. Também estiveram presentes: Daniel Soares (Xpock), Gilberto Filho (Uêba), Regis 8bits (Sedentário & Hiperativo), Cynara (Mundo Tecno), Marcelo Glacial (Teoria Glacial), Leonardo (Blogueisso), Eder Marques (Administrando.net), Cássio (Itspax), Teo (Um Maluco Vai do Lado), Antino (Astrogyldo), Maisa Vasconcelos (3amigos), Luthiano (Tuangr), Thahy (Intensidade), Rafael (Netlus), Hélcio (Fundamental Conteudo), Inácio (Ah Uma Jaula), Manoel Frasães (As Palavras Minhas) e outros.

Jurandir Filho e Raphael Santos foram os enviados especiais para a missão e acabaram bem sucedidos. Os assuntos que os dois participaram na desconferência (modelo onde a pauta é criada no dia pelos participantes), foram os mais diversos, por exemplo: monetização, hospedagem e crescimento de blogs, marketing viral a partir da blogosfera, o tenso relacionamento entre jornais tradicionais e as novas mídias, Web 2.0, Videocasts e etc. Até o próprio RapaduraCast virou pauta quando a dupla resolveu apresentar para os presentes o crescente mundo dos Podcasts. Descobrimos fãs do nosso cast e do portal lá. O que nos deixou muito satisfeitos.

Ainda no fervor das novas aprendizagens foi preparado um novo layout para o nosso querido e estimado blog. Como pode ser visto, praticamente nada está como antes e mais mudanças poderão acontecer. O menu do blog está mais bem estruturado, a fim de causar um maior impacto � primeira vista. Para que esse novo layout melhor apreciado, é interessante que seu computador esteja em uma resolução a partir de 1024 x 768. A decisão de adaptar o tamanho da página para essa resolução é pelo fato de poucos ainda usarem a quase extinta 800 x 600. Afinal, se o portal é para usuários de 1024 para cima, por que o blog também não estaria nesse padrão? Esperamos que tenham todos apreciado o modelo renovado.

Agora vocês: o que acharam do novo rosto do blog? Vocês já participaram de algum BlogCamp? Querem participar de próximos? Não apenas blogueiros podem participar, mas todos os interessados nesse mundo fantástico.

As pérolas do Verão-2007

Publicado em: 13-11-2007 @ 2:25 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Certa feita escrevi para o site uma matéria que defendia a importância singular do ano de 1999 para o cinema. Mostrei quantos clássicos surgiram num ano só, e o tanto que o mesmo veio a acrescentar. Pois bem, acredito que todos os leitores presentes saibam que o período localizado aproximadamente no meio do ano, é aquele que foi eleito por Hollywood para extorquir o dinheiro dos espectadores ao redor do mundo. Desde Maio de 2007 – verão nos EUA – estamos sendo bombardeados por diversas pérolas do entretenimento, que curiosamente se mostraram de uma qualidade quase irrepreensível e de grande porte. Aqueles cinéfilos mais atentos estão cientes que este ano será o mais lucrativo da história. Uma enorme competição entre grandes nomes. É uma batalha épica nos tempos modernos. Talvez devido a essa imensa competitividade os produtos tenham sido tão notáveis.

Tivemos nesse meado de ano, longas como os terceiros capítulos das franquias do “Homem-Aranha”, “Piratas do Caribe”, “Shrek” e da “Trilogia Bourne” bem como o quinto volume da imensa série de “Harry Potter”, o longa animado derivado da parceria Disney/Pixar “Ratatouille”, a chegada de “Os Simpsons” ao cinema, a última seqüência de Duro de Matar, o live-action dos “Transformers”, entre outros. O indivíduo que vos fala, prestigiou a todos os projetos que fizeram as “caixas registradoras” dos cinemas trincarem a todo estante. Então, irei fazer uma pequena lista daqueles filmes que fizeram rios de dinheiro, mas que não esqueceram o que realmente interessa: A qualidade. Entretanto, antes de qualquer coisa, tenho que advertir que listas são extremamente pessoais e ingratas; por isso, peço minhas humildes desculpas por ser obrigado a estabelecer uma ordem de qualidade.

1. Homem-Aranha 3

Provavelmente, alguns leitores devem estar se perguntando: a lista começa do pior para o melhor? Sinto afirmar que não. Ao contrário da maioria dos espectadores, fui um daqueles que saiu da seção de Homem-Aranha de queixo caído. Isso porque eu nunca iria imaginar uma mescla de ação, drama, romance e comédia bem equilibrada, ainda mais no filme que mais faturou na terra do Tio Sam esse ano. Observado pela minha ótica como o melhor da trilogia, e como se pode notar, o melhor Blockbuster de 2007. O longa dá continuidade a história de Peter Parker (Tobey Maguire, de Seabiscuit) que agora é aclamado pela sociedade e deixa sobressair seu ego, negligenciando assim com aqueles que mais ama. Além desse conflito interno, ele tem que dar conta de três vilões: Homem-Areia (Thomas Haden Church, de “Sideways”), Duende Verde Jr. (James Franco, de “Tristão e Isolda”), e Venom (Topher Grace, de “Em Boa Companhia”).

2. Ratatouille

“Ratatouille” foi a maior prova da supremacia da Disney/Pixar, marcando infelizmente, o fim dessa perfeita parceria (a Disney comprou a Pixar). Entretanto, nos entrega essa última obra de arte da maneira mais bela possível, com uma qualidade técnica perfeita e com um roteiro impecável. Delicioso e agradável, o filme é indicado para todo e qualquer público, independente de qualquer pontuação que o caracterize. Juntamente com “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”, compõe o trio das melhores animações dos últimos anos. A película conta as aventuras e desventuras de Remy (voz de Patton Oswalt) que tem como sonho ser um grande cozinheiro. Conseguindo parar em um grande e bem conceituado restaurante francês, ele tem sua chance de virar Chef quando conquista a amizade de Linguini (voz de Lou Romano), um jovem que trabalha nesse restaurante, mas não sabe cozinhar.

3. Piratas do Caribe: No Fim Do Mundo

Exatas 2 horas e 48 minutos. Será mesmo que todos achavam que esse tempo todo iria se resumir somente a efeitos especiais? Os que achavam, estavam redondamente enganados, pois, seguindo a regra dos longas citados anteriormente, esse último capítulo da trilogia de “Piratas do Caribe” tem uma qualidade estética maravilhosa, mas tem um roteiro que consegue sustentá-lo sem muitas dificuldades. Justamente por isso que a maioria dos espectadores se decepcionou com o longa, pois o roteiro vem acima de tudo. Nada de desligar a mente e se divertir. Vamos brincar de pensar. Tudo com o maravilhoso mundo dos piratas, que nesse terceiro capítulo, tem o dever de mostrar o destino de Jack Sparrow (Jonny Depp, de “Em Busca Da Terra Do Nunca”) e cia., que tem de enfrentar Davy Jones (Bill Nighy, de “Underworld”) que está sob o comando do Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander, de “Um Bom Ano”).

4. O Ultimato Bourne

O mais novo capítulo da franquia Bourne surpreendeu todo o público por não perder hora alguma a essência da trilogia, encerrando-a com o melhor produto derivado da mesma. O longa conta com um Matt Damon já familiarizado com o personagem, um roteiro muito bem construído que não deixa situação alguma pendente, e é claro, Paul Greengrass em sua melhor forma. O diretor conseguiu criar grandes seqüências de ação. Com sua típica “câmera de mão” torna tudo visto na tela o mais verossímil possível. Nesse grande desfecho, Jason Bourne (Matt Damon, de “Os Infiltrados”) continua fugindo de tudo e de todos, para continuar sua conturbada jornada a fim de recuperar sua memória e descobrir que realmente ele é.

5. Os Simpsons

Nada como 18 anos de experiência e milhares de revisadas no roteiro. A chegada da família amarela de Springfield aos cinemas é com uma classe que poucos têm. A série animada mais famosa da televisão mundial é convertida maravilhosamente para um longa-metragem inteligentíssimo, que trata de temas como religião, política, família, meio ambiente, entre outros; tudo com aquela sutileza que só essa adorada família consegue fazer. Não passa de um episódio alongado, mas, desde quando isso é um problema? Acompanhamos a extensão da história de Homer Simpson (voz de Dan Castellaneta) que, acidentalmente, ou nem tanto, acaba poluindo o rio de Springfield com o estrume de seu porco de estimação, e as autoridades locais, se vêem obrigadas a isolar a cidade mais poluída do mundo.

Temos diversos outros títulos como “Harry Potter E A Ordem da Fênix”, “Duro de Matar 4.0” e “Shrek Terceiro” que tem diversas qualidades, mas que infelizmente não entraram na lista acima. Enquanto a “Transformers” e ”Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado”, talvez eles não sejam suficientemente dignos de juntar-se aos grandes nomes que fizeram a diferença esse ano; apesar do grande sucesso que ambos fizeram. Contudo, podemos concluir que esse foi um dos melhores anos de Blockbuster, se não o melhor, que não é tão importante quanto o ano de 1999 como disse no início, mas que certamente ficará para a história.

Manias de Cinéfilo

Publicado em: 05-11-2007 @ 4:11 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Quem é cinéfilo deve ter alguma mania. Nem que seja uma bem discreta. Nessa coluna, eu enumero algumas manias de cinéfilo bastante conhecidas, tanto minhas, quanto de algumas pessoas que eu conheço.

Quem assistiu a “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de Woody Allen, deve se lembrar daquela cena em que Allen e Diane Keaton vão ao cinema e chegam atrasados cinco minutos para a sessão. Para Diane, aqueles cinco minutos não significam muita coisa, mas Allen se recusa a ver o filme, preferindo rever um longo documentário sobre o holocausto, que estava passando numa sala ali perto.

No passado eu não ligava muito pra isso, mas hoje em dia eu só entro na sala se o filme ainda não tiver começado. Até porque o pedaço que foi perdido vai ser recuperado só se você pagar de novo pela sessão, já que a direção dos cinemas não permite mais que você permaneça na sala. Teve uma época em que era permitido que a gente ficasse na sala pra ver a mesma sessão novamente ou então pra ver o começo do filme - se você o tivesse perdido. Interessante notar que nos filmes é bastante comum a gente ver personagens entrando no cinema quando o filme já está passando. Parece que isso tem um efeito mais dramático do que simplesmente ver o personagem sentando numa sala com as luzes ainda acesas.

Nessa semana, eu fiz uma pequena pesquisa numa lista de discussão de que participo perguntando se algum dos colegas tinha alguma mania de cinéfilo. A mais curiosa das declarações, pra mim, foi a de Ana Ramgrab, de Porto Alegre. Ela disse preferir sentar na última fileira para poder ouvir o barulhinho do projetor. Achei isso bastante poético, embora prefira sentar mais perto da tela. Essa declaração, aliás, contraria o que a maioria dos cinéfilos mais radicais prefere, que é sentar numa das primeiras fileiras. Cheguei a imaginar uma vez que isso pode ser uma tentativa de entrar na tela, de absorver melhor a energia do filme. Ou pode ser também uma espécie de adoração, já que você tem que levantar um pouco a cabeça para ver a tela. Nesse caso, você se sentiria inferior ao cinema, que seria o seu deus, a sua religião. As salas dos Multiplexes, atualmente, têm diminuído essa coisa do espectador ter que levantar a cabeça, já que as cadeiras são dispostas como as de um estádio.

Marlonn Della Bruna, de Curitiba, falou que já foi uma pessoa que costumava fazer “shhhh” durante as sessões. Tem gente que fala demais e atrapalha a apreciação do filme. Eu gosto de pessoas que respeitam o filme, que dizem “shh” durante a sessão. Tem um crítico de cinema de um jornal local que eu sempre encontro em várias sessões que é o rei do shhhh. Agora, com o advento dos telefones celulares, esse problema se acentuou ainda mais.

Eu tenho algumas manias antes de ver um filme no cinema. Por exemplo, eu sempre tenho que ir ao banheiro segundos antes de entrar na sala. Nem que seja apenas para lavar o rosto. Entrar no cinema suado é horrível. Também odeio entrar com sede e, para evitar sentir sede no meio do filme, eu sempre levo alguma coisa pra beber, seja uma água ou um refrigerante. Nesse quesito (coisas que se compra antes de entrar no cinema), na lista de discussão, o exemplo mais curioso foi o do amigo Marcos Aurélio, de Natal, que sempre compra uma água mineral com gás e três jujubas. Uma amiga minha daqui de Fortaleza, que já me acompanhou em algumas sessões, sempre sente necessidade de comprar chocolates. Como eu tenho alergia aos chocolates, sofro em não aceitar alguma barra. Na sessão de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, por exemplo, eu não resisti tentação.

Sentir vontade de urinar durante o filme não é bom. Acho que a sessão de “Dirigindo no Escuro” só foi pior porque eu resisti até o final a ir ao banheiro. O problema é que eu torcia para que o filme acabasse logo, já que não costumo sair de um filme no meio. Acho que o único filme de que eu saí antes que ele terminasse foi “Estorvo”, do Ruy Guerra. Isso porque o filme era muito chato, porque o protagonista era um cubano falando “portunhol”, porque o som da sala estava muito ruim e porque eu tinha que fazer uma ligação para a namorada.

Há quem diga que eu tenho mania de chorar em cinema. Meu amigo Renato Doho, de São Carlos, diz que seus olhos geralmente lacrimejam durante a sessão. Por isso, há quem pense que ele está chorando até em filme de ação. Eu dificilmente tenho esse problema, mas choro facilmente em melodramas. Uma das sessões mais bizarras pra mim foi a de “Carandiru”. Toda a sala gargalhando com o drama do Majestade, o sujeito que amava duas mulheres ao mesmo tempo, e eu chorando a valer. Bom, depende muito do estado de espírito. Tem dias que a gente está mais sensível.

Quem freqüenta o “circuito de arte”, costuma ver as mesmas pessoas durante as sessões. Querendo ou não, se chegamos um pouco mais cedo, acabamos prestando atenção naquelas pessoas que dividem com você o gosto pelos filmes. Pena que eu seja uma pessoa tímida e com mais dificuldade de socialização. É sempre bom trocar uma idéia com as pessoas que compartilham o mesmo prazer com você. Mal comparando, é como se você fosse pra cama com alguém e nem sequer lhe perguntasse o seu nome. (Falei que a comparação não era boa).

Podemos ver o que seus olhos vêem?

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:40 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Paulo Flausino

Revendo o convincente documentário “Janela da Alma”, testemunhei uma frase inesquecível que dizia, mais ou menos, assim: “Apesar de enxergar bem sem óculos, eu sentia falta do enquadramento. Acho que a visão é mais seletiva de óculos”. Nesse mesmo instante pausei o vídeo, desliguei o monitor, fechei meus olhos, olhei para dentro e… algo aconteceu. Inspirei profundo e… algo se moveu. Dessa vez encontrei? Será? Sim! Não há mais duvida. Do imenso e profundo mar que é o inconsciente, emergiu um entendimento súbito (insight)!

Finalmente entendi um mistério que sempre me rondou, um enigma que sempre me incomodou! Que olhos são esses, que os diretores têm e que mais ninguém tem? Que visão de mundo é essa? Visão que, como um arpão, nos atravessa a alma, dilacera-nos os conceitos, reformula-nos as idéias e nos prende a algo único e fascinante que é o sentimento da transcendência, a sensação de sair de si, o poder de alcançar o outro, a proeza de transpor nossa limitada realidade! Através do trabalho deles podemos ser outras pessoas e viver outras histórias! Conhecer outros lugares e entender outras paragens!

É claro que não estou me referindo a Michael Bay’s e Tim Story’s da vida, que alastram o mundo cinematográfico com produtos descartáveis e renegam o potencial do cinema como arte e como canal de crescimento cultural e intelectual. Ali me referia a senhores como: Charles Chaplin, Orson Welles, Steven Spielberg, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Peter Jackson, Woody Allen e “George Lucas”. Todos esses senhores são, em minha opinião, gênios incontestáveis sendo que cada um deles tem suas próprias particularidades que os engrandecem ou os apequenam dependendo de que contextos forem julgados e avaliados.

Voltando � quela grande questão: “Que olhos são esses, que somente eles têm, que mais ninguém tem? E mesmo que eles se diferenciem, um do outro, em vários e vários aspectos, o que todos eles têm em comum? O que? Hein?” Inspirado pelas palavras que grifei naquela frase citada no primeiro parágrafo, atrevo-me a dizer que sei o que liga a todos eles; o que os fazem manter um elo eterno de um para com o outro e os diferencia de todo o resto (nós)! Vamos pensar… “Elementar, meus caros Watsons Rapaduras!” Nada mais simples… Nada mais eficaz e diferenciador em nossas vidas e em nossa sociedade!

OLHAR COM A ALMA!!! Sim! Olhar com alma… Isso simboliza dar um significado profundo e singular para cada visão do dia-a-dia, isso representa valorizar a cada tomada que seus olhos venham a fazer! Com essa premissa de vida, eles conseguem a proeza de utilizarem suas visões SELETIVAS, de seus sensos de grandiosidade, de suas profundas admirações pelo belo e pela vontade irresistível de arrebatar e transportar multidões e mais multidões para o ENQUADRAMENTO da vida, que só eles conseguem vislumbrar e entender em profundidade real!

É assim que os enxergo. É assim que os sinto. É assim que os admiro! Quanto a você, meu amigo rapadura, que diretores você admira? Como você os enxerga?

Agnes Varda e Seus Quase Documentários

Publicado em: 29-10-2007 @ 12:39 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Diogo

Agnes Varda tem um estilo beirando o pitoresco de apresentar imagens que desencadeiam sua história. O jeito quase documental de “Os Respigadores e a Respigadora” é brindado pela maneira leve que ela tem de brincar com fatos, e com a própria câmera. Como se estivesse ali descobrindo não só histórias, mas também o uso da câmera, seus efeitos, suas cores – e apresentando tudo isso para quem assiste aquela experiência. Muito interessante os momentos em que ela se filma: penteando os cabelos, depois a imagem da própria mão e enfim a brincadeira com relógio re-aproveitado.

Dessa forma ela vai entrelaçando os fios desse quase embate, mostrando personagens que não são exatamente personagens, e que nos fazem sentir que estão contando para nós (e não para uma câmera) suas descobertas. Como se eu tivesse a oportunidade de conhecer aquelas pessoas e compartilhar de suas experiências, num momento descontraído.

Quase parece um filme caseiro, uma câmera na mão e uma expectadora curiosa e profundamente observadora. E de certa forma, é. Mas a junção de outros elementos que compõe o filme, nos faz perceber a profundidade do trabalho que foi realizado. Essa característica da “expectadora curiosa e observadora”, é levada aos seus projetos, como uma marca mesmo do seu trabalho. Já no seu primeiro trabalho (La Pointe-courte, 1956), ela demonstra isso, mesmo que a linguagem utilizada seja diferente (há ficção, personagens criados).

Existe um constante diálogo com a câmera nos trabalhos de Varda, uma ligação forte em seus filmes. Em Lions Love (1969), o “ensaio” com o documentário acontece mais uma vez, mas através de mais uma ficção. Agnès Varda gosta de trabalhar com documentários, mas claro, � sua maneira própria e característica: eles normalmente são documentários que não parecem exatamente documentários. E paralelo a isso, trabalha com suas ficções, caminhando com tranqüilidade pelos gêneros, como comédias, dramas e até fantasia. É interessante o costume que ela conserva de fazer parte de seus filmes de alguma maneira, de aparecer na tela mesmo em alguns deles.

Da mesma geração de Godard, Agnes Varda chegaram a trabalhar juntos em Loin du Vietnam (1967), onde alguns cineastas (como Joris Ivens, William Klein, Claude Lelouch, Chris Marker e Alain Resnais) juntaram-se na realização deste documentário quase político, onde apóiam o exército Vietnamita durante a tão falada Guerra do Vietnã.

Vencedora de pelo menos 23 prêmios em festivais respeitados de cinema, Agnès Varda continua dirigindo filmes, sendo uma cineasta ativa. Aliás, não só dirigindo, como produzindo, escrevendo, editando e atuando!

10 Road Movies

Publicado em: 25-10-2007 @ 2:07 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Viajar é sempre bom. É emocionante a ida a um território desconhecido. Claro que você, mesmo estando em sua própria cidade, também está sujeito a eventos totalmente desconhecidos - a vida é cheia de surpresas -, mas ter a oportunidade de mudar de ares é sempre uma sensação das mais agradáveis e excitantes.

Tendo em vista a minha ida recente para São Paulo e o fato de eu ter visto o road movie “Transamérica” por lá, pensei em enumerar dez filmes do gênero. O road movie é aquele tipo de filme que deixa a gente ansioso para chegar ao destino, ao mesmo tempo que nos dá tempo para curtir a paisagem. Na verdade, a viagem é tão ou mais importante que o destino. Então, como forma de celebrar as viagens, segue uma lista de dez road movies. Não necessariamente os melhores, mais os que mais rapidamente me vieram cabeça.

1. HISTÓRIA REAL (The Straight Story). Um filme atípico na filmografia de David Lynch, ainda que muito de sua marca esteja presente nessa história de um velhinho que parte numa longa viagem em cima de um cortador de grama. Ele atravessa várias cidades devagarinho, nesse “meio de transporte” com o objetivo de ver o seu irmão, que estava muito doente. Ele tem suas próprias razões para querer viajar em cima de um cortador de grama, em vez de um meio de transporte mais rápido. Pra que razão melhor do que ver aquele céu estrelado? Curiosamente, o veterano Richard Farnsworth, o protagonista do filme, cometeu suicídio poucos meses depois do filme, aos 80 anos de idade. Farnsworth foi indicado a dois Oscars, sendo que um deles por “História Real”.

2. O ESTRANHO CAMINHO DE SÃO TIAGO / A VIA LÁCTEA (La Voie Lactée). O genial Luis Buñuel conta a história de dois vagabundos saindo de Paris e seguindo o caminho de Santiago de Compostella, na Espanha. Ao mesmo tempo que mostra o percurso dos dois, Buñuel nos apresenta o que ele e Jean-Claude Carrière consideravam as seis maiores heresias. Os dois fizeram uma intensa pesquisa e fizeram um filme bastante polêmico e considerado ofensivo pelos católicos mais radicais.

3. E SUA MÃE TAMBÉM (Y Tu Mamá También). Talvez um dos filmes em que a gente mais sente a alegria de viajar. Talvez porque seus protagonistas são muito jovens e cheios de vida. No México, dois rapazes e uma mulher mais velha que eles partem numa viagem pelo interior do país. No caminho, eles aprendem muito sobre sexo, amizade e a valorização de cada momento da vida, como se fosse o último. Belíssimo e sensual trabalho de Alfonso Cuarón.

4. SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS (Sideways). Diferente dos jovens do filme de Cuarón, os protagonistas de “Sideways” já se aproximam da meia-idade e a vida já lhes trouxe muitas amarguras e decepções. Talvez por isso que o personagem de Paul Giamatti não consegue sentir se entusiasmar tanto com essa viagem. Para ele, o principal objetivo da viagem vai ser mesmo conhecer as principais rotas de vinho da Califórnia. Mas, para sua sorte, a amizade, o retorno da auto-estima e as mulheres estarão pelo caminho.

5. FLORES PARTIDAS (Broken Flowers). Assim como o personagem de Giamatti, o personagem de Bill Murray nesse filme é um homem anestesiado e que já perdeu o gosto pela vida. Até o dia em que ele recebe uma carta anônima que lhe avisa de um filho adolescente, do qual ele não sabia da existência. Auxiliado por seu vizinho e amigo, ele faz uma viagem em busca da mãe de seu filho. O final é belíssimo.

6. CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS. Um dos melhores filmes dos últimos anos do cinema brasileiro, essa pérola dirigida pelo pernambucano Marcelo Gomes é uma das mais inspiradas odes sobre a amizade já realizadas. Grande sacada colocar como um dos protagonistas um estrangeiro. É assim como nos sentimos naquele lugar devastado pela fome e pela miséria, mas que pelo menos não cai bombas do céu. Poucos filmes me deram tanto prazer nesse ano de 2006.

7. ONDE ANDA VOCÊ?. Já que estamos falando de filme brasileiro, lembro desse título tão mal recebido pela crítica e pelo público, mas que me proporcionou momentos de muita alegria. Na trama, um comediante decadente realiza uma viagem em busca de um comediante lendário que mora numa terra distante do Nordeste brasileiro. Vale tudo para alcançar a felicidade perdida. Adoro o tom agridoce desse filme. Dirigido por Sérgio Rezende, que voltou s telas com “Zuzu Angel”.

8. DIÁRIOS DE MOTOCICLETA (Diarios de Motocicleta / The Motorcycle Diaries). Projeto bem mais ambicioso dirigido por um cineasta brasileiro é essa cinebiografia de parte da juventude de Che Guevara, quando ele saiu de motocicleta com um amigo para conhecer a América do Sul. Este é o exemplo clássico de road movie que mostra o quanto uma viagem pode interferir na vida de uma pessoa e modificá-la para sempre.

9. THELMA & LOUISE. Já entrando no território misto de road movie com filmes de fuga, um dos exemplos mais acabados da filmografia de Ridley Scott é “Thelma & Louise”. O que acontece quando duas mulheres saem em busca da liberdade que há tanto tempo lhes foi negada? Na história, uma dona de casa e uma garçonete fogem de suas vidas e de seus maridos num Thunderbird. A viagem das duas vai ser no mínimo explosiva.

10. TRÊS ENTERROS (The Three Burials of Melquiades Estrada). A viagem não é nada agradável, principalmente para o homem que matou acidentalmente Melquiades Estrada. Para ele, essa viagem é como uma purgação pelos seus pecados. No meio do caminho, o deserto que castiga o corpo, cobras venenosas, a pobreza do México e um velho cego que pede para que uma alma caridosa lhe faça o favor de ceifar a sua vida miserável. Excelente estréia na direção de Tommy Lee Jones.

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