É inquestionável o poderio econômico e social que os Estados Unidos exercem sob os demais país da América. Não é a toa que são o país considerado com o melhor índice de desenvolvimento, mas é revoltante ver a idéia de exclusão tida por eles em relação ao resto da América. Nunca fui desses radicalistas e nem pretendo ser, e, por sinal, admiro muita coisa da cultura americana (sim, assumo, e podem me criticar), mas, visto de camarote, é clara a impressão que eles têm de que são o topo do mundo, o grande centro econômico e o resto dos países americanos não passam de florestas, lares de índios, pólos de contrabandos e tráficos de drogas, etc. Não é nóia minha, pois o cinema está aí para provar.
Vou começar com um exemplo bem exagerado: o filme “Bem-Vindo Selva”, em que The Rock interpreta um caçador de recompensas que vai procura do filho de um magnata (vivido por Seann William Scott). Adivinhem onde é a tal Selva do título? Na Floresta Amazônica. No filme, o Brasil é retratado como uma grande represa onde um gringo (vivido por Christopher Walken) se aproveita da mão de obra barata e usa dos brasileiros como verdadeiros escravos, e o pior de tudo: os brasileiros não se mostram nem um pouco descontentes com isso e ainda agem como capangas do gringo, protegendo-o. Sem falar na linguagem castelhana horrivelmente forçada falada pelos “brasileiros” do filme, tentando enganar a todos que aquilo é português. Para nós, é ridículo (chegando até a ser cômico), mas para eles, tanto faz, afinal, português, castelhano, tudo é a mesma porcaria.
E esse lance de colocar atores falando em espanhol ou castelhano para enganar que são brasileiros falando em português não é novidade, e os exemplos são muitos. Usando um filme de grande conhecimento do público: quem lembra daquela cena de “Sinais”, em que os protagonistas assistem a um telejornal e lá estão informando que os ETs invadiram o Brasil, jogando para uma imagem de criancinhas apontando para um beco e gritando um “ali atrás” que nem aqui nem na China é português?
O filme “Mr.Magoo”, estrelado por Leslie Nielsen, também tem boa parte da trama centrada no Brasil (que, na verdade, sabemos que ali não é o Brasil). Para variar, o que é mostrado é um monte de mato, além de uma seqüência curiosa em que o velhinho ruim de vista, “Mr.Magoo”, conversa com um babuíno. Desde quando existem babuínos, uma espécie tipicamente africana, aqui no Brasil? Enfim, para eles, somos tudo índios ou animais, não é?
E olhem que até agora só citei o Brasil como alvo da exclusão social estadunidense. Já fizeram a conta de em quantos filmes policiais o vilão é um grande traficante de drogas colombiano, ou um contrabandista paraguaio? Já virou foi tradição remeter a imagem desses países a coisas negativas. Até parece que nos EUA só existem santos! O mais recente exemplo é o recém estreado “Miami Vice”, em que a dupla de tiras protagonistas viaja até esses países para se infiltrar numa gangue que fazem adivinhem o que? Um doce para quem adivinhar. Sem falar na exagerada imagem de subúrbio mostrada no filme, como se os países fossem apenas aquilo.
Não gosto de generalizações, e sei muito bem que não são todos os dos Estados Unidos que enxergam o resto do mundo com esses olhos, mas, pelo menos no mundo do cinema, é lamentável o que se tem visto. Nós pelo menos temos orgulho de nossa cultura, e apesar de não sermos tão desenvolvidos economicamente, prezamos por nossa valorização.




Quem nunca ouviu algum personagem de filme dizer: “Veja, o DNA da criatura está se multiplicando!”? Esses comentários são bastante comuns em filmes de ficção científica, nos quais, além do DNA, os cientistas conseguem observar vírus ou aquelas bactérias (que têm cara de protozoários) em simples microscópios ópticos (aliás, tudo nos filmes parece se resolver com um microscópio), o que, até o presente momento, é simplesmente impossível. Como pôde o Superman ter tido um filho com Louis Lane se ambos pertencem a espécies diferentes? (Será que o roteirista nunca ouviu falar em incompatibilidade genética?). Como a tartaruga de “Procurando Nemo” permanecia em uma corrente oceânica por horas sem subir para respirar? Sendo biólogo e cinéfilo, não poderia deixar de comentar esses impropérios biológicos tão comuns em Hollywood, tendo em vista a enorme ascensão da biologia dentro do nosso contexto atual, e que certamente representou para o cinema uma fonte inesgotável de idéias.
Existem dois extremos: o público dos “filmes de arte” que rejeita os gêneros mais populares e o público leigo que rejeita o “cinema de arte”. Coloco as aspas nesses termos porque eu também considero o cinema de gênero uma forma de cinema de arte. 















