
Jornalismo e cinema estão muito mais próximos do que sempre se imagina. Os dois são maneiras diferentes de se contar histórias, um para entretenimento e outro para informação. Mas por vezes cinema já significou informação (muitas vezes, diga-se de passagem) e jornalismo significou entretenimento. Os dois andam juntos no que se chama de mídia, mesmo que pareçam diferentes. É só ver quantos jornalistas se mostram interessados no assunto, quantos deles acabam fazendo os próprios filmes e por aí vai. Para quem quer estuda jornalismo e adora cinema, não pode existir caminho melhor.
Vejamos o exemplo do melhor filme de todos os tempos, segundo quase todas, senão todas, as listas do mundo. “Cidadão Kane” conta a história justamente de um homem que constrói o seu império informacional nos primórdios do jornalismo impresso. Charles Foster Kane fica tão obcecado com a nova mídia, que ele e seu conglomerado da comunicação parecem se fundir em um só. Ele mesmo cita no filme que as pessoas vão ler o que ele decidir, só vira notícia aquilo que ele escolhe o que é notícia. “Cidadão Kane” pode ter sido inspirado na história real de William Randolph Hearst, barão da comunicação do início dos jornais nos Estados Unidos, tão importante quanto Joseph Pulitzer, que era concorrente de Hearst e depois emprestou seu nome para o famoso prêmio.
Grandes nomes do jornalismo apareceram figurando no cinema. Um deles é Edward R. Murrow, que foi pioneiro no jornalismo do rádio, ainda na cobertura da Segunda Guerra Mundial, transmitindo direto dos telhados de Londres. Porém ficou famoso mesmo anos depois, na televisão, quando deu vida ao que hoje conhecemos como âncora de um telejornal. Sua história contra a caça às bruxas promovida pelo senador americano Joseph McCarthy no início da Guerra Fria ficou tão emblemática que foi estampada com brilhantismo por George Clooney no filme “Boa Noite e Boa Sorte“, frase com que ele terminava suas apresentações.
Truman Capote esteve presente em várias ocasiões no cinema, seja na adaptação de seus livros (Bonequinha de Luxo), seja na sua própria biografia (Capote). Mas a história do filme “A Sangue Frio“, representada também em “Capote“, chama a atenção por retratar a história real do assassinato de 4 pessoas da mesma família no Kansas. Truman Capote leu a história no New York Times e saiu a investigar por conta própria a história dos assassinos, que não levaram mais do que 43 dólares das vítimas. O fato foi parar no livro A Sangue Frio, adaptado para o cinema e a pesquisa de Truman Capote foi parar em sua cinebiografia. Com essa história, Truman Capote acabou entrando para o hall dos escritores que compõem o chamado Jornalismo Literário.
E mais episódios importantes também ganharam vida, como a investigação feita por dois repórteres do Washington Post, que descobriu espionagens envolvendo a Casa Branca, no escândalo que ficou conhecido como Watergate, no filme “Todos os Homens do Presidente“. E o caso Anna Wintour, editora de moda da Vogue America, que inspirou o eixo central de “O Diabo Veste Prada“. Enfim, cada vez mais fatos reais e ficção se entrelaçam, dando origens a novas e bem contadas histórias. Nada melhor do que o jornalismo para dar a informação completa dos fatos (ainda que de maneira tendenciosa) e nada como o cinema pra dar melhor visualização e discussão dos casos.