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Espaço Unibanco reformado exibe o premiado “Cine Zé Sozinho” e o documentário “Cartola”

Publicado em: 01-07-2007 @ 8:08 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Maíra Suspiro

Na noite de segunda-feira (25), as salas de exibição do Unibanco, localizadas no Centro Cultural Dragão do Mar, na cidade de Fortaleza (CE), foram re-inauguradas. Com poltronas mais confortáveis e mais espaço, além de ganharem salas reformadas, o cinema ganhou a projeção digital, via satélite.

Graças a esse novo recurso, foi possível a exibição do documentário “Cartola”, que não existe mais em rolos, impossibilitando o uso das convencionais películas, explicou Ademar de Oliveira, diretor nacional do Espaço Unibanco. Ele falou ainda que uma nova política está em vigor. A intenção é trazer uma maior diversidade de filmes, desde clássicos, documentários e infantis. Existe ainda a possibilidade de se trazer a Fortaleza o cineasta Walter Salles para fazer o lançamento de seu novo filme, “Linha de Passe”.

Além das novidades e da exibição do longa “Cartola”, houve ainda a exibição do premiado curta-metragem “Cine Zé Sozinho”, do cearense Adriano Lima.

O Boêmio da Primavera

cartola_1.jpgAngenor de Oliveira. Nome desconhecido, talvez. Quem sabe se refrescarmos a memória de vocês dizendo que esse nome é de um grande compositor, cantor e poeta brasileiro, uma luz se acenda no fim do túnel. Mas, se é pra ser unânime, basta revelar o apelido dessa figura popular de extrema importância para a cultura brasileira.

O nome de guerra (ou seria de samba?): Cartola. Sambista criador e participante da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, compôs, sozinho ou com parceiros, mais de quinhentas canções. Como exemplo, temos “As Rosas Não Falam”, “Alvorada”, “O Mundo é um Moinho” (favorita de Drummond de Andrade), “Tive Sim” e “O Sol Nascerá”. Sua produção musical foi marcada pelo alto nível de elaboração e uma carga poética intensa.

Seu apelido veio dos tempos em que trabalhou como pedreiro. Por ser muito vaidoso, se aborrecia constantemente quando o cimento sujava seus cabelos. Para solucionar o pequeno problema, passou a usar sempre um chapéu para proteger os cabelos do cimento, ocasionando o apelido dado pelos colegas. E essa é uma história que não agradava muito ao grande poeta. Ele detestava ter que explicar o nome artístico.

O apelido virou também nome do documentário feito em sua homenagem. Lírio Ferreira e Hilton Lacerda assinam a direção da produção que relembra a história desse artista do subúrbio, através de depoimentos, fotografias antigas, trechos de momentos gloriosos, como o desfile de carnaval e as apresentações de Cartola com amigos ilustres, como Chico Buarque e Beth Carvalho.

O documentário segue um ritmo entrecortado que chega a ser incômodo em determinados momentos. A montagem pode não agradar a todos, mas chega a ser compensada pelas imagens nostálgicas e pelas músicas memoráveis que são cantadas. Vale a pena ser visto pelo material que conseguiu reunir, apesar de não ter sido compartilhado de forma envolvente. As palavras dos amigos, familiares e companheiros de samba tornam íntima a imagem daquele boêmio-trabalhador que teve reconhecimento tardio.

Certamente, após “Cartola” podemos ter noção do grande artista que Angenor foi. Sua vida de altos e baixos é tratada de forma sensível pelos diretores, principalmente através das nuances experimentais que o documentário mostra em certos momentos. Os depoimentos riquíssimos e os encontros com os companheiros músicos são essenciais nesse ponto.

Como Nelson Sargento uma vez disse, “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”. Um sonho que nasceu e despediu-se em um domingo de primavera.

Você pode conferir alguns vídeos de Cartola nos links abaixo:

Encontro de Cartola com o pai e canta “A Vida É Um Moinho”
http://www.youtube.com/watch?v=HFQoOVokKkE

Cartola canta “Peito Vazio”
http://br.youtube.com/watch?v=53-rCftBn0w&mode=related&search=

Cartola canta “Tive, Sim”
http://www.youtube.com/watch?v=SoC8PYMHA54&mode=related&search=

Trechos do documentário “Cartola”
http://br.youtube.com/watch?v=xlMRgr6vxLg&mode=related&search=

Cine Zé Sozinho

Vencedor na categoria de “Melhor Documentário”, tanto no 30o Festival Guarnicê de Cinema do Maranhão quanto no 11 o FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul, o documentário “Cine Zé Sozinho” teve sua estréia na capital cearense na noite do dia 25. A exibição contou com a presença do próprio Zé Sozinho, que recebeu a Menção Honrosa ao personagem no 30 o Guarnicê e ainda disse: “Cinema é cultura e diversão. E aquele que não gosta de cinema não é brasileiro”.

O curta-metragem de 16 minutos traz a história de um personagem carismático e apaixonado pela Sétima Arte. Estamos falando do Seu Zé Sozinho, menos conhecido como José Raimundo Cavalcante. Pernambucano de Pajeú das Flores, ele foi criado em Caririaçu, no sul do Ceará. Até aí, nada de mais na sua história, até ele completar 12 anos e fugir de casa, rumo a Fortaleza, onde descobre sua paixão pelo cinema.

Acontece que essa paixão não é igual � quela que muita gente descobriu indo � s salas de cinema no fim de semana ou colecionando DVDs em casa. A paixão de Zé Sozinho vai bem mais além, influenciando toda a sua vida e a das pessoas que conviviam ao seu redor.

Após trabalhar varrendo salas de exibição, tentando conseguir ver filmes de graça e alguma refeição, ele volta a Caririaçu e passa a exibir filmes no Círculo Operário, utilizando um projetor de 16mm. Esse homem que aparece com tanta boa-vontade e humildade na película dedicou a vida a levar o cinema aos lugares mais improváveis, como o interior cearense.

A produção traz depoimentos tanto de Seu Zé quanto de sua família, assim como de pessoas que conheceram o cinema através do esforço de Zé Sozinho. É interessante ver a reação das pessoas falando de clássicos do cinema antigo, desde Bruce Lee até “Jesus Cristo”.

“Cine Zé Sozinho” é o primeiro trabalho de Adriano Lima como diretor, e quem conhece seu trabalho pode perceber alguma semelhança entre ele e a pessoa de Seu Zé, explicando até o motivo pelo qual ele decidiu fazer esse projeto. Adriano é o realizador do Curta Canoa, Festival Latino Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada. O festival é famoso por fazer a exibição dos curtas selecionados ao ar livre, aberto ao público e habitantes do local, proporcionando uma sensação semelhante � que o protagonista do curta promoveu.

Adriano teve o primeiro contato com Zé Sozinho durante o 13o Cine Ceará, quando o festival homenageou o seu trabalho. Desde então, Adriano sempre pensou na possibilidade de registrar a vida e o trabalho daquela figura dedicada no meio em que ele mais adorava: o cinema.

O resultado foi um curta-metragem carismático só por ter o personagem principal que tem. Com depoimentos sinceros que repassam a história de Zé Sozinho, a forma escolhida é o jeito como ele mesmo é: bem humorado e objetivo. Apesar dos tempos acelerados e da trilha sonora que se perde em algumas montagens, “Cine Zé Sozinho” deve ser visto, pois é um registro de cultura mais que merecido. Arrisco ainda dizendo que apesar de se diferenciarem em gênero, produção e estilo, “Cine Zé Sozinho” e o clássico “Cinema Paradiso” andam juntos, lado a lado, guiados pela vontade de homenagear o Cinema.

Preço nos Cinemas

Publicado em: 26-06-2007 @ 10:49 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jonas Maciel

Como a maioria dos cinéfilos, assisti com certa indignação ao aumento do preço dos ingressos nos últimos anos. Logo, fomos forçados a buscar horários promocionais para continuarmos a ver filmes com uma freqüência ao menos semelhante a que costumávamos ter. Mesmo quem não vai ao cinema freqüentemente tem reclamado do preço dos cinemas. Se levarmos em consideração que grande partes dos espectadores não são estudantes, percebemos que um casal, no fim-de-semana, pode pagar até 36 reais só pelas entradas. Caso ele resolva comprar um lanche, que também não é barato, a diversão pode sair por cerca de 50 reais.


Os cinemas enchem os bolsos de dinheiro ou é exagero nosso?

Olhando os meus ingressos de 7 anos atrás, percebo que era possível encontrar ingressos a 4 reais, a inteira, durante a semana. Os tíquetes, no final de semana, não passavam de 10 reais. Hoje as únicas salas que mantém preços semelhantes são aquelas dos cinemas de rua. Além desses cinemas, existem algumas exibidoras que fazem dias promocionais, onde o preço do ingresso diminui em quase 50%, mas não passa disso. E outra, nem todo mundo pode ir ao cinema s segundas-feiras, por exemplo. E aí?

Se avaliarmos, constataremos que o preço do tíquete aumentou cerca de 100% nos últimos anos. Nesse período, foram inaugurados vários complexos de salas pelo Brasil, que mantêm a mesma estrutura de suas aberturas. Alguns deles sofreram algumas reformas perdidas nesse período. Algumas salas têm sons ruins, outras problemas estruturais. É certo que os equipamentos de projeção são caros e frágeis, todavia não justifica tal aumento.

Pode ser que, lendo esse texto, as empresas responsáveis pelas salas de algumas cidades enviem notas esclarecendo tais aumentos, no entanto pergunto: por que não fizeram isso antes? Como consumidores, temos o direito de questionar o motivo desses aumentos. Lembro, por último, que próximos das férias escolares, com várias estréias agendadas, nessa época, os cinemas aproveitam para subir os preços dos ingressos. E agora?

Homenagem a Humphrey Bogart¹

Publicado em: 26-06-2007 @ 3:53 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Beatriz Saldanha

“We live in an age of mediocrity. Stars today are not the same stature as Bogie, James Cagney, Spencer Tracy, Henry Fonda and Jimmy Stewart” (Lauren Bacall)

Há 50 anos, Humphrey Bogart morreu em conseqüência de um câncer na garganta, vitimado pelo cigarro. Apesar desta inevitável sensação da perda daquele que foi um entre os grandes astros do cinema americano, Bogie deixou um precioso legado: seus filmes. Entre eles, estão A Floresta Petrificada, Anjos de Cara Suja, Vitória Amarga, O Último Refúgio, O Falcão Maltês: Relíquia Macabra, Casablanca, Uma Aventura na Martinica, Passagem Para Marselha, À Beira do Abismo, Prisioneiro do Passado, O Tesouro de Sierra Madre, Paixões em Fúria, Uma Aventura na África, Sabrina, Horas de Desespero. Bogart dividiu sua carreira com grandes diretores, como Raoul Walsh, Howard Hawks, Michael Curtiz, John Huston, Billy Wilder, William Wyler, entre outros. Trabalhou com outros grandes atores e atrizes. Aliás, de suas quatro esposas, três eram atrizes. Entre elas, Lauren Bacall, com quem compartilhou seus últimos anos. Como cinéfila, é inegável a minha paixão pelo cinema clássico, então torço para que agrade aos leitores do CCR lerem, quinzenalmente, um texto sobre o assunto. Prometo não ficar limitada e discutir os mais variados aspectos desta era do cinema. De forma alguma intenciono dar � minha coluna um aspecto nostálgico. Para começar, cumpri com minha vontade de homenagear Humphrey Bogart em seu qüinquagésimo ano de morte, comentando dez de seus filmes em uma coluna dividida em duas partes. Boa leitura.

A FLORESTA PETRIFICADA (COMPRE O FILME)
(The Petrified Forest, 1936. De Archie Mayo. Com Leslie Howard, Bette Davis, Dick Foran, Charley Grapewin)

A Floresta Petrificada - Howard e Bogart

O deserto é um cenário incomum para um filme de gângster, mas é onde se concentram as ações de A Floresta Petrificada. Um escritor andarilho (Howard) encontra um pequeno restaurante onde aproveita para descansar e acaba se deparando com algo surpreendente: um velho orgulhoso de ter levado um tiro de Billy the Kid e uma jovem leitora de poesia francesa (Davis). Excêntrico e incrédulo nas questões sentimentais, aceita com relutância o fato de se apaixonar pela moça, até que chega ao restaurante o temido criminoso Duke Mantee (Bogart), que lhe ajudará � sua maneira a promover seu sacrifício sentimental. Howard e Bogart haviam protagonizado esta história no teatro, e Howard impôs ao estúdio que o colega repetisse na produção o papel do gângster. Foi a oportunidade para Bogie escapar dos dramas e comédias meia-boca que lhe ofereciam, além de ter despertado o estúdio para uma característica que marcaria sua carreira: sua vocação para o vilanismo. Bogart faria novamente o papel de Duke Mantee em 1955, em seu único trabalho para a televisão. Contracenariam com ele Henry Fonda e Lauren Bacall.

ANJOS DE CARA SUJA (COMPRE O FILME)
(Angels with Dirty Faces, 1938. De Michael Curtiz. Com James Cagney, Pat O’Brien, Ann Sheridan, George Bancroft, ‘The Dead End Kids’)

Anjos de Cara Suja - Bogart e Cagney

Dois meninos são pegos roubando um trem de carga. Na fuga, um deles consegue pular a cerca que dá acesso ao seu esconderijo e fugir da polícia; o outro não. Este simples fato influi no destino de ambos: Rocky Sullivan (Cagney), o garoto que não conseguiu escapar, torna-se um gângster temido; seu colega, Jerry Connelly (O’Brien), vira padre. Ao fim de uma de suas diversas passagens pelo presídio, Rocky parte em busca de Jim Frazier (Bogart), um advogado ardiloso que lhe passou a perna; e acaba conhecendo e se envolvendo com um grupo de jovens delinqüentes como ele fora um dia. Anjos de Cara Suja foi uma das vítimas da Legião da Decência, um órgão católico que tratava de censurar os filmes (principalmente os de gângsteres). Isso gerou toda uma nova onda de filmes do gênero, que passaram a mostrar a origem desses criminosos, o que os motivou a serem quem são; além de um final obrigatoriamente moralista, contornado com sabedoria por alguns cineastas (é o caso de Curtiz). Bogie, que mais uma vez interpreta um homem inescrupuloso, era na época apenas um ator contratado da Warner e estrelou em seguida uma série de filmes do mesmo modelo.

O ÚLTIMO REFÚGIO (COMPRE O FILME)
(High Sierra, 1941. De Raoul Walsh. Com Ida Lupino, Alan Curtis, Arthur Kennedy, Joan Leslie)

O Último Refugio - Ida Lupino e Bogart

Roy Earle (Bogart), um articulado criminoso, é liberado da prisão em troca de um favor: liderar um grande assalto a um hotel fino. Junto do bando que o acompanhará está Marie (Lupino), uma mulher de história não muito digna, mas que se mostra dedicada e interessada em Roy. Por sua vez, ele se apaixona por outra moça (Leslie, então com 16 anos incompletos), uma jovem que conhece na estrada em uma de suas andanças. Este é um dos últimos exemplares do filme de gângster, que dominou o cinema de Hollywood na década de 30. Bogart, que estava exausto de incorporar personagens menores, lutou para fisgar o papel de Roy ‘Cão Doido’ Earle, um criminoso astuto, mas sentimental. Com este papel, Bogie pôde destacar-se e entrar para a chamada “Fila de Assassinos”, da qual faziam parte ninguém menos do que Edward G. Robinson, James Cagney, George Raft e Paul Muni, os maiores foras-da-lei da História do cinema americano. O Último Refúgio foi o filme que apresentou Bogie a John Huston, co-roteirista e futuro diretor, com quem manteria uma parceria frutífera. Além disso, o filme foi para Bogart a razão de seu reencontro com a magnífica atriz Ida Lupino e o realizador Raoul Walsh, com quem houvera trabalhado em Dentro da Noite (1940). Lupino, futuramente, se destacaria também na carreira de diretora. Nostálgico, O Último Refúgio lamenta o fim do gênero, mas abre alas para a estética que dominaria o cinema de Hollywood nos anos 40: a estética do noir.

O FALCÃO MALTÊS: RELÍQUIA MACABRA (COMPRE O FILME)
(The Maltese Falcon, 1941. De John Huston. Com Mary Astor, Gladys George, Peter Lorre, Sydney Greenstreet, Elisha Cook Jr.)

O Falcão Maltês - Relíquia Macabra - Bbogart

Em 1539, o rei da Espanha foi presenteado pelos Templários de Malta com um imponente falcão de ouro maciço, incrustado de pedras preciosas. Atacado por piratas, o rei teve o seu suntuoso objeto roubado, sem jamais conseguir notícias de seu paradeiro. 400 anos depois, o detetive Sam Spade (Bogart) é contratado por uma jovem (Astor) para que encontre sua irmã, mas logo percebe tratar-se de um blefe. A mocinha, aparentemente inocente, faz parte de um grupo de pessoas dispostas a arriscar suas vidas em busca do falcão maltês. Interessado em livrar-se da culpa por dois assassinatos que acredita ter ligação com o caso, Spade resolve observar de perto a procura pela estatueta e conhece os limites da ganância humana. O romance O Falcão Maltês, de Dashiell Hammett, havia sido adaptado para o cinema duas vezes: em 1931 e 1936, mas fracassaram. Em sua estréia como diretor, Huston criou o filme com o qual todos os filmes de detetive seriam comparados. Além disso, com uma história de crime e ambição, personagens peculiares e astutos, e uma estética sombria influenciada pelo Expressionismo Alemão, Huston criou aquele que é considerado o primeiro filme noir da História do cinema. O Falcão Maltês: Relíquia Macabra definiu a carreira de Bogart. Traçou sua imagem de ator de face expressiva, para a qual apenas olhando podemos saber seus pensamentos. E, como sabiamente professaria Norma Desmond, um ator é, antes de tudo, um rosto.

CASABLANCA (COMPRE O FILME)
(Casablanca, 1942. De Michael Curtiz. Com Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre)

Casablanca - Bogart e Bergman

Após viver um passado tenebroso, Rick, um norte-americano, consegue estabelecer-se como proprietário de um bar em Casablanca, no Marrocos francês. O país está prestes a ser invadido pelo exército nazista e a cidade torna-se uma espécie de estada para aqueles refugiados políticos que querem viajar a Portugal e, de lá, tomar um navio rumo aos Estados Unidos. Porém, os vistos estão cada vez mais raros e um importante líder da resistência tem seu destino confiado a Rick, um caso de amor mal-resolvido de sua esposa. Talvez seja duro acreditar, mas Casablanca tinha tudo para não dar certo. Era apenas mais uma produção, e a equipe estava estranhamente dispersa. O roteiro, baseado na peça “Everybody Comes To Rick’s”, era escrito em cima da hora; a maior preocupação de Ingrid Bergman era se teria de cortar o cabelo para o seu próximo trabalho, Por Quem os Sinos Dobram (1943), com Gary Cooper; implicavam com “As Time Goes By” por achá-la inadequada etc. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, este tornou-se o tópico preferido do cinema. Apesar da grande quantidade de filmes desta temática, Casablanca se sobressaiu, levando os principais prêmios no Oscar de 1944: melhor filme, melhor direção e melhor roteiro. Lançado há 65 anos, freqüenta até hoje a lista dos dez melhores filmes americanos de todos os tempos. Além de uma história repleta de tensão e romance, da notável trilha sonora de Max Steiner, dos diálogos cínicos e inteligentes etc, um fator que colaborou para tamanho sucesso é incontestável: o elenco. Este foi quase que completamente feito de excelentes atores estrangeiros (o diretor Michael Curtiz, inclusive, era húngaro, e foi escalado pela Warner para ser um novo Lubitsh), com exceção do nova-iorquino Bogart. O que observamos é uma reunião de talentos em prol de Casablanca. O filme, por sua vez, retribuiu com a imortalidade que só o cinema pode oferecer, transformando Bergman e Bogart astros absolutos.

Continua…

Cinema de Autor

Publicado em: 26-06-2007 @ 3:10 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Igor Vieira

A idéia deste post surgiu em uma conversa de bar com o nosso amigo Raphael Santos. O assunto é um tanto polêmico para alguns. Há quem diga que, com a industrialização do cinema em Hollywood, o cinema autoral parou de existir. A influência do produtor é tanta que o filme acaba sendo mais dele do que do próprio diretor. Walter Salles utilizou essa justificativa para o fracasso de crítica de “Água Negra”, seu debute na indústria americana.


Volver: Cores e Mulheres de Almodóvar:
marca registrada do cineasta

Outros ainda afirmam que o roteirista e o editor são tão importantes no resultado final quanto o diretor das películas. Isso é fato, mas não podemos negar que em meio enxurrada de produções comerciais, cineastas de verdade resistem bravamente.

Podemos citar alguns tipos de autores. Existem aqueles que trabalham em sintonia com o resto da equipe e seus trabalhos podem ser reconhecidos facilmente. Estética, direção de atores, temáticas, tudo em uníssono, como uma espécie de marca registrada. Esse é o caso de nomes como Pedro Almodóvar e Martin Scorsese. O espanhol e o americano têm um estilo muito peculiar e mesmo quem não é muito fã reconhece fácil a sua assinatura. Quem se enquadra nessa categoria é o também americano Woody Allen. O excêntrico nova-iorquino construiu a carreira com um tipo de comédia só seu e mesmo quando foge regra produzindo dramas tensos como é o caso de “Match Point – Ponto Final” deixa escapar em alguns momentos as características que o tornaram famoso. Allen e Almodóvar se diferenciam aqui de Scorsese por escreverem seus próprios roteiros. Talvez por isso o diretor de “Os Infiltrados” mereça maiores créditos por conseguir manter uma unidade.


Eastwood em “Menina de Ouro”:
temática recorrente

Outro grupo de autores é daqueles que não imprimem uma marca visual a seus filmes, mas somente temática. Clint Eastwood conta histórias diferentes em suas fitas, mas não esconde a preferência por questões éticas e sempre com um olhar bondoso para aqueles que escolhem caminhos por vezes condenados pela opinião pública. Foi assim com “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro” e os dois mais recentes “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”. Mel Gibson também é adepto deste grupo, ao tratar da expiação dos pecados pela dor em seus três últimos projetos realizados no comando da direção.

Por fim, encontramos os que trabalham com estórias diferenciadas, temas divergentes, estética própria a cada nova incursão cinematográfica. Nem por isso, eles deixam de imprimir na tela sua ideologia e visão de mundo produzindo uma obra de arte que carrega uma autoria. Darren Aronofsky é, quem sabe, o maior expoente desse bando. Você consegue imaginar algum outro diretor realizando “Fonte da Vida”?


Quentin Tarantino: autor de
seus próprios filmes

Não podemos esquecer de Quentin Tarantino e Tim Burton, difíceis de classificação já que apresentam todas as características citadas. O que todos esses nomes têm em comum é a idéia de que um verdadeiro autor de cinema trabalha não só dirigindo câmeras e atores, mas passeia pelo mundo das idéias seja na forma ou conteúdo de seus filmes.

3 ANOS: Ò a Rapadura, pessoal!

Publicado em: 20-06-2007 @ 10:59 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Rapadura Team

Chegou a hora de apagar as velinhas, vamos cantar aquela musiquinha!”. Certo, parou, parou. Vamos falar sério. O Cinema Com Rapadura, o seu portal de Cinema, completa hoje 3 anos. É sim, os dentinhos já começam a aparecer e a rapadura já pode ser melhor degustada! Depois de muita alegria, muita trabalheira, muita experiência, o CCR chega a mais um ano completado, com muita raça e muito orgulho, viu?

Na verdade, essa notinha não é para apenas para lembrar que hoje é aniversário do CCR. Mais do que lembrete, essa nota é um obrigado e um parabéns a todos nós que fazemos parte da equipe desse grupo-rapadura, seja como usuário, seja como parceiro, seja como membro.

Desde a criação do portal, sempre prezamos por oferecer o melhor serviço de acesso a informação on-line no Brasil. E conseguimos! As fichas técnicas do CCR são as mais completas do país, sem limitação de imagens, cartazes, trailers, papéis de parede, críticas, etc. Sem contar o recurso inovador, criado por nós (como muitas outras seções de sucesso, como a espetacular Metamorfose), de visualização das fotos do elenco de cada filme, dentro da respectiva ficha técnica, além de um grande arquivo de personalidades, matérias especiais, podcasts, blog, seções interativas, entrevistas, perfis de usuários cadastrados (que já está sendo copiada por aí) e hot-sites especiais ÚNICOS no Brasil (depois que começamos a fazer hot-sites bem elaborados, todos agora querem fazer, mas nunca chegam perto do nível de informação que oferecemos). O mais recompensador é que, além do público, que diz que produzimos o melhor serviço, a IMPRENSA também diz. Somos acessados e prestamos serviços para as mais variadas mídias no país (rádio, tv e impresso), e normalmente aparecemos em grandes veículos como Folha de SP, Estadão, O Dia, A Tarde, Correio Brasiliense, Canal Brasil, Rede Globo, etc.

O Cinema Com Rapadura, mais do que um grande portal de cinema, é um grupo de pessoas unidas trabalhando por paixão � Sétima Arte. Aqui todo mundo torce pelo mesmo time, não interessa o estado, o país, cor, credo ou estado civil.

Se chegamos até aqui, chegamos porque contamos com o apoio de muita gente. Se a gente for citar todo mundo, a Redação do portal pára! Que fique então o muito obrigado a todos os Rapaduras que fizeram parte da equipe. Claro, não poderíamos deixar de unir nessa comemoração o jornal Diário do Nordeste, o UCI Multiplex (que segundo eles, nós somos o melhor parceiros deles), Espaço Z e as distribuidoras que apóiam o projeto do CCR desde o início (todas, sem exceção, são parceiras do portal). Além daqueles profissionais que quebraram o nosso galho nos momentos difíceis e nos defenderam quando preciso. E o mais importante: todos os usuários que nos visitam diariamente e trocam contatos conosco. A melhor parte do nosso trabalho é ter o retorno de vocês! Não tem presente melhor de aniversário que o apoio de quem faz a nossa força, seja através do portal, do RapaduraCast, do Blog, do quadro na TV ou da coluna no jornal.

Parabéns a todos os que colaboram e colaboraram de alguma forma para o crescimento do Cinema Com Rapadura. E que venha o quarto ano, cheio de amigos “visionários”!

Bons filmes ruins…

Publicado em: 18-06-2007 @ 2:36 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Thiago Sampaio

Você com certeza já ouviu falar em algum canto, pessoas afirmando que para o filme ter qualidade, ele precisa ter um roteiro inteligente, transmitir lições, possuir uma análise psicológica de detalhes interessantes. De certa forma, isso não deixa de ser verdade, porém quero que levante o dedo quem algum dia não se divertiu com algum filme cujo teor não passa de entretenimento gratuito. Creio que ninguém há de levantar.

Certamente os filmes inteligentes movem valores diversos, porém são muitos os casos em que estamos entediados e temos vontade de assistir algo totalmente sem compromisso apenas para desopilar do tédio e sem ocupar demasiadamente a cabeça com reflexões. Passar cerca de quase duas horas entretido com filmes de ação desenfreada, comédia pastelona daquelas cujas piadas beiram o ridículo, nem sempre é sinônimo de perca de tempo. Chamo isso de entretenimento de melhor qualidade!


Filmes que já enjoaram de passar na Sessão da Tarde como a infinita série “Loucademia de Polícia” (foto), os pirados viajantes do tempo “Bill & Ted”, as séries clássicas do pastelão como “Corra Que a Polícia Vem Aí”, “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, “Top Gang”, e a impagável dupla de imbecis “Debi & Lóide” são exemplos de produções que já sabemos as piadas de cor de tanto vermos repetidamente, mas, ainda assim, caímos nas gargalhadas. O mesmo acontece com aqueles inúmeros filmes de ação de Van Damme, Schwarzenegger, Stallone e cia., que muitos não passam de um festival de tiros, explosões, socos e chutes, são facilmente rotulados como “filmes ruins” pelos exigentes de plantão, mas volta e meia pegamos assistindo-os compenetradamente.

Sempre considerei os termos bom e ruim algo extremamente relativo e dependente, obviamente, do gosto de cada um, do momento, do local, do humor, e uma série de infinitos fatores. Por isso, rotular um filme ruim por não passar de um entretenimento gratuito nem sempre é o que há de mais plausível a se fazer. Comédias bobocas, filmes de ação sem cérebro, romances água-com-açúcar, podem até não serem incluídos na lista do chamado “Cinema de Primeira Linha”, mas, uma vez ou outra, não faz mal a ninguém e ainda proporciona ótimos momentos. Isso eu garanto!

COMPRE OS FILMES

- Loucademia de Polícia
- Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica
- Corra que a Polícia Vem Aí
- Top Gang: Ases Muito Loucos
- Top Gang 2!: A Missão

Cantoras ou Atrizes?

Publicado em: 18-06-2007 @ 2:21 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Diego Benevides

Loiras, morenas, ruivas, excêntricas e polêmicas. Além disso, será que elas seriam atrizes? Hum, não sei se já me entenderam, mas meu tema desta semana é sobre as cantorinhas que se jogam para fazer filmes (não necessariamente nessa mesma ordem) e acabam atraindo legiões de fãs que não estão preocupados com a qualidade do filme (ou da atuação), e sim em ver seu ídolo nas telonas. Há coisa melhor? Acho que sim.

Beyoncé KnowlesO mundo da música internacional é bastante disputado, principalmente quando se trata de pop music. Falo em pop porque a maioria das moças que falarei aqui se enquadra neste gênero, mas não descarto cantoras de outras tribos. Quando uma loirinha recebe um papel para estrelar no cinema, já alerta suas concorrentes para seguirem o mesmo destino para não ficarem atrás, sempre resultando em filmes nem sempre bons e olhe lá se puderem ser classificados como medianos.

A questão é: como e por que elas se engajam em projetos assim? Primeiro, porque atrai o público que gosta de suas músicas. Segundo, devido ânsia das próprias atrizes em aparecer e pichar seus nomes em outros projetos além do cenário musical, fazendo com que elas participem de tudo que sua fama pode lhes dar. Mas essa nem sempre é a melhor escolha. Vários exemplos podem ser vistos por aí nas locadoras. No caso da loirinha polêmica Britney Spears, seu filme “Crossroads – Amigas para Sempre” foi um verdadeiro fracasso de bilheteria e deixou a desejar, se incluindo na lista daqueles filmes que passam a tarde na tv. A moça pode agitar nas baladas, mas no cinema ela ainda precisa aprender muito.

Jennifer Love Hewitt, Beyoncé Knowles (foto), Mandy Moore, Jennifer Lopez, Madonna, Mariah Carey, Hillary Duff, Lindsay Lohan, Queen Latifah, Whitney Houston. Sem contar das outras que não sabe nem o que são… se são atrizes ou cantoras ou sei lá o quê; quando na verdade são apenas riquinhas mimadas querendo aparecer. Dessas moças citadas até saíram filmes legais como “Meninas Malvadas” (Lohan) e “Chicago” (Latifah), mas talvez o índice de fracasso seja maior. Não discordo que algumas delas (Lopez, Lohan, Latifah) tenham talento para assumir bons papéis nas telonas e, por isso, já conseguem desvincular seu interesse cinematográfico do ‘fazer por fazer’, mas acho desnecessário produzir algo por puro luxo e ser um fracasso como temos Glitter (de Carey). E até quando continuarem surgindo cantorinhas novas e mais fama e mais ambição, várias delas vão continuar atacando como atrizes sem ao menos ter talento para tal coisa. O público aceitará? Pior que sim. Se não por admiração, para criticá-las negativamente.


Nicole Kidman e Uma Thurman

Mas é isso mesmo. Enquanto esses rostinhos bonitos não brilham tanto nas telonas, temos verdadeiras atrizes que soltaram a voz e surpreenderam com o talento musical, e desculpem aos que me conhecem, vou puxar a bola de duas mulheres perfeitas: Nicole Kidman e Uma Thurman. Ao atuarem respectivamente em “Moulin Rouge” e “Os Produtores“, elas mostraram talento e voz para tal tarefa. Isso sim é ser atriz!

Qual cantora você acha que pode despontar como uma excelente atriz? Ou qual cantora que virou atriz, você acha que nunca deveria ter entrado no mundo dos cinemas?

Bons de briga, ruins de fama

Publicado em: 08-06-2007 @ 3:46 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Thiago Sampaio

Chuck Norris, Charles Bronson, Steven Seagal, Jean Claude Van-Damme, Sylvester Stallone… com certeza você já viu inúmeros filmes com esses nomes, sejam mofando no fundo de alguma locadora de vídeo e DVD, ou em algum “Domingo Maior” desses da vida. Atores marcados por se prenderem a um estilo cinematográfico e a ele se dedicar toda vida: os filmes de ação e, diga-se de passagem, daqueles de orçamento baixo. Nomes como esses são considerados por muitos verdadeiros “ícones”, mas que, paradoxalmente, tal rótulo de “ícones” é dado de uma forma irônica. Sim, são ídolos trash. Lutadores e/ou fisiculturistas que de repente descobriram que fazer filmes de porrada era uma fórmula lucrativa – ah, reparem que sequer o figurino precisa variar de um filme para outro!

Chuck Norris, Charles Bronson, Steven Seagal, Jean Claude Van-Damme, Sylvester Stallone

Porém há de lembrar que esses nomes foram umas raras exceções que deram certo nessa fórmula. E olhe lá o que vocês consideram dar certo! Todos tiveram seus momentos de auge. Qual o admirador de filmes de ação que nunca assistiu a “A Força em Alerta 1 e 2”, com Steven Seagal, ou “O Grande Dragão Branco”, com Van Damme? Mas há de lembrar que o mesmo Seagal atuou em filmes como “Hoje Você Morre”, e Van Damme em “O Agente Biológico”. Desses vocês se lembram? É, atualmente eles sobrevivem fazendo esses filmes de nomes toscos que chegam direto nas locadoras e com distribuição limitada. Stallone há anos anda colecionando fracassos na carreira e agora tenta apostar na ressurreição de seus maiores sucessos – as franquias “Rambo” e “Rocky” - para voltar aos holofotes. Charles Bronson, o primeiro a ator da história a cobrar um cachê que atingisse a marca de U$: 1 milhão, após ficar marcado por atuar nos cinco filmes da série “Desejo de Matar”, faleceu no ano de 2003 vítima de pneumonia e a doença de Alzheimer, e só depois de morto teve seu “talento” reconhecido ao ser lembrado pela Academia. Já Chuck Norris, coitado! Após ficar marcado por estrelar “clássicos” como as franquias “Braddock” e “Comando Delta”, hoje é mais lembrado pelas piadinhas que fazem a seu estereótipo do que pelos filmes em si. “Bruce Banner quando fica com raiva se transforma no Hulk; o Hulk quando fica com raiva se transforma no Chuck Norris!”. “Chuck Norris na verdade já morreu há dez anos, acontece que a Morte ainda não teve coragem de dizer isso para ele”. Tudo bem, tudo bem, vou parar!!

E olhe que estou falando dos nomes que deram certo nesse ramo de filmes de ação. Diversos nomes chegaram a aparecer como grandes promessas do ramo e chegaram até a conseguir um certo reconhecimento entre o público alvo, como são os casos de Dolph Lundgreen, Mark Dacascos, Lorenzo Lamas, Michael Paré, Louis Gossett Jr., Gary Busey, entre muitos outros, mas hoje não passam de nomes que recheiam as prateleiras daquelas locadoras de quinta categoria. Ah, não podemos esquecer de Patrick Swayze, que fora os sucessos que fez como o fantasminha apaixonado de “Ghost” e o professor de dança de “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, teve sua carreira marcada por muitos desses filmes de pancadaria gratuita, como “Matador de Aluguel” e “Black Dog – Estrada Alucinante”. Hoje, qualquer papel de coadjuvante em uma produção mediana pode ser considerado luxo para Swayze.

Fora esses, há inúmeros outros atores de filmes de ação que fizeram zilhões de filmes e até hoje não atingiram o devido reconhecimento. Posso citar nomes como Don “The Dragon” Wilson, Jeff Fahey, Mario Van Peebles, Frank Zagarino, Micheal Dudikoff (aquele mesmo de “American Ninja”, que tanto passa nas “Sessões da Tarde”), e mais uma lista interminável. Quer que eu cite grandes sucessos desses nomes? Desculpem, já é pedir demais.

O público alvo dos filmes estrelados por esses disparadores de socos e chutes de plantão pode até ser reduzido, mas, mesmo assim, há um público fiel apreciando a arte de seus trabalhos – mesmo que pelo status de trash. Para você que curte um bom filme de ação com muita pancadaria, vá até a locadora mais próxima do seu bairro, e quem sabe em meio aqueles montes de produções de orçamento reduzido com títulos toscos, você encontre algo de interessante. Uma coisa lhes garanto: há sim qualidade, e todos esses nomes citados possuem seu valor.

COMPRE ALGUNS CLÁSSICOS

- Comando Delta
- Comando Delta 2- Conexão Colômbia
- Braddock- O Super Comando
- McQuade O Lobo Solitário
- O Vôo do Dragão
- Coleção Charles Bronson
- Violent City
- Lutador de Rua
- A Força em Alerta
- Fúria Mortal
- O Homem das Sombras e Ameaça Subterrânea
- Difícil De Matar
- Cyborg - O Dragão do Futuro
- Soldado Universal - O Retorno
- Coleção Rocky Antologia - Ultimate Edition
- Cobra - Tango & Cash - Os Vingadores
- O Demolidor
- O Juiz
- Rambo: A Saga Completa
- Agente Biológico
- Hoje Você Morre

Nas telinhas – 24 Horas, CSI e Friends

Publicado em: 08-06-2007 @ 3:23 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Raphael Santos

Edição passada as séries inteligentes e envolventes predominaram. Dessa vez, abordaremos três diferentes estilos de seriado. A ação estará em evidencia juntamente com o suspense e o tão assistido estilo americano de comédia. “24 Horas”, “CSI – Crime Scene Investigation” e “Friends”, são destaques em cada um de seu gênero, sendo a primeira citada o ponto alto das recentes inovações propostas para as telinhas.

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Damn it!

Os seriados de ação andavam meio de lado. Não que tivessem parado, mas depois de vários sucessos, quando esse estilo conquistou o mundo todo, nada de inovador aparecia mais. Era sempre o desenvolvimento almejando chegar bem (ou não) ação final, sem criar mais pontas ou enriquecer personagens e elementos. Eis que surge Jack Bauer (Kiefer Sutherland) e sua capacidade incrível de resolver problemas magnânimos em apenas 24 horas.

A inovação principal da série está bem figurada no seu título: “24 Horas”. Cada episódio é uma hora do dia do agente da CTU (sigla em inglês para Unidade Contra Terrorista – UCT, no Brasil) Jack Bauer. Tudo acontece praticamente em tempo real, com uma narrativa sempre linear, e o roteiro se distribuindo em diferentes núcleos, sempre tendo como base o núcleo ação/drama de Bauer. Certas vezes a série foca-se nas atividades dos agentes da CTU, como em outras vezes foca-se nas ações dos terroristas e, como se não bastasse, também nas reações do governo federal.

Como a série clama muito pela ação, demonstrando cenas espetaculares para o gênero (responsável por altos orçamentos em comparação a outras séries), alguns confundem o seu verdadeiro cunho. De fato é uma série de ação - com muitas pronuncias fortes da palavra “damn it” (quer dizer em português algo como: “droga!”) - mas com o passar das temporadas vemos que é, acima de tudo, um drama muito bem amarrado. Ao passo que as temporadas vão se apresentado há uma maior abordagem da vida complicada (e amaldiçoada, diga-se de passagem) do agente contra-terrorista. Aí está o outro ponto de destaque da série. Não é a toa que já ganhou Emmy (o Oscar da TV) como Melhor Série Dramática pela quinta temporada.

Apesar de tudo girar em torno do agente, como disse anteriormente, a série cria núcleos, onde vários personagens viram inesquecíveis para os fãs. Toda a temporada há sempre um ou mais personagens além de Bauer que passamos a admirar. A cada dia na vida de Jack Bauer (entenda-se como: a cada temporada) um personagem muito interessante também é apresentado.

Também notável na série é a facilidade que os responsáveis tem em matar os personagens, até os mais adorados pelos espectadores. Não se assuste se, quando você gostar muito de um determinado papel, ele simplesmente desapareça com uma morte dramática ou, se duvidar, simples e direta.

Ao contrário do que possa parecer, houve ao longo das seis temporadas um processo de maturação da trama. Em vez de cair no estereotipo americano de se fazer ação, a série evoluiu bastante e teve seu ápice na quinta temporada – onde mais morreram personagens queridos e onde o roteiro teve muitos elementos novos com relação temporadas passadas. Além do roteiro e dos moldes da série, a estrela-mor da série, Kiefer Sutherland, vem cada vez mais melhorando o personagem Jack Bauer.

Sendo um divisor de águas no âmbito dos seriados, “24 Horas” não pode deixar de ser conferida pelos amantes do bom gênero ação e drama, mas comece a acompanhar rápido, pois não há limites para Jack Bauer.

- Box 24 Horas: 1ª Temporada - 6 DVDs
- Box 24 Horas: 3ª Temporada - 7 DVDs
- Box 24 Horas: 5ª Temporada - 7 DVDs

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Entrando na cena do crime!

Só assistindo “CSI – Crime Scene Investigation” (“Investigação Criminal”, aqui no Brasil) para entrarmos em uma cena do crime, ultrapassando aquela faixa amarela. “CSI” é o maior sucesso do gênero policial das séries norte-americanas dos últimos tempos. O sucesso do seriado é tão grande que teve até alguns derivados diretos. A série original (da qual falaremos nessa matéria) se passa em Las Vegas, e outras duas se passam em Miami e Nova Iorque.

O ponto forte da série é o fato de mostrar bem o dia-a-dia dos investigadores criminais. Os episódios seguem um roteiro base, aonde primeiro mostra-se a apresentação da cena do crime, depois quem serão os investigadores resignados, o desenrolar apresentando os suspeitos – durante esse tempo tem todo o processo investigativo tanto laboratorial quanto de campo - e, finalmente, mostra-se o culpado do crime e como este fora feito.

Apesar de ser uma ficção, a série esbanja qualidade ao falar de um assunto que muito precisa andar ao lado da verdade. Não é só criar casos de morte ou assalto e sair falando sobre, tem que ter bons argumentos – inclusive, alguns casos reais da polícia de Las Vegas, que já foram resolvidos em vida real e tiveram a devida liberação, foram adaptados em um ou outro episódio, além também de objetos que são comumente utilizados pela polícia técnica dos Estados Unidos também foram levados para a trama do seriado.

Valido também é o fato de se aprofundar os personagens, por mais que o principal de cada episódio seja como certo crime foi operado e por quem. Sempre que necessário apresenta-se um pouco da vida fora do trabalho da equipe de CSIs que fizeram muitos se tornarem fãs da série.

Essa equipe dos CSIs de Las Vegas - mais especificamente a equipe noturna - é liderada por Gil Grissom. Personagem espetacularmente vivido pelo ator William Petersen. A atuação de William é, sem dúvidas, o outro ponto forte do seriado. Para se ter idéia, s vezes quando são dadas algumas “férias” a Gil, a série cai drasticamente de nível. Outro personagem bastante interessante também – esse por conta não do ator, mas das falas que lhes são dadas - é o Capitão Jim Brass (Paul Guilfoyle). Sempre que aparece Jim joga uma de suas tiradas irônicas, sobretudo nos momentos mais inusitados de uma investigação.

Depois de sete temporadas, muitos acham que “CSI” tornou-se repetitiva. Isso realmente aconteceu pode ser percebido, mas depois de se apaixonar nas três primeiras temporadas, fica difícil largar o seriado facilmente. Além disso, vira e mexe, os produtores encontram novas situações para esse problema. Como exemplo, um episódio de final de temporada (que chamam no mundo das séries de season finale) de uma hora foi dirigido por Quentin Tarantino (competente diretor de “Kill Bill I e II”, “Pulp Fiction” e etc). Ele foi assistido por mais de 40 milhões de pessoas, fazendo dela um dos programas mais assistidos da história. O episódio, totalmente a cara de Tarantino, é brilhante, principalmente por colocar de forma inteligente um dos CSIs como vítima.

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How you doooing!?

O glorioso seriado “Friends” gira em torno da vida de seis amigos que moram em Nova Iorque, no bairro de Greenwich Village. Do sexteto, alguns vivem no mesmo prédio ou moram próximo. Apesar de serem lá de Nova Iorque, o passar das dez temporadas esses seis amigos se tornaram milhões espalhados por todo o mundo, de norte a sul e leste a oeste.

A receita de “Friends” é muito simples. Os episódios mostram o jeito americano de ser, sempre abordando acontecimentos estereotipados da vida, pois fica difícil algum de nós não ter passado por algumas coisas das quais os nossos seis queridos friends passaram.

Dentre os seis personagens, é muito pessoal dizer quem é o melhor. Mas é fato que a veia humorística de Matthew Perry faz de Chandler Bing um dos personagens mais queridos. Não há um episódio sequer que Chandler não nos roube alguma risada. Sem nem ao menos sabermos com o que Chandler trabalha (eu acho que ele é analista de sistemas), já sabemos de antemão que ele odeia seu emprego. Suas piadas são baseadas no sarcasmo e, por conta disso, elas sempre aparecem certas, entretanto nas horas completamente erradas, se é que você me entende. Sem falar também em seus frustrados relacionamentos amorosos, que só passam a ser resolvidos (ou não) até ele ficar com Monica (brilhantemente interpretada por Courteney Cox).

Apesar de eu aprofundar somente em Chandler por ser o que escolhi como favorito da série, cada um dos integrantes mantém uma característica marcante. Chandler, como já foi dito, é o piadista sarcástico; Ross Geller (David Schwimmer) o perfeccionista, mas que nada dá certo em sua vida; Monica Geller, irmã de Ross, é neurótica por limpeza e sempre quer ser a dona da verdade; Rachel Green (Jennifer Aniston) a típica patricinha americana; Phoebe Buffay (Lisa Kudrow) a vegetariana totalmente nonsense; e o ator frustrado Joey Tribbiani (Matt LeBlanc) que passa longe de ser uma pessoa notável pela inteligência.

“Friends” é uma das séries mais assistidas no mundo. Para se ter idéia de como o seriado realmente obteve sucesso, ao fim da décima temporada cada um dos seis atores recebia US$ 1 milhão por episódio. Propagandas nos intervalos do episódio final, que atraiu uma audiência de mais de 52 milhões de espectadores, custaram em média US$ 2 milhões a cada trinta segundos. Além de outras coisas mais que a franquia conquistou.

Como na retórica da vida tudo que é bom dura apenas um tempo finito, dez anos não foi bastante convivendo com os seis adorados personagens e, até hoje, a saudade comove um grande número de fãs, como eu, por exemplo. Escrever sobre a série é um grande martírio para minha memória tão rica de boas lembranças desses tempos que não voltam mais.

Espero que tenham gostado de mais uma edição dessa seção. Em breve voltaremos com mais três séries sendo aqui analisadas. Caso a resposta seja satisfatória, passaremos a fazer resenhas episódio por episódio de algumas séries que estejam fazendo sucesso.

- Box Friends - 1ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 2ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 3ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 4ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 5ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 6ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 9ª Temporada- 4 DVDs
- Box Friends - 10ª Temporada- 4 DVDs

Vai um musical aí?

Publicado em: 08-06-2007 @ 3:10 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Diego Benevides

Escolher assistir a um filme musical realmente é uma questão de gosto. Tá, tudo bem que sempre temos uma preferência acerca deste ou daquele gênero de película, mas quando a questão é sobre musicais, as escolhas se afunilam. Nem todos conseguem se entregar queles momentos de fuga para as canções, que s vezes é onde o roteiro é produzido. Já os mais fanáticos, amam e cantam e dançam com o que foi visto na telona, denunciando sua entrega total produção.

Particularmente eu gosto de musicais. Não vou mentir que achava um saco assisti-los antes de “Moulin Rouge – Amor em Vermelho“. Aos que me conhecem nem venham dizer que foi só por causa da Nicole Kidman. Tá, foi também, mas foi a partir deste filme que eu desenvolvi duas paixões: musicais e Kidman(!). Comecei a ter uma visão mais interessada com esse estilo de filme e aprendi a me emocionar e me entregar aos personagens.

Conheço pessoas de todos os jeitos. Os que amam, os que odeiam e os indiferentes aos musicais, mas poucos entendem o que isso verdadeiramente significa. Os musicais são especiais por terem uma procedência do teatro desde a Antigüidade, onde muitas encenações eram cantadas. A partir daí, as músicas fizeram surgir o teatro musical que misturava um novo modo de atuar, com mais movimento em palco embalados por canções que atraíam mais o público. Aos poucos, essas peças teatrais foram deixando a Broadway e invadindo o cinema. O primeiro musical apresentado nas telonas foi “O Cantor de Jazz“, em 1917, e desde então esse gênero cinematográfico tem tido seus momentos de altos e baixos, mas sempre proporcionando aos seus admiradores belíssimas produções (com suas exceções, claro).


John Travolta, no auge, em Grease – Nos Tempos da Brilhantina

Para chegar onde os musicais chegaram hoje, muito foi lapidado. Antigamente, não havia uma interatividade tão grande entre as cenas, que tendiam a ser mostradas somente de um ângulo, ainda recaindo sobre a idéia teatral, onde o público só tem uma visão. Dos anos 30 até os 50, encontramos vários clássicos como “O Picolino” e “Cantando na Chuva“, seguidos por “A Noviça Rebelde” e “Oliver!“. Nos anos 70, os musicais praticamente entraram em decadência por apresentarem-se saturados demais no cenário cinematográfico, o que não significou uma época de fracasso, pois dela tiramos os eternos “Cabaret” e “Grease – Nos Tempos da Brilhantina“. Depois disso, a força dos musicais foi perdida, com longas que apresentavam apenas coreografias interessantes, sem apelar para personagens que cantavam, perdendo um pouco da originalidade do estilo, como podemos ver em “Dirty Dancing - Ritmo Quente“. Praticamente morto, o gênero teve uma boa representação em 1997, com “Evita“, que trouxe a ópera teatral ao cinema.

De qualquer forma, os musicais conseguiram entrar novamente no cenário cinematográfico, inovando na parte técnica e cativando o público. Depois de “Moulin Rouge“, “Chicago” chegou com sua versatilidade e um elenco interessante, ganhando o Oscar de melhor filme em 2003. As produções mais recentes que invadiram as salas de cinema foram a refilmagem de “O Fantasma da Ópera” e a adaptação de “Os Produtores“, espetáculo da Broadway; e tenham certeza que outras belas produções continuarão sendo feitas, para o bem dos apreciadores dos musicais. Para quem não gosta, respeite quem admira e escolha outro filme ou mude de canal! Sem ofensas, claro.

COMPRE ALGUNS MUSICAIS

- Moulin Rouge - Amor em Vermelho
- O Picolino
- Cantando na Chuva - Edição Comemorativa 50 anos
- A Noviça Rebelde - Edição Especial de Colecionador
- Oliver
- Grease - Edição de Colecionador
- Dirty Dancing - Ritmo Quente
- Chicago
- Os Produtores

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