O que esperar de “Austrália”?

Publicado em: 29-05-2008 @ 12:44 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Marcos Nascimento

Para ‘Moulin Rouge’ fizemos tudo no estúdio, mas para esse filme estivemos em locações o tempo inteiro - em Darwin, em Queensland e depois acampamos em tendas no meio do deserto“. Foi com essas palavras, há um certo tempo atrás, proferidas por uma bastante empolgada Nicole Kidman, que se abriram oficialmente os comentários a cerca de “Austrália“. Esse é o novo filme do diretor Baz Luhrmann, que volta à cena cinematográfica com esse que promete revolucionar o cinema australiano (o uso das palavras “Austrália“, “australiano” e derivados vai ser visto, irreparavelmente, com muita freqüência). Se afastando da chamada “Trilogia da Cortina Vermelha“, construída pelo diretor com os filmes “Vem Dançar Comigo” (1992), “Romeu+Julieta” (1996) e “Moulin Rouge - Amor em Vermelho” (2001), Luhrmann agora se entrega neste épico que conta com a terra dos cangurus como pano de fundo.

O filme traz a história da aristocrata inglesa Lady Sarah Ashley (Kidman), que herdou um grande rancho no norte do país. Procurando combater um barão inglês que quer comprar as suas terras, ela se alia a um vaqueiro (Hugh Jackman, também australiano) para retirar as cabeças de gado da moça do local. É quando eles se vêem no meio da II Guerra Mundial, quando a cidade australiana de Darwin está prestes a ser bombardeada pelas tropas japonesas. Um roteiro e tanto que já está sendo tido como o maior filme da Austrália de todos os tempos. Mas o que podemos esperar do longa? Competência na direção? Baz Luhrmann já deu provas disso, principalmente ao elevar a carreira de Nicole Kidman. Essa também não podia estar mais animada com a produção, já que passou por uma relativa baixa na carreira depois de seu Oscar por “As Horas” (vida “A Feiticeira”, “Invasores”, “Reencarnação”...)

O elenco ainda tem o já renomado Hugh Jackman, que deu uma pausa com as garras de um certo guerreiro mutante de adamantium, para participar de uma produção de seu país natal. “Este filme estará em uma escala jamais vista antes. É de longe o maior filme australiano já feito”, palavras do próprio Jackman. Contudo, o filme traz aquele clima de “feito para o Oscar“, com uma fórmula meio batida, o que me fez lembrar de imediato “Cold Mountain” (coincidentemente, também com Nicole Kidman). Mas sempre há espaços pra surpresas, e é o que promete essa produção, mostrando mais de um país do oceano Índico como nenhum outro fez antes (talvez “O Senhor dos Anéis”, na Nova Zelândia), com planos que revelam uma natureza única e o impacto do clima de lá.

Já bem cotado para o Oscar de 2009 (apostas, alguém?), “Austrália” já tem data prevista de estréia no Brasil, dia 25 de dezembro desse ano. Um pouco distante, mas mesmo assim, o agito em torno do filme tem sido forte. O trailer divulgado pelo menos já dá aquela boa sensação de uma grande produção vindo. Baz Luhrmann volta a ser notícia, depois de ter dado a partida na nova onda dos musicais com “Moulin Rouge”. Hugh Jackman volta a ser notícia, criando expectativa em torno de mais uma boa interpretação. Nicole Kidman é notícia de qualquer jeito. O resultado a gente confere no fim do ano.

Assista abaixo ao trailer do filme:

O outro lado da laranja

Publicado em: 29-05-2008 @ 12:28 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Amenar Neto

Caros e fieis leitores do Cinema Com Rapadura, como acredito que todos aqui gostam de cinema, certamente entenderão perfeitamente o que irei dizer. Gosto para cinema é pessoal e intransferível. Mas o pequeno agravante é que, como qualquer outro tipo de arte, no cinema, certas obras são escolhidas para fazer sucesso. Citar nomes seria extremamente dispensável, mas até mesmo para justificar o título da matéria sou obrigado a fazê-lo.

Acredito que qualquer um que ousa a dizer que gosta de cinema, já deve ter ouvido falar em “Laranja Mecânica”, do eterno mestre Stanley Kubrick. Provavelmente deve ter ouvido coisas mirabolantes, elogios extremos e críticas sempre positivas. E quem além de ouvir falar nele, que já o assistiu, deve saber o quanto ele é bom. Mas justamente aí que eu entro em controvérsia: o filme que foi convencionado como bom, tem que ser realmente bom? Eu já passei sérios problemas a respeito disso, quando certos filmes que as pessoas endeusavam, eu simplesmente gostava ou vice-versa. E quando você expõe sua opinião não tão favorável, automaticamente é tratado como um leigo ou coisa do tipo.

Isso é um tremendo absurdo! Claro que, se muitas pessoas gostam de uma determinada coisa, ela deve ser realmente boa, mas não dizem que a beleza está nos olhos de quem vê? E se pararmos para observar como foi convencionado sobre a qualidade de determinado filme, todos os seus posteriores expectadores estão propícios a gostarem dele, até mesmo pelo fato implícito da cobrança pública a respeito da sua pseudo-intelectualidade? Ou seja, muitas vezes as pessoas gostam de certos filmes não pelo o que elas acham deles, mas pelo que elas têm que achar.

Eu gostei de “Laranja Mecânica”. Achei extremamente crítico, inteligente, e artisticamente belo. Mas por ser demasiadamente e desnecessariamente desconfortável, além da atuação exacerbada de Malcolm Mcdowell, meu apreço não foi o que esperava; gosto muito dele, mas não o idolatro. E não temo em falar isso; mas temia até algum tempo atrás, até porque não existiam muitos “aliados”, por assim dizer. Essa minha percepção foi construindo-se aos poucos, quando observei que uma boa parte dos expectadores do filme tinha um discurso igual, que expressava implicitamente que alguns deles estavam com a mente previamente formatada para aderir aos positivos adjetivos atribuídos ao filme. E isso tende a propagar-se cada vez mais.

E expandindo mais o tema, podemos notar que isso acontece constantemente. “Pulp Fiction”, por exemplo, é outro grande destaque. Eu só consegui gostar dele realmente, depois de assisti-lo algumas vezes. Com o tempo, apenas amenizei algumas características negativas que tinha notado anteriormente. Mas, devo salientar que observo por uma ótica bem específica. Espectadores ordinários, aqueles que tratam o cinema somente como pipoca, por exemplo, gostam do filme por que ele é violento. Mas infelizmente, se não fossem pelos espectadores ordinários que só fazem propagar informação, o que seria dos filmes? “Matrix” ficou famoso pelas cenas de ação munidas de inovadores efeitos. “Kill Bill” ficou marcado pelo excesso de sangue. “O Senhor dos Anéis” destacou-se pelas grandes batalhas. Mas será que esses filmes só são isso? Será mesmo que a superficialidade é algo tão dominante assim? Definitivamente não! Porém é isso que os trouxeram ao “Hall” da fama, como se suas outras milhões de qualidades não existissem; ou ao menos, não fossem consideradas.

E num pólo oposto, podemos ver aqueles filmes que são muito bons que não fazem tanto sucesso. São títulos que gradativamente vêm ganhando força, como por exemplo: “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson; “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick; “Vanilla Sky”, de Cameron Crowe; “Dogville”, de Lars Von Trier; “Réquiem para um Sonho”, de Darren Aronofsky; e por aí vai. Esses filmes citados são do tipo que não foi feito para todos. Não considerem esse meu discurso como boçal, mas essa é a pura verdade. São do tipo de filme que mesmo que eles queiram, nunca irão conseguir contemplar a classe de pseudo-cinéfilos.

E é justamente por isso que eu defendo a liberdade de expressão, condenando automaticamente o preconceito exercido pelas pessoas enquanto à opinião alheia. Para quem já tem uma noção de cinema, ouvir certos comentários chega a ser irritante. Acredito que só devemos mesmo falar quando sabemos fazê-lo, não é mesmo? Contudo, ainda que sejamos incoerentes ou inconscientes, devemos expressar nossa opinião, seja ela bem fundamentada ou não. Até porque, é muito melhor ouvir as pessoas pensando com suas próprias cabeças, do que novamente, por mais uma longa linhagem, somente reproduzir aquilo que alguém, algum dia, disse que deveria ser.

Novas Adaptações da Capcom

Publicado em: 28-05-2008 @ 3:39 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

A empresa japonesa que desenvolve jogos é uma das mais tradicionais do mundo do entretenimento. Talvez, ao lado da Konami, ela seja a principal produtora independente (que não possuem/possuíram consoles) de maior sucesso da história. A Nintendo, Sega e Sony são fantásticas, mas por terem tido oportunidade de produzir durante muitas gerações apenas para os seus consoles (tiveram exceções, como a Sega, e a Sony, antes do PlayStation), prefiro a Capcom e Konami. E não é por nada que elas são as que possuem mais franquias de sucesso. Só para não deixar você voando, a Konami produziu/criou séries clássicas de games como Castlevania (que tem uma adaptação sendo desenvolvida), Silent Hill (que já tem um filme e estão pensando em fazer uma seqüência), Metal Gear (que também será adaptado), Winning Eleven (a empresa foi criadora de todos os melhores jogos de futebol da história dos games, incluindo Superstar Soccer) e muitos outros.

O presidente da Capcom Japão, Haruhiro Tsujimoto, disse que a empresa pretende revitalizar suas séries de jogos produzindo filmes, da mesma forma que a Marvel está revivendo seus heróis nos últimos anos (Homem de Ferro, Homem-Aranha, Hulk…). Tsujimoto esteve em Cannes conversando com alguns representantes de grandes estúdios com o objetivo de fechar negócios para futuros filmes. Parece que ele conseguiu, só não confirmou os nomes dos possíveis jogos escolhidos a serem adaptados.

Até agora foram produzidas as seguintes adaptações de suas franquias: Resident Evil (três filmes, cada um pior que o outro, mas tem uma animação sendo produzida que promete ser bastante fiel aos games) e Street Fighter (aquela bomba com o Van Damme e um novo filme, agora focado na Chun-Li).

Analisando bem, quais as franquias da Capcom que seriam de grande sucesso nas telonas? Veja algumas sugestões que eu indico:

Final Fight: Se tivesse sido adaptada nos anos 80/90, talvez fizesse muito sucesso. O jogo é uma porradaria só. Estilo Briga de Rua. Você escolhe um dos personagens e sai nas ruas metendo a porrada em todos até chegar ao objetivo. Será? Ficaria engraçado. Nos dias de hoje não vemos muitos filmes de luta bacanas. Talvez fosse uma boa aposta. O jogo é um clássico do gênero! Vamos ver o resultado do filme baseado em Dragon Ball. Se fizer sucesso, quem sabe não sai, né?

Mega Man: Pode parecer bizarro, mas depois que eu vi Homem de Ferro, acho que todos os personagens metálicos ficariam bons nas telonas. Até Cavaleiros do Zodíaco eu já visualizei. O personagem azul é fantástico, carismático, famosíssimo e tem muitas histórias interessantes, principalmente por se passar no futuro e deixar o elo criativo sempre ativo. Acompanhei os primeiros games da série, mas vim me apaixonar a partir da geração Super Nintendo (o começo da série X). O desenho baseado no game fez muito sucesso e teve uma longa vida. Será que caberia em live-action? Se não, acho que até uma animação ficaria legal, apesar de que a versão dele 3D não combine. Ou é 2D ou é live-action. Um orçamento de 150 milhões daria para trabalhar num ótimo projeto. Será que Paramount compra a idéia?

Dino Crisis: Não conheço muita gente que gosta, mas essa é a versão do Resident Evil focada em dinossauros dentro de um gigantesco complexo de pesquisa científica. Para quem não gosta de zumbis, imagine um jogo do Jurassic Park, só que bem mais assustador e com você está armado até os dentes com pistolas 9mm, escopetas e lança-mísseis. O enredo não é tão elaborado, mas ainda assim possui muito conteúdo. A protagonista é Regina, a única mulher de um grupo de resgate. Uma ruiva linda. As semelhanças com Resident Evil não são a toa, afinal, Dino Crisis foi criado e idealizado por Shinji Mikami, o mesmo da série de zumbis.

Devil May Cry: Também é uma série criada pelos mesmos idealizadores de Resident Evil. Eu acho uma das melhores franquias criadas para o PlayStation 2. Quando eu vi o primeiro jogo em 2001, fiquei de queixo no chão. Extremamente bem feito, uma caracterização fantástica e um personagem extremamente bem bolado. Sem falar na jogabilidade e uma história muito bem feita. Não tinha como não gostar do primeiro jogo. No game você encarna o personagem Dante, um rapaz meio-demônio, meio-humano. Esse é um dos jogos da nova geração com características cinematográficas. Uma adaptação cairia muito bem!

Ghouls ‘n Ghosts: É clássico, fez muito sucesso e ficaria, no mínimo, muito engraçado! Poderia ser um filme meio comédia, como A Múmia. Na história, o cavaleiro Arthur precisa enfrentar um vasto exército de monstros, fantasmas e demônios para salvar a princesa Prin, aprisionada no castelo de Lucifer (chamado de Loki em algumas versões) e as almas roubadas por ele. O diferencial é que se o rapaz levasse uma porrada, ele ficava só de cueca.

O que você daria de sugestão ao presidente da Capcom e as produtoras de filmes? Não sabe quais jogos já foram produzidos pela empresa? Veja um listão aqui e diga o que você acharia melhor!

Celebridades a Favor do Mundo

Publicado em: 28-05-2008 @ 1:59 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Marcos Nascimento

Eles são ricos, talentosos, famosos, escolhem seus papéis a dedo e têm o mundo a seus pés. São os astros e estrelas mais cobiçados da constelação de Hollywood e podiam estar se dando a muitos e muitos luxos. Não que isso não aconteça (e deve acontecer até com certa freqüência), mas muitos desses atores e atrizes percebem que a fama e o dinheiro que receberam pode fazer muito mais diferença de aplicados numa causa nobre. E quando isso acontece, o retorno do mundo é incrivelmente maior do que qualquer papel do cinema poderia proporcionar.

Podemos começar citando a grande diva do cinema americano Audrey Hepburn, que tão logo percebeu o impacto da sua imagem, começou a percorrer o mundo como Embaixadora da Boa Vontade pela Unicef. Da África para a Índia, passando por diversos lugares e levando sua influência artística a um campo político. Depois de deixar as telas. Hepburn fez esse caminho até sua morte, em 1989. Seu trabalho ficou tão marcante e representativo que seu nome foi homenageado pela ONU ao estabelecer o Fundo “Audrey Hepburn All Children in School“, que promove educação básica de qualidade a crianças de países em desenvolvimento.

Uma das mais fortes contribuições da Hollywood do século XXI vem da ONG “Not on Our Watch” (Não Sob os Nossos Olhares), fundada em parceria por ninguém menos que George Clooney e Brad Pitt e que reúne outros astros como Don Cheadle e Matt Damon. A ONG tem o objetivo de arrecadar donativos ao redor do mundo para mudar a situação social de muitos países sub-desenvolvidos. O último feito desses artistas foi ter enviado ajuda financeira às vítimas do ciclone em Mianmar, cerca de US$ 500 mil. Antes disso, já haviam enviado ajuda a 100 mil birmaneses atingidos pelo ciclone.

Entrando na onda pela causa “verde”, Leonardo Di Caprio esteve envolvido na produção do documentário A Última Hora, do ano passado. Seguindo o exemplo dado por Al Gore em Uma Verdade Inconveniente, Di Caprio foi a caça de cientistas que deram seu depoimento para provar que o aquecimento global é real e precisa ser combatido, antes de uma tragédia maior. Indo a lugares prejudicados pela mão do homem, incluindo a Floresta Amazônica, o ator usa seu prestígio pra chamar a atenção de quem não está percebendo a morte anunciada do planeta. No Brasil, temos o exemplo de atores como Christiane Torloni e Victor Fasano, que já elaboraram um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas em prol da Amazônia, que deve ser entregue ao presidente Lula.

Mas é através de uma mulher (e que mulher) que a expressão “causa humanitária” se resume: Angelina Jolie. É o primeiro nome que se pensa quando se fala em salvar o mundo. Angelina demonstra cada vez mais que tem uma missão no mundo e não foge da raia. Ela é talentosa, competente, bonita e é casada com um dos mais cobiçados homens do mundo e mesmo assim, Jolie encontra tempo e disposição para ações sociais. Foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas por seu trabalho com refugiados na África e foi lá, durante as gravações do filme “Amor sem Fronteiras“, que adotou o seu primeiro filho, Maddox, no Camboja. A esse se seguiram Zahara, da Etiópia, e Pax Thien, do Vietnã. Ela já pressionou banqueiros e empresários a ajudarem em causas nobres e já discursou no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, em prol dos menos favorecidos. “Entender o mundo é o que me faz uma pessoa melhor, uma mãe melhor”, disse ela em Cannes.

Além dessas, outras celebridades como Madonna, Cate Blanchett, Mia Farrow, Roger Moore e Susan Sarandon tem procurado usar sua fama e prestígio para mobilizar a nação pra fazer alguma coisa pela própria nação. É a prova de que Hollywood não é só a terra dos sonhos e da fantasia, mas que de lá pode sair muita coisa boa das pessoas certas.

Amo/Odeio o RapaduraCast!

Publicado em: 28-05-2008 @ 1:24 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Lincoln Péricles

PS¹ - Referente ao RapaduraCast 71 - Evolução do VHS ao Blu-Ray.
PS² - Texto de fã, para fãs, apenas.

Seeeeeeeejam bem vindos seres rapadurianos de todo Brasil, está começando mais um rrrrrrapaduracast. Eu sou o Jurandir Filho e tenho aqui comigo Raphael Santos e Maurício Saldanha… Hoje vamos falar da evolução do videocassete até o blúrei…“, introduzia o âncora do programa, Jurandir Filho, começando assim, o RapaduraCast 71.

Evolução não é isso aí, nós vamos falar disso…“, disse o saudoso Maurício Saldanha.

A merda estava anunciada desde já, eu só não tinha percebido.

A leitura de e-mails foi engraçada e interessante como sempre. Até a metade do programa a nostalgia informativa estava espetacular, tanto que fui até minhas antigas fitas cassetes, e percebendo que elas estavam empoeiradas resolvi passar um paninho básico enquanto ouvia o programa. Mas minha alegria durou pouco. Maurício Saldanha estava filosófico um pouquinho demais, Jurandir Filho estava um pouquinho capitalista demais, e Raphael Santos um pouquinho, um pouquinho…. agitador demais!

As “brigas” começaram, as discussões começaram, os latidos começaram e a querida nostalgia acabou. Jurandir Pitbull entrou em cena para vender os seus maravilhosos produtos do futuro, Mau “Anti-Capitalismo” Saldanha veio para “retroceder” a nação, Raphael Santos veio para, para… agitar a briga.

A princípio eu ficava revoltado com as tais discussões, queria estar ali no programa, e só podia era comentar com a minha querida vaca de pelúcia: “Isso é um absurdo! Esse Jurandir é um maldito! Esse Mauricio é um prefeito! Esse PH é um, um… Agitador!

Não digo que fugiram totalmente do assunto, mas digo que para o rumo em que o cast foi levado, precisávamos de pelo menos mais quatro horas de programa. Depois dos três minutos de revolta, já fui introduzido no “novo” clima do programa. E ao final de tudo percebi a grandiosidade da coisa, os caras conseguiram me envolver de tal maneira com os assuntos e suas “reviravoltas”, tal como um filme me envolve numa sala de cinema.

De fã para fã.

Você já odiou algum comentário feito em algum RapaduraCast? Você já concordou demais com alguma coisa dita? Já percebeu uma piadinha e acha que só você percebeu? Você é um maluco que se esqueceu de comentar aquela coisinha naquele cast?

Eu sou um maluco, e fiz esse texto.

Está aberto aqui, mais um espaço para você ouvinte comentar e também ler e discutir a opinião de outros ouvintes.

Vamos lá galera, existam!

Chat sobre O Hobbit

Publicado em: 26-05-2008 @ 1:46 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Rolou no fim de semana passado um chat onde os fãs de todo o mundo poderiam fazer suas perguntas a Guillermo del Toro e Peter Jackson, diretor e produtor, respectivamente, da adaptação de “O Hobbit“. Nossos colegas do site Valinor (o mais completo site sobre J.R.R. Tolkien do Brasil) participaram e publicaram uma transcrição de todo o bate-papo, que nós disponibilizamos abaixo:

PRIMEIRA PARTE

Pergunta: Vocês farão menos tomadas em locações desta vez, já que sua equipe se tornou tão proficiente?

Peter Jackson (PJ): A Terra média é locação, com pouquíssimas construções na verdade. É um campo natural e é lá onde boa parte das filmagens irão acontecer.

Guillermo del Toro (GDT): Locações e sets construídos terão preferência. Eu amo sets de verdade e eu acho que eles são uma parte muito importante para a narrativa e para o escopo de um filme…

Pergunta: Outras locações fora da Nova Zelândia estão sendo consideradas para o filme?

PJ: É improvável que precisaremos de locações fora da Nova Zelândia que sempre foi a Terra média perfeita. Ainda não encontramos nada que Tolkien tenha descrito que não tenhamos conseguido encontrar neste fantástico país e eu espero que com O Hobbit não seja diferente.

GDT: Nenhuma está sendo considerada no momento.

Pergunta: A escalação de Ian Holm para o papel de Bilbo Bolseiro é uma opção?

GDT: O fato de Ian Holm é tão memorável significa que PJ, Fran e PB fizeram o seu trabalho bem feito. Nós iremos utilizá-lo de alguma forma com certeza, mas a profundidade do papel será melhor definida depois que o roteiro estiver pronto.

Pergunta: Howard Shore voltará para fazer a trilha sonora?

GDT: Sim, com certeza. Shore é a VOZ desses filmes e ele será definitivamente convidado para voltar. Peter e Fran conversaram com ele algumas vezes e eu troquei alguns e-mails com ele sobre o assunto. Ele voltará.

Pergunta: Vocês pretendem utilizar alguma locação na Itália?

PJ: É improvável que filmemos algo do Hobbit na Itália, mas eu adoraria ir para a Itália nas férias, você devia me dizer os melhores locais para visitar.

GDT: Na verdade não. Mas eu amo a Itália…

Pergunta: Eu gostaria de parabenizá-los pela escolha de Guillermo Del Toro como o diretor para O Hobbit. Minha pergunta é para Guillermo, o que podemos esperar da sua visão e abordagem para este filme e eu acredito que veremos vários elementos escuros nele, mas até onde você irá em termos de horror e violência?

GDT: Eu espero que a Floresta das Trevas possa ser bastante assustadora mas não gráfica, eu espero que as Adivinhas no Escuro tenha um elemento de medo e de suspense e que tenha uma atmosfera profunda, mas eu irei permitir que o concurso ingênuo e empolgante aconteça. E Smaug será puro medo e assombro quando ele soltar a sua raiva, então será bastante intenso, mas não nojento.

Pergunta: A trilogia do anel será lançada em blu-ray próxima do lançamento do Hobbit? Ou antes?

PJ: Estamos trabalhando em uma versão do SDA com a Warner no momento, mas não temos certeza de quando será lançada. Com certeza não será neste ano.

Pergunta: Quais as chances de Ron Perlman dublar Smaug?

GDT: Neste momento reduzimos as opções para a dublagem de Smaug para umas poucas e eu tenho uma escolha bastante específica, Ron tem uma boa chance, mas eu tenho outros planos para ele… veremos…

Pergunta: As tocas de hobbits usadas em SDA serão reaproveitadas em O Hobbit?

PJ: Sim. Esperamos que com a permissão do proprietário das terras possamos reconstruir a Vila dos Hobbits maior e ainda melhor do que para o SDA e no mesmo local.

Pergunta: Qual é o papel planejado para o Gandalf neste filme? Ele vai e vem por conta própria e desaparece em diversos trechos do livro. Vocês irão se manter fiéis a isto ou darão a ele um papel mais ativo? Como vocês pretendem integrar o personagem em uma linha narrativa eficiente e cinemática?

GDT: Eu acredito que Gandalf deve ser usado daquela forma – indo e vindo, entrando e saindo da narrativa. No mínimo isto cria o ambiente perfeito para aqueles “furos” serem preenchidos no segundo filme…

PJ: Esses “furos” são ótimos! Tem muita coisa acontecendo, que acaba distraindo ele. Eu estou feliz por trazer Gandalf o cinzento para mais dois filmes. Ian e eu gostávamos bem mais dele. Nós ficamos um tanto tristes quando Gandalf o branco assumiu.

Pergunta: Vocês filmarão O Hobbit em 3D?

GDT: É cedo demais para dizer, mas não foram feitos planos neste sentido até o momento…

Pergunta: Sr. Del Toro, você já começou a fazer um caderno de rascunhos para este filme?

GDT: Eu já comecei e já compartilhei algumas das idéias com Alan Lee e John Howe durante um almoço bastante animado em Londres.

Pergunta: Ian McKellen retornará como Gandalf?

GDT: Absolutamente!!

PJ: Oi, Robbie, absolutamente.

Pergunta: Eu me diverti com as suas participações em SDA. Teremos mais no Hobbit? E qual personagem você gostaria de interpretar?

PJ: Eu ainda não pensei nisso. Eu costumo fazer pontas apenas em filmes que dirijo. Eu não sei se isso se estende aos filmes que eu produzo. Eu acho que descobriremos. Eu amo hobbits! Eu sou um hobbit, em muitos aspectos, assim como meus pais. Tolkien escreveu sobre o tipo de gente que ele conheceu na Inglaterra pré-guerra, e em algum momento no decorrer, ele deve ter esbarrado em meus parentes!

GDT: Diferente de Peter, eu sou um anão (sou uma criatura grosseira) – mas eu costumo evitar participações…

Pergunta: Quando vocês pretendem começar a filmar?

PJ: Neste momento nosso plano é escrever pelo resto do ano e começar os primeiros desenhos conceituais. 2009 será dedicado à pré-produção para os dois filmes e 2010 será o ano que filmaremos ambos os filmes de ponta a ponta. A pós-produção será feita em um filme por vez, e O Hobbit será lançado em 2011 e o segundo filme em 2012. Estes são todos os detalhes que temos no momento.

Pergunta: O que Guillermo tem que fez com que você sentisse que ele era a pessoa certa para continuar a saga da Terra média? Vocês estão no mesmo compasso no que diz respeito à visão, direção e estilo desses filmes? Se vocês discordarem, quem vence?

PJ: Falarei mais sobre isso em outra pergunta, mas assistindo seus filmes, percebi que ele tem um respeito pela fantasia. Ele a compreende e não é intimidado por ela. Guillermo também compreende personagens, e o poder de qualquer filme é quase sempre ligado ao quão próximo é o personagem de nós mesmos dentro da história. O trabalho dele demonstra grande cuidado e amor pelos personagens principais que ele cria. Ele também tem suprema confiança com design e efeitos visuais. Muitos diretores têm medo de efeitos visuais – o que não é um crime, mas é duro se você está fazendo um desses filmes! Se discordarmos, o diretor deve vencer, porque você nunca deve forçar um diretor a filmar algo que ele não acredita. Mas nós somos bastante razoáveis e controlamos bem nosso ego e eu acredito que, se discordarmos, ambos teremos a habilidade de expressar nossas diferenças e, entre nós, trabalharmos para o que é melhor para o filme.

Pergunta: Qual será a censura do filme?

PJ: A mesma da trilogia, PG-13 em ambos os filmes.

GDT: Um PG-13 intenso…

Pergunta: O Hobbit terá uma edição estendida como SDA?

PJ: Pergunta interessante. A verdade é que não planejamos versões estendidas de início. Elas são o resultado de cenas que foram deixadas para trás no corte para o cinema. Num mundo ideal o roteiro é filmado de ponta a ponta e, portanto, não teriam cenas que acabariam no chão da sala de edição e, com isso, não teríamos versões estendidas. Mas quando se escreve 3 épicos como o SDA, não havia como manter o processo de forma tão integral, então a edição estendida foi um resultado daquilo que vimos ou pensamos durante o processo de escrever e filmar a saga com as cenas que não usamos no corte final dos filmes. Se existirá uma versão estendida do Hobbit, tudo dependerá inteiramente da edição final para o cinema e o que teremos de sobra.

GDT: Isso é REALMENTE muito cedo para responder… mas como eu sou um maníaco por DVDs (agora um maníaco por blu-ray!), eu acho que se você tem material alternativo suficiente, você pode torná-lo acessível em DVD (ou BR)… não é no início que definimos isso.

Pergunta: Vocês utilizarão a mesma equipe de produção? Efeitos especiais, diretores de arte, diretores, compositores, etc…

GDT: Muitos deles retornarão. Eu irei complementar os departamentos de efeitos especiais, os departamentos de design (com nomes muito interessantes), mas a equipe irá utilizar a maior parte dos elementos originais que for possível.

Pergunta: Veremos Legolas na Floresta das Trevas?

GDT: Nós achamos que é uma idéia bastante interessante, mas os roteiros ainda estão sendo escritos, então, desculpe, cedo demais para responder.

Pergunta: No livro do Hobbit nós temos trolls e águias falantes e Smaug também fala. Entretanto, na trilogia do SDA, os trolls apenas grunhem, fellbeasts gritam e águias, que deveriam falar, ficam quietas. O quanto estes animais mudará no Hobbit?

GDT: Eu acho que deverá ser feito exatamente como no livro – o animal falante deve existir, especialmente para o grande personagem que é o Smaug. É bem mais confuso ter um filme linear e, de repente, um dragão falante.

Pergunta: Vocês já começaram a escalar os atores para os 13 anões?

GDT: Não, nenhuma escalação foi feita ainda. Quero dizer, algumas pessoas já demonstraram interesse.

PJ: Oi, Yetzi – nenhuma escalação foi feita e nem será até que o roteiro esteja pronto. Nós conversamos com um ou outro ator do SDA e, mesmo que a escalação será feita especialmente a partir do roteiro, é impossível escalar 13 anões sem saber das suas personalidades e características. Nós antecipamos que não iremos começar o processo de escalação a sério até a metade do próximo ano.

Pergunta: Oi. Vocês pretendem fazer o filme seguindo o livro (O Hobbit, no caso) e fazer uma história infantil bem leve ou vocês pretendem manter o tratamento mais “dark”, mantendo o clima do SDA, especialmente os últimos filmes? Minha preferência pessoal seria para o segundo caso – não consigo imaginar como os elfos de Valfenda regrediriam da nobreza de SDA para aquela versão que faz “Tra-la-la-la..” do Hobbit. Obrigado.

GDT: Nós ainda vamos decidir sobre o “Tra-la-la” mais tarde, mas o livro, eu acredito, é um eco da “perda da inocência” que a Inglaterra experimentou após a 1ª Guerra Mundial, é uma passagem da inocência para um estado mais “dark” e sombrio. A progressão temática/visual deve refletir no estilo de filmar palheta de cores, texturas, etc.

PJ: Como eu falei antes, eu pessoalmente acho que O Hobbit pode e deve ter um tom diferente. O “tom” dessas histórias não deve ser definido pela pressão que os personagens sofriam em SDA. O mundo é um lugar diferente em O Hobbit. A sombra não é tão escura. Entretanto, o que deve permanecer o mesmo é a realidade da Terra média e a integridade com que, como diretores, colocaremos no filme.

Pergunta: Os dois filmes serão filmados ao mesmo tempo?

GDT: A idéia é filmá-los simultaneamente, com uma pequena pausa para respirar e para reconstruir certos cenários e ter tempo para reavaliar… Mas a programação esperada é de um ano.

PJ: Sim, eles serão filmados simultaneamente e a filmagem será conduzida pelos atores que estão a trabalhar conosco num determinado momento e pelas locações em que estivermos. Por exemplo, se estivermos filmando cenas de Hobbiton para O Hobbit, poderíamos também filmar cenas de Hobbiton para o Filme 2. Portanto, durante o nosso ano de filmagem, realizaremos os dois filmes ao mesmo tempo, fora de seqüência.

SEGUNDA PARTE

Pergunta: Olá. Foi intencional lançar o filme dO Hobbit no 10 º aniversário do A Sociedade do Anel?

Peter Jackson: Caro Razor – Não. É a primeira vez que realmente pensei sobre isso… Isso é legal. Vou querer o crédito da idéia deste dia em diante.

Pergunta: Peter: Durante a produção da trilogia, havia dias em que tiveram várias equipes trabalhando simultaneamente na filmagem, com pessoas diferentes dirigindo. Você gostaria de encabeçar uma equipe e dirigir a filmagem de uma cena por um dia?

Peter Jackson: A maioria dos diretores prefere dirigir tudo por si próprio. Eu pensei que eu poderia no Senhor dos Anéis, mas rapidamente cheguei à conclusão de que a nossa escala apertada impediu isso. Em vez de 15 meses de filmagens, teríamos que filmar durante 3 anos!
Guillermo sempre filma o seu próprio material, assim faremos o possível para construir uma agenda que lhe permita fazer isso. Vai depender muito de como o roteiro se desenvolva. Eu filmaria com felicidade alguma coisa da segunda unidade, sempre que o Guillermo me pedir. Mas vamos ver o que acontece.

Pergunta: Você já está indo para a Nova Zelândia, Sr. Del Toro?

Guillermo del Toro: Sim, eu de fato já estive lá - secretamente – shh – e vou estar lá pouco depois Hellboy II estrear e vou estar ganhando com freqüência milhas aéreas nos próximos meses.

Pergunta: Guillermo del Toro é um diretor bem sucedo. Estava pensando se ele iria trazer ou não mais prostéticos, animatrônicos e efeitos físicos para o filme, como ele fez como ele fez com filmes como Hellboy e o Labirinto do Fauno (que a propósito são grandes filmes). Ou será que a WETA Digital ainda tem o trabalho deles editado com efeitos visuais?

Guillermo del Toro: Eu pretendo misturar CGI e efeitos físicos de tal forma que seu olho não distinga entre os dois, fazendo sua mente ficar ocupada, mas nunca deixando as fraquezas de cada ferramenta tomar conta. Sim, eu aprendi, por tentativa e erro, que ambas as ferramentas precisam ser misturados e quanto elas devem ser misturadas para se ter sucesso na criação de ambientes e de seres vivos. WETA é a principal, mas iremos ampliar a equipe de criaturas e melhorar a equipe de prostéticos. Imagine uma criatura física com um sistema músculo / facial controlado por rádio, mas com CGI substituindo parcialmente a cabeça ou a boca, etc, e você vai começar a entender a idéia.

Guillermo del Toro: E agora, para a questão …

Pergunta: Então, como foi a primeira vez em que vocês dois se encontraram?

Peter Jackson: Oi Vampierta - A primeira vez que eu me lembro de ter encontrado o Guillermo foi na casa de Bob Shay durante uma festa d’O Senhor dos Anéis. Obviamente, naquela época não tínhamos noção do que o futuro nos guardava!

Guillermo del Toro: Nós acabamos com uma bandeja de camarões juntos e concordamos que a New Line deveria continuar contratando barbudos com sotaques engraçados…

Pergunta: Olá, obrigado por dar esta oportunidade. Minha pergunta: Será que Alan Lee e John Howe vão estar dentro novamente? Eu realmente admiro o trabalho deles. Boa sorte nesse projeto e divirtam-se.

Guillermo del Toro: Como eu disse, eu tive um maravilhoso almoço com John e Alan em Londres há alguns dias e todos ficamos muito animados enquanto discutíamos as minhas idéias sobre Smaug, a Floresta das Trevas, etc. Eles definitivamente estão de volta!

Peter Jackson: É impossível imaginar sem eles!

Pergunta: Qual será o título para o segundo filme?

Guillermo del Toro: Cedo demais, mas não “H2 Electric Boogaloo”, que foi descartada.

Peter Jackson: Oi Trots - o segundo filme não tem ainda um título e, provavelmente, não irá até escrevermos o roteiro. Como você vê, nos temos o incrivelmente entediante nome “Filme 2”, mas eu lhe asseguro que isso não vai durar muito. Basta esperar.

Pergunta: Peter, talvez você possa esclarecer qual será o seu papel na produção desses filmes: O que faz exatamente um produtor executivo faz? Irá seguir esse modelo ou irá “forjar o seu próprio caminho?” Qual será a diferença entre o seu papel e o de Guillermo? Você planeja em escrever o roteiro novamente com Fran e Phillippa?

Peter Jackson: A verdade é que “Produtores Executivos” fazem uma gama de coisas em filmes que vão desde muitas coisas a não fazer nada! Eu me vejo me tornando um com a equipe de produções. Meu objetivo é ajudar Guillermo a fazer o filme o melhor que ele puder. Eu amo escrever e eu estou ansioso para isso. Guillermo vai escrever junto com Fran, Philippa e eu. Como diretor eu nunca poderia dirigir algo que eu não tenha ajudado a escrever, e não estamos esperando que Guillermo faça isso também. Se o diretor é parte da escrita, isso significa que ele estava lá quando as discussões aconteceram, decisões sobre a história foram feitas… Ele sabe o porquê as coisas são do jeito que são, e o que elas tem que alcançar. Tudo está no roteiro por uma razão, e somente sendo parte da equipe que o escreveu (ou você mesmo tendo escrito), você entenderá a intenção de cada batida.
Vejo meu papel como fazendo parte da equipe de roteiristas, o que irá criar o projeto e, em seguida, ajudando Guillermo a construir o filme. Gostaria que o Guillermo fizesse os seus filmes, e quero ter certeza de que iremos acabar com uma séride de 5 filmes tão bons quanto podem ser.

Pergunta: Quais são as idéias para os wargs? Os wargs em hobbit são curiosamente diferente dos wargs “hienas” no filme O Senhor dos Anéis …

Guillermo del Toro: Com certeza: Eles vão ser diferentes das hienas do filme da Trilogia. Serão fiéis às criaturas do livro e vão ser redesenhadas de acordo.

TERCEIRA PARTE

Pergunta: Adorei os diários de gravação do King Kong em vídeo, vocês farão algo similar para O Hobbit?

Peter Jackson: Há uma porção de perguntas sobre diários de produção para a internet - a verdade é que Guillermo e eu ainda não discutimos esse assunto, mas temos um plano real para a internet e DVD, em relação ao Hobbit. Você deve perceber que embora isto tenha sido anunciado e esteja sendo discutido no mundo inteiro nós ainda estamos bem no começo do processo, apenas começando a pensar sobre os roteiros. Nós não estamos tentando enganar ninguém, mas simplesmente ainda não fomos muito além no processo e é um plano que colocaremos em andamento durante 2009.

Peter Jackson: Pergunta 8 chegando…

Pergunta 8: Eu sempre pensei que Gollum seria um grande desafio artístico para os artistas cujo trabalho seria adaptar O Senhor dos Anéis. Com o Hobbit eu acredito que Smaug irá ser um dos maiores desafios. É verdade que todos nós já vimos dragões em filmes. Mas para o Hobbit estou esperando nada menos que o inacreditável. Onde vocês irão buscar inspiração? Em quais estilos a direção de arte irá se basear? Eu posso ver uma porção de coisas sendo feitas com o cenário de O Labirinto do Fauno. Obrigado e boa sorte a todos vocês.

Guillermo del Toro: Esta é uma das grandes– Permita-me citar de uma de minhas respostas aleatórias no Onering.net…

Eu sou um grande fã de Dragões. Eu já disse isso antes - E sou afortunado o suficiente para ter nascido Dragão no Horóscopo Chinês…

E embora seja sempre impossível concordar com o “maior” alguma coisa, eu cito este dois como os principais concorrentes a esse título: Eyvind Earle / O dragão maligno da Disney (um triunfo da elegância de cor e design) e Vermitrax Pejorative do Dragonslayer.

Em minha opinião, qualquer outro design será amplamente inspirado nestes dois. Eu planejo criar algo novo e espetacular.

Smaug não deve ser “o Dragão no filme Hobbit” como se ele fosse apenas “outra” criatura no Bestiário. Smaug deve ser “o DRAGÃO” para todos os filmes passados e presentes. A sombra que ele lança e a ambição que ele incorpora - a “necessidade de possuir” lança sua longa sombra e cria uma continuidade temática / dramática de maneira que articula toda a história.

Neste aspecto, Smaug a PERSONAGEM é tão importante, se não mais, do que o design. A personagem surgirá do texto - e neste a Magnífica arrogância, inteligência, sofisticação e ambição de Smaug brilham.

Na realidade, a ambição de Thorin é uma extensão temática disto e o “deixar ir” de Bilbo e sua nobre mudança de lados quando os anões provam estar errados é sua contraparte conceitual (que é difícil de perceber, o heroísmo de Bilbo é silencioso e moral) e a linha temática alcança seu clímax na cena do leito de morte entre Bilbo e Thorin.

De qualquer forma, de volta a Smaug: um dos principais erros com dragões falantes é modelar a boca como a de um Símio de modo a conseguir uma dúbia sincronização de lábios… Um ponto que me foi particularmente incompreensível em Eragon, pois o relacionamento entre eles era psíquico.

Para mim, Smaug é o exemplo perfeito de uma grande criatura definida por sua aparência e design, mas também, de forma muito importante, por seu movimento e – uma pequena dica – seu ambiente – pense nisso… a maneira que ele tem sua couraça de escamas, se move ou é iluminado, limitado ou ampliado por sua localização, condições do clima, de luz, período do ano, etc. Isto é tudo que posso dizer sem estragar a surpresa mas, se você mantiver este curioso pequeno sumário perceberá muitos anos depois de agora que aquelas coisas que eu tinha em mente desde o rascunho do personagem como um garoto se solidificaram muito antes de começar a filmar.

Um detalhe importante é como e quando ele é completamente revelado. Eu poderia dar a vocês detalhes específicos – passo-a-passo na verdade (estou pesquisando muito sobre isso), mas…

Eu não direi mais nada para poupá-los de ser um impiedoso estraga-prazeres (nós ainda temos alguns anos pela frente, sabia…?) e de uma ampliada ansiedade.

Deixe-me, contudo, dizer que é um dos pontos sobre os mais eu mais me sinto entusiasmado.

Sobre a voz – bem, cada leitor tem uma voz do Smaug em sua cabeça, com sempre acontece quando “ouvimos” um grande personagem em um livro.

Eu tenho a minha… e será revelada no momento certo…

Pergunta: Guillermo, Peter em algum momento irá dirigir Hellboy 3?

Guillermo del Toro: Ofertas foram feitas mas ele permanece se esquivando – mas estará em conversas sobre isso logo.

Pergunta: Nós veremos o Conselho Branco em O Hobbit?

Peter Jackson: Olá swjedi18 – Cedo demais para dizer antes dos roteiros terem sido escritos mas é uma idéia que definitivamente estamos discutindo.

Guillermo del Toro: Há uma chance muito boa, se os “buracos” forem preenchidos de alguma forma na narrativa. Mas ainda é muito cedo…

Pergunta: Quão importante é para vocês criar consistência entre os SdA de Peter e o Hobbit de Guillermo? Em termos de atores, aparência, cenário, música, efeitos especiais – é o objetivo de vocês terem algo separado ou entrarão em sincronia com a trilogia?

Guillermo del Toro: Eu acredito que é um pouco de ambos – o mundo deve ser sentido como o mesmo mundo. O formato do filme, a música, os figurinos essenciais e as marcas já fixadas de design da produção, mas eu adoraria trazer uma série de novos sabores à mesa. O HOBBIT é, em essência, uma abertura para um trabalho Sinfônico massivo de forma que os temas principais são repetidos, mas novas modulações e novas cores são introduzidas, temática e texturalmente.

Peter Jackson: Eu adoro a alusão sinfônica de Guillermo. A “abertura” pode ter um sabor diferente, uma textura diferente, e ainda assim ser uma introdução cuidadosamente criada para o que se seguirá. O Filme Dois é perfeito para dramatizar a mudança na Terra-média que nos impele aos dias negros de SdA. Se o SdA é a Primeira Guerra Mundial, então o Hobbit é como uma aventura Eduardiana, passada antes do mundo perceber as nuvens negras se acumulando.

Pergunta: É O Hobbit mais difícil ou mais fácil de adaptar para um roteiro do que o SdA?

Peter Jackson: Olá Junaid – Ambos são igualmente difíceis de adaptar fielmente. O Hobbit possui seus problemas particulares, diferentes daqueles do SdA.

Guillermo del Toro: Não é fácil – isso eu digo a vocês –

Peter Jackson: Lá vem a Pergunta 6 …

Pergunta: A Weta irá lançar bonecos deste filme como fez com Kong e Narnia?

Guillermo del Toro: Eu espero que sim!! Eu quero todos eles!!

Pergunta: Como Christopher se sente com relação aos dois novos filmes?

Peter Jackson: Olá Galdor - Christopher Tolkien não quis se envolver com os filmes do SdA e eu assumo que seus sentimentos continuam os mesmos com relação a estes dois filmes. Eu o respeito por isso uma vez que ele está cuidado do legado dos livros de seu pai e não deseja estar envolvido na interpretação de alguma outra pessoa sobre essas histórias.

Pergunta: Tendo recentemente relido o Hobbit com meus filhos, me dei conta que o Hobbit contém uma história bastante linear que não necessariamente segue a típica fórmula de “três atos” dos filmes. O que você vê como o maior desafio em adaptar a história para a telona?

Guillermo del Toro: Há tantas – Eu sou a favor de tentar preservar cada particularidade que a história tem – as próprias coisas que parecem “infilmáveis” e que – em minha mente – irão fazer o filme tão vibrante quanto o livro. A história é muito, muito mais inventiva e deslocada em sua narrativa (por exemplo, Bilbo sendo atingido por uma pedra durante a Batalha) do que você pode pensar inicialmente. Eu acho que você pode tratar um clássico como uma peça de museu – engessada e montada – ou você pode fazê-la uma narrativa viva, que respira e que se desdobra.

Peter Jackson: A estrutura é importante em um filme, mas como o Guillermo disse, sempre há estrutura a ser encontrada nas partes mais inusitadas! É bastante possível construir uma história estruturada e manter as particularidades. Será parte do prazer de escrever isto.

Pergunta: Haverá outro bate-papo mais tarde no processo?

Guillermo del Toro: Espero que sim – espero que sim – estou dentro!

Peter Jackson: Olá Lukas – nós adoraríamos, está sendo bastante divertido. Vamos às últimas perguntas oficiais porque estamos guardando as mais populares para o final.

Pergunta: Gollum terá espaço no segundo filme? Se não, há planos para um papel diferente para Andy Serkis? Porque, e a maioria irá concordar comigo, tudo é melhor com mais Serkis.

Guillermo del Toro: Sim! Como todos vocês sabem, Gollum possui um arco fascinante por atravessar em sua aliança com Laracna ou seu período de aprisionamento por Thranduil, etc., mas ainda é muito cedo – tão cedo, de fato que revelar mais iria atar nossas mãos e seria contra produtivo

Guillermo del Toro: Não há nunca “muito Andy”

Pergunta: Um oi de Nova Orleans! Que desafios da produção você imagina serão diferentes em O Hobbit e na seqüência comparado com a experiência de fazer o SdA?

Peter Jackson: Credo! Cada filme é um desafio. Eu sempre disse que fazer um filme é como uma escola de cinema – você está sempre aprendendo. Mas ao contrário da maioria das escolas, você nunca a termina. Você nunca aprende tudo. Com o passar do tempo, você aprende a antecipar problemas um pouco melhor – mas os novos ainda o atingem. Você tem que encontrar soluções, mas sempre há problemas extremos que você nunca adivinha.

Uma das coisas que eu vou gostar nesta experiência, é que eu estarei mais bem preparado para ajudar a antecipar problemas e resolvê-los. Quando você está dirigindo, você está sempre com a cara suja, sempre exausto, com freqüência emocionalmente exausto – e eu apreciarei estar alguns passos atrás e simplesmente ajudar no que eu puder. Tendo feito isto três vezes como diretor, há muito que eu sei que pode ajudar o caminho do Guillermo.

Pergunta: Olá Sr. Jackson e Sr. Del Toro! Muito obrigado por esta oportunidade. Minha pergunta é uma que eu acho que vocês ouvirão muito de muitos de nós… de qual material vocês estarão construindo o segundo filme? Eu sei que será ótimo ter ambos a bordo, mas eu sou muito curioso. Eu sou um grande fã de vocês dois e espero por mais filmes Tolkienianos!

Guillermo del Toro: A idéia é encontrar uma maneira interessante de unir O HOBBIT e a SOCIEDADE e incrementar ambos os cinco filmes tanto visualmente quanto em sua Cosmologia. Há omissões e material suficiente no material licenciado disponível para obter isso. O acordo é, contudo, que o segundo filme deve ser relevante e emocionalmente forte o suficiente para ser trazido à vida, mas devemos tentar e conter o HOBBIT em um único filme.

Peter Jackson: Eu já estou pensando no desenvolvimento do Filme Dois. Ele nos dá liberdade que não teríamos de verdade em nossa jornada Tolkieniana. Alguns de vocês podem muito bem dizer que isto é uma coisa boa de fato! O Hobbit é interessante em como Tolkien criou um sentimento de perigosos eventos se descortinando, os quais preocuparam Gandalf. Há uma grande quantidade de incidentes que acontecem durante aquele espaço de 60 anos. A este ponto, não estamos imaginando um filme que literalmente cubra 60 anos, como uma biografia ou documentário. Nós iremos identificar o que acontece durante aqueles 60 anos, e escolher um trecho curto de tempo para nele mergulharmos e adaptarmos para a telona. Eu estou realmente interessado em como isso afeta O Hobbit – nós mostraremos o que acontecer a Gandalf quando ele parte? Veremos. Poderemos muito bem ter sementes para o Filme Dois que serão sutilmente plantadas durante O Hobbit.

Peter Jackson: Vamos fazer mais algumas questões aleatórias antes da grande pergunta final.

Pergunta: Olá rapazes! Minha pergunta vem em duas partes. Primeiramente iremos notar uma mudança significativa no estilo visual de SdA para O Hobbit devido à estética única de Guillermo? Se sim, irá ocorrer um re-imaginar completo do design dos lugares vistos em ambos os livros (como Bolsão e Valfenda) devido a este estilo diferente?

Guillermo del Toro: Os designs básicos, os designs pré-estabelecidos serão apenas “atualizados” devido à época diferente. Meio século a mais ou a menos o que em termos de Terra-média não é muito, mas – pense sobre com nosso mundo mudou de – digamos, 2001 para cá… Os novos cenários e designs devem se unir o suficiente para não passar a sensação de um mundo completamente diferente, mas sim, os filmes estão fadados a ter algumas características estilísticas distintas.

Pergunta: Senhores, uma questão em duas partes. Primeiro, filmando em película ou digital? Segundo, Anamórfico (2:1) ou Widescreen (1,85:1)?

Guillermo del Toro: Eu normalmente uso Widescreen mas planejo respeitar a escolha de Peter com relação ao formato utilizado na Trilogia (2,35:1) mas é minha intenção, por agora, filmar em película, não digital.

Pergunta: Como o novo Gollum será diferente do Gollum da trilogia SdA, isso se for diferente?

Guillermo del Toro: De novo, apenas a passagem do tempo (ele é meio século “mais novo”), mas será Andy que estabelecerá o design que será nossa Base.

Pergunta: Os Elfos da Floresta das Trevas serão diferentes dos Elfos de Valfenda da trilogia SdA?

Guillermo del Toro: esta definitivamente é minha intenção mais não posso revelar mais nada no momento.

Pergunta: Considerando que você está esticando O Hobbit em dois filmes podemos assumir que Beorn será mostrado e que ele não receberá o tratamento Tom Bombadil?

Guillermo del Toro: Eu posso ser parte da minoria, mas eu absolutamente ADORO Beorn e pretendo apresentá-lo nos filmes. Por sinal, eu também gosto bastante de TB…

Pergunta: Eu adoraria saber como lidarão com os goblins no filme. Eles parecerão com os orcs menores dos filmes SdA ou vocês farão um design completamente novo? E mais, tudo parecerá como nos filmes SdA ou serão as coisas serão refeitas para se encaixar à sua visão?

Guillermo del Toro: Esta é uma área na qual espero poder ampliar e melhorar MUITO os designs estabelecidos na Trilogia. Eu planejo um tratamento novo e muito forte para os Goblins. Eu também acho que os Wargs devem ser repensados para seus papéis em O HOBBIT.

Pergunta: Uma coisa que eu adoro sobre assistir filmes de diferentes cineastas e ver suas próprias visões sendo colocadas na tela. Mas uma vez que estes filmes do HOBBIT estão sendo feitos para combinar com a série SDA, isto significa que a maravilhosamente imaginativa visão do Sr. Del Toro será limitada para seguir as regras estabelecidas pelo Sr. Jackson?

Guillermo del Toro: É meu privilégio percorrer estradas previamente traçadas mas eu definitivamente planejo conduzi-los a locais novos e excitantes que a Trilogia não explorou. Contudo, é nossa intenção que, uma vez feitos, os cinco filmes irão tocar como uma obra sinfônica que transparentemente o transporta através deste mundo.

Pergunta: Olá, eu sou Beren da Romênia e gostaria de perguntar ao Sr. GDT se ele planeja usar (como PJ fez) grandes maquetes para retratar os vastos panoramas e cidades da Terra-média ou efeitos mais simples de CG? Obrigados e saudações.

Guillermo del Toro: Peter e eu adoramos técnicas “estilo antigo”. Eu adoro miniaturas físicas e tento utilizá-las tanto quanto posso e tenho certo fetiche sobre isso. Maquetes certamente se encaixam aí.

Pergunta: Pergunta para Guillermo, assumindo que todos estejam retornando para escrever o roteiro, você também estará escrevendo ao lado de Peter, Philippa e Fran?

Guillermo del Toro: Eu pretendo. As sugestões deles na criação literária do roteiro é uma necessidade. Eu dependo deles e espero gastar muitos meses deliciosos vagando pela Terra-média.

Peter Jackson: Escrever um roteiro com um grupo de colaboradores e como a colaboração entre Lennon e McCartney… algumas vezes uma ou duas pessoas fazem mais do que as outras em certas partes do processo e vice-versa, tudo vem junto e nós dividimos igualmente o crédito depois do processo concluído, com nós quatro seremos capazes de dividir o trabalho de formas interessantes e todo mundo será capaz de ajudar a construir estes filmes.

Pergunta: Eu gostaria de comentar sobre a excelente escolha de diretor, mas tenho certeza que isso já ficou cansativo. Com relação ao Hobbit e aos numerosos Anões, eu estava imaginando se todos eles terão espaço no filme. Em O Senhor dos Anéis, você tinha nove na Sociedade, mas você tinha três filmes para trabalhá-los. Em o Hobbit você tem treze Anões e um filme para apresentá-los. Eu definitivamente espero ver todos os treze aparecendo, mas o que estão fazendo sobre isso?

Guillermo del Toro: Tolkien escreveu treze anões e eu pretendo usar treze anões. Eu estou, de fato, entusiasmado em mantê-los todos e fazê-los distinguíveis e afeiçoáveis enquanto personagens. Muito do drama e emoção no último terço do filme virá deles.

Pergunta: Guillermo, eu sempre pensei em você como um diretor visionário, e adoro seu trabalho – você por favor poderia me contar qual foi o fator decisivo que o fez concordar em ser o diretor de O Hobbit?

Guillermo del Toro: De todas as obras literárias de Tolkien eu estava familiarizado apenas com O HOBBIT. Eu o comprei com 11 anos de idade e ele tocou uma corda em mim, mas, àquela época, eu falhei em conectá-lo com a Trilogia e o Silmarillion (os quais agora eu acho deliciosos). Eu os achei – ao contrário do HOBBIT – “densos demais” para minha jovem mente. Eu sonhei com a Floresta das Trevas e com Smaug por eras (de fato, um dragão como Smaug foi roteirizado como parte do “conto de fadas” que Ofélia narra a seu irmão em O LABIRINTO DO FAUNO, mas foi cortado por razões financeiras), e quando eu vi Peter realizar a Trilogia eu pensei que o HOBBIT nunca viria para mim. A proposta de gastar meia década criando estes filmes recebeu – como Peter confirmará – o meu “SIM” em cinco segundos. Para as pessoas de minha área eu geralmente sou um cara que tenta gerar seus próprios projetos e me esquivo bastante quando as pessoas tentam me colocar em grandes projetos. Por décadas eu recusei filmes de enorme escopo, mas este é um privilégio fantástico e eu imediatamente disse “Sim”.

Pergunta: Quando Del Toro tornou público seu desdém por Hobbits e fantasia do tipo “espada e sandálias”, como ele poderá fazer justiça ao filme? Porque o próprio Peter não poderia dirigi-lo após The Lovely Bones? Ele poderia dirigir estes dois filmes e depois dirigir o terceiro filme do Tintin.

Guillermo del Toro: Ok – Se por “Espada e Sandália” você quer dizer “Espada e Magia” eu mantenho as linhas gerais da minha afirmação de 2006. Mas permita-me reproduzir o seguinte parágrafo do ONERING.net e ampliá-lo-

Desde a idade de 4 anos eu me tornei um ávido leitor e colecionador de livros; manuscritos, panfletos, primeiras edições, tiragens pequenas ou capas-mole usados… todos encontram um lugar em minha biblioteca que cresceu tanto e tão obtrusamente que eu tive que me mudar com minha família para uma casa diferente…

Por muitas décadas minha principal área de interesse foi a ficção de horror: Algernon Blackwood, Arthur Machen, MR James, LeFanu, etc. e os clássicos contos de Fada e literatura sobre o mecanismo do Mito: Grimm sem cortes, Andersen, Wilde, Bettelheim, Tatar, etc.

De vez em quando eu me permito Ficção Científica (não a orientada a máquinas, mas coisas mais humanísticas) e, portanto eu conto Bradbury, Ellison, Sturgeon e Matheson entre meus favoritos.

Minha área de interesse fica muito mais limitada quando lido com outro gênero… o gênero fichado sob o título de Fantasia.

Quando mais jovem eu li Moorcock, Clark Ashton Smith, Lord Dunsany, Lloyd Alexander, Fritz Leiber, Marcel Schwob, RE Howard e uns poucos outros.

Contudo eu nunca fui impulsionado em um vício aleatório por subgêneros como Espada & Magia ou fantasias indiscriminadas sobre esta ou aquela coisa mágica. Como qualquer outro gênero ou subgênero há grande abundância, o que torna difícil discernir quando uma nova “trilogia” vem de um lugar genuíno como a de Tolkien ou deriva de um fervor genuíno – religioso ou outro – como fez C. S. Lewis. Mas aqui estou agora: lendo como um louco para abraçar uma terra completamente nova, um continente de opções – uma Cosmologia criada por um brilhante filólogo transformado em Xamã.

E se eu toquei um universo existente fora de nossa caverna Platônica, Tolkien canaliza um mundo inteiro, costurando com maestria a partir do mito e lenda. A maior virtude é que toda sua erudição acadêmica não reduz seus contos a uma mera Taxidermia. Ele atinge uma Alquimia própria: ele escreve nova vida no barro recém esculpido de suas criaturas.

Eu, durante todos esses anos, me tornei familiar com as próprias raízes dos mitos de Tolkien e as raízes de Fafhrd ou Elric ou Hiperbórea e muitas vezes mergulhei com gosto nas intrincadas vias nas quais lobos demoníacos, seres que mudam de forma e guerreiros pálidos e longíneos podem ser intercalados naqueles muitos contos que se tornam, no final, o único conto, a única saga – aquilo que é imortal em todos nós.

Ao criar O Labirinto do Fauno eu bebi profundamente da mais rígida forma do Conto de Fadas e tentei contextualizar os principais temas recorrentes em uma rima indistinta entre o mundo da fantasia e as ilusões da Guerra e Política (a forma do homem adulto fazer-de-conta) e ao reler O HOBBIT recentemente eu fiquei bastante emocionado pela descoberta, através dos olhos de Bilbo, da natureza ilusória da posse, os pecados do acumular e a banalidade da guerra – seja no Fronte Ocidental ou no Valle na Terra-média. Solitária é a montanha, de fato.

Quando a afirmação foi feita – em momentos diferentes durante a promoção do LABIRINTO DO FAUNO, muitas vezes eu fiz um senão para dizer que embora eu não tenha lido Tolkien além de O HOBBIT eu fiquei fascinado pelos filmes da Trilogia. Uma afirmação que eu já tivera a chance de fazer em 2005 quando PJ, Fran e eu nos encontramos por causa de HALO.

Então não, eu geralmente NÃO sou um cara da “Espada e Magia” ou um cara da “Fantasia”. Pelo mesmo parâmetro, eu não sou um cara da Ficção Científica, mas eu faria um filme baseado em Ellison sem pestanejar – ou em Sturgeon ou Bradbury ou Matheson. Eu não gosto de Bárbaros com espadas, mas eu mataria para lidar com Fafhrd e Rato Cinzento… e assim por diante… eu sou um crente mas não um Dogmático.

Deixe-me colocar um ponto final e melhor em nossa discussão. A estética de HELLBOY II é completamente pop e saturada de cores, muito mais estilo quadrinhos / moderno do que eu jamais usaria em O HOBBIT, mas eu gastei dois anos criando um mundo de Fadas, Elfos, Trolls, etc.

Dois Anos. Uma carreira/decisão criativa que precede qualquer pedaço de O HOBBIT. Eu escrevi o roteiro anos antes de encontrar com PJ ou Fran. Em outras palavras eu dediquei os últimos 6 anos de minha carreira (entre LF e HBII) para criar um mundo Fantástico habitado por Fadas, Faunos, Ogres, Trolls, Elfos, etc.

Neste aspecto – eu acho que eu sou um cara da Fantasia quando o mundo em particular me diz algo. De volta ao Período Jurássico (1992 / 1993) quando CRONOS recebeu a Semana dos Críticos em Cannes eu era citado como um “cara da arte” – eu continuei aquilo com um filme cobre uma barata gigante que fez sucesso suficiente para ter duas continuações e me permitir co-financiar EL ESPINAZO DEL DIABLO que me mandou de volta a ser um “cara da arte”. Então eu fiz BLADE II e as pessoas pensavam em mim como um “cara da ação” – PJ passou por uma carreira mercurial semelhante com HEAVENLY CREATURES, BAD TASTE, DEAD ALIVE, etc. eu fujo de rótulos e espero poder evitar ser um “cara da Fantasia” após LF, HBII e H…

Eu faço os contos que eu amo (independente de qual estante do Barnes & Nobles estejam) e eu amo o HOBBIT.

Eu o amo o suficiente para lhe dar meia década da minha vida e me mudar meio mundo de distância para fazê-lo.

Peter Jackson: Tendo dirigido a Trilogia SDA, eu realmente sinto que coloquei meu coração e alma na dramatização deste mundo e história, apenas alguns anos atrás. A idéia de retornar e essencialmente competir com meus próprios filmes me pareceu uma forma insatisfatória de gastar os próximos 5 anos. Contudo, eu amo Tolkien e me preocupo profundamente com os filmes que fizemos. Eu não poderia suportar a idéia de alguma outra pessoa fazê-los sem nosso envolvimento. Sendo um roteirista e produtor é perfeito que eu trabalhar aqui. Guillermo tem a responsabilidade maior de dirigir, e para ele é mais fácil fazer estes filmes parecerem diferentes, simplesmente porque ele não é eu. E, portanto tem uma visão original, com novas idéias a oferecer.

Acredite em mim, eu pensei muito e por muito tempo sobre isso, e o que estamos fazendo resultará em filmes melhores, eu prometo. E isto é tudo que importa!

Peter Jackson: OK, quase terminamos por aqui pessoal e temos nossa última Pergunta que foi a mais popular entre as milhares enviadas com antecedência.

Pergunta: Quais dos atores de SdA irão retornar para reprisar seus papéis em O Hobbit e seu outro filme?

Guillermo del Toro: Obviamente, a este ponto, o segundo filme ainda está sendo pensado – de forma que os atores podem ou não ter aparecido em O HOBBIT como obra literária mas continuam a aparecer no segundo filme uma vez que este se “mistura” com a Trilogia e se expande. Portanto o que pode ser dito é: sem dúvidas, cada ator que originou um papel na Trilogia será convidado a participar do filme e reprisar este papel. Se saúde, disponibilidade e vontade se tornarem obstáculos – e apenas neste caso, consideraremos escolher novos atores.

Peter Jackson: Como o Guillermo disse, exceto por circunstâncias extremas, nós nunca escolheríamos um novo ator para um personagem que já apareceu na trilogia SDA. Você pode ter O Hobbit e identificar quais personagens tomam parte. O fator desconhecido é o Filme Dois, que ainda estamos desenvolvendo. Se nós desejássemos escrever uma parte para uma das personagens do SDA na narrativa do Filme Dois, nós o faríamos apenas com a benção daqueles atores, e o desejo deles de tomar parte. Se não fosse assim nós levaríamos o texto para outra direção.

Guillermo del Toro: O Tempo acabou…

Mas eu posso orgulhosamente dizer que apenas uns POUCOS perguntaram “Como eu posso fazer uma pontinha?” e meu coração nada em orgulho com tantas questões que vocês foram gentis o suficiente para enviarem – Mais bate-papos e navegação em fóruns nos esperam – nos vemos logo…

Peter Jackson: Então é isso para nós nesta manhã ou neste anoitecer, ou meio da noite seja lá onde você estiver. Lamentamos que isto seja tudo pelo que possamos responder, mas tentamos abranger cada uma das Perguntas que representavam coisas similares, dentre as muitas que vocês mandaram. Então temos esperança de ter dado a vocês um pouco de informação. Como eu disse a verdade é que existe uma porção de Perguntas sem resposta para nós também neste estágio do processo. Nós saberemos muito mais quando os roteiros forem escritos, o que é nossa próxima tarefa, que estaremos realizando e tomará a maior parte do resto deste ano, imagino. Espero que tenha sido útil e obrigado a todos pelo incrível apoio agora e nos anos passados. Tudo de bom, Peter J.

Guillermo del Toro: Que o cabelo de seus dedos, etc.

Peter Jackson: A transcrição deste bate-papo estará disponível aqui na Weta em algumas horas. Todo mundo aqui na Weta pretende continuar com este tipo de relacionamento com você durante a experiência hobbit e há uma porção de surpresas divertidas nos próximos 4 anos.

Guillermo del Toro: Viva a WETA e os muitos “brinquedos” que eles fazem! E que Cthulhu me dê mais estantes para colocá-los…

Jake Gyllenhaal será o Príncipe da Persia! E agora?

Publicado em: 23-05-2008 @ 3:22 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

A Walt Disney finalmente anunciou o ator Jake Gyllenhaal (“O Segredo de Brokeback Mountain”) como protagonista de seu mais novo e ambicioso projeto, o filme “Prince of Persia: The Sands of Time“. Para contracenar com o ator, também foi anunciada a atriz Gemma Arterton (do inédito “007 – Quantum of Solace”). Estavam na briga Orlando Bloom e Zac Afron.

O longa, baseado no famosíssimo jogo de videogame, conta a história do príncipe Dastan (Gyllenhaal) e da amazona Tamina (Arterton), que juntam forças para evitar que o tirano Vizir coloque as mãos no artefato que contém as “areias do tempo”. Tal tesouro concede a seu possuidor o poder de voltar no tempo, o que em mãos erradas provocaria o caos e aniquilação.

O filme está em boas mãos. Quanto a isso podemos ficar tranqüilos em relação a produção. A direção será de Mike Newell (”Harry Potter e o Cálice de Fogo” e “Quatro Casamentos e um Funeral“) e roteiro de Doug Miro, Carlo Bernard, Boaz Yakinconta e Jordan Mechner (o criador do jogo). A produção será de Jerry Bruckheimer, o mago por trás de produções como a trilogia “Piratas do Caribe”, os dois filmes da saga “A Lenda do Tesouro Perdido“, “Top Gun” e outros.

Não teve estúdio melhor para ficar a série. Depois da trilogia “Piratas”, vimos que a Disney tem capacidade de criar mundos fantásticos com muita fidelidade (exceto Nárnia). Gyllenhaal foi muito bem escolhido. Terá um orçamento milionário (100 a 150 milhões de dólares). E, principalmente, o criador do jogo estará envolvido!

É muito difícil dar errado. Será? Jake realmente foi uma boa escolha? O filme será uma espécie de “Aladdin 2“? O que esperar?

Parte da matéria foi produzida por Pablo Cordeiro, co-redator do portal Cinema com Rapadura.

Kristin Kreuk como Chun-Li

Publicado em: 23-05-2008 @ 2:46 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

A Capcom Japonesa liberou uma imagem da estrela do seriado Smallville, Kristin Kreuk, caracterizada como Chun-Li no filme Street Fighter: A Lenda de Chun-Li. Ela é linda e também tem muito talento, mas onde está a tradicional roupa azul colada? Não consigo imaginar a personagem sem essa característica. Para sabermos como ela mais ou menos ficaria, abaixo tem uma arte conceitual da atriz no uniforme oficial:

Novidades em Dragon Ball

Publicado em: 22-05-2008 @ 9:13 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Jurandir Filho

Algumas novas fotos foram liberadas. Na verdade, foram escaneadas da revista Roadshow desde mês que tem uma matéria falando sobre a adaptação de Dragon Ball para às telonas. Assim como já falamos em outra matéria (que tem imagens de todo o elenco e várias de opiniões dos leitores), o filme é bastante esperado pelos fãs do desenho. Dragon Ball é um mangá criado por Akira Toriyama e que já foi exibido em muitos países.

Nas imagens podemos ver como está ficando a caracterização dos personagens e podemos ter uma idéia de como ficará o produto final. Como fã do desenho, posso dizer o seguinte:

1| A Bulma está linda. Bem melhor que no desenho.
2| A Chi-Chi também está linda!
3| O Goku não poderia ser muito diferente disso. Se fosse além, ficaria caricato demais. Se bem que essa esfera do dragão está bem cartunesca. Será que no filme teremos essa mistura de live-action com anime (estilo Speed Racer)?
4| O Mestre Kame está completamente diferente do desenho. Quero o velhinho com barbas branca, careca e tarado! o_o’
5| O Yamcha é bem isso mesmo. Apesar deu sempre imaginá-lo como em Dragon Ball Z, apesar dele estar presente com várias roupas desde a época que o Goku era criança.

Lembrem-se que o orçamento do filme é 100 milhões de dólares!







ATUALIZAÇÃO: Achamos um possível rumor de como seria a caracterização dos Namekuseijins, moradores do Planeta Namekusei, e que são seres humanóides de pele verde e que possuem duas antenas na cabeça. Piccolo, que é um dos Guerreiros Z, pertence a essa raça. A imagem já foi confirmada como sendo falsa, mas vai saber, né? Confira abaixo:

E quando acenderam as luzes, Saramago chorou!

Publicado em: 22-05-2008 @ 12:18 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Bruno Mendonça

Se o grande escritor já havia dito que o cinema atrapalha a imaginação, como postei em outro texto, agora podemos ver claramente a reação de José Saramago ao ver Ensaio Sobre a Cegueira, ao lado de Fernando Meirelles no Festival de Cannes. E olha, foi emocionante. Confiram no vídeo abaixo:

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