
Certa vez, eu estava assistindo ao filme “Sete Anos no Tibete” na Sessão de Gala da Rede Globo (é o jeito para quem quer ver filme decente sem gastar nada e que ainda tem problemas para dormir).
Confesso a vocês que foi a primeira vez que vi ao filme estrelado por Brad Pitt e excelentemente dirigido por Jean-Jacques Annaud, o mesmo de “O Nome da Rosa”. De fato, é uma história comovente sobre o alpinista austríaco Heinrich Harrer (o longa é inspirado no livro homônimo do próprio Harrer) e o período em que ficou no país do seu então grande amigo, na época adolescente, Dalai Lama. Sem mencionar na explosão de consciência que o austríaco sofre, passando do alpinista egoísta e temperamental para o homem maduro e altruísta, preocupando-se com o destino do Tibete perante a ocupação da República Popular da China.
O mais triste é ver que os tibetanos e toda a sua pujante cultura ainda são sobrepujados pelo poderio militar chinês. E qualquer mostra de simpatia pelo Tibete e antipatia pela ocupação chinesa é motivo de se tornar persona non grata no país que será sede das Olimpíadas de 2008. O próprio Brad Pitt e o diretor Annaud são exemplos disso: o dois, por conta de suas participações em “Sete Anos…”, estão proibidos de visitar a China desde 1997.
Outro astro que demonstrou seu repúdio a situação do Tibete foi o astro Richard Gere, que já teve mais de 20 pedidos de vistos recusados, sem qualquer justificativa, para entrar na China. O ator de “Justiça Vermelha” (neste filme foram usados truques de cinema, já que a história se passa em Pequim e Gere não pode por o pés no país) alega que o seu encontro com Dalai Lama, datado em 1982, transformou completamente a sua vida. Em setembro do ano passado, o ator havia promovido um boicote para as Olimpíadas de Pequim, em protesto contra o abuso a que os tibetanos são submetidos.
E nos noticiários, podemos perceber como os chineses não fazem qualquer menção, dentro do seu território e para o restante do mundo, sobre a situação do Tibete, já que não querem ter o “filme queimado” (com perdão do trocadilho) por conta das Olimpíadas de Pequim.
[O título dessa matéria é descaradamente inspirado em uma coluna de Maíra Suspiro]
Quase todo mundo já começou um blog. Muitos já começaram mais de um. Alguns mais de dois. Com certeza, teve gente que chegou a ultrapassar uma dezena, quem sabe. O fato é que muitos sabem o que é blog. Alguns gostam, outros não. Há, inclusive, disputa de ego dentro e fora da blogosfera. Mas, o que menos se comenta, é em que se constitui um blog. Amontoado de textos, pensamentos, devaneios, status, moda? Talvez a resposta seja isso tudo e nada ao mesmo tempo.



















