
Desde que foi anunciado um segundo longa-metragem do “O Incrível Hulk”, muito se especulou a respeito da produção. Principalmente, por conta da controversa adaptação levada às telonas pelo introspectivo diretor taiwanês Ang Lee (“O Segredo de Brokback Mountain”). A película que foi exibida em 2003, tem seus pontos fortes e fracos. O forte, que considero, é uma abordagem psicológica do lado obscuro do protagonista Bruce Banner. O fraco, eu consideraria não o “Hulk chicletão” (que parecia mais o Geléia dos “Caça-Fantasmas” depois de ter abandonado a sua forma ectoplasmática e ter tomado muito anabolizante), mas sim o ator escalado para ser o atormentado Dr. Banner: Eric Bana. Ele é bom ator, mas nem de longe ele tinha perfil para ser lado “humano fracote” do Gigante Esmeralda.
Em 2006, ao ser anunciado o diretor francês Louis Leterrier, que tem no currículo filmes de ação como “Carga Explosiva” e “Carga Explosiva 2”, os ânimos dos fãs parecem ter se inflado, pois gostariam de que a ação tivesse sido melhor explorada no longa de Ang Lee. A expectativa foi grande, até ser anunciado o nome de Edward Norton (que, convenhamos, tem bem mais o biotipo de Bruce Banner do que Eric Bana). Até eu estranhei a participação dele num blockbuster deste tipo, já que ele é mais conhecido pelos filmes voltado para um intelectual(?). E melhor para ele, que pôde ter Liv “linda de morrer” Tyler como Betty Ross.
Além do mais, nomes do porte de Tim Roth e William Hurt davam mostras que o longa prometia (e promete). E já que é assim, então por que não há uma maciça campanha de marketing como “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “Speed Racer”, “Homem de Ferro”? Pois só em março é que saiu o primeiro trailer do filme, sendo que sua estréia é em junho.
Ao que parece, a premissa das histórias do Hulk, em que as personalidades de Banner e do verdão estão sempre em rota de colisão no íntimo do “médico-monstro”, se repetiu na pós-produção. Segundo a mídia, Norton e Leterrier (que também assina o roteiro) querem um longa-metragem mais extenso para abordar tanto o doutor quanto seu alter-ego monstruoso. A Marvel, por outro lado, quer um filme mais curto e com mais ação. E também por motivos mercadológicos.
Se por motivos comerciais, eu for ao cinema para ver um filme que a história só serve de pano de fundo para uma pancadaria incessante de um bombado verde, seria melhor ficar em casa e ver o “WWE – Luta Livre na TV”. Programa que foi excluído da grade do SBT. Pelo menos não gasto o dinheiro da passagem e do ingresso e ainda posso ver o programa deitado na minha rede.
De acordo com Norton, não há disputas de egos e sim apenas divergências criativas na pós-produção. Afinal, blockbusters são sempre uma faca de dois gumes: pirotecnia exacerbada, mas uma história pífia. Como no caso do filme “Armageddon” – de fato, um armageddon na história do cinema. Bom, Norton é competente – vide seus trabalhos -, por isso dou um crédito para ele. Mas, no fim, o único ego a se sobressair no longa é o do “O Incrível Hulk”. Afinal, “Hulk Esmaga!”