Um dos cineastas mais comentados de todos os tempos, Alfred Hitchcock levou s telas cenas que ficaram gravadas no imaginário de milhares de pessoas. Com sua clássica maneira de transformar histórias simples em interessantes tramas de suspense, ele costumava dizer que aprendeu tudo sobre o medo durante sua estadia em escolas católicas. E, mesmo tentando seguir carreira de engenheiro, foi no cinema que ele se encontrou de verdade.
O britânico, nascido em 1899, dirigiu seu primeiro longa-metragem aos vinte e cinco anos de idade, intitulado “The Pleasure Garden”. Entre várias produções, ele tinha como marca registrada o trabalho com roteiros que geralmente traziam de cara informações que considerava essenciais e básicas: a localização espacial e/ou temporal daquilo que desenvolveria ao longo de seu file. “Na forma comum do suspense, é indispensável que o público esteja perfeitamente informado dos elementos presentes. Senão, não há suspense”, acreditava. E apesar de sempre fazer uso de elementos princípio simples, Hitchcock carregava seus poucos personagens com uma dramaticidade, deixando-os mais consistentes e reais. Em seus percursos dentro do suspense, eles traçavam ainda um percurso interno, quase como uma tentativa de descoberta. Uma trajetória que os transformaria de alguma maneira ao longo do filme. E não poderia deixar de citar outro personagem importantíssimo em suas películas: a trilha sonora.
Além de inovador, um de seus grandes trunfos era a habilidade que tinha de mexer com o inconsciente popular. Alfred Hitchcock faleceu em 1980, mas deixou seu legado, seguido por profissionais declaradamente (ou não) de sua obra. Diretores que o citam em suas obras ou realizam refilmagens (nem sempre declaradas). Se são tão boas quanto as do mestre, aí eu deixo para que vocês decidam. Abaixo, segue alguns exemplos:
“Plano de Vôo“, de Robert Schwentke

Refilmagem não declarada de “A Dama Oculta”, este longa traz Jodie Foster como uma mãe que viaja de avião com a filha. Ela adormece, e ao acordar, a menina não está mais ao seu lado. Desesperada, ela quer checar o avisão inteiro atrás da criança, mas todos desconfiam que ela é louca, pois os passageiros afirmam não terem visto a criança, e parar complicar mais ainda, o nome dela sequer consta da lista de pessoas dentro do avião. No original de Hitchcock, a trama gira em torno de uma mulher que dá pelo sumiço de uma senhora dentro de um trem. Assim como na “refilmagem”, ninguém acredita na heroína, e todos afirmam categoricamente que nenhuma senhora entrou naquele trem.
“Paranóia“, D.J. Caruso

Depois de vários comentários acerca da trama, D.J. Caruso confessou que a história havia sido construída em cima de “Janela Indiscreta”. Em “Paranóia”, Shia LaBeouf fica retido em prisão domiciliar, e para passar o tempo começa a observar a vida dos vizinhos É quando começa a desconfiar que um deles pode ser na verdade um serial killer. O mesmo acontece a James Stewart e Grace Kelly, que interpreta a noiva do protagonista. Nesta trama, o que faz o mocinho ficar preso em casa é um acidente que deixa suas duas pernas engessadas. A principal diferença entre os dois está que, na nova versão, o suspense é transformado em uma trama mais adolescente.
“Psicose“, de Gus Van Sant

Este foi trabalhado do começo ao fim para seguir risca cada um dos passos tomados por Hitch. Os planos foram detalhadamente estudados por Van Sant, que disse ter feito um storyboard em cima do longa original, para ser extremamente fiel ao primeiro. Na época de seu lançamento (1998), quase quarenta anos depois que o primeiro havia sido levado s telas, a crítica não gostou muito do resultado. Mesmo tendo sido praticamente copiado, e isso com a afirmação categórica de Van Sant, o filme não foi bem aceito. Os atores não conseguiram o mesmo sucesso do primeiro, que contava a história de uma mulher que rouba 40 mil dólares e vai parar em um hotelzinho de beira de estrada, onde a trama se desenrola.
Brian DePalma

Declaradamente fã de Hitchcock, ele não esconde de ninguém suas homenagens. Em vários de seus filmes, há citações, diretas ou indiretas. Mas de alguma forma, o mestre do suspense está, segundo declarações do próprio DePalma, refletido em seu trabalho, especialmente nas construções de seus argumentos. “A Fúria” é provavelmente um dos trabalhos onde isso fica mais óbvio, onde alterna momentos de suspense e graça - outra marca de AH. Em “Femme Fatale” ele cita um dos filmes mais comentados da carreira do britânico: “Um Corpo Que Cai”.