Fofocar ou não?

Publicado em: 27-11-2007 @ 11:17 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Diego Benevides

Katie Holmes querendo fugir com a filha, Lindsay Lohan com suas manias e futilidades, Paris Hilton sendo presa ou dando os escândalos de praxe, Angelina Jolie e Brad Pitt cada dia com algo inusitado… ufa! Se eu for continuar citando as outras milhões de fofocas que circulam todos os dias pelas páginas virtuais, revistas especializadas e colunas do gênero, não caberiam neste pequeno espaço que tenho. Nossos brilhantes astros não são só alvos de novos projetos e afins, mas também possuem uma vida pessoal que, como dá para perceber, na maioria das vezes, vira alvo de boatos e fatos dos tablóides internacionais.

Por menos especialista em fofoca que o CCR seja, não é novidade que sempre colocamos na seção notícias umas fofoquinhas básicas quando achamos que seja algo de interesse de determinado público, porque é óbvio que tem gente que adora ler essas notícias quentíssimas. Por exemplo, eu não sou muito fã da Paris Hilton, mas acho tão absurdas as coisas que ela apronta que quando sai uma nota sobre ela, logo me interesso em ler para rir um pouco ou reforçar a futilidade dela. Com ou sem fofocas, o CCR não abandona a parte séria da coisa e sempre tenta atualizar os leitores do que está rolando no mundo cinematográfico afora, tentando fazer um mix do útil e do agradável.

Por que eu estou falando isso se todos já sabem, não é? Porque nós da equipe recebemos recentemente um e-mail de uma leitora insatisfeita com o abuso que estamos fazendo na seção noticiária, exagerando no número de fofocas e desvirtuando a proposta do site. Achei interessante pegar isso como gancho e explanar sobre alguns pontos de vista acerca do assunto, até porque eu também sou um dos responsáveis por colocar material do gênero aqui no CCR e concordo que nem todo mundo está interessado em notícias que não se refiram diretamente ao cinema, que nem todos se importam se ator X ou atriz Y está feliz com o casamento, ou esperando um bebê ou tendo um barraco entre uns, enfim. Do mesmo jeito que é certo que muitos adoram saber as novidades na vida de seus artistas preferidos, até mesmo aqueles que não são grandes admiradores de fofoca e só querem se informar. Este é o fato: informar e não fofocar, apesar de a fofoca ser uma conseqüência onde sempre terá gente que vai querer ler, e tal interesse sobre o assunto vai depender do gosto de cada um.

O CCR não pode se limitar demais, pois temos um público eclético que se agrada com isso ou aquilo que publicamos, o que gera um certo fanatismo até pelos nossos redatores que sempre recebem elogios ou críticas, mas é preciso entender que precisamos lidar com assuntos de interesse em geral para atender a necessidade (ou a curiosidade) de qualquer leitor, principalmente aquele que nos visita pela primeira vez. Acho que o que incomoda alguns é a maneira como os assuntos são abordados, dosando ou não o sensacionalismo e é claro que não usamos a mesma medida quanto a mídia especializada, até porque não vivemos disso. Somos até pacientes ao lidar com um assunto e procuramos não colocar a notícia somente por colocar, mas pensamos no que pode atrair um clique dos nossos leitores. Em tudo na vida sempre tem algo que desagrada, do mesmo jeito que tem muita coisa que nos agrada. Gostos não se discutem, se compartilham. E fofoca sempre vai existir. Aqui, lá. Sempre.

Be Kind Rewind (2008)

Publicado em: 27-11-2007 @ 11:15 pm 
Postado em: Trailers
Escrito por: Maurício Saldanha


Não é novidade pra ninguém que acessa ao Cinema com Rapadura que 2008 será “o ano do cinema”. E quem acompanha aqui minha coluna, já sabe que eu tenho minha lista de prediletos, que começa com “Cloverfield”. O segundo da lista (sem ordem de preferência) é este BE KIND REWIND do genial Michel Gondry (“O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”).

Vamos logo ao trailer. Na verdade um trailer dentro do trailer. Com placas medonhas, é mostrado os créditos do “filme”. Logo então vemos uma cena filmada em VHS de Jack Black (“Escola de Rock”) no que parece ser uma biblioteca de quinta categoria e um livro é guiado por um fio de nylon para dar a impressão de estar flutuando. Então Black diz: “Corta!” Mas que raios é isso? Era pra ser tal cena, uma recriação de “Os Caça-Fantasmas“? Sim, exatamente isso. E por isso vamos falar sobre o filme fora do “filme” e deixar que os visitantes do CCR desfrutem das hilárias cenas deste promo sem um acompanhamento descrito.

BE KIND REWIND é o mais novo devaneio de Michel Gondry. O cara é um gênio. Criador de clipes fantásticos de bandas famosas como The Chemical Brothers e The White Stripes, ou então de cantoras célebres como a Bjork. Diretor de inúmeras propagandas, sendo as recentes uma para a Motorola, Michel mostra seu talento de olhar lúdico e totalmente consciente. No cinema quem assistiu a “O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” sabe como é o trabalho do diretor. Cenários feitos na mão, nenhum efeito especial em CGI, ou seja, roteiro e cenário, essas sãs as “armas” de Gondry.

Em BE KIND REWIND, o diretor na verdade homenageia, não só o cinema, mas o seu parente (hoje, parente “distante”): o VHS. O próprio título do filme, se traduzido soa como a mais ouvida frase em antigas locadoras: “Seja gentil, rebobine a fita!

Jack Black comanda uma videolocadora junto a Mos Def (“16 Quadras”) e por um certo magnetismo que Black emana do seu corpo, as fitas são apagadas. A idéia dos dois para que a clientela não se afaste é o seguinte: recriar os filmes mais procurados em vídeo amador! O negócio acaba dando certo, e mesmo com 20 minutos para cada “re-filmagem”, eles se vêem obrigados a fazer mais e mais “filmes”.

Delicioso não? Pois é isso. BE KIND REWIND é uma fantástica surpresa. Uma homenagem ao cinema e ao VHS. No primeiro trailer lançado na Comic Con 2007, podíamos ver outros atores como Danny Glover (“Máquina Mortífera”) e Mia Farrow (“Maridos e Esposas”) e outras cenas além de “Os Caça-Fantasmas“. “Robocop” e “2001 - Uma Odisséia no Espaço” também eram mostrados. Comédia total. Agora, o diretor teve a idéia de lançar o trailer das fitas “re-filmadas” como podem conferir nesta postagem. E junto a esse, lançaram o de “A Hora do Rush 2” (clique aqui) e “Robocop” (clique aqui).

Dou a dica. Assistam aos trailers. E logo aluguem os filmes citados e assim como eu, aguardem a estréia desta hilariante e mágica idéia-filmada de Michel Gondry.

AVALIAÇÃO DO TRAILER: 10/10
ESTRÉIA NOS EUA: 25 de Janeiro de 2008

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21 anos com o Cinema

Publicado em: 26-11-2007 @ 9:49 pm 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Sendo bem egoísta e lembrando dos meus recém completados 21 anos, pensei em uma lista de filmes que me marcaram. Tudo isso provando como o cinema realmente impregna na vida daqueles que curtem o assunto.

A idéia era traçar uma linha do tempo com filmes. Acontece que eu tenho um problema sério de memória e certamente iria confundir as idades e os anos e ia ficar uma confusão só. Sendo assim, peguei os nomes e coloquei em uma ordem que tenta despretensiosamente ser cronológica. No começo era o início. (É nada…) Enfim, quero dizer que tudo começou quando eu conferi “O Rei Leão” e me apaixonei pelas músicas e pelos personagens. Além do Timão e do Pumba, aquela terceira hiena abobalhada me cativou bastante. Foi ali que começou a minha paixão por animações e o Cinema passou a perambular pelas ocasiões em que vivi.

Aí, depois veio um filme inspirador, um que me fez parar e ver o mundo de uma forma diferente, tentar sentir como os personagens do filme se sentiam e identificar semelhanças entre eu e eles. “Oh, Captain, my Captain”. Até hoje me arrepio quando lembro disso, assim como do sentido de “Carpe Diem”. Sim. “Sociedade dos Poetas Mortos” foi o filme que acendeu a primeira luz do meu real envolvimento com o Cinema, quando vi que os filmes que realmente me conquistariam seriam aqueles que me fariam sair diferente após assisti-los. Exatamente o tipo de sensação de tive anos depois em “Crash” e “Tropa de Elite”, por exemplo.

Quando vi “As Bruxas de Salém” com meus pais, descobri que não me contentaria em entender a história, mas em sacar como aquilo tudo era feito. Principalmente essas coisas de épocas passadas. E lembro que fiquei um tanto frustrada por não ter visto nenhuma bruxa voando em vassouras. É, eu era uma pequena infanta, curiosa o suficiente para querer ver mais e mais. Ai foi quando vi “Edward, Mãos de Tesoura” e achei o máximo. Toda aquela maquiagem, aquela história que me trouxe diversas interpretações… Vi que esse tal de Tim Burton teria muita coisa legal para me mostrar. Fora que foi meu primeiro contato com o mais que querido Johnny Depp. Enfim, mas do que “o que”, eu queria saber o “como”.

Outro filme que marcou foi quando vi “O Silêncio dos Inocentes”. Antes de tudo, foi o primeiro filme que eu vi adaptado de um livro. Tinha tentando lê-lo várias vezes, porque achava a capa super macabra, com aquele bichinho bizarro estampado, além do nome que me soava um tanto sinistro. Mas, só fiquei paquerando o livro mesmo. O máximo que consegui foi ler a primeira parte e saber que tinha uma tal de Clarice no meio. E o FBI. E eu sempre tive uma tara pelo FBI. Sempre curti histórias de crimes. Eis que para a minha felicidade, estava eu no sítio da família em plena madrugada e bufu: começa a passar “O Silêncio dos Inocentes” na Globo. Sim, dublado. Melhor ainda, já que na época eu não era muito íntima do inglês e detesto – ainda – ler legendas. Fiquei toda empolgada para assistir. E até comecei. “Hello, Clarice…”. Fiquei fã do Hopkins de cara, apesar de morrer de medo do personagem dele. Tanto que não, não consegui ver o filme todo. Fiquei com medo de não conseguir dormir mais. Sei lá porquê, mas eu achava que “Silêncio” era um filme de terror. Na minha cabeça, ainda não era muito clara a diferença entre suspenses “a la Hitchcock” e suspenses baratos e terror. Para mim, tudo dava medo. E eu não queria ficar numa casa grande e escura com a minha imaginação fértil e amedrontada. Pois é, brochei pela primeira vez com um filme.

Mas calma, eu superei e nem tenho vergonha de assumir. Depois, fui com tudo e conferi o filme na íntegra e vi que com toda certeza ela iria para o hall dos favoritos. Já fiquei doida pra ver outro do mesmo naipe. Claro, muito difícil de achar. Até um dia que eu vi “Seven – Sete Pecados Capitais” e descobri outro ator que muito me agradaria: Morgan Freeman. Ele mesmo. O Brad Pitt sempre me agradou pela estética, óbvio. Meus olhos são saudáveis e eu tenho o mínimo de juízo para perceber que aquele homem é fruto de uma ação muito dedicada e inspirada do Todo Poderoso. Mas como ator, o Brad Pitt só foi ganhar meu respeito depois de um tempo. Eis que eu babei em “Seven”, achei estupendo. Quis ver e rever e sempre me surpreendia. O único filme que chegou perto da minha empolgação ao ver “Seven” foi o primeiro “Jogos Mortais”. E só. Ambos me deram uma leve vontade de bolar planos de serial killers. Mas só bolar, calma.

Teve outro filme que mexeu muito comigo, mas de uma forma engraçada. “Jurassic Park” me fez querer bater palmas no cinema. E na mesma hora que eu senti essa vontade, eu pensei: Sim, e o Spilberg vai muito ouvir, né? Mas eis que uma galera dentro da sala começou a bater palma e gritar, e eu, óbvio, segui a onda. Fiquei toda arrepiada! Foi tão engraçado… Porque, enfim, “Jurassic” não é exatamente o tipo de filme que te emociona, não é um drama, ora. Mas quando o filme acabou, eu fiquei abismada em como ele era “irado”, com todos os efeitos e a trilha sonora e o clima e tudo e zaz e zaz. Um exemplo de filme que me conquistou pela técnica.

Outros filmes me conquistaram pelo desafio, como foi o caso de “Stigmata”. Minhas aulas de ensino religioso no colégio nunca mais foram as mesmas. Eu já não era do time das católicas fervorosas, depois de ver o filme, fiquei pensando em vários pontos, questionando outros. Foi um filme que, como “Sociedade”, mudou meu jeito de pensar, só que diretamente no âmbito da religião.

Claro, nem todos os filmes que me marcaram não caem no caso do conteúdo ou da técnica. Tem aqueles que marcam atitudes, como a de ir para o cinema para paquerar – coisa que hoje eu acho um absurdo. “Mar em Fúria” foi o líder dessa categoria. Só não me perguntem nada do filme. Só lembro que tinha mar. E ele estava em fúria. Somente.

No cinema nacional, foi “O Auto da Compadecida” que abriu a porta pra mim. Selton Melo e Matheus Nastchergaele. Dois atores por quem me apaixonei por causa do talento de cada um. Até hoje me divirto com as piadas do filme e aprecio as atuações divertidas. Fora que foi o segundo filme que vi baseada no livro do Ariano Suassuna, um ícone não só da literatura, mas da cultura para mim. E já nos anos recentes, foi “O Céu de Suely” quem apareceu como filme-ícone, porque misturou a maestria da técnica e sensibilidade absurda de temas que muito mexem comigo.

Simplesmente Amor” me convenceu a começar uma história de amor. Clichê, é verdade. Mas é bom viver alguns clichês. E foi realmente o filme que me fez decidir o que fazer. Todo aquele clima de romance e todas aquelas historinhas fofas me provocaram reações e acabou que eu mesma resolvi assumir o que já estava pendente, simples assim. Já “Closer” foi outro que também me provocou reflexões intensas, além de mostrar uma grande identificação. “Invasões Bárbaras” marcou uma mudança de rumo bruta na minha vida. A época em que ele chegou aos cinemas por aqui era um tempo de decisões importantes, e os assuntos abordados pelo filme realmente bateram forte em mim.

Noutro momento, quem me consolou e me encheu de novas perspectivas foi o filme “Sob o Sol de Toscana”. Realmente um filme que tem muita delicadeza, reflexão e carinho, de forma super leve. E claro, “Bridget Jones” foi responsável pelas curtições de momentos “loosers”. E com a área que mais gosto – o trabalho, meus filmes de inspiração com certeza são “O Diabo Veste Prada” e “Obrigado por Fumar”. Ambos os protagonistas me encantam. Meu sonho era ser filha da Miranda Priesley e do Nick Naylor.

Chegando na maior idade, finalmente conferi “Cinema Paradiso”, que me fez chorar por emoção ao cinema. Não sei o que aconteceu, mas ele me sensibilizou de uma forma muito particular. A mesma coisa aconteceu recentemente com “Piaf”, que me levou a um choro quase que involuntário sobre a vida de uma cantora que desde pequena andou cantalorado pelos meus ouvidos.

Enfim, é filme que não acaba mais. Eles sempre conseguem te tocar de alguma forma, seja pelo humor e descontração ou seja pela emoção e reflexão. Certamente, essa é o poder que mais me encanta no Cinema.

Na Mira do Chefe (2008)

Publicado em: 26-11-2007 @ 9:20 pm 
Postado em: Trailers
Escrito por: Maurício Saldanha


Vamos confessar, se assistimos a qualquer trailer envolvendo o gênero policial, máfia e enredos tragicômicos… ou achamos que é Tarantino ou (um dia ele tinha essa moral) Guy Ritchie. Mas agora, se eu contar que este trailer é o segundo filme de Martin Mcdonagh, e no elenco, a dupla de protagonistas são dois irlandeses?

O trailer de IN BRUGES começa com o irlandês Colin Farrell (de “Miami Vice” e “Alexandre“) num confessionário, dizendo ao padre que ele matou por dinheiro. O sacerdote pergunta quem ele matou. Colin responde: “Você, padre!

Pronto. Colin levanta e distribui uma saraivada de balas no padre. Nem precisaria mais para que este trailer chamasse a nossa atenção e garantisse vossa vontade imediata pela estréia do mesmo. Mas continua muito bem esta “amostra grátis”, com a entrada de Brendan Gleeson (Alastor “Olho-Tonto” Moody, de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”) como (ao que parece) parceiro de crime de Farrell, e juntos vão ter que agüentar um ao outro em Bruges, Bélgica. Bela locação, bom humor, cenas muito bem filmadas e a presença de Ralph “Valdermort” Fiennes, que é sempre muito bem vindo, em qualquer filme.

O diretor desta obra é inglês, talvez por isso, percebemos no trailer algo de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e “Snatch - Porcos e Diamantes“, ambos filmes realizado pelo inglês Guy Ritchie. Porém é a Irlanda nos sotaques de Gleeson e Farrell e a Bélgica (locação) os países pouco conhecidos nos filmes exibidos nos cinemas brasileiros que ganham a sua vez nesse filme.

Nota importante sobre o realizador: Martin Mcdonagh realizou antes desse IN BRUGES somente “Six Shooter“, o curta metragem ganhador do Oscar 2006.

AVALIAÇÃO DO TRAILER: 8/10
ESTRÉIA NOS EUA: 8 de Fevereiro de 2008

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Cinema & Rock’n Roll - Uma Combinação da Pesada

Publicado em: 26-11-2007 @ 1:59 pm 
Postado em: Especiais
Escrito por: Thiago Sampaio

Cinema & Rock ´n Roll - Uma Combinação da Pesada

Em 2004 chegou aos cinemas “Ray“, filme que mostrava a vida de uma das grandes lendas da música. Aproveitando o sucesso que ele fez pelos cinemas mundiais, resolvemos fazer uma “viagem” pelos filmes que possuem como tema central o bom e velho rock´n roll. Se você estranhou o fato de ter citado Ray Charles como um músico do rock´n roll, vamos fazer um breve resumo da história do rock para que possamos entender melhor esta citação: o rock foi originado exatamente da chamada “música de negros” (os coros das igrejas e o blues, durante a década de 40). No início dos anos 50, um certo homem branco de voz potente e um jeito diferente de movimentar o corpo causa uma verdadeira revolução no cenário musical, criando o chamado “rockabilly”; o nome dele: Elvis Presley.

Elvis se tornou um verdadeiro ícone da música, sendo considerado até hoje, o “Rei do Rock”. Com todo o seu charme e glamour, manteve uma carreira consistente também no cinema, tendo atuado em mais de 30 filmes, entre eles: “Ama-me Com Ternura” (56), “O Seresteiro de Acapulco” (63), “O Barco do Amor” (67), “O Bacana do Volante” (68) e “Lindas Encrencas, As Garotas” (69). Apesar de seus filmes não apresentarem o rock como o foco das histórias, na maioria delas, Elvis não deixava de lado o seu maior talento e interpretava papéis do cantor que buscava a fama, ao mesmo tempo em que se apaixonava pela mocinha.

Nos anos 50, começava a surgir o gosto pelo rock mais pesado e os solos de guitarra, principalmente com a ascensão de Chuck Berry e seu sucesso “Johnny Be Good”. Berry, por sua vez, também arriscou misturar a música e o cinema, atuando em filmes como “Go Johnny Go!” (59), que conta a história de Johnny Melody, um rapaz que cantava no coro da igreja até ser expulso de lá por gostar também de cantar rock ‘n roll, rotulada como “música do diabo.” Esse filme também prima por oferecer o único registro de Ritchie Valenz em filme, cantando “Ooh, My Baby“.

Durante a década de 60, o mundo foi tomado por um fenômeno chamado “The Beatles”. O quarteto formado por Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr mexeu com toda uma geração, que simplesmente “respirava” Beatles. Aclamados inclusive pelas gerações atuais, que não viveram o auge dos anos 60, “The Beatles” é, sem sombra de dúvidas, a banda mais marcante da história da música, e dificilmente perderá esse posto. Com todo esse prestígio, é óbvio que o grupo não deixaria sua participação no cinema passar em branco. O grupo atuou nos filmes: “A Hard Day´s Night” (64), dirigido por Richard Lester, que mostra um dia acompanhando os quatro rapazes; “Help” (65), dirigido pelo mesmo Richard Lester, que é uma ficção científica com um orçamento considerado alto para a época; “Yellow Submarine” (68), um excelente desenho animado com as dublagens feitas pelo grupo; e “Let it Be” (70), filme que mostra os bastidores do último show ao vivo do quarteto. A influência dos Beatles é tão grande, que surgiram depois diversas outras produções com referências ao conjunto, como “Os 5 Rapazes de Liverpool” (93), contando a história de um quinto integrante dos Beatles, que deixou a banda antes do lançamento do primeiro disco.

Voltando para Elvis Presley, ele fez “Lindas Encrencas, As Garotas” em 69. No filme, em 1927, o Chautauqua (um show itinerante) vai para Radford Center, Iowa, e junto com ele leva muitos problemas. Walter Hale (Elvis Presley), o empresário de terno branco, fica só na supervisão do espetáculo e decide recrutar pessoas do local, que se apresentam para participações pequenas em seus shows.

Help 1965 e Lindas Encrencas, As Garotas 1969

No ano de 1975, é lançada a primeira “ópera rock” do Cinema, com o filme “Tommy”, baseado na clássica música da banda “The Who”, com Roger Daltry, vocalista do conjunto, no papel título. O filme é um verdadeiro show cinematográfico (ao pé da letra mesmo), repleto de apresentações musicais marcantes, com destaque para a seqüência “Pinball Wizard”, em que o “The Who” toca em frente ao teatro e leva os fãs loucura quando o guitarrista Pete Townshend começa a quebrar sua guitarra. O filme conta com as participações de grandes astros do cinema, como Oliver Reed, Jack Nicholson e Ann Margret, bem como com grandes astros da música, como Eric Clapton, Elton John e Tina Turner. Recebeu duas indicações ao OSCAR, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Ann-Magret) e Melhor Trilha Sonora. Um filme obrigatório para os amantes da união entre cinema e rock´n roll.

Grande parte das décadas de 60 e 70 foi marcada pelo estouro do rock progressivo, juntamente com o movimento hippie e a filosofia “sexo, drogas e rock´n roll”. Uma época bastante movimentada, que incluiu o festival de Woodstock, e atitudes espontâneas em protestos s guerras e conflitos sociais. Várias produções foram feitas, retratando as imagens desses badalados anos. Entre elas está o cultuado “Hair” (79), de Milos Forman, contando a história de um homem que, ao se alistar para lutar na guerra do Vietnã, conhece um grupo de hippies que o faz conscientizar-se dos absurdos de uma guerra, passando a viver dentro da filosofia “paz e amor”, embalado ao som de muita música.

Em 1980, é lançado “Os Irmãos Cara de Pau“, uma excelente comédia dirigida por John Landis, recheada de participações de grandes nomes do Rhythm & Blues (lembrando que o blues é a origem do rock), como James Brown, Ray Charles, Cab Calloway e Aretha Frankiln. A história é simples: dois irmãos (vividos por Dan Aykroyd e o falecido John Belushi) decidem reatar sua antiga banda de blues para arrecadar verbas e salvar da falência o orfanato em que foram criados, passando por inúmeras confusões. O charme desta comédia, juntamente com as apresentações musicais, fazem dela uma diversão muito acima da média. Teve uma continuação no ano de 2000, porém, bastante inferior ao original.

Hair 1979 e Os Irmãos Cara de Pau 1980

No ano de 1982, a famoso grupo “Pink Floyd”, segue o exemplo dado pelo “The Who” com “Tommy”, e lança o seu filme, “The Wall“, baseado na mais famosa música da banda, “Another Brick in the Wall”. O filme é um musical muito bem elaborado que mostra, ao som do “Pink Floyd”, a repressão feita aos alunos nas escolas, estes que não possuíam nenhuma liberdade de expressão. De um modo geral, a intenção era mostrar um retrato das escolas da sociedade durante os anos 60-70, mas, na verdade, foi um quadro baseado na infância de Roger Waters, baixista e vocalista do “Pink Floyd”.

Em 1991, o diretor Oliver Stone leva s telas a trajetória de uma das bandas mais famosas e polêmicas dos anos 60, com o filme “The Doors“. O filme mostra tudo que acontecia naqueles polêmicos anos: muita droga, sexo, etc. É preciso destacar a perfeita interpretação de Val Kilmer como o vocalista do “The Doors”, Jim Morrison. Kilmer dá um verdadeiro show de atuação, em que, simplesmente, “encarna” o verdadeiro Jim Morrison. Sem falar na assombrosa semelhança física entre os dois. Apesar de a obra ter sido criticado por Ray Manzareck, tecladista do “The Doors”, que afirma mostrar apenas o lado “louco” de Jim Morrison, o filme mostra a realidade vivida não só por Morrison, mas por diversas bandas famosas da época. Vale a pena ser conferido pela ótima interpretação de Val Kilmer e pelas músicas marcantes do “The Doors”, como “Light my fire” e “ Break on Through”

O rock sempre serviu de influência para o Cinema, muitas vezes, mesmo não tendo o assunto como tema principal, o rock é referência em várias produções, como a comédia saída de um quadro do programa Saturday Night Live, “Quanto Mais Idiota Melhor” (92), e a sua continuação, feita em 1993. A grande maioria das piadas do longa-metragem envolvem o rock, como no primeiro filme incluem ótimas gags envolvendo “Bohemian Rhapsody” do “Queen”, e “Stairway to Heaven”, do “Led Zepellin”. A obra também conta com a participação do cantor malucão Alice Cooper. Já o segundo filme, conta com a participação do grupo “Aerosmith”, e os personagens interpretados por Mike Myers e Dana Carvey organizam um grande evento de rock chamado “Waynestock”, uma referência clara ao Woodstock.

The Doors 1991 e Quanto Mais Idiota Melhor 1992

No ano de 1996, Tom Hanks faz a sua estréia no cinema como um cineasta, em “The Wonders - O Sonho Não Acabou“, contando a história da fictícia banda “The Wonders”, que passa pela experiência do “sucesso instantâneo” durante os anos 60. O filme é apenas correto e com aquela cara de sessão da tarde, mas a música “That thing you do”, tocada pelo fictício grupo, é daquelas que demoram um bom tempo para sair de nossas cabeças.

Em 2000, o diretor Cameron Crowe nos brinda com o espetacular “Quase Famosos“, com certeza, um dos melhores filmes sobre rock´n roll, e que melhor retrata o cenário dos anos 60-70. O roteiro é, na verdade, um reflexo da infância do próprio diretor Cameron Crown, que, aos 15 anos, quando escrevia matérias para a famosa revista Rolling Stone, acompanhou parte da turnê da banda “Led Zepellin”, e conheceu de perto tudo que ocorria por trás dos shows dos famosos grupos da época. Diversos fatos ocorridos são contados aqui e aplicados fictícia banda “Stillwater”, que é, na verdade, uma mistura de três grupos que Crowe adorava: “Led Zeppelin”, “Allman Brothers” e “Lynyrd Skynyrd”. Por exemplo: a cena em que o guitarrista Russell Hammond, interpretado por Billy Crudup, após tomar LSD grita em cima de um telhado “Eu sou um deus dourado” foi protagonizada, na verdade, por Robert Plant, cantor do “Led Zeppelin”, no topo de um hotel de Los Angeles. Penny Lane, a “groupie” interpretada brilhantemente por Kate Hudson, realmente existiu e foi uma das primeiras paixões de Cameron Crowe em sua juventude. “Quase Famosos” é um filme delicioso de se assistir, e até mesmo quem não curte rock pode se apaixonar por ele.

The Wonders 1996 e Quase Famosos 2000

O filme “Rock Star” (2001), possui a mesma abordagem de “Quase Famosos“, porém, sem o glamour deste último. Nele, Mark Whalberg interpreta um vocalista de uma banda de garagem, cover da “Steel Dragon”, conjunto musical inventado para o longa. Certo dia ele recebe um convite para um teste em que substituiria o vocalista do próprio “Steel Dragon” e consegue entrar para a banda. No começo tudo parece um sonho, mas com o passar do tempo, ele começa a descobrir o lado escuro da fama. Apesar de não ser tão bom quanto “Quase Famosos”, o filme mostra uma boa imagem daqueles anos polêmicos, e a banda fictícia “Steel Dragon” é uma grata surpresa, com músicas muito bem elaboradas, recordistas de downloads na Internet, feitas por músicos de veradade. Vale a pena dar uma ouvida nas faixas “We All Die Young”, “Long Live Rock´n Roll”, “Reckless”, “Wasted Generation”, “Colorful” e “Stand Up and Shout”.

No ano de 2003, o ator (e também músico) Jack Black, estrela o divertido “Escola de Rock“, sob a direção de Richard Linklater. De um filme estrelado por crianças, geralmente não podemos esperar grandes coisas, por mais que “Escola de Rock” pareça uma sessão da tarde (onde com certeza estará daqui a alguns anos), o filme é uma verdadeira aula sobre rock. Na pele de um professor farçante, Jack Black dá um show ensinando para as crianças toda a arte do rock, enchendo-as de referências como “Deep Purple”, “Black Sabbath”, “AC/DC”, “The Doors”, “Led Zepellin” e diversas outras. Para quem não conhece muito o rock e pretende começar a curtir, assistir a “Escola de Rock”. É uma escolha mais do que acertada.

Rock Star 2001 e Escola de Rock 2003

O cinema brasileiro não poderia ficar de fora dessa viagem do rock pelo cinema, e, em 2004, lançou a cinebiografia de um de um dos maiores poetas do rock brasileiro, Cazuza, em “Cazuza - O Tempo Não Pára“, com o roteiro inspirado no livro “Só as Mães são Felizes”, escrito por Lucinha Araújo, mãe do cantor. No filme, é vista sua tragetória, desde a ascensão no grupo Barão Vermelho, sua carreira solo, até morrer de AIDS no ano de 1990. O filme não esconde nada da frenética vida do cantor, como sua bissexualidade, sua falta de responsabilidade com os ensaios, e o grande envolvimento com drogas e álcool. Destaque para a excelente atuação do ator Daniel de Oliveira, que copiou cada movimento de Cazuza, e consegue roubar toda a atenção do filme para si.

O mesmo acontece com “Ray” (2004), cinebiografia do cantor Ray Charles, que recebeu seis indicações ao OSCAR, levando em duas delas. O filme também não esconde certos fatos da vida do cantor, como o seu envolvimento com drogas, e sua obsessão por mulheres. A exemplo de “Cazuza”, o ator principal, Jamie Foxx, consegue capturar cada mínimo detalhe do artista, desde a habilidade para cantar e tocar piano, até cada trejeito e movimento do cantor, além de usar lentes especiais nos olhos durante 14 horas por dia. Elas o impediam de enxergar, tudo para dar mais realismo sua interpretação. Por sua brilhante performance, Foxx merecidamente ganhou o Oscar na categoria Melhor Ator em 2005.

Cazuza 2004 e Ray 2004

Em 2005, podemos conferir “Be Cool – O Outro Nome do Jogo”, continuação do ótimo “O Nome do Jogo” (95), com John Travolta, Uma Thurman e uma série de astros no elenco, inclusive, grandes nomes da música como Steve Tyler, vocalista do “Aerosmith”, que interpreta ele mesmo; e Andre Benjamin, vocalista do “Outkast”. O que não falta a essa produção, são diversas referências ao mundo da música, já que esse é o tema central do filme.

Ainda em 2005, o diretor Gus Van Sant (de “Gênio Indomável”) dirigiu “Últimos Dias“, filme que mostra a eclosão do grunge pelo mundo, e também mostra os últimos dias de Kurt Cobain, vocalista do “Nirvana”, através de do personagem principal, um artista chamado Blake, interpretado por Michael Pitt (de “Os Sonhadores” e “Cálculo Mortal“). Outro projeto também está sendo encaminhado. Tratando-se da cinebiografia de Ian Curtis, fundador do “Joy Division”. Jude Law é um forte candidato para assumir o papel principal.

Be Cool 2005 e Últimos Dias 2005

Sem dúvidas, a influência do rock para o Cinema está bem longe do fim, e poderemos esperar ainda por muito som dentro das salas de exibição. Que o rock e o Cinema são eternos, isso todos devem saber, porém, parece que a união entre os dois parece também trilhar, cada vez mais, ao caminho da eternidade, e só o tempo irá nos mostrar os frutos de uma história de uniões entre todos os tipos de artes. Como diz nosso poeta do rock brasileiro, Cazuza: “o tempo não pára”.

Spot de Sweeney Todd em primeira mão!

Publicado em: 24-11-2007 @ 2:42 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Lais Cattassini


SWEENEY TODD – O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET” demorou para ter suas qualidades musicais divulgadas, mas um novo spot revela momentos mais semelhantes ao musical da Broadway do que aos clássicos do diretor Tim Burton (“Ed Wood”), como “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”.

O destaque do novo vídeo fica para um rápido trecho da voz de Helena Bonham Carter (“Clube da Luta”) em dueto com Johnny Depp (“Piratas do Caribe”). Quando o barbeiro Benjamin Barker retorna a Londres, após ter sido preso injustamente e perdido esposa e filha para a corrupção da cidade, encontra nos braços da quituteira Mrs. Lovett um modo para se vingar de todos que compactuaram com a destruição de sua família. Enquanto utiliza a profissão de barbeiro como forma de aproximação de suas vítimas Mrs. Lovett assa a carne dos corpos assassinados em suas tortas. É a canção que dá origem parceria que Depp e Carter, como Todd e Lovett, entoam ao admirar a cidade de Londres na época vitoriana, tão cruel e imunda quanto o conturbado Todd acredita ser.

SWEENEY TODD” ainda guarda algumas surpresas quanto ao poder vocal de seu elenco. O ator Sacha Baron Cohen (“Borat”) interpreta o barbeiro Adolfo Pirelli, concorrente de Todd, e encena um dos momentos mais divertidos e admiráveis do musical, uma competição com Depp. Rumores de que a canção “The Contest”, que completa a cena, seria um rap assustaram os fãs e foram desmentidos por Burton, que alegou que Cohen tem formação no canto.

Outro mistério é Alan Rickman (“Simplesmente Amor”) que, muito embora já tenha exibido seus dotes vocais no cinema, não possui provas mais consistentes de seu talento além de um bizarro vídeo, que você pode assistir clicando aqui. Rickman é o juiz Turpin, responsável pela prisão de Todd e principal desafeto do barbeiro.

SWEENEY TODD” é inspirado em uma lenda urbana inglesa e se tornou um musical teatral em 1979, nas mãos do talentoso Stephen Sondheim (“West Side Story”). A adaptação, dirigida por Tim Burton, tem roteiro de John Logan (“O Aviador”) e deve estrear no Brasil no dia 8 de fevereiro.

RapaduraCast 51 - Futebol no Cinema | Parte 01

Publicado em: 23-11-2007 @ 12:12 am 
Postado em: RapaduraCast
Escrito por: Rapadura Team

Que bonito é…”. RapaduraCast sobre futebol, minha gente. Depois do sucesso que foi a edição 50, sobre filmes pornográficos (batendo recordes de downloads e e-mails recebidos), nessa edição outro assunto de menininho (teoricamente) foi debatido. Esse trata-se apenas do primeiro (de dois) RapaduraCast sobre o assunto. Por isso, o que faltar será abordado no outro programa que será lançado em breve (mandem e-mails dizendo o que está faltando).

Jurandir Filho (Juras), Raphael Santos (PH) e Paulo Flausino (em sua primeira participação) calçaram suas chuteiras para conversarem sobre os filmes nacionais de futebol e dar uma de teóricos da bola. A relação de filmes foi dividida em duas categorias: documentário e ficção. Entre os documentários, títulos como “A Batalha dos Aflitos” e “Pelé Eterno” foram abordados. Já alguns dos filmes de ficção comentados foram “Boleiros”, “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”, “Zico – O Filme”, entre outros. Se deu certo ou não essa de Teoria do Futebol, cabe a vocês responder.

Um dos pontos que mais gerou discussão aconteceu quando fizeram a pergunta: “Por que não tem um ‘Cidade de Deus’ ou um ‘Tropa de Elite’ do esporte no Brasil, o país do futebol?“. Será que o país ainda não está preparado cinematograficamente para levar o esporte mais popular do mundo aos cinemas de forma real? Por que todo filme que quer retratar o esporte soa tão falso? Ator não sabe jogar futebol e jogador não sabe atuar. O que fazer?

Duração: 83 min

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Dez Filmes Gay

Publicado em: 22-11-2007 @ 11:22 pm 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

Um dia desses eu estava conversando com uma amiga minha, que dizia que alguns de seus amigos gays costumavam dizer que um dia eles (os gays) iriam dominar o mundo. Não sei se isso vai mesmo acontecer, ou se já está acontecendo, mas o mundo dos artistas sempre dá um passo adiante nas revoluções sociais. Assim que acabou a edição do Globo de Ouro de 2005, muitos falaram que essa foi a edição mais gay da história do prêmio. Senão vejamos: melhor filme (drama): “O Segredo de Brokeback Mountain”, atriz (drama): Felicity Huffman, pelo filme “Transamérica”, que trata de um transexual; ator (drama): Philip Seymour Hoffman por “Capote”, sobre o célebre escritor Truman Capote, gay assumido. Claro que isso foi repercutir também no Oscar. “O Segredo de Brokeback Mountain” foi o recordista das indicações nesse ano. Os outros dois filmes também ganharam destaque.

Aproveitando o hype em cima do tema, lembremos de alguns ótimos filmes que traziam protagonistas homossexuais. Lembrando que eu deixei de fora filmes “suspeitos”, isto é, que traziam apenas nas entrelinhas subtextos homo, como “Top Gun” ou “Rio Vermelho”.

1. A LEI DO DESEJO, de Pedro Almodóvar. Bem diferente da sutileza de Ang Lee, o Almodóvar dos anos 80 era visceral, subversivo e sem frescuras. Pra um filme gay, “A Lei do Desejo” é também bastante agressivo e as cenas de sexo são quase explícitas. Já faz muito tempo que vi esse filme no cinema, mas acho que até hoje nunca vi nada tão forte no gênero. Compre o filme aqui!

2. MORTE EM VENEZA, de Luchino Visconti. O mais aristocrata dos cineastas do mundo era gay e “Morte em Veneza” talvez seja um de seus filmes mais pessoais, ainda que seja a adaptação de um romance de Thomas Mann. Não era um roteiro escrito pelo próprio cineasta. O filme mostra a paixão de um homem doente por um adolescente de feições andróginas na Veneza dos tempos do cólera.

3. FELIZES JUNTOS, de Wong Kar-wai. O relacionamento conturbado de dois namorados que moram em Hong Kong e vão passar as férias na Argentina. Um filme sobre os altos e baixos de uma relação, com uma belíssima fotografia e as já conhecidas elipses de Kar-wai.

4. AS REGRAS DA ATRAÇÃO, de Roger Avary. Filme sobre uma ciranda de paixões das mais diversas envolvendo um bissexual, uma garota virgem, um traficante de drogas e um namorado ausente. Um filme com uma narrativa não-linear a cargo do roteirista de “Pulp Fiction”. Compre o filme aqui!

5. TRAÍDOS PELO DESEJO, de Neil Jordan. Na época que “Traídos pelo Desejo” surgiu nos cinemas, os responsáveis pelo marketing do filme recomendavam aos espectadores a não contar o final do filme pra ninguém. Pena que quando o filme chegou no Brasil todo mundo já sabia que a tal namorada de Stephen Rea era um transexual. Ainda assim, não deixa de ser surpreendente a cena da revelação. Compre o filme aqui!

6. MISTÉRIOS DA CARNE, de Gregg Araki. Esse filme pôde ser visto recentemente nos cinemas. “Mistérios da Carne” narra em paralelo a vida de dois rapazes que estudaram juntos na infância. Quando crescem, um vira garoto de programa para homossexuais e o outro fica obcecado por discos voadores. Filme “pancada”.

7. DEUSES E MONSTROS, de Bill Condon. A relação entre o diretor James Whale (dos clássicos “Frankenstein” e “O Homem Invisível”), vivendo seus últimos dias de vida, e um jovem que trabalha em sua casa como jardineiro. O diretor Bill Condon exploraria novamente a temática homo em filme mais recente: “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”.

8. MENINOS NÃO CHORAM, de Kimberly Peirce. O filme que deu o primeiro Oscar para Hilary Swank, que levou a segunda estatueta no ano passado, com “Menina de Ouro”, de Clint Eastwood. “Meninos não Choram” trata da dificuldade de uma moça que tenta viver como um rapaz numa cidadezinha do interior dos EUA. O filme é uma tragédia barra-pesada. Destaque para a cena de sexo entre Hilary e Chloë Sevigny. Compre o filme aqui!

9. DESEJO PROIBIDO, de Jane Anderson, Martha Coolidge e Anne Heche. A mesma Chlöe Sevigny, um ano depois de “Meninos Não Choram”, esteve em outra produção sobre lesbianismo. DESEJO PROIBIDO é um filme de segmentos produzido pela HBO, mostrando histórias que se passam nos anos 60,70 e 2000. Novamente, Chlöe arrasa quando está em cena. Compre o filme aqui!

10. MADAME SATÃ, de Karim Ainouz. Pra terminar, um filme brasileiro, dirigido por um cearense e brilhantemente protagonizado por Lázaro Ramos. O filme narra a vida de João Francisco dos Santos, vulgo “Madame Satã”, no Rio de Janeiro da década de 30. Além de homossexual, João Francisco era negro, o que só aumentava o nível de preconceito da sociedade. Felizmente ele tinha muita coragem. E quando precisava partir pra porrada, isso não era problema pra ele.

Cinema nos tempos de Internet

Publicado em: 21-11-2007 @ 3:21 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Aílton Monteiro

O que mudou para os amantes da sétima arte em tempos de internet? Sites especializados, listas de discussão, blogs, filmes para download são algumas das novidades que têm contribuído para um enriquecimento da cultura cinematográfica. Uma breve reflexão sobre os novos tempos.

A internet tem mudado a relação das pessoas com o cinema. Não que se tenha passado a gostar mais ou menos de ver filmes. Mas houve uma mudança e ela veio para melhor. Hoje é possível encontrar filmes que seriam praticamente impossíveis de se ver dez anos atrás. Isso porque a internet se tornou não apenas um meio de se aprender sobre cinema através de sites especializados ou de listas de discussão: é que ela também disponibiliza os próprios filmes para download mesmo. Não duvido nada que filmes raros como “The Day the Clown Cried”, de Jerry Lewis, ou “Fear and Desire”, de Stanley Kubrick, já estejam nos e-mules ou torrents da vida.

Baixar filmes na internet é um ato ainda controverso e a indústria cinematográfica americana está lutando, com dificuldades, contra isso. Para alguns, pode parecer quase um roubo. Afinal, as pessoas estão deixando de ver o filme no cinema para ver na tela do computador. Eu por exemplo, só recorro aos filmes pelo computador quando não tenho outra alternativa. Só vou atrás de filmes raros ou inéditos no Brasil. Mas quem mora em cidades do interior que não têm nenhuma sala de cinema, com certeza, está sendo beneficiado com essa tecnologia. Principalmente agora, com o advento dos players que tocam divx.

Mas será que essa facilidade de baixar filmes está fazendo mesmo com que o público de cinema diminua? Se sim, como explicar as enormes filas nos cinemas, formadas em sua maioria pelo mesmo público jovem que tem intimidade com o mundo dos divx e codecs? Bom, a resposta não é tão simples e é preciso que se faça uma pesquisa séria antes de se dar qualquer diagnóstico, mas quando vejo filmes nos multiplexes reparo que a maior parte desse grande público está ali apenas por diversão. Para eles, o cinema é como um parque de diversões ou uma praia: um lugar para encontrar os amigos, paquerar, beijar na boca, comer pipoca. E não vejo nada de errado com isso. Esse povo está curtindo a vida. E alguns deles vão se tornar cinéfilos medida que o gosto pelos filmes for se solidificando e se transformando em amor.

Em certo sentido, a internet até tem ajudado a ampliar o público dos cinemas, já que ela se tornou uma ferramenta de informação muito importante. O fenômeno dos blogs de cinema também tem ajudado a divulgar filmes de menor repercussão na grande mídia. Divulgam o amor de seus mentores pela sétima arte, incentivando muitos a ver certos filmes que passariam desapercebidos se dependêssemos apenas da imprensa escrita ou da televisão.

Uma outra característica desses novos tempos é uma maior exigência dos cinéfilos com o formato de tela original dos filmes, a janela. Na época do videocassete pouca gente ligava para isso. A gente alugava “Era uma vez no Oeste”, por exemplo, e assistia só metade do filme, já que só era possível ver o filme em “tela cheia”, perdendo os lados do quadro. E pouca gente reclamava. Hoje é possível ver o filme bonitinho, integral, versão restaurada e em glorioso scope. E com um monte de extras.

Claro que há aqueles que ainda têm saudade do passado, mas mesmo o público mais idoso, que não liga muito para os novos filmes e não quer saber de baixar filmes pela internet, ainda pode fazer a festa alugando DVDs de filmes antigos. Distribuidoras como a ClassicLine, a Versátil, a Aurora, a Magnus Opus, além das majors (Columbia, Warner, Fox etc) que também têm lançado seus clássicos, têm contribuído para o enriquecimento do mercado de DVD no Brasil, que só tem crescido. Mas isso é assunto para uma outra ocasião. No mais, há que se concordar que vivemos em tempos de alegria para os apreciadores do cinema.

Lembrando que de forma alguma eu quero incentivar as pessoas a fazerem download de filmes, já que em vários países isso ainda é ilegal. É mais uma opinião pessoal sobre esse assunto que é realidade hoje em dia. Afinal, jogue uma pedra em mim caso você nunca tenha feito um download de um filme ou de uma mp3 na vida …

As Crônicas de Spiderwick (2008)

Publicado em: 21-11-2007 @ 3:21 am 
Postado em: Trailers
Escrito por: Maurício Saldanha


AS CRÔNICAS DE SPIDERWICK (The Spiderwick Chronicles, 2007) é um best seller, traduzido em mais de 27 línguas, que obviamente não teria como não ser adaptado para o cinema. E o que acontece hoje aqui no CCR é o lançamento do trailer do primeiro de 5 títulos (se vingar) da obra completa escrita por Holly Black e Tony DiTerlizzi.

Vamos ao trailer? Como bem diz o narrador, em toda casa que se preze, tem algum lugar de mágico e/ou misterioso. Logo então, coisas mágicas e misteriosas acontecem. Freddie Highmore (“Em Busca da Terra do Nunca”) é o protagonista, por isso acaba sendo o responsável por abrir o livro mágico e assim arrebentar as portas deste tão explorado pelo cinema “mundo dos sonhos”. Cenas tensas, animais estranhos, espécies sem nome aparente e a certeza de que vai render alguns milhões nas bilheterias.

Depois da trilogia “O Senhor dos Anéis”, os produtores de olho em muita grana, começaram a buscar qualquer obra literária com qualquer apelo mágico. Ao menos é o que parece: “As Crônicas de Nárnia”, “Grinch”, “Desventuras em Série” e outros. Hollywood sabe como ninguém que o gênero fantasia atrai milhares, porém se esquecem que a magia de um “Willow - Na Terra da Magia”, “Gremlins”, “Os Muppets Conquistam Nova Iorque” ou “Goonies” não é fácil hoje de se realizar. Primeiro porque estes filmes citados eram feitos com truques, não efeitos digitais. Eram pessoas vestidas de boneco e não um computador tentando fazer parecer que tem alguém vestindo uma fantasia virtual. Nesse sentido, os estúdios de animação acertaram criando suas fantasias em sua totalidade com os computadores. “Shrek”, “Ratatouille”, “Os Incríveis”, “Carros” e “Toy Story” são exemplos de que hoje, se não for por completo, a gurizada não paga pra ver.

Sendo assim, este AS CRÔNICAS DE SPIDERWICK (The Spiderwick Chronicles, 2008) pode ser o novo “Nárnia”, que fez barulho, mas não fez muito público. Nesta nova “crônica”, temos o simpático Freddie, Mary-Louise Parker (“Tomates Verdes Fritos”), Andrew McCarthy (astro dos anos 80), David Strathairn (“Boa Noite e Boa Sorte”), Nick Nolte (“Hulk”), Martin Short (“O Pai da Noiva”) e a veterana Joan Plowright (“Chá com Mussolini”). Por esta reunião de gente bacana (e talentosa), vale o ingresso em qualquer poltrona do cinema.

AVALIAÇÃO DO TRAILER: 7/10
ESTRÉIA NOS EUA: 14 de Fevereiro de 2008
ESTRÉIA NO BRASIL: 21 de Março de 2008
SAIBA MAIS SOBRE O FILME: Clique Aqui!

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