
Românticas incuráveis acima de tudo, ambas são cineastas queridas do universo feminino, costumam escrever e dirigir seus filmes e conseguem chamar atenção até mesmo de alguns homens – façanha para quem escreve comédias românticas que teoricamente só agradam a mulheres. Eu disse teoricamente. Nora Ephron e Nancy Meyers parecem ter muito em comum, mas até onde?
A americana Nora Ephron, nascida em Nova Iorque, começou a carreira como roteirista, na década de setenta, trabalhando na série televisiva “Adam’s Rib“, que acabou não decolando. Mas só ao escrever “Harry e Sally – Feitos um para o Outro” (1989) ela tornou-se realmente conhecida. Estrelado por Meg Ryan e Billy Crystal, o filme foi um sucesso de crítica e público, com diálogos divertidos e bem escritos que abordavam de maneira interessante o lado masculino e feminino de uma relação entre um casal ao redor de quase dez anos. Os dois tornam-se amigos de maneira inesperada, e entre encontros e desencontros descobrem que talvez a relação dos dois tenha crescido mais do que esperavam. Numa das cenas mais conhecidas do cinema, Ryan finge um orgasmo numa lanchonete para provar a Harry que as mulheres conseguem fazer isso perfeitamente, o que provocou um momento histórico de gargalhadas.
Quatro anos depois, ela levaria � s telas “Sintonia de Amor” (1993), dessa vez dirigindo além de escrever. Muito bem aceito, Ephron conseguiu com isso firmar-se de vez como um dos talentos novos que surgiam e adaptou-se � tarefa de assumir de vez a posição de direção dos trabalhos que escrevia. Inspirado no longa “Tarde Demais Para Esquecer“, onde os apaixonados Sam Baldwin (Tom Hanks) e Annie Reed (Meg Ryan) passaram quase toda a história separados. Mais uma vez ela trabalhava com Ryan como sua protagonista, mas dessa vez trazia Hanks como par romântico. A parceria bem sucedida aconteceria novamente em “Mensagem para Você” (1998), numa história contemporânea sobre correspondência através de emails por dois desconhecidos que na vida real se odiavam. No auge dos chats, o longa caiu como uma luva na época em que foi lançado.
Entre os últimos trabalhos está a adaptação do seriado “A Feiticeira” (2005) para as telas, trazendo nada menos que a respeitada Nicole Kidman no papel título; e o ainda inédito ” Flipped“, atualmente em fase de pré-produção.
Também americana, nascida na Pensilvânia, a tímida Nancy Meyers não se arriscou tanto na direção quanto Nora Ephron, que tem no currículo sete trabalhos como diretora. Mas Meyers chefiou quatro produções, das quais três delas com roteiro de sua autoria. No ciclo das coincidências, lá vem mais uma: acontece que Nancy iniciou a carreira como roteirista através de séries de televisão, primeiro “Private Benjamin” (1980) e em seguida ” Baby Boom” (1988), não muito conhecidas. Teve seu nome respeitado pelos figurões de estúdios quando escreveu “O Pai da Noiva” (1991), estrelado por Steve Martin e Diane Keaton, que abordava de maneira cômica a melancolia de um pai ao ter que ver a filha, que até então era sua, casar e ir embora. Em seguida, ela assume o roteiro de “Era uma Vez um Crime” (1992), que tornou-se um fiasco na frente do trabalho anterior. Nem mesmo o carisma de James Belushi, na época um dos atores mais presentes no cinema, conseguiu alavancar a produção.
Em “Operação Cupido” (1998), primeiro trabalho da roteirista na direção, e produzido pela Disney, trazia a terceira adaptação da história das gêmeas que são criadas separadamente e encontram-se num acampamento de verão. Com uma trama tão saturada, seria difícil conseguir extrair algo dela que fizesse o público optar por assisti-la e ainda por cima, gostar a ponto de fazer a publicidade do “boca a boca”. A Disney soltou a batata quente na mão da inexperiente Meyers, que conseguiu fazer do projeto algo novo, fazendo com que uma só garota interpretasse os dois papéis: proeza inédita. A ruivinha que aos dez anos de idade assumiu a complicada tarefa foi ninguém menos que Lindsay Lohan, nos papéis de Hallie e Annie, passando a ser conhecida no mundo todo pela façanha.
Pouco tempo depois, ela encararia pela primeira vez a direção (e a produção) de algo que não era seu escrito em “Do Que as Mulheres Gostam” (2000), divertida comédia romântica com Mel Gibson e Helen Hunt, onde um homem passava literalmente por um choque, e começava então a ouvir o que as mulheres pensavam, aprendendo a lidar com a própria canalhice.
Nos trabalhos recentes de Meyers estão o ótimo “Alguém Tem Que Ceder” (2003) mais uma vez ela trabalha com Diane Keaton, isso sem falar em Jack Nicholson, a badalada Amanda Peet, Keanu Reeves e a talentosa Frances McDormand, sobre um homem que só se relaciona com mulheres mais novas até encontrar a interessante mãe da namorada atual e… bom, aí eu contaria o filme, não é mesmo?! Basta dizer que é um daqueles filmes que compensam ser alugados.
E eu não poderia deixar de citar o recente sucesso de bilheteria “O Amor Não Tira Férias” (2006), mais uma refilmagem que deu certo. Contando o drama de duas mulheres que estão decepcionadas, romanticamente falando, e resolvem trocar de casa durante as festas de fim de ano. Cameron Diaz e a querida Kate Winslet assinam os papéis principais e fazem de uma história de decepções o impulso para a possibilidade de uma nova vida de maneira bem humorada. Resta salientar, que nos últimos dois trabalhos citados, Nancy Meyers dirigiu, escreveu e produziu. Ok, ela conseguiu impressionar.
As duas cineastas tem em sua maneira de dirigir e escrever algo que lembra os românticos longas das décadas de quarenta e cinqüenta, época de ouro do cinema. Nancy é declaradamente fã dos filmes desse período, apesar de Nora trazer essa tendência com mais força. Mas é possível perceber até mesmo pelo figurino de seus personagens a referência, que além das roupas, sem falar na maneira inconfundível de filmar.
Que ambas são talentosas � s suas maneiras e em seus gêneros nós sabemos. Mas e você, prefere alguma? Ou nenhuma das duas?!