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O Reino dos Anos 80

Publicado em: 21-05-2008 @ 3:05 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Marcos Nascimento

Estréia nessa semana uma das mais aguardadas seqüências de todos os tempos: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Trazendo de volta as aventuras do arqueólogo mais famoso do mundo, o filme dá continuidade a um fenômeno que se espalhou pelo país há um tempo atrás, mas que tinha perdido uma certa força: a veneração pelos anos 80. Tudo dos obscuros 80 tem voltado à moda, dos cubos mágicos às músicas bregas. E no cinema não poderia ser diferente, a moda oitentista chegou também e pegou todos de assalto. Agora, o ícone máximo do cinema de aventura se encarrega de retornar àquela década, fazendo muita gente reassistir os filmes da trilogia original para ficar a par do novo filme, e com isso, relembrando a década novamente. Aqui vão alguns dos filmes que fizeram o favor de contribuir com a moda 80:

Miami Vice: Foi a criação da série de TV “Miami Vice” que deu a Michael Mann a carta branca pra bancar projetos bons no cinema dali pra frente. E sua carreira culmina com a adaptação da série para as telonas, com Colin Farrell e Jamie Foxx encarando os personagens dos detetives Sonny Crockett e Ricardo Tubbs. O visual dos 80: cabelo tipo mullet, ombreiras e cores berrantes. O estilo dos 80: muita ação policial descabida. “Miami Vice” foi uma das séries mais cultuadas daquela época, e até que sua adaptação não decepcionou.

Transformers: Quem diria que um simples brinquedo transformaria Michael Bay em um fenômeno maior do que ele já era. Pois foi o que aconteceu. Os Transformers foram lançados em 1985 pela Estrela e eram robôs que se transformavam em carros, tanques, aviões e o que mais desse. Quando foi lançada a história em quadrinhos, contando o passado dos Autobots e dos Decepticons, a transformersmania se espalhou e virou febre. Levados ao cinema em 2007, com efeitos especiais nunca antes vistos, “Transformers” repete o sucesso dos brinquedos e se encaminha para uma nova franquia.

O Exterminador do Futuro III - A Rebelião das Máquinas: A onda brucutu do futuro (ou do passado), misturando drama, ficção científica e muita ação pode ter começado com “Blade Runner” (1982), mas foi com “O Exterminador do Futuro”(1984) que o estilo se consolidou. A partir daí o estilo robótico virou febre em Hollywood e Arnold Schwarzenegger, um fenômeno. O sucesso dos dois primeiros filmes foi tão grande, que era inevitável voltar com um terceiro, já no século XXI, onde os recursos digitais evoluíram e muito. Tanto que “Terminator 4″ já está em desenvolvimento e uma série de TV (Terminator: The Sarah Connor Chronicles) já foi produzida.

Rambo IV: Ninguém acreditava que Sylvester Stallone tinha gás pra alguma coisa até ele ressurgir em “Rocky Balboa” (2006). O sucesso do retorno do boxeador o fez ressuscitar outro ícone dos 80, que estava perdido em alguma selva por aí: John Rambo, o ex-combatente do Vietnã que retornou para sua quarta aventura nos cinemas. Dirigido pelo próprio Sly, o filme mostra a vida do herói 20 anos depois do último filme, recluso na Tailândia. O curioso é que o filme mostra uma guerra civil na fronteira de Mianmar, que viria a se tornar conhecida pouco tempo depois nos noticiários.

Cazuza - O Tempo não Pára: Simplesmente o maior fenômeno da música brasileira dos 80, igualando-se somente ao RPM e à Legião Urbana. A cinebiografia de Cazuza rendeu um dos maiores filmes do cinema nacional e o melhor papel da carreira de Daniel de Oliveira, que agradou a fãs, antigos integrantes do Barão Vermelho e à crítica. O filme, dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho foi baseado no livro “Cazuza: Só as Mães são felizes”, escrito por Lucinha Araújo, mãe do cantor.

E apertem os cintos da máquina do tempo. Ainda vem por aí Comandos em Ação e uma nova saga de Jason Vorhees. Lembra de mais algum sucesso dos anos 80 que foi pras telonas? Gostaria que algum voltasse ou que a onda dos 80 acabasse logo? Quem sabe a discussão inspira os produtores. Mas isso é bom ou ruim, no fim das contas??

Como aprendi a amar o Hulk

Publicado em: 20-05-2008 @ 1:17 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Zé Ronaldo

O título acima é da história publicada na revista Marvel Millenium Homem-Aranha #32 (ago/2004) pela editora Panini. Tomei a liberdade de escolhê-lo, pois é o que eu vou tentar explicar a vocês nas próximas linhas. E também o porquê da minha expectativa pelo lançamento do novo filme.

O “Golias Verde” foge do estereótipo de super-herói que foi, inicialmente, concebido nas Histórias em Quadrinhos. Não enverga uma indumentária colorida, com um estigma no peitoral e fazendo poses heróicas. Tão pouco se enquadra no padrão estético que muitos deles possuem: bem apessoado, olhos azuis, entre um 1.80m e 1.90m, e sua conduta não serve de parâmetro a ser seguido pelas pessoas comuns. Diferente do Coisa – que também não se encaixa no tipo “herói galã” -, não faz parte de uma equipe de super-heróis, na qual pode considerar uma família. Assim como acontece com os X-Men.

Como é de práxis na composição de todo herói, o Dr. Robert Bruce Banner é atormentado por seus traumas do passado. Porém, as seqüelas são mais intensas. Diferente de Clark Kent e Peter Parker, que tiveram uma base familiar bem estruturada, Banner foi vítima da cólera de um pai truculento e alcoólatra. E ainda teve a mãe assassinada por ele. Os abalos mentais que lhe foram infligidos tornaram-no um homem introspectivo e arredio, fazendo com que a ciência fosse sua válvula de escape para fugir de seus conflitos internos. Todavia, o amor parecia ter lhe afortunado com Betty Ross. Obteria um relacionamento normal. Dessemelhante ao dos seus pais. Tudo apontava que, finalmente, se livraria da ameaça de se tornar a imagem e semelhança do pai.

Contudo, o acidente com a bomba gama fez com que a sua vida mudasse de uma forma jamais imaginada. Toda a raiva recalcada serviria como catalisador para a manifestação de “um sombrio e distorcido reflexo de si mesmo”. Além de conviver com essa “maldição”, também teve de ser perseguido pelo exército norte-americano. Tentando utilizar sua força com finalidades bélicas. Sem falar nas criaturas que pretendiam confrontá-lo para provar que poderiam derrotar “a criatura mais poderosa que já andou sobre a Terra”.

Pior ainda, foi ter de aprender a lidar com muitos malefícios que devastam a alma humana, como a solidão. Ser privado de uma vida feliz. Por isso, vejo no Hulk uma representação imagética da condição miserável do ser humano. Da maneira que o destino nos manipula, a tal ponto de acharmos que, de fato, não temos o menor controle sobre nossas vidas. Do nosso temor perante os infortúnios que o mundo nos apresenta e de como isso se reflete em nosso âmago. Parafraseando o filósofo alemão Nietzsche: “Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. E, claro, o que também me atrai em suas histórias são as batalhas homéricas nas páginas dos gibis. De quando, por exemplo, foram necessários quase todos os heróis da Marvel para detê-lo uma vez. Afinal, um gibi de super-herói sem ação, para mim, não tem graça.

Com certeza, Edward Norton e Louis Leterrier não pensam igual a mim. Mas, se no longa metragem, constar uma porcentagem do que explanei aqui – conflitos internos e batalhas titânicas (que não ocorreram no filme de Ang Lee) – me dou por satisfeito.

Vicky Cristina Scarlett Penélope Rebecca Bardem Allen Barcelona

Publicado em: 20-05-2008 @ 1:06 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Marcos Nascimento

De repente, se você pegar alguém na rua e perguntasse se ele conhece Paul Thomas Anderson, Paul Greengrass, Michael Mann, Stanley Kubrick, David Cronemberg ou Alejándro Gonzales Iñarritú, a resposta de imediato da imensa maioria seria não. Mas Woody Allen faz parte daquele senso comum, de ser associado sempre a cinema, junto com Steven Spielberg, George Lucas e Martin Scorsese, por exemplo. Ele certamente seria reconhecido. Allen, amante confesso de Nova York, como deixa claro na maioria de seus filmes, se arriscou numa temporada na Europa, que culmina com a exibição do seu mais novo filme, “Vicky Cristina Barcelona“, no 61° Festival de Cannes.

Há muito tempo um filme de Woody Allen não era tão aguardado, a não ser talvez por “Match Point - Ponto Final” em 2005, seu primeiro filme em Londres. E da mesma forma como aconteceu com “Blindness“, do brasileiro Fernando Meirelles (vide matéria de Bruno Mendonça), o filme espanhol de Allen foi recebido com frieza e sem impacto por parte de quem o assistiu. Contrastaram o colorido de Barcelona com as cores da cinzenta Nova York e da sombria Londres, criticaram a velocidade de roteiro para tentar explicar toda trama que se passa com as amigas americanas (Vicky e Cristina) e chamaram o olhar do diretor sobre Barcelona de “preguiçoso“. É quando nós, meros mortais que não podem ir a Cannes, nos perguntamos se o gênio que imprimiu seu olhar renovador nos anos 70 e continuou causando impacto nas décadas seguintes, mesmo que de forma menos atrativa, perdeu o foco do que estava fazendo.

O filme conta a história das amigas americanas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) que desembarcam de férias em Barcelona e lá conhecem o pintor Juan Antonio (Javier Bardem). Ambas se envolvem com ele: Vicky tenta resistir à tentação, já que está noiva de um americano, já Cristina se entrega e não só fica com o pintor, como com sua ex-mulher, María Elena, interpretada por Penélope Cruz. O roteiro realmente prometia. Prometia tanto que acho que Cannes esperava mais. Woody Allen queria usar a cidade não apenas como pano de fundo, mas como personagem coadjuvante para as histórias que se desenrolam, como se ela fosse a razão de tanta coisa acontecendo. Segundo os críticos do festival, é exatamente a versão do pano de fundo que se materializa na tela. Tudo isso pode ser respondido naquela velha questão, sobre as opiniões contrárias de público e crítica, coisa que só saberemos quando o filme entrar no circuito comercial.

Vicky Cristina Barcelona” traz no seu elenco as mais novas superestrelas de Hollywood, Scarlett Johansson - a atual musa de Woody Allen -, Javier Bardem e sua namorada Penélope Cruz. Talvez eles sejam responsáveis pela maioria dos comentários feitos até agora, afinal temos uma relação amorosa de Johanson e Cruz e Javier Bardem elevado ao posto de novo galã. O filme estréia nos EUA apenas em setembro e o Brasil ainda não tem data, então o que nos resta por enquanto é acreditar no que diz a crítica vinda da França. Ninguém duvida de que o diretor de “Hannah e suas Irmãs” e “Manhattan” é um dos gênios do cinema e sempre referência quando se fala em filmes. Nem mesmo ele deve duvidar de que é o tal. Mas até Woody Allen pode ter altos e baixos (vide o recente “O Sonho de Cassandra“). Pelo menos, enquanto ele estiver filmando, nós vamos estar aqui esperando. Só nos resta esperar pra conferir as aventuras espanholas do diretor.

Trailer do filme abaixo:

Homem-Aranha 4 e 5

Publicado em: 20-05-2008 @ 1:05 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Zé Ronaldo

De acordo com o blog Cinematical, o roteirista James Vanderbilt (“Violação de Conduta”) já finalizou o script para a continuação da franquia cinematográfica do Homem-Aranha. E mais: o enredo se desdobraria em dois filmes. Em virtude disso, a Sony Pictures (que ainda possui os direitos sobre o personagem para adaptações no cinema) estaria considerando a possibilidade de filmarem os dois longas simultaneamente.

Por enquanto, tal informação não oficial. Todavia, o blog alega que a notícia é de fonte segura dentro dos estúdios de Hollywood. Então o negócio é aguardar para ver.

Para mim, independente da veracidade dessa nota, seria uma boa idéia dois filmes serem produzidos concomitantemente. Afinal, há uma otimização dos recursos empregados – assim como foi feito com a trilogia do “O Senhor dos Anéis”. E também, há uma possibilidade de um intervalo de tempo menor entre o lançamento de um filme para outro. Eu não teria de esperar de dois a três anos para poder ver novamente o Homem-Aranha – meu super-herói favorito – em ação entre os prédios de Nova York. Em “O Senhor dos Anéis”, o período de um filme para outro foi em torno de um ano. E entre as segunda e terceira partes de “Matrix”, foi de seis meses.

Com relação à contratação de elenco e direção, nada foi confirmado. Não se sabe da possibilidade do retorno de Sam Raimi, Tobey Maguire e Kirsten Dunst voltarem aos seus postos. Bom, de qualquer modo, ainda é melhor do que tomar conhecimento de que Jason Biggs conseguiu a vaga para ser o “Amigão da Vizinhança”. POR ASGARD!

PetroMerchanRacer

Publicado em: 19-05-2008 @ 2:20 am 
Postado em: Suspirolândia
Escrito por: Maíra Suspiro

Pintando e bordando com a publicidade, pensei em trabalhar com informações na coluna dessa semana, já que a inspiração foi dar uma voltinha e ainda não resolveu voltar. Foi aí que Murphy me fez dar de cara com duas matérias do jornal “Meio&Mensagem” e da revista “Marketing”. Logo, Petrobras e Speed Racer são os “convidados” da semana.

petromerchanracer.jpgMerchandising sempre me pareceu divertido. Isso me colocando como consumidora. Sempre me sinto em um “Onde está o Wally?” interativo quando estou vendo um filme e noto a inserção conveniente – ou não – de uma marca. E me colocando como publicitária, o merchandising é uma saída do comercial tradicional e tem um quê de subliminar que muito me agrada.

E, claro, merchandising bom tem que ser bem feito. E para ser bem feito, não pode ser percebido tão obviamente pelo telespectador. E aí, todo mundo sai ganhando: o filme tem seus custos barateados com o investimento e a empresa tem sua marca divulgada sem estar em uma propaganda, diversificando sua atuação. Em colunas passada, até citei casos de merchandising vistos na época. Certamente, vocês terão outros tantos para comentar também…

Mas, na coluna de hoje, um merchandising em particular me chamou a atenção: a Petrobras e o filme “Speed Racer”. Ainda não vi o filme, mas soube dos “babados” da negociação. A Warner Bros. procurou a Petrobras para uma ação de merchandising setorizado. Traduzindo: apenas nas cópias do longa exibidas no Brasil e em países sul-americanos que possuem postos de gasolina da “bambambam” do petróleo verde-amarelo. O motivo? Bem, segundo o Luiz Antônio Vargas, gerente de publicidade de promoções da Petrobras, a Warner queria entrar no mercado latino e queria encontrar uma empresa pra viabilizar isso.

Conversa vai, conversa vem, idéia aqui e exigências ali, parece que o negócio deu certo. Saindo da inserção tradicional, aparecendo de pano de fundo em determinados momentos do filme, a idéia foi fechada com uma equipe de corrida, a Petrobras Bioenergy, que usa combustível renovável. O carro da equipe, batizado de Green Energy, de longe já mostra a quem pertence. Com o nosso verde-amarelo, ele traz o nome da marca estampado, junto com o lubrificante Lubrax, participante do mix de produtos da Petrobras.

A ação só me fez lembrar como a Petrobras costuma ser ousada nas estratégias de Marketing. Afinal de contas, ela vai ter seu nome inserido no roteiro do filme, vai ter um carro correndo ao lado do famoso Mach 5, exigiu que a imagem não fosse associada a vilões e ainda vai ter painéis com a logo espalhados nos circuitos criados pelos irmãos Wachovski.

O preço disso tudo? Ouvi falar de cerca de R$ 3,6 milhões. Comparando às outras ações da empresa, sai até barato, levando em consideração que a marca vai correr outros países e ainda poderá utilizar o filme em campanhas próprias no Brasil e em outros países da América do Sul.

Enfim, deixando a política estatal de lado, é bom saber que uma empresa brasileira anda patrocinando o cinema.

Facilidade = Filme Ruim?

Publicado em: 19-05-2008 @ 2:18 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Zé Ronaldo

Olá, rapaduranautas! A idéia deste artigo surgiu a partir de uma matéria escrita pelo meu colega Bruno Mendonça, intitulada Alô? Te ligo depois, tô gravando um filme!. Ao ler a sua dissertação, eu comecei a refletir sobre o impacto que as novas TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) causaram em nossa sociedade. De como redimensionaram a interação social. Por exemplo, para um cara extremamente tímido, o live messenger se tornou uma ferramenta bastante útil para poder dialogar com alguma garota por quem ele nutre um certo interesse. Bem mais fácil do que uma conversa por telefone. Assim, o pobre rapaz evita dar um vexame e se protege mais.

E a influência dessas maravilhas tecnológicas não poderia passar despercebida pelo mundo da sétima arte. Afinal, quem de nós, que adora cinema, não pensou em poder realizar uma produção? Contar uma história pela sua própria ótica e sem se prender a técnicas audiovisuais. Onde a imaginação – e os recursos de que você dispõe – reina soberana. Celulares com câmeras digitais, Windows Movie Maker e a própria Internet (a “Biblioteca de Alexandria da nossa Era”, pois é o meio pelo qual informações são amplamente divulgadas) tornaram-se a “vez e voz” dos que apenas querem tornar suas idéias tangíveis. Mesmo que “toscamente”. Assim como o glorioso Ed Wood (excelentemente retratado por Tim Burton e Johnny Deep), que apenas queria dar vida aos seus sonhos. Como no que é considerado o “pior filme de todos os tempos”: Plano 9 do Espaço Sideral (vai arriscar comprar?).

E é isso que, em minha opinião, as TIC’s estão proporcionando: novos Ed Wood’s. Sem nenhuma forma de cerceamento de criatividade. O YouTube que nos diga. Quantas vezes olhamos um vídeo que alguém, em algum lugar, produziu com o simples intento de nos entreter? E de graça?

Só assim, por exemplo, poderíamos ver um duelo entre Super-Homem e Homem-Aranha. Sem termos de esperar por contratos e burocracias dos grandes estúdios. E com a participação especial do Batman. Confesso que de uma maneira tosca, mas estupidamente engraçada:


Watchmen: Ser Fiel ou Não?

Publicado em: 19-05-2008 @ 2:10 am 
Postado em: Mistureba
Escrito por: Zé Ronaldo

Vai de vento em popa a produção da adaptação de Watchmen, graphic novel do “bruxo” das HQ’s, Alan Moore. A cargo da direção está Zack Snyder, que também adaptou “300”, obra de outro paladino da nona arte, Frank Miller.

O filme baseado na HQ de Miller (300) causou furor entre os fãs de quadrinhos por ser considerada a tradução mais fiel de um veículo midiático a outro. Praticamente, todos os diálogos, quadros, ângulos e cores foram transportados para o cinema. Era como se fosse uma história em quadrinhos em movimento. Mas como é de práxis no mundo da arte, alguns ficaram satisfeitos com o resultado. Já outros, nem tanto. Consideraram o filme um tanto monótono. E que, também, uma adaptação não significa só colocar, em um filme, tal qual está nos quadrinhos. Eu, particularmente, achei o filme visualmente bonito, as lutas estavam primorosas. Mas em determinado momento entediei-me com a história. Estava doido para que o filme terminasse logo para ir embora.

Aí me veio à cabeça a dialética da situação: se numa adaptação constam todos os elementos presentes da obra, tal qual está lá, então por que a máxima fidelidade torna-se um ponto fraco? Os filmes de super-heróis (pelo menos a maioria que está sendo produzidos atualmente) têm procurado fidedignidade, mas descartando elementos, do próprio universo da HQ, que poderia atrapalhar no desenvolvimento da história.

Um bom exemplo disso foi em “Homem-Aranha”. Na época da pré-produção, havia sido encomendado ao desenhista Alex Ross um modelo de uniforme para o filme. Ainda bem que não levaram adiante e Sam Raimi optou por usar a versão clássica do traje. Esse é um aspecto de fidelidade a mitologia do personagem. Em contrapartida, o cineasta lançou mão de algumas alterações. Por exemplo, a aranha que picou Peter Parker era genética alterada e não radioativa (como ele foi concebido originalmente por Stan Lee). Essa idéia foi aproveitada do Universo Ultimate, que dá uma nova roupagem aos personagens da Marvel para o Século XXI. O interesse romântico era Mary Jane – sua esposa nos quadrinhos – ao invés de Gwen Stacy – sua primeira namorada. Como o romance dele com a ruiva é um dos mais tradicionais das HQ’s, Raimi optou por utilizá-la. Alterações como estas que tornaram o filme uma das melhores adaptações de super-herói do cinema. Sucesso que garantiu a Marvel fazer tantos outros filmes do Cabeça-de-Teia até os fãs enjoarem. E fonte é que não falta, pois o Aranha soma quase meio século de combate ao crime. E terá mais meio século, pois se trata de uma obra em aberto. Mesmo se o Homem-Aranha morrer, vão dar um jeito de ele ressuscitar.

A graphic novel, por outro lado, é um enredo de começo, meio e fim – mas fim mesmo. Uma obra fechada. Orquestrada como uma sinfonia, em que cada nota é fundamental para torná-la imortal. E uma alteração pode acabar com uma estrutura perfeita. Exemplo disso foi “V de Vingança”, que teve o roteiro de autoria dos irmãos Wachowski. Deveria se chamar “V de Vai ser ruim assim lá no inferno”. O filme passa longe da obra edificante que Alan Moore criou, em parceira com David Lloyd, na década de 1980. Quem LEU a obra antes de ver o longa sabe muito bem do que estou falando. A história é riquíssima. Com reflexões a respeito de autoritarismo, alienação, democracia, anarquia. O personagem da Eve faz uma belíssima trajetória de auto-realização e sua relação com “V” é complexa demais para ser contada em poucos minutos de exibição. Pra contar a história de maneira decente, tinha de ser uma trilogia. Não aquela mutilação que vi. Não à toa, Moore nem quis creditar o nome dele a película. E tenho bastante receio em relação a Watchmen. Pois se trata do “Cidadão Kane dos quadrinhos”. Lembro de ficar vidrado em cada página, quadro e fala quando li. A obra é sublime. E deu muito trabalho ao desenhista David Gibbons: Alan chegou a escrever uma página inteira só para descrever um quadro de uma página. E Snyder pode estar a um passo da glória ou de cometer o maior pecado da vida dele.

P.S: Agradecimentos a Marcos Nascimento pela idéia que gerou esta matéria. Abraço, véio.

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