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King Kong
(King Kong, 2005)

Data: 17 de Dezembro de 2005

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Por: Raphael Santos

“King Kong” chega aos cinemas depois de ter gerado muita expectativa, tanto pelo já conhecido perfeccionismo do diretor Peter Jackson, quanto pela estória do macacão parecer não trazer conteúdo para um filme com três horas de duração. Sem falar também no próprio macaco que virou símbolo no cinema e, dessa vez, parece que ganhará uma animação à sua altura (e que altura). Resta saber como o filme se portou diante de tais expectativas.

Algumas pessoas surgem em Hollywood e fazem certas coisas praticamente dizendo: “eu vim para ficar” . Nos últimos tempos, uma dessas pessoas se chama Peter Jackson. Ele foi responsável pela belíssima adaptação de “O Senhor do Anéis”, inclusive ganhando prêmios da academia. Dessa vez, o barbudo e agora magro (!) diretor, ataca com um clássico dos clássicos, no caso, King Kong. Título esse que dispensa apresentações, afinal o nome está aí desde muito, mas muito tempo mesmo e, além de simplesmente isso, o filme ganhou linha de brinquedos, roupas e etc, sem falar que virou atração em parques temáticos nos EUA, principalmente no da Universal. Tudo bem que já conhecemos o Kong, mas não aos olhos de Peter Jackson. Dessa vez, fomos ao cinema com a nítida sensação de: o que esse cara vai me passar. Pelo menos, eu, criei uma grande ansiedade por conta desse fato.

Na década de 30, precisamente em 1933, a atriz Ann Darrow (Naomi Watts), passa por maus bocados no showbusiness, pois àquela época as pessoas esperavam demais da diversão, a fim de que as desviassem dos problemas cotidianos originados pela maior crise econômica americana, a Grande Depressão. A atriz, como varias pessoas da época, nem tinha o que comer. Mas, por sorte (ou azar), ela se depara com Carl Denham (Jack Black). Ele, que procurava alguém especial para o papel do seu próximo filme, é um diretor deveras obstinado, porém, mediante seus últimos fracassos, fica sem o devido apoio para suas filmagens. Carl lança a proposta para a atriz e ela sem muito como negar aceita juntando-se a uma equipe e embarcando em um velho cargueiro, com a finalidade de aportarem em uma ilha. Porém somente Carl sabia desse destino. Um destino que mudaria a vida de todos que estavam ali a bordo do navio, principalmente, Ann Darrow.

O começo é muito cansativo, pois a expectativa maior é sobre o macaco Kong. As coisas começam a melhorar quando eles se aproximam da ilha e, conseqüentemente, do animal. A meticulosidade de Peter Jackson está clara nesse inicio do filme. Algumas cenas nem seriam tão necessárias, mas ele não as dispensou de forma alguma. Faz até sentido, pois é durante tais que vemos como a cidade se portava diante de uma crise e a tão perfeita ambientação do cenário para com a época.

Passada a parte meticulosa, começamos a entrar em um mundo selvagem, robusto e pouco aceitável para os mais exigentes. É nele que nos deparamos com o tão perfeito gorila, que faz jus ao codnome de King (rei). O personagem de computação gráfica é um colírio para os olhos de todos aqueles que esperavam ansiosos o filme. Ele é deveras carismático, causando uma simpatia enorme com o público. Tendo em vista isso, devemos elogios ao ator Andy Serkis, pois foi ele quem fez os movimentos e feições do macaco com uma tecnologia de captura igual como fez o Gollum (Senhor dos Anéis). Não sei como ele deveria entrar no páreo para o Oscar, mas que merece muitos prêmios, isso é inenarrável.

Graficamente falando, as perfeições não param por aí. Steven Spielberg pode ser o que foi, ter feito o que fez, mas se tornou coisa do passado quando o longa nos mostra os dinossauros. Esses que, juntamente com o querido macaco nos trazem momentos de vibração, estão impecáveis, com todos os detalhes bem definidos e uma interação com as personagens vivas incrivelmente ao extremo da realidade. Há também outros bichinhos que podem ter uma presença agradável ou não. Se ao notar que eles estão aparecendo e você estiver comendo ou bebendo algo, pare um pouco, essa é uma dica de amigo. ;)

Por falar em atores reais, esses estão bem. Naomi Watts à medida que vai conhecendo e fazendo uma dupla muito boa com o gorilão, nos passa a sensação de sermos nós quem estamos desvendando aquela fera. Ela também faz uma coisa bem difícil, pois nas filmagens ela não o tinha presente para mostrar aos expectadores as sensações referentes, todavia, ela atingiu tremendo êxito. Adrien Brody faz Jack Driscoll, um escritor que desperta interesse da atriz Ann. Ele é figurinha carimbada e já ganhou Oscar® como melhor ator por O Pianista. Até por esse currículo, não demonstra nada a mais do que o esperado. Por outro lado, muitos elogios são voltados para Jack Black. Antes do filme, me perguntava se ele encarnaria bem um papel sério, pois já sabemos o quanto ele é bom no gênero comédia. Para delírio geral o ator dá um passeio e se mostra um dos melhores atores da atual geração, deveras versátil e dono de ótimos papéis. Completando o elenco galático, Colin Hanks (filho de Tom Hanks), Kyle Chandler (Preço da Traição), Thomas Kretschmann (O Pianista) e Jamie Bell (Billy Elliot), fazem participações modestas, entretanto o último se distrai um pouco quando precisa demonstrar sentimentos fortes, inclusive de perda.

A trilha sonora é impecável. Além de bem escolhida pela época, ela nos passa as devidas sensações de suspense, aventura e, principalmente, romance. Em nenhum ponto ela é falha, coisa até esperada por já conhecermos o potencial de Peter Jackson na escolha de sua equipe de apoio.

O que poderia ter ficado melhor seria a interação de alguns atores com os personagens gráficos. Ficou claro que alguns deles não se sentiram muito à vontade trabalhando com algo que não viam, digamos que falta de experiência, pois talento a maioria já demonstrou. Outro ponto negativo também foi a não explicação de alguns fatos. Como por exemplo, os nativos da ilha e como aquele mundo todo do Kong e dinossauros ainda não havia sido tão explorado. Infelizmente, isso é um furo chato no roteiro, algo não compreensível, pois, como já havia sido gasto um bom tempo com algumas cenas iniciais (algumas delas desnecessárias), nada iria contra ao fato de ter sido feito algo para não ocasionar essa falha um tanto quanto grave.

Tirando alguns erros, a celulose é o prato cheio do ano. Nela encontramos de tudo! Desde um “romance” carismático à um amontoado de aventuras vibrantes e efeitos para lá de especiais. Uma boa pedida e o tipo de filme que, tal como “Senhor Dos Anéis”, se visto daqui alguns anos, não perderá o brilho de forma alguma. Depois dessa, creio que ninguém ousará fazer outro remake do título King Kong.
Cotação:  (8/10)

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