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Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
(Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest, 2006)

Data: 26 de Julho de 2007

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Por: Ícaro Ripari

“Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” traz uma grande mistura de elementos cômicos e eletrizantes, assim como o primeiro filme da franquia. Porém, engana-se o espectador que enxerga o filme com bons olhos apenas pelos fatores óbvios e já esperados: atores renomados e esforçados, efeitos especiais para "Independence Day" nenhum reclamar e a fórmula hollywoodiana inevitável, que segue traçando grandes e majestosas produções, porém, com detalhes que poderiam comprometer seriamente o sucesso de uma franquia ou, pelo menos, deste filme.

Com direito a recordes quebrados e expectativas que vão além de “Código Da Vinci” e “X-Men”, dentre outros filme da época de seu lançamento, “Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” chega com diversos dilemas que as personagens principais devem enfrentar. Enquanto Will Turner (Orlando Bloom) luta para conseguir finalmente ser feliz ao lado de Elizabeth Swann (Keira Knightley), enfrentando os vestígos do 1º filme (suas origens e seus feitos ao lado dos piratas), Jack Sparrow (Johnny Depp) deve enfrentar mais maldições para conseguir sobreviver ao lado do seu Pérola Negra e sua tripulação, deparando-se com situações que desafiam seus medos e sua personalidade. Ao decorrer das tais situações descritas, o filme desencadeia diversos fatos que acabam se tornando uma bola de neve e unindo novamente as personagens devido aos seus respectivos interesses.

As novas aventuras de Jack Sparrow e companhia se resumem a 155 minutos de um roteiro muito mal feito, encaminhando-se para um final que nem final é! Trata-se apenas de uma ponte para uma curiosidade e expectativa ainda maior sobre o próximo e último filme. Além disso, os espinhos no meio das rosas seguem em “O Baú da Morte”. A tentativa de grandeza de efeitos acaba literalmente roubando a cena do roteiro e da história, que fica sem sentido e parece se rastejar para conseguir chegar a algum lugar. Acredito que a objetividade poderia ser mais usada se não houvesse tantas reviravoltas inúteis, que caracterizam o filme do começo ao fim, tornando-o cansativo. O desfecho não ajuda em nada e pode se tornar uma faca de dois gumes para os mais atentos: ao mesmo tempo que pode ser considerado criativo para alguns, pode ser facilmente visto como uma alternativa mal pensada para finalizar o que parecia não ter mais fim ou solução, já que a trama não tinha mais sentido e não poderia se tornar mais cansativa do que já estava. Parece até que os roteiristas Ted Elliott e Terry Rossio pensaram em uma solução qualquer para simplesmente dar um fim plausível ao longa, aguçando as indagações para a seqüência. Enfim, nesse quesito, uma certa decepção tomou conta de minha mente (e acredito que de muitas outras), que sentia-se enganada pelo grande marketing produzido por uma infinidade de enrolações e exageros que só guiaram os espectadores a mais tempo de espera e curiosidade pelo terceiro longa.

Quanto as atuações, Depp continua desempenhando de forma extremamente satisfatória o personagem do pirata excêntrico Jack Sparrow. Não tão satisfatório como sua primeira atuação, é verdade, mas ainda é digno de admiração e aplausos, porém não uma indicação a Oscar. Ele consegue mais uma vez, de maneira simples e eficaz, mostrar porque é considerado um dos melhores atores da atualidade. Já Keira definitivamente é lamentável. Sua atuação deixa muito a desejar, não incorporando a personagem como deveria e chegando a, em muitos momentos, causar desconforto e irritação, como quando ela se sente triste (momentos após falar com Jack no navio para depois ser abordada pelo comodoro), tentando transparecer lágrimas mas parecendo delimitar um sorriso (??? – inexplicável). Orlando Bloom também não foi sensacional. Ele ainda peca nas suas expressões e trejeitos que não condizem com o que a história e as situações vividas estão pedindo e não mostra em nenhum momento o sangue de pirata que corre em suas veias, nem mesmo nos momentos vivenciados com o pai ou até mesmo durante a batalha em que comanda o Pérola a atacar a tripulação de Davy Jones. Como destaque, além da já citada maravilhosa atuação de Depp, está também Bill Nighy como Davy Jones, que dá vida ao personagem computadorizado através de uma excelente atuação e expressões tão boas quanto, sendo digna de ótimas referências como um dos pontos fortes do filme, representando bem o papel de vilão e transmitindo as emoções e sentimentos da personagem.

Frisando ainda os aspectos mais chamativos do longa, os efeitos são muito bons, mas deixam a desejar em alguns detalhes. É incrível, por exemplo, como Davy Jones é extremamente bem feito e cuidadosamente trabalhado para que não haja problemas com detalhes e acabamentos. No entanto, cenas como o ataque a tripulação de Jack e as cenas de ação (lutas em geral, cena com as rodas de madeira, a “bola” em que a tripulação de Jack fica aprisionada, etc...) apresentam uma qualidade boa, mas com alguns defeitos que compromentem um pouco levando-se em conta a questão da "parte técnica". Destaque positivo para a boa direção de Gore Verbinski e para a produção de Jerry Bruckheimer, muito competente como de costume.

Vale a pena também citar a trilha sonora do filme, que agrada muito, complementando de forma extremamente prazerosa muitos momentos, auxiliando diretamente na transmição da intenção de determinadas cenas ao espectador.

“Piratas do Caribe 2 – O Baú da Morte” vale o tempo perdido, no fim das contas. É uma diversão considerável, conta com alguns atores talentosos, efeitos interessantes e, querendo ou não, é simplesmente a continuação de um dos maiores sucessos dos últimos anos do cinema norte-americano. Sem contar que, caso você tenha intenção de saber o desfecho da trama e assistir ao terceiro filme da franquia, é essencial assistir a “Baú da Morte”. Até mesmo porque ver a presença de Geoffrey Rush no final traz um fio de esperança que o terceiro filme irá amenizar os erros e defeitos desse filme, mesmo que não tenha sido a melhor das escolhas para acabar de vez com o longa. Vale a pena conferir, mas assista preparado e descansado e não espere um espetáculo por completo, pois a decepção pode ser grande.
Cotação:  (6/10)

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