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Ela é a Poderosa
(Georgia Rule, 2007)

Data: 21 de Julho de 2007

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Por: Igor Vieira

Jane Fonda, Felicity Huffman e Lindsay Lohan se juntam na comédia “Ela é a Poderosa”, onde o melhor prazer é assistir às performances das talentosas atrizes que, juntas em cena ou não, garantem toda sorte de emoções à platéia.

Mesmo com a péssima adaptação do título para o português (no original “Georgia Rule”, algo como “Regra da Georgia” ou “Georgia Manda”) e a infeliz estratégia de promoção com os dizeres “Ela já foi a sogra e agora ‘Ela é a Poderosa’”, em referência ao longa “A Sogra” que marcou a volta de Jane Fonda às telonas, o trio de atrizes é sem dúvidas o que me levou aos cinemas para conferir “Ela é a Poderosa”.

Lilly (Felicity Huffman) não consegue mais controlar a filha Rachel (Lindsay Lohan). Após uma série de acontecimentos que envolvem drogas, a combinação destrutiva de álcool e direção e a irresponsabilidade da garota com a faculdade, ela decide deixá-la durante o verão inteiro na casa de sua tão odiada mãe, no interior de Idaho. Georgia (Jane Fonda, incrivelmente parecida com Huffman) é a típica controladora fazendo da vida daqueles que vivem sob o seu teto um inferno com suas regras de conduta moral e boa educação.

Forçada a trabalhar na clínica veterinária do ex-namorado de sua mãe, Simon Ward (Dermot Mulroney), que também atende a pessoas em seu consultório, Rachel terá que se acostumar com a vida pacata e desacelerada do interior. Além das confusões aprontadas por ela, como o envolvimento com o jovem Harlan (Garreth Hedlund), um caipira mórmon e virgem, o longa trata basicamente das relações entre mãe, filha e avó que parecem não suportar umas às outras. Para piorar a situação, a reação de Lilly e Rachel é tal qual a sua relação com a mãe no passado. Alcoolismo, acusações de abuso sexual e personalidades marcantes trazem mais problemas de relacionamento para essas mulheres.

O roteiro nascido em uma grande gama de clichês (por exemplo, o envolvimento da recém-separada com o ex-namorado da juventude e o a relação mãe e filha refletido na geração seguinte) acaba surpreendendo por desenvolvê-los de forma incomum. Porém, algumas tramas paralelas que aparecem para adicionar humor ao filme acabam por alongá-lo demais. Os 113 minutos de projeção parecem bem mais, principalmente pelo postergamento do desfecho. Tentando surpreender com a trama de mentiras criadas pela personagem de Lohan, Mark Andrus (do também esticado além da conta “Divinos Segredos”) se perde num caminho que parecia fácil seguir. Outro que vacila é o diretor. Garry Marshall (“Uma Linda Mulher”) não faz nada de mais com a câmera na mão. Seu filme poderia ter sido rodado por qualquer estudante de cinema que tivesse noção de continuidade.

O que segura “Ela é a Poderosa” é sem dúvida a tríade feminina que dá vida a suas adoráveis personagens. Jane Fonda se despe de quaisquer indícios de vaidade que a fizeram famosa e mostra que realmente sua Georgia comanda em cena. Felicity Huffman mais uma vez nos presenteia com uma interpretação forte indo da comédia ao drama em questões de segundos, fato que marcou seu sucesso na série “Desperate Housewives” e também sua atuação em “Transamérica”. Lindsay Lohan, por sua vez, não se intimida diante do talento das premiadas colegas de cena e consegue dominar a fita até meados da projeção. Talvez um dos motivos de ir tão bem, seja a sua relação próxima com o universo de Rachel. A sensação de estar assistindo a vida da própria atriz é inegável. Para se ter uma idéia, além do comportamento mal-criado e do abuso de drogas ilícitas, ela ainda simula uma cena em que de micro-vestido parece tirar a calcinha. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Apesar da conturbada vida fora das telas e das confusões de bastidores criados pela jovem atriz (boatos dão conta de que o estúdio a teria ameaçado de processo caso não mudasse sua conduta profissional e continuasse atrasando as filmagens), Lindsay Lohan parece estar criando uma filmografia de respeito. Seus últimos trabalhos incluem o derradeiro filme de Robert Altman, “A Última Noite”, e o aclamado “Bobby”, de Emilio Estevez, sobre o assassinato do senador Robert F. Kennedy.

Com uma trilha sonora da qual se podia esperar mais sucessos da música pop e escolhas menos óbvias para sublinhar a vida no campo, “Ela é a Poderosa” garante boas risadas e algumas lágrimas para os mais sensíveis. É, portanto, entretenimento garantido se a sua intenção for assistir a uma comédia sem maiores anseios.
Cotação:  (7/10)

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