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King Kong
(King Kong, 2005)

Data: 31 de Agosto de 2007

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Por: Igor Vieira

O diálogo entre Jimmy (Jamie Bell) e Mr. Hayes (Evan Parke) anuncia: não é uma história de aventura. “King Kong” de Peter Jackson é uma grande história de amor, a história da bela que conseguiu encontrar o príncipe dentro da fera. Jackson reconta a famosa narrativa do macaco gigante que é levado à cidade para ser apresentado como a oitava maravilha do mundo.

Na Nova Iorque da década de 30, sofrendo os efeitos da grande depressão, encontramos a jovem atriz Ann Darrow (Naomi Watts) que parece estar prestes a cometer atos que vão contra sua moral para não morrer de fome. Paralelamente, vemos o diretor de cinema Carl Denhan (Jack Black) ter mais um projeto recusado pelos poderosos chefões de um estúdio para o qual trabalha. Na iminência de ter o emprego perdido, Denhan decide rumar em uma aventura rumo a uma ilha lendária para completar o que acredita ser o grande filme de sua vida. Ele encontra na ingênua Srta. Darrow a mocinha que faltava para o projeto e, enganando parte da equipe e da tripulação, desembarca na Ilha da Caveira, um lugar inóspito onde o grande macaco Kong parece ser apenas um dos problemas que enfrentarão.

Em “King Kong”, tudo é grandioso. A começar pelos efeitos especiais. Depois do sucesso de seus filmes "O Senhor dos Anéis" com três Oscar nesta categoria e outras 14 estatuetas, incluindo maquiagem, fotografia, direção de arte e figurino, o diretor não poderia fazer por menos. O longa de 2005 levou pra casa três homenzinhos dourados pelo trabalho no som e novamente nos efeitos especiais. Jackson trabalhou com a mesma equipe nos quatro filmes (os três “O Senhor dos Anéis” e “King Kong”), inclusive com o ator Andy Serkis. O responsável por dar vida ao personagem virtual Gollum do clássico de J.R.R. Tolkien foi quem deu voz e expressão humana a Kong, o gorila gigante.

A reconstituição da Nova Iorque da grande depressão é outro ponto forte do filme. No início e fim da projeção, percebemos o cuidado com todos os mínimos detalhes, da cenografia à trilha sonora. Essa é mais uma das obras-primas de James Newton Howard (“O Casamento do Meu Melhor Amigo” e “Batman Begins”). O trabalho de Howard acompanha a película do início ao fim, praticamente sem intervalos, conferindo ares de suspense, romance, ação e comédia quando necessário. Isso tudo com a grandiosidade épica requerida pelo trabalho de Jackson.

Pelo apuro técnico da fita é de se supor que o roteiro e o elenco seriam os elos mais fracos. Porém, nem aqui o perfeccionismo do diretor vacila. Construído em três atos, o roteiro apresenta transições sutis fazendo com que a história flua naturalmente. Além disso, Jackson e seus colegas de script conseguem prender a atenção do público por mais de uma hora até que o gorila dê o primeiro sinal de sua existência.

As personagens são complexas e muito bem construídas, e alguns traços de suas personalidades e seus sentimentos podem ser percebidos ao longo do filme. Tudo isso acontece através dos diálogos e das atuações de seu elenco. Um time de estrelas, diga-se de passagem. Cada um cumprindo com excelência sua função. Jack Black é o malandro e mal-caráter diretor de cinema Carl Denhan. Adrian Brody é o escritor Jack Driscoll, o mocinho disposto a tudo para salvar a amada das garras da besta. Kyle Chandler é o ator Bruce Baxter, o perfeito misto entre galã e covarde. E é claro, a melhor aquisição de Jackson: Naomi Watts, capaz de imprimir toda a confusão de sentimentos da personagem, a aspirante a atriz Ann Darrow. Nas seqüências em que Ann grava o filme de Carl, Naomi consegue na medida certa a exagerada doçura das atrizes da época. Watts e Serkis são, sem dúvida, o melhor dos mais de 180 minutos de exibição. Os dois envolvem o público em sua relação de tal forma que não nos surpreende que acabemos torcendo para que Jackson tenha tido a ousadia de mudar o desfecho original e deixar os amantes em paz.

Apesar dos fortes diálogos, é no silêncio que a força das atuações é sentida. Tome-se como exemplo o momento de vergonha de Denhan perante o assistente quando esse percebe o verdadeiro caráter do diretor ou ainda a cena em que Driscoll nota que Ann o substituiu em seu coração pela enorme fera. Porém, nenhum momento é mais marcante que o reencontro de Kong e Ann na cidade e a posterior brincadeira na neve, típica entre os apaixonados.

Infelizmente, “King Kong” ficou de fora das principais categorias do Oscar de 2006, quando poderia facilmente ter substituído qualquer outro candidato. Naomi Watts também merecia uma segunda indicação como melhor atriz. O filme de Peter Jackson consegue despertar toda sorte de emoções que uma produção pode provocar no público e é sem medo de errar que digo: “King Kong” resume o verdadeiro significado da palavra cinema.
Cotação:  (10/10)

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