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Rei Leão 2 - O Reino de Simba, O
(The Lion King II: Simba's Pride, 1998)

Data: 20 de Abril de 2005

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Por: Jurandir Filho

Essa seqüência de um grande clássico da Disney não pintou nos cinemas. Saiu direto para as locadoras. Isso não quer dizer que fica atrás do primeiro, aliás, repete a mesma fórmula e é um ótimo divertimento.

Lançado no fim de 1998 nos Estados Unidos, “O Rei Leão 2 - O Reino de Simba” já havia vendido mais de 15 milhões de cópias de sua fita de vídeo. É um número bastante expressivo, apesar de inferior ao primeiro filme da série. Não concordo com a política Disney em colocar seqüências de filmes famosos direto para vídeo, sem que antes sejam exibidos nos cinemas. Infelizmente, foi o que aconteceu. É uma pena, pois este não fica muito atrás do primeiro, apesar de usar muitas artimanhas de seu antecessor.

A história começa seu rumo logo no início do filme, onde depois da morte do malvado Scar (no primeiro filme), o jovem leão Simba (na voz de Matthew Broderick) sobe ao trono da Pedra do Rei. Algum tempo depois nasce a herdeira do trono, Kiara (na voz de Neve Campbell). Isso mesmo, uma garotinha. Dá para imaginar o susto que Timão e Pumba tiveram ao saber que se tratava de uma leoazinha. O Rei Leão 2 repete até certo ponto a história do primeiro filme. A filhote, Kiara, quer conhecer o mundo. Envolve-se com um dos pretendidos de Scar, Kovu. As famílias não fazem gosto da inicial amizade dos dois. Você já viu esse filme. É Romeu e Julieta, agora no reino animal.

Darrell Rooney (diretor) e Jeannine Roussel (produtora) revelaram em uma entrevista direto dos estúdios da Disney que o principal desafio era fazer uma seqüência no mesmo patamar do primeiro filme. "Quisemos dar continuidade ao ciclo da vida", diz Rooney, acrescentando que desde o início ele e o co-diretor Rob LaDuca tiveram de defrontar-se com uma espécie de fantasma: "O público estava tão atento ao primeiro filme que o nível de expectativa era muito alto." Foram dois anos de preparativos para ele e quatro para Jeannine, que embarcou na aventura logo que o original começou a bater recordes. "Uma seqüência tornou-se obrigatória", diz ela.

Segundo Rooney eles suaram muito para encontrar uma história que valesse a pena ser contada. Essa história não tinha apenas de privilegiar os personagens novos, como Kiara e Kovu, mas também encontrar desdobramentos para aqueles que vinham do primeiro filme: Simba e Nala, Timão e Pumba. Na ausência do diabólico Scar, foi criada sua viúva, Zira, para prosseguir com a tradição de maldade.

Infelizmente, Zira está muito longe de ser uma substituta à altura do maléfico Scar. Nem os seus outros dois filhos, Vitani e Nuka, tem o mesmo ar de maldade e ironia que tinham a hienas (inventaram que elas fugiram) no original. É uma pena que tenham excluído as hienas do segundo filme, forçando a criação da Terra do Exílio, onde vivem os leões banidos. Em contraste com a beleza e harmonia do reino, a Terra do Exílio é uma área cheia de maus presságios, como o Cemitério dos Elefantes no filme original. "Para recriar a natureza, nosso desenho limpo e claro foi tirado diretamente da selva africana", revela a produtora, que informa: antes que um só desenho fosse feito, foi realizada uma longa pesquisa in loco. "Uma equipe de produção foi à África e tirou milhares de fotografias", diz ela. Do mesmo jeito que foi feito na primeira versão.

Rooney e Jeannine consideram difícil estimar os custos da produção. Mas concordam que barateou bastante o fato de o filme ter sido realizado, na maior parte, nos estúdios da Disney na Austrália. O próprio colorido foi feito por meio de um processo de pintura e tingimento digital, que foi empregado pela primeira vez. Mas o que realmente notamos neste segundo filme é a falta de carisma de alguns personagens. Em contraposição ao filme original, no qual até os vilões tinham carisma. Timão e Pumba estão mais engraçados, mas em compensação não temos as engraçadíssimas hienas. Depois do sucesso da dupla Timão e Pumba no primeiro filme, esses dois trapalhões ganharam até um desenho próprio que estava sendo exibido aqui no Brasil pelo SBT.

A trilha sonora, como no filme original, é o melhor quesito do filme. Realmente é muito difícil uma música chegar a substituir os grandes hits que foram as trilhas de “O Rei Leão”. Parecia-me improvável encontrar uma música que pudesse substituir “O Clico da Vida’ ou “Hakuna Matata”. Mas em “O Rei Leão 2” há várias músicas boas, e uma delas é “He Lives In You” cantada por Tina Turner no final do filme, e no inicio por Tim Race e Elthon John. Esta sim é uma substituta a altura de “Ciclo da Vida”. Uma música que também é muito boa é “Upendi”, uma versão Rafiki de “Hakuna Matata” cantada por Wes. Além de “We are one”, música de Tom Snow. As músicas em sua versão dublada também estão ótimas, assim como no título original.

No final de 1999 foi lançado nos EUA um CD com uma coletânea com as melhores músicas dos filmes Rei Leão 1 e 2. Infelizmente, não foi muito divulgado aqui no Brasil, mas existem boas lojas especializadas que ainda possuem esta preciosidade. Você pode escolher entre as versões originais ou as versões dubladas das músicas dos dois filmes. Para quem gostou das músicas dessas duas obras da Dinsey, é uma peça que não pode faltar em sua coleção.

Até o ano de 1999, “O Rei Leão” havia vendido cerca 55 milhões de fitas de vídeo em todo o mundo, 1 milhão delas vendidas no Brasil. Essa continuação não passou nos cinemas, e dificilmente chegaria a este número fantástico de vendas, mas com certeza não decepciona quem está a procura de uma boa continuação, de um excelente blockbuster da Disney.
Cotação:  (9/10)

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