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Refém
(Hostage, 2005)

Data: 30 de Abril de 2005

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Por: Jurandir Filho

Um filme sem criatividade e bastante clichê. O que salva mesmo é a interpretação de Bruce Willis e algumas cenas de ação. Mesmo estas sendo mentirosas, vale a pena dar uma conferida no filme.

Hoje em dia é difícil encontrar um filme de ação que consiga passar uma adrenalina alta como fizeram os filmes do gênero nos anos 80-90. Uma época marcada por "Duro de Matar" e "Exterminador do Futuro", que deixavam os telespectadores com a adrenalina nas alturas. Um no estilo ninguém me mata e eu sou "O cara", o outro no estilo robô vindo do futuro, ao som de Guns'n Roses. Época boa. Tudo era novo. Tudo deixava a adrenalina nas alturas. Hoje, 2005, não conseguimos mais ter essas sensações. De vez em quando aparece um ali, um aculá, mas nada de extraordinário. Estamos passando por uma crise de roteiro, em que tudo é substituído por efeitos especiais e ótimos atores com atuação canastronas. Esse é o caso de "Refém", filme que tem o excelente Bruce Willis como protagonista. Atuação canastrona, roteiro fraco, tiros, explosões e coisas do gênero ação, sem muita inovação.

Jeff Talley (Bruce Willis) é um negociador de reféns em Los Angeles, que vive atormentado por não ter conseguido salvar uma criança das mãos de um louco. Jeff decide deixar a cidade e mudar-se para o pequeno subúrbio de Bristo Camino. Mas os fantasmas do passado voltam a atormentá-lo quando três jovens (Ben Foster, Jonathan Tucker e Marshall Allman), após um assalto que não deu muito certo, tomam uma família como refém. O homem raptado (Kevin Pollak) está ligado ao mundo do crime, e trabalha para o importante Sonny Benza. Em sua casa há inúmeros documentos comprometedores, que não podem cair em mãos alheias. Para prevenir que a polícia apanhe esses documentos, Benza manda raptar a mulher e filha de Talley, e exige a entrega dos arquivos. Jeff Talley terá de negociar a complexa situação, que poderá acarretar não só a morte da família seqüestrada, mas a sua também.

Bruce Willis quando é bem dirigido e tem um bom roteiro nas mãos, consegue se superar. Não foi difícil perceber isso na trilogia "Duro de Matar" ou no excelente "O Sexto Sentido". Ele realmente estava entregue de corpo e alma. Em "Refém", dá para perceber que ele se esforçou para dar mais dramaticidade ao personagem. Chorou, tentou criar um estilo e ainda conseguiu, em alguns momentos, passar um grau realismo em sua interpretação. Se não fosse o fraco roteiro, esse seria um ótimo filme. É complicado quando somente uma pessoa tem que carregar o filme nas costas. Dificilmente funciona.

Estreando na língua inglesa, o diretor francês Florent Emilio Siri (do interessante "Ninho de Abelhas") até que não foi tão ruim. Ele mesclou um clima meio noir com roupagens comerciais. O que seriam essas roupagens? Aqueles resgates heróicos, explosões magníficas, mentiras e mentiras, e muitas outras coisas típicas de filmes hollywoodianos. Os créditos iniciais são a única coisa inovadora do longa. Aliás, muito bem bolada. Vale conferir com olhares atentos.

A culpa da falta de criatividade do filme não é do diretor, muitos menos de Bruce Willis. O culpado mesmo é o roteirista Doug Richardson, que fez uma adaptação hollywoodiana do romance de Robert Crais. Esse é o problema de fazer adaptações com cunho comercial. Tira toda a originalidade do roteiro e ainda estraga a história. Temos vários exemplos de adaptações que conseguiram manter sua essência mesmo sendo comercial. “O Senhor dos Anéis”, por exemplo, é um uma excelente adaptação e um estrondoso sucesso de público.

No mais, vale conferir se você não tiver outra opção ou com grana sobrando. Eu até que me diverti assistindo ao filme, mesmo que ele seja tão repetido, cheio de clichês e com quase nenhuma inovação. Aquela seqüência final é triste. Triste porque é mentirosa ao cubo. Mas enfim, desde os primórdios é difícil ter um filme de ação que não seja mentiroso. É bem capaz de você dizer assim durante o filme: "Vamos ser mentirosos, mas não tanto". Tá parecendo coisa de "Missão Impossível 2", que é o recordista de mentiras, ao lado das aventuras de 007.
Cotação:  (4/10)

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