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POLÊMICA: CONSEQÜÊNCIA OU PROVOCAÇÃO?
ABORDAGEM DA POLÊMICA
- O BOICOTE,
MOVIMENTOS E DESCULPAS
Material produzido por
Ícaro Ripari |
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Vamos entender algumas
questões. Partindo do princípio de que seria
inevitável para o cinema em alguns momentos
causar uma enorme polêmica devido a
determinado tema ou abordagem, “Turistas” se
enquadraria em um desses casos mais do que
“usuais”. Certo? No entanto, vejamos a
situação de outra maneira. Nos anos 90,
Madonna impressionou o mundo com suas cenas
sensuais em “Corpo em Evidência”. A não
menos sensual Sharon Stone causou um
verdadeiro alarde em “Instinto Selvagem”.
Antes de morrer congelado em “Titanic”,
Leonardo DiCaprio passou maus bocados por
causa das drogas em “Diário de Um
Adolescente”. Enfim, milhares são os
exemplos de temáticas que trazem uma certa
repercussão mais calorosa em diferentes
épocas e situações. E digo “milhares” por se
tratar de uma imensidão de assuntos que
podem ser constantemente abordados pela
sociedade, como etnias, raças, culturas,
dentre outros. No entanto, qual seria a
verdadeira necessidade de se abordar um tema
da maneira como foi feito em “Turistas”? A
mesma teoria não pode ser aplicada neste
caso, já que há provas de que inclusive a
produção do filme fez questão de esconder a
sua verdadeira temática para os atores
brasileiros que participaram das filmagens.
Assim, um aspecto é indagado incessantemente
por motivos que podem ser facilmente
compreendidos. Seria o Brasil então um ninho
de desordem e caos sem fim a ponto de ser
retratado como motivo de “fator
preponderante” para um roteiro infundado de
terror? Ao longo deste texto, o caro leitor
entenderá de maneira mais completa o que
digo com esta pergunta, já que podemos
considerar por dados mais do que comprovados
que o cinema é um dos setores formadores de
opinião dentro da sociedade atual e em
questão de milésimos pode poluir as mentes
mais despretensiosas ou desinteressadas. |
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O apresentador
americano Cristopher Antal, conhecido como
“O Gambá”, urinou na bandeira do Brasil. Ao
lado, o jornalista Glauro Marcos joga urina
na bandeira americana. Relação de ódio entre
nações ou casos isolados? |
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Qual seria a polêmica? Se
pararmos para analisar friamente os fatos, a
revolta pode ser atribuída simplesmente a um
fator relacionado à inocência e, de certa
forma, até à ingenuidade, por que não?
Afinal, seria o Brasil o único país que
possui problemas no mundo? Para promover o
longa, frases como “Há lugares que os
turistas jamais devem visitar” inundam a
mente da sociedade com exageros e falta de
bom senso. Seria uma tremenda falsidade
deixar de falar sobre os problemas de nosso
país, mas daí a ter de engolir
ridicularizações de mau gosto dos gringos já
são outros quinhentos, não? Revoltada em sua
maioria, a sociedade brasileira e diversas
organizações mostraram que literalmente o
filme não agradou antes mesmo da estréia.
Não abusarei muito da boa vontade do caro
leitor em questionar qual seria o motivo por
tamanha indignação.
Em nosso especial, trazemos também muito
sobre a velha questão do “estereótipo”.
Partindo por esse princípio, o próprio
roteiro do filme já começa a desenvolver tal
questão. A beleza das mulheres, um
verdadeiro paraíso natural, praias, sol,
curtição e coisas do gênero. Seria essa a
imagem a ser passada incessantemente para o
exterior? Pense na seguinte hipótese: o
Brasil é um produto que será vendido para o
estrangeiro. Ótimo, analisamos alguns
fatores que podem ser vistos como positivos.
Porém atire a primeira pedra a nação que não
lida com diferentes situações e problemas
decorrentes do cotidiano todos os dias. De
maneira pífia e insensata, “Turistas” tenta
transmitir a tal mensagem de violência e
terror brasileiro sem ter o mínimo de
preocupação com a repercussão e sentido que
o filme estaria passando. Longe de ser digno
de respeito e muito pouco para um país
considerado a “super potência mundial”, o
cineasta John Stockwell cai em desgraça ao
não se preocupar em retratar a história de
maneira pelo menos sutil, já que, para os
estrangeiros mais desprovidos de
conhecimento sobre o Brasil, temos uma
cultura violenta e insana na atualidade. |
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