Geralmente, ao assistirem aos filmes protagonizados por Harry Potter, muitos adquirem curiosidade acerca do mundo bruxo. Afinal, um universo mostrado com tanta emoção, tanto nos projetos cinematográficos quanto nos livros escritos por J. K. Rowling, é capaz de despertar, principalmente nos mais incrédulos e desinformados, questionamentos. Visando uma abordagem não-ficcional e desmistificar a idéia, muitas vezes errada, que algumas pessoas possuem sobre bruxaria, trazemos, neste hot-site, um texto com informações à respeito do assunto.
De acordo com o sentido adotado pela língua portuguesa, bruxaria pode ser definida como uma palavra que engloba as faculdades sobrenaturais de uma pessoa, as quais são exercidas por intermédio de ritos mágicos. Já para os bruxos de fato, é vista como o culto à Deusa e ao Deus. Aqueles que exercem esta atividade usam de magias naturais, ou seja, provindas da natureza, para conseguirem fins específico.
Esses ofícios mágicos já existem há bastante tempo. Entre 12.000 a 10.000 a.C., foram encontrados os primeiros resquícios da bruxaria, quando acharam algumas estatuetas de uma Deusa da Fertilidade. Desde então, outros indícios que davam conta de magia foram surgindo. Considerada como um rito pagão – palavra a qual, na realidade, significa “morador do campo” e não diz respeito a pecadores, como incutiram na mente de diversas pessoas -, foi altamente combatida pela Igreja Católica, uma vez que os praticantes dessa atividade não eram vistos como católicos, muito menos cristãos.
A caça àqueles que exerciam este ofício foi intensa. Considerado o mais famoso ritual de caça às bruxas, o Malleus Maleficarum, ou O Martelo das Feiticeiras, foi publicado em 1487, o que indica que o combate à prática já havia sendo desenvolvido há tempos. De origem alemã, o manual logo foi perpetuado na Europa, a qual havia sido invadida, na época, pelo medo da população acerca de bruxos. Dois foram os autores do tratado: Heinrich Kraemer e James Sprenger, que buscavam fundamentar suas idéias através da Summis desiderantes, bula criada pelo papa Inocêncio VIII. Embora tenha sido proibida a veiculação do livro na época em que foi escrito, a publicação ainda ocorreu, chegando a ganhar 16 edições.
O combate às bruxas foi claramente desenvolvido pela Igreja Católica, que procurou implantar um regime de temor supersticioso perante os católicos. Mas, afinal, será que o teor desse medo havia fundamento? Analisando alguns princípios básicos da bruxaria, é notável que as suposições à respeito do assunto mostraram-se equivocadas. Primeiramente, é importante ressaltar que, qualquer um que fizer uso de magia, terá que prestar bastante atenção no conteúdo deste ato, uma vez que o efeito retornará três vezes mais naquele que desenvolveu a atividade. Ou seja, se fizer algum mal, este mesmo mal retornará, no entanto, de uma maneira três vezes pior.
Na bruxaria, também há o respeito ao livre-arbítrio. Portanto, nenhum bruxo poderá tentar uma pessoa para que esta seja iniciada na bruxaria. A escolha deve ser feita de forma individual e espontânea. Outro fato bastante importante é a intensa comunhão com a natureza, haja vista que os atos naturais são bastante valorizados pelos bruxos, que procuram preservá-los para que possam sentir como se fizessem parte da Terra. Para os adeptos desse ofício, nada é totalmente bom ou totalmente ruim, desmentindo a idéia de que existe magia branca, constituindo atos benignos, ou magia negra, originando atividades malignas.
Após tamanho combate, o que resultou em um esquecimento breve da bruxaria, ela teve seu renascimento na década de 1950, por intermédio do inglês Gerald Gardner, o qual demonstrou a bruxaria como realmente é. Através do nome Wicca, considerada a “religião da bruxaria”, atualmente, esse ofício conseguiu alcançar outras pessoas. Conhecidos como sacerdotes, os membros desta religião são responsáveis pelos seus próprios atos, por isso um estudo intenso é necessário para que não seja constituída uma atividade considerada ruim ou sem conhecimento.
Apesar da procura de uma constante conscientização acerca do que seria bruxaria ou wicca, muitas pessoas ainda possuem um pouco de preconceito sobre desta prática. Mesmo que isso exista, a liberdade de culto e religião é um direito concedido aos wiccanos pela Constituição Federal. Portanto, acima de tudo, deve haver respeito, caso contrário, todos estão desobedecendo as leis regentes em nosso país. Antes de julgarem, é importante buscar o máximo de informações possíveis acerca do assunto e, por mais que não dividam a mesma crença, as pessoas devem aprender aceitar as diferenças. Como é notável, bruxaria não é seguida a risca pelo mundo criado pela autora J. K. Rowling, uma vez que vassouras voadoras e afins são considerados mitos, no entanto, um dos fatores primordiais das obras que envolvem Harry Potter é fazer com que as pessoas se interessem mais acerca deste mundo e procurem desmistificá-lo. As idéias falsas já existem há muito tempo, mas, em parte, graças a Potter, estão sendo amenizadas.