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A CRIAÇÃO
Por Thiago Sampaio

 

O Homem-Aranha é nada menos que o mais popular personagem da Marvel Comics. Criado por Stan Lee e Steve Ditko – com colaboração de Jack Kirby -, ele apareceu pela primeira vez em agosto de 1962, na última edição da revista em quadrinhos "Amazing Fantasy" (“Incrível Fantasia”). Segundo Stan Lee, o Homem-Aranha foi baseado no personagem The Spider (O Aranha), protagonista de vários contos baratos das revistas pulps que Lee havia lido ao longo de sua infância. À exceção do nome, o violento justiceiro Spider não tem mais nada em comum com o Homem-Aranha.

 

Na época, Stan Lee, era o editor-chefe e principal escritor da Marvel Comics e Jack Kirby o principal ilustrador de super-heróis da empresa. Kirby estava encarregado de desenhar o novo personagem, mas ele e Lee tinham diferentes visões sobre seu aspecto. Enquanto Lee o imaginava como um adolescente comum e aparentemente frágil, Kirby o imaginava absurdamente musculoso, e assim o desenhou. Insatisfeito o tratamento dado ao Aranha ainda em fase de desenvolvimento, Lee chama Steve Ditko, bem mais acostumado com desenhos realistas, para fazer o trabalho. Ditko na verdade o principal desenhista de tramas de mistério da Marvel, mas não simpatizava muito com super-heróis, mas mesmo assim acabou por aceitar desenhar o tal do Homem-Aranha.

Eis que Ditko deu os traços realistas ao personagem na medida exata que Lee imaginava, e se tornou não apenas o primeiro e mais importante desenhista do aracnídeo, como um co-roteirista – sim, ele era um talentoso escritor – escrevendo várias histórias ao lado de Lee. Muitos lembram apenas de Stan Lee na criação do Aranha, mas Ditko teve grande responsável pelo grande sucesso em que o herói se tornou, definindo o visual de Peter Parker e dos outros personagens secundários, como a Tia May, J. Jonah Jameson, Duende Verde e Dr. Octopus.

Após a sua primeira aparição na revista “Amazing Fantasy”, o Homem Aranha atraiu tanto interesse do público que acabou ganhando uma revista própria chamada “Amazing Spider-Man”, em março de 1963. O personagem fez uma espécie de ‘revolução’ no cenário dos super-heróis, em meados da década de 60. Isso porque até então, todos os heróis pareciam seguir um padrão pré-definido de como agir, mantendo uma postura sempre igual quando estão levando suas vidas normais, e quando estão uniformizados combatendo o crime. O Homem-Aranha era bem mais complexo. Ele é um produto do meio, um herói que acima de tudo, é um ser humano, que tem o sentimento de culpa preso em sua consciência. E quando está em ação, ele se torna um típico justiceiro sem medo de nada, com um humor irônico mais do que aguçado que nunca perde uma chance de zoar com quem está brigando, mas mesmo assim...ele no fundo sabe que é Peter Parker, um ser normal e angustiado. Seus próprios atos são peculiares, afinal, até então nenhum herói usava os próprios poderes para ganhar dinheiro – Parker vendia fotos do próprio Homem-Aranha para o Clarim Diário -, e só faz isso porque precisa sustentar a tia idosa e doente. O surgimento de um herói tão tridimensional foi impactante! “Foi o primeiro super-herói com problemas comuns”, lembra Stan Lee.

Peter Parker fugia de qualquer estereótipo de um herói: usava óculos, era humilhado pelos demais alunos da escola, não fazia sucesso entre as garotas, etc. Antes de sua criação, haviam Batman/Bruce Wayne, um milionário bem-sucedido e bonitão (que posteriormente ganhou um tratamento bem mais complexo nas mãos de Frank Miller) que vivia em uma cidade imaginária (Gotham City). Clark Kent podia até ser meio desastrado, mas não escondia o corpo malhado do Super-Homem, e era nascido em outro planeta (Krypton). Já o fotógrafo Peter Parker é um nova-iorquino do Queens, com os mesmos problemas e ansiedades de um rapaz comum. Deu tão certo que, depois dele, vieram o atormentado Bruce Banner (o Incrível Hulk) e até Tony Stark (o Homem de Ferro), que sofria sérios problemas de alcoolismo. Em 1972, Stan Lee criou os primeiros heróis negros, Black Panter, The Falcon e Luke Cage, sem dúvida identificados com a luta pelos direitos civis.

As habilidades do Homem-Aranha: Força sobre-humana, velocidade, resistência, grande agilidade, reflexos aperfeiçoados, habilidade de aderir a superfícies sólidas, previsão de perigos ("Sentido de Aranha"). Utiliza nos pulsos lançadores de teias recarregáveis por cartuchos que ele mesmo fabricou (que nos cinemas foi substituído por teia sintética).