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Na
época, Stan Lee, era o editor-chefe e
principal escritor da Marvel Comics e Jack
Kirby o principal ilustrador de super-heróis
da empresa. Kirby estava encarregado de
desenhar o novo personagem, mas ele e Lee
tinham diferentes visões sobre seu aspecto.
Enquanto Lee o imaginava como um adolescente
comum e aparentemente frágil, Kirby o
imaginava absurdamente musculoso, e assim o
desenhou. Insatisfeito o tratamento dado ao
Aranha ainda em fase de desenvolvimento, Lee
chama Steve Ditko, bem mais acostumado com
desenhos realistas, para fazer o trabalho.
Ditko na verdade o principal desenhista de
tramas de mistério da Marvel, mas não
simpatizava muito com super-heróis, mas
mesmo assim acabou por aceitar desenhar o
tal do Homem-Aranha.
Eis que Ditko deu os traços realistas ao
personagem na medida exata que Lee
imaginava, e se tornou não apenas o primeiro
e mais importante desenhista do aracnídeo,
como um co-roteirista – sim, ele era um
talentoso escritor – escrevendo várias
histórias ao lado de Lee. Muitos lembram
apenas de Stan Lee na criação do Aranha, mas
Ditko teve grande responsável pelo grande
sucesso em que o herói se tornou, definindo
o visual de Peter Parker e dos outros
personagens secundários, como a Tia May, J.
Jonah Jameson, Duende Verde e Dr. Octopus.
Após a sua primeira aparição na revista
“Amazing Fantasy”, o Homem Aranha atraiu
tanto interesse do público que acabou
ganhando uma revista própria chamada
“Amazing Spider-Man”, em março de 1963. O
personagem fez uma espécie de ‘revolução’ no
cenário dos super-heróis, em meados da
década de 60. Isso porque até então, todos
os heróis pareciam seguir um padrão
pré-definido de como agir, mantendo uma
postura sempre igual quando estão levando
suas vidas normais, e quando estão
uniformizados combatendo o crime. O
Homem-Aranha era bem mais complexo. Ele é um
produto do meio, um herói que acima de tudo,
é um ser humano, que tem o sentimento de
culpa preso em sua consciência. E quando
está em ação, ele se torna um típico
justiceiro sem medo de nada, com um humor
irônico mais do que aguçado que nunca perde
uma chance de zoar com quem está brigando,
mas mesmo assim...ele no fundo sabe que é
Peter Parker, um ser normal e angustiado.
Seus próprios atos são peculiares, afinal,
até então nenhum herói usava os próprios
poderes para ganhar dinheiro – Parker vendia
fotos do próprio Homem-Aranha para o Clarim
Diário -, e só faz isso porque precisa
sustentar a tia idosa e doente. O surgimento
de um herói tão tridimensional foi
impactante! “Foi o primeiro super-herói com
problemas comuns”, lembra Stan Lee.
Peter Parker fugia de qualquer estereótipo
de um herói: usava óculos, era humilhado
pelos demais alunos da escola, não fazia
sucesso entre as garotas, etc. Antes de sua
criação, haviam Batman/Bruce Wayne, um
milionário bem-sucedido e bonitão (que
posteriormente ganhou um tratamento bem mais
complexo nas mãos de Frank Miller) que vivia
em uma cidade imaginária (Gotham City).
Clark Kent podia até ser meio desastrado,
mas não escondia o corpo malhado do
Super-Homem, e era nascido em outro planeta
(Krypton). Já o fotógrafo Peter Parker é um
nova-iorquino do Queens, com os mesmos
problemas e ansiedades de um rapaz comum.
Deu tão certo que, depois dele, vieram o
atormentado Bruce Banner (o Incrível Hulk) e
até Tony Stark (o Homem de Ferro), que
sofria sérios problemas de alcoolismo. Em
1972, Stan Lee criou os primeiros heróis
negros, Black Panter, The Falcon e Luke Cage,
sem dúvida identificados com a luta pelos
direitos civis.
As habilidades do Homem-Aranha: Força
sobre-humana, velocidade, resistência,
grande agilidade, reflexos aperfeiçoados,
habilidade de aderir a superfícies sólidas,
previsão de perigos ("Sentido de Aranha").
Utiliza nos pulsos lançadores de teias
recarregáveis por cartuchos que ele mesmo
fabricou (que nos cinemas foi substituído
por teia sintética).
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