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Piratas do Caribe - O Baú da Morte
(Por Andreisa Caminha)

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Após o grande sucesso de “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra” (2003), que custou US$ 140 milhões e arrecadou cerca de US$ 300 milhões, a Disney primou por transformar o filme em uma franquia, mais precisamente em uma trilogia. Foram planejados, então, os outros dois longas-metragens, que seriam gravados simultaneamente, assim como foi o caso do segundo e terceiro projetos da série “Matrix”. Dessa forma, surgiu “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, cujo principal atrativo era uma diversão descompromissada, mas que também trazia bons aspectos técnicos, como também um elenco conhecido.

A história, mais uma vez roteirizada por Ted Elliott e Terry Rossio (dupla por trás de roteiros como os de “Piratas do Caribe 1” e “Shrek”), tem novamente como protagonistas o trio Jack Sparrow (Johnny Depp), Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley). Acontecendo depois dos fatos vistos no primeiro filme, a trama acompanha, desde o princípio, os planos de casamento de Will e Elizabeth, que sempre se mostraram apaixonados. Todavia, todo o planejamento da cerimônia tem que se refeito, visto que os dois acabam sendo presos pelo Lorde Cutler Beckett, da Companhia das Índias Orientais, sob a acusação de prestarem ajuda à fuga do famoso pirata Jack Sparrow, capitão do navio Pérola Negra. Mostrando ser bastante ganancioso, Beckett almeja superar todos os outros navios para, finalmente, dominar os mares do Caribe. Por isso mesmo que ordena que Elizabeth seja trancafiada, enquanto Will é liberado sob uma condição: ir atrás de Jack e capturar a sua bússola – também vista no primeiro filme -, que indica perfeitamente a localização de um objeto de valor incalculável.



Elizabeth, insatisfeita, decide fugir da prisão, indo atrás de Will e Jack, os quais se juntaram, a essa altura da história, ao Comodoro Norrington (Jack Davenport), dessa vez sem a glória que possuía no primeiro projeto dos piratas. Todos partem em busca do objeto citado, que é o Baú da Morte – o qual, inclusive, dá subtítulo ao filme. Jack Sparrow, sempre metido em enrascadas, escondeu durante um tempo uma dívida de sangue que travara com Davy Jones (Bill Nighy), capitão de outro navio pirata bastante famoso e veloz, o Holandês Voador. Jones não é um humano normal, ele possui suas particularidades, como o seu rosto de polvo e, ao invés de um braço, uma garra de caranguejo. A tripulação do Holandês Voador, por sinal, assim como o Capitão Davy, também é amaldiçoada. Os homens desta embarcação, à medida que o tempo passa, vão começando a demonstrar características em sua aparência concernentes às de criaturas do mar. Além de ter poderes incontáveis, Jones é capaz de controlar o monstro marinho Kraken, o que o faz ser mais temido ainda. A única maneira, então, de Jack saldar a sua dívida é, conseqüentemente, achar o Baú da Morte, o qual permite que o capitão do Holandês Voador tenha o controle dos mares. Uma vez em posse do Baú, também encontrariam o coração de Davy Jones, que está no interior do objeto.

Ao contrário do que pode parecer, o grande diferencial de “Piratas do Caribe: O Baú da Morte” não gira em torno de seu roteiro e suas atuações impecáveis – embora alguns atores realmente tenham conseguido incorporar bem os seus respectivos personagens. O marcante deste filme é exatamente a manipulação bem feita dos efeitos especiais. Aqueles que possuem características marinhas, por exemplo, como a tripulação do malvado Davy Jones, demonstram de maneira correta o bom uso desses aspectos. O próprio Jones, incorporado por Bill Nighy, faz parte de um dos leques de características determinantes para o sucesso do longa. Através da técnica motion picture (a mesma utilizada no personagem Smeagol/Gollum, de “O Senhor dos Anéis”), o Capitão do Holandês Voador foi criado.



Aliás, nesta franquia dos piratas mais famosos do cinema é praticamente uma obrigação a existência de ótimos aspectos técnicos, tendo em vista a quantia de dinheiro empregada nos projetos. No segundo filme, a Disney desembolsou um valor que girou em torno de US$ 225 milhões. Não ficando para trás, a arrecadação também foi grandiosa. Apenas em seu final de semana de estréia, nos Estados Unidos, país de origem do longa, arrematou um valor superior a US$ 135 milhões. Ao todo, até dezembro de 2006, tinha arrecadado, somente nos EUA, mais de US$ 420 milhões. O sucesso em bilheterias é inegável. No mundo todo, “Piratas do Caribe 2” chegou a lucrar mais de um bilhão de dólares, quebrando vários recordes. Vale ressaltar que o segundo filme da franquia ainda figura a lista das bilheterias mais rentáveis do mundo, apenas perdendo para os famosos “Titanic” e trilogia “O Senhor dos Anéis”. Um feito enorme para a Disney, diga-se de passagem.

Outro fator marcante para o sucesso da série é o fato de o estúdio conseguir reunir sempre os mesmos atores. Seria difícil imaginar Jack Sparrow não sendo interpretado por Johnny Depp ou, então, Will Turner incorporado por outra pessoa que não fosse Orlando Bloom. Como se sabe, algumas mudanças, principalmente nas aparências de atores que habitam o cinema hollywoodiano, acontecem com constância. Como o primeiro filme foi exibido ainda em 2003 e o segundo apenas em 2006, alterações nos fenótipos de algumas celebridades eram de ser esperadas. Um exemplo disso é Keira Knightley. Antes de gravar “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, a atriz estava trabalhando em outro projeto, “Domino – A Caçadora de Recompensas”, no qual usou o cabelo bastante curto. Elizabeth Swann, por sua vez, seu papel na franquia dos piratas, sempre foi vista com um cabelo bem grande. Visando deixar a personagem do segundo longa-metragem com as mesmas características da do primeiro, Keira teve que usar apliques em seu couro cabeludo. Nada muito doloroso, é verdade, mas essencial para que o público sentisse uma identificação maior com os mesmos personagens.



O elenco deste segundo filme, por sinal, deveria ter sido implementado por outra celebridade famosa. Não é um ator, ao contrário do que pensem a priori, e sim um cantor. Keith Richards, guitarrista da famosa banda Rolling Stones, que fez sucesso durante muito tempo e continua fazendo. Ele deveria ser responsável por uma participação super especial no longa como o pai do Capitão Jack Sparrow, no entanto, como sua carreira principal é a de cantor, teve que dar destaque aos compromissos da turnê mundial de sua banda. Este fato, claro, não prejudicou em nada “Piratas do Caribe 2”, porém talvez tivesse ajudado a levar mais pessoas, principalmente fãs dos Rolling Stones, aos cinemas. No entanto, pode-se esperar a participação de Richards no terceiro longa da franquia.

Gore Verbinski é outro que impulsiona o sucesso da série. Sempre vinculado aos projetos dos piratas, o diretor consegue dotar a história dos aspectos irreverentes e divertidos tão necessários aos filmes da Disney. Nota-se que Verbinski não mede esforços para a realização de cenas marcantes. Também primando por elementos surpresas, o cineasta resolveu separar os roteiros dos protagonistas. Por exemplo, uma das cenas mais badaladas pela mídia foi a que contaria com o beijo entre os personagens Jack Sparrow e Elizabeth Swann. Para aumentar a veracidade da reação composta por Orlando Bloom, que interpreta Will Turner, par romântico de Swann no filme, o roteiro entregue para o ator não conteve o teor da cena referida.

Todo o desempenho implementado neste projeto parece ter valido a pena, visto as premiações recebidas pelo filme. Foi indicado a 4 Oscar: Melhores Efeitos Visuais (John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e Allen Hall), Melhor Direção de Arte (Rick Heinrichs e Cheryl A. Carasik), Melhor Edição de Som (Christopher Boyes e George Watters II), Melhor Mixagem de Som (Paul Massey, Christopher Boyes e Lee Orloff), tendo ganho na primeira categoria citada. Também concorreu a outros prêmios bastante famosos, como o Bafta, onde venceu novamente o de Melhores Efeitos Especiais. No Globo de Ouro, por sua vez, o único indicado foi Johnny Depp, que não ganhou a estatueta.

No entanto, nem tudo são flores na realização de projetos cinematográficos. Enquanto o segundo longa da franquia estava sendo gravado, o furacão Wilma atingiu algumas partes da locação, obrigando o elenco e a equipe técnica a voltarem para Los Angeles. Após esforços, surpresas e muito trabalho, surgiu este filme, intitulado “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”, responsável por conquistar ainda mais o público assíduo das salas de cinema e aumentar a curiosidade dos espectadores, que esperam encontrar em “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, terceiro projeto da franquia, bastante diversão e competência. Abaixo o trailer do filme: