Após o grande sucesso de “Piratas do Caribe:
A Maldição do Pérola Negra” (2003), que
custou US$ 140 milhões e arrecadou cerca de
US$ 300 milhões, a Disney primou por
transformar o filme em uma franquia, mais
precisamente em uma trilogia. Foram
planejados, então, os outros dois
longas-metragens, que seriam gravados
simultaneamente, assim como foi o caso do
segundo e terceiro projetos da série “Matrix”.
Dessa forma, surgiu “Piratas do Caribe: O
Baú da Morte”, cujo principal atrativo era
uma diversão descompromissada, mas que
também trazia bons aspectos técnicos, como
também um elenco conhecido.
A história, mais uma vez roteirizada por Ted
Elliott e Terry Rossio (dupla por trás de
roteiros como os de “Piratas do Caribe 1” e
“Shrek”), tem novamente como protagonistas o
trio Jack Sparrow (Johnny Depp), Will Turner
(Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira
Knightley). Acontecendo depois dos fatos
vistos no primeiro filme, a trama acompanha,
desde o princípio, os planos de casamento de
Will e Elizabeth, que sempre se mostraram
apaixonados. Todavia, todo o planejamento da
cerimônia tem que se refeito, visto que os
dois acabam sendo presos pelo Lorde Cutler
Beckett, da Companhia das Índias Orientais,
sob a acusação de prestarem ajuda à fuga do
famoso pirata Jack Sparrow, capitão do navio
Pérola Negra. Mostrando ser bastante
ganancioso, Beckett almeja superar todos os
outros navios para, finalmente, dominar os
mares do Caribe. Por isso mesmo que ordena
que Elizabeth seja trancafiada, enquanto
Will é liberado sob uma condição: ir atrás
de Jack e capturar a sua bússola – também
vista no primeiro filme -, que indica
perfeitamente a localização de um objeto de
valor incalculável.
Elizabeth, insatisfeita, decide fugir da
prisão, indo atrás de Will e Jack, os quais
se juntaram, a essa altura da história, ao
Comodoro Norrington (Jack Davenport), dessa
vez sem a glória que possuía no primeiro
projeto dos piratas. Todos partem em busca
do objeto citado, que é o Baú da Morte – o
qual, inclusive, dá subtítulo ao filme. Jack
Sparrow, sempre metido em enrascadas,
escondeu durante um tempo uma dívida de
sangue que travara com Davy Jones (Bill
Nighy), capitão de outro navio pirata
bastante famoso e veloz, o Holandês Voador.
Jones não é um humano normal, ele possui
suas particularidades, como o seu rosto de
polvo e, ao invés de um braço, uma garra de
caranguejo. A tripulação do Holandês Voador,
por sinal, assim como o Capitão Davy, também
é amaldiçoada. Os homens desta embarcação, à
medida que o tempo passa, vão começando a
demonstrar características em sua aparência
concernentes às de criaturas do mar. Além de
ter poderes incontáveis, Jones é capaz de
controlar o monstro marinho Kraken, o que o
faz ser mais temido ainda. A única maneira,
então, de Jack saldar a sua dívida é,
conseqüentemente, achar o Baú da Morte, o
qual permite que o capitão do Holandês
Voador tenha o controle dos mares. Uma vez
em posse do Baú, também encontrariam o
coração de Davy Jones, que está no interior
do objeto.
Ao contrário do que pode parecer, o grande
diferencial de “Piratas do Caribe: O Baú da
Morte” não gira em torno de seu roteiro e
suas atuações impecáveis – embora alguns
atores realmente tenham conseguido
incorporar bem os seus respectivos
personagens. O marcante deste filme é
exatamente a manipulação bem feita dos
efeitos especiais. Aqueles que possuem
características marinhas, por exemplo, como
a tripulação do malvado Davy Jones,
demonstram de maneira correta o bom uso
desses aspectos. O próprio Jones,
incorporado por Bill Nighy, faz parte de um
dos leques de características determinantes
para o sucesso do longa. Através da técnica
motion picture (a mesma utilizada no
personagem Smeagol/Gollum, de “O Senhor dos
Anéis”), o Capitão do Holandês Voador foi
criado.
Aliás, nesta franquia dos piratas mais
famosos do cinema é praticamente uma
obrigação a existência de ótimos aspectos
técnicos, tendo em vista a quantia de
dinheiro empregada nos projetos. No segundo
filme, a Disney desembolsou um valor que
girou em torno de US$ 225 milhões. Não
ficando para trás, a arrecadação também foi
grandiosa. Apenas em seu final de semana de
estréia, nos Estados Unidos, país de origem
do longa, arrematou um valor superior a US$
135 milhões. Ao todo, até dezembro de 2006,
tinha arrecadado, somente nos EUA, mais de
US$ 420 milhões. O sucesso em bilheterias é
inegável. No mundo todo, “Piratas do Caribe
2” chegou a lucrar mais de um bilhão de
dólares, quebrando vários recordes. Vale
ressaltar que o segundo filme da franquia
ainda figura a lista das bilheterias mais
rentáveis do mundo, apenas perdendo para os
famosos “Titanic” e trilogia “O Senhor dos
Anéis”. Um feito enorme para a Disney,
diga-se de passagem.
Outro fator marcante para o sucesso da série
é o fato de o estúdio conseguir reunir
sempre os mesmos atores. Seria difícil
imaginar Jack Sparrow não sendo interpretado
por Johnny Depp ou, então, Will Turner
incorporado por outra pessoa que não fosse
Orlando Bloom. Como se sabe, algumas
mudanças, principalmente nas aparências de
atores que habitam o cinema hollywoodiano,
acontecem com constância. Como o primeiro
filme foi exibido ainda em 2003 e o segundo
apenas em 2006, alterações nos fenótipos de
algumas celebridades eram de ser esperadas.
Um exemplo disso é Keira Knightley. Antes de
gravar “Piratas do Caribe: O Baú da Morte”,
a atriz estava trabalhando em outro projeto,
“Domino – A Caçadora de Recompensas”, no
qual usou o cabelo bastante curto. Elizabeth
Swann, por sua vez, seu papel na franquia
dos piratas, sempre foi vista com um cabelo
bem grande. Visando deixar a personagem do
segundo longa-metragem com as mesmas
características da do primeiro, Keira teve
que usar apliques em seu couro cabeludo.
Nada muito doloroso, é verdade, mas
essencial para que o público sentisse uma
identificação maior com os mesmos
personagens.
O elenco deste segundo filme, por sinal,
deveria ter sido implementado por outra
celebridade famosa. Não é um ator, ao
contrário do que pensem a priori, e sim um
cantor. Keith Richards, guitarrista da
famosa banda Rolling Stones, que fez sucesso
durante muito tempo e continua fazendo. Ele
deveria ser responsável por uma participação
super especial no longa como o pai do
Capitão Jack Sparrow, no entanto, como sua
carreira principal é a de cantor, teve que
dar destaque aos compromissos da turnê
mundial de sua banda. Este fato, claro, não
prejudicou em nada “Piratas do Caribe 2”,
porém talvez tivesse ajudado a levar mais
pessoas, principalmente fãs dos Rolling
Stones, aos cinemas. No entanto, pode-se
esperar a participação de Richards no
terceiro longa da franquia.
Gore Verbinski é outro que impulsiona o
sucesso da série. Sempre vinculado aos
projetos dos piratas, o diretor consegue
dotar a história dos aspectos irreverentes e
divertidos tão necessários aos filmes da
Disney. Nota-se que Verbinski não mede
esforços para a realização de cenas
marcantes. Também primando por elementos
surpresas, o cineasta resolveu separar os
roteiros dos protagonistas. Por exemplo, uma
das cenas mais badaladas pela mídia foi a
que contaria com o beijo entre os
personagens Jack Sparrow e Elizabeth Swann.
Para aumentar a veracidade da reação
composta por Orlando Bloom, que interpreta
Will Turner, par romântico de Swann no
filme, o roteiro entregue para o ator não
conteve o teor da cena referida.
Todo o desempenho implementado neste projeto
parece ter valido a pena, visto as
premiações recebidas pelo filme. Foi
indicado a 4 Oscar: Melhores Efeitos Visuais
(John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e
Allen Hall), Melhor Direção de Arte (Rick
Heinrichs e Cheryl A. Carasik), Melhor
Edição de Som (Christopher Boyes e George
Watters II), Melhor Mixagem de Som (Paul
Massey, Christopher Boyes e Lee Orloff),
tendo ganho na primeira categoria citada.
Também concorreu a outros prêmios bastante
famosos, como o Bafta, onde venceu novamente
o de Melhores Efeitos Especiais. No Globo de
Ouro, por sua vez, o único indicado foi
Johnny Depp, que não ganhou a estatueta.
No entanto, nem tudo são flores na
realização de projetos cinematográficos.
Enquanto o segundo longa da franquia estava
sendo gravado, o furacão Wilma atingiu
algumas partes da locação, obrigando o
elenco e a equipe técnica a voltarem para
Los Angeles. Após esforços, surpresas e
muito trabalho, surgiu este filme,
intitulado “Piratas do Caribe: O Baú da
Morte”, responsável por conquistar ainda
mais o público assíduo das salas de cinema e
aumentar a curiosidade dos espectadores, que
esperam encontrar em “Piratas do Caribe: No
Fim do Mundo”, terceiro projeto da franquia,
bastante diversão e competência. Abaixo o
trailer do filme: