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A Criação –
Por: Thiago Sampaio
Os anos 50 não foram bons para a Marvel
(então editora Timely Atlas). Depois do
sucesso nos anos 40, com títulos como
Capitão América, Namor, o Príncipe Submarino
e Centelha, a decadência de todo o mercado
de HQ americano afetou profundamente a
editora. Durante a década de 50, a editora
não cravou nenhum grande sucesso, tentando
várias vertentes como a ficção-científica (Marvel
Boy), HQ para moças (Venus e Millie, The
Model), históricas (The Black Knight),
espionagem (Yellow Claw) e até um revival de
seu triunvirato principal (Capitão América,
Tocha Humana e Namor). Nada resultou em
grande sucesso ou vingou até os anos 60.
Enquanto isso, em 1956, a DC Comics (então
editora National Periodical Publications)
lançava Showcase, revista que marcou o
início da Era de Prata das HQ, vindo, em
seguida, títulos e personagens de sucesso
como: The Flash, Lanterna Verde e o fenômeno
“Liga da Justiça”.

Até que em 1961, o então editor da Marvel
Comics, Martin Goodman, jogava golfe com o
empresário da rival DC Comics, Jack
Liebowitz. Em uma das partidas, Liebowitz
comemorava uma nova onda de sucesso dos
quadrinhos, a dos grupos de superseres, como
a recém-formada Liga da Justiça. Goodman,
convencido das boas idéias do adversário,
deu então a Stan Lee e Jack Kirby a
incumbência de gerar uma revista nessa
linha. Assim surgiu “O Quarteto Fantástico”. Em 12 de Abril de 1961, o cosmonauta
soviético Yuri Gagarin tornou-se o primeiro
ser humano a alcançar o espaço. A notícia
pegou de surpresa os Estados Unidos e
acirrou os piores temores de seus
habitantes. Era o auge da Guerra Fria. O
duro golpe faz o então presidente John
Kennedy jurar que os norte-americanos
chegariam à Lua antes do fim da década,
derrotando a União Soviética naquela que
viria a ser a Corrida Espacial. - Você deve
estar se perguntando: o que isso tem a ver
com o Quarteto Fantástico? Bom, a nova cria
da Marvel foi a resposta direta dos
quadrinhos ao apelo do dirigente da nação.
Eles personificavam a nova era espacial, na
qual seus heróis estavam dispostos a
arriscar tudo, até mesmo a própria vida,
para estar a um passo adiante da ameaça
vermelha. |
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Lee e Kirby optaram por desconsiderar todos
os clichês das histórias de super-heróis
existentes até então. Seus novos
aventureiros não tinham identidades
secretas, combatiam os bandidos com
uniformes idênticos e sem máscaras. Na visão
Lee e Kirby, o quarteto era muito mais
humano do que qualquer outra equipe de
heróis, sendo mais uma família do que uma
equipe propriamente dita. A história
mostrava um grupo de 4 astronautas que, após
um acidente com a aeronave, adquire
super-poderes. Essa tal humanização dos
heróis e a fuga dos clichês padrões podem
muito bem serem analisadas em cada
personagem. Reed Richards era um cientista
que preferia usar seu intelecto a seus
punhos elásticos. O adolescente Johnny, o
novo Tocha Humana, era um herói por si só –
e mulherengo - e não um companheiro de
aventuras, papel até então reservado aos
jovens nas HQs. Sua irmã, Sue, podia se
tornar invisível e projetar campos de força,
mas representava a figura maternal do grupo.
Já Ben Grimm, o rochoso Coisa, era dotado de
enorme força, mas sua aparência aterradora
ocultava a amargura de um ser desfigurado,
afastando-o da imagem de super-herói.
“O Quarteto Fantástico” fez um enorme
sucesso e tirou a Marvel da crise que
ameaçava sua falência. Nunca precisou passar
por mudanças radicais que não fossem
temporárias, já que sempre teve a simpatia
dos leitores com histórias bem-acabadas.
Como se não bastasse terem sido criados
pelos gênios Stan Lee e Jack Kirby, tiveram
o privilégio de receber um tratamento todo
especial de John Byrne, que genialmente
roteirizou e desenhou as histórias do
Quarteto durante um período considerado
pelos fãs o melhor de toda a carreira da
equipe. Foi exatamente nesse período que
receberam como principal inimigo o tirano
que veio a se tornar um dos mais grandiosos
dos vilões Marvel: Doutor Destino, nêmesis
de Reed Richards. Um ser que se esconde sob
o capuz e a máscara de ferro e uma das
únicas mentes capazes de rivalizar com a
inteligência do Senhor Fantástico. Além do
Doutor Destino, outros vilões também ficaram
marcados, como o devorador de mundos,
Galactus.
Confira alguns dos momentos marcantes do
grupo nas HQ´s:
- História onde o Quarteto Fantástico se
junta ao Surfista Prateado na tentativa de
conter Galactus, o devorador de planetas,
que via na Terra como sua próxima fonte de
alimento.
- Época em que o Coisa deixa o Quarteto e em
seu lugar, temporariamente, entra a incrível Mulher-Hulk.
- Grandes Heróis Marvel, número 25, onde o
Quarteto vai ao futuro atrás do pai de Reed
Richards
- Grandes Heróis Marvel, número 29, onde o
Quarteto e os Vingadores lutam para salvar
seus antigos inimigos.
- Saga na qual aparentemente Reed Richards é
morto por Doutor Destino, causando enormes
conseqüências ao Quarteto Fantástico.
- Nos anos 90, Reed e Sue, casados, passam a
dividir as histórias com o poderoso filho,
Franklin Richards, e recentemente tiveram
uma filha, que precisou dos cuidados do
Doutor Destino para continuar viva. |
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