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Rocky II - A Revanche
(Rocky II, 1979)
Por: Leonardo Heffer
Seguindo o sucesso imenso de bilheteria
do primeiro filme, "Rocky II – A Revanche"
perde um pouco da inovação do longa anterior
da franquia, mas ainda assim não deixa cair
a qualidade do roteiro, novamente escrito
por Stallone, e ainda consegue se manter
dentro da linha dos ideais do filme.
Stallone está de volta reprisando o
personagem que marcou a sua carreira.
Chegando aos cinemas em julho de 1979,
"Rocky II – A Revanche" continua o primeiro
filme exatamente de onde ele parou. Após a
sua primeira grande luta, Rocky está muito
machucado. A sua intenção de permanecer até
o último round com Apollo Creed no ringue,
fato nunca antes acontecido, lhe causou
sérios danos. Entre eles a perda da visão
periférica do lado esquerdo. Condenado a
largar o boxe por correr risco de ficar cego
em um próximo embate, Rocky agora segue sua
vida. Ele finalmente casa com Adrian, e, com
o dinheiro que ganhou da luta anterior,
tenta dar o melhor que pode para sua esposa.
Mas, claro, sem poder lutar, e sem outra
fonte de renda, Rocky terá que arranjar um
jeito de ganhar a vida, já que Adrian está
esperando um filho seu. Com um grau de
escolaridade baixa, a única coisa que ele
pode conseguir são trabalhos braçais, já que
sua tentativa de se tornar garoto propaganda
(aproveitando o sucesso conquistado na luta
contra Creed) foi um verdadeiro fiasco.
Porém, em um Estados Unidos que se diz ser
"a terra da oportunidade", a única que
realmente bate à porta de Rocky é voltar ao
ringue para uma revanche com Apollo Creed,
que passou a ser avacalhado pelos fãs do
boxe após a luta com Rocky. Enfrentando as
adversidades da sociedade e correndo sérios
riscos em uma segunda luta com o campeão dos
pesos pesados, uma nova batalha é marcada
para provar quem é o melhor no mundo dos
esportes.
A motivação que poderia ser na verdade um
fiasco, ou apenas mais uma desculpa
esfarrapada para uma continuação de uma
franquia de forma a aproveitar-se do sucesso
de bilheteria do filme anterior, nesta
continuação não se torna tão execrável
assim. Isso, claro, devido ao forte roteiro,
que mostra que na verdade a revanche entre
Apollo Creed e Rocky Balboa não está apenas
amarrada a simples desculpa de se ter uma
segunda luta, mas sim ao fato de mostrar bem
o lado psicológico das duas personagens.
Rocky primeiramente tenta ganhar sua vida
fora dos ringues. O lutador mesmo não quer
retornar às lutas, chegando a dizer em uma
entrevista de emprego: "Já levou 500 socos
na cara em uma noite só? Depois de um tempo
começa a doer". Isso mostra que Rocky,
quando retorna ao ringue, não é só mais por
um orgulho masculino ferido qualquer, mas
sim porque é realmente a única coisa que ele
sabe fazer na vida: lutar.
O lado psicológico "noir" das personagens
está presente no roteiro, embora de forma
mais leve do que no primeiro filme. Claro
que muitos fatores ajudaram para essa
mudança, mas, ainda assim, eles se fazem
presentes e poderiam estar muito mais ainda,
como no personagem de Paulie, que, de uma
hora para outra, deixa de ser o canalha
adorável do primeiro filme e passa a ser
apenas mais um personagem secundário neste
segundo.
Stallone e Burgess Meredith reprisam seus
papéis de Rocky e treinador Mickey de forma
majestosa, assim como Thalia Shire. Stallone
consegue passar uma veracidade nos
movimentos (sempre irriquieto, conhecido no
teatro pelo termo de 'palco quente', e um
dos maiores pecados de um ator), que ficou
característico de Rocky, bem como os seus
semi-socos no ar (coisa que nenhum boxeador
faz normalmente) e o seu jeito lento de
falar, o tornam um dos personagens mais
sinceros e cativantes do meio
cinematográfico. É uma pena que, a partir do
terceiro filme, estes pequenos detalhes
começaram a ser esquecidos, transformando a
franquia em apenas mais um filme de boxe. O
resto do elenco está comedido e reprisando
de forma impecável seus papéis do primeiro
filme.
A novidade é que Sylvester Stallone chega à
direção neste projeto. Além do roteiro e da
coreografia da luta, ele mostra ter sido um
aluno aplicado, seguindo bem os mesmos
passos e estilo de direção de John G.
Avildsen, diretor do primeiro filme. Os
mesmo estilos de planos, com a diferença de
não trabalhar tanto mais o estilo documental
na luta final entre Balboa e Creed, o que
fez perder um pouco da emoção da luta. Mas
ganha excelentes pontos quando, no final,
resolve optar por não criar uma conclusão
piegas e totalmente previsível, criando, o
que afirmo ser, um dos melhores momentos de
tensões da história cinematográfica, fazendo
com que o espectador respire aliviado com o
final da luta, e seja embalado ao som da
música tema criada especialmente para o
filme (os mais novos que acompanham o
programa televisivo de Luciano Huck podem
lembrar da música tema, que é usada em uma
versão dance atual de "Can You Feel It").
Personagens cativantes, reais e a superação
das dificuldades com muita força de vontade
são os ingredientes básicos que fazem dos
primeiros episódios da franquia "Rocky" um
dos maiores filmes do século XX, que vale a
pena ser visto e revisto inúmeras vezes,
principalmente para os fãs do bom filme.
COTAÇÃO: 8/10 |