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Rocky III - O Desafio
Supremo
(Rocky III, 1982)
Por: Leonardo Heffer
Decaindo e muito na qualidade do roteiro,
Sylvester Stallone conseguiu um sucesso de
bilheteria, embora este terceiro seja um dos
mais fracos dos cinco filmes, já que perde a
essência das personagens para focar-se nas
lutas. Um dos maiores erros cometidos na
franquia.
Tudo que é bom dura pouco. E, claro, tudo
que tem um começo, tem um fim. Mas como
perceber quando se chega ao clímax e tudo o
que se vê pela frente é somente uma bela de
uma queda? Dentro da franquia Rocky,
acredito ser no terceiro filme da série que
se dá início ao fim de uma era.
Rocky agora é campeão de pesos-pesados, dono
do cinturão que, com orgulho, defendeu dez
vezes durante o embaçado tempo cronológico
que separa o segundo do terceiro filme.
Embaçado porque diversas vezes você chega a
se perder na cronologia, caso você seja
daqueles cinéfilos chatos que não perdoa a
aparição do microfone no alto da tela. Bom,
mas continuando. Agora Rocky não mora mais
na periferia. Aliás, parece até que esqueceu
o que era a periferia. Aquele garoto com
cara de mal, mas que não passava de um
crianção, que era o maior atrativo da
personagem, desapareceu. Agora deu lugar a
um engravatado e, mesmo que bobo, não é mais
o mesmo que conhecemos na última luta. Agora
mora em uma mansão, tem um filho já com seus
5 ou 6 anos, uma limusine. Virou garoto
propaganda do American Express, apareceu em
programas como "The Muppet Show" (note que,
no segundo filme, Rocky não conseguia nem
falar direito as frases que ele tinha que
ler durante um comercial). Mas, para
demonstrar que Rocky não se vendeu
completamente, ele continua lutando, mas
luta para caridade. Suas lutas são para
levantar dinheiro para fundações. Até o
momento em que ele é desafiado por Clubber
Lang, um lutador que veio do nada, e
completamente arrogante (perceba, o velho
clichê chato do inimigo arrogante que com
certeza irá perder!) desafia Rocky para uma
luta em disputa do título de campeão dos
pesos-pesados. É então que ele descobre que
Mickey, visando o melhor para Rocky, fazia
com que este ganhasse as lutas, visto que
pretendia que o lutador não piorasse a sua
saúde (o olho esquerdo ruim, do segundo
filme), no entanto, Rocky não sabia da
armação. Então, determinado a provar para si
mesmo, após o enfarte de Mickey, ele se
junta ao seu antigo inimigo, Apollo Creed
(ou Apollo Doutrinador na versão dublada),
para manter o título de campeão dos pesos
pesados.
Se você é um fã da franquia, se apaixonou
pelo jeito de ser dos personagens, aquela
realidade crua que era, de certa forma,
retratada nos dois primeiros filmes, pode se
decepcionar e muito com este episódio da
franquia. Primeiro porque tudo o que havia
de atrativo no filme, que, por incrível que
pareça, não se resumia somente às lutas,
desaparece como em um passe de mágica aqui.
O que talvez tenha sido o maior problema
para a franquia, é que as lutas não eram o
ápice do filme. Elas se tornavam o ápice
devido a toda a caminhada, o percurso e os
obstáculos que apareciam à frente dos
personagens principais.
O filme deixa de ser um projeto com uma
moral social e passa a ser um pipocão, com
muita imagem, uma história, mas quase nada
de conteúdo. Não digo aqui que o filme seja
vazio diante a história da franquia. A série
é tão interligada em si que é difícil você
assistir hoje a Rocky Balboa, sem ter visto
os filmes anteriores, já que muitos detalhes
são revividos em cada novo episódio da saga.
Porém o terceiro filme esquece completamente
desses pequenos detalhes e transforma o
longa (um dos menores em duração da
franquia) em apenas enchimento de lingüiça,
que pode ser que você nem precise dele para
acompanhar a série.
Mas, claro, não há nada melhor do que ver um
personagem carismático como Rocky crescer na
vida. Na verdade, o maior atrativo deste
filme é direcionado para aqueles que
realmente são fãs e que sentem um aperto no
coração quando têm que dizer adeus ao
personagem, na hora em que a imagem congela
e os créditos sobem.
Stallone não se desvencilha dos maneirismos
que pegou com John G. Avildsen, e não se
torna um diretor nato, mas sim estagnado, e
não criando nada de inovador para série. O
roteiro, também escrito por Stallone, apenas
segue a tendência do mercado de criar mais
um sucesso de bilheteria para MGM, o que faz
de forma espetacular, já que este e o quarto
filme são os maiores arrecadadores de
bilheteria da franquia.
O desprender das raízes do filme é tão
grande que os personagens do elenco de
apoio, como a esposa Adrian, o cunhado
Paulie, Apollo Creed e Mickey se tornam
meros coadjuvantes, que simplesmente estão
no filme para figurarem como fantoches ao
lado de Rocky, e até mesmo a explosão de
raiva de Adrian com Rocky durante o
treinamento soa superficial e falso,
diferente da sua primeira explosão de raiva
com Paulie, no primeiro filme.
"Rocky III – O Desafio Supremo" não é ruim,
mas também não chega nem aos pés dos dois
primeiros filmes e acaba se tornando apenas
mais um projeto dentro da franquia. Mas como
já diz o ditado: "Tudo que sobe, tem que
descer", e o que vale nessa hora é se a
queda vai ser suave ou brusca.
COTAÇÃO: 5/10 |