A  P O L Ê M I C A

 

Não é nem preciso repetir que “300” é uma mega produção hollywoodiana, baseada nos quadrinhos “Os 300 de Esparta”, de Frank Miller e Lynn Varley. Trata-se de uma adaptação modernizada da história real narrada pelo historiador Heródoto sobre a Batalha de Termópilas. Mas como todos sabemos, sempre existe alguém em busca de confusão, enxergando ameaças em todos os cantos. E eis que há muito gente incomodada com o conteúdo do longa, fazendo paralelos da história com o atual contexto político-social.

 
 

“300" seria um "ataque à cultura iraniana" - Fonte: Globo.com

Apesar de faturar US$ 70 milhões em sua estréia nos Estados Unidos, o filme não está agradando os iranianos. "Os Estados Unidos sempre tentaram humilhar o Irã e sua rica identidade cultural", afirmou Javad Shamghadri, consultor cultural do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Quando fala em identidade cultural, ele se refere à descendência persa dos iranianos. Vale lembrar que o imperador persa Xerxes, vivido por Rodrigo Santoro, é retratado como um vilão, além de um pouco efeminado, em contraste com os nobres e vigorosos espartanos.

A imprensa local fez coro. O jornal "Ayende-No" reclama que "300" mostra "os iranianos como demônios sem cultura ou humanidade, que só pensam em atacar outras nações e matar pessoas".

E o Hamshahri, o jornal de maior circulação no Irã, disse que o filme "irá gerar uma onda de protestos em todo o mundo. Iranianos que moram nos Estados Unidos e Europa não vão ficar indiferentes a este insulto".

 

Quem seria Bush? Leônidas ou Xerxes? - Fonte: Globo.com

E a discussão se esticou também em terreno americano. Em entrevista à imprensa mundial, o diretor do longa, Zack Snyder, teve de enfrentar perguntas sobre qual dos personagens seria equivalente ao presidente George W. Bush.

"Bush seria Leônidas ou Xerxes?", questionou um dos repórteres presentes à entrevista. O jornalista viu semelhanças do presidente com o personagem Xerxes, imperador persa que liderou seu exército contra cidades gregas em 480 a.C., guardadas por guerreiros fanáticos, a fim de terminar o trabalho que seu pai havia deixado inacabado.

 

Bush, Xerxes e Leônidas

 

Segundo reportagem do jornal americano "The New York Times", outro repórter argumentou que Bush também poderia ser Leônidas, o rei espartano que defendeu a liberdade a qualquer custo.

O diretor do longa fugiu da polêmica e argumentou que, ao fazer o filme, não pretendia fazer nenhuma das analogias levantadas pelos jornalistas. Mas, de acordo com o jornal, ele percebeu que tinha em suas mãos um filme com potencial de alimentar a polêmica contra o presidente norte-americano -por conta da guerra do Iraque, que desagradou o povo e fez com que seus índices de popularidade despencassem-, ou a favor dele -para aqueles que o enxergam como o "perseguidor" da liberdade.

 
 

Polêmicas à parte, o que interessa aos realizadores é que o filme está rendendo alto ao redor do mundo. Assim, Bush pode ser Leônidas, Xerxes, ou até Papai Noel, que o objetivo está sendo conquistado.

 
 

 

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