I S S O  É  E S P A R T A

 

Bom, como o CCR também é cultura, vamos dar uma lição de história de graça aos nossos visitantes. Nesta sessão do especial, vamos falar um pouco sobre Esparta e de sua história, contextualizando a batalha das Termópilas (mostrada em "300") e a guerra onde tal batalha ocorreu, as Guerras Médicas.

 

P A R T E 1

 

SOBRE ESPARTA E SEUS COSTUMES

Juntamente com Atenas, Esparta era uma das duas principais pólis (Cidades-estado) gregas. Situada á sudeste da planície do Peloponeso e banhada pelo rio Eurotas, Esparta foi erguida pelos dórios em meados do século IX antes de Cristo. Desde sua criação, seu potencial para guerra fora o diferencial da cidade, logo se impondo aos povoados vizinhos. A civilização espartana começara a atingir seu ápice por volta do século VI a.C., numa doutrina oposta a ateniense. Enquanto seus rivais de Atenas se voltavam para a arte, para a filosofia e para a cultura, os espartanos eram educados desde seu nascimento para a guerra.

Sua sociedade se dividia entre esparciatas (elite numericamente inferior que possuía todos os direitos políticos e civis, tendo sua linhagem pura - filhos de outros esparciatas - e era obrigada a se dedicar plenamente ao estado, no exército ou exercendo a vida pública, sendo eram proibidos de trabalhar no comércio), periecos (homens livres, descendentes dos povos conquistados por Esparta que não possuíam direitos políticos, mas eram obrigados a pagarem impostos e ao serviço militar) e hilotas (escravos estatais sem quaisquer direitos, vinculados primariamente ao trabalho agrícola, sendo oprimidos e humilhados, além de vítimas de massacres anuais promovidos pelos espartanos para reprimir eventuais revoltas).

Os espartanos (entenda-se, os esparciatas), dedicavam-se ao estado, à caça, ao desporto e as artes militares. Tais atividades, eram vistas como necessárias para manter o cidadão espartano disciplinado pessoal e socialmente. Ao nascer,o espartano era inspecionado e, caso tivesse algum defeito físico, era logo descartado (traduzindo: morto.) Sua vida militar começava cedo, aos sete anos a criança era separada dos pais e entregue ao Estado para um severo treinamento, que durava até os seus vinte anos, idade em que o espartano poderia casar (porém, só era desobrigado do pernoite no acampamento militar aos trinta). Dos vinte aos sessenta anos,prestava seus serviços militares e, para criar laços com seus companheiros soldados, a refeição da noite era tomada em conjunto. As mulheres espartanas eram muito mais respeitadas que as de qualquer outro Estado, já que a capacidade de reprodução (conseqüentemente, de gerar futuras gerações de soldados) era de suma importância para Esparta.

 

 

Sua estrutura política era deveras complexa, constituída primeiramente por dois reis, de sucessão hereditária (dinastias ágida e euripôntidas). Em tempos de guerra, um deles assumia a chefia milita mas,ordinariamente tinham igual autoridade militar e religiosa. Eles possuíam guarda pessoal (300 soldados), além de ter refeições militares maiores e parte privilegiada nos espólios de guerra. A parcela espartana possuidora de direitos políticos os exerciam através da Ápela que elegia os integrantes da Gerúsia e os Éforos. A Gerúsia era uma espécie de senado, composta por 28 membros vitalícios, obrigatoriamente maiores de 60 anos (ou seja, que já tenham servido ao exército) que preparavam as leis (sujeitas a aprovação pela Ápela) e julgavam os processos de interesse estatal podendo, inclusive, afastar os soberanos. Já os Éferos eram compostos por cinco integrantes, eleitos anualmente pela Ápela. Possuíam tanto contra administrativo quanto judiciário no Estado, podendo mobilizá-lo para a guerra, banir estrangeiros, condenar periecos a morte e fiscalizavam as atividades dos reis.

Depois das invasões persas que culminaram nas Guerras Médicas (que ocorreram entre 490 e 480 a.C., mas as comentaremos um pouco mais abaixo), onde as pólis gregas se uniram para combater um inimigo em comum, as pólis se sentiram livres para guerrear entre si. Vieram então as Guerras do Peloponeso (que duraram entre 431 a 404 a.C.), onde Atenas e Esparta duelaram pela hegemonia no mundo grego. Apesar da vitória espartana,com o tempo, a pólis fora enfraquecida por diversas rebeliões contra o seu duro regime, até que fora derrubada por uma coalizão entre as outras principais cidades-estado gregas (Atenas, Corinto, Tebas e Argos) e - ironia das ironias - os persas em 387 a.C. Jogada numa grave crise social, Esparta viu seu poder se esvaindo, perdendo sua hegemonia no Peloponeso e viu Alexandre da Macedônia tomar de assalto o mundo grego. A cidade ficou no ostracismo durante as épocas helenísticas e romana, sendo finalmente destruída pelos visigodos em 396 d.C.

 

P A R T E 2

 

DAS GUERRAS MÉDICAS E DA BATALHA DAS TERMÓPILAS

As cidades-estado gregas travaram duas guerras contra os persas, guerras conhecidas como médicas ou greco-persas. A primeira ocorreu em 490 a.C. e foi motivada por razões econômicas (o domínio do comércio no Mar Egeu) e pela revolta de cidades gregas situadas na Ásia menor contra o domínio persa e fora vencida pelos gregos (atenienses - sem intervenção espartana), principalmente graças ao general Milcíades e sua brilhante atuação na batalha de Maratona. Tal vitória humilhou o rei persa, Dário I, e selou a hegemonia ateniense entre as pólis gregas na época.

Em 481 a.C., varias pólis gregas, sob a liderança de atenienses e espartanos, firmaram uma aliança militar para se defender de um possível ataque persa, que era inevitável. Nessa época, o império persa já estava sob o comando do filho de Dário I, Xerxes, que estava se preparando para vingar a vergonha que seu pai passara contra os gregos, mas antes teve de sufocar algumas revoltas em outros locais de seu império.

Já entrando no terreno dos filmes e da HQ de Frank Miller, antes de atacar, Xerxes enviou vários embaixadores às pólis gregas, requisitando terra e água, ícones de submissão entre os povos. Por medo, várias das cidades fizeram tais oferendas. Atenas e Esparta não o fizeram. Os espartanos foram especialmente enfáticos ao negarem tal pedido ao jogarem os embaixadores persas em um poço, afirmando que lá eles encontrariam toda a terra e água que quisessem (num pequeno parêntese, várias das frases de efeito presentes na HQ e em sua adaptação cinematográfica, como "Hoje jantamos no Inferno" ou "Melhor, assim lutaremos à sombra" realmente foram pronunciadas, segundo o historiador Heródoto - conhecido como "o pai da História").

 

 

Em 480 a.C., quando a invasão persa era iminente, circunstâncias políticas impediram que Esparta partisse com seu poderio total na linha de defesa inicial. Então, Leônidas, rei espartano, tomou a dianteira, partindo apenas com os trezentos homens de sua guarda pessoal para encontrar o gigantesco exército de Xerxes no desfiladeiro das Termópilas, onde seria travada a primeira grande batalha dessa segunda guerra médica.

No caminho, Leônidas recebeu o reforço de outros povos gregos, estimado-se um número total de 7.000 homens. Ainda assim, sua inferioridade numérica era assombrosa. Xerxes fez inúmeras propostas de acordo para a pequena força grega, todas rechaçadas. Então, após cinco dias, a batalha teve inicio. Utilizando a geografia "apertada" do local, Leônidas e seus homens conseguiram reduzir os efeitos de sua desvantagem, e a falange espartana (que levava esse nome graças à postura que seu exército trajando túnicas vermelhas lutava, sempre lado-a-lado) conseguiu causar enormes baixas para o exército persa, físicas e morais. A situação de Xerxes piorou após a derrota de sua guarda de elite, denominada de "Os Imortais".

Porém, os gregos foram traídos por um de seus compatriotas, o pastor de ovelhas Efíaltes, que fora subornado por Xerxes para conduzir seus homens por entre o desfiladeiro. Com sua posição comprometida, a batalha era dada como perdida. Muitos fugiram e Leônidas deixou partir quem assim desejasse, fincando a posição dele e de seus camaradas espartanos. O rei sucumbiu numa nuvem de flechas persas e seus homens não tardaram a tombar, mas não sem muita luta e levando consigo muitos soldados persas. No local da batalha, agora jaz a inscrição "Viajante, vê e diz a Esparta que morremos por cumprir com suas sagradas leis".

Posteriormente, em 479 a.C., liderados por Temístocles de Atenas, com sua invencível armada naval e pelo sucessor (e sobrinho) de Leônidas, Pausânias, com o invencível exército espartano sob seu comando, os gregos expurgaram de vez a ameaça persa de suas paragens.