Fogo no Shopping

|| IURI CARRARO, leitor do CCR ||
|| Porto Alegre – RS - Brasil ||

A pouco tempo fui ao cinema, aqui em Porto Alegre, no Shopping Total, para ver o grande filme do Optimus Prime: TRANSFORMERS. Já estava no meio pro final do filme quando o mesmo foi interrompido e uma voz vinda da cabine de reprodução diz: “Pessoal, por favor, prestem atenção que uma moça vai falar com vocês“. Na hora eu disse “pegou fogo no cinema”, mas apenas de brincadeira. A moça adentrou a sala e falou: “Pessoal, por favor, com calma, vamos sair, pois o shopping está pegando fogo!”.

Já passava das 23:00 e já não havia mais ninguém nas lojas, apenas nas salas de cinema. Saímos pela praça de alimentação que já estava tomada por uma fumaça branca e densa. Mas os funcionário e seguranças do shopping foram rápidos e tranqüilos realizando a remoção de todos sem qualquer problema.

Saldo da aventura:

1 ingresso novo;
Alguns gritos [de mulheres] que se assustaram por nada e;
1 reportagem no rádio.

Pra provar que não estou mentido, um link sobre o assunto:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL74383-5598,00.html

Era isso, abraço!

Créditos Finais…

|| CICERO TENORIO, leitor do CCR e ouvinte do RapaduraCast ||
|| Carapicuiba – SP - Brasil ||

Fui assistir Homem de Ferro, e sabia que após os créditos teria uma cena muito importante. Então fiquei lá com mais dois amigos aguardando o final dos créditos. As letras começam a subir, as luzes se acendem e eu falando para meu amigos:

- Calma, fiquem ai que vai ter algo muito importante após os créditos
- O que vai ter?
- Er…bem, não sei mas é muito importante
- Besteira! Vamos embora!
- Não! Lembram de X-men 3? Só eu fiquei e só eu vi a volta do Xavier!
- Que seja! TÔ com fome! Vamos embora.

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Após convencer eles a ficarem veio a tiazinha da limpeza, olhando para nossa cara e dizendo que tinha que limpar. Bati o pé e fiquei, dizendo que o filme ainda não tinha acabado, e que ia ver até o final, porque gostava dos créditos e afinal eu estava pagando. Quando finalmente veio a bendita cena, tudo parou! Voltei toda minha atenção pra tela enquanto fazia o “Shiiiii” e balançava a mão para que todos se calassem. Meu lado nerd quase teve orgasmos, e virei para meus amigos completamente eufórico:

- Viram? VOCÊS VIRAM??? Eu disse! Muito foda!

Eles se olharam, olharam de volta com aquele olhar de “vou matar esse cara, ficamos aqui para ver isso?

Bah, vocês não entendem a importância disso?”, pensei comigo mesmo, enquanto sorria de orelha a orelha.

Fuga da Escola!

|| GUSTAVO GASPAR, leitor do CCR ||
|| Carangola – MG - Brasil ||

Rio de Janeiro, ano de 1999 (se não me falhe a memória).

Era mais um dia de aula, como qualquer outro na vida de um moleque no Rio de Janeiro. E como já é de costume, esse moleque - eu - saía de casa já pensando no porre que ia ser agüentar cinco horas seguidas com a bunda sentada numa cadeira ouvindo professores chatos falarem. A desculpa de que eu estava passando mal já não colava com minha mãe. Então, para quem não queria gastar o precioso tempo nessa situação em plena sexta-feira, a solução era combinar alguma coisa com os amigos.

Chegando ao colégio, encontrei com os amigos na entrada e logo surgiu o assunto:

- Plena sexta-feira galera! Poderíamos fazer alguma coisa extra-escolar, hein?Todos gostaram da idéia, claro. Não que eu fizesse parte da turminha do fundão, mas eu de vez em quando sentia vontade de extravasar. Tínhamos algo a nosso favor. Em meu colégio, na época, assistíamos a dois períodos e logo depois chegava à hora do intervalo. Somente depois do retorno chegava a hora dos intermináveis últimos QUATRO períodos. Era de deixar os cabelos em pé! Cada um durava cerca de 50 minutos, e o intervalo uns 20 minutos. Durante as primeiras aulas, sentamos todos juntos e começamos a bolar nossa fuga. No intervalo, para os alunos do ensino médio, era permitido que esses fossem até a rua. Podíamos comprar nossos lanches no trailer da frente, na lanchonete do Zé da esquina ou irmos ao McDonalds, Bob’s, etc. Resolvemos, então, durante essas aulas, que iríamos, todos os oito, ao cinema! Não fazíamos a menor idéia de que filme estava passando. O cinema mais próximo era um daqueles cinemas de um filme só, de esquina de rua.

No intervalo então fugimos. Com todo um esquema para passarmos pelo porteiro com a mochila. Essa etapa nem vou comentar, porque entregaria os segredos do submundo escolar. Fomos então ao cinema. Felizes, conversando pela rua. Devia ser por volta das 15 horas. Quando chegamos e fomos procurar pelo filme que estava em cartaz, veio a surpresa: “‘Um Lugar Chamado Notting Hill”. Não deu outra, nem eu nem nenhum dos meus amigos conhecia o filme. O pôster, ao menos, mostrava a atriz Julia Roberts, o que não me enchia os olhos, mas já era alguma coisa. E na época eu ainda não conhecia Hugh Grant. Já estávamos lá, e pra chegar até outro cinema, no Shopping Iguatemi, seria preciso pegar um ônibus e não estávamos com um pingo de vontade de fazer isso. Sacamos nossa grana e nos encaminhamos para a bilheteria. Oito cabeças fazendo fila, e praticamente os únicos. Compramos a entrada para a próxima sessão que já havia começado.

Eu achei que a sala fosse estar vazia, mas não foi bem assim. Não estava lotada também, entre 150/200 lugares existia metade disso de público. Entramos na sala e já estava rolando a introdução do filme. Um escuro total. Para nos guiarmos fomos andando um atrás do outro sem dar muita distância. Alguns com pipoca na mão, refrigerante e tudo o mais. No momento em que o primeiro da fila alcançava o acesso de um dos corredores das poltronas, a música começou a tocar. Eu não sei o que passou pela cabeça do meu amigo, mas ele simplesmente começou a gargalhar. Para o nosso azar, esse amigo era o primeiro da fila. Não teve como evitar. Ao gargalhar ele automaticamente parou e, como um engavetamento de carros, ocorreu um engavetamento de pessoas. Era uma ladeira e um por um, começamos a esbarrar uns nos outros e a cair pelo chão do cinema. Pipoca voando em cima das pessoas, coca-cola molhando muita gente, inclusive nós mesmos. Ocorreu um pequeno auê, pois a gargalhada não cessou, muito pelo contrário, acabou por piorar. Todos agora riam, até mesmo o pessoal que estava perto e viu acontecer. Nossa sorte é que o escuro não deixou que vissem nossas caras de patetas.

Sentamos, assistimos ao filme e o resto da sessão correu tranqüilo. Porém, para terminar de uma forma pior, não faltou muito. Ao sairmos, nos despedimos, e fomos um pra cada lado. Quando me coloquei pra atravessar a rua e ir a algum lugar antes de ir pra casa, já que o horário ainda era muito cedo do término da aula, um gol preto passou na minha frente, freou e deu ré. Parou diante de mim, abriu o vidro e disse:

- O que o senhor faz aqui à essa hora?

Era minha mãe.
Levei um esporro tremendo, o percurso inteiro, dentro do carro e em casa.

Até hoje me pergunto:

Em tanto lugar pra ela estar, numa cidade grande como o Rio de Janeiro, por que ela tinha que estar exatamente naquele lugar àquela hora?

Tem coisas que nem Freud explica!

Mulher do Bocão Vermelho

|| SORAYA LACERDA, leitora do CCR ||
|| Brasília – DF - Brasil ||

Esta criatura aqui estava com um tal de um vale-CD que ganhou de presente. Ele estava jogado pelo carro há dias. A intenção era trocar, lógico. Até já tinha ido ao shopping umas duas vezes com a intenção de efetuar a troca, mas acabei me distraindo. ‘Sacomé‘, né? Mulher… shopping… mulher… shopping… já viu!

Resolvida, dessa vez parei o carro exatamente na entrada mais próxima à loja de CDs, para não me distrair! Entrei. Escolhi. Troquei! Finalmente! Pronto! Rápido assim?!? É. Sou mulher, mas também sou objetiva (às vezes)! E agora?? Hum… Já que estamos no shopping, vamos “vitrinar”, né? E lá fomos nós, eu e meu novo CD duplo do Robbie Williams, a passear por tooodo o shopping. Vitrine atrás de vitrine.

Bem láááá do outro lado, chegamos à área do cinema. Cinéfila como sou, não tem como eu ficar sem dar uma espiadinha nos filmes em cartaz.

[ABAIXO A NARRAÇÃO DOS FATOS]

Hum… esse eu já vi… esse eu já vi…
Hum… esse também…
Hum… quer ver esse não…
AH! O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS!
Esse aí não vi ainda! Ó… espia só! A sessão vai começar agorinha!

Vejo? Não vejo? Vejo? Não vejo? As meninas (minhas companheiras de cine) vão ficar p#*$#@as da vida! Hum, mas elas foram ver aquele outro sem mim! Vejo sim, então! Só de pirraça! E ainda me gabo depois, pois vou ficar sabendo o que tem na tal da cena extra, que passa depois das ‘letrinhas’!! Beleza! Deixa eu correr que ainda da tempo de comprar pipoca e ‘cacola’.

Corre-corre-corre… Ufa! Cheguei! Nossa a sala toda só pra mim?!?! Não acredito! Ah não, tem mais dois ali! Bom… anyway, posso sentar onde quiser! Bem posicionada, celular desligado, pés descalços, refri e pipoca a postos (fiquei tão empolgada que comprei a ‘mega’!). Começa o filme.

Antes de tudo, devo confessar aqui que não li o livro. Mas nem por isso deixei de gostar do filme. Adorei a linguagem fantasiosa-burlesca, meio a la Monty Python. Não conseguia tirar os olhos da tela! Nem mesmo quando o excesso de pipoca começou a surtir efeito, fazendo com que os beiços ardessem horrores! Enfio a mão na bolsa e tateio, tateio e tateio em busca de meu batom cor-de-boca. Tenho certeza que ele está aqui em algum lugar! Eu usei o danado hoje!! Ah! Acho… que… achei! Desvio o olhar da tela por um nano-segundo, só para conferir a embalagem… é ele mesmo! Será que pego meu espelhinho com luzinha? Nah!! Já me distraí demais só com a busca-ao-batom-perdido. Afinal, é cor-de-boca, for Christ sakes!

Sapeco o batom na boca! Hum… que alívio! Mais um pouquinho! Eita! O que foi isso que bateu na cara do Arthur? Tá vendo?! Já perdi algo!! Deixa eu passar mais umas camadas rapidinho… Vai olhando para a tela e sem espelho mesmo… Hum… Pronto! Arthur, I’m all yours!! Me divirto até o final…. A-d-o-r-e-i!

O tal casal levanta e vai logo saindo… Quase que falo para eles ficarem, pois tem mais depois das ‘letrinhas’! Nah… deixa quieto! Fico eu esperando os créditos subirem… e subirem… e subirem… e… AH!!!!!!!! Tudo fica preto! Desligaram o projetor?!? Mas como?!? Não pode!!! Na-na-ni-na-ni-na-não!! Levanto e saio em busca de alguém que me explique o acontecido. Isso não pode ficar assim!

Rodo, rodo, rodo… E finalmente acho um ‘lanterninha’ (ainda chamamos assim??? Confesso que fiquei na dúvida). Explico toda a situação, mas ele vira pra mim, na maior cara deslavada, e diz que não tem cena final, depois dos créditos, coisa nenhuma! Que o filme realmente acabou:

- Claro que tem, moço! (eu já querendo descer do salto, na metamorfose de-Madame-pra-Maria!).
- Tem não, Senhora! (ele olhando pra mim como se eu fosse uma L-O-U-C-A, ou algo parecido! Imagina! Eu cinéfila de carteirinha, não ia saber disso?!).
- TEM!
- NÃO TEM!
- TEM!
- NÃO TEM!
- TEM!
- NÃO TEM!
- Então tá bom! Chama o gerente! Eu quero falar com o gerente!

E lá se vai ele atrás do gerente. Muito bem! Isso mesmo! Penso eu. Faça valer seus direitos! Fico lá parada esperando o gerente! Bracinhos cruzados, pezinho tec-tec-tec, cara de lady-indignada-coberta-de-razão! Finalmente me chega ela! Com aquela cara “ai-meu-Deus-mais-uma-pé-no-saco”! Educadamente, me explico daqui, ela resiste dali e finalmente (depois de perceber que eu não ia ‘redar’ o pé) ela passa um rádio para o projetista rebobinar o filme até os créditos:

- Mas não tem nada depois dos créditos! E já tá na hora de eu ir!
- Rebobine o filme, POR FAVOR!! (ela repete, naquele tom de ‘não discuta’).

E lá vou eu, feliz e saltitante, de volta para a sala de projeção. Ai meu Deus… só falta não ter cena final nenhuma! Que vexa! Vão achar que eu sou LOUCA! Mas passam os créditos e… e… Lá vem a cena final! Uffa!! Ainda bem!

Levanto e saio feliz da vida. Com aquela sensação de realização de ter vencido uma batalha justa! E na cara, estampado, aquele ar de do tipo ‘Não disse?’. Bom… isso até me dar conta de que meu carro estava estacionado láááá do outro lado do shopping. Mas tudo bem.. ainda satisfeita, lá me vou… por dentro do shopping mesmo… as lojas já começando a fechar… passeando… beleza.

Pego meu carro e me vou! Direto para casa! Na confusão da saída não fiz xixi, e as casquinhas da pipoca começam a incomodar! Meu reino por um banheiro, limpinho, com minha escova de dentes!

Chego em casa! Subo as escadas correndo (na medida do possível, considerando que estava com a bexiga por explodir!). Passo pelo Dartagnan (meu gato) sem o ritual do pé, direto para o banheiro, no escuro mesmo!! Não dá pra esperar, não! Sento no ‘trono’ e… ahhhhh… que alívio! Ali mesmo, sentada no escuro coloco pasta na escova. Termino o ‘pipis’… levanto… descarga… e aí sim ligo a luz. Pego a escova, me viro para o espelho e…

- AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (grito estridente mesmo!)

Meu DEUS, o que é isto?!?!? De quem é esse bocão literalmente ‘borrado’ de vermelho-carmim-de-palhaço?!?!?! Meu?? Ai ai ai… Meu!!! Quando foi que isso aconteceu??????

Aí me vem o flashback da “Busca-ao-Batom-Perdido“! Mas como? Eu usei ele hoje! Era cor-de-boca, tenho certeza! Corro para a bolsa atrás do tal suposto batom cor-de-boca. E qual não é minha surpresa ao achar dois deles, idênticos… iguais… gêmulos! Só que… um era cor-de-boca e o outro vermelho-carmim (uma amiga havia me dado de presente dias antes e eu ‘rebolei’ ele dentro da bolsa).

- AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (outro grito estridente mesmo!)

E passam-se em minha cabeça, como se fosse um rewind quadro-a-quadro, as cenas da minha última hora:

A cara do ‘lanterninha’…
A cara da gerente do cinema…
Os olhares do povo do shopping fechando as lojas…
Ai meus sais minerais!
Nunca mais vou poder botar os pés naquele shopping, quanto mais naquele cinema!!!!

… E assim começou a lenda da MULHER DO BOCÃO VERMELHO entre meus amigos! Segundo eles, ela assombra as salas de cinema quando os créditos não são passados na íntegra, ou quando você não fica lá para assistir tudinho, tudinho!

Rsrsrsrs….
É… AGORA é engraçado!

Bota na Conta do Papa

|| ADRIANA DEGÁSPARI, leitora do CCR ||
|| São Bernardo do Campo - SP - Brasil ||

Na semana de estréia de TROPA DE ELITE, todo mundo já tinha visto o filme, menos nós (eu e meu marido). Saímos mais cedo da universidade e fomos ao CINEMARK, do Extra Anchieta, e conseguimos pegar a última sessão, 22:45.

Para vocês que lembram do filme, devem se lembrar que a história começa com os dois novatos no morro procurando o capitão Fábio, então ficamos o filme todo esperando o link dessa ação no meio do filme. Pois é, nessa hora, acabou a luz do cinema. Tá, o cinema não tem culpa. Ok, ok, ok. Mas quando a energia voltou, o filme estava adiantadíssimo. Alguns se levantaram e foram reclamar. OBA! Voltaram a cena de onde parou. PUFF, cai a energia novamente. Esperamos voltar a energia ansiosos para saber da continuação da história que abriu a película.

Acreditem, o filme voltou mais adiantado ainda que a primeira vez. O capitão Nascimento já estava no morro(?) e uma galera morta estava no chão(???). Perdemos a famosa fala “bota na conta do Papa” e tive que locar o filme para descobrir como o Nascimento ficou sabendo da confusão no morro.

No final da sessão, fomos procurar o responsável para adquirirmos outro ingresso, mas como passava de meia-noite, ninguém se encontrava no local, apenas os funcionários. Escrevemos para o CINEMARK e até hoje não obtemos nenhuma resposta.

Se você também estava nessa sessão, se PRONUNCIE!
Beijos seres rapadurianos de todo Brasil… il il il.