|| SORAYA LACERDA, leitora do CCR ||
|| Brasília – DF - Brasil ||
Esta criatura aqui estava com um tal de um vale-CD que ganhou de presente. Ele estava jogado pelo carro há dias. A intenção era trocar, lógico. Até já tinha ido ao shopping umas duas vezes com a intenção de efetuar a troca, mas acabei me distraindo. ‘Sacomé‘, né? Mulher… shopping… mulher… shopping… já viu!
Resolvida, dessa vez parei o carro exatamente na entrada mais próxima à loja de CDs, para não me distrair! Entrei. Escolhi. Troquei! Finalmente! Pronto! Rápido assim?!? É. Sou mulher, mas também sou objetiva (às vezes)! E agora?? Hum… Já que estamos no shopping, vamos “vitrinar”, né? E lá fomos nós, eu e meu novo CD duplo do Robbie Williams, a passear por tooodo o shopping. Vitrine atrás de vitrine.
Bem láááá do outro lado, chegamos à área do cinema. Cinéfila como sou, não tem como eu ficar sem dar uma espiadinha nos filmes em cartaz.

[ABAIXO A NARRAÇÃO DOS FATOS]
Hum… esse eu já vi… esse eu já vi…
Hum… esse também…
Hum… quer ver esse não…
AH! O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS!
Esse aí não vi ainda! Ó… espia só! A sessão vai começar agorinha!
Vejo? Não vejo? Vejo? Não vejo? As meninas (minhas companheiras de cine) vão ficar p#*$#@as da vida! Hum, mas elas foram ver aquele outro sem mim! Vejo sim, então! Só de pirraça! E ainda me gabo depois, pois vou ficar sabendo o que tem na tal da cena extra, que passa depois das ‘letrinhas’!! Beleza! Deixa eu correr que ainda da tempo de comprar pipoca e ‘cacola’.
Corre-corre-corre… Ufa! Cheguei! Nossa a sala toda só pra mim?!?! Não acredito! Ah não, tem mais dois ali! Bom… anyway, posso sentar onde quiser! Bem posicionada, celular desligado, pés descalços, refri e pipoca a postos (fiquei tão empolgada que comprei a ‘mega’!). Começa o filme.
Antes de tudo, devo confessar aqui que não li o livro. Mas nem por isso deixei de gostar do filme. Adorei a linguagem fantasiosa-burlesca, meio a la Monty Python. Não conseguia tirar os olhos da tela! Nem mesmo quando o excesso de pipoca começou a surtir efeito, fazendo com que os beiços ardessem horrores! Enfio a mão na bolsa e tateio, tateio e tateio em busca de meu batom cor-de-boca. Tenho certeza que ele está aqui em algum lugar! Eu usei o danado hoje!! Ah! Acho… que… achei! Desvio o olhar da tela por um nano-segundo, só para conferir a embalagem… é ele mesmo! Será que pego meu espelhinho com luzinha? Nah!! Já me distraí demais só com a busca-ao-batom-perdido. Afinal, é cor-de-boca, for Christ sakes!
Sapeco o batom na boca! Hum… que alívio! Mais um pouquinho! Eita! O que foi isso que bateu na cara do Arthur? Tá vendo?! Já perdi algo!! Deixa eu passar mais umas camadas rapidinho… Vai olhando para a tela e sem espelho mesmo… Hum… Pronto! Arthur, I’m all yours!! Me divirto até o final…. A-d-o-r-e-i!
O tal casal levanta e vai logo saindo… Quase que falo para eles ficarem, pois tem mais depois das ‘letrinhas’! Nah… deixa quieto! Fico eu esperando os créditos subirem… e subirem… e subirem… e… AH!!!!!!!! Tudo fica preto! Desligaram o projetor?!? Mas como?!? Não pode!!! Na-na-ni-na-ni-na-não!! Levanto e saio em busca de alguém que me explique o acontecido. Isso não pode ficar assim!
Rodo, rodo, rodo… E finalmente acho um ‘lanterninha’ (ainda chamamos assim??? Confesso que fiquei na dúvida). Explico toda a situação, mas ele vira pra mim, na maior cara deslavada, e diz que não tem cena final, depois dos créditos, coisa nenhuma! Que o filme realmente acabou:
- Claro que tem, moço! (eu já querendo descer do salto, na metamorfose de-Madame-pra-Maria!).
- Tem não, Senhora! (ele olhando pra mim como se eu fosse uma L-O-U-C-A, ou algo parecido! Imagina! Eu cinéfila de carteirinha, não ia saber disso?!).
- TEM!
- NÃO TEM!
- TEM!
- NÃO TEM!
- TEM!
- NÃO TEM!
- Então tá bom! Chama o gerente! Eu quero falar com o gerente!
E lá se vai ele atrás do gerente. Muito bem! Isso mesmo! Penso eu. Faça valer seus direitos! Fico lá parada esperando o gerente! Bracinhos cruzados, pezinho tec-tec-tec, cara de lady-indignada-coberta-de-razão! Finalmente me chega ela! Com aquela cara “ai-meu-Deus-mais-uma-pé-no-saco”! Educadamente, me explico daqui, ela resiste dali e finalmente (depois de perceber que eu não ia ‘redar’ o pé) ela passa um rádio para o projetista rebobinar o filme até os créditos:
- Mas não tem nada depois dos créditos! E já tá na hora de eu ir!
- Rebobine o filme, POR FAVOR!! (ela repete, naquele tom de ‘não discuta’).
E lá vou eu, feliz e saltitante, de volta para a sala de projeção. Ai meu Deus… só falta não ter cena final nenhuma! Que vexa! Vão achar que eu sou LOUCA! Mas passam os créditos e… e… Lá vem a cena final! Uffa!! Ainda bem!
Levanto e saio feliz da vida. Com aquela sensação de realização de ter vencido uma batalha justa! E na cara, estampado, aquele ar de do tipo ‘Não disse?’. Bom… isso até me dar conta de que meu carro estava estacionado láááá do outro lado do shopping. Mas tudo bem.. ainda satisfeita, lá me vou… por dentro do shopping mesmo… as lojas já começando a fechar… passeando… beleza.
Pego meu carro e me vou! Direto para casa! Na confusão da saída não fiz xixi, e as casquinhas da pipoca começam a incomodar! Meu reino por um banheiro, limpinho, com minha escova de dentes!
Chego em casa! Subo as escadas correndo (na medida do possível, considerando que estava com a bexiga por explodir!). Passo pelo Dartagnan (meu gato) sem o ritual do pé, direto para o banheiro, no escuro mesmo!! Não dá pra esperar, não! Sento no ‘trono’ e… ahhhhh… que alívio! Ali mesmo, sentada no escuro coloco pasta na escova. Termino o ‘pipis’… levanto… descarga… e aí sim ligo a luz. Pego a escova, me viro para o espelho e…
- AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (grito estridente mesmo!)
Meu DEUS, o que é isto?!?!? De quem é esse bocão literalmente ‘borrado’ de vermelho-carmim-de-palhaço?!?!?! Meu?? Ai ai ai… Meu!!! Quando foi que isso aconteceu??????
Aí me vem o flashback da “Busca-ao-Batom-Perdido“! Mas como? Eu usei ele hoje! Era cor-de-boca, tenho certeza! Corro para a bolsa atrás do tal suposto batom cor-de-boca. E qual não é minha surpresa ao achar dois deles, idênticos… iguais… gêmulos! Só que… um era cor-de-boca e o outro vermelho-carmim (uma amiga havia me dado de presente dias antes e eu ‘rebolei’ ele dentro da bolsa).
- AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (outro grito estridente mesmo!)
E passam-se em minha cabeça, como se fosse um rewind quadro-a-quadro, as cenas da minha última hora:
A cara do ‘lanterninha’…
A cara da gerente do cinema…
Os olhares do povo do shopping fechando as lojas…
Ai meus sais minerais!
Nunca mais vou poder botar os pés naquele shopping, quanto mais naquele cinema!!!!
… E assim começou a lenda da MULHER DO BOCÃO VERMELHO entre meus amigos! Segundo eles, ela assombra as salas de cinema quando os créditos não são passados na íntegra, ou quando você não fica lá para assistir tudinho, tudinho!
Rsrsrsrs….
É… AGORA é engraçado!