15.02.08Ir ao cinema é cada vez mais um desafio!
|| FELIPE NETO, do IsFree.Tv e ControleRemoto.Tv ||
|| Rio de Janeiro - RJ - Brasil ||
Pode parecer brincadeira, pode parecer exagero, mas aproveitar o cinema nos dias atuais está mais difícil que o Johnny Depp ganhar o Oscar. Eu, por exemplo, não consigo lembrar quando foi a última vez em assisti a um filme do início ao fim sem soltar um “shhhhh” no cinema. Isso, logicamente, quando não preciso apelar para o “será que dá pra fazer silêncio?”.
A vida do cinéfilo fica cada dia mais complicada. É saco de pipoca, pacote de amendoim, criança berrando, adolescente indo pra fazer festa, gente sem noção, pessoas que não compreendem o sentido do sussurro e ainda o interminável problema tradicional de um país tropical: O ar-condicionado. Falando em ar-condicionado, por que será que brasileiro só pensa ter duas opções? Ou congela, ou deixa desligado. Será que ar-condicionado de cinema não tem controle de temperatura? Fica complicado ter que levar um casaco de lã toda vez que vou assistir a um filme.
Mas não posso dizer que está tudo ruim. O Kinoplex do Shopping Tijuca, por exemplo, aqui no Rio de Janeiro, resolveu colocar lugar marcado na hora da compra de ingresso. Genial! Acabou com o problema da fila antes de começar o filme (quem aí nunca precisou chegar 1 hora adiantado para poder pegar um bom lugar?) e ainda por cima encerrou aquela disputa de lugar marcado. Ah! Lugar marcado. Isso me lembra de um evento inacreditável que irei narrar pra vocês.

Um belo dia eu e minha noiva decidimos assistir a “O Aviador” no cinema Severiano Ribeiro do Shopping Iguatemi do Rio de Janeiro. Fizemos o procedimento padrão. Chegamos ao shopping 3 horas mais cedo, compramos o ingresso e fomos para a fila faltando 40 minutos pro filme começar. Chegando à sala, sentamos e vimos os lugares sendo preenchidos categoricamente, até não restar mais nenhuma poltrona exceto as da primeira fila. Eis então que entra na sala uma mulher lá para os seus 45 anos e vê dois lugares vazios no meio de uma fileira. Atravessa o mar de pernas e chega ao recinto, onde é surpreendida por uma mulher loira, lá para os seus 25 anos, que lhe diz: “Desculpe, meu marido está aqui, ele só foi ao banheiro”.
Qualquer pessoa normal teria respondido: “Ok, obrigado“. Mas essa não era uma mulher normal. Ela começou a gritar, de tal forma que todo o cinema parou para prestar atenção e ouvir cada palavra. A resposta foi:
- Seu marido? Cadê? Não estou vendo nenhum marido aqui.
- Não, senhora, ele foi ao banheiro.
- Se ele não está aqui, então eu vou me sentar aí com meu marido!
- Senhora, por favor, ele já está voltando. E onde está o SEU marido?
- Foi ao banheiro, por quê?
- O meu também.
- Mas eu vou sentar aí! O lugar está vazio.
- Não vai não, a senhora chegou faltando 5 minutos pro filme começar e quer roubar o lugar do meu marido que ficou na fila meia hora comigo?
Pasmem. A mulher não falou mais nada. Ao invés disso, literalmente trepou em cima da poltrona ocupada ao lado da mulher loira e tentou passar por cima dela para chegar até o outro lugar. E chegou, inclusive machucando a pobre indefesa que só estava esperando o marido. Sentou-se e fingiu que nada havia acontecido. A loira então levantou-se e saiu da sala.
3 minutos depois, entram a loira, os dois maridos que tinham ido ao banheiro e um funcionário do cinema. A loira começa a contar a história, chorando. Explicando a tentativa de homicídio da louca que tentou pegar o lugar. Foi aí que a vaca foi pro brejo. O cinema inteiro decidiu tomar as dores da mulher, inclusive eu. Primeiro, as pessoas começaram a gritar que a loira estava certa e que a outra era uma barraqueira. Enquanto isso, a louca continuava tomando seu refrigerante olhando para a tela em branco, sem nem se preocupar com o que estava acontecendo. O funcionário saiu da sala e voltou com o gerente, que se direcionou à mulher louca.
Quando ela foi começar a falar, o cinema inteiro explodiu em gritos: “BARRAQUEIRA! BARRAQUEIRA! BARRAQUEIRA!” E, nessas horas, sabe como é, surgem até mesmo aqueles comentários preconceituosos: “Volta pra favela que é o teu lugar“, “Sua imunda, suja!”, “Volta pra Nova Iguaçu, filha da p*ta!”
O marido da barraqueira então partiu pra cima do marido da loira, que estava calado o tempo todo. Começou a peitá-lo e outras pessoas foram segurá-lo. O caos era total e só piorou quando o sujeito à minha frente pegou o copo de coca-cola cheio até a boca e arremessou na direção da barraqueira. O problema foi que ele errou e acertou em cheio uma mulher que estava na frente.
Olha. Foi indescritível. A situação só acabou quando o gerente conseguiu expulsar a louca, que antes de ir embora ainda deu um empurrão na coitada da loira, jogando ela longe. O cinema, logicamente, continuou berrando e agredindo a causadora de tudo. Até que os ânimos se acalmaram e o filme começou.
Essa história só prova o comportamento que muitos brasileiros têm dentro de si. A falta de preocupação com o próximo, a ausência total de altruísmo. Só é uma pena que quase nunca essas pessoas sejam enxotadas da sala de cinema aos gritos de: “MAL EDUCADO! MAL EDUCADO!”
Aí sim eu poderia assistir a meus filmes em paz.
Categorias: Experiências, Falta de Educação
Nossa, ótima estória, se tivesse acontecido mesmo!
Com uma criatividade dessa acho que vc tem até talento para ser roteirista de comédias pastelão, nessas do estilo Todo Mundo em Panico.
February 15th, 2008 às 11:11 am
Felipe, não é só com as vozes que temos de lidar no cinema. Em dezembro, estava com meu filho assistindo ao Bee Movie e uma turma de adolescente sentou-se ao nosso lado munida de celulares. Além da voz, fomos incomodados pela luz dos referidos aparelhos. Malas hi-tech.
February 16th, 2008 às 3:19 pm
É bom não generalizarmos quanto aos adolescentes, tenho 16 anos e odeio os mal-educados. Fui na inauguração do Kinoplex do Shopping Tijuca, assisti “A Lenda do Tesouro Perdido 2″, e veio aquele comercial do IG, de dar notícias antes do filme.
A primeira é do meu vascão, e vem o problema, começa a gritaria “fogoo”, “nensee”, “mengoo”, e a gritaria dos times continuou até noticiarem a morte de Heath Ledger, aí o povo fico quieto e esperou o filme começar…
February 16th, 2008 às 6:32 pm
é imprecionate como as pessoas são né!
acho que qualquer cinéfilo passa por essas situações pra conseguir ver um filme!
toda a sessão de cinema que eu vou, tem aquele grupinho que vao só pra conversar!
esa história é bem típica do iguatemi mesmo, cada povinho barraqueiro que tem por aqui ¬¬
February 16th, 2008 às 9:09 pm
Valeu pela credibilidade, Jeremias! Sem dúvida sua opinião é muito importante para este site.
February 17th, 2008 às 10:50 pm
O problema da falta de educação nas salas de cinema acontece no Brasil todo. Ano passado fui assistir ao filme “Ultimato Bourne” e foi preciso muito sangue frio para não levantar do meu lugar e encher a fuça de uns engraçadinhos que não paravam de falar!!!!
Mas isso não acontece apenas nos cinemas de shoppings. Uma vez fui ao SESC e no meio da sessão de um filme supercabeça uma senhora atendeu ao celular, que deveria estar desligado, e começou a bater papo com a fillha!!!! Todo mundo se revoltou e a dita senhora acabou saindo da sala e não voltou mais. Foi a melhor coisa que ela fez naquele dia!!!!!
February 18th, 2008 às 1:38 pm
Ainda não aconteceu nada de chato ou engraçado comigo no cinema, talvez porque na minha cidade só tem um cinema com 3 salas. =D
February 18th, 2008 às 9:48 pm
Eu odeio esse tipo de situação, vc tah vendo legal pra caramba e uns manés ke naum se tocam ke estão errados ficam fazendo graça.
Quando eu fui ver Transformers lembro ke tinha um cara na frente com a namorada ke naum parava de falar, e tinha hora ke o cara falava m**da alto, nem deu pra ver o filme direito, a vontade era de pegar o cara e a namorada e dar porrada nos dois tanto ke eles nem iam falar mais no cinema¬¬
Uma vez no Homem Aranha 3 aconteceu parecido tbm, tava vendo lah um filme de boa kuando uns molekinhos começaram a ficar conversando entre si e falando mtas bobeiras, ai um cara pego e deu uma bronca nos molekes ke eles ficaram quietos ateh depois da saída XD
February 19th, 2008 às 1:50 pm
eu odeio esse tipo de gente.
cara, eu vou ao cinema pra ver o filme. e olha acabei de fazer 13 anos mas adoro filmes. as pessoas não deviam trazer crianças tão pequenas ao cinema, tudo bem se for filme infantil, mas sabemos que a maioria não se concentra.(só vai pra comer).
February 22nd, 2008 às 11:16 am
se eu tivesse nesse cinema ai, eu proucurava uma cadei bem de frente pro barraco, e começava a assistir.
to brincando, não sou tão cruel assim(acho)
February 22nd, 2008 às 11:26 am
Felipe
Uma coisa que me incomda muito, eu cinéfila, é quando vou ao cinema super afim de assistir a um determinado filme, prestar atenção meeeesmo, nos detalhes, e um inconveniente fica chutando a minha caderia atrás o tempo todo, isto me distrai, e para não atrapalhar as outras pessoas que estão assistindo, eu fico olhando para trás, na esperança que o mal educado pare de chutar a minha cadeira, mais na maioria das vezes não adianta. A sua história acredito que seja real, pois já presenciei algo parecido!!!
February 22nd, 2008 às 3:37 pm
Situações como essa são realmente horríveis. Eu tenho um tremeno azar pra ser incomodado dentro do cinema. É tudo: celular, conversas altas, crianças berrando, folgados colocando os pés no encosto da minha cadeira…
várias vezes já tive que xingar alguém ou mudar de lugar pra poder assistir ao filme sossegado.
February 22nd, 2008 às 5:22 pm
cara, não é tão díficil assim o Johnny Depp ganhar o Oscar, o que você tem contra ele? ¬¬
er, eu nunca presenciei um barraco no cinema, acho que aqui em Manaus não tem muito disso, as pessoas respeitam dentro do cinema. x)
February 22nd, 2008 às 8:25 pm
Bom…é dificil o Johnny ganhar o oscar, não por ele ser um ator ruim, pois na minha opinião é o melhor ator da geração dele, mas é dificil pelo fato da academia não dá valor a papeis excentricos.
Putz cara..tá horrivel mesmo! Já passei por várias situações desagradaveis no cinema. Oh povinho mal educado!
February 25th, 2008 às 5:11 pm
Isso nunca aconteceu comigo, talvez porque quase sempre que vou ao cinema evito os horários e dias com muita multidão e cinemas também. Sou capaz de pegar 3 ônibus apenas para fugir de um cinema mais agitado como o do Del Rey da minha cidade (Belo Horizonte).
Gostava muito de ir à um que ficava na Pampulha, tinha equipamentos mais razoáveis mas quando vi Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban nele em pleno sábado ás 15 hrs tinha apenas 3 pessoas na sala além de mim. =]
February 27th, 2008 às 6:59 pm
Hhauhauhaua Genial !
Se eu estivesse por lá tbm teria arremessado o Refri.
March 4th, 2008 às 9:00 am
Ótima história. Morri de rir, apesar de ser uma tremenda falta de educação, achei super engraçada.
Merecia entrar em uma cena de cinema. Parabens!
March 5th, 2008 às 7:22 pm
O que tem de engraçado nesssa estória tem da verdade do povo brasileiro. Uma vez eu fui ver Harry Potter e o lanterninha foi lá para ajudar a levar aos lugares. Pra falar a verdade, era um farol, que você quase não prestava atenção no filme e até bateu na tela por alguns segundos. Teve até um adolescente com a namorada (eu acho) que chingou (sorte que não foi alto) a Dolores.
Um cinéfico falando a outros…..
March 5th, 2008 às 10:42 pm
Não sei porque algumas pessoas não acreditam que esta história seja real… Como se não testemunhássemos cotidianamente situações absurdas da mais completa falta de noção e, infelizmente, uma situação é fato: quanto mais popular é o cinema - e o filme, ou o seu gênero -, maior é a possibilidade de protagonizar ou assitir ao bestialismo e a todo tipo de comportamento grotesco. Claro que já vi gente super-culta-moderna-distinta furar a fila no Espaço Unibando de Cinema, mas por isso falei “possibilidade”. Infelizmente há pessoas que têm uma visão tão estreita e deturpada das possibilidades que o consumo oferece que supõe que “se pagaram, podem fazer o que quiser”, esquecendo-se que, pagando ou não, gratuito ou não, todo espaço público ou coletivo deve ser respeitado, e o único lugar em que podemos fazer o que quisermos é nossa casa - isso quando moramos completamente sozinhos e isolados -, o que e cada vez mais impossível, num planeta com mais de 6 bilhões de habitantes. Resta àqueles poucos educados pagarem de cdfs, chatos, malas, etc., afinal, a filosofia é “os incomodados que se mudem”,”cada um, cada um”, ou “cada um com seus poblema”, como já cansei de ouvir.
April 3rd, 2008 às 9:38 pm
eeei o johnny depp é o melhor ator q tem´são aqueles velhos da academia q nao dao valor
e por favor peça desculpas
mas a historia é interessante
May 13th, 2008 às 3:54 pm
concordo com o Jeremias… o carinha do primeiro comentário lá em cima! Felipe, vai contar outra… essa história parece filme d comedia q nunca acontece em vida real… e sem duvida, se acontecesse mesmo, a mulher barraqueira seria alguma parente sua, né… uhhh!!!
June 28th, 2008 às 2:53 pm