Fuga da Escola!

|| GUSTAVO GASPAR, leitor do CCR ||
|| Carangola – MG - Brasil ||

Rio de Janeiro, ano de 1999 (se não me falhe a memória).

Era mais um dia de aula, como qualquer outro na vida de um moleque no Rio de Janeiro. E como já é de costume, esse moleque - eu - saía de casa já pensando no porre que ia ser agüentar cinco horas seguidas com a bunda sentada numa cadeira ouvindo professores chatos falarem. A desculpa de que eu estava passando mal já não colava com minha mãe. Então, para quem não queria gastar o precioso tempo nessa situação em plena sexta-feira, a solução era combinar alguma coisa com os amigos.

Chegando ao colégio, encontrei com os amigos na entrada e logo surgiu o assunto:

- Plena sexta-feira galera! Poderíamos fazer alguma coisa extra-escolar, hein?Todos gostaram da idéia, claro. Não que eu fizesse parte da turminha do fundão, mas eu de vez em quando sentia vontade de extravasar. Tínhamos algo a nosso favor. Em meu colégio, na época, assistíamos a dois períodos e logo depois chegava à hora do intervalo. Somente depois do retorno chegava a hora dos intermináveis últimos QUATRO períodos. Era de deixar os cabelos em pé! Cada um durava cerca de 50 minutos, e o intervalo uns 20 minutos. Durante as primeiras aulas, sentamos todos juntos e começamos a bolar nossa fuga. No intervalo, para os alunos do ensino médio, era permitido que esses fossem até a rua. Podíamos comprar nossos lanches no trailer da frente, na lanchonete do Zé da esquina ou irmos ao McDonalds, Bob’s, etc. Resolvemos, então, durante essas aulas, que iríamos, todos os oito, ao cinema! Não fazíamos a menor idéia de que filme estava passando. O cinema mais próximo era um daqueles cinemas de um filme só, de esquina de rua.

No intervalo então fugimos. Com todo um esquema para passarmos pelo porteiro com a mochila. Essa etapa nem vou comentar, porque entregaria os segredos do submundo escolar. Fomos então ao cinema. Felizes, conversando pela rua. Devia ser por volta das 15 horas. Quando chegamos e fomos procurar pelo filme que estava em cartaz, veio a surpresa: “‘Um Lugar Chamado Notting Hill”. Não deu outra, nem eu nem nenhum dos meus amigos conhecia o filme. O pôster, ao menos, mostrava a atriz Julia Roberts, o que não me enchia os olhos, mas já era alguma coisa. E na época eu ainda não conhecia Hugh Grant. Já estávamos lá, e pra chegar até outro cinema, no Shopping Iguatemi, seria preciso pegar um ônibus e não estávamos com um pingo de vontade de fazer isso. Sacamos nossa grana e nos encaminhamos para a bilheteria. Oito cabeças fazendo fila, e praticamente os únicos. Compramos a entrada para a próxima sessão que já havia começado.

Eu achei que a sala fosse estar vazia, mas não foi bem assim. Não estava lotada também, entre 150/200 lugares existia metade disso de público. Entramos na sala e já estava rolando a introdução do filme. Um escuro total. Para nos guiarmos fomos andando um atrás do outro sem dar muita distância. Alguns com pipoca na mão, refrigerante e tudo o mais. No momento em que o primeiro da fila alcançava o acesso de um dos corredores das poltronas, a música começou a tocar. Eu não sei o que passou pela cabeça do meu amigo, mas ele simplesmente começou a gargalhar. Para o nosso azar, esse amigo era o primeiro da fila. Não teve como evitar. Ao gargalhar ele automaticamente parou e, como um engavetamento de carros, ocorreu um engavetamento de pessoas. Era uma ladeira e um por um, começamos a esbarrar uns nos outros e a cair pelo chão do cinema. Pipoca voando em cima das pessoas, coca-cola molhando muita gente, inclusive nós mesmos. Ocorreu um pequeno auê, pois a gargalhada não cessou, muito pelo contrário, acabou por piorar. Todos agora riam, até mesmo o pessoal que estava perto e viu acontecer. Nossa sorte é que o escuro não deixou que vissem nossas caras de patetas.

Sentamos, assistimos ao filme e o resto da sessão correu tranqüilo. Porém, para terminar de uma forma pior, não faltou muito. Ao sairmos, nos despedimos, e fomos um pra cada lado. Quando me coloquei pra atravessar a rua e ir a algum lugar antes de ir pra casa, já que o horário ainda era muito cedo do término da aula, um gol preto passou na minha frente, freou e deu ré. Parou diante de mim, abriu o vidro e disse:

- O que o senhor faz aqui à essa hora?

Era minha mãe.
Levei um esporro tremendo, o percurso inteiro, dentro do carro e em casa.

Até hoje me pergunto:

Em tanto lugar pra ela estar, numa cidade grande como o Rio de Janeiro, por que ela tinha que estar exatamente naquele lugar àquela hora?

Tem coisas que nem Freud explica!

Categorias: Engraçado, Experiências



2 Comentários em “Fuga da Escola!”

  1. Felipe "Stoker" Goulart diz:

    Hahahahahahaha…

    Muito boa a história, lembrando que apesar de sermos nerds, temos amigos que não são…

    Mas, que a cena foi importante ela foi sim.

    Boa história…

  2. Guilherme Diniz diz:

    uhaehuahuauheahuaeuhae

    já aconteceu isso comigo também..
    Infelizmente eu não tinha ido ao cinema, mas matei aula com meu amigo e do nada estavamos saindo do “Mcdonalds” onde tinhamos indo e a mãe dele passa com seu carro e dá uma bronca…
    hehehehehe
    Boa História mesmo!

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