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Metamorfose com: Lázaro Ramos
Data de Publicação: 03 de Maio de 2006
Por: Beatriz Saldanha

Um dos maiores atores dessa nova safra do cinema brasileiro, Lázaro Ramos vem, cada vez mais, se destacando aos olhos da crítica e do público. Ora com personagens de gigantesca importância no roteiro, ora com papéis diminutos, ele sempre se faz presente com o seu talento colossal, pois, independente da repercussão do filme em que atua, ele anseia por ver pessoas negras no cinema.

Lázaro nasceu mirrado, um bebê que, como ele mesmo diz, parecia que não ia vingar. Foi criado pela tia-avó Dindinha, que cuidava de todas as crianças da família. Era quase que uma tradição. Ainda hoje chora ouvindo músicas que lembram a vida boa na casa da tia. Aos 10 anos, participou de uma peça de teatro ocorrida no colégio. Na adolescência, fez diversos cursos, como o de dança, teatro, canto e outras artes. Trabalhava em um hospital, coletando exames de todos os tipos. Há cerca de uma década descobriu o seu lugar no Bando de Teatro Olodum, um grupo de atores baianos.

Em 1995 fez uma participação em “Jenipapo”, o primeiro longa-metragem da talentosa cineasta Monique Gardenberg, baiana como Lázaro. Porém só veio a ganhar um bom dinheiro, em “Cinderela Baiana”, filme que conta a história da dançarina Carla Perez. Nele, atuou como o melhor amigo da moça. Depois dele, Lázaro pôde, inclusive, deixar o emprego que mantinha.

Dois anos mais tarde, faz também uma participação no filme da venezuelana Fina Torres, que mostra Penélope Cruz como uma brasileira casada com o personagem Murilo Benício que, ao descobrir que o marido a trai, parte para os Estados Unidos e monta um programa de culinária. Lázaro continuou fazendo alguns trabalhos, atuando em peças e, em 2002, voltou ao cinema em um filme de Aluísio Abranches, “As Três Marias”. Nele, três irmãs se unem a pedido da mãe para vingar a morte dos dois homens de sua família. Lázaro novamente faz uma pequena participação, como Catrevagem, um personagem folclórico, usado por uma das irmãs como intermediário com um pistoleiro, já que este não fala com mulheres.

No mesmo ano, aceita o papel de João Francisco dos Santos, vulgo Madame Satã, alcunha que dá nome ao filme. Ele mostra a vida de João, um malandro, homossexual, pai adotivo, ex-presidiário, que vive na Lapa dos anos 30. Antes de fazer o papel, Lázaro só tinha ouvido falar do mito por seu pai, que dizia que ele foi um malandro viado que dava porrada em polícia, em seis caras ao mesmo tempo. O filme concorreu e conquistou inúmeros prêmios nos festivais mais importantes do cinema mundial, rendendo também a Lázaro, o reconhecimento.

 

Retorna ao cinema em 2003. Desta vez em “O Homem do Ano”, de José Henrique Fonseca. Baseado no livro “O Matador”, de Patrícia Melo, Rubem Fonseca adaptou o roteiro do filme. Uma equipe com esse sobrenome só poderia resultar em um ótimo filme, que conta a vida de Máiquel (Murilo Benício), a partir do momento em que ele faz uma boba aposta sobre um jogo de futebol. Máiquel perde a aposta, tendo que pintar o cabelo de um loiro nada discreto. A cor da tinta usada para este fim acaba gerando uma imensa confusão. Lázaro aparece no filme como um ‘matador por acaso’, juntamente com os personagens de Murilo Benício, André Gonçalves, Perfeito Fortuna e Paulinho Mosca.

No mesmo ano volta a estrelar como protagonista, no filme de Jorge Furtado, “O Homem que Copiava”. Nesse longa, Lázaro interpreta um operador de fotocopiadora. Toda a cultura que possui é incompleta, obtida em trechos de poemas ou de livros acadêmicos que as pessoas levam à gráfica para serem copiados. Ele se apaixona por uma vendedora de uma loja e, a partir daí, a sua sina começa. Inventa mil planos para chegar até a moça quando, baseado numa péssima idéia, consegue comprar um acessório para a sua mãe na loja em que a menina trabalha. Eles passam a se encontrar e o filme torna-se uma graciosa e absurda estória de amor.

 

Ainda em 2003 atua em “Carandiru”, mais um filme polêmico do argentino naturalizado brasileiro, Hector Babenco. Lázaro faz Ezequiel, um surfista extremamente saudável que, quando preso, passa a usar drogas pesadas, ‘ganhando’ um desenrolar trágico na estória. Parte da popularidade de Lázaro deve-se aos seus trabalhos na televisão. No final deste mesmo ano participou de um dos quatro episódios de um programa, sendo novamente dirigido por Jorge Furtado. Todos eles foram baseados em obras literárias, como o louvável “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, em que conta a trajetória funesta de Macabéia, uma retirante nordestina.

Lázaro atua no episódio adaptado da obra de Simões Lopes Neto, “Negro Bonifácio”. O ator novamente tem o papel principal. O episódio narra a luta de Bonifácio e Nadico pelo amor de Tudinha, uma moça interpretada por Carolina Dieckman. A disputa acaba em uma luta de facões. Uma estória bastante telúrica, ambientada no Rio Grande do Sul.

 

Ainda na televisão, Lázaro volta no ano seguinte, estreando juntamente com Wagner Moura, Bruno Garcia e Lúcio Mauro Filho um dos programas de maior popularidade entre as mulheres, “Sexo Frágil”. Cada ator interpreta um homem e uma mulher, o que torna o seriado, recheado das mazelas do mundo masculino, bastante cômico. O término da segunda temporada do programa rendeu bastante polêmica, podendo até ser encontrado na internet, um abaixo-assinado para que o mesmo volte ao ar. Vale ressaltar que, nele, nosso Lázaro interpretou um jornalista com idéias bastante comunistas, e sua irmã, Priscila, uma modelo extremamente fútil. Personalidades completamente distintas fazem da personagem feminina de Lázaro, bastante popular.

Continuamos em 2004, e, Lázaro, como grande parte do bom elenco de “Nina”, faz uma aparição pequena. O filme é uma livre adaptação do clássico da literatura russa "Crime e Castigo", do escritor Fiódor Dostoiévski. Nele, Lázaro participa como um pintor. Dizem as más línguas, que entra mudo e sai calado. O resto do elenco ‘aproveitável’, está numa atuação desprezível, coisa incomum.

 

Mais uma vez protagonista, volta, ainda em 2004, em “Cafundó”, dirigido por Paulo Betti. O filme é uma ficção sobre a vida de João Camargo, um preto-velho milagreiro, ex-escravo, líder religioso. Um homem que se dedica a servir para ser livre. Lázaro contracena com Leona Cavalli, outra nova atriz dotada de imenso carisma, conhecida por nós como a dona do bar no filme “Amarelo Manga”, que vivia a se queixar da rotina ordinária que levava. A equipe de “Cafundó” espera um grande retorno das bilheterias quando o filme chegar aos cinemas nacionais. Voltando a ser dirigido por Jorge Furtado, em janeiro de 2005, Lázaro estréia em “Meu Tio Matou um Cara”. Ele faz o papel do ‘criminoso’ que dá título ao longa. Um dia, inesperadamente, Éder (personagem de Lázaro) chega à casa do irmão confessando ter matado um cara. Ex-marido de sua namorada, mais especificamente. Ele tem um sobrinho inteligente, que logo passa a desconfiar que há algo de errado nisso. O menino (interpretado por Darlan Cunha, de “Cidade de Deus”), juntamente com a sua amiga-paixão e um melhor-amigo-bastante inconveniente, passa a investigar o caso. Uma deliciosa comédia romântica, com o seu quê de Jorge Furtado, que, como já foi dito no portal, parece concluir a ‘trilogia do rapaz apaixonado’. Rapazes estes, cada vez mais cativantes.

 

Em 2005 ele atua em dois filmes. Um é "Cafundó", em que ele vive um tropeiro, ex-escravo deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus! Uma visão em que se mistura a magia de suas raízes negras, com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé!

O outro filme em que atuou em 2005 foi o premiado "Cidade Baixa". Rodado na Bahia, o filme conta uma história de amor violenta entre dois amigos e uma prostituta. Ela é Karina (Alice Braga), uma jovem que decide deixar sua pequena cidade de carona numa viagem de barco para Salvador ao lado da dupla Deco (Lárazo Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), dois amigos de infância inseparáveis, que ganham a vida fazendo frete e dando pequenos golpes. Porém, com a chegada da garota, uma afeição pelos dois começa a nascer, ao mesmo tempo em que ela corresponde duplamente.

 

Com esse inédito misto de cinema e televisão, termino a Metamorfose desse grande artista, um cara simpático, simples e com carradas de talento. Agora nos resta desejar que sua ambição concretize-se e que o povo negro (imensa parcela da população deste país) possa, enfim, orgulhar-se de ter no cinema, cada vez mais, negros com papéis dignos dos bons atores que podem ser.

 
   PAPÉIS DE PAREDE DA METAMORFOSE
 
 
   INSTRUÇÕES

Para colocar o papel de parede desejado na sua área de trabalho você deve clicar no link de acordo com sua resolução. Ao clicar, o papel de parede irá aparecer em uma nova janela. Quando terminar o carregamento da imagem, clique com o botão direito em cima dela e escolha a opção: Definir como Plano de Fundo / Papel de Parede" ou "Set as Wallpaper.

 
   ATUANDO
 

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