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Metamorfose com: Nicolas Cage
Data de Publicação: 07 de Novembro de 2006
Por: Jurandir Filho

Filho do professor de literatura August Coppola (irmão do famoso diretor e produtor Francis Ford Coppola) e da dançarina/coreógrafa Joy Vogelsang, trocou o seu sobrenome de Coppola por Cage pra não dizerem que sua carreira teria benefício por ser sobrinho de um famoso produtor/diretor. Seu futuro como ator ainda era incerto, até porque, sempre no começo de carreira existem muitos obstáculos, tanto que ele chegou até a trabalhar como pipoqueiro no cinema Fairfax.

Não só a curiosidade de sido pipoqueiro nos revela a biografia de Nicolas. Detentor de vários romances têm dois herdeiros: Weston Coppola Cage, nascido em dezembro de 1992, do casamento com Christina Fulton; e Kal-el Coppola Cage, nascido em 3 de outubro de 2005, da união com a ex-garçonete Alice Kim. O último ganhou seu nome por conta do vício de Nicolas Cage, as revistas em quadrinhos – Kal-el, é o nome kriptoniano de Clark Kent, o Superman. Sua paixão é tamanha pelas revistas, que tinha uma coleção enorme e com raridades, como a primeira edição de Superman. Em 2002 decidiu leiloar seus mais de 400 exemplares. No total, a coleção rendeu-lhe mais de US$ 1,6 milhão.

A inspiração para muitas interpretações de Cage, isso fora dito por ele, foi sua mãe. Quando ele tinha seis anos, ela passava internada num hospital psiquiátrico recebendo choque. “Minha infância era visitá-la no hospital”.

Com alguns pequenos papéis aos 17 anos (como em "Picardias Estudantis" - 1982), ele conseguiu abrir as portas para futuros personagens. Principalmente após "Valley Girl" (1983) no qual ele fazia Randy, um punk da cidade que se interessa por uma garota do vale, Julie (Deborah Foreman). Ainda com cabelos, ele já mostrava nessa época que viria pra ficar marcado nos cinemas, principalmente por suas atuações dramáticas. Filmado no Canadá, "Fúria de Vencer" (1986), Ned Hanlan (Cage), quando jovem, teve sua carreira esportiva gerenciada por empresários que só pensavam em dinheiro, até que conhece o generoso e honesto Walter. Mais malhado, ele já mostra que seu porte físico será um dos pontos fortes de sua carreira.

 

Um ano depois, em 1987, ele fez "Arizona Nunca Mais" (1987) no papel de um ex-presidiário chamado McDonnough, que já foi preso tantas vezes que acabou se casando com a policial Edwina (Holly Hunter). Mas como não podem ter filhos, resolvem seqüestrar um dos filhos de um casal milionário. Só pela cara de Nicolas neste filme, dá pra ver que ele adapta fácil a qualquer tipo de papel, por exemplo este, está com uma cara picareta que vou te contar viu!? Já em "Feitiço Da Lua" (1987), ele faz Ronny, irmão de Johny, noivo de Loretta (Cher). Loretta que ao conhecer o padeiro Ronny se apaixona perdidamente. Agora ela teria decidir com quem ficar. Este filme é vencedor de 3 Oscars, um deles para Cher como melhor atriz, vencedor de 2 Globos de Ouro (Melhor Atriz - Cher e Melhor Atriz Coadjuvante - Olympia Dukakis), Vencedor do Urso de Prata (Melhor Diretor) e Vencedor do BAFTA (Melhor Atriz Coadjuvante - Olympia Dukakis).

 

Até que em comédias ele não se sai mal. Em "Um Estranho Vampiro" (1989) ele faz o papel de Peter Loew, um maluco que acredita que foi mordido por uma vampira e sai louco atrás desta, porém, não pode sair do seu emprego e tem que agüentar seu arrogante chefe. Este filme tem aquela famosa cena onde Cage come uma barata viva (argh). Um ano depois vem "Coração Selvagem" (1990), Cage é Sailor Ripley, um ex-presidiário que acaba de ganhar uma condicional. Ao encontrar Lula Pace Fortune (Laura Dern), sua amante, eles fogem pela estrada que liga Carolina do Norte ao Texas.

 

Em 1995 tivemos dois filmes que valem a pena destacar. Um é "O Beijo Da Morte" (1995) na qual ele faz Little Junior, líder de uma quadrilha na qual um policial, Jimmy Kilmartin (David Caruso), se infiltra para poder incriminar o líder. Realmente, Cage sabe fazer um vilão, apesar de seus principais papéis serem os Dramas/Comédias. Logo depois temos o belíssimo "Despedida em Las Vegas" (1995), na qual ele é Ben, um roteirista alcoólatra que perde o emprego em Hollywood e vai para Las Vegas decidido a beber até a morte. Em Vegas conhece uma prostituta e acabam tendo um caso. Ben rendeu a Nicolas Cage o Oscar de Melhor Ator. Linda atuação.

 

Logo depois de receber o Oscar, ele fez o belíssimo "A Rocha" (1996), ao lado de Sean Connery. Nicolas faz o papel de Stanley Goodspeed, um especialista em armas químicas que ao lado de Patrick Mason (Sean Connery) tem que desativar uma bomba de gás que irá pairar sobre a cidade de São Francisco. Um ano depois veio "Con Air" (1997), um dos campeões de exibições na TV ABERTA aqui no Brasil. Cage é Cameron Poe, um preso que foi condenado por matar acidentalmente um homem. Já perto de ser liberado pela condicional, o seu avião é seqüestrado por criminosos causando uma rebelião. Agora com os cabelos grandes (apesar da eterna calvície), e com o corpo sarado, Cage conseguiu fazer o papel de bom moço, mas durão com a maior naturalidade.

 

Sabe aquela atuação que você dificilmente vai esquecer? Pois é, em "A Outra Face" (1997), Nicolas Cage faz o papel inicialmente de Castor Troy, um terrorista que matou o filho de Sean Archer (John Travolta), agente do FBI. Porém, após uma caça, Castor Troy sofre um terrível acidente e acaba entrando em coma. Sean aceita uma sugestão médica e do FBI, e acaba tendo o rosto transplantado para o do terrorista e vice-versa. Com isso Sean assume o papel de Troy, e Troy ao sair do coma assume o papel de Sean. As mudanças nas expressões são fantásticas. Ótimas atuações de Cage e Travolta. Um ano depois é lançado um dos maiores filmes românticos de todos os tempos, "Cidade dos Anjos" (1998). Seth (Nicolas Cage) é um anjo que vem à Terra para confortar as pessoas na hora de sua morte. Em umas de suas visitas ele encontra Maggie (Meg Ryan), uma cardiologista que faz de tudo para conseguir seu objetivo: salvar vidas. Ao tentar confortar um paciente de Maggie, Seth acaba se apaixonando pela doutora. Porém ele não pode sentir dor, sentir o toque, calor, e etc. Agora ele tem que decidir se continua a ser anjo e esquece o amor pela doutora ou renuncia tudo e passa a viver esse amor.

 

Nunca um filme de roubos de carros chegou próximo ao lindo "60 Segundos" (2000). Randall 'Memphis' Raines (Nicolas Cage) é um ladrão de carros aposentado, porém com uma fama de ser um dos melhores ladrões de carros de todos os tempos da cidade. Ao ver seu irmão seguindo seus passos e entrando em apuros, ele tem que fazer um único serviço pra livrar seu irmão: roubar 50 carros em uma noite. Impossível? Não! Ao lado de Angelina Jolie ele vai fazer de tudo para conseguir seu objetivo. Em 2002 veio o premiadíssimo "Adaptação" (2002), no qual Cage faz Charlie Kaufman, um roteirista que quer adaptar o livro "O Caçador de Orquídeas", de Susan Orlean (Meryl Streep) para o cinema. Cage além de fazer Charlie, ele interpreta seu irmão gêmeo Donald. Uma linda performance. Adaptação ganhou mais de 22 prêmios (entre eles Oscar, Globo de Ouro, Urso de Prata e BAFTA).

 

São muitos os atores famosos que participaram ou fizeram alguma pontinha em filmes sobre a guerra. Nicolas Cage não fica para trás. Em “Códigos de Guerra” (2002) ele é o sargento Joe Enders. O filme tem um tema bem interessante e se passa durante a Segunda Guerra. O sargento, escalado para proteger sem relações amigáveis um soldado da tribo navajo, acaba por criar amizade pelo mesmo. Que pode ser abalado pelo intuito da missão.

No ano de 2003, em “Os Vigaristas”, Nicolas é Roy, em um filme que à primeira vista, parece ser uma típica história sobre dois trapaceiros e seus mirabolantes golpes para faturar uma grana em cima de incautos. Mas a impressão se desfaz logo e descobrimos que, na verdade, a história prioriza as relações familiares à ética da picaretagem.

 

“Sonny, O Amante”, de 2003, é o primeiro e até agora único, filme dirigido pelo ator. Um drama que conta com James Franco (Harry Osborn, de Homem-Aranha) no elenco. No ano seguinte, protagoniza o muito badalado e cheio de propagandas, uma ótima atuação sua, “A Lenda do Tesouro Perdido” (2004), uma tradução muito ruim para “National Treasure”. Nele, Ben Gates (Nicolas Cage) é herdeiro de uma família que, por gerações e gerações, caça tesouros. Ele começa a investigar um tesouro que ninguém houvera de acreditar tendo sido acumulado durante séculos e transportado por vários continentes para evitar que fosse roubado.

 

Um personagem de nome russo, Yuri Orlov, e por trás dele, Nicolas Cage, desta feita em “Senhor das Armas”, filme com ótimos materiais de divulgação. Ao lado de Nicolas no elenco vemos conhecidos atores, como: Ethan Hawke (Dia de Treinamento), Ian Holm (o Bilbo Bolseiro de Senhor dos Anéis) e Donald Sutherland (Cold Moutain).

No drama “O Sol de Cada Manhã” (2005), Dave Spritz (Nicolas Cage) é apresentador de previsões do tempo em uma emissora. Com um bom sucesso, ele tem a oportunidade da carreira quando uma emissora nacional requisita seus trabalhos. Não correspondente ao sucesso profissional, sua vida pessoal não é lá essas coisas todas. Acabando de sair de um divórcio, Dave ainda deve lidar com seus filhos.

 

Em 2006, ele estrela o drama "As Torres Gêmeas", dirigido por Oliver Stone ("Alexandre"). O filme retrata o atentado terrorista ao World Trade Center narrado através de dois policiais (um deles, vivido por Cage), que entraram no prédio entre os dois ataques terroristas.

Ainda em 2006, ele estrela o não muito elogiado "O Sacrifício", dirigido por Neil LaBute ("Possessão"). Ele vive um policial, abalado psicologicamente devido a um trágico acidente que presenciou, é chamado por uma ex-namorada para ajudá-la a encontrar sua filha, que está desaparecida.

 

Quem pensa que a primeira interpretação de Nicolas foi nos filmes, se engana. Quando garotinho, cansado de ser o saco de pancadas de um colega no ônibus escolar, colocou a roupa do irmão, óculos escuros, gomalina no cabelo e entrou furioso no ônibus. Disse que era o primo de Nicolas, e soou a alerta para que nunca mais mexessem com “seu primo”. A precoce caracterização deu certo.

Se desse pra colocar todos os filmes que Nicolas Cage fez, eu colocaria. No entanto, vocês devem ter percebido que eu o acho o melhor ator de Hollywood, não é verdade? Muitos papéis marcantes me fazem ter essa opinião e creio que muitos compartilham desta opinião comigo. Esperamos muito mais deste fantástico ator.

 
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