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Metamorfose com: Uma Thurman
Data de Publicação: 01 de Setembro de 2006
Por: Thiago Sampaio

Com uma beleza única e exótica descendente de família sueca, Uma Thurman, ao longo de sua carreira, tem levado brilho e carisma a produções de estilos bastante distintos. Mesmo tendo a proeza (para não dizer o desprazer) de ter atuado em duas das maiores “bombas” da história do cinema, “Batman & Robin”, e “Os Vingadores”, Uma conseguiu se sobressair com talento e sensualidade, tornando-se, em meio a tanto fiasco, o único ponto alto dessas produções. É considerada pelo diretor Quentin Tarantino sua “diva inspiradora”. O diretor, por sua vez, ousou ao pôr nos créditos finais de “Kill Bill Vol.2”, em tamanho ampliado, as letras Q & U (referentes a “Quentin & Uma”), fazendo questão de dar ênfase à importância e ao valor de Uma na produção, além de mostrar seu carinho pessoal pela atriz.

Após surpreender o mundo com sua brilhante interpretação no longa de Tarantino (dividido em dois), que incluía apresentações de kung fu e habilidades com uma espada de samurai, Uma Thurman passou a ocupar o mais alto patamar dos astros de Hollywood, sendo uma das atrizes mais requisitadas do atual cenário cinematográfico.

Nascida em Boston, Massachusetts, em 29 de abril de 1970, filha de pai estudioso budista e mãe modelo e psicoterapeuta. Cresceu em Amherst, onde teve uma vida boêmia, recheada de visitas de monges do Oriente e refugiados tibetanos. Desde pequena se interessava por interpretação. Aos 15 anos, encorajada a pensar por si mesma e ser independente, resolveu deixar a escola para levar à frente seu sonho de ser atriz. Mudando-se para Nova York, passou a ganhar a vida lavando pratos e fazendo trabalhos como modelo. Apesar de possuir todos os quesitos para obter sucesso nessa carreira, como altura acima da média, olhos azuis penetrantes, belos cabelos loiros e uma beleza diferente das tradicionais, Uma nunca gostou de exercer a profissão, realizando-a unicamente pela necessidade de se sustentar.

Inexperiente no ramo cinematográfico, Uma fez sua estréia no cinema em 1987 no filme “Kiss Daddy Goodnight”, um filme totalmente esquecível no qual interpretou uma adolescente que seduzia homens para roubá-los. No ano seguinte, teve seu primeiro papel principal na comédia para adolescentes “Johnny Bom de Cama”. No mesmo ano, atuou na fantasia “As Aventuras do Barão de Munchausen”, dirigida por Terry Gilliam (integrante do Monthy Python, diretor de “Brazil – O Filme”), filme que conta as fantásticas histórias do maior mentiroso de todos os tempos, que, enquanto tenta escapar da morte, encontrar seus amigos e salvar a cidade do ataque dos turcos, relembra a aposta com o Califa, a visita à Lua, a dança com Afrodite, entre outras aventuras. No filme, Uma interpretou dois papéis: A jovem Rose, e a deusa do amor, Afrodite.

Mas foi com “Ligações Perigosas” (1988), de Stephen Frears, que Uma Thurman ganhou notoriedade e reconhecimento mundial. No filme, ela interpretou Cécile de Volanges, uma bela garota de convento, deflorada pelo Visconde de Valmont (interpretado por John Malkovich). O filme, que conta em seu elenco com: John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Glen Glose, e Keanu Reeves, foi um grande sucesso, obtendo 7 indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme), levando 3 estatuetas para casa. Uma Thurman chamou a atenção do mundo ao protagonizar cenas calientes com John Malkovich, em particular a em que ele oferece ensinar a ela alguns termos sobre sexo em latim. Esta foi uma das cenas mais memoráveis daquele ano.

 

Em 1990, ela estrelou o polêmico filme "Henry & June", de Phillip Kauffman, pelo qual recebeu vários comentários negativos, fazendo com que desistisse de fazer vários filmes subseqüentes. No filme, sua personagem protagonizou diversas cenas de sexo explícito com a atriz Maria de Medeiros. Em seguida, atuou em produções diversas, como a versão para TV de "Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões" (1991), no thriller estrelado por Richard Gere e Kim Basinger, "Desejos" (1992) - na pele da terapeuta Diana Baylor, e no suspense "Jennifer 8 - A Próxima Vítima" (1992), no qual interpretou a testemunha cega de um crime, que poderia ser a próxima vítima de um assassinato, e acaba se envolvendo com o detetive responsável pelo caso, interpretado por Andy Garcia. Em 1993, atuou no misto de policial com humor negro, "Uma Mulher Para Dois", em que sua personagem se vê envolvida com os personagens de Robert DeNiro e de Bill Murray, e no drama cômico "Até as Vaqueiras Ficam Tristes", um "road movie" que explora os temas da identidade sexual e da descoberta social, dirigido por Gus Van Sant (de Gênio Indomável). O filme retrata a louca viagem de uma jovem enquanto descobre o seu lugar no mundo. Nesse filme, Uma novamente protagoniza cenas de sexo com outra mulher, no caso, a atriz Rain Phoenix (irmã do falecido River Phoenix).

Em 1994, integra o elenco de um dos maiores "cult movies" da década passada, o filme "Pulp Fiction - Tempo de Violência", dirigido por Quentin Tarantino, que se torna a partir de então, o seu grande amigo do peito. Ela está brilhante no filme, dando o seu tom feminino à produção, na pele da maluquete viciada em cocaína - Mia Wallace, esposa do chefão da máfia - Marcellus Wallace (Vingh Rhames). Ela protagonizou a já nostálgica cena em que dança twist com John Travolta em um bar, e esbanja talento em outra, ao sofrer uma overdose ao som de "Girl, you`ll be a woman soon". Pelo seu papel, Uma recebeu a indicação ao Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.

 

Após seu imenso sucesso em “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, Uma Thurman atuou em três comédias românticas: “Um Encontro Para Sempre” (1995), “Brincando de Seduzir” (1996), e “Feito Cães e Gatos” (1996). Este conta a história de uma veterinária (Jeneane Garofalo) que trabalha como apresentadora em um talkshow no rádio. Um de seus ouvintes (Ben Chaplin) se interessa por conhecê-la pessoalmente. Por ser muito tímida, considerar-se feia e por ter medo de ser rejeitada, ela se descreve para ele como sua vizinha (Uma Thurman), uma desajeitada modelo, porém alta, loira e que causa impacto logo que é vista.

Em 1997, atuou na ficção científica “Gattaca – A Experiência Genética”, filme que se passa num futuro no qual os seres humanos são criados geneticamente em laboratórios, e as pessoas concebidas biologicamente são consideradas "inválidas". Vincent Freeman (Ethan Hawke), um "inválido", consegue um lugar de destaque em uma corporação, escondendo sua verdadeira origem. No entanto, um misterioso caso de assassinato pode expor seu passado. Mas ele recebe a ajuda da doutora Irene Cassini (Uma Thurman). Apesar do filme não ter acrescentado muita coisa em sua carreira, ela conheceu Ethan Hawke durante as filmagens, com quem se casou em maio de 1998. Tiveram dois filhos, mas o casamento terminou no final de 2003.

 

No mesmo ano, interpretou a vilã Hera Venenosa no quarto filme do Homem-Morcego, “Batman & Robin”, de Joel Schumacher. O filme foi um fracasso generalizado, a ponto de enterrar a série de filmes do Batman (como devem saber, este ano o Homem-Morcego volta às telas totalmente renovado, com sua história sendo contada desde o zero em “Batman Begins”). O roteiro é duro de roer, parecendo mais uma grande piada de mau gosto, recheada de diálogos inacreditáveis, como a piada do bat-cartão de crédito, e a cena em que Robin (Chris O`Donnell) grita: “Ah eu tô maluco” ao pular de uma moto em pleno céu de Gotham City. Tudo isso sem falar nas péssimas interpretações e o visual brega, parecendo mais uma peça infantil de quinta categoria. Apesar do fiasco, Uma Thurman encarna uma Hera Venenosa perfeita e pra lá de sensual, deixando os espectadores do sexo masculino de queixo no chão ante todo seu charme.

Em 1998, atuou na adaptação da famosa obra de Victor Hugo “Os Miseráveis”, de Billie August, na pele de Fantine. O filme, que conta com um grande elenco, que inclui Liam Neeson (como Jean Valjean), Geoffrey Rush (como Javert) e Claire Danes (como Cosette), também foi um grande fracasso de bilheteria.

 

Definitivamente, Uma Thurman não passava por uma fase boa. Em 1998 ela estrelou a versão para o cinema da cultuada série inglesa “Os Vingadores”. O filme teve um orçamento de 60 milhões de dólares, rendendo apenas 23 milhões no mundo inteiro. No filme, ela interpretou a agente Emma Peel, que faz par com o agente John Seed, interpretado por Ralph Fiennes. Juntos, eles precisam lutar contra um vilão misterioso, interpretado por Sean Connery, vivendo aqui talvez o seu pior momento no cinema. Apesar do filme possuir uma ambientação bacana, o roteiro é muito fraco, deixando diversos fatores no ar. O fracasso dessa produção sem charme nenhum foi tão grande, que seu diretor, Jeremiah Chechik, literalmente sumiu do mapa e nunca mais se ouviu falar de outro projeto feito por ele.

Já em 1999, ela atuou no ótimo filme de Woody Allen “Poucas e Boas”, que conta a história do guitarrista de Jazz Emmeth Ray (vivido brilhantemente por Sean Penn). Nos anos 30, em Nova York, ele era considerado um excelente guitarrista de jazz, mas, apesar de toda a sensibilidade para a música, Ray era um parasita no início, e antes da fama ganhava a vida nos bastidores como cafetão, além de ser um mulherengo nato. Uma Thurman interpreta Blanche Williams, a segunda esposa de Ray, uma bela e refinada escritora, porém, bastante infiel.

 

Em 2000, Uma estrelou dois filmes de época que estrearam no Festival de Cannes. O primeiro é “A Taça de Ouro”, filme que conta com Nick Nolte, Kate Beckinsale, Jeremy Northan e Angélica Houston no elenco. Uma interpreta a bela americana Charlotte Stant, que tem um romance proibido com o aristocrata italiano Prince Amerigo (Jeremy Northam). O outro filme é “Vatel – Um Banquete Para o Rei”, produção francesa que conta com Gérard Depardieu, Tim Roth e Timothy Spall no elenco. Neste, Uma interpreta a nobre francesa Anne de Montausier, que mexe com o coração de François Vatel (Gérard Depardieu), o mordomo do príncipe, durante o reinado de Luís XIV, em meio às preparações de um banquete para o dia da visita do rei.

Em 2001, atuações como coadjuvante em “Tape” e “Chelsea Walls” mantiveram sua carreira sólida, embora o lançamento limitado de ambos os filmes a deixaram com uma exposição mínima. Em 2002, atuou no filme para TV produzido pela HBO “Hysterical Blindness”, dirigido por Mira Nair (de Casamento à Indiana), vivendo uma mulher de Jersey que ao lado da amiga Beth (Juliette Lewies), procura pelo grande amor em um bar que elas costumam freqüentar. Por esse papel, Uma ganhou o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Filme para TV/Mini-série.

 

Durante uma bebedeira na folga das filmagens de “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, em 1994, Uma Thurman e o diretor Quentin Tarantino criaram uma personagem chamada apenas de “A Noiva”, que é atacada no dia do seu casamento, entra em coma, e volta anos depois para se vingar. No dia seguinte, o projeto foi parar na gaveta de Tarantino, onde caiu no esquecimento. Depois disso, cada um seguiu o seu caminho e, nove anos depois, Uma e Quentin se reencontraram na cerimônia do Oscar. Ela enfrentava o descaso com os produtores depois de uma série de fracassos (“Batman & Robin”, “Os Vingadores”, “Os Miseráveis”...), e só atuava em produções menores. Já ele era acusado de falta de imaginação devido ao fato de estar parado desde “Jackie Brown” (1997), seu último filme, e de pagar o aluguel reescrevendo roteiros para a Miramax. Ela relembrou a ele a história da personagem que criaram há nove anos, e ele, radiante, decidiu que seria esse seu próximo filme. Ele escreveu o roteiro de 222 páginas com Uma ao seu lado, e afirmou: “Usei Uma como minha caixa de som. Escrevia os diálogos e pedia para ela ler. Ela dava a sua opinião, pedia para mudar algo e partíamos em frente”. Após as filmagens do longa terem sido adiadas por um ano devido a gravidez de Uma Thurman, os dois finalmente fazem o trabalho que há muito tempo ocupava suas mentes, o projeto intitulado: “Kill Bill”. O resultado não foi apenas um longa, e sim dois. O material filmado resultou em 3 horas e meia de projeção. Tarantino e Harvey Weinstein, diretor da Miramax, entraram em um consenso e viram que o melhor a fazer era dividir a produção em dois volumes. Para viver a “Noiva Vingativa”, Uma teve de passar por um treinamento intenso, aprendendo a lutar kung-fu e a manejar uma espada de samurai. O resultado final foi um par de longas bastante distintos e excepcionais, provando o poder da dupla “Q & U” (Quentin & Uma).

No primeiro longa, podemos ver um filme bem diferente do estilo de Tarantino que estávamos acostumados, recheado de cenas de ação, animações, e muito, mas muito sangue. Para se ter uma idéia, tudo foi filmado com tanto cuidado (e sem auxílio de computação gráfica), que a luta da “Noiva” contra os membros da “Crazy 88”, demorou dois meses para ser concluída, tempo que o cineasta levou para concluir todo “Pulp Fiction”. Já no segundo filme, podemos conferir o bom e velho estilo de direção de Tarantino: recheado de diálogos excepcionais (a teoria contada por Bill sobre a origem do Superman é de fazer qualquer um delirar) e muita filosofia, resultando em um dos melhores longas do ano passado. Uma Thurman foi indicada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em dois anos consecutivos, pelos dois volumes de “Kill Bill” respectivamente.

 

Em 2003, Uma atuou também na ficção científica dirigida por John Woo (de “Missão Impossível 2” e “A Outra Face”), “O Pagamento” (2003), ao lado de Ben Affleck e Aaron Eckhart. No filme, ela é a bióloga Rachel, que ajuda Michael Jennings (Ben Affleck), um engenheiro que teve sua memória apagada após um projeto grandioso, a desvendar o mistério que acontece ao seu redor, já que ele passa a ser perseguido por agentes federais sem saber o motivo. Segundo ela, fazer as cenas de ação de “O Pagamento” foi “fichinha” comparado ao esforço que fez para realizar “Kill Bill”.

Este ano, ela pôde ser vista em “Be Cool – O Outro Nome do Jogo” (2005), dirigido por F.Gary Grey (de “Uma Saída de Mestre”), continuação do ótimo “O Nome do Jogo” de 1995. No filme, ela volta a contracenar com John Travolta, retomando a marcante dupla de “Pulp Fiction”. Além de Uma Thurman e John Travolta, o filme conta com um elenco estrelar, que inclui Danny De Vito, Vince Vaughn, The Rock, Harvey Keitel, James Woods, e astros da música como Steven Tyler, vocalista do grupo Aerosmith, e AndreBenjamin, do Outkast. O filme continua mostrando a trajetória do cobrador da máfia Chili Palmer (John Travolta), que decide deixar o ramo cinematográfico de lado, para se tornar um figurão da indústria fonográfica. Uma Thurman interpreta Edie Athens, uma mulher que recebe uma gravadora de herança de seu falecido marido. Juntos, Chili Palmer e Edie Athens resolvem encarar diversos perigos para transformar a promissora Linda Moon (Chstina Milian), em uma cantora famosa.

 

Thurman retorna aos cinemas em "Os Produtores", versão cinematográfica de um dos mais respeitados musicais da história do teatro americano. Nathan Lane e Matthew Broderick voltam aos seus célebres papéis da Broadway, como Max Bialystock e Leo Bloom, um astuto produtor teatral e seu entediante contador que aparece com o plano perfeito para embolsar uma fortuna: arrecadar muito mais dinheiro do que se precisa para produzir um show para a Broadway com fracasso garantido e, então, (como ninguém estará esperando receber nada), Max e Leo podem embolsar a diferença. Seu plano é arruinado e a dupla é pega completamente de surpresa quando sua nova produção é aclamada como o sucesso da hora. Uma Thurman faz o papel de Ulla, a secretária / recepcionista e aspirante a corista sueca

 

Em "Terapia do Amor", de 2005, ela vive Rafi Gardet, uma mulher de 37 anos, que mora em Nova York e se separou recentemente. Decidida a se dedicar à carreira, ela não quer se envolver em nenhum relacionamento amoroso. Mas sua opinião muda após conhecer David Bloomberg (Bryan Greenberg), um talentoso pintor de 23 anos, por quem se apaixona. Rafi faz tratamentos psiquiátricos com Liza Metzer, que coincidentemente, é mãe de David. Lizase vê então em um grande dilema: agir como uma profissional ou como mãe?

Em 2006 ela volta com "My Super Ex-Girlfriend", dirigido por Ivan Reitman (de "Os Caça Fantasmas"). A comédia conta a história de um homem (Luke Wilson) que descobre que a mulher com quem namora (Thurman) é uma super-heroína. Quando ele decide terminar o relacionamento por considerá-la muito controladora e neurótica, ela passa a usar seus poderes para se vingar.

 

Uma Thurman é hoje uma das atrizes mais requisitadas do mercado atual, e sua agenda já está lotada por um bom tempo. Mesmo já tendo pisado na bola na escolha de algumas produções, sua atual situação no cenário cinematográfico é o reflexo do que seu talento e sua beleza, capazes de levá-la muito além do que algumas produções ou alguns críticos enxergam. Não é à toa que a “diva de Tarantino” é uma das mais renomadas atrizes de sua geração. Todo esse sucesso é a prova de muito talento e dedicação. E não há dúvidas de que ela mereça toda essa fase de glória.

 
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