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Metamorfose com: Christina Ricci
Data de Publicação: 15 de Julho de 2005
Por: Pedro Marques

Com apenas 1,55m de altura e 25 anos de idade, Christina Ricci já pode ser chamada de uma das atrizes mais importantes de sua geração. Precoce, divertida, geniosa, ousada e, acima de tudo, talentosíssima, Christina é filha de um advogado e de uma ex-modelo da agência Ford, e a mais jovem de quatro filhos. Nasceu em Santa Monica, Califórnia, no dia 12 de fevereiro de 1980. Mudou-se com sua família para Nova York quando estava com oito anos, e lá começou a atuar em comerciais. Sua estréia no cinema veio aos nove anos, quando o diretor Richard Benjamin a escolheu para ser a filha mais jovem de Cher em “Minha Mãe É Uma Sereia”. Embora quem mais tenha chamado a atenção foi Winona Ryder, no papel da filha mais velha, Ricci conseguiu atenção o suficiente para ter mais trabalho. Após a estréia, Christina atuou em “Aprendiz de Feiticeiro”, onde se saiu muito bem, sendo assim encontrada por Barry Sonnenfeld, diretor do que viria a ser seu primeiro grande longa de sucesso: “A Família Addams”.

Na comédia gótica “A Família Addams”, Christina mostrou para o que veio. Interpretando Vandinha, a filha de Mortícia e Gómez Addams, a menina impressionou a todos com seu olhar frio e propositalmente impiedoso, mas que, também propositalmente, foi responsável por muitas das gargalhadas que o público deu ao ver as peripécias e bizarrices dessa família. Assim, devido ao seu sucesso na interpretação da personagem, Christina foi convidada para trabalhar novamente no papel de Vandinha Addams, na continuação dirigida pelo mesmo diretor do original e que se mostrou melhor do que o primeiro longa, “A Família Addams 2”.

 

Em contrapartida, em 1995, Christina fez um papel completamente diferente do anterior: interpretou Kathleen "Kat" Harvey, uma menina frágil e doce no divertido “Gasparzinho – Um Fantasminha Camarada”, do até então inexperiente (foi o seu primeiro filme) Brad Silberling. O filme conta a história de Kat e seu pai, Dr. James Harvey, que se mudam para um antiga mansão a fim de “exorcizar” fantasmas que, segundo a lenda, vivem lá. Foi aí que Christina se firmou realmente como uma grande atriz (precoce, é verdade), pois mostrou versatilidade e competência em papeis completamente díspares. O resultado? Nada mais, nada menos, que 280 milhões nas bilheterias de todo o mundo.

Daí então, no mesmo ano, a moça resolve enveredar pelo caminho do drama, deixando as comédias um pouco de lado. Eis que surge interpretando uma pré-adolescente no filme “Agora e Sempre”, da diretora Lesli Linka Glatter. Novamente sua interpretação foi merecidamente reconhecida pela crítica e pelo público. Neste drama, Christina vive a personagem de Rosie O’Donnel, sendo que anos mais nova, já que o filme conta a história de quatro amigas que se reencontram e relembram fatos importantes de sua infância. Apesar de ser um filme passado exaustivamente em um Cinema em Casa ou algo do gênero, o longa é um ótimo retrato de como as amizades podem se perder ou se firmarem com o tempo.

 

Já em 1997, com 17 anos, Christina, agora sob a direção segura e madura de Ang Lee, dá sua segunda investida em dramas, onde interpretou Wendy Hood em “Tempestade de Gelo”, uma adolescente que está inserida em uma família à beira de uma total desintegração. Este drama intimista de Ang Lee foi a prova cabal de que Christina, apesar de jovem, tinha talento de sobra e que poderia muito bem dividir cenas com pessoas experientes na arte de atuar como Sigourney Weaver, que recebeu uma indicação ao BAFTA e ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, Kevin Kline e Joan Allen.

Em 1998 ela recebeu o prêmio de Rainha dos Filmes Independentes, pela atuação em “Búfalo’66”, “Medo e Delírio” e “O Oposto do Sexo”. Por este último, Christina foi indicada ao Globo de Ouro por Melhor Atriz e também para o Independet Spirit Award, para a mesma categoria.

 

Então, em 1999 protagonizou, juntamente com Johnny Depp, uma das obras mais interessantes do visionário diretor Tim Burton: “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”. No papel de Katrina Van Tassel, a filha de Lady Van Tassel, uma das mulheres mais ricas de Sleppy Hollow, o vilarejo onde as aparições do tal Cavaleiro Sem Cabeça cometem seus atos, a Christina-menina se tornou a Christina-mulher, e pode, finalmente, receber os créditos pelo seu talento, já que seus papéis (ousados, diga-se de passagem) anteriores haviam sido feitos mais em cinema independente.

Com o reconhecimento pelo público e pela crítica como uma atriz madura e experiente, Christina recebeu o contive de outro diretor renomado para protagonizar um filme seu. O diretor seria o queridinho por alguns e odiado por outros Woody Allen e o filme foi o “Igual a Tudo Na Vida”, em 2003. Dividindo a tela com outro ator jovem e com a carreira em ascensão (Jason Biggs) e o diretor do longa, Christina não fez feio, mas também não se destacou; apenas cumpriu seu papel como deveria, ou seja, foi apenas correta. Muitos consideram esse filme um dos mais fracos de Allen. Tanto pela dupla de protagonistas escolhida, tanto pelo roteiro fraco e previsível.

 

Christina não se deixou abalar pelas críticas e, após o término de seu contrato de “Igual a Tudo Na Vida”, foi fazer o que se tornaria uma das obras mais inquietantes do ano: “Monster – Desejo Assassino”, no qual sua companheira de cena e de cama (no filme) Charlize Theron ganhou o Oscar por sua atuação. Neste filme Christina interpreta Selby, uma jovem lésbica que tem um caso tórrido com Aileen (Charlize Theron), uma prostituta local. Considerada por muitos como a melhor atuação de Christina, ela realmente, neste filme, se despiu totalmente de toda a áurea infantil que teimava em envolvê-la e passou a ser vista pelo seu público como uma grande atriz.

Atualmente podemos vê-la no suspense “Amaldiçoados”, do diretor da trilogia “Pânico”, Wes Craven. Neste longa ela faz o papel de uma jovem que, juntamente com mais dois outros jovens, é mordida por um lobisomem e descobre que, para parar com a maldição passada pela mordida, eles têm que matá-lo.

 

Enfim, acho que deu para perceber que Christina Ricci é uma das atrizes mais promissoras de sua geração. Apesar de ter começado cedo a atriz não se arrepende de tê-lo feito, sob o argumento que era uma criança muito ativa e precisava canalizar suas energias para algo útil. Ainda bem que ela pensa deste modo, pois assim pudemos conhecer uma ótima atriz, que tem muito que aprender, mas que, com o tempo, o fará.

 
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