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Metamorfose com: Johnny Depp
Data de Publicação: 20 de Julho de 2005
Por: Beatriz Saldanha

John Christopher Depp II nasceu em nove de junho de 1963, em Owensboro, uma pequena cidade dos Estados Unidos e decolou para o mundo. Desde cedo possuindo uma certa rejeição a trabalhar para a televisão, Johnny sempre demonstrou ter personalidade forte e ser um adolescente firme em suas decisões. Alternando a sua adolescência entre a atuação e a música, começou a trabalhar no cinema quando já tinha cerca de 20 anos e, desde então, jamais parou. Durante os períodos fracos da música, Depp vendia canetas por telefone. Ele foi apresentado à arte de representar depois de uma visita a Los Angeles com sua ex-mulher, que o apresentou ao ator Nicolas Cage, que encorajou Depp a tentar. Preparamos para o leitor do CCR uma seleção com 26 dos filmes da carreira de Johnny Depp, que, tudo indica, irá aumentar cada vez mais, já que o moço está com inúmeros projetos novos, o que faz a alegria de seus fãs.

Johnny estreou no cinema em 1984, no primeiro filme da série “A Hora do Pesadelo”, de Wes Craven. Um homem foi queimado por sua própria vizinhança, o que o deixou com sede de vingança durante sete longas e o tornou um ícone do terror no cinema, mais conhecido por Freddy Krueger. Johnny faz uma segunda aparição, em 1991, no sexto filme da série. Mas bem antes de reaparecer ao lado do vilão de camisa listrada, ele atuou em uma comédia e até em um programa televisivo. Em 1986, Johnny ganha um papel em “Platoon”, de Oliver Stone. O filme possui muita sensibilidade ao tratar da estória de um recruta idealista que vai à guerra do Vietnã decidido a seguir o destino de seu pai e avô, porém, ao passar da guerra, só se decepciona com o que encontra.

 

“Cry-Baby”, uma comédia no maior estilo Pedro Almodóvar, reúne os tipos mais esquisitos em uma estória romântica. A personagem de Johnny dá nome ao filme. Ele é um moço rebelde, mas que carrega no rosto a marca de uma lágrima provocada pela lembrança de um amor perdido. Em meio a essa dor, Cry-Baby acaba envolvendo-se com uma moça e acarretando diversos problemas com seu ex-namorado. No encantador “Edward – Mãos de Tesoura”, Johnny trabalha pela primeira vez com o cineasta Tim Burton. Não fosse pelas tesouras que foram deixadas em seus braços, ao invés de mãos, Edward seria um ser humano comum. Ele é encontrado por uma senhora, que tenta ajudá-lo, mas que acaba trazendo desespero e indiferença à sua vida, já que os vizinhos não aceitam a sua presença. A parceria entre o ator e o cineasta se fortalece nos anos seguintes.

 

Filmada em 1993, a co-produção francesa “Arizona Dream – Um sonho Americano” é característica pelo seu surrealismo e suas peculiaridades. Johnny interpreta Axel, que viaja ao Arizona a pedido do tio, para fazer negócios. Ele vai contra a sua própria vontade, mas acaba se relacionando com Elaine, uma mulher mais velha, o que incomoda bastante a já perturbada Grace, filha desta senhora. Em “Benny e Joon – Corações em Conflito”, Sam, a personagem de Johnny, traz dores-de-cabeça a Benny, interpretado pelo também galã Aidan Quinn. Benny cuida de sua irmã, Joon, que sofre de problemas mentais. O irmão mais velho começa a preocupar-se quando Joon se apaixona por Sam, colega da menina, que sofre do seu mesmo problema.

 

Sendo dirigido pelo cineasta sueco Lasse Hallström, ainda em 1993, Johnny atua em “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador”. Gilbert é um rapaz desiludido com a vida. Os seus dias constam em cuidar do irmão mais novo, doente mental; das irmãs e de sua mãe, uma mulher inválida pela gordura, que já não mais se levanta de um sofá localizado em frente a uma TV. Somente ao conhecer Becky, uma peregrina interpretada pela linda Juliette Lewis, Gilbert passa a crer novamente na vida, enxergando beleza sustentada por sua nova paixão. Novamente sob a direção de Tim Burton, Johnny interpreta o considerado pior cineasta de todos os tempos, Ed Wood, que dá nome ao filme. “Ed Wood” é uma cinebiografia que possui uma linha tênue entre o humor e o drama, ao mostrar a perseverança e paixão de um cineasta tão desvalorizado que, apesar dos fracassos, vivia por seus filmes. A obra de Tim Burton levou para casa os Oscar de Melhor Maquiagem e de Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau, que interpreta neste filme o lendário Bela Lugosi.

 

Utilizando-se de todo o seu charme, Johnny incorpora o mito Don Juan de Marco, no filme que leva o nome de sua personagem. Um homem aparentemente doente tenta se matar, mas acaba sendo internado em uma clínica. A todos ele jura ser o amante mais famoso de que já se ouviu falar, e conta a sua estória com tanta paixão e veridicidade, que acaba por mexer com a sanidade do psiquiatra responsável por seu caso. No suspense “Tempo Esgotado”, o nosso querido Johnny sofre na pele de Gene Watson, um executivo seqüestrado juntamente com sua filha. A condição para que ele possa salvar a vida de sua pequena é assassinar a governadora em um prazo de 75 minutos. Este longa foi todo feito em tempo real, o que significa que as durações das cenas respeitam o tempo que da ação na vida real.

 

Em “Donnie Brasco”, ao lado do conceituado Al Pacino, o nosso querido Johnny posa de agente do FBI. Correndo todos os riscos, e tendo até que assumir uma nova identidade, ele é encarregado de um caso que envolve uma perigosa máfia, mas acaba aproximando-se do principal culpado e acarretando assim, problemas cada vez maiores, mas desta vez com o próprio FBI. Estreando na direção, o nosso homenageado comanda e atua no filme “O Bravo”, de 1997. Com uma forte carga dramática, o filme mostra os últimos dias de um índio desempregado que, para sustentar a família, aceita ser espancado até a morte em uma cena cinematográfica. Como o forte homem abre mão de sua vida por um punhado de dinheiro, resta-lhe apenas repassar o que aprendeu aos seus filhos.

 

Como se já não bastasse a presença de Johnny, Benicio Del Toro e Tobey Maguire também fazem parte do elenco de “Medo e Delírio”, de 1998. Terry Gilliam, de “Os 12 Macacos”, baseia-se no livro Las Vegas na Cabeça, de Hunter S. Thompson, e dirige os moços. O longa mostra todos os devaneios e aventuras desses personagens, que viajam a trabalho a Los Angeles e acabam não resistindo aos encantos e perdições da cidade. Este é o primeiro filme em que Johnny atua com sua amiga Christina Ricci, com quem, nos anos seguintes, atua em outros dois filmes. Os dois se conhecem desde os sets de filmagem de “Minha mãe é uma sereia”, quando Chris dividia as cenas com Winona Ryder, namorada de Johnny na época. Desta vez, sob a direção do cineasta parisiense Roman Polanski, Johnny Depp interpreta Dean Corso, um especialista em livros raros que é contratado por um colecionador milionário. O serviço pedido pelo colecionador é que Dean viaje à Europa em busca dos dois únicos exemplares (fora o seu) de um livro que, dizem, fora escrito pelo diabo. Como é de se imaginar, Dean envolve-se nas mais inesperadas situações, todas cheias de mistério e suspense. “O último portal” é uma adaptação do livro El Club Dumas, de Arturo Perez-Reverte.

 

Em “Enigma do Espaço”, Johnny interpreta um astronauta que acaba de voltar de uma perigosa missão no espaço e resolve se afastar do emprego para passar algum tempo com a sua esposa. Ao engravidar, a moça desconfia que há algo de estranho com o seu marido depois desta sua última missão e, o pior, desconfia que carrega no ventre algum ser extraterrestre. Baseado em um conto de Washington Ivirg, Tim Burton dirige Johnny Depp em “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”. Sempre ao lado de Chris Ricci, Johnny incorpora Ichabod, um detetive enviado a uma pequena cidade para a investigação de alguns assassinatos em que todas as vítimas tinham a cabeça cortada.

 

“Antes do Amanhecer” fala de Reinaldo Arenas, um artista com vocação para a escrita, que enfrenta inúmeras dificuldades para expressar a sua arte em meio ao regime político cubano. Reinaldo também fora repreendido por ser homossexual. O papel principal é de Javier Bardem, ator espanhol reconhecido por “Mar Adentro”. No elenco, além de Javier, estão os belos Johnny Depp e Olivier Martinez. Extremamente charmoso, Johnny surge em “Porque choram os homens”, ao lado de grande elenco. Ele interpreta um cigano que se envolve com Suzie, personagem de Christina Ricci, uma moça de vida sofrida pelas desventuras da Segunda Guerra Mundial.

 

Outra vez sob a direção de Lasse Hallström e ao lado da divina Juliette Binoche (de obras-primas como “A Liberdade é Azul” e “Os Amantes de Pont-Neuf”), Johnny retorna a interpretar um cigano, em “Chocolate”. Juliette interpreta Vianne Rocher, uma mãe solteira que se muda para uma pequena cidade francesa e passa a viver do que sempre soube fazer: a confecção de chocolates dos mais variados tipos, tamanhos e gostos. Vianne começa a ser perseguida pelos habitantes da cidade, que não vêem honra em seu trabalho e até cogitam que este tipo de atividade não obedece às leis divinas. Em meio a tanta apatia, Vianne acaba conquistando alguns colegas com os seus maravilhosos doces e, com o seu charme, o nosso belo cigano. Longe do clima romântico, Johnny estréia em “Do Inferno”, filme baseado na história de Alan Moore e Eddie Campbell sobre o mítico assassino Jack, o Estripador. Johnny é Frederick Abberline, um investigador da Scotland Yard responsável por estudar a série de assassinatos que vem ocorrendo em um bairro londrino.

 

Em “Profissão de Risco”, Johnny atua como George Jung, um homem sonhador que viaja à Califórnia para seguir o destino do pai, que trabalhara em construção civil, mas acaba corrompido pela boa vida que pode obter apenas com a venda de drogas. A musa espanhola Penélope Cruz está no elenco como a esposa de George, uma viciada em cocaína. Em “Era uma vez no México”, terceiro filme da trilogia do diretor Robert Rodriguez que começou em 1992 com El Mariachi e seguiu com Desperado, de 1995, Johnny é um agente corrupto da CIA que dificulta a vida do justiceiro El Mariachi, papel do espanhol Antonio Banderas.

 

O nosso homenageado ganhou ainda mais simpatia do público, inclusive sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator, ao interpretar Jack Sparrow, um excêntrico pirata que tem o seu navio roubado por um capitão que também seqüestra a moça Elizabeth. Interessado em recuperar o seu navio e juntamente com Will Turner, que possui interesse em recuperar a moça, Jack parte numa aventura em meio a maldições, esqueletos e outros fatores aterrorizantes. Com direito a sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Ator, Johnny estrela “Em Busca da Terra do Nunca”, um sensível drama. Ele incorpora o escritor J.M. Barrie e mostra o processo de criação da sua obra-prima, até hoje bastante explorada, Peter Pan. Toda essa luz veio de um grupo de quatro crianças com que Barrie conviveu em meio a castelos, piratas, naufrágios, florestas; criando assim a fabulosa estória dos meninos que não queriam crescer.

 

Em mais um suspense baseado em uma obra de Stephen King, “A Janela Secreta”, Johnny Depp passa por maus bocados na pele do escritor Mort Rainey Assim como King, Rainey escreve livros de suspense. Um dia, em sua casa afastada da cidade, Rainey tem a infelicidade de ser incomodado por um homem perturbado que afirma que teve o seu livro plagiado. Este é apenas o começo de uma série de desventuras provocadas por este homem, que se torna cada vez mais incômodo, misterioso e assutador. Pela quarta vez sendo dirigido por Tim Burton, Johnny Depp assume o papel de um dos maiores personagens da história do cinema, Willy Wonka, na regravação de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. Willy, homem malicioso, é dono da maior fábrica de chocolates já vista no mundo. Ele resolve fazer um sorteio para que cinco crianças conheçam os corredores que o seu império reserva. O sorteio é bastante disputado, pois há quinze anos a fábrica não era freqüentada por visitantes. O cineasta Tim Burton afirma que sempre quis fazer a sua versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, pois a primeira não foi fiel ao livro em que é baseada a estória, e de que o diretor é grande fã.

 

Que Johnny Depp é um dos atores jovens mais queridos e aclamados da atualidade, nenhum de nós tem dúvidas. Depois desta seleção dos seus filmes ditos mais importantes, só nos resta sobre refletir quantos homens pode haver dentro de um só. Incorporando de forma responsável mocinhos, piratas, ciganos, escritores, detetives, adolescentes rebeldes e até o maior amante de que já se ouviu falar, Johnny Depp apenas confirma a tese de que nasceu para o cinema, pois interpreta os mais diversos personagens, sempre com um carisma e charme especiais.

 
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